14.5.11

Petição a favor da Es.Col.a do alto da Fontinha que foi ilegalmente despejada, apesar das actividades nela desenvolvidas de apoio escolar e animação comunitária


AGENDA DE ACTIVIDADES e de APOIO ESCOLAR:
http://agendadaescola.blogspot.com/

PRÓXIMAS ACÇÕES:
- 16 de Maio, 2ª-feira, 18h30 - actividades ao ar livre no largo da Fontinha.
- 16 de Maio, 2ª-feira, 21h30 - participação na Assembleia Municipal (dentro e fora). Na Câmara Municipal do Porto.
- 17 de Maio, 3ª-feira, 18h30 - Assembleia da Fontinha sobre a questão da reocupação. No largo da Fontinha.



PETIÇÃO A FAVOR DA ES.COL.A DO ALTO DA FONTINHA


To: Câmara Municipal do Porto

A antiga escola primária do Alto da Fontinha, abandonada pelas autoridades há mais de 5 anos e vandalizada diversas vezes, foi ocupada por um grupo de pessoas que está a devolver aquele espaço público à comunidade.
Todas as semanas há uma assembleia aberta do ESpaço COLetivo Autogestionado, ES.COL.A, onde se decidem quais as actividades, tarefas e trabalhos de reabilitação a realizar neste espaço.
O espaço, que se encontrava abandonado e vandalizado, está a tornar-se num lugar agradável, renovado, limpo e capaz de receber actividades, tais como aulas de desenho, ciclo de cinema, yoga, apoio escolar e criação de uma biblioteca e espaço para brincar.
Queremos continuar a melhorar e usar este espaço para mostrar que espaços abandonados podem tornar-se vivos e com benefício para a comunidade.
As pessoas abaixo assinadas apoiam este projecto e querem mantê-lo, não comercial e autogestionado pela comunidade.
Sincerely,







Tantas vezes vai a ocupação à Fontinha que o mundo há-de mudar

Esses que tornam o mundo inabitável têm um medo de morte a quem tudo faz para habitar o mundo.

Sobre a ocupação auto-gestionária da Escola da Fontinha, não há lugar a colocar o problema sob o ponto de vista abstracto e universal, para que a perversa impotência sirva como argumentação para neutralizar este exemplo e justifique o fastio do “não vale a pena”.

Aqui, transformou-se num mês o mundo-local que falta fazer e que está ao nosso alcance.

Pessoas que se juntaram livremente, reabrindo a escola ao bairro da Fontinha, propondo actividades (cinema comunitário; oficinas de pintura; um atelier de leitura para os mais velhos e para as crianças; um projecto de Apoio Educativo livre e aberto a todos, que incluía matérias como Matemática, Física, História, Geografia, Português, Francês, Inglês, Espanhol, Ciências Naturais, Biologia, Informática, Desenho; além dos jantares populares), pessoas para quem a vida humana e social, a sua liberdade e realização, não é um negócio.

Do outro lado, o “polícia” Rui Rio, gerindo as rentáveis taxas de exploração do vazio e da desumanização do espaço. Aqueles que instauram a política do vazio, da desumanização, da destruição do espaço colectivo e, ao mesmo tempo, policiam o vazio que geram, demonstram aquilo que os move: punir a vida, por há muito terem feito da sua vida uma troca mercantil.

Agora despeja-se, discrimina-se, criminaliza-se, aqueles que recusam cumprir a sua vida e a dos outros pelos índices de rentabilização do espaço, pelos rankings estatísticos da Educação Europeia que ditam o fecho de escolas, pela lógica do lucro que se instaura na vida pública.

Não tenhamos dúvidas: é preciso despejar e deter os rapazes e raparigas – encarnam o perigo de expor e de pôr em causa a ordem policial subjacente à estratégia de preservação do poder. Eles e elas são a clientela que o poder político necessita para vigiar e punir. E, principalmente, punir para vigiar.

Tomem, por isso, cuidado: se vivem ao lado de património Público, do estado ou municipal, abandonado e destruído por esse mesmo poder, em nome do lucro, em nome dos interesses privados, então, quando virem chegar jovens que comecem a limpar, a pintar, a consertar portas e paredes, a fazerem actividades para a população local, chamem a “polícia política”. Sob pena da humanização, da partilha comunitária, da decisão colectiva, da cooperação, da alegria, ressurgirem à sua volta. Como um fogo que alastra.

A “polícia política”, que se auto-condenou a vender a sua humanidade ao lucro, especializou-se em espezinhar a humanidade dos outros para manter o seu poder, pelo que esmagar este exemplo de ocupação autogestionária e de experiência quotidiana de partilha, é um gesto de coerência.

Já não existe metáfora: a degradação da escola da Fontinha une-se à degradação da vida dos gestores da “polícia política”; o vazio de uma é fruto do vazio da outra. Com um dado fascinante: é a própria “polícia política” que estabelece essa união, que protege, estimula, investe, na degradação e no vazio. Agora, emparede-se aquilo que nos pertence, diz orgulhoso o poder político.

O que se pode obter ainda de quem vende e degrada o património de todos confundindo a gestão pública com a liquidação lucrativa, esvaziando de sentido a substância humana desse património, depois de desde há décadas terem eles próprios feito depender a sua humanidade de valores monetários, do dogma do mercado e do fetiche da mercadoria? O que se pode esperar de quem não equaciona nenhuma manifestação da vida humana a não ser se ela for sancionada pelo altar do lucro e pela hóstia do mercado?

Todas as respostas do poder autárquico em geral, como do governativo, caminham para um beco sem saída: o capital, o interesse económico e a protecção desses interesses (e da elite restrita do círculo de interesses), excluem a possibilidade do diálogo – e o diálogo é a reversibilidade plena e democrática de um poder – e a crítica desses interesses.

Mais uma vez, (depois da venda a privados do Mercado do Bom Sucesso, Mercado do Bolhão, Mercado Ferreira Borges, Teatro Rivoli, Palácio do Freixo, Casa das Glicínias, Praça de Lisboa), sabemos por este exemplo que o poder municipal não está ao serviço dos munícipes e de uma ideia de serviço dos interesses sociais da comunidade, mas está ao serviço do mercantilismo e da sua pedagogia de controlo. Desse princípio orientador, os gestores da submissão ao lucro, extraem a sua verdade: quando advogam que o mercantilismo está ao serviço da comunidade e do serviço público é quando o serviço público e a comunidade passam a estar ao serviço do mercantilismo.

As pessoas que se sentem enojadas por esta grande ideia de estarem sempre perto de se tornarem uma mercadoria útil ou inepta do sistema, uma estatística da base de dados de um sistema bancário, uma vítima a mais de um sistema público de saúde, um precário a tempo inteiro e indefinido, não podem responder com o silêncio.

É um facto que o território desta luta não é o presidente da Câmara do Porto, mas as pessoas que não querem viver sob a mentira do lucro, que querem libertar toda a sua possibilidade de dizer que a sua vida passa também por um gesto de união solidária sem competições, sem estruturas partidárias, sem visar lucros, juros, contas, dívidas ou proveitos, mas apenas contar com a riqueza do humano.

Os que habitam o mundo vão continuar a fazê-lo.

Júlio do Carmo Gomes












10 de Maio, 18h30, Largo da Fontinha, Porto


O dia que começara com repressão acabou em democracia. Numa assembleia com mais de 100 pessoas, entre as quais um número emocionante de vizinhos não menos emocionantes nas suas palavras de apoio, começou por se falar do despejo matinal, partilhando experiências de quem o viveu.


Mas a parte mais importante, a que realmente chamara ali tanta gente, era a de decidir o que fazer a seguir. As propostas foram muitas: tentativa de legalização da situação de uma eventual nova ocupação do espaço, a sua reocupação nos mesmos moldes, a participação na Assembleia Municipal da próxima segunda-feira, uma campanha o mais alargada possível de denúncia, uma queixa judicial, a necessidade de angariar apoios de "notáveis", o pedido de cedência doutros espaços para as actividades, uma assembleia extraordinária da Assembleia de Freguesia. Aceitou-se a proposta de, nesse fim de tarde, falar apenas de três dessas ideias: a da participação na Assembleia Municipal do Porto, a da via da queixa judicial (contra o despejo, contra a actuação particular da polícia... está tudo ainda em aberto) e a da reocupação do espaço.


A próxima Assembleia Municipal do Porto realizar-se-á na segunda-feira, dia 16 de Maio, pelas 21h00. Decidiu-se que algumas pessoas deveriam participar na própria Assembleia Municipal e que todas as outras deveriam ter uma presença visível no exterior do município. As pessoas que vão participar na assembleia ficaram de se coordenar nesse sentido e as que vão apoiar a partir de fora marcaram encontro de conversa e trabalho (pintar faixas, decidir palavras de ordem, ver a possibilidade de levar algumas actividades da Es.Col.A para a porta da Câmara, etc.) para a próxima quinta-feira, 12 de Maio, no Largo da Fontinha, a partir das 18h30.


