20.3.05

Voltaire e os perigos da Leitura

Era comum entre os homens de letras da França do século XVIII, para se esquivarem da censura e do olho inquisidor do clero, fazerem-se passar por viajantes orientais, ou situarem suas histórias em meio a sultões, cádis, odaliscas e dervixes em algum cantão qualquer da Ásia Menor para assim melhor criticarem as opressões a que estavam submetidos. Montesquieu atingiu a celebridade imediata com suas Lettres persanes (Cartas persas, 1721), uma corrosiva exposição dos costumes franceses.
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Voltaire seguiu-o mais tarde, entre outros, com um pequeno artigo intitulado De l´horrible danger de la lecture (Do horrível perigo da leitura) para satirizar os que perseguiam a Encyclopédie e o partido dos filósofos. Para tanto, explorou os arraigados preconceitos que os europeus tinham em relação ao Império Turco-Otomano, velho inimigo dos cristãos e símbolo, segundo eles, da aliança do despotismo com o obscurantismo.
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O Parecer do Mufti Cherébi
Tudo começa, na historieta de Voltaire, quando Joussouf Cherébi, mufti do santo Império Otomano, dá a resposta, numa data imprecisa, a uma solicitação interrogante feita por um ex-embaixador da Sublime Porta na França. O dignatário viera do Ocidente, maravilhado pela presença da imprensa, e queria saber dos grandes sábios do reino turco a opinião deles sobre aquele invento. Consultaram-se então os irmãos cádis e os imãs da cidade imperial de Istambul, sobretudo os faquires ("conhecidos por seu zelo contra o espírito", disse Voltaire), que não demoraram em propor a condenação, proscrição e anatematização do infernal engenho.
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Os Argumentos dos Sábios Otomanos
1. Ela, a imprensa, é perigosa porque facilita a comunicação dos pensamentos, tendendo evidentemente a dissipar a ignorância que, afinal, é a guardiã e a salvaguarda dos Estados bem policiados.
2. É especialmente temível que cheguem, entre os livros que aportam vindos do Ocidente, alguns que tratem da agricultura e sobre os meios de aperfeiçoar-se as artes mecânicas, obras que podem, a longo prazo (o que não agradaria a Deus), revelar o gênio dos nossos cultivadores e dos nossos manufatureiros, exercitando-lhes a indústria, aumentando-lhes a riqueza, inspirando-lhes assim a elevação das suas almas e um certo amor ao bem público, sentimentos que são opostos à sã doutrina.
3. Chegará por fim o tempo em que teremos livros de história descomprometidos com o maravilhoso, o que sempre entreteve a nação numa feliz estupidez: haverá nesses livros a imprudência de fazer justiça às boas e às más acções e de recomendar a equidade e o amor à pátria, o que é visivelmente contrário aos nosso direitos locais.
4. Logo chegará a vez dos miseráveis filósofos que, sob pretextos especiosos, mas puníveis, irão querer esclarecer o homem comum e tentar fazê-los melhores, ensinando-lhes virtudes perigosas as quais o povo jamais deve tomar conhecimento.
5. Argumentando que têm enorme respeito por Deus, eles, os pensadores, terminarão imprimindo escandalosamente, fazendo por diminuir os peregrinos a Meca, provocando um grande detrimento da saúde das suas almas.
6. Sem dúvida chegará o momento em que, à força de ler os autores ocidentais que tratam das doenças contagiosas e da maneira de preveni-las, ficaremos infelizes por nos garantirem contra as pestes, o que seria um grave atentado contra a Providência.
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Recomendações do Mufti Cherébi
Em vista do exposto, o mufti então propõe que, para edificar as fidelidades e pelo bem geral das almas, jamais alguém leia um livro, sob pena da danação eterna. Que evite-se por todos os meios a tentação diabólica dos pais desejarem ensinar seus filhos a ler e a escrever, pois nós os defendemos deles tentarem pensar. Além disso, sugere que os crentes sejam mobilizados a denunciar à oficialidade qualquer vizinho que consiga falar quatro frases seguidas que tenham algum sentido, que sejam claras e inteligíveis. Ordenemos, encerra o mufti, que toda a conversação deve servir-se de expressões e termos que nada signifiquem, tal como é o antigo uso na Sublime Porta.
(adaptação de um texto retirado da net)

19.3.05

Espectacular acção pública de denúncia contra a Zara



O colectivo de mulheres galegas «Mulheres transgredindo» levou a cabo em Santiago de Compostela uma acção de rua a fim de denunciar o grupo económico da Inditex ( constituído pelas empresas e marcas Zara, Stradivarius, Oysho, Pull& Bear, Bherska, Massimo Dutti, Kiddy’s, …)

Sabias que a roupa da Zara não se coze sozinha?

Sabias que essa roupa é cozida pelas mãos de mais de 60.000 mulheres?

Sabias que estas mulheres fazem jornadas de trabalho de mais de 12 horas?

Sabias que não ganham mais de 200 horas/mês?

Sabias que trabalham em instalações sem luz suficiente e mal ventiladas?

Sabias que não autorizadas a separar-se da Máquina de cozer nem sequer para ir aos lavabos?

Sabias que perdem o emprego se engravidarem?

Sabias que a maioria trabalha com contratos a prazo?

Sabias que isto ocorre na Galiza em 2005?

Sabias que em países como Marrocos, China, Índia…trabalham crianças de 8 anos como escravas para a Inditex?

Compreendes agora, então, como é que Amâncio Ortega ( o patrão do Grupo Inditex) se converteu em poucos anos num dos homens mais ricos do mundo?

Informações:
Para ver reportagem fotográfica da espectacular acção de rua:

As bicicletas entram no quotidiano das cidades peninsulares.


As bicicletas tornam-se pouco a pouco no meio de transporte urbano por excelência. Não contamina, é silencioso, não ocupa muito espaço e ajusta-se à fisionomia de muitas necessidades.
Nas cidades do Estado espanhol o uso da bicicleta está em crescendo. Façamos uma pequena resenha.

