20.2.11

Manifesto e apelo aos estudantes para participarem no protesto da geração à rasca (dia 12 de Março em Lisboa e no Porto)


Apelo a todos os estudantes para que venham à manif da Geração à Rasca

Sábado, 12 de Março às 15:00 - 13/3 às 15:30

Local :
Lisboa -Avenida da Liberdade
Porto - Praça da Batalha

Sofres com os cortes nas escolas, os cortes nas bolsas, os cortes nos apoios sociais, a precariedade no emprego, o desemprego? Queres viver num país onde o futuro seja mais risonho? Não sejas parvo! Junta-te a nós!


PROTESTO da GERAÇÃO À RASCA (12 de Março em Lisboa , no Barreiro, e no Porto)

http://www.facebook.com/event.php?eid=180447445325625
http://geracaoenrascada.wordpress.com/


“É mais fácil lutar contra a ditadura do que contra a ditamole”

É inacreditável o ódio que escorre pelas caixas de comentários das notícias relativas à manifestação marcada para dia 12 de Março, ódio pelas pessoas que querem continuar a lutar por este país. E é inacreditável o “tom” do especial informação da SIC – que é recorrentemente mencionado nestes comentários – “Geração à rasca” – que tenta passar a ideia de que os precários são todos uns meninos que querem é carros e telemóveis de última geração: “vícios de quem quer ser moderno e nem pensa na velhice” – como se o sistema de transportes públicos que temos permitisse a todos chegar ao emprego, e como se abdicando do telemóvel se resolvesse o problema do desemprego – deveríamos todos virar mórmones para fazer face à crise? Se passarmos a dormir numa tenda à porta do emprego e usamos pombos correio para comunicar, tudo ficará bem. Os recém-licenciados desempregados entrevistados vivem todos em casa de familiares. Gostava que tivessem procurado os licenciados que saíram de casa dos pais e que estão a trabalhar precariamente e a partilhar apartamentos com mais 5 ou 6 pessoas. Nem todos podem ficar em casa dos pais, mas ninguém se lembra desses.

O jornalista pergunta ao pai de um licenciado em cinema há 7 meses, que vive em casa dos pais: “Então? Não está farto deste filme? Pagaram os estudos ao menino e agora têm o menino a viver cá em casa” – coitado do “menino”, neste país não lhe valeu estar licenciado há apenas 7 meses e já ter um prémio de realização português e um sérvio… devia era ir lavar sarjetas, para saber o que é a vida, em vez de contar com a ajuda dos pais mais 2 ou 3 anos, até um dia o ICAM se lembrar que há mais talento em Portugal para além da lista de 15 ou 20 nomes que vão todos os anos buscar para atribuir financiamentos… Segue-se uma comparação das vantagens de se ser mais velho e as desvantagens de se ser mais novo: reformas, saúde, acesso ao crédito. Esta história de tentar virar os pais contra os filhos e os filhos contra os pais mete mesmo nojo. Os vampiros não são os filhos, nem são os pais. São as empresas sem princípios, os abusos e a ganância generalizada.

Parece emergir a ideia de que estes jovens – que estão muito desiludidos porque as licenciaturas não lhes valeram um posto de trabalho – teriam feito uma aposta melhor se não tivessem procurado o ensino superior. Felizmente aparece o Reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, que lembra que “o desemprego é mais significativo entre os não licenciados”. – Pois é. Se os licenciados estão mal, os não licenciados estão bem na m… parece ser necessário lembrar também que a formação superior não serve só para ter um emprego, serve para a formação pessoal e para elevar o nível intelectual de um país. Como ficamos face ao resto do mundo? E falando em resto do mundo, sugere-se aos jovens recém-licenciados que vão para fora. Como se ir para fora não implique liquidez financeira, e esteja ao alcance de qualquer um.

Por fim aparece a crítica aos jovens “que não querem “sacrificar o sonho pelo possível” – querem mesmo convencer-nos que “isto” é o possível. E o “isto” não se esgota nos licenciados que não conseguem um emprego digno – nas áreas para as quais estudaram, ou noutras – “isto” chegou ao ponto a que chegou porque a maior parte do tecido empresarial português acha que a competitividade se consegue pagando o mínimo possível, escravizando pessoas com ordenados próximos ou por vezes abaixo dos ordenados mínimos. O que está mal é ser normal as empresas recorrerem a falsos recibos verdes e a estágios não remunerados para manter lucros obscenos e os ordenados e privilégios dos quadros superiores muito acima da média europeia. O que está mal é a corrupção e a exploração selvagem. Se não há trabalho na área para a qual os jovens estudaram, há-de haver noutra área qualquer, mas convém que paguem o trabalho, ou não? A competitividade consegue-se com um produto de qualidade, e isso não se consegue com empregados deprimidos que lutam para comprar comida no supermercado, nem com comboios de “estagiários” que se substituem uns aos outros sucessivamente, nunca ficando tempo suficiente para fazer o melhor pela empresa para a qual querem trabalhar. A verdade é que não os deixam trabalhar e os tratam abaixo de cão, porque há sempre outro estagiário que pode ficar com o lugar. O trabalho não será tão bom, mas serve para “tapar o buraco”. Não os deixam crescer como profissionais, e depois queixam-se da “falta de competitividade”.

Sou licenciada, estou nos quadros de uma empresa, e faço o que sempre quis fazer. Sou uma excepção. Mas não tenho a ilusão pretensiosa de que foi única e exclusivamente por lutar muito que consegui. Lutei muito, e sou boa no que faço, mas acima de tudo tive sorte. Antes disso fui muitos anos precária, e conheço profundamente a realidade. Aceitei trabalhos fora da área que me iam comprometendo para sempre o meu projecto de vida. Por isso, porque quero um futuro melhor para os meus filhos, e porque este é o meu País: vou à Manif. E tu?





Manifesto

Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.

Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.

Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.

Caso contrário:
a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.
b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.
c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.

Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.

Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.

Município de Paris decide reduzir em 30% os anúncios e a superfície ocupada pela publicidade em toda a cidade


Todos os dias faço uma lavagem ao cérebro com a publicidade

A Publicidade mata a liberdade de pensar




A câmara de Paris acaba de decidir reduzir em 30% os espaços ocupados com publicidade da cidade. Decidiu ainda retirar os painéis 4x3 (12m2) nas vias periféricas que atravessam e contornam a cidade. O novo regulamento local de publicidade recebeu os votos contra dos partidos da direita, não se livrando porém de críticas dos representantes ecologistas que queriam ir mais longe na redução dos espaços públicos com publicidade.

A publicidade será ainda proibida num raio de 50 metros à volta das escolas, nas margens do Sena, canais, nos cmitérios, espaços verdes e jardins públicos.

A decisão do município parisiense aguarda ainda o parecer de dois organismos administrativos para poder ser aplicada.

Entretanto, os activistas anti-publicidade lamentam, por seu lado, estas medidas~pois no seu entender não alteram nada de substancial, recordando que, segundo as estimativas, cada indivíduo é bombardeado por dia com uma média de 3.000 mensagens publictárias, o que constitui um autêntico ataque à liberdade de consciência.


http://antipub.org/spip.php?article204

http://www.jacques-boutault.fr/article/958

Descobrir e viver o paganismo - workshop em Sintra (5 de Março) por Gilberto Lascariz



DESCOBRIR E VIVER O PAGANISMO
por Gilberto de Lascariz
5 Março (Sábado), Sintra

No ano passado a Inglaterra fez-se ouvir no mundo com a legalização do Druidismo como religião oficial em Inglaterra. Este é o primeiro passo para gradualmente regressarmos ao Paganismo, por alguns considerada "a religião original da Europa".

Ao longo da história do Paganismo encontrámos verdadeiros mitos avatáricos que ilustram esse processo de transformação da alma, desde Dionísio a Odin e, tão tardiamente quanto o século VII EC, figuras de culto como Ceridwen, Merlin e Taliesin.

Na realidade não existiu um Paganismo mas vários Paganismos na Europa, assim como vários modelos iniciáticos de transformação cognitiva, dos quais se deve realçar os modelos ctónicos e agrários, guerreiros e mágicos.