Há uma pessoa a tratar da questão legal relacionada com a eventual queixa que se possa apresentar. Todas as pessoas interessadas trocaram contactos e ficaram de se coordenar.


Dada a vontade geral de que o espaço da Es.Col.A seja reaberto, ficou marcada uma assembleia para discutir esse ponto em particular. Será na terça-feira, 17 de Maio, às 18h30, no Largo da Fontinha.


Mas a assembleia estava longe de acabar, que a democracia tem destes truques que lhe permitem ser real e a vontade das pessoas presentes não era ser vencida pelo medo da força bruta. As actividades da Es.Col.A. não acabariam por causa de um despejo. Apesar de não ser possível garantir que todas as actividades se mantêm (não estavam presentes pessoas que coordenam algumas dessas actividades), ficou a ideia de contactar toda a gente que as desenvolva para saber da sua disponibilidade, ao mesmo tempo que se garantia que algumas se realizariam sem qualquer dúvida.


Entre estas, ficaram o Hacklaviva - 5ª-feira, 12 de Maio, 18h00; o Jantar da Fontinha, transformado em merenda autogestionada (naquela do traz comida se quiseres comer) – 6ª-feira 13, às 19h30; e actividades ao ar livre - 2ª-feira, dia 6, às 18h30.

12.5.11

Realiza-se hoje a 2ª sessão do ciclo de pensamento crítico na livraria-bar Gato Vadio sobre o pensamento de Slavoj Zizek



12 de Maio (às 22h) - 2ª sessão do CICLO DE PENSAMENTO CRÍTICO

Incursões vadias por paisagens da Filosofia Contemporânea.

Local: Livraria-bar Gato Vadio, R. do Rosário, 281,Porto

Tema: ZIZEK e a questão ideológica

11.5.11

Slavoj Zizek – algumas ideias do seu pensamento político e filosófico


Slavoj Zizek – breve resumo do seu pensamento

Slavoj Zizek é hoje em dia uma vedeta do pensamento crítico contemporâneo. De Buenos Aires a Paris, passando por New York, New Delhi ou Ljubljana (a cidade onde nas céu), as multidões correm a assistir às suas conferências. Esta atracção deve-se em parte ao estilo do filósofo esloveno. Que mistura referências absconsas de Schelling ou Lacan a exemplos retirados da cultura popular – cinema de Hollywood, romance negro ou ficção científica, blagues – tudo isso recheado com citações semi-provocadoras de Stalin e Mão. Esta estratégia intelectual visa a escurecer as fronteiras entre a cultura «legítima» e a cultura «popular». Zizek é o objecto ou protagonista de vários documentários, um dos quais é o notável Pervert’s Guide to Cinema (2006), no qual ele apresenta as suas análises parodiando cenas clássicas da história do cinema. Uma discoteca de Buenos Aires já tem o seu nome.


S. Zizek é um filósofo muito cosmopolita. Realizou uma parte dos seus estudos em França na Universidade de Paris-VIII, sob a direcção de Jacques-Alain Miller (o genro e o legatário intelectual de Lacan), com o qual também fez psicanálise. Escreve e publica em inglês. E é dos poucos pensadores actuais que veio da Europa do Leste.


Um aspecto determinante do pensamento de Zizek é a sua defesa do cogito cartesiano. The Ticklish Subject é uma das suas mais importantes obras, subintitulada «O centro ausente da ontologia política» começa com a seguinte declaração: « Um espectro paira sobre a universidade ocidental… o espectro do sujeito cartesiano.» O filósofo assimila a questão do «sujeito» ao espectro do comunismo que abre o Manifesto Comunista de Marx e Engels. Isto significa que se trata de um ponto importante …


Sabe-se que Descartes formulou um célebre enunciado filosófico ao dizer « Cogito, ergo sum » (Penso, logo existo). A ideia de um sujeito soberano, transparente a si próprio e racional é um dos fundamentos da modernidade. Ela encontra-se não somente no coração do projecto da Luzes, mas está subentendida igualmente num grande número de movimentos emancipatórios do séc. XIX, entre os quais o liberalismo, o marxismo e o anarquismo. Nunca faltaram críticos a esta concepção do sujeito, quer viessem do interior da tradição filosófica (Nietzsche por ex.) quer correntes como o feminismo que denunciou desde muito cedo o carácter de género do cogito.


O Iluminismo e a teoria do sujeito que o acompanha foram novamente questionadas depois da II Guerra Mundial. As atrocidades cometidas então serviram para a modernidade reflectir-se nela própria. Os representantes da Escola de Francfort – Adorno et Horkheimer – consideraram as câmaras de gás como a expressão última da racionalidade instrumental moderna. Depois de ter servido para a emancipação, a razão ter-se-á voltado contra ela própria, e tornou-se ela própria em cúmplice dos piores crimes contra a humanidade. O estruturalismo e pós-estruturalismo, ainda que não tematizam, ou pouco, a barbárie moderna, desenvolvem ainda assim uma crítica do humanismo. O anti-humanismo teórico de Althusser ou a « morte do homem » profetizada por Foucault ai estão para o demonstrar. A perspectiva pós-estruturalista que domina a «universidade ocidental», para retomar a expressão de Zizek, considera o sujeito como uma entidade descentrada. Segundo esta visão existe uma multiplicidade irredutível de posições subjectivas, mas nenhum centro unificador.O cogito ter-se-á literalmente desintegrado. A descoberta do inconsciente por Freud e a importância conferida à linguagem na filosofia na segunda metade do séc. XX consolidaram esta tendência. Para retomar uma fórmula de Jacques Derrida o sujeito passou a ser entendido como uma «função da linguagem».

S. Zizek opõe-se à desintegração do sujeito. Isto não o leva a preconizar um regresso puro e simples ao humanismo moderno, sob a forma cartesiana ou outra .S. Zizek prefere dar um tratamento lacaniano ao cogito . Aliás, todas as coisas são interpretadas à luz das categorias propostas por Lacan. Para S. Zizek, o sujeito não é uma substância , nem sequer pensante como dizia Descartes . Não é uma entidade real, mas antes um «vazio», feito de pura «negatividade». O sujeito aparece na interface do «Real» e do «Simbólico». Estes dois conceitos de Zizek, emprestados de Lacan, são cruciais à sua abordagem. O real é incognoscível para nós: ele designa o mundo antes de toda a categorização ou classificação, isto é, é pré-linguagem. O Simbólico é, para ele, a instância do ordenamento do Real. Quando se fala vulgarmente da «realidade» é do Simbólico que falamos, uma vez que o Real não nos é acessível. O Simbólico representa a «morte da coisa» diz Lacan, no sentido em que aboliu a coisa enquanto coisa tornando-se inteligível( deixando assim de ser uma coisa saída do Real). O Real nunca se deixa simbolizar completamente, há sempre qualquer coisa que resiste.


O que a psicanálise chama de «traumatismo» designa os casos de intrusão ou do ressurgimento brutal do real na ordem do Simbólico. Uma tal intrusão é sempre possível e é susceptível de perturbar o Simbólico. O Simbólico, deste ponto de vista, não é forçosamente aberto. Persiste no tempo, mas sob a condição do ressurgimento de um Real conflitual.


O sujeito forma-se segundo Zizek na distância que separa o Real do Simbólico. Esta distância supõe que o Simbólico difere do Real, o que permite o aparecimento da subjectividade . Se o Real e o Simbólico fossem idênticos, ou se o Simbólico estivesse fechado sobre si mesmo, nenhuma posição subjectiva seria concebível. Segundo Zizek,o sujeiro é um «mediador evanescente» (vanishing mediator). Este conceito foi repescado pelo filósofo a Fredric Jameson. Neste último, ele designa todo o fenómeno que permite o aparecimento de um outro fenómeno, e que desaparece depois de ter realizado aquela tarefa. Jameson usa este conceito na sua interpretação da tese de Max Weber sobre a ética protestante e o espírito do capitalismo. Para Weber (relido por Jameson), o protestantismo constitui a condições da emergência do capitalismo. Todavia, uma vez nascido, este acelera o desaparecimento do protestantismo, já que o capitalismo favorece o processo de secularização. O protestantismo seria pois um «mediador evanescente» para o capitalismo.