Os Municípios mais conscientes do problema da mobilidade urbana já ultrapassaram a fase que bastava construir km de vias reservadas para as bicicletas. Hoje, qualquer edil sabe que um Plano de ordenamento urbano, transporte e mobilidade não dispensa a bicicleta como meio de deslocação dentro das cidades, nem hesita em dar prioridade aos peões e às bicicletas. Neste domínio as cidades mais avançadas são Barcelona, Vitória, Córdoba e Donostia.
Consultar:
www.conbici.org
www.ciclismourbano.org


Barcelona
Estima-se em 40.000 utilizadores diários de bicicletas que percorrem os 127 Kmde vias reservadas às bicicletas, a que acrescem os 60 na Ronda Verde.
www.bcn.es/bicicleta
www.amicsdelabici.org


Donostia (San Sebastian)
Na Praia da Concha a via para automóveisfoi convertida para as bicicletas. Os 45 km de vias existentes ligam os principais locais da cidade. O Pacto Cívico pela Mobilidade dá prioridade absoluta ao peão e a bicicleta. Criou-se igualmente um Observatório de ciclistas urbanos.
www.donostia.org
www.kalapie.org



Córdoba
Tem, desde 1997, um Plano Director de Bicicletas que tornou Córdoba como a cidade andaluza melhor dotada de vias para bicicletas. Está apetrechada com 30 Km de via que ligam os seus principais locais, excepto o centro histórico .
www.platabicicordoba.org
www.andaluciaporlabici.org


Valência
A extensão das vias reservadas às bicicletas é de 68 Km, mas existe uma descontinuidade na rede
www.uv.es/universitatenbibi


Madrid
Os 80 Km de vias para bicicletas estão mais pensadas para o ócio que para ligar locais e serviços. Aguarda-se a execução do Plano Director da Mobilidade Ciclista.
www.pedalibre.org


Corunha
Os escassos 8,5 Km de via para as bicicletas no passeio marítimo revelam o pouco apoio que as bicicletas tem recebido nas cidades galegas ( Vigo não tem um único Km reservado para as bicicletas)
www.lacorunaenbici.es.vg


Valladolid
Conta com 50 Km de vias para bicicletas fora do centro urbano, com um trejaco descontínuo e bastantes erros e insuficiências. A Asamblea Ciclista de Valladolid denuncia a falta de apoio para a bicicleta.
www.au.uva.es/asciva

A Declaração de Independência dos Estados Unidos proclamou em 1776 que «todos os homens nascem iguais».

Não obstante essa Declaração, e depois dela, durante muitos anos, meio milhão de negros continuaram a ser escravos e as mulheres continuaram a não ter qualquer direito. Só muito mais tarde, com Martin Luther King, as coisas pareceram que iriam mudar no diz respeito aos direitos cívicos dos negros. Mas será que mudaram?

Hoje, tal como então, fala-se em democracia e em liberdade, mas para quantos homens e mulheres estas palavras não têm qualquer sentido?

O mesmo se passava, de resto, na democracia ateniense cujas regras não se aplicavam nem aos escravos nem às mulheres.

Conclusão:
O que se diz não é o que escreve.
Nem o que se escreve é o que se diz.
Parece ser este o lema da democracia do Faz de Conta!!!!

Abolição dos Exércitos



Abolir os Exércitos é uma necessidade vital.
Recorde-se que na Suíça em 1999 o Grupo por uma Suíça sem Exército conseguiu promover um referendo pela supressão do Exército. Então por que não um Portugal sem Exército?

Hoje, mais do que nunca, quando os mercenário militares andam atarefados em matar o máximo possível, com a ajuda das tecnologias produzidas pelas indústrias e pelos negociantes da morte, é necessário levantar bem alto o grito pelo desarmamento militar e contra os negócios do complexo militar-industrial.

A Humanidade precisa de bens de primeira necessidade, e não de aparelhos sofisticados de morte e destruição.

É Fácil militarizar um Civil
Mais difícil é civilizar um militar



Informações:

www.unionpacifiste.org

www.demilitarisation.org

Não ao militarismo!



A guerra é uma das mais nefastas consequências do espírito autoritário. Ela deriva dos apetites imperialistas, dos interesses do capital, da intoxicação nacionalista, das razões de Estado e dos objectivos próprios das castas militares.
Por outro lado, o sistema militar é um subsistema importantíssimo de salvaguarda da sobrevivência do grande sistema estatal, autoritário por essência. Protege-se por mil e uma formas, e com cuidadosas barreiras, um dos aparelhos mais anti-democráticos do Estado moderno, através de toda uma série de dispositivos desde as formas de reprodução do espírito de casta que estruturam o corpo militar, até à inculcação de valores autoritários da obediência aos chefes, como estágio socializador dos jovens antes destes abandonarem a tropa. E é sempre o Exército que “restabelece a ordem”, seja apoiando as polícias seja fazendo golpes de estado.
Por tudo isto os libertários têm sido sempre os mais consequentes anti-militaristas, mesmo naquelas ocasiões que outros lhes acenam com a pretensa alternativa da constituição de um “exército vermelho”.
Na situação internacional em que vivemos torna-se necessário um recrudescimento do activismo anti-militarista, na luta pela destruição de todas as armas de destruição maciça, e na criação de uma lógica de paz no relacionamento entre os povos. Daí ser oportuno a divulgação da objecção de consciência ao serviço militar e a todas as formas que se traduzam no uso da violência para a resolução dos conflitos internacionais. Nesta linha justifica-se ainda plenamente o estudo, recolha e promoção das técnicas de acção não-violenta que inspiram o activismo da acção directa não-violenta, assim como de toda a filosofia que serve de raiz e fundamento à luta pela justiça e fraternidade por meios não-violentos
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18.3.05