Programa:

- A Chegada da Luz do Antigo Paganismo e o crepúsculo do monoteísmo Judaico-Cristão.
- O Homem Pagão entre as Forças Ctónicas da Fertilidade e as Forças Celestes da Sabedoria.
- O Homem Sensorial e Imaginal como substrato cognitivo do Antigo Paganismo.
- Iniciação versus Religião. O significado da Iniciação no Antigo Paganismo.
- O Paganismo do Campo, o Paganismo dos Mistérios e o Paganismo da Teurgia.
- Os Quatro Mistérios Pagãos: Agrários, Guerreiros, Metalúrgicos e Eróticos.
- A Concepção da Alma e o relacionamento com o Mundo dos Mortos.
- Merlin e Ceridwen como avatares divinos da via xamânica do Ocidente.
- Dois mitos opostos do Paganismo: a descida ao Mundo Subterrâneo e a Ascensão pelas Esferas Planetares, enquanto mitemas dos impulsos contraditórios de Vida e Morte na Natureza.
- A via do corpo convulsivo como método extático em Dionísio.
- O Deus Cornudo (Cernunnos/Hu Gadarn/Dionísio) como epifania da Alma da Natureza.
- O Culto da Cabeça e o culto do Falo: dois pólos complementares do Paganismo.
- O caminho sacrificial do guerreiro astucioso em Odin.
- Magia sexual em Freya e Afrodite enquanto Via Sexualis do Paganismo.
- O significado do Sacramento entre os pagãos. A sua prática na vida quotidiana.
- A Via Onirosófica e os retiros oniromânticos.
- O Conhecimento do Daimon/Siddhe e o papel de Hermes na Tradição Pagã.
- Um programa de experimentação das vias pagãs para uso quotidiano.

Local: Sintra (Caminho dos Frades, a 500 m da Quinta da Regaleira)

Horário: 10h – 18h (podendo estender-se até às 19h caso seja necessário)
Preço: 70 €
Almoço: Intervalo de 1h para almoçar. Refeição no local a 5€ p/ pessoa, opcional.
Inscrições:
workshop@zefiro.pt (ou tlm: 91 484 49 23)

Gilberto de Lascariz nasceu em Caracas, Venezuela, vindo desde muito cedo a viver em Portugal. Formou-se em Direito, na Faculdade de Direito de Lisboa, ao mesmo tempo que seguia Língua e Cultura Sânscrita na Universidade Nova de Lisboa. Desde muito cedo esteve envolvido em várias sociedades esotéricas de carácter rosacruciano e maçónico, tendo tomado votos na Tradição Nyngma-Pa do Budismo Tibetano. A sua envolvência com o Wicca Tradicional na Tradição Alexandriana a partir de 1982, associado ao seu envolvimento com a Antroposofia, despertou-o para a necessidade de desenvolver métodos meditativos e rituais que permitissem uma abordagem esotérica da Bruxaria Iniciática e Neo-Pagã em antítese à sua superficialização New Age. Em 1989 criou em Portugal o Coventículo TerraSerpente de Wicca Alexandriana e lançou a Confraria Sol-Negro, uma organização artística dedicada à renovação estética das artes sob o ponto de vista do esoterismo neo-pagão, na sua acepção evoliana. As suas palestras nas “Conferências do Inferno”, realizadas nos anos 80/90 no Porto, alertaram-no para a necessidade de registar em livro o seu pensamento esotérico e neo-pagão. Publicou os livros Mãe Canibal, O Culto da Bruxaria no Artista e Escritor Austin Osman Spare e traduziu e prefaciou o livro de Ronald Huton, Os Xamãs da Sibéria. Em 1999 criou o Projecto Karnayna, uma organização que visa fornecer instrução esotérica na perspectiva do Neo-Paganismo sendo o primeiro autor a fazer workshops de Wicca em Portugal, tal como é hoje praticado por Janet Farrar e Vivianne Crowley. O magazine francês de cultura gótica Elegy Ibérica considerou-o em 2006 como sendo a figura mais importante do pensamento esotérico neo-pagão em Portugal. Na Zéfiro, publicou a obra Ritos e Mistérios Secretos do Wicca e Deuses e Rituais Iniciáticos da Antiga Lusitânia. É também autor do posfácio de O Chamado dos Velhos Deuses, de Nigel Jackson, e foi o coordenador da edição de 2009 de Mandrágora – O Almanaque Pagão, fazendo parte da direcção editorial deste almanaque.

http://www.zefiro.pt/
http://www.projectokarnayna.com/

Visita guiada a Tamera (em Odemira) a 12 de Março, a 14/5, 4/6, 13/8, 10/9 e 5/11 de 2011



Tamera é um Centro Internacional de Pesquisa para a Paz, uma escola do futuro e um ponto de encontro internacional de trabalhadores, oriundos de muitas partes do mundo, para a paz. Foi fundado em 1995 num terreno com cerca de 134 ha situado no Baixo Alentejo, na freguesia de Relíquias e concelho de Odemira.

Dias abertos com visita guiada
12 de Março, 14 de Maio, 4 de Junho, 13 de Agosto, 10 de Setembro, 5 de Novembro


Desde Agosto de 2007 está a ser criada uma paisagem aquática de permacultura no Centro de Pesquisa para a Paz de Tamera (em Relíquias), para servir de modelo na recuperação de paisagens ameaçadas pela desertificação. Numa região árida devido ao Verão cujo solo é esgotado pelas pastagens e sobreiros moribundos, foram criadas áreas de retenção aquática de aspecto natural em cujas margens crescem legumes e frutos durante todas as estações. Após a saturação do solo pela água, podemos começar agora com a reflorestação de árvores coníferas e caducas. A paisagem aquática de Tamera já está a atrair novamente plantas e animais autóctones bem como muitos especialistas nacionais e estrangeiros. Todos são unânimes: deste modo está a ser criado um paraíso natural que em breve poderá alimentar os seus habitantes. Cerca de 1.000 destas paisagens aquáticas em todo o Alentejo poderão salvá-lo da desertificação.

Sepp Holzer, um austríaco especialista em permacultura e agricultor de montanha, criou biótopos de grandes áreas no mundo inteiro para recuperar paisagens danificadas e para as cultivar em cooperação com a natureza. Em Tamera e algumas vezes por ano, lecciona cursos de permacultura através da sua paisagem aquática em crescimento.
Sepp Holzer irá liderar a visita nos seguintes dias: 4.06, 13.08, 05.11

Programa dos Dias Abertos

10:00 Horas – Boas-vindas a Tamera: o ponto de encontro é na Casa de Hóspedes
10:30 Horas – Visita guiada à paisagem aquática
13:00 Horas – Almoço (se estiver sol, é cozinhado com energia solar)
15:00 Horas – Apresentação de um outro projecto em Tamera

Morada: Monte do Cerro, 7630 Relíquias. Vindos de Colos ou de Relíquias.
GPS: 37°42´54“ Norte, 8°30´57“ Oeste

Inscrições:
seminarios@tamera.org ou +351 283 635 306

Os jornalistas podem contactar Leila Dregger:
leila.dregger@tamera.org

http://www.tamera.org/index.php?id=1&L=2

18.2.11

The War You Don’t See, documentário do jornalista John Pilger com legendas em português


O jornalista John Pilger fala neste seu último documentário do papel dos media na guerra ( nomeadamente a do Iraque e do Afeganistão) e o caso da WikiLeaks

http://www.johnpilger.com/


“It is not enough for journalists to see themselves as mere messengers without understanding the hidden agendas of the message and the myths that surround it."
John Pilger

"The major western democracies are moving towards corporatism. Democracy has become a business plan, with a bottom line for every human activity, every dream, every decency, every hope. The main parliamentary parties are now devoted to the same economic policies — socialism for the rich, capitalism for the poor — and the same foreign policy of servility to endless war. This is not democracy. It is to politics what McDonalds is to food."
John Pilger

"Many journalists now are no more than channelers and echoers of what George Orwell called the 'official truth'. They simply cipher and transmit lies. It really grieves me that so many of my fellow journalists can be so manipulated that they become really what the French describe as 'functionaires', functionaries, not journalists. Many journalists become very defensive when you suggest to them that they are anything but impartial and objective. The problem with those words 'impartiality' and 'objectivity' is that they have lost their dictionary meaning. They've been taken over... [they] now mean the establishment point of view... Journalists don't sit down and think, 'I'm now going to speak for the establishment.' Of course not. But they internalise a whole set of assumptions, and one of the most potent assumptions is that the world should be seen in terms of its usefulness to the West, not humanity."
John Pilger
















17.2.11

SANTA LIBERDADE – um acto «terrorista» de assalto a um navio no alto mar realizado há 50 anos atrás contra a ditadura de Salazar


SANTA LIBERDADE – um acto «terrorista» de assalto a um navio no alto mar realizado há 50 anos atrás contra a ditadura de Salazar
O Museu Nacional da Imprensa, na cidade do Porto, inaugurou no dia 22 de Janeiro, que se prolongará até Junho, uma exposição documental subordinada ao título “Santa Liberdade, 50 anos: O D. Quixote que abalou as ditaduras de Salazar e Franco”.

O objectivo visa mostrar o impacto (na imprensa) do assalto ao paquete Santa Maria, dirigido por Henrique Galvão, e que hoje seria considerado um acto de terrorismo e de pirataria!
Trata -se de uma mostra documental que evidencia toda a odisseia que impressionou a opinião pública mundial durante duas semanas, aproximadamente, a partir das múltiplas manchetes que o caso suscitou, até à entrega do navio a 3 de Fevereiro de 1961.