Para S. Zizek, o sujeito tem uma estrutura análoga. Na medida em que é incognoscível, o Real é experimentado como «perda» pelo sujeito. Face a este nada, e a fim de não cair na loucura, o sujeito constrói o Simbólico. Por isso, ele exterioriza-se numa linguagem, sendo a «palavra» a instância pela qual a simbolização é desencadeada:

« […] Ao pronunciar uma palavra, o sujeito empurra o seu ser para fora de si; ele coagula o nó do seu ser (the core of his being) num signo exterior. Através de um signo(verbal) eu encontro-me fora de mim mesmo, eu coloco a minha unidade fora de mim mesmo, num significante que me representa.» Ao exteriorizar-se o sujeito cria o objecto (o Simbólico) mas acaba por isso mesmo de se encontra frente a ele próprio, uma vez que se exteriorizou-se. A separação entre sujeito e objecto é pois abolida, e as duas instâncias são inextrincavelmente misturadas. Isto implica, entre outras coisas, que o lugar do sujeito permanece vazio. Por esse facto, ele poderá sucessiva ou simultaneamente ser ocupado ou reivindicado pelos mais diversos sujeitos. Tal como J. Rancière, S. Zizek considera que o sujeito não é um colectivo concreto, realmente existente. Ele é antes a condição para que individualidades ou colectivos concretos se possam formar. Mas, para isso, o seu lugar deve ficar formalmente vazio.


Um corolário da teoria do sujeito de Zizek é a sua concepção de ideologia. Classicamente, a ideologia designa a separação existente entre uma realidade e a maneira como os indivíduos a representam, de forma errónea ou «ideológica». Esta deformação pode ser explicada pela posição de classe do indivíduo ou por uma razão, mas que leva, de qualquer modo, a significar uma perspectiva entre outras. A crítica filosófica e política dirige-se a essa distância que separa as duas instâncias. A sua função é de chamar a atenção para as vítimas de uma ideologia sobre o facto das suas representações da realidade serem erróneas. Segundo o filósofo alemão Peter Sloterdijk, que serve aqui de ponto de partida para Zizek, este modelo clássico de ideologia deixou de funcionar nas sociedades pós-modernas. A explicação reside em que, hoje, os indivíduos sabem perfeitamente que o discurso que lhes é servido pelos media e pela classe política é falacioso. Eles não são idiotas, o que significa para Sloterdijk que a nossa época é a de um cinismo generalizado, que sucedeu à era das ideologias. Esse cinismo levanta o problema da eficácia da crítica hoje em dia. Se todo o mundo sabe que a representação dominante da realidade não é «verdadeira» realidade, então será que a crítica ainda tem uma razão de ser?


Segundo Zizek a teoria de ideologia de Sloterdijk é errada, o mesmo se passando como o seu diagnóstico sobre a época em que vivemos. Esta está longe de ser pós-ideológica. É verdade que o cinismo está largamente espalhado. No entanto, é errado pensar que um tal cinismo, apesar de generalizado, bastará para justificar a existência de uma época pós-ideológica. E a explicação é que a ideologia não é uma questão de representação, mas antes de actos e acções.


O conhecido argumento de Pascal permitirá clarificar este ponto. Segundo esse argumento, baseado num cálculo de utilidade, no sentido da economia neoclássica, é sempre vantajoso para o indivíduo acreditar em Deus, porque se Deus existir, o benefício da crença é imenso (paraíso), comparado com o imenso custo da falta de crença (inferno). Por outro lado, pouco importa que se acredite ou não em Deus se ele não existe. Todo o ser razoável deve por consequência acreditar em Deus. O problema é que, bem entendido, a crença não se encomenda. Não se acredita na vontade, o que realmente é necessário é possuir uma verdadeira fé. A resposta de Pascal ao problema é conhecida: «Orai e obedecei, a fé virá de seguida.»


Este argumento é frequentemente interpretado como demonstrativo da influência dos comportamentos de um indivíduo sobre os seus estados mentais. A oração interioriza o seu próprio conteúdo, que se transforma progressivamente, graças à repetição, em crença autêntica. Mas uma outra interpretação é possível segundo Zizek. Para este, o que mostra o argumento de Pascal não é que os nossos comportamentos são susceptíveis de produzir representações no nosso espírito. O que ele realmente mostra é que possuímos frequentemente representações antes mesmo de saber que nós as possuímos. Contrariamente, ao que pensa o indivíduo que se ajoelha para rezar, este já antes de se ajoelhar já acredita em Deus. Quando ele pensa que começa a acreditar, ele mais não faz na realidade do que reconhecer uma crença que já estava presente nele. Pois o que conta não é o estado mental, mas o acto. É por isso que a nossa época continua saturada de ideologias. Ainda que o cinismo reine, os indivíduos continua a comportarem-se como se as ideologias continuassem em vigor.


A teoria dos Aparelhos Ideológicos do Estado (AIE) de Althusser pode ser interpretada à luz deste argumento. Althusser distingue as AIE (Escola, Igreja, Media, Família) dos Aparelhos Repressivos do Estado (policia, exército, prisões). Os AIE têm por função garantir a adesão à ordem existente pela via ideológica «naturalizando» esta ordem aos olhos dos que a sofrem. Ora, para Zizek, os AIE produzem uma adesão ao sistema antes mesmo que o indivíduo se aperceba deles. Trata-se de uma crença anterior. O sintoma que revela a existência desta pré-crença é a actividade do indivíduo, a qual testemunha a sua adesão à ordem existente, que está tão incrustada nele quanto o cinismo nele presente.

S. Zizek reclama-se do marxismo, o que é relativamente raro num intelectual dos países do leste europeu, apesar de ter sido um dissidente no seu país durante a era soviética. Uma consequência deste seu posicionamento é que ele defende a tese da determinação «em última instância» pela economia, que se encontra presente, sob diversas formas, no seu pensamento. Mais precisamente, ele sustenta que a forma de opressão no domínio económico, ou seja, a exploração, tem primazia sobre as outras formas de dominação


Para além da sua vontade de reabilitar o sujeito cartesiano, esta sua tese leva Zizek a opor-se à doxa em vigor na «universidade ocidental». Note-se que a tese da determinação da superestrutura pela infraestrutura dominou o pensamento crítico durante muito tempo, enquanto o marxismo manteve a hegemonia naquele pensamento. Mas a partir dos anos 1970 a ideia da dominação tornou-se plural, ao ponto de se ter tornado a nova doxa. Vários factores contribuíram para esta evolução. Com efeito, desde então, assistiu-se a uma proliferação das «frentes secundárias» que enfraqueceu a centralidade conferida até então ao confronto entre o capital e o trabalho. Mais a mais, as transformações sociotécnicas profundas, tais como a emergência dos media de massas, colocaram a cultura no coração da vida (pós)moderna. A sociologia de Pierre Bourdieu é típica desta evolução. Bourdieu defende que o mundo social é composto de diferentes «campos » sociais que gozam cada qual de uma «autonomia relativa» em relação uns aos ouros. Isto supõe que existem capitais particulares em cada um deles, e que nenhum deles é determinante que os outros.

Segundo S. Zizek, os pensamentos críticos foram demasiado longe na pluralização das formas de dominação, a tal ponto que se tornaram incapazes de compreender a especificidade do capitalismo enquanto sistema. A dominação é plural. Mas oque confere a particularidade ao capitalismo é que todas as formas de dominação subentendidas por um fenómeno, que lhes dá inclusive uma «coloração», a saber: a acumulação do capital.


Os pensadores críticos contemporâneos reconhecem certamente a existência da exploração económica. Mas eles consideram que se trata de um tipo de opressão entre outras, ao mesmo título que a dominação masculina ou o racismo. Para Zizek esta tese está errada. A exploração não é um tipo de opressão entre outras, mas a lógica de conjunto que subentende todas as outras. É por essa razão que o filósofo se mostra muito crítico para com o «multiculturalismo» envolvente, como testemunha o seu livro Plaidoyer en faveur de l’intolérance

S. Zizek retoma, por seu turno, o argumento marxista da «reificação», desenvolvidos nomeadamente por Lukacs no livro Histoire et conscience de classe (1923). Lukacs escreve : « […] a actividade do homem – numa economia mercantil consumada – objectiva-se em relação a ele,tornando-se numa mercadoria que está submetida à objectividade, estranha aos homens, às leis naturais, e realiza o seu movimento independentemente dos homens, qualquer que seja o bem destinado à satisfação das necessidades, convertidas em coisa mercantil». No capitalismo a actividade humana adquire o estatuto «coisa qualquer», isto é, o estatuto de uma mercadoria. O fetichismo da mercadoria contamina o conjunto das esferas de actividade e das acções humanas. Segundo S. Zizek, a consequência deste facto é liminar: « Luto, em suma, por um regresso ao primado da economia, não em detrimento das questões colocadas pelas formas pós-modernas de politização, mas precisamente a fim de criar as condições de uma mais efectiva realização das exigências feministas, ecologistas, e assim sucessivamente.»