Tomás da Fonseca e os Sermões da Montanha




«Sermões da montanha» é um dos mais famosos livros do ex-padre católico e filósofo português Tomás da Fonseca, aparecido em 1909 . Os argumentos apresentados são contundentes e quase todos actuais. Mesmo alguns dados desactualizados permitem-nos uma útil visão para o passado não distante, lembrando-nos das terríveis pressões e limitações que os nossos antepassados sofreram da parte do retrógrado e todo-poderoso clero católico. Por isso venho aqui apresentar alguns extractos muito interessantes dessa memorável obra do ateísmo lusófono.
Escrito na forma de diálogos com o povo, assim fala o Autor na:
Página 360:
«...o protestantismo é a religião católica reformada. Não quer isso dizer que seja boa, porque não pode haver religiões boas. Dizer-se que uma religião é boa, equivale a proclamar os benefícios do câncer, as vantagens da varíola ou os confortos da sífilis. O que todavia quero dizer acerca da religião protestante é que é menos má. E é menos má porque foi expurgada dum grande número de abusos, intolerâncias e absurdos. Lutero e seus discípulos fizeram ao cristianismo o mesmo que fazemos à s árvores que caducam: podaram-no, fizeram- lhe raspagens, procuraram limpá-lo. Curaram-no? Não, apenas lhe tiraram alguns dos parasitas que roíam a sua decrepitude, a fim de o poderem conservar mais algum tempo. Assim, por exemplo, desfizeram-no dos santos, amputaram-lhe a missa, desafogaram-no dos cardeais, chegando mesmo a extrair-lhe essa grande verruga que o tem cada vez mais canceroso: o pontífice romano, com a sua corte e o seu sacro colégio, a sua infalibilidade. Eles não têm os sacramentos católicos, não observam o celibato dos pastores, não crêem na substanciação, não reconhecem a existência do Purgatório, não querem ofícios nem indulgências; não têm latim, nem confissão, não usam bulas e, sobretudo, não resgatam as almas por dinheiro, pois a isso se opõe a Bíblia, que eles consideram como seu guia principal e único.
Por aqui já podem ver que é uma religião um pouco mais leve para o povo. Sobretudo mais humana, tanto para os que a seguem como para os que a pregam. A sua condição primeira é que cada um tenha e saiba ler a Bíblia. Mas parta que se saiba ler a Bíblia, o que é preciso? Ter aprendido a ler. Pois é o que fazem: o bom protestante é obrigado a saber ler. Eles próprios se comprometem a ensinar todo aquele que os procure. Ao contrário do que manda a Madre Igreja, que só prega a revelação e a fé. Só o latim da missa, mas esse mesmo baixinho, para que ninguém ouça nem saiba o que se diz. Posto isto, que direis se eu vos provar que quanto menos religião tiver o povo, mais progresso e felicidade sentirá?...»
Página 362:
«...A verdade completa, doa a quem doer. Comecemos pelas estatísticas oficiais. O resumo que delas vou apresentar não é recente mas, embora colhido em antigos boletins, assim nos serve ainda melhor do que se fosse tirado dos últimos publicados, porque são estatísticas do tempo em que o papado regia ainda os seus estados e as comunidades religiosas gozavam de todas as regalias. Por elas se vê que, de 1841 a 1851, houve na protestante Inglaterra , em média anual, 4 assassinatos por cada milhão de habitantes, ao passo que na católica Irlanda esse número excedeu a 33. Na Bélgica, nação católica, mas centro admirável de livre- pensamento, com escolas laicas e universidades livres, dirigidas por livres-pensadores, anarquistas, ateus e protestantes, esse número baixou para 18 (relatório de 1852). A França, igualmente católica, embora também cheia de dissidentes, mas com um operariado menos culto e pior organizado do que o da Bélgica, dá já um contingente de 31 homicídios (Estatística de 1851). A Áustria, talvez a mais católica das nações, depois da Espanha, apresenta logo um contingente de 36. E a Baviera, mais católica ainda, contribui para a hecatombe com 68 assassinatos. Da Espanha não possuímos relatório algum oficial, mas cálculos têm sido feitos, sobre documentos respeitantes à criminalidade naquele país, que dão para o homicídio a verba monstruosa de 250 por milhão, anualmente.
Agora a Itália, país católico por excelência, onde assiste o representante de Cristo e onde, ao tempo do relatório que me serve de guia (1848), não havia ainda quem fizesse sombra à marcha dos negócios eclesiásticos, pois só 22 anos depois é que o papa deixou de ser rei de Roma. Dividindo por províncias, temos: na Sardenha, 20 crimes de morte por milhão; na Lombada, 45; na Toscada, 56; nos estados pontifícios (estamos ainda 24 anos antes das invasões de Garibalda) 143; na Sicília da Máfia, 190; em Nápoles, 174; e assim por diante. Isto na terra dos cardeais, onde nesse tempo ainda havia conventos como entre nós há capelas; terra que por isso mesmo tinha obrigação de ser um modelo de santidade! Acontece isto na terra dos grandes santuários, das magníficas catedrais, onde os milagres se dão todos os dias. Isto onde os padres, frades e freiras atingiam, nesse tempo, o número de 120.000. Só na cidade de Assis havia 12 conventos; em Foligno, 12 de frades e 12 de freiras; em Spoleto, 22; em Terni, 5; em Norni, 5 de freiras e 7 de monges; em Perugia, 34 pelo menos. Em Roma então era uma farra: 74 conventos de frades e 50 de freiras. Pois bem, é precisamente neste distrito da piedade e do milagre que os homicídios chegam a 115 por cada milhão de católicos. Em Nápoles e na Sicília havia 15.455 frades e 13.000 freiras, número que não se encontrava em qualquer outro país. Também em país nenhum do mundo os crimes se multiplicavam como lá, sobretudo os homicídios. Esta mesma proporção se mantém em todos os outros ramos da criminalidade.
Página 364:
«...Vejamos agora se o desenvolvimento intelectual e o progresso acompanham a mesma escala. Primeiro, em povos com a mesma origem, para que não se diga que é uma questão de raças. ´Está admitido, diz o Professor belga Emile de Laveleye, que os escoceses e os irlandeses têm a mesma origem. Uns e outros foram submetidos aos ingleses. Até ao século XVI, a Irlanda era muito mais civilizada que a Escócia. A fértil Eire foi, durante a primeira metade da Idade Média, um dos focos de civilização, quando a Escócia não passava dum covil de bárbaros. Desde que os escoceses adotaram a reforma religiosa protestante, ultrapassaram até os ingleses. O clima e a Natureza opõem-se a que a Escócia seja rica como a Inglaterra; contudo, Macamby prova que, desde o séc. XVII, os escoceses sobrepujaram os ingleses em quase tudo. A Irlanda, pelo contrário, dedicada ao seu ultramontanismo (doutrina da ligação com o papado), fica pobre, miserável, agitada pelo espírito de rebelião e parece incapaz de se tornar a levantar por suas próprias mãos´. O mesmo autor nota ainda o contrate que se observa na própria Irlanda, entre o Connaught, exclusivamente católico e o Ulster, onde domina o protestantismo. O Ulster é rico pela indústria. Connaught apresenta a imagem da miséria humana mais completa. Mas tal fato dar-se-á apenas nestes povos? Não. Basta que olhemos as duas Américas. Ao norte, os Estados Unidos fulgem entre o maior esplendor: grandeza, ordem, civilização.
Voltando os olhos para o Sul, vemos a decadência e as guerras intestinas, o atraso moral e social, acompanhados com abusos e dificuldades de toda a ordem. É porque ao norte o povo é protestante, indiferente ou ateu, e, ao sul, católico-romano, com a intolerância própria do ultramontanismo. E este fenômeno singular não é de sangue, como vimos. Também não é de clima, nem de raça, como vamos provar. Na Suíça, os cantões de Lucerna, Alto-Valois e os florestais diferem inteiramente dos de Neufchatel, Vaud e Genebra. Os últimos sobrepujam em tudo os primeiros: na instrução, na literatura, nas belas-artes, na indústria, no comércio, na riqueza, no asseio, etc. Agora a pergunta: a que raça pertencem os primeiros? À germânica. Que religião professam? O catolicismo. E os outros referidos cantões que tanto diferem pelo seu progresso e cultura, são de raça latina e professam o protestantismo. O culto, pois, e não a origem racial, é a causa da superioridade ou decadência do povo. Se olharmos agora para o cantão de Appenzell, notaremos que a parte interior, habitada por católicos, e a exterior pelos protestantes, divergem tanto entre si como Neufchatel e Lucerna. Dum lado a instrução, o progresso, a força e a harmonia; do outro, a ignorância e a pobreza, o mal estar e a desordem, o definhamento e a morte.»
Na página 367:
«...Quais são as nações mais ricas, mais prósperas e felizes do mundo? Toda a gente sabe isso, porque na boca de todos andam os nomes da Inglaterra, Alemanha, EUA, Canadá, Suécia, Japão... Pergunta-se: que religião professam? É católica alguma dessas nacionalidades? Não! São protestantes, budistas ou livres- pensadoras. Grande parte dos seus habitantes não tem mesmo religião alguma.
Mas os povos católicos? ... que é Portugal e quem somos nós, portugueses? Escravos duma nacionalidade exausta, com um povo devorado até aos ossos, cheio de fome, sem liberdade, fanatizado, escravizado, inconsciente, miserável... É católica a Espanha. Mas que é a Espanha? Uma nação depauperada, como nós também exausta e decadente, também enferma e aviltada. O jesuitismo minou-a desde os alicerces...É católica a Itália. Mas essa só agora começa a libertar-se, fazendo substituir o templo pela escola, o frade pelo professor, o devoto pelo industrial. Porque a Itália tem sido um foco imenso de miséria moral e econômica. ...É católica a Áustria. Mas como Portugal, e a Espanha, a Áustria é uma nação vencida, onde vegeta um povo miserável, em perpétuo conflito consigo próprio, os negócios sempre mal... Isto sem sairmos da Europa, porque o mesmo acontece nas duas Américas. Pois que são o Paraguai, o Brasil, o Chile, o Equador, o México, a Bolívia, católicos, comparados com os povos do norte, protestantes?
...Laveleye, que nos fornece o melhor destes dados, acentua, em conclusão, que o catolicismo é, com efeito, a causa principal da decadência duma nacionalidade...»