Dezenas de exemplares da imprensa nacional e internacional integram a exposição subordinada ao título “Santa Liberdade, 50 anos: O D. Quixote que abalou as ditaduras de Salazar e Franco”. A abertura decorreu precisamente no dia (22 de Janeiro) em que, há meio século, o capitão Henrique Galvão comandou o assalto ao navio Santa Maria, caso que viria a ser um dos mais duros golpes aplicados ao regime ditatorial que vigorava em Portugal desde 1926. A exposição mostra exemplares raros da repercussão do caso na imprensa mundial, designadamente nas grandes revistas mundiais Life e Paris Mach e em alguns dos principais jornais do mundo

O paquete de luxo Santa Maria, transportava cerca de mil pessoas depois de deixar Caracas, na Venezuela, e foi tomado por cerca de 25 rebeldes comandados por Henrique Galvão, exilado na Venezuela, após uma singular fuga do Hospital de Santa Maria, em 1959, onde se encontrava detido à guarda da PIDE, a polícia política do ditador Oliveira Salazar. A imprensa da época relata que, depois de ter sido tomado por Galvão, o navio passou a designar-se de “Santa Liberdade”, ostentando tal denominação, em diferentes partes do convés. Além disso, o paquete conseguiu fintar a marinha e a aviação americanas, tendo navegado incógnito, durante milhas, em pleno oceano Atlântico, com rota orientada para África. O comando naval do navio era da responsabilidade de um ex-capitão da marinha espanhola, Jorge Sotomayor, exilado na Venezuela. A acção denominava-se de “Dulcineia” e fora desencadeada pela DIRL (Direcção Ibérica Revolucionária de Libertação), organização que integrava exilados portugueses e espanhóis, associada ao movimento de Humberto Delgado. Em termos jornalísticos, o caso era muito singular e mobilizou meios nunca utilizados até aquela altura, como foi o uso de pára-quedas por jornalistas do Paris-Match. A inauguração da mostra documental do Museu contou com a presença de um dos rebeldes do grupo de Galvão - Camilo Mortágua – que evocou os acontecimentos de há 50 anos.



http://www.museudaimprensa.pt/?go=noticias#staliberdade






Trailer do filmes documentário de Margarida Leda sobre o acontecimento

A França e o Mundo árabe é o tema da conversa com um militante da CNT francesa no dia 18 de Fev. às 21h30 (organização da Tertúlia Liberdade)

Na próxima 6ª feira dia 18 de Fevereiro a Tertúlia Liberdade, promove uma conversa com o militante anarco-sindicalista da CNT Paris Georges, de passagem por Lisboa.

Esta conversa será em português e terá como tema «A FRANÇA E O MUNDO ÁRABE».

Será às 21,30 horas na Livraria Letra Livre, situada na loja da Galeria Zé dos Bois na Rua da Barroca, 5 ao Bairro Alto.

PARTICIPA! DIVULGA! PARTICIPA! DIVULGA! PARTICIPA! DIVULGA!


AS LINHAS GERAIS DA TERTÚLIA LIBERDADE

A Tertúlia Liberdade, define-se, desde o seu início há 3 anos, como um grupo de pessoas que procuram reflectir e agir sobre a cena social, política e cultural portuguesa de forma autónoma, isto é sem se sujeitar a orientações partidárias, estatais ou de quaisquer instituições. Desde então que mantemos a nossa independência, articulando esforços e colaborando com associações congéneres numa base de igualdade e respeito mútuo, procurando fomentar a cooperação entre grupos e, partindo da realidade portuguesa que melhor conhecemos, para o desenvolvimento de uma perspectiva internacionalista, segundo o conceito de agir localmente mas pensar globalmente.
A esta autonomia é necessário acrescentar outros dois aspectos básicos da nossa reflexão e acção, a defesa da liberdade e o fomento da auto organização.
A Liberdade que defendemos está bem expressa no pensamento bakuniniano, é uma liberdade que tem em consideração os aspectos sociais, não se limitando a uma visão meramente individualista que, as mais das vezes, transborda para o egoísmo mais flagrante. Esta liberdade define-se a partir do seguinte conceito, “A minha liberdade é tanto maior, quanto maior for a liberdade do outro, porque a minha liberdade é reflectida pelo outro, que funciona como um espelho para mim. Por isso não posso ser livre se me confronto com outros, enquanto servos ou amos”. A liberdade assim definida conduz à igualdade e pode também ser referenciada como dignidade. É a minha dignidade que está em causa quando me retiram um pedaço que seja da minha liberdade.
Outro conceito em que nos baseamos é a auto-organização, definida como a capacidade e possibilidade efectiva de cada pessoa e cada colectivo de qualquer ordem, poder organizar e dirigir a sua vida, o seu projecto, seja de que espécie for, sem amos, nem interferências de terceiros. Tudo isto fora de qualquer tentativa de um isolamento contra o outro, mas sim de cooperação com todos numa base de igualdade, de cooperação e de dignidade.
Um outro aspecto ainda, que temos aperfeiçoado ao longo do tempo, diz respeito aos elementos da Tertúlia Liberdade. Embora a Tertúlia Liberdade se reveja em muitos aspectos identitários da ideologia anarquista e vários entre nós perfilhem essa perspectiva, a Tertúlia Liberdade não se define como uma associação anarquista, é na verdade uma associação sem chefes, com decisões tomadas por consenso e sem pretensões hegemónicas. Pretendemos isso sim, trocar experiências com outros e avançar na cooperação, nacional e internacional. Num sentido igualitário e federalista. Todos aqueles que aceitem e levem, à prática estes princípios mínimos são bem aceites no nosso colectivo.
Por fim, a diferença que por vezes possa existir entre vários pontos de vista dos companheir@s é enriquecedora, obriga-nos a reflectir e faz-nos avançar. É indispensável evitar a uma perigosa unanimidade aparente e balofa.
Estes serão os nossos princípios básicos, os tijolos que permitirão continuar a edificação da nossa Tertúlia com segurança e que, se o movimento social o exigir, nos darão a possibilidade de dispor da ética necessária às respostas a dar. E, como disse um filósofo, a ética é estar à altura dos acontecimentos.

16.2.11

Leitura encenada de Uma Carta a Cassandra de Pedro Eiras na livraria-bar Gato Vadio ( dia 17 de Fev. às 22h.)

Uma Carta a Cassandra
de Pedro Eiras

Leitura encenada
por Cláudia Marisa Oliveira e Nuno Meireles

seguida de conversa com o autor

quinta-feira, 17 de Fevereiro, 22h

entrada livre

na

Livraria-bar Gato Vadio, Rua do Rosário, 281, Porto


Uma carta de um soldado (americano, português?) que está numa base (iraquiana?, no deserto?) à sua namorada Vera (que tudo percebe)

José escreve uma carta a Vera

José
"Estou com remorsos de te escrever uma carta tão triste. Quando peguei na esferográfica, pensei que te ia mandar boas notícias. Mas as cartas têm uma força estranha, desobedecem à nossa vontade e dizem o que lhes apetece."

Vera
"A tua carta desobedeceu à tua vontade, José, e disse o que lhe apetece. Que disse a tua carta, José, contra a tua vontade?"

http://poesiaemvozalta.blogspot.com/2011/02/leitura-encenada-de-uma-carta-cassandra.html

Atrás dos altos muros: reclusão e direitos humanos - é o tema do debate promovido pelo Observatório dos direitos humanos (dia 19 de Fev. às 15h.)


http://www.observatoriodireitoshumanos.net/

Atrás dos altos muros: reclusão e direitos humanos - é o tema do debate promovido pelo Observatório dos direitos humanos no próximo dia 19 de Fev. às 15h na FNAC de Rua Sta Catarina , na cidade do Porto.

15.2.11

O blogue Pimenta Negra e o projecto Pão Rebelde foram tema da crónica de Fernando Alves no programa Sinais nas manhãs da TSF

No programa Sinais, de autoria de Fernando Alves, o profissional que sabe fazer poesia na rádio, do passado dia 11 de Fevereiro fala-se da iniciativa do colectivo do PÃO REBELDE e do blogue PIMENTA NEGRA.

Pela nossa parte, para além dos agradecimentos devidos pela referência ao blogue, o que mais desejávamos era sentir que outros SINAIS despontassem nas vidas de muitos que diariamente ouvem o programa de Fernando Alves

Para escutar a crónica, clicar neste link:
http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1781622

Os "Sinais" nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à actualidade.

Sinais -de Segunda a Sexta, 08h50m

14.2.11

O Egipto, a Tunísia e o conformismo da canção dos Deolinda




“Notícia de última hora: daqui a minutos vai haver uma festa no palácio presidencial!”.
(Faixa na praça Tahrir empunhada por uma egípcia).

O Egipto, a Tunísia e o conformismo da canção dos Deolinda

Afirmar que aquilo que de mais importante se passou nos últimos tempos em Portugal foi o levantamento popular na Tunísia e no Egipto conduz-nos à necessidade de reflectir sobre o que nos aproxima e o que nos distancia desses dois países da outra margem do Mediterrâneo.