Não se trata de minimizar a importância das lutas feministas, ecologistas ou outras. A tese da determinação «em última instância» é apresentada, por vezes, pelos seus adversários como uma maneira de inferiorizar as outras formas de luta, o que para Zizek é falso. Simplesmente, na medida em que estas formas de opressão se revestem de uma conotação capitalistas, elas não podem estar dissociadas da luta geral contra a reificação. Esta luta constitui o pano de fundo sobre o qual se desenvolvem as outras lutas, razão pela qual é necessário considerá-la como central.

Zizek desenvolve uma crítica feroz das teorias do antipoder que proliferaram nos anos 1990 e 2000. Estas teorias defendem que a tomada de poder do Estado é não somente vã, até porque o poder está disseminado no conjunto do corpo social e não concentrado num ponto, mas ainda porque esse objectivo é portador de catástrofes. Elas retoma à sua maneira a argumentação antitotalitária dos «novos filósofos» que defendem que o estalinismo, longe de ser uma degenerescência, estava já presente nas origens da revolução russa, e até mesmo na revolução francesa.

Para Zizek os teóricos do antipoder teorizam a derrota da luta social por antecipação. Eles interiorizam-na e naturalizam-na a tal ponto que se tornam incapazes de imaginar outra coisa senão «zonas de autonomia temporária» situadas nas margens do do sistema. Daí que Zizek se volte contra a crítica ao centrismo estatal, cuja raiz remonta a Foucault, apelidando-a de «nova esquerda» e convida-a a reexaminar a sua concepção descentrada de poder à luz da concepção do poder e do Estado do marxismo clássico, principalmente, a de Lenine, tanto mais que Marx é reabilitado hoje em dia, depois de ter sido denegrido duarnte os anos de 1980 e 1990.


Para Zizek é para a figura de Lenine que a esquerda radical deve agora voltar-se. Ele escreve: « O que um verdadeiro leninista e um conservador têm em comum é o facto de ambos rejeitarem a irresponsabilidade da esquerda liberal, a qual defende grandes projectos de solidariedade de solidariedde e de liberdade, mas que logo se eclipsa quando se trata de pagar todas essas coisas no momento das decisões políticas concretas, por vezes cruéis.»


E a verdade é que na revolução russa, Lenine teve a coragem de assumir a direcção efectiva do Estado, e longe de se limitar a uma celebração romântica do acontecimento-revolução de Outubro, ele procurou transpor e concretizar as suas convicções numa ordem social e política duradoura. É o que o aproxima da figura de São Paulo que procurou perseverar o acontecimento-Cristo ao longo do tempo através da fundação da Igreja. A esta transposição do acontecimento para uma ordem duradoura, Zizek designa o fenómeno com uma fórmula provocadora - «o bom terror». Aos seus olhos, qualquer acontecimento autêntico tem algo de característico que é o seu custo.

9.5.11

Vídeo da manifestação anticapitalista em Setúbal do 1º de Maio





Aqui está o vídeo que durante a última semana foi recolhido e editado. Utilizaram-se as caixas de texto para cobrir as caras, visto que estas durante a manifestação estavam descobertas e porque sabemos como funciona o aparelho repressivo.

Não disparámos armas de fogo, não fomos em formação "bloco-negro", não causamos distúrbios, não partimos vidros, não destruímos carros... nem nenhum dos outros delírios. Houve sim fogos de artifício e frases pintadas pelo caminho.

No final do vídeo é óbvio, pela posição da câmara, que a polícia adoptou uma postura ofensiva para acabar violentamente com uma manifestação que já tinha acabado. É criada uma ratoeira para a qual somos atraídos e a partir daqui a polícia agrediu todos os que encontrou pela frente.

Ao serem posicionados agentes da polícia numa parte do Largo e depois de ser feita a comunicação, no momento em que chega a carrinha da BIR pode então começar o ataque planeado contra os que permaneciam por ali.
Durante a parte em que a câmara corre na direcção da carrinha da BIR já decorria a agressão por parte da polícia (que se pode ver entre dois carros a espancar manifestantes que estão no chão) e ouvem-se os primeiros disparos para afastar os manifestantes que só nesta altura se insurgem contra a atitude policial, não a sua presença!

Faltam-nos imagens desse ângulo e convidamos aqueles que eventualmente as terão a contribuir para o arquivo que se criou para cobrir as consequências desta manifestação.

O que se segue é muito incompleto, as repetidas cargas, os disparos, os abusos, as humilhações, os espancamentos e as caçadas da polícia que levaram muitos dos manifestantes a corridas contínuas até ao outro lado da cidade não estão filmadas.

Mais informações e contacto em:
http://www.terralivre.net/
email:
terralivre.setubal@gmail.com

3.5.11

A peça A Filha Rebelde sobre a filha do ex-director da PIDE vai hoje a julgamento. A nossa solidariedade aos acusados e às vítimas de Silva Pais



Começa hoje, terça-feira, 3 de Maio de 2011 o julgamento da autora da peça de teatro "A Filha Rebelde" e dois antigos directores do Teatro Nacional D. Maria II ( Margarida Fonseca Santos, autora da adaptação, e Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira, ex-directores do Nacional D. Maria II), acusados dos crimes de difamação e ofensa à memória de Silva Pais, falecido director da PIDE.

Por ser considerada uma queixa de âmbito privado, por ser uma injúria, o Ministério Público (MP) demarcou-se do processo, não acompanhando a acusação.


A peça é a adaptação ao teatro do livro "A Filha Rebelde", da autoria de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, levada à cena no Teatro D. Maria II, em 2007, com encenação de Helena Pimenta.

Os sobrinhos de Silva Pais, falecido em janeiro de 1981, pedem uma indemnização de 30.000 euros.

Os autores da ação judicial são Carlos Alberto Mano Silva Pais, a residir em Zurique, e Berta Maria Mano da Silva Pais Ribeiro, que mora em Portugal.

Julgamento no dia 3 de Maio, pelas 9h15, Lisboa, no 2º Juízo Criminal, 3ª Secção, Avenida D. João II, 10801 - Edifício B. Parque das Nações.

Recorde-se que A Filha Rebelde é o título do livro de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz que trata da biografia da filha rebelde do conhecido Director da PIDE/DGS, Silva Pais, onde se fala da história de Annie, uma mulher corajosa, que se emancipa do meio social protegido onde sempre viveu, e que em 1965 parte para Cuba ,solidária com a revolução cubana. Uma aventura Esta aventura que se estende ao longo do tempo, com a queda do regime ditatorial em Portugal, a prisão e morte de Silva Pais, assim como a participação de Annie na 5ª Divisão do MFA entre outras facetas.

Pungente o retrato dos últimos dias de Annie, em Cuba, o seu esquecimento por todos e o da sua mãe, Armanda que lhe sobrevive, uma idosa sozinha no Bairro das Colónias, vendendo os seus ouro, acompanhada apenas por memórias que marcam a história da família Palhota Silva Pais.

Polícia ataca em Setúbal manifestação do 1º de Maio anticapitalista

12.4.11

1º de Maio - Manifestação anti-capitalista em Setúbal - Todos ao Largo da Misericórdia às 13h.

1º de Maio de 2011 – Manifestação Anti-Capitalista em Setúbal


Apelo à recuperação da tradição combativa e anti-autoritária do “dia do trabalhador”


Desde o grupo de pessoas que compõem o recém formado colectivo anarquista *Terra Livre* de Setúbal queremos convocar uma manifestação de indivíduos, grupos, colectivos, espaços ou sindicatos apartidários,anti-autoritários, anti-políticos ou autónomos para o Domingo 1º de Maio de 2011.


Desejamos fazer desta data um marco de mobilização não controlada por nenhuma força partidária, por nehuma central sindical , ou qualquer força de repressão e controlo do Estado. Desejamos recuperar o seu carácter de mobilização geral de trabalhadores, desempregados, estudantes e de todos quantos anseiam por uma sociedade nova, livre de violência capitalista, jogos partidários e repressão estatal.


1º de Maio de 1886


Em Chicago, EUA, as mobilizações operárias são violentamente atacadas pela polícia, seguranças privados e mercenários nas mãos dos ricos. Ao fogo tirano responde o fogo dos revolucionários. Caem corpos no chão dos dois lados da barricada.Uma dezena de anarquistas são presos, condenados e injustamente assassinados: não interessava a verdade, mas sim o exemplo e a instauração de um clima de terror e medo entre o povo.