Campanha Primavera-Verão de Desbaptização

Apresentamos a seguir uma carta-modelo que deve ser dirigida à paróquia, assim como ao bispo de que depende a paróquia, onde foi realizado o baptismo a pedir a sua desbaptização. Ao pedido deve seguir-se uma carta da própria paróquia a confirmar a renúncia ao baptismo.
Exmº Sr. Padre ( ou bispo) da paróquia de...
Tendo sido baptizado na Igreja de..............., no dia de... /..../...., sob o nome de............................, venho junto de V. Exª requerer que junto do meu registo de baptismo seja feito um aditamento com a seguinte menção: "renegou o seu baptismo por carta de ..../..../...."
A minha atitude deve-se ao facto das minhas convicções filosóficas não corresponderem às das pessoas que, de boa fé, me fizeram baptizar. Assim, por imperativo da minha consciência, e por amor à verdade, venho por este acto contribuir para a reforma dos registos a fim de que estes sejam limpos de qualquer ambiguidade.
Esperando uma confirmação escrita da Vossa parte, queira aceitar os meus sinceros agradecimentos
Data e Assinatura



19 de Março de 2005 em Bruxelas - Todos juntos por uma Europa social, solidária, igualitária e pacífica


Em 1997, os trabalhadores da Renault organizaram em Bruxelas a primeira Euromanifestação pelo emprego. Em Dezembro de 2001 manifestámo-nos por uma outra Euroap num outro mundo. A 15 de Fevereiro 2003 uma manifestção massiva em Bruxelas respondia ao apelo do Fórum Social Europeu contra a guerra no Iraque.
Apelamos de novo a que todas e todos juntos se manifestem Sábado 19 de março de 2005 em Bruxelas.

Por toda a Europa os ataques sucedem-se contra os direitos sociais. Os serviços públicos sofrem desregulações e privatizações... As cidadãs e os cidadãos merecem melhor!
Mais que nunca devemos agir para recusar uma Europa egoísta. A União Europeia colabora a fundo com a globalização neoliberal. Esta globalização neoliberal é uma fonte de guerras, de catástrofes ecológicas e de regressão social à escala planetária. Ela alimenta o crescimento das desigualdades, das exclusões e do racismo.

A "marcha dos jovens" pelo emprego, a igualdade e o ensino gratuito reivindicará para os jovens empregos duráveis e de qualidade e uma educação gratuita em melhores condições. Denunciarão o racismo e as ideologias fascistas.

Depois do Fórum Social Europeu de Londres, os movimentos sociais lançaram um apelo para uma manifestação central a 19 de Março em Bruxelas contra aguerra, o racismo e uma Europea neoliberal, contra as privatizações, o projecto de directiva Bolkestein e o aumento do tempo de trabalho, por uma Europa dos direitos e de solidariedade entre os povos.

Os sindicatos euroepus continuarão a sua luta por uma Europa social. Manifestam-se por melhores e mais numerosos empregos. Dizem sim a empregos e serviços de qualidade e rejeitam por conseguinte a directiva Bolkestein de liberalização dos serviços. Dizem sim a direitos sociais fundamentais afim de reforçar a Europa social. Rejeitam a proposta de revisão da directiva sobre o tempo de trabalho, proposta pela Comissão Europeia que prova a incapacidade da Europa garantir um trabalho decente para todas e para todos. A batalha contra a directiva Bolkestein, símbolo da transformação de toda a sociedade em mercado, é um objectivo prioritário de todas e todos nós, sindicatos, movimentos sociais e cidadãos e ONG's.
Dois anos após a invasão do Iraque, a luta contrea a guerra mantém toda a sua actualidade: ocupação ilegal do Iraque, opressão do povo palestiniano,... A luta pela paz é indissociável da luta por uma outra Europa. Recusamos a transformação da Euroap numa grande potência militar. A luta contra as armas de destruição maciça, e em especial as armas nucleares, deve igualmente ser travada por nós lançando negociações multilaterais por um tratado mundial sobre as armas nucleares.

Os chefes de Estado e de governo europeus consagraram a sua Cimeira de Março a uma avaliação do processo de Lisboa. O seu objectivo é transformar a economia europeia na economia mais competitiva do mundo, enquanto a Europa social está mais que nunca ausente. Recusamos esta lógica da concorrência eterna, continente contra continente, país contra país, indivíduo contra indivíduo.
Pugnamos por um mundo em que o desenvolvimento sustentável se torne possível graças à solidariedade e à cooperação.

A Europa não pode ser unificada contra as suas e os seus habitantes. Ela ou será social, solidária e democrática ou não será.

Por isso continuamos a construir este movimento social de que a Europa tem necessidade.
É a nossa contribuição para um undo baseado na justiça e na paz. Conduzimos esta luta em conjunto com os povos do Sul. Com eles fazemos campanhas como a da anulação incondicional da dívida do terceiro mundo, a da taxa Tobin... Em conjunto opomo-nos a um mundo conduzido pelo mercado livre (Acordo Geral de Comércio e Serviços - OMC) e à vaga de privatizações (por exemplo da água).É por isso que nós - movimentos sociais, sindicatos e ONG's que colaboramos desde 2002 no Fórum Social da Bélgica - lançamos um apelo aos movimentos sociais e aos sindicatos europeus para se manifestarem connosco, massivamente, a 19 de Março de 2005 em Bruxelas, pelos nossos direitos e por uma outra Europa num outro mundo.