Pese embora num primeiro relance não pareça, é o contexto económico o que mais nos aproxima. As coordenadas da macroeconomia e os ditames do funcionamento do capital, com as relações de poder autocráticas que comportam, são os mesmos: de um lado subsidiarização pelos EUA/CIA, do outro subsidiarização pelo Banco Central Alemão. Em ambas as sociedades, dependência e controlo externo, destruição do tecido social, precarização dos assalariados, crescente sub-emprego e desemprego generalizado de camadas jovens, coesão social estilhaçada.

Separa-nos o contexto político e do imaginário social – sem nos determos nas diferenças culturais e identitárias, frequentemente televisionando o dispositivo integrista de olhar o mundo (quer o eurocentrismo maioritário a Ocidente, quer a violência minoritária de grupos religiosos islâmicos), encobrindo o que nessa diferença e diversidade existe de potência contra a supremacia cultural do capitalismo globalizado e da ordem dominante.

Os tunisinos e os egípcios encontram-se numa fase histórica que explica a razão de reivindicarem um estado social e mais justiça no quadro de uma economia de produção. Mesmo essa crença difusa da democratização da sociedade através da centralização do poder em órgãos representativos do Estado parece admissível, se confrontada com o espectro de uma atroz ditadura de 30 anos.

Assiste-lhes o direito a percorrer pelo próprio pé o logro que representa a sociedade do bem-estar, a mentira da equidade e coesão dentro do quadro de uma economia de produção capitalista, e, ironicamente, arroga-se-lhes o direito a ignorarem a gargalhada sarcástica das personagens cosserynianas, mal estas ouvem o argumento da democratização do poder central…

Paradoxalmente, centenas de milhar de egípcios exigem o advento do liberalismo, com mais fé do que os mollahs arvoram a sharia. Esse conceito que explica, em parte, o vazio político que se criou nas sociedades ocidentais, ou melhor, a política do vazio: aquela que fez crer a cada cidadão que a rua não é dele, que lhe inculcou que a sua actividade política é no máximo insultar o circo governativo à hora do telejornal. Nesse vácuo e nesse controlo do imaginário que estabelece como fronteira política a porta de casa, quando muito a porta do café, e três notas a mais ou a menos na carteira no fim de cada mês, cresceu como nunca o terreno mole e dócil para fortalecer a cultura do “nada se passa” e a hegemonia dos poderes dominantes e das oligarquias que o regulam. Sem o liberalismo e o entretenimento não seria possível chegar ao apagão político da sociedade. Pudesse o levantamento popular no Egipto, que despertou a consciência política em colectivo e com focos generalizados de auto-organização, não ser amansado pela vertigem eurocêntrica do liberalismo ideológico. E se desde a queda de Mubarak o Exército tem tentado dispersar os contestatários da praça, que de pedra e cal fizeram da rua a sua vida e da sua vida um gesto político de dissensão, os apelos e as armadilhas do liberalismo serão bem mais sofisticados e sinuosos do que a mera necessidade de restabelecer “o trânsito” evocada pelos militares.

Se parece certo que os líderes religiosos só entraram na carruagem quando o comboio do levantamento popular já tomara balanço, parece evidente que entre as burocracias que ocuparão o Estado egípcio e que desviarão o eixo do movimento de base, da sua energia, da sua alegria desarmada e desarmante, da sua potência para a auto-organização, a mais politizada e dissidente será a Irmandade Muçulmana.

O terror ao islão fabricado a Ocidente parece encandear e simplificar o facto de no Egipto nenhuma força política ser tão consistentemente contra a ordem dominante como a Irmandade Muçulmana, a única que despreza a submissão ao imperialismo político das potências estrangeiras e aos seus interesses; a única que poderá redefinir a história de opressão e cerco do povo palestiniano; aquela que praticamente a solo manteve uma relação política e social quotidiana com os mais espoliados e desfavorecidos (sem querer esquecer, neste âmbito, os movimentos sociais de defesa dos direitos humanos que ao longo dos últimos anos nunca baixaram os braços no Egipto apesar das prisões, da tortura, da humilhação e do controlo a que estavam sujeitos). E que uma leitura apressada e maniqueísta não veja aqui a defesa de um Estado confessional…

O passo que ficará por dar, quer pelos movimentos de base que alastraram pelo Egipto (como na Tunísia), quer pela Irmandade, é o confronto com o profeta MacDonald: a regulação das relações de poder pelo capitalismo, que vai da fábrica à sala de operações diplomáticas da embaixada estado-unidense.

A acumulação do poder político no Ocidente não precisa de uma via autocrática pura e dura, porque o liberalismo concedeu ao ultra-capitalismo uma arma de regulação espectacular: a abdicação das massas de cidadãos ao seu papel político. Na verdade, à interiorização e politização generalizada do conceito chave do liberalismo: a admissão de que o papel das massas é reproduzir na prática e na teoria a crença de que o papel político de cada um não existe. E esse papel político que se toma por apolítico é desempenhado maciçamente no quotidiano do espaço público, no trabalho, nas escolas, nos tempos livres, na cultura, reproduzindo, socializando, politizando, fazendo crescer a mais perigosa das ideologias, aquela que não se vê e prospera como acções do BPN: a ideologia da não-ideologia. Essa ideologia inconsciente e desapaixonada concorre como nenhuma outra para a desmesura do pensamento único e para manter o pensamento dissidente na inépcia e na aridez.

O liberalismo, juntamente com a tecno-ciência e a indústria do entretenimento/cultura da sociedade de consumo, permitiu uma aceleração da coesão capitalista em todas as esferas, numa transversalidade medonha, numa agonia da dissensão jamais vista.
E essa coesão, regulada e determinada hoje pelas oligarquias financeiras, económicas e militares, tem ainda um inatacável álibi humorístico: os hemiciclos da democracia representativa, que nada podem decidir e que representam apenas uma divisão de honra num campeonato de interesses e poderes próprios e viciados.

Há uma parte do hemiciclo português que devia olhar para a praça Tahrir e perceber que a população egípcia deu um passo decisivo contra a ordem política instalada sem líderes nem burocracia, que a polícia foi derrotada e que não se deve chamá-la para controlar os movimentos sociais, que um minuto do movimento auto-organizado numa praça tem uma alegria e vitalidade que nenhum hemiciclo atinge nem transformando São Bento noutro tipo de parque temático…

Quanto à esquerda parlamentar anti-capitalista, de moção de censura em moção de censura, a sua placa giratória contribui para a ilusão de uma regulação mais funcional do capitalismo, para uma humanização e reforma da economia predatória e global em que vivemos. Reféns da lógica da política parlamentar e unicamente aptos a pensarem o seu papel enquanto instrumentos da própria ordem dominante, que lhes impõe o terreno dócil onde se parlamentam as condições necessárias à preservação do status quo, unificando ilusoriamente o terreno que o capitalismo determina como antagónico, as direcções comunistas e bloquistas negoceiam só aquilo que os Mercados estipulam como possível estabilização dos desequilíbrios e iniquidades, reivindicando direitos e concertando salários de 500€ para recauchutarem um antagonismo de negociata do supérfluo por há muito terem abdicado do necessário.

A deriva de pacotes de promoção revolucionários no Facebook, na visão instantânea e publicitária à la Zeitgeist, e os escassos movimentos precários compõem o ramalhete exigindo a integração na… precariedade do sistema. Não deixa de ser a grande vitória a toda a linha de uma única maneira de pensar a economia de vida: enquanto os operários da geração anterior (das lutas dos anos 60/70) queriam reapropriar-se dos meios de produção, hoje os assalariados virtuais e estatísticos querem a esmola-integradora no sistema que lhes espoliou as bases materiais e utópicas, sem que para tal, o dito sistema, lhes ordene a ampla aceitação de um imaginário de submissão.
Imaginário esse, que tem ainda como legitimação a mitologia do progresso que continua a avançar não só perpetuando a iniquidade social e agravando o fosso económico entre ricos e pobres, como exacerbando a diferença entre Ocidente e países pobres, arruinando economias locais e comunitárias.

A almejada sociedade do lazer e da reapropriação do tempo livre que seria assegurada pela explosão da tecnologia, só garantiu a sempre notável capacidade inspiradora da lógica e das estratégias do capitalismo (bem longe das teorias conspirativas, o capitalismo é “inspirativo”, não conspira as condições da base exploratória que o sustenta, inspira-se nessas condições mutáveis para as degradar e moldar ao vórtice lucrativo).