O efeito foi contrário: desse dia em diante, por todo o mundo, milhões de pessoas se levantam em solidariedade com esses anarquistas presos, propondo-se a resgatar da prisão essas sementes de dignidade humana. E dos corpos desses anarquistas cravejados das balas do poder e da infâmia, brotaram as raízes do assalto colectivo às cúpulas, para tentar trazer a (des)ordem capitalista aos seus joelhos e finalmente decapitá-la. Até aos dias de hoje houve algumas vitórias, muitas derrotas e demasiadas traições... mas não houve um momento de descanso. A violência do Estado e dos patrões mudou bastante, perdendo a sua “simplicidade” enquanto refinava as suas tácticas, adquirindo tecnologia de ponta e requintes repugnantes de crueldade e maquiavelismo. Pelo contrário, as condições laborais / sociais/ económicas têm andado para trás, estando hoje pouco ou nada melhor do que no inicio do século passado, apesar dos gigantescos avanços tecnológicos e ciêntificos.


O que podemos aprender desses tempos, recusando qualquer mistificação do passado, é que a solidariedade e a acção colectiva das bases surgem sempre como uma poderosa arma em tempos de guerra suja dos governantes contra os seus governados


2011 – Estamos Inquietos


Há várias posições assumidas, mas dê lá por onde der, um facto é hoje inegável, da Tunísia à China, da Grécia a Portugal: os dias da paz social e apatia inquebrável ficaram para trás. Muitos sabiam que mais tarde ou mais cedo aconteceria, outros foram apanhados de surpresa. Alguns já tinham feito as suas jogadas antecipando-se, mas muitos mais têm agido com a espontaneidade e criatividade que os tempos exigem.


O que nos causa hoje em dia uma grande inquietação não é simplesmente o facto de vivermos sob o controlo de um poderoso Estado que nos oferece blindados e policias para resolver a nossa fome. Não é só o facto de termos de apertar tanto o cinto até que o tenhamos de pôr finalmente à volta do pescoço. Nem tão pouco a “crise” desta economia que nos obriga a todos a ser seus fiadores e que no fundo existe desde que o capitalismo é a nossa forma de regime económico. Não é só o facto dos direitos laborais serem sinónimos de uma escravatura com menos chicotes, ou da democracia ser a maior ditadura de que há memória.


O que nos inquieta é saber que é de todos nós que se alimenta este virús chamado capitalismo, e portanto que é também de nós que depende a sua destruição. Estamos inquietos e é sem dúvida nenhuma o tempo de sair à rua. Sem líderes nem partidos, sem cúpulas nem dirigentes. Sabendo que assim que levantamos a voz e os braços surgem imediatamente alcateias de instituições, partidos e organizações a quererem controlar os nossos gritos. Sabemos também que independentemente da data, todos os dias são um bom dia para recuperarmos a dignidade que o estado e a ganância de alguns nos foram roubando a todos.


Portanto, movermo-nos colectivamente a partir da base e de forma autónoma no primeiro dia de Maio é fruto do desejo de nos movermos assim todos os dias! E assim deixarmos para trás a corja de abutres e oportunistas que tentarão anunciar-se como “salvadores da pátria”, tão interessados que estão em chupar o nosso sangue de uma forma mais “justa”, mais “democrática” ou mais “nacionalista”.


Porquê Setúbal?...


Setúbal mantém um espírito rebelde apesar das inúmeras investidas do progresso capitalista e da pobreza. É uma cidade com fortes raízes de lutas libertárias, que nunca deixou de ser território de conflitos sociais. A ideia era propôr Setúbal como local anual para as iniciativas libertárias do 1º de Maio reconhecendo na cidade o potencial para um protesto mais vísivel nas ruas e menos imiscuido na paleta de cores partidarias e institucionais que as grandes mobilizações trazem a Lisboa.


O objectivo seria termos o espaço para criar uma mobilização autónoma e de base e consideramos que em Lisboa esta tarefa é bem mais difícil, confusa e frustrante; acrescida de toda a perseguição promovida vezes sem conta pelo grupo de ordem da CGTP (cujos abusos não tencionamos tolerar) que coopera e participa das tácticas repressivas da Polícia (para mais tarde fazerem figuras tristes a indignar-se com a “violência policial” quando lhes toca a eles) e que nos atraí com demasiada frequência para um confronto que não é o nosso objectivo.


O nosso desejo não é, no entanto, criar espaço para que membros de base da CGTP sejam alvos dos nossos insultos já que antes de considerarmos um individuo como “sindicalista” ou “membro da cgtp” considera-lo-emos enquanto individuo. Os nossos insultos ficam guardados para os dirigentes e para as cúpulas. Não foi nem nunca será difícil expressar as nossas ideias e a nossa combatividade se em vez de nos focarmos no que há de criticável nas organizações sindicais, nos focarmos nos nossos princípios, métodos e objectivos.


E agora... mãos à obra companheiros!


Queremos pôr esta proposta em discussão. Levem-na aos vossos grupos, colectivos, companheiros, camaradas ou amigos do café. Planeiem, conspirem, discutam e critiquem. Pelo caminho vão haver um par de reuniões para acertar detalhes, e uma assembleia mais abrangente. Se quiseres participar nas preparações ou tiveres sugestões entra em contacto através do nosso e-mail. Todos poderemos aportar com um pouco para a realização deste projecto e seguramente conseguimos fazer o possível e o impossível. Sempre o conseguimos. Sem estruturas hierárquicas, sem autoridades mesquinhas e sem politiquices.


Sem nada disso, mas com toda a determinação, respeito, dignidade e combatividade.


Todos a Setúbal no 1º de Maio 2011, pelas 13:00 no Largo da Misericórdia.


Terra Livre

contactos via email: terralivre.setubal@gmail.com

3.4.11

Novas economias - movimento contra a financeirização da sociedade

NOVAS ECONOMIAS - MOVIMENTO CONTRA A FINANCEIRIZAÇÃO DA SOCIEDADE é o nome do colectivo formado na Assembleia Popular de 19 de Março, no Porto, identificado, na altura, como "banca/contra a financiarização da sociedade".


O grupo/colectivo tem reunido uma vez por semana na Casa Viva. A próxima reunião é na QUINTA-FEIRA, 07 DE ABRIL, 22.00 h, novamente na Casa Viva, na Pr. Marquês de Pombal, Porto.


Já temos blogue para reunir todos os testemunhos, protestos, propostas sobre o actual sistema financeiro que nos tritura e sobre um sistema que acolhesse justiça e dignidade ...


Este é um espaço aberto para todas e todos interessados em demonstrar que esta economia que nos devora, não é a única saída, nem a única solução!


Através desta economia com a ditadura dos mercados, há a imposição de um novo totalitarismo, a financiarização da sociedade e das nossas vidas.


Parece que todos e cada qual, somos obrigados a ter uma conta num banco, parece que são os bancos que dizem quem é e não é sério, e, ainda por cima, estamos todos metidos numa imensa base de dados manipulada, usada e abusada pelos mandantes no actual sistema financeiro.


Neste espaço que é gerido por um grupo de pessoas, de todas as idades e experiências, que participou e participa activamente no movimento da chamada "geração à rasca", cabem os testemunhos e as vontades de todas e todos que acreditam que há outros caminhos, outras experências, outras construções para novas economias.


Participem, registem-se e façam ouvir a vossa voz!


Não contribuas para o passivo, torna-te activo!


As razões da cólera (Les raisons de la colère), um filme-doc de Samuel Luret e Damien Vercarmer sobre a revolta dos excluídos que percorre o mundo






Conferência de N. Chomsky realizada em Bruxelas a 17 de Março (vídeo integral)

Nos dias 16 e 17 N.Chomsky esteve em Bruxelas a proferir algumas conferências. Numas delas, realizada no Teatro Nacional , teve como título «Razão contra o Poder», tendo estado presentes Jean Bricmont, Normand Baillargeon et Diana Johnstone para participar no debate.

N. Chomsky é um verdadeiro dissidente do sistema capitalista blobalizado, sendo hoe o intelectual mais citado em todo o mundo. A sua crítica à política estragengeira dos Estados Unidos da América, assim como do modo de funcionamento dos Medias dominantes, deram-lhe uma enorme reputação, sendo escutado atentamente por todo o mundo. Ele próprio autodefine-se como um «filho das Luzes», sendo seguramente uma das vozes mais lúcidas e mais radicais desta tradição racionalista do iluminismo esclarecido
















70 despedimentos abusivos no MUDE (Museu do design e da moda) levam trabalhadores a protestar e entregar uma carta ao presidente da câmara de Lisboa


Após o despedimento ilegal de 70 falsos recibos verdes do MUDE (Museu do Design e da Moda), estes trabalhadores concentraram-se na 6ª feira passada ( 1 de Abril) à frente do Museu para ler uma carta que entregaram de seguida na Câmara Municipal de Lisboa.