17.3.05

Manifs contra a Invasão e Ocupação do Iraque em todo o mundo (incluindo Lisboa e Porto)



On March 19, the World Says No to War (Again)
Locais das Manifs:

Porto, 19 de Março/15h30, Pr. da Batalha
Lisboa, 19 de Março/15h00, Lgo. Camões


2 anos depois, vamos lembrar para exigir a paz e o fim da ocupação do Iraque.

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Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque (sessão final)


Lisboa 18.19.20 Março 2005 (entrada livre)
Auditório da Torre do Tombo, Alameda da Universidade


Porto, RIVOLI, 20 Março, domingo, 21h30-24h00
Sessão de Encerramento: as decisões da AP-TMI

Concerto “Em memória das vítimas iraquianas”, com a participação de Camané, Clã, Jorge Palma e
Pedro Abrunhosa


http://www.march19th.org/

http://tribunaliraque.no.sapo.pt


A próxima conferência da ONU sobre o clima será em Montreal (Nov-Dez/2005)


A próxima conferência da ONU sobre as mudanças climáticas será realizada de 29 de Novembro a 9 de Dezembro de 2005 em Montreal, no Canadá, anunciou a ONU nesta quarta-feira através de um comunicado divulgado por ocasião da entrada em vigor do Protocolo de Kyoto.
Será a 11ª conferência da Convenção sobre Mudança Climática e a primeira conferência a ser realizada após a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto (MOP-1).
A convenção foi um primeiro acordo da ONU sobre o efeito estufa, de carácter muito genérico, adoptado na primeira reunião de cúpula da Terra, realizada no Rio, em 1992. Ela entrou em vigor em 1994.
O Protocolo de Kyoto, adoptado em 1997 na antiga capital do império japonês, endurece as disposições da Convenção e impõe aos países industrializados a obrigação de reduzir as suas emissões de gases poluentes até 2012.Os Estados Unidos ratificaram a convenção, mas rejeitaram o protocolo, assim como a Austrália.
Ambos participam como membros de pleno direito das discussões organizadas no âmbito da convenção e como observadores nos debates sobre a aplicação do protocolo.
Em Montreal, um dos objectivos é lançar as bases de um processo "que inclua os Estados Unidos e estabeleça objectivos para as nações emergentes em desenvolvimento, como China e Índia".

A invasão americana no Vietname foi há 40 anos


No dia 8 de Março de 1965, 3500 fuzileiros navais dos Estados Unidos desembarcaram no Sul do Vietname.

Começou uma das guerras mais marcantes na memória do povo norte-americano. Para os vietnamitas que sobreviveram, o dia foi marcado pela presença de estrangeiros loiros de olhos azuis, coisa que eles nunca tinham visto na vida. As tropas chegaram distribuindo doces às crianças e instalaram-se nos povoados.

O pretexto para a invasão era que queriam ajudar o regime do Vietname do Sul que estava sendo ameaçado pelas forças comunistas do Norte, sob a liderança do governo de Ho Chi Minh. Armados até os dentes, os combatentes viajaram de vilarejo a vilarejo com os equipamentos e armas mais modernos da época.

Por ordem do então presidente americano Lyndon Johnson, bombas de napalm começaram a ser usadas para combater as guerrilhas de Ho Chi Minh. Foi o início de um dos conflitos mais mortais e dramáticos da história do país. Três anos depois do início da guerra, os Estados Unidos já contabilizavam 540 mil soldados estacionados no Vietname. Quase 60 mil morreram e centenas de milhares voltaram para casa com traumas físicos e psicológicos. Um total de 3 milhões e 140 mil militares norte-americanos serviram no Vietname.

O conflito só terminou em 1973 e os Estados Unidos nunca foram atacados noseu próprio território. Em compensação deixaram toda uma nação devastada.

Os norte-americanos perderam a guerra, mas só saíram de lá em 1978.

Apesar de terem se passado 40 anos, as consequências da guerra continuam a marcar o quotidiano do Vietname. Para eles, a guerra é uma realidade presente e não um evento do passado. O país foi bombardeado durante 15 anos por mais de sete milhões de toneladas de bombas, cada uma com 270 quilos de explosivos. Herbicidas poderosos foram usados na destruição das plantações de arroz, o que levará 100 anos para que a terra se recupere. Outros tóxicos causaram mutação genética, cancros e outras enfermidades. Depois do fim do conflito, o país ainda sofreu uma série de sanções internacionais por causa de seu governo comunista.
A devastação e a guerra não se limitou ao Vietname, mas estendeu-se também os vizinhos Laos e Camboja. No total, foram cinco milhões de mortos na Ásia por efeito da invasão, guerra e ocupação do Vietname pelos Estados Unidos da América.

Estados Unidos perdem aliados: 11 países já abandonaram o Iraque, e outros 7 anunciam a sua retirada parcial ou total.


A resistência iraquiana está aos poucos a dar os seus frutos. Alguns dos exércitos aliados dos estados Unidos estão a abandonar o Iraque, país que foi invadido e ocupado pelos exércitos norte-americano e britânico com o pretexto de destruírem as inxistentes armas de destruição maciça e capturar Saddam Hussein . Itália acaba de anunciar a retirada dos seus 3.000 soldados a partir do próximo mês de Setembro. Bulgária prepara-se para debater no seu Parlamento a retirada parcial dos seus 460 soldados, e a Ucrânia fará mandar regressar de imediato 137 dos seus 1.650 efectivos que mantém no Iraque, os quais abandonarão o país definitivamente no mês de Setembro. Holanda já anunciou que retirará neste mês de Março as suas tropas ( 1.400 efectivos). Polónia também retirará uma quantidade não especificada dos soldados que enviou, no total de 1.700. Portugal já retirou os 127 GNRs que para lá tinha enviado, e o mesmo fez a Moldávia com os seus 12 militares. Noruega só tem actualmente 16 dos 150 que tinha destacado. Singapura retirou os 150 homens que mandara. No ano passado já se tinham retirado do Iraque os seguintes países: España (1.300), Tonga (44), Nueva Zelanda (60), Tailandia (423), Filipinas (51), Honduras (370), República Dominicana (302), Nicaragua (115) y Hungría (300).
Em contrapartida países como a Coreia do Sul, Austrália, Geórgia e Albânia manifestaram a intenção de enviar mais reforços

Einstein e a paz


Conta-se que certo dia perguntaram a Einstein que armas se utilizariam na terceira guerra mundial, ao que o famoso cientista respondeu: « sobre isso não sei, mas quanto à 4ª guerra mundial de certeza que as armas serão paus e pedras…»

Noutra ocasião perguntaram-lhe sobre qual a arma que poderia servir de resposta à bomba atómica, e sem pestanejar Einstein respondeu: a Paz

Perguntas sobre o terrorismo ( para servirem de reflexão)




Porque é que é terrorismo pôr uma bomba numa rua e não é quando se lançam dez mil bombas sobre uma cidade?