A ideia do progresso (económico) é a falsa abundância que o capitalismo trouxe. Terrivelmente falsa, porque primeiro fez-nos crer que o progresso se confundia com o excesso material, a abundância de bens e da técnica, e depois porque perpetuou num contexto de “abundância” a iniquidade social e a exploração. Como corolário calamitoso, a ideia do progresso acelerou a lógica suicidária da destruição dos recursos do planeta, gerando com a estratégia ultra-produtivista a delapidação de recursos, num curto-prazo transformados em lixo, desperdício e resíduo, e legando às gerações vindouras a impossibilidade de terem acesso a recursos naturais (entretanto escassos ou extintos) para construírem as bases da sua economia e da sua sustentabilidade, e deixando-lhes ainda o problema adicional de se desembaraçarem do lixo e da sociedade do desperdício, e de terem de inventar energias alternativas.

A questão mais premente não é tanto a de saber como é que as classes dominantes recuperaram o controlo sobre a produção e a distribuição de riquezas, mas como conseguiram estabelecer a crença de que essa riqueza pode ser reapropriada socialmente.

E, mais profundo, desmistificar do imaginário que essa crença da riqueza e da sua distribuição social não deve ser questionada em si, que essa riqueza e acumulação desmesurada são um bem em si e que não pode parar.

Se o mito do progresso económico e tecnológico contaminou uma geração revolucionária, quer a que seguia a corrente marxista-comunista, quer a que praticava as premissas teóricas do anarquismo, se o imaginário revolucionária estava encantado e se esse encanto tinha ou não à época condições generalizadas de ser criticado e desmistificado, é uma questão que não encobre a resposta política e colectiva de uma geração (sem nos determos aqui naquilo que as distinguia).

Resposta que fracassou a quase toda a linha – a política, a da transformação das relações de poder, e a económica –, mas que teve como condão alargar o imaginário da geração que deitou ao mundo, ultrapassando as meras conquistas de conforto e bem-estar económico, oferecendo-lhe as condições materiais e conceptuais para uma libertação das possibilidades do que fazer com a realização da sua vida no seio de uma economia excedentária.

Se é compreensível que milhões de jovens tenham perdido a capacidade para a autonomia e a auto-organização, é terrivelmente obsceno que a geração que se auto-descreve como mais culta, mais crítica, mais “academizada”, não veja a chantagem onde se acoita e deseja cumprir a sua vida e a sua realização humana.

(É tão cego e pobre como a última grande concentração de protesto contínuo no país, a luta dos professores, cujo leit-motiv da sua reivindicação era a questão da progressão na carreira e a auto-avaliação dos professores, com a concomitante redução de salários, fazendo da questão remuneratória a base do seu antagonismo à política educativa liberal-capitalista, ignorando a questão do sistema educativo em si, essa fábrica de produção dos valores caros ao capital: competição, individualismo, salve-se quem puder, violência, primado da técnica e da estatística, e menosprezo da auto-organização, da autonomia, da consciência crítica, da solidariedade, do trabalho colectivo e do conhecimento holístico dos saberes).

A magia do liberalismo, ao serviço da sofisticação do imaginário do capital, levou-nos a pensar que a vida económica de cada um é um reduto do mérito e da liberdade individual e não um processo de conquista e participação colectiva.

O único compromisso de que um jovem europeu, excedentário e mergulhado na abundância, faz finca-pé é o compromisso com a sua exploração. Se o insulto que representa na Europa de hoje uma esmagadora maioria “lutar” com a miséria conceptual deste pressuposto, o insulto vai directo e concreto para a geração operária, da classe média e/ou da contra-cultura, que nos anos 60/70 do século passado, encetou processos colectivos de transformação social.

O espantoso não é só esta geração em Portugal, na Espanha, na Grécia, constatar que a economia de produção não lhe garante essa liberdade – quanto mais uma liberdade colectiva e ecologicamente sustentável – como, em vez de pôr em causa essa economia de produção, abdicar desse imaginário do que fazer com a possibilidade da sua liberdade de realização, esvaziando de sentido o legado de lutas emancipatórias da geração que a precedeu e, ainda mais grave, fazendo descer o nível do imaginário da próxima geração à servidão voluntária.

Engrossando call-centers, saltando de shopping em shopping, fazendo de caixa nos hiper-mercados, especializando-se em estágios, “tecnificando-se” com pós-licenciaturas, ou reivindicando, na qualidade de precário ultra-qualificado, um lugar na exploração do sistema, baixará o nível do imaginário da próxima geração a um patamar insolitamente miserável nesta velha e respeitável Europa do século XXI.

Especializado em pedir pela integração na selva do capital, quem é este precário? Aquele a quem nunca faltou nada de básico para sobreviver e que alienou a sua capacidade de viver além do imaginário dado pela fase actual do capitalismo. O precário é aquele que agora se apressa a desejar aquilo que os pais (ou uma parte deles…) conquistaram, o (falhado) Estado social e do bem-estar, aquilo que o capitalismo já nem sequer se dá ao trabalho de vender!

O precário reivindica a integração na sociedade que o abandona, lhe disseca o imaginário, lhe mutila a dimensão emancipatória. O precário europeu é aquele que não sabe escapar à chantagem do sistema. De petição em petição, milhares de jovens precário-privilegiados – essa minoria mundial que tropeça no excesso de bens, de recursos tecnológicos e no património cultural – vive incapaz de se organizar para refazer a (sua) economia, repensar as suas necessidades, e de garantir a autonomia das suas condições de susbsistência e os meios de realização pessoal e colectiva.

Ironia confrangedora, um jovem argelino, tunisino ou egípcio, ao olhar para as vagas migratórias que a Europa tenta regurgitar ou para as bolsas de pobreza do centro do Porto, do Vale do Ave, ou da Andaluzia, sabe melhor do que nós a falsidade do apologético Estado social europeu, assim como entende mais facilmente o cerco e as armadilhas à independência económica montado pelas economias reguladoras do FMI, EUA e Banco Central Europeu.

As loas generalizadas à música dos Deolinda só revelam a miséria ideológica cavada pelo capitalismo: toda a emancipação e dignidade humana se resumem à assunção de um niilismo existencial e colectivo que só pode ser colorido com a plena integração na máquina do capital. A área cinzenta da vida dos canudo-iludidos é a incapacidade de pensarem a sua vida além e aquém do capitalismo e das fronteiras que a sua lógica demarca, através do seu marketing, da sua indústria cultural e de entretenimento, da burocracia governativa, e no seio do império quotidiano da autocracia das empresas.

A canção dos Deolinda “não é um grito de revolta”, é o sussurro do conformismo. E a glorificação do que existe é o conformismo do imaginário. A real e profunda precariedade é a precariedade do imaginário, aquela que dita e exige o direito à exploração. Se quisermos, o apodrecimento e desaparecimento do pensamento utópico.

Já não é apenas tornar-se insensível com a degradação das relações humanas e perder toda a perspectiva de autonomia pessoal e colectiva, mas a pura rendição da consciência.
Entretanto, os palácios na Europa continuarão a fazer a festa.

Júlio do Carmo Gomes

12.2.11

Dos motins às revoluções - mesa-redonda no dia 19 de Fev.

http://u-ni-pop.blogspot.com/

Mesa-redonda DOS MOTINS ÀS REVOLUÇÕES, E VICE-VERSA

Casa da Achada, no Sábado, 19 de fevereiro, às 15h, com entrada livre

organização UNIPOP e revista imprópria

com a participação de:
Miguel Cardoso
Pedro Rita
José Soeiro
Manuel Loff
Paulo Granjo
Ricardo Noronha

A partir dos mais diversos pontos, de Roma a Tunes, do Cairo a Oakland, de Londres a Beirute, de Buenos Aires a Atenas, de Maputo a Sana, um conjunto muito significativo de lutas, manifestações, greves, ocupações tem vindo a ter lugar. Um elemento comum, além da assinalável capacidade de mobilização, parece ser o facto de muitas destas acções assumirem, formal e substancialmente, o questionamento não só da ordem estabelecida, mas também do padrão normalizado da luta política legal e confinada aos limites do poder de Estado. Num contexto de crise do capitalismo global, a ordem pública é confrontada com uma desordem comum que toma as ruas como o seu espaço, resgatando palavras como «revolução», «revolta», «motim». O debate que propõe a UNIPOP passa por procurar identificar que outros pontos de contacto têm estes diversos focos de luta, bem como quais são os seus limites, e perceber em que medida é que um certo efeito de arrastamento pode ou não ter como consequência a constituição de uma resposta emancipadora à crise do capitalismo global, ou seja, que articulação têm estes movimentos com o paradigma da «revolução» e de que modo o reconfiguram.