Recorde-se que os 70 trabalhadores do Museu do Design e da Moda foram despedidos por emai no final de mês de Março por parte da Associação Aumento d'Ideias, associação que mediava e escondia um falso trabalho independente que estava a ser prestado para a Câmara Municipal de Lisboa



Carta entregue ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa



Ao Dr. António Costa



Somos os trabalhadores do MUDE demitidos ontem ilegalmente.


Estávamos desde a abertura do Museu, em Maio de 2009, a falsos recibos verdes, a receber através de intermediários, como empresas de segurança ou associações culturais, que por sua vez esperavam receber dinheiro da CML. A maioria dos pagamentos foram feitos com vários meses de atraso, uma situação sempre acompanhada pela Direcção do Museu, com a justificação de que tinham que esperar pelas transferências feitas pela Câmara. Durante quase dois anos a situação foi sendo arrastada e teve a nossa compreensão, até que tudo se tornou excessivo e absolutamente incompreensível para quem, durante esse tempo, acarinhou o MUDE, fazendo com competência o seu trabalho.


É por acreditarmos no projecto do MUDE e na sua colecção que queremos continuar a zelar pelo Museu, mas queremos fazê-lo com condições justas, dignas e legais, para que mais pessoas não sofram as represálias de que fomos alvo.


Temos a certeza que compreenderá que só através da justa contratação dos trabalhadores que o MUDE já formou e que acompanharam o seu crescimento ao longo destes quase dois anos, a CML pode melhorar o Museu que tanto destaque tem tido por parte da Autarquia.


Só pedimos a justiça e a legalidade que nos são devidas e estamos certos que não o contestará.



Com os melhores cumprimentos,


os trabalhadores do MUDE



http://muderesistance.blogspot.com/




1.4.11

A História Popular das Ciências, de Clifford D. Conner


Todos conhecemos a história das ciências tal como nos é ensinada nos manuais escolares. Por eles ficamos a saber como Graças ao seu telescópio, Galileu demonstrou que a Terra não estava no centro do universo; por eles também aprendemos como Newton descobriu a existência da gravidade vendo a cair uma maçã.


A narrativa tradicional desta epopeia atribui a um punhado de homens grandes parte, senão mesmo a totalidade, das descobertas e dos avanços científicos.



A verdade, porém, é que a ciência é uma obra colectiva


História Popular das Ciências, de Clifford Conner, é um livro que conta a história dos saberes e dos conhecimentos desenvolvidos pelos caçadores-colectores, pelos pequenos agricultures, pelos marinheiros, pelos mineiros, pelos ferreiros, e tantos outros, que asseguraram a sua substência através do contacto permanente com a natureza.


A medicina tem a sua origem, por exemplo, na descoberta pelos povos pré-históricos das propriedades terapêuticas das plantas. As matemáticas devem a sua existência aos topógrafos, aos mercadores, aos registadores de contas, e aos mecânicos.


Foi só no século XIX que por efeito da união entre o Capital e a Ciência se rompe essa evolução lenta e equilibrada. Entra-se na era das tecnociências, dominada pelos especialistas e obcecada pelas todas-poderosas eficácia, racionalização, acumulação e lucro.


O livro História Popular das Ciências, que acabou de ser editado em França, ajuda-nos a compreender aquela evolução e conhecer a natureza da sociedade tecnológica que hoje nos domina e nos aliena.


Adiamento da Marcha Nacional pela Educação que estava marcada para amanhã (dia 2) em Lisboa

Nos tempos recentes, várias alterações tiveram lugar no país, com forte incidência na Educação. Por exemplo:


· O PEC IV foi reprovado e isso é importante; contudo, as notícias que chegam ao país, quanto ao futuro próximo, não são animadoras;


· As alterações curriculares impostas pelo Governo foram revogadas, todavia há alternativas que não nos deixam descansados. Nem todos os argumentos dos que se lhes opuseram foram os mais positivos;


· É verdade que a avaliação dos professores foi suspensa e isso alivia as escolas de um problema cuja tendência era para se agravar no 3º período lectivo. Mas há alternativas que se ouvem – nomeadamente por quem espreita o poder – que estão longe de deixar sossegados os professores.


E depois há o resto, que é muito:


- os mega-agrupamentos e o encerramento de escolas com todas as suas implicações;


- os horários e as condições de trabalho nas escolas que se agravam;


- a falta de pessoal não docente: assistentes operacionais, administrativos e psicólogos;


- a falta de condições para que a IGE cumpra o seu importante papel no sistema educativo, seja ao nível dos recursos humanos, seja das condições políticas;


- os 803 Milhões de euros de redução na Educação que resultam de mais precariedade, mais desemprego já em Setembro, do roubo nos salários e do congelamento das carreiras. E ainda os 100 Milhões de euros que foram retirados às autarquias e que indirectamente significam redução também na Educação.


Estas são, entre outras, razões por que a Marcha pela Educação se deverá realizar e não ser anulada!


Há, no entanto, um problema que se coloca: qual é, hoje, o interlocutor da comunidade educativa?


A Marcha foi marcada tendo o Governo, com a sua política, como interlocutor. Junto dele pretendíamos protestar e exigir! Demitiu-se!


Mudámos o interlocutor, então, transferindo-a para a Assembleia da República. Embora o cenário de eleições antecipadas fosse o mais provável, a decisão estava por tomar. Ontem, a A.R. foi dissolvida pelo Presidente da República.


Portanto, deixámos de ter interlocutor político. Passamos, agora, a ter destinatários das nossas preocupações e propostas: os partidos políticos que passam a ser protagonistas do tempo que vivemos, um período pré-eleitoral que se prolongará até 5 de Junho.


É neste tempo e neste contexto em que os destinatários substituem os interlocutores, que a Plataforma da Educação decidiu:


– Adiar a realização da Marcha pela Educação para o próximo ano lectivo, transformando-a num “cartão de visita” a entregar ao Governo que sairá das eleições, tendo, naturalmente, em conta a matriz política que escolher para a Educação. Desde já deixamos claro que rejeitaremos e combateremos opções que desvalorizem a Escola Pública, que promovam o falso conceito da “liberdade de escolha” ou que adoptem medidas como o “cheque-ensino”.


– Reforçar a importância atribuída ao Manifesto “Investir na Educação, Defender a Escola Pública” tornando-o referência de toda a acção que desenvolveremos nos próximos dois meses, ou seja, até às eleições. Assim:


- incentivaremos a sua subscrição institucional que, neste momento, já atinge as 90 adesões;


- repetiremos as bancas de rua, para recolha de assinaturas individuais, em mais três momentos: 25 de Abril, 1º de Maio e 16 de Maio (primeiro dia da semana em que se iniciará a campanha eleitoral);


- entregaremos este Manifesto aos partidos políticos durante a campanha eleitoral, em reuniões que serão pedidas a todos.


Pretendemos que este seja o documento, em defesa da qualidade educativa e da Escola Pública, a recolher o maior número de sempre de assinaturas.


– Terá lugar, na primeira quinzena de Maio, um debate nacional sobre a importância dos serviços públicos e, nesse quadro, as respostas da Escola Pública. Convidaremos personalidades que intervirão no primeiro painel e os partidos políticos que, intervindo no segundo, serão convidados a tornarem claras as suas posições sobre tão importante matéria.


– No que respeita à intervenção da comunidade educativa a uma só voz, durante a campanha eleitoral pretendemos ir mais longe e, assim, entregaremos propostas concretas, que pretendemos ver reflectidas nos programas e compromissos eleitorais, em 6 áreas:


- Financiamento da Educação


- Acção Social Escolar


- Rede Escolar


- Gestão das escolas e modelo organizacional


- Recursos das escolas (materiais e humanos)


- Escola Inclusiva


– Por fim, duas notas de grande importância, uma para o governo demissionário, outra para o que será eleito!


· Para o actual, que não esqueça que se encontra em gestão corrente. Na Educação, os que saem deixam as coisas piores e mais desarrumadas do que encontraram. Portanto, deverão parar no que vai além da gestão corrente. É o caso da rede escolar: os mega-agrupamentos e os encerramentos de escolas são mais do que gestão corrente. Devem suspender a sua acção nesse domínio.


Para o próximo, que tenha consciência que entre a sua tomada de posse e o início do ano escolar decorrerão dois meses em pleno período de férias. Há medidas de correcção que obrigatoriamente deverão ser tomadas desde logo. Em primeiro lugar, deverá alterar-se o despacho de organização do ano escolar: as escolas não poderão perder, na prática, o seu crédito de horas; os professores não poderão ver os seus horários ainda mais ocupados com actividades que lhes retiram disponibilidade para o que é essencial na função docente: o trabalho com os seus alunos!