Se aquele que coloca uma bomba debaixo de uma carro «mata por matar», o que faz aquele que despeja milhares de bombas sobre um país?

Alguém será capaz de explicar como é que se faz a guerra em nome da paz, ou como é que se mata em nome da vida?

Como se explica que certos países estão sempre envolvidos em guerras de defesa, mas curiosamente estas guerras acontecem sempre em países longínquos, ou por outras palavras, porque é que os Estados Unidos para se defenderem têm sempre de ir para o Iraque, o Afeganistão, a Jugoslávia, o Panamá, a Somália, Granada, o Vietname, a Coreia, Nicarágua, República Dominicana?

Porque é que os danos colaterais têm sempre explicações?

Porque é que a violência, que é sempre má, não o é quando venha do céu?

Se os fins não justificam os meios, porque é que capturar Saddam passa por arrasar o Iraque?

Mas se os fins justificam os meios, então porque censurar Ben Laden?

As bombas de fragmentação lançadas pelos soldados de Bush são menos terríveis que as que são lançadas pelos iraquianos?

O urânio empobrecido é menos prejudicial para um iraquiano do que para um europeu ou norte-americano?

Porque é que fazer explodir um avião norte-americano é terrorismo, mas fazer o mesmo a um avião cubano já é dissidência?

Porque é que eram cruéis as torturas aplicadas por Saddam, mas desde que aplicadas pelos norte-americanos, já são consideradas maus tratos e excessos?

Porque é que Milosevic está preso, e Sharon continua em liberdade?

Porque é que a burka numa mulher afegã é censurável, mas não o é numa mulher saudita?

Porque é que uma bomba posta com a mão provoca mais terror que mil bombas laçadas de um avião?

Quantos mortos deve causar um grupo terrorista para alcançar a categoria de um exército, e assim ser considerado?
(texto retirado da net)

Sequestros da CIA estão a ser investigadas pelas polícias europeias

Autoridades de vários países europeus investigam se os agentes da CIA violaram as leis nacionais nos sequestros de supostos terroristas em território europeu e na sua transferência para o exterior.
Segundo a edição deste domingo do jornal The Washington Post, a Agencia Central de Inteligencia (CIA) realiza este tipo de operações em colaboração com as autoridades de inteligência locais.
No entanto, a Itália, Alemanha e Suécia estão a investigar se as detenções ilegais da agencia americana de espionagem nos seus territórios caracterizam ou não "uma violação da soberania nacional e dos direitos humanos".
A CIA sempre manteve em segredo os detalhes de suas operações de detenção no exterior, consideradas nos EUA como uma prática legal e eficiente na luta contra o terrorismo, acrescenta o jornal.
A legalidade destas detenções é investigada na Europa porque, entre outros motivos, o governo americano conta com o apoio para este tipo de prática de países muito criticados em matéria de direitos humanos, entre eles o Egipto, a Jordânia e o Paquistão.
Segundo o Post, as 3 investigações oficiais europeias já recolheram informações suficientes sobre o suposto envolvimento dos EUA no desaparecimento de quatro homens.
Será dificil apresentar acções contra os agentes americanos porque eles estão protegidos pela imunidade diplomática e é difícil determinar a identidade deles. No entanto, as procuradorias na Itália e na Alemanha não põem de parte a apresentação de acusações formais.

A Suécia, Itália e Alemanha querem descobrir também se estes supostos extremistas foram levados para países onde a tortura é praticada e foram vítimas de maus-tratos, como declararam posteriormente alguns destes detidos, após serem libertados por não se terem provado nada contra eles.

A Itália quer detalhes sobre o desaparecimento de Abu Omar, um imã radical e ex-combatente na Bósnia e no Afeganistão. O homem estava em Milão quando foi sequestrado e levado em numa furgoneta por desconhecidos. A justiça italiana pediu informações junto da base militar local sobre o avião norte-americano que descolou momentos depois do episódio.

16.3.05

À Memória de Rachel Corrie



( nunca esqueceremos a tua solidariedade)

Rachel Corrie era uma rapariga estudante norte-americana de 23 anos que, por solidariedade internacional, se deslocou a Rafah, na Palestina, quando os tanques e as tropas israelitas invadiram, ocuparam terras palestinianas, destruindo e matando pessoas e bens.
Em 16 de Março de 2003 numa tentativa para travar essa onda de destruição e morte, Rachel colocou-se à frente de um bulldozer do exército israelita para evitar o derrube de mais uma casa de uma família palestiniana. Foi então que o potente bulldozer avançou, matando Rachel, o que constituiu um verdadeiro assassínio deliberado.

O veículo usado é da marca Caterpillar que continua a vendê-los a Israel, apesar de todos saberem que são usados para derrubar casas palestinianas e árvores, em especial oliveiras., causando prejuízos incalculáveis.

Os amigos e companheiros de Rachel decidiram assim, em sua memória, escrever uma carta à Caterpillar a fim de lhe solicitar que deixe de vender aquele tipo de máquinas para Israel.

Esta previsto ainda um meeting à frente das instalações da Caterpillar para daqui a um mês ( a 16 de Abril) com a apresentação de provas dos danos causados com este tipo de vaículo por parte do israelitas.


Website dedicado a Rachel Corrie :
http://www.rachelcorrie.org




Reproduz-se o conteúdo da carta que irá ser enviada à empresa Caterpillar. Todos que quiserem solidarizarem-se poderão igualmente , utilizando o mesmo modelo de carta, escrever uma carta a fim de prestar solidariedade à memória de Rachel, e de todos os palestinianos vitimas do arbítrio e da violência do Estado e do Exército israelita:


Caterpillar Financial Services Ltd,
2405 Stratford Road, Solihull B94 6NW
8 March 2005
Dear Sir/Madam,
RE: Anniversary of Rachel Corrie's death
Two years ago, a 23-year-old American student named Rachel Corrie was crushed to death as she tried peacefully to prevent the destruction of a Palestinian family home in the Rafah refugee camp, Gaza.
The bulldozer which killed her was made by your company. Unfortunately, despite international protests by human rights groups, your organisation continues to sell the D9 Armored Bulldozer to Israel, whose government has continued to use it to demolish homes and agricultural areas in the occupied territories, in contravention of numerous UN resolutions and international law.
On behalf of the Palestine Solidarity Campaign we are therefore writing to let you know that a small group of us intend to lay a wreath at your offices on 16th March, the anniversary of Rachel Corrie's death. We would like an opportunity to meet with representatives of the management to talk to them about Rachel's life and death and to urge Caterpillar to stop doing business with Israel until it respects the human rights of the Palestinian people.
Yours faithfully,

A Sonae superou a antiga CUF !



Pelos dados fornecidos ultimamente chega-se à conclusão que o actual grupo económico português, onde pontifica o capitalista Belmiro de Azevedo, registou 6,63 mil milhões de euros de facturação no ano de 2004.