11.2.11

Protesto da Geração à Rasca ( todos à Av. da Liberdade, 15h., em Lisboa)

PROTESTO DA GERAÇÃO À RASCA (12 de Março. às 15h. na Av. Da Liberdade)
http://www.facebook.com/event.php?eid=180447445325625

Sábado, 12 de Março às 15:00
Avenida da Liberdade – Lisboa

- Pelo direito ao emprego!
- Pelo reconhecimento das nossas qualificações, espelhadas em salários e contratos justos!
- Porque não queremos ser todos obrigados a emigrar, arrastando o país para uma maior crise económica e social!
- Pela melhoria geral das condições de trabalho e o fim da precariedade!~

"Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar"
Deolinda ( parte da letra da canção da banda Deolinda)

Debate-esclarecimento sobre direitos e contribuições para a Segurança Social (dia 12 de Fevereiro no Porto, às 15h, e em Braga, às 23h)


Debate/Esclarecimento - 12 de Fevereiro -

Porto - às 15h. no Balleteatro, na Rua Infante D. Henrique, 30 (à Ribeira)

Braga às 23h na Velha-a-Branca


Os primeiros debates-esclarecimento no âmbito da iniciativa nacional "Segurança Social: Direitos e Contribuições" vão ocorrer este Sábado, dia 12, no Porto e em Braga.

No Porto, o debate foi preparado e organizado em colaboração com a Plateia - Associação de Profissionais das Artes Cénicas e será no Balleteatro (Rua Infante D. Henrique, 30 (à Ribeira)), às 15h.

À noite, os movimentos estarão em Braga, no Velha-a-Branca, pelas 22 h. Para que todos possamos exigir os nossos direitos precisamos de os conhecer, de partilhar experiências de organização e ideias de transformação e de luta. A resposta à austeridade tem de ser colectiva.

Esta iniciativa é aberta a todas as pessas e organizações, por isso, lançamos um apelo para que os grupos ou organizações que pretendam (em qualquer cidade do país) organizar uma iniciativa no âmbito deste percurso, entrem em contacto com os movimentos através do mail direitosecontribuicoes@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar (ou com o formulário de contacto ao lado).

O apelo está lançado e a oportunidade está criada. Aparece, traz um(a) amigo(a) e vem construir uma resposta e exigir os teus direitos.

http://www.antesdadividatemosdireitos.org/antesdad/index.php

FMI ou como morrer da cura - debate no dia 12 de Fev. às 21h30 na sede dos Precários Inflexíveis, na Lx Factory




O FMI é hoje apresentado como um salvador da economia portuguesa, ou no mínimo como um mal necessário, a chegar em breve. As medidas de austeridade implementadas pelo governo nos últimos meses já se apresentam em sintonia com o plano de sacrifícios para a classe trabalhadora, tradicional da acção deste fundo que inscreve nas suas fundações o apoio ao desenvolvimento económico dos países - mas na verdade que desenvolvimento é este?

O registo histórico de mais de 60 anos de acção do FMI mostra os resultados que as suas acções trazem aos países - desde a África Subsahariana até ao antigo bloco de Leste, passando pela América Latina - aumento do fosso entre os mais ricos e os mais pobres, precarização absoluta do trabalho, perda de independência económica e fome. No entanto, os juros dos empréstimos do FMI sempre contribuíram para empobrecer os países que a ele recorreram e tornar o FMI uma instituição bastante rentável.

A entrada do fundo na Grécia, Irlanda e outros países europeus está longe de ter atingido quaisquer dos objectivos a que se propôs, sendo provável que a dívida contraída não venha a ser paga. Mas todos os dias aparecem nos media mais especialistas que procuram demonstrar inequivocamente que a culpa é dos trabalhadores, que todos têm direitos a mais e que o FMI trará as reformas necessárias à recuperação da economia portuguesa.
Com a presença dos economistas João Rodrigues (Ladrões de Bicicletas e CES) e Sara Rocha (ATTAC), os Precários Inflexíveis organizam mais um debate para esclarecer as principais motivações de uma chamada do FMI a Portugal, quais as principais medidas que o fundo tomaria e que resposta poderá a sociedade dar a uma retirada massiva de direitos e qualidade de vida

Plantação (retancha) de árvores em Ponte de Sôr; e transpalnte de carvalhos na confraria do Bom Jesus, em Braga (12 de Fevereiro)



Plantação de árvores autóctones - "Projecto Criar Bosques"
http://criarbosques.wordpress.com/

Proceder à retancha (replantação) de árvores, em locais onde as mesmas não resistiram à primeira época estival

Data: 12-2-2011

Hora: 9h em Évora; 10.00 em Avis; 10.30h em Ponte de Sôr (ver abaixo Pontos de encontro)

Local: Casal de Vale de Salteiros (freguesia de Longomel; concelho de Ponte de Sor)

Pontos de encontro:

- em Évora: às 9h, no Rossio em frente ao portão do Jardim das Laranjeiras;
- em Avis: às 10 h, no jardim em frente da Escola B23 Mestre de Avis;
- em Ponte de Sor: às 10h.30m, em frente à Rodoviária Nacional

QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza
Núcleo Regional de Portalegre
Apartado 163, 7301-901 PORTALEGRE, Telefs: 96 010 70 80 / 96 020 70 80
E-mails: portalegre@quercus.pt /
quercus.portalegre@gmail.com
Web page:
www.quercus.pt

Orientação ao local:
AQUI
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Transplante de carvalhos na Confraria do Bom Jesus – Braga

Data: 12-02-2011
Hora: 14:30, no coreto à frente da Loja das Estampas, Bom Jesus

Local: Confraria do Bom Jesus, Braga

Contactos: Ana Cristina Costa (braga@quercus.pt / 927986133)

NOTA: As inscrições são obrigatórias. Por favor indiquem o vosso nome e contacto (telemóvel e e-mail).

9.2.11

Pão rebelde com preço livre às 4ªs feiras na cidade do Porto



Cada a quarta-feira fazemos o pão para vender a preço livre.

Levanta-o na Casa da Horta (Rua de São Francisco, 12A, à Ribeira) e na Casa Viva ( Praça Marquês de Pombal 167), ambas na cidade do Porto

Encomendas:
paorebelde@gmail.com

O pão também se quer assim: rebelde!

http://paorebelde.pegada.net/

Greve dos ferroviários paralisa amanhã os comboios em todo o país, depois das greves de hoje na Transtejo, STCP e Carris.


Amanhã, 10 de Fevereiro, está marcada uma greve dos trabalhadores ferroviários que vai paralisar os comboios em todo o país.
Consultar: http://www.sntsf.pt/

Hoje, estiveram em greve os trabalhadores da Transtejo, Carris e STCP.

No Porto, o plenário dos trabalhadores do STCP - Porto levou à recolha total dos autocarros em serviço, o que levou à paralisação de todos os serviços da empresa.

A greve na Transtejo teve uma adesão entre os 92% e os 98%, segundo os sindicatos. Entre as 5.50h e as 9.15h desta quarta feira as ligações por barco entre Lisboa e Cacilhas estiveram interrompidas devido à greve, o mesmo se repetindo no fim da tarde do dia de hoje.

Na Carris, a paralisação entre as 10h e as 14h teve uma adesão de cerca de 50%, segundo declarou à agência Lusa o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), Manuel Leal.

Na sexta feira, 11 de Fevereiro, paralisarão os trabalhadores da Soflusa (empresa dos barcos da ligação Lisboa-Barreiro) durante duas horas em cada turno. Para o mesmo dia estão convocadas paralisações nas empresas privadas do transporte rodoviário de passageiros.

Também os trabalhadores dos CTT farão greves parciais nos dias 10 e 11 de Fevereiro.

Recorde-se que na 2ª feira, dia 6 de Fevereiro, realizou-se uma greve no Metro de Lisboa com uma adesão total dos trabalhadores, o que levou à paralisação total. Os trabalhadores desta empresa, mais uma vez, revelaram uma forte unidade na luta,e o seu repúdio pelo roubo dos salários que o governo está a impôr, reivindicando o cumprimento integral do Acordo de Empresa e o direito à negociação colectiva para a negociação das suas condições de trabalho.

Encontro de professores esta 6ªfeira (11 de Fev.) na Escola Secundária de Camões (em Lisboa) por iniciativa do movimento 3R

ENCONTRO DE PROFESSORES, ESTA SEXTA, DIA 11 FEVEREIRO NA ESCOLA SECUNDÁRIA de CAMÕES.

APARECE PARA QUE A NOSSA LUTA PELA ESCOLA PÚBLICA POSSA CONTINUAR

http://3rs-spgl.blogspot.com/

Movimento reivindicativo de professores 3R ( renovar, refundar, rejuvenescer)

Este novo movimento independente de professores congrega colegas da zona Sul do país, uma zona que tem tido pouco protagonismo nas lutas de professores. O movimento chama-se 3R`s: Renovar, Refundar, Rejuvenescer e tenta ajudar a Renovar, Refundar e Rejuvenescer o movimento reivindicativo de professores dentro e fora dos sindicatos e a impulsionar alternativas democráticas e combativas para defender a nossa classe e a escola pública contra os governos que cedem milhares de milhões para os "boys" nos BPN e nas Parcerias Público-privadas (PPP).