Neste novo contexto político vamos, desde já, começar a trabalhar na construção de propostas. O que uniu estas vozes da comunidade educativa foi o protesto às políticas e às medidas. Queremos agora ir para além disso, unindo vozes em torno de propostas concretas que elaboraremos e apresentaremos em breve.


Esta convergência em torno do que é comum não nos retirará das lutas e da intervenção que é específica. Assim, docentes, trabalhadores não docentes, estudantes, pais e encarregados de educação, psicólogos ou inspectores, nos seus espaços próprios de agirem e lutarem, continuarão a pugnar pelos seus direitos e por um futuro melhor para um país que querem mais justo, solidário e liberto das amarras que o comprimem e reprimem nos planos económico, político e social.


Lisboa, 1 de Abril de 2011


A Plataforma da Educação


Fonte: www.fenprof.pt

Assembleia Popular do Porto (2 de Abril, às 15h.) na Praça D.João I, Porto


Assembleia Popular do Porto (2 de Abril, às 15h.) na Praça D.João I, no Porto .


Esta Assembleia foi criada na continuação na manifestação da Geração à Rasca.


Foi realizada já uma 1ª Assembleia, criados vários grupos de trabalho, e a 2ª Assembleia realiza-se já no próximo Sábado, 2 de Abril.


APAREÇAM. PARTICIPEM


http://www.facebook.com/#!/event.php?eid=173912635993070

Ciclo de cinema porno feminista no espaço Regueirão dos Anjos (1,2 e 9 de Abril)

Clicar por cima da imagem para ler em detalhe


Ciclo de Cinema porno feminista


Espaço Regueirão dos Anjos (RDA 69) - Regueirão dos Anjos, Nº 69, Lisboa

SEX 1 Abril 21h* "Inside deep throat" (Fenton Bailey, Randy Barbato, 92') Conversa com Manuela Góis



SÁB 2 Abril 21h* "The Black Glove" (Maria Beatty) "Behind the Green Door" (Artie Mitchell, Jim Mitchell, 72') Conversa com Eva Holt


SÁB 9 Abril 21h* "Dirty Diaries" Conversa com Inês Martins Festa das festas


*20h Jantar Afrodisíaco


Ciclo de cinema porno-feminista? Mas xs feministas não acham todxs que a pornografia é uma forma de degradação e exploração das mulheres? Há feministas que vêem a pornografia como espaço de contra-poder, de resistência aos códigos normativos da pornografia tradicional por produzir representações alternativas, em que corpos, partes dos corpos e desejos considerados “monstruosos”, pela norma sexual e de género, têm lugar. Na pornografia feminista estão representados os órgãos que não funcionam para a norma heterossexual, os “defeitos”, o que está fora do padrão e é descartado e invisibilizado pela norma sexual - lésbicas, gays, trans, putas, travestis, drag-kings, mulheres barbudas, pessoas com deficiência, velhxs, sado-maso’s, bi’s, queer, etc. No porno feminista estes “monstros” passam a ser sujeitos de enunciação e lugares de resistência ao ponto de vista “universal” do homem branco, heterosexual, de classe média. Este ciclo é um espaço para essas práticas marginalizadas, para essas performatividades alternativas, e para construir novas formas de prazer-saber.

Viagem ao fim da noite é o livro em debate da sessão da Comunidade de leitores de amanhã (dia 2) na livraria Gato Vadio

COMUNIDADE de LEITORES VADIOS - sessão de 2 de Abril ( 17h.)

Livro em debate – VIAGEM AO FIM DA NOITE de CELINE


Livraria Gato Vadio – Rua do Rosário, 281 – Porto
Apareçam


Viagem ao Fim da Noite é um clássico anti-militarista e uma obra-prima da literatura contemporânea


O escritor Céline foi excluído pelo ministério da Cultura das comemorações oficiais do Estado francês. O mesmo Estado que excluí e deporta seres humanos para fora da sua banda.

Céline continua a provocar *tsunamis* de contestação e polémica. Falar de Viagem ao Fim da Noite, um libelo anti-militarista e uma obra literariamente inquietante até às entranhas, não nos faz esquecer questões irrevogáveis: o que pode levar um escritor a autorizar a reedição de um panfleto anti-semita, *Bagatelles pour un Massacre*, em 1941, num país ocupado pelas forças hitlerianas? E porque razão, alguns *judeus* eram alvo da sua pena em diatribes incendiárias, e outros “galfarros (…), bípedes em busca de uma côdea”, esses que “valiam tanto como um bretão” eram atendidos pelo médico Destouches, por vezes sem lhes cobrar cobre que fosse? E que experiência medicinal vai fazer à Alemanha em 1942, num comité de médicos franceses, quando a terapia nazi usava como cobaias prisioneiras e prisioneiros de guerra? E como exílio à sua França punitiva, não haveria outro lugar para escapar à ira que a cidade dinamarquesa onde se instalou o regime colaboracionista de Vichy?

Lendo a Viagem e questionando que comboios foi apanhando o escritor, talvez fiquemos mais “esclarecidos, bem colocados para compreender todas as sacanices que um passado encerra

Cinema comunitário do mês de Abril é dedicado às Lutas Sociais e Antiglobalização começa hoje com o filme «Vamos fazer dinheiro»

Lutas sociais e antiglobalização é o tema do mês de Abril do Cinema Comunitário

6ª feira, 1 abril 22h00
no espaço do Terra Viva!

entrada livre


Let's Make Money, de Erwin Wagenhofer (108')

Documentário. Austria, 2008

www.letsmakemoney.at


Terra Viva! Rua dos Caldeireiros, 213 Porto

http://terraviva.weblog.com.pt

Projecção do documentário «A guerra dos caulinos» e jantar no espaço anarquista Terra de Ninguém ( dia 2 de Abril, às 17h30)

Projecção do documentário "a guerra dos caulinos" + jantar

Sábado, 2/04/2011 - 17:30


Local: terra de ninguém, lisboa


17h30 - Projecção do documentário "A guerra dos caulinos", sobre a luta contra a extracção de caulinos em Barqueiros (Barcelos, Portugal) em finais dos anos 80. Duração: 35min.


20h - Jantar de apoio ao terra, para comer na rua.



Vai ser o relembrar de uma empresa (Mibal) que só queria extrair caulinos, e que nesse processo contaminou a água e as vidas de muita gente. Vai ser o relembrar de uma população normal a quem a indústria e a autoridade lhe explodiram na cara, e que à morte soube responder com vida. Vai ser o relembrar dos jogos políticos que invadem ou emergem em terrenos férteis e visam destruir toda a luta autónoma. Uma história de lucro, política e dignidade, que continua até hoje e ultrapassa os seus limites temporais, geográficos e sociais. Uma história que não pertence à História.



espaço anarquista terra de ninguém

r. do salvador, nº56 (entre o castelo, alfama e graça) lisboa
terraninguem@yahoo.com

Movimento Portugal Uncut


Portugal Uncut é um movimento horizontal. Tal como nos restantes Uncut, queremos chegar a todos os grupos etários e de todas as origens sociais. Trata-se de um movimento independente e apartidário com o objectivo de desmantelar um sistema que favorece as finanças e não a comunidade.Não temos um modelo de protesto fixo, um discurso formatado, não saímos à rua a horas certas e não precisamos de sair todos ao mesmo tempo. Somos um movimento pacífico, as nossas armas são a imaginação, a informação e o poder que temos quando nos juntamos — na rua, nas redes sociais, por aí


Portugal Uncut é um movimento recém-criado, inspirado no seu homónimo britânico, UK Uncut, o movimento anti-austeridade que surgiu no Reino Unido a 27 de Outubro de 2010, apenas uma semana depois de George Osborne (actual chanceler britânico do tesouro) ter anunciado os cortes mais profundos nos serviços públicos desde 1920. Nesse dia, cerca de 70 pessoas percorreram a Oxford Street, entraram numa das principais lojas da Vodafone e sentaram-se. Estava fechada a loja líder da Vodafone, empresa conhecida pelas suas práticas de evasão fiscal. Até então o movimento UK Uncut apenas existia como #ukuncut, uma hashtag do Twitter que alguém tinha imaginado na noite anterior ao protesto. Enquanto os manifestantes estavam sentados à porta a entoar palavras de ordem e a entregar panfletos aos transeuntes, a hashtag espalhou-se pelo Reino Unido, e as pessoas começaram a pensar repetir a acção. A ideia tornou-se viral. A fúria fervilhante contra os cortes transbordava. Apenas três dias depois, cerca de trinta lojas da Vodafone em todo o país tinham sido encerradas[1].


Hoje, o movimento Uncut vai-se alastrando rapidamente a todo o planeta. Já existe em vários dos Estados Unidos da América, na Irlanda, no Canadá, na Holanda, na Austrália e em França.