Comparativamente com o grupo da CUF, que dominava a economia portuguesa durante o regime de Salazar-Caetano, a actual Sonae representa, em termos percentuais, mais no PIB nacional que a CUF em 1974.

Se nos recordarmos que o regime político derrubado em 1974 se caracterizava por uma economia fortemente proteccionista e corporativa, associando estreitamente o poder económico e o poder político ( falava-se de capitalismo monopolista de Estado), podemos facilmente concluir que hoje em dia o cenário é substancialmente o mesmo em termos de poderio económico e de orientação política.

Notícia do Expresso:

Sonae vende 5,2 % do PIB português

HÁ 30 anos, o grupo CUF representava 5% do PIB e empregava 110 mil trabalhadores. Hoje, a Sonae vale 5,2% do PIB nacional e 35% dos €6,63 mil milhões da sua facturação resultam do exterior. Em 12 países emprega 58 mil pessoas, um pouco mais de metade em Portugal.

Harold Pinter deixa o Teatro para criticar e denunciar os políticos


O conhecido dramaturgo inglês considera que o actual clima político é muito preocupante

O dramaturgo Harold Pinter, uma das figuras mais importantes não só do teatro mas da cultura britânica de todo o século XX decidiu abandonar a actividade criadora para dedicar-se, a tempo inteiro a criticar a "preocupante" forma de actuar dos políticos.

Pinter, de 74 anos, autor de obras como "A festa de aniversário" (1958), "O porteiro" (1960) ou "Velhos tempos" (1971), confessou que, depois s de 29 peças teatrais, continuará a escrever poemas, mas não peças de teatro.
O clima político actual «é muito preocupante», declarou Pinter à cadeia BBC ao explicar a sua decisão

Quando jovem, Harold Pinter sempre assumiu o seu antimilitarismo e negou, inclusivamente a fazer o serviço militar, invocando a objecção de consciência.

O seu activismo político e pacifista tem vindo a ser cada vez mais notório com a invasão e ocupação do Iraque ao ponto de ter qualificado Tony Blair como «criminoso de guerra» que gosta de exibir um repugnante sorriso cristão, segundo as palavras do dramaturgo.
Também não poupou os Estados Unidos que, sob a liderança de George W.Bush, considera ser um país dirgido por um bando de delinquentes.

Recorde-se que, alguns meses atrás, Harold Pinter juntou-se a um grupo de pessoas, entre as quais o actor Corin Redgrave, e o produtor discográfico Brian Eno, para assinar um pedido de impugnação de Blair, como primeiro-ministro.

Harold Pinter mostrou-se também muito crítico nos últimos dias a propósito da polémica lei antiterrorista recentemente aprovada pelo Parlamento inglês que reforça o poder do ministro do Interior, e das autoridades policiais, em detrimento do poder dos juízes para fins de busca domiciliária a simples suspeitos.


(post de 16/3/2005)


Brevíssimo panorama das Artes Plásticas pós-1945



Expressionismo Abstracto

Uma das consequências da II Grande Guerra foi a transferência do centro artístico de Paris para Nova Iorque que assistiu ao rápido florescimento da arte norte-americana por efeito de diversos factores entre os quais a emigração de artistas e a receptividade e potencialidades existentes nos EUA para as propostas mais experimentais.
Não admira que a chamada Escola de Nova Iorque tenha marcado a época, com nomes como Arshille Gorky (1904-1948), que utilizou o automatismo surrealista numa vertente mais abstracta a estabelecer a transição para o Expressionismo Abstracto, valorizando mais o processo que o produto do seu trabalho, assim como são de apontar nomes como Robert Motherwell (1915-), Willem de Kooning (1004-), que é uma das figuras mais proeminentes do Expressionismo Abstracto americano, e principalmente Jackson Pollock (1912-1956), este último por ter desenvolvido o automatismo pictórico, a action painting (pintura de acção), e novas técnicas como o dripping, que consistia em verter tinta ou deitar pingos e manchas sobre a tela.
Outros artistas como Barnett Newman (1905-1970), Mark Rothko (1903-1970), Franz Kline ( 1910-1962) e Clyfford Still (1904-1980) inspiraram-se mais nos princípios do abstraccionismo ( de Malevitch ou de Mondrian).

Arte Informal

Simultaneamente desenvolveu-se na Europa uma tendência igualmente abstracta e expressionista designada por Arte Informal, uma pintura sem formas, sem quaisquer referências figurativas ou geométricas. Dentro desta tendência encontramos o Tachismo ( do francês tache, mancha) de Henri Michaux (1899-1984) e Hans Harting (1904-1989) que traduzem o impulso criativo em manchas e em grafismo automáticos de inspiração oriental.
Outra linha artística foi desenvolvida pela «pintura matérica» de Jean Fautrier (1898-1964) e Jean Dubuffet (1901-1985) cujos processos expressivos misturam diversas matérias e substâncias sobre a tela
Dubuffet designou a sua pintura de Arte Bruta, não só pelo modo de emprego dos materiais, mas também por aspirar a uma arte «em bruto», primitiva, infantil, sem referência culturais ou artísticas.
Este mesmo espírito «brutalista», primitivista e existencialista presidiu à fundação do grupo CoBrA ( as iniciais de Copenhaga; Bruxelas e Amsterdão, cidades dos seus mentores) em 1948, por Karl Appel (1921-1949), Asger Jorn (1914-1973) e Pierre Alechinsky (1927-1958), entre outros. Inspiram-se no imaginário fantástico do folclore nórdico e na simbologia mística.


Novo Realismo

Nos finais da década de 50 surge em Paris uma reacção contra o gestualismo do Expressionismo Abstracto e as metamorfoses anamórficas da Arte Informal, apelando a uma relação mais próxima com a realidade e os assuntos do quotidiano.
O Novo Realismo foi a designação encontrada pelo crítico Pierre Restany para dar a conhecer o manifesto do Novo Realismo publicado em1960, defendendo «a apaixonante aventura do real captado em si mesmo e não através do prisma da transcrição conceptual ou imaginativa», e referindo-se aos trabalhos de Arman (1928-), César (1921-), Yves Klein (1928-1962) e Daniel Spoerri (1930-), entre outros, que se caracterizavam pela utilização de objects trouvés (objectos recolhidos no quotidiano) segundo a técnica de assemblage, isto é, composições de objectos e materiais desperdiçados, fragmentos montados e reorganizados, cartazes rasgados e descolados, numa experiência estética com fins poéticos que propunha uma reflexão nova sobre o objecto e sobre a vida.