Começou a revolta que ainda não faz barulho
(texto de Kátia Catulo publicado no jornal i)

Professores estão ansiosos por gritar nas ruas contra os cortes na escola pública e nem querem esperar pela convocação dos sindicatos


O apelo circula nos emails, nos corredores das escolas, nos encontros marcados ao fim-de-semana, nos plenários organizados ao final da tarde ou à mesa dos restaurantes. Os professores conspiram quando e onde é possível, sem esperar pelos sindicatos para preparar os protestos contra a vaga de despedimentos e os cortes anunciados para o próximo ano lectivo. Querem ir para a rua depressa e a falta da logística das organizações sindicais não os impede de acreditar que vão conseguir mobilizar milhares de colegas nas praças ou nas avenidas de Lisboa. O comboio já está em movimento e a cada dia ganha mais velocidade.

Nas escolas de Setúbal ou de Oeiras são os professores que saem das aulas com vontade de se reunirem em vez de irem para casa ruminar sobre as desgraças que julgam virem aí. "A facilidade com que os professores se juntaram espontaneamente há poucos dias na Escola Básica Luísa Todi foi surpreendente", conta Jaime Pinho, do Movimento Escola Pública (MEP). Foi o princípio de uma corrente que em poucas horas contagiou a escola onde dá aulas mesmo ali ao lado - a Secundária D. João II - e estará prestes a entrar noutros agrupamentos de Setúbal ou de Palmela.

"Na minha escola, por exemplo, há uma grande vontade por parte dos professores de começarem a fazer qualquer coisa para travar o Ministério da Educação", explica Jaime Pinho. Os contactos já começaram - professor a professor, escola a escola, até entrarem em todas e conseguirem organizar um plenário com os docentes de todo o concelho de Setúbal. E depois logo se vê: "O que fazer com este movimento que está agora a germinar é ainda uma incógnita. Sentimos que o mínimo que podemos fazer é gritar alto numa praça da capital."

Em crescendo Em Oeiras a onda de protestos também já está formigar dentro das escolas. Começou sem fazer muito barulho, mas é para ir crescendo até ganhar a escala de uma manifestação nacional. Na próxima semana distribuem-se panfletos aos pais e encarregados de educação para mostrar o ponto de vista dos professores sobre as consequências dos cortes orçamentais previstos para a educação. Na semana seguinte há pelo menos duas escolas do concelho em que os professores vão parar e fazer um minuto de silêncio. Ainda antes de Fevereiro terminar, o murmúrio vai sair dos portões e ficar frente às escolas. Algumas dezenas de professores irão empunhar cartazes e faixas em "defesa da escola pública".

Todo esse reboliço tem um grupo de professores por trás - o movimento 3R - Renovar, Refundar e Rejuvenescer. São pouco mais de 40 professores da Grande Lisboa, mas esperam vir a contaminar outras escolas. E é por isso que esta tarde vão ocupar um restaurante de Carcavelos. A convocatória para os professores participarem neste encontro chegou por emails disseminados com a eficácia de um vírus informático. "O objectivo desta iniciativa é apenas partilhar as ideias que vamos tendo para lutar contra aquilo que consideramos ser a destruição da escola pública", diz André Pestana, professor contratado em Oeiras e um dos coordenadores do 3R. Partilhando as ideias com os colegas vão encorajando outras escolas a fazerem o mesmo.

À mesa do restaurante, André Pestana vai tentar chegar mais longe. Quer sondar até onde os colegas estão dispostos a ir: "Estamos ainda a ponderar lançar algumas ideias para concretizar iniciativas que se traduzam num protesto forte." Só que antes disso é preciso alargar a influência do movimento e chegar a mais professores e a outros movimentos. O 3R quer aproveitar esta terça-feira - dia em que a ministra Isabel Alçada será ouvida na comissão de Educação da Assembleia da República - para estender o seu campo de acção. Haverá movimentações na rua, protestos de professores e até de encarregados de educação das escolas privadas com contratos de associação. O ambiente perfeito para contactar outros movimentos e fazer crescer essa vontade de mobilizar os colegas para uma missão ainda maior.

Unir forças Quem for dos sindicatos e quiser juntar-se será bem-vindo - esclarece André Pestana -, mas o movimento 3R assegura que não vai ficar à espera que sejam as estruturas sindicais a dar o passo seguinte: "Os sindicalistas estão muito centrados em ganhar a guerra nos tribunais e ainda alimentam a esperança de vir a negociar com o ministério, mas nós acreditamos na mobilização de base para vencer este ataque contra a escola pública."

Só que há-de chegar o momento em que sindicatos e movimentos independentes de professores têm de se entender, avisa Jaime Pinho, do MEP. "No início houve muita desconfiança mútua, mas hoje é essencial reconhecer que a única via para chegarmos a algum lado é trabalhar em conjunto." Resta ver quem dá o primeiro passo. "Alguém terá de estender a mão", diz o coordenador do Movimento Escola Pública. E esse "alguém" são os sindicatos, que, por terem "maiores responsabilidades", deviam ter a "grandeza" de reconhecer a "força que os movimentos podem fazer para travar o governo". O comboio já partiu. Falta saber quem fará a viagem.


www.ionline.pt/interior/index.php?p=news-print&idNota=102812

Professores de EVT(educação visual e tecnológica) manifestaram-se contra a degradação da escola pública e as ameaças que pairam sobre a sua disciplina



Centenas de professores de EVT, oriundos de diferentes regiões do país, estiveram ontem, dia 8 de Fevereiro, em São Bento, onde também se deslocou a Ministra da Educação, Isabel Alçada, para uma audição na Comissão parlamentar de Educação e Ciência.
Os professores de EVT decidiram deslocar-se ao Parlamento para protestarem contra a eliminação de um dos professores do par pedagógico que assegurava as aulas na disciplina

Como sublinha uma recente nota de imprensa da FENPROF, "esta medida anti-pedagógica e irresponsável que o Ministério das Finanças impôs contra tudo e todos, incluindo a posição consensual do Conselho Nacional de Educação, e o Ministério da Educação operacionalizou, integra-se nas chamadas “alterações curriculares” aprovadas pelo Decreto-Lei n.º 18/2011, de 2 de Fevereiro".
"Tais alterações destinam-se exclusivamente a eliminar horários de trabalho (e os correspondentes postos de trabalho), calculando-se que, só com esta medida, possa atingir os 12.000, dos quais 7.000 serão horários de EVT", acrescenta a nota sindical.
Sem negociar, o Governo tomou estas e outras medidas que põem em causa a qualidade da educação e do ensino e criam fortes e gravíssimos constrangimentos à organização pedagógica e ao funcionamento das escolas. Todavia, esse parece ser problema menor face ao que o Governo pretende com atingir: uma brutal redução do número de docentes no sistema, acima de 30.000, estando em preparação o maior despedimento colectivo de sempre em Portugal.
A FENPROF está neste protesto e, com outras organizações sindicais e outros parceiros educativos, prepara-se para desencadear uma forte acção que visará estancar a reprovável e irresponsável política educativa em curso no país.

Um escândalo e uma vergonha

Junto ao Parlamento, muitos professores de EVT envergavam roupa preta e lenços amarelos ao pescoço, empunhando cartazes em defesa da manutenção do par pedagógico (dois professores por sala).

“Um por todos, todos por dois”, foi uma das palavras de ordem gritadas ao fundo das escadarias da Assembleia da República.Os professores improvisaram uma banca com materiais usados nas aulas práticas e um espaço para intervenções ouvidas ao longo da tarde.

Entre os manifestantes ouviam-se desabafos como: “é um escândalo” e “uma vergonha”, referindo-se à redução de professores nesta disciplina











COMUNICADO 3R's distribuído na manifestação de professores de dia 8 Fevereiro

COMUNICADO do MOVIMENTO de PROFESSORES 3R ( renovar, refundar, rejuvenescer)

• CONTINUAR A LUTA UNIDOS: SOMOS TODOS DE EVT!

Colega, o país atravessa um momento difícil… O governo, usando este argumento pretende cortar centenas de milhões de euros na educação, saúde pública e direitos de quem trabalha. No entanto, esse mesmo governo, para os seus amigos poderosos da PT, Jerónimo Martins, etc permitiu, em Dezembro passado, a fuga aos impostos em centenas de milhões de euros. E só no BPN gastou mais de 5 000 milhões de euros, fruto do nosso trabalho/descontos e parece que ainda poderá gastar mais milhões neste autêntico “caldeirão” em chamas que tudo consome. Para proteger os luxos dos seus amigos (e como o dinheiro não estica) o Governo pretende assim extinguir o par pedagógico de EVT, direitos de quem trabalha, 30 000 horários, qualidade de ensino, etc.

TEMOS QUE COMEÇAR A DIZER BASTA! SE NADA FIZERMOS AGORA, OS ATAQUES IRÃO CONTINUAR E MAIS MILHÕES CONTINUARÃO A FUGIR PARA ESSES MESMOS PODEROSOS, EM VEZ DE SEREM INVESTIDOS NA MELHORIA DA EDUCAÇÃO E SAÚDE DAS POPULAÇÕES. Isto é um eterno buraco sem fundo, que se não for parado, nos arrastará a todos para o desemprego e/ou precariedade.