O Portugal Uncut pretende desenvolver acções contra os cortes brutais, desnecessários e cegos nos serviços públicos e transferências sociais em todo o país. O corte nos benefícios fiscais, nas prestações sociais, no investimento público e nos salários vai atingir todos os aspectos da nossa vida: desde os cuidados médicos à educação, passando pela habitação, pela protecção ambiental e pelos incentivos ao desporto e às artes.


Quem continua imune aos cortes? Os lucros das maiores empresas, dos contribuintes privados das classes mais altas e a banca. Este modelo está errado. Não funciona e é injusto. A realidade e múltiplos estudos económicos demonstram-no. Apesar disso, é-nos imposto como inevitável. Os cortes em salários que já são demasiado baixos, o corte em benefícios fiscais que resgatam muitas famílias e indivíduos de situações catastróficas, e um complexo sistema mundial — que permite que “criativos de planos fiscais internacionais” canalizem os rendimentos para paraísos fiscais — garantem que somos nós a financiar a economia da crise, enquanto outros lucram com ela e se recusam a contribuir com o mínimo que lhes é exigido: pagando impostos.


Os bancos, através de condições legais vantajosas, conseguem pagar cada vez menos impostos enquanto os seus lucros crescem exponencialmente.


Chegou a hora de lhes mostrar isto: a água que sustenta o barco também o pode derrubar. Junta-te ao Portugal Uncut e vamos obrigar as empresas que fogem aos impostos a pagar.


Portugal Uncut é um movimento horizontal. Tal como nos restantes Uncut, queremos chegar a todos os grupos etários e de todas as origens sociais. Trata-se de um movimento independente e apartidário com o objectivo de desmantelar um sistema que favorece as finanças e não a comunidade. Não temos um modelo de protesto fixo, um discurso formatado, não saímos à rua a horas certas e não precisamos de sair todos ao mesmo tempo. Somos um movimento pacífico, as nossas armas são a imaginação, a informação e o poder que temos quando nos juntamos — na rua, nas redes sociais, por aí.


Explora o nosso site, “gosta” da nossa página no Facebook, segue-nos no Twitter e lembra-te de visitar os grupos Uncut que se formaram e ainda virão a formar-se um pouco por todo o mundo. Procura a tua inspiração nos milhares de pessoas que já se juntaram mundo fora e nas dezenas de protestos que já se fizeram. Se quiseres organizar um protesto na tua cidade, fá-lo! Lá nos encontraremos


(Adaptado a partir do texto de Anne Marshall no Canada Uncut. 25 Fev. 2011)


[1] Anonymous. About UK Uncut. UK Uncut. Internet. 24 Fev. 2011.




31.3.11

Há 35 anos atrás os fascistas assassinavam o Padre Max e a Maria de Lurdes, que serão evocados numa iniciativa no próximo dia 2 de Abril em Vila Real

Realiza-se no próximo dia 2 de Abril, uma iniciativa evocativa de Maximino Barbosa de Sousa, mais conhecido como Padre Max.


às 12 horas - Concentração à entrada do cemitério (junto ao Quartel) e uma breve intervenção.

às 15 horas - Sessão no Hotel Mira-Corgo (Avª 1º de Maio nº 76) evocativa de Maximino Barbosa de Sousa - com depoimentos de antigos alunos do Pe. Max e pequenas intervenções/testemunhos.


A iniciativa é levado a efeito por uma comissão organizadora de amigos/as, associações como a AUDP e a Pe. Maximino (com sede em S. Pedro da Cova-Gondomar), bem como o Bloco de Esquerda.

Recorde-se que Maximino Barbosa de Sousa (conhecido por Padre Max) tinha 32 anos, e Maria de Lurdes Pereira 19. O primeiro, era padre, professor do liceu e candidato independente a deputado nas listas da União Democrática Popular (UDP). A segunda, uma aluna e apoiante do candidato. No dia 2 de Abril de 1976, o carro em que ambos viajavam – na localidade de Cumieira para Vila Real – foi alvo de um ataque bombista, matando-os.


Depois de várias peripécias judiciais os alegados autores do assassinato, conhecidos membros do movimento fascista MDLP, responsável junto com o ELP, de uma criminosa campanha contra-revolucionaria em 1975 e 1976, foram ilibados pelos tribunais, apesar de todas as evidências.


Trinta cinco anos depois o padre que aceitou ser candidato para “fazer chegar a sua voz aos mais humildes” aguarda Justiça na campa 1240 do cemitério de Santa Iria, em Vila Real.

Cordão humano à volta da estação ferroviária de Vila Real em defesa do Linha do Corgo ( dia 2 de Abril, às 15h.)

Movimento Cívico Pela Linha do Corgo realizará no próximo dia 2 de Abril, sábado, às 15.00 horas um evento apartidário em defesa da requalificação da Linha do Corgo. A acção consistirá num Cordão Humano à volta da estação de caminhos de ferro de Vila Real.


Esta iniciativa está a ser promovida através da rede social Facebook, e através da plataforma na internet do MCLC em http://linhaferroviariadocorgo.wordpress.com/ A iniciativa serve também para celebrar os 105 anos da inauguração da Linha do Corgo através de uma acção de protesto contra o atraso na reabertura do troço Régua – Vila Real e a favor da reabertura do troço Vila Real – Chaves.

Para além da conjuntura actual de crise económico-social, agravada no Interior pela falta de acessos e de mobilidade, os quais são componentes fulcrais para o desenvolvimento e competitividade de qualquer região, a sociedade actual não se pode mais dar ao luxo de ser tão dependente de um meio de locomoção tão dispendioso e poluidor como o automóvel.


No entanto, é com profundo alarme que o MCLC e outras entidades ligadas ao universo ferroviário português constatam que, nos últimos 20 anos, Portugal foi o ÚNICO país da Europa Ocidental a perder passageiros na ferrovia, enquanto que em países como a Espanha esse número mais que duplicou em igual período de tempo.


Para além disto, é com firmeza que o MCLC condena a consignação de mais 17Km de ecopista no canal da Linha do Corgo, no município de Vila Pouca de Aguiar. É incompreensível como a moda irreflectida das ecopistas em leitos ferroviários grassou pelo país, quando se repetem as provas de que este equipamento para além de caro (na Linha do Sabor chega a custar 125.000 EUR/Km, fora a renda anual de 10.000 EUR devida à REFER pela autarquia de Torre de Moncorvo), tem um retorno económico-social diminuto ou mesmo nulo. A sua atractividade turística é no mínimo duvidosa, para além de que as suas zonas de implantação são mal servidas de acessos e de oferta de mobilidade à população, tendo como resultado que os cicloturistas deixam pouco rendimento na região, e que à população local muitos outros equipamentos fazem bem mais falta.


No que ao mau serviço à população diz respeito, disso não restem dúvidas: Imaginemos um carro a ir da estação da Régua à de Chaves e regresso, via A24 (87Km), a gastar uma média de 6,5 litros aos 100Km, com o combustível a 1,50 EUR, e o valor da portagem em 7,20 EUR (Régua – Chaves). Imaginemos agora a mesma viagem, mas de comboio pela Linha do Corgo (97Km), através do pagamento de um bilhete inteiro (7 EUR, tarifa Regional, aproximadamente) ou através de uma assinatura mensal de estudante (185,65 EUR, aproximadamente):

1. Num mês, o comboio é mais barato que o carro em 347,30 EUR via bilhete inteiro, e em 441,65 EUR com uma assinatura mensal de estudante.

2. Num ano, a diferença é de 4.514,90 EUR via bilhete inteiro, e de 5.927,10 EUR com uma assinatura mensal de estudante.


Comparação agora com uma viagem num autocarro de uma das empresas que efectuam o percurso Régua – Chaves actualmente (Nota: a empresa escolhida só faz 2 viagens por dia neste trajecto, e demora 1h40m a fazê-lo, a um preço de 8 EUR. A Linha do Corgo, com o troço Régua – Vila Real a 40Km/h e Vila Real – Chaves a 70Km/h levaria, com paragens de 3 minutos em Vila Real, Vila Pouca de Aguiar e Chaves, 1h48m):

1. Num mês, o comboio seria mais barato em 40 EUR para bilhete inteiro, e em 134,35 EUR em assinatura mensal de estudante.

2. Num ano, a diferença análoga seria de 520 EUR e 1.932,20, respectivamente.


Assumimos que as deslocações da maior parte dos pensionistas do município de Vila Pouca de Aguiar não contemplarão a locomoção a pé ou de bicicleta, das suas habitações à sede de concelho, pela ecopista. No entanto, as diferenças acima explanadas só por si dariam para estes cidadãos viverem com um pouco mais de dignidade e qualidade de vida.


Movimento Cívico pela Linha do Corgo (MCLC)

Vila Real, 23 de Março de 2011