Foi com fundamentos similares, e reabilitando igualmente a representação figurativa, que se desenvolveu a Pop Art ( abreviatura de popular art), um movimento que inspira o seu programa na cultura urbana, nos mass media e nos objectos produzidos pela sociedade de consumo. Se bem que tenha sido e Inglaterra que, em 1956, Richard Hamilton (1927-1967) apresentou «O que é que faz exactamente os lugares de hoje tão diferentes, tão atractivos?», uma collage de grande alcance crítico relativamente ao consumismo, foi nos EUA que a Pop Art exprimiu todo o seu significado.
A partir dos seus precursores, Robert Rauschenberg (1925-) e Jasper Jones (1930-) que ensaiaram a transformação de produtos banais em objectos artísticos, nomes como Tom Wesselmann (1931-) com os seus «Grandes Nus Americanos», James Rosenquist (1933-), reelaborando o universo de imagens estereotipadas da cultura urbana, Claes Oldenburg (1929-), com ampliações dos ícones americanos, Roy Lichtenstein (1923-1997), com o uso da Banda Desenhada, mas principalmente, Andy Warhol (1928-1987) converteram a Pop Art num fenómeno genuinamente pop, experimentando novas técnicas como a fotomontagem e a serigrafia, sempre com um sentido irónico.

Nos finais dos anos 60 surgia outra manifestação do realismo contemporâneo: o Hiper-realismo que acentua a sua aproximação ao mundo, reproduzindo-o meticulosamente com uma «objectividade fotográfica» ( a partir de colossais ampliações fotográficas), tornando a realidade insustentavelmente real. Nomes: Richard Estes, Chuck Close.


Arte Cinética

A Arte Cinética ( do grego Kinesis,movimento) associa-se à obra de Alexander Calder ( 1898-1976), um escultor americano que, a partir dos anos 30, conferiu mobilidade às suas esculturas, suspendendo no tecto elementos metálicos unidos uns aos outros por arames. Os «mobiles» integravam o movimento como factor primordial de manifestação estética da obra.. Calder também executou estruturas apoiadas no solo, os «stabiles» que deixavam transparecer igualmente uma forte dinâmica através da articulação entre a forma e açor.

Op Art

Esta linha estética foi prosseguida com a Op Art ( abreviatura da Optical Art) por via dos trabalhos de Victor Vasarely (1908-) e Bridget Riley (1931-). Convocando a participação involuntária do espectador, estas obras privilegiam os elementos visuais sobre os expressivos, produzindo uma série de efeitos e ilusões ópticas, de modo a gerar sensações de movimento e a provocar a sua instabilidade perceptiva.

Minimalismo

Talvez como resposta à explosão iconográfica da sociedade de consumo e da cultura pop tenha emergido o silêncio e a acção mínima com a redução dos efeitos expressivos da obra à simplicidade extrema. Tal foi a proposta da Minimal Art, que se desenvolve nos EUA ao longo das décadas 60 e 70, e caracterizando-se pela apresentação de objectos unitários, repetição de estruturas primárias, matrizes lineares e grelhas com uma precisão matemática, cujas formas eram integradas e relacionadas com o espaço envolvente, invocando uma experiência física do espectador com a obra. Artistas como Donald Judd (1928-1994),Richard Morris (1938-), Dan Flavin (1933-), Rochard Serra (1939-), Carl André (1935-) e Sol LeWitt (1929-) privilegiaram a ordem, a clareza, e a simplicidade em trabalhos puramente abstractos, objectivos e anónimos, já que a indiferença do artista perante a obra é uma das características do Minimalismo.

Arte Conceptual

A utilização de meios mecânicos e das tecnologias modernas na produção artística distanciava cada vez mais os artistas da execução da obra, fazendo prevalecer a ideia ou o suporte conceptual que a gerara. Sol LeWitt fixa em 1968 o termo de Arte Conceptual para se referir a um projecto artístico no qual a «ideia» era mais importante do que «a obra» em si.
A Arte Conceptual tornou-se então num fenómeno artístico a partir de 1965 ao abolir radicalmente o «objecto artístico» e desviando a atenção para o processo, e toda a documentação que o acompanha, como textos, mapas, diagramas, vídeos, fotografias, perfomances que são exibidos numa galeria ou num local específico.
Este entendimento do «artista conceptual» como um fazedor de ideias mais do que objectos, tal como foi definido por Joseph Kosuth (1945-), Lawrence Weiner (1940-) ou Victor Burgin ( 1941-) veio fragilizar as noções tradicionais de artista e objecto artístico, questionando a própria linguagem da arte.

Land Art ( Artes da Terra)

Todo este questionamento provocou uma série de novas experiências artísticas que marcaram os finais dos anos 60 e inícios dos anos 70, e que rejeitando a impetuosidade do informalismo assim como o kitsch legitimado da Pop Art, pretendiam renovar e transgredir as normas e os conceitos estabelecidos, alargando a actividade artística a campos e a universos até então inexplorados. Estas novas expressões vão aspirar a uma liberdade total e a expandir a sua acção a operações de todo o género. Para tal apropriam-se das paisagens, dos ambientes, das tecnologias, dos materiais e de todas as linguagens para introduzir o puro acto estético. Estamos em pleno processo de desmaterialização do objecto artístico.

Um exemplo foi dado pela Land Art ( Artes da Terra), que abandonam o atelier e reformulam a linguagem da arte.. A Land Art tem como protagonistas, entre outros, Robert Smithson (1938-1970), Michael Heizer, Richard Long (1945-), Walter de Maria (1935-). Os seus earthworks (trabalhos da terra) caracterizam-se por intervenções de carácter efémero na paisagem, rural ou urbana, reelaborando a natureza e inscrevendo a sua presença física no território.

Arte Povera

A Arte Povera (Arte Pobre), de origem italiana, que emerge a partir de 1967, explora as propriedades físicas e químicas de materiais vulgares e insignificantes, numa tentativa de fundir a natureza com a cultura. Nomes como Mário Merz (1925-), Michelangelo Pistoletto (1933-), Giuseppe Penone ( 1947-) propuseram uma reflexão sobre a vida contemporânea e sobre a relação do home com a envolvente, numa atitude precária, anti-informal e anticomercial que se limitava à interpretação da matéria e das qualidades físicas do meio e dos elementos naturais.

Perfomances e Happenings

A ideia de que o objectivos da arte não é representar a vida mas sim fazer parte dela, constitui uma das novas e mais persistentes tendências contemporâneas.
Joseph Beuys (1921-1986) foi um dos pioneiros de «acções publicas» ou happenings, a forma mais incisiva de interferência artística na vida e no quotidiano. Beuys utilizava nas suas perfomances materiais insólitos e pouco ortodoxos, subvertendo-lhes o sentido e associando-os a ideias, conceitos, valores, etc.

O Happening (acontecimento) foi criado por Allan Kaprow (1927-) e praticado por artistas como Claes Oldenburg (1929-), Jim Dine (1935-), etc, consistindo numa representação teatral, improvisada ou encenada, integrando a envolvente e o próprio espectador na sua acção.

Body Art
Quando o artista integra o seu próprio corpo na perfomance temos a chamada Body Art, tal como acontece com os artistas Vito Acconci (1940-), Arnulf Rainer (1929-), Dennis Oppenheim (1938-).


(excertos do livro de Paulo Simões Nunes, História da Arte, ed. Lisboa)