A luta/mobilização é o caminho para defender a nossa classe e a escola pública! Mas não podemos esperar por Março e pelas tradicionais formas de luta dos dirigentes sindicais de greves/manifestações de 1 dia de 4 em 4 meses, que já demonstraram que não são eficazes perante ataques desta dimensão. Faz falta um plano de luta com continuidade, discutido democraticamente e alternativas sindicais democráticas e combativas.

O movimento de professores 3R’s propõe uma NOVA MANIFESTAÇÃO NACIONAL EM FEVEREIRO QUE PASSE PELO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO PARA VOLTAR A CONQUISTAR AS RUAS! Apelamos a que todos os professores, todos os movimentos/associações/sindicatos se juntem num encontro para tornar possível esta grande iniciativa em defesa da escola pública.

ENCONTRO DE PROFESSORES, ESTA SEXTA, DIA 11 FEVEREIRO NA ESCOLA SECUNDÁRIA DO CAMÕES.

APARECE PARA QUE A NOSSA LUTA PELA ESCOLA PÚBLICA POSSA CONTINUAR

Encontro de Transição em Rio Tinto ( 12 de Fev. às 15h. no Centro Social de Soutelo, entrada livre)

ENCONTRO DE TRANSIÇÃO EM RIO TINTO (CENTRO SOCIAL DE SOUTELO) -12 DE FEVEREIRO

Entrada livre

PROGRAMA

15h00 BOAS VINDAS
Marta Macedo
Speaker do Move Rio Tinto


15h30 DO PICO DO PETROLÉO À TRANSIÇÃO
Luís Rocha
Speaker do Movimento de Transição de Rio Tinto

16h00 PERMACULTURA
Filipa Costa Leite – Permacultora


Pausa

17h00 TRANSIÇÃO DE POMBAL PARA PORTUGAL
João Leitão
Speaker do Movimento de Transição de Pombal

Pausa

18h00 “O QUE MUDOU EM PAREDES?”
Miguel Leal
Speaker do Movimento de Transição de Paredes

Inscrições gratuitas

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:
patricia_c_neto@hotmail.com

Local : ver AQUI

Visita à Escola da Ponte em Vila das Aves aberta a todos os interessados ( dia 14 de Fev., com partida do Porto às 10h.)


VISITA à ESCOLA da PONTE em VILA das AVES

14 de Fevereiro, 2ªfeira,

partida de S.Bento: 10:15

partida de Campanhã: 10:20

Numa altura em que se diz que a Educação, à imagem de quase tudo o resto no país, atravessa uma crise; numa altura em que nem a própria Educação escapa à feroz febre de neoliberalização da sociedade (entenda-se, redução de todos os valores sociais, culturais, ambientais a uma mera lógica economicista); numa altura em que se “concentram” as crianças em mega-agrupamentos, como o próprio nome diz, megalómanos; numa altura em que as crianças são obrigadas a permanecer 90 minutos seguidos fechadas em salas de aulas tantas e tantas vezes frias, cinzentas e enfadonhas; numa altura em que “a escola” continua ainda a ser, tantas vezes, mais um lugar de “formatação”, “domesticação”, de competição do que um lugar onde realmente a criança e os jovens aprendem “a Ser”, que futuro podemos ambicionar para as crianças e jovens portugueses face a um sistema educativo baseado na competição, meritocracia “excludente” e nas ilusórias estatísticas “à la novas oportunidades”?

É possível pensar num modelo educacional diferente? Mais personalizado, humano, cooperativo e, no fundo, mais verdadeiramente educativo?

Não só é possível pensar como é também é possível vê-lo a funcionar na prática num projecto educativo muito especial e único em todo o contexto educativo nacional. Estamos-nos a referir à Escola da Ponte e é para dar a conhecer esse projecto incrivelmente inspirador que vamos organizar, no dia 14 de Fevereiro, 2ªfeira, uma vista guiada pelos próprios alunos da Escola da Ponte.

A saída é às 10h15 de S.Bento, ou 10h20 de Campanhã, até Vila das Aves (Linha de Guimarães).

A chegada a Vila das Aves será por volta das 11h10.

Em princípio o almoço, dado que na escola ainda não existe disponível a opção de alimentação vegetariana, deverá ser numa pizzeria nas imediações da escola, sendo que nesse caso será conveniente indicar a vontade de almoçar ou não nesse local de forma a podermos informar a pizzeria do número de pessoas.

Mais abaixo segue uma descrição mais detalhada sobre a própria Escola da Ponte e do projecto Educativo.

Em perspectiva está esse sonho de muitos pessoas de ajudar a “multiplicar” a Escola da Ponte e “trazê-la” para o Porto (e/ou arredores). Ajudar a fazer essa revolução tão mais importante e primodial do que todas as outras que é a de podermos permitir ás nossas crianças serem verdadeiramente livres e bons cidadãos do mundo.


Toda a informação em:

http://thechange2004.blogspot.com/2011/02/visita-escola-da-ponte-em-vila-das-aves.html


Para mais informações, inscrições e contactos:

Pedro Jorge Pereira

e-mail:
ecotopia2012@gmail.com

93 4476 236

O caso Battisti é o caso de todos nós, sessão-debate na Casa da Achada (12 de Fev. às 21h30)


Para ver a localização do local:

Travessia da Faia Brava - percurso pedestre ( dia 12 de Fevereiro) pelo vale do côa

Travessia da Faia Brava – Percurso Pedestre na 1ª Área Protegida Privada

O Vale do Côa, a braveza das suas vertentes e da fauna que abriga, será quase sempre o mote deste percurso. Atravessamos a Faia Brava de Sul para Norte, adentrando-nos na sua beleza selvagem e sob o olhar constante e atento dos abutres e águias que planam alto no céu. Podemos ainda apreciar a manada de Garranos semi-selvagens que percorrem a reserva, os sobreirais que ainda subsistem e que caracterizam a paisagem do Riba-Côa.

Com início em Cidadelhe e final em Algodres, trata-se de um percurso diversificado, variando entre o asfalto (2km), caminho rural e trilho, e com paisagens imponentes.

Características do percurso: 15km de percurso linear, a pé.

Ponto de Encontro: 9h30 – Igreja de Algodres. Os participantes devem levar a sua viatura até Algodres, local onde termina o percurso. No final organizaremos o transfer dos motoristas.

O que trazer? Botas de montanha ou calçado desportivo, roupa confortável (de preferência em tons neutros), chapéu, protector solar, almoço-volante e água, máquina fotográfica, binóculos.

Preço: 12,5€/pax

Inclui o acompanhamento por guia local e seguro de acidentes pessoais. 6 a 15 participantes.

http://atnatureza.org

Acção de reflorestação na Reserva da Faia Brava (11 de Fevereiro) em Figueira de Castelo Rodrigo



O Colectivo Germinal e a Associação Transumância e Natureza organizam, pelo sétimo ano consecutivo, as Acções de Reflorestação nas margens do Rio Côa, no Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. O objectivo primeiro é o repovoamento florestal de áreas ardidas em 2003 e áreas agrícolas abandonadas, promovendo assim a recuperação dos ecossistemas. Haverá também lugar para a manutenção de um viveiro florestal, a recolha de sementes e o convívio entre os participantes.

As árvores utilizadas para os repovoamentos são de espécies autóctones, como Carvalhos (Sobreiros, Azinheiras, Carvalhos-cerquinho, Carvalhos-negral) e Freixos, entre outras. A Reserva da Faia Brava tem actualmente cerca de 600ha, dos quais 215ha foram recentemente declarados oficialmente como a 1ª Área Protegida Privada de Portugal.

Estas acções de reflorestação têm por objectivo criar as condições necessárias para a recuperação de um ecossistema natural onde espécies da fauna e flora autóctones possam sobreviver e prosperar.

Os acampamentos de voluntários realizam-se de Sexta a Domingo, sendo a Sexta-feira para recepção dos participantes. O ponto de encontro é junto à Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo. A partir daqui asseguramos transporte até ao local do Acampamento e regresso. Durante os três dias da reflorestação garantimos refeições veganas/vegetarianas confeccionadas no acampamento (Pequeno-almoço, Almoço e Jantar).

Necessitas trazer tenda, saco-cama, o teu próprio prato, copo e talher, lanterna, termo, impermeável e roupa quente, botas ou galochas, instrumentos musicais, alegria e boas vibrações!!

Inscrições

Envia um e-mail para
colectivogerminal@hotmail.com indicando a tua participação, o teu nome e telefone e aguarda a nossa confirmação. A Inscrição tem um valor de 3€, a pagar aquando da chegada ao local de acampamento. Indica também donde te deslocas e se podes dar ou procuras boleia, que faremos os possíveis para facilitar as viagens.

www.facebook.com/event.php?eid=179693725402695
http://infogerminal.blogspot.com/
http://atnatureza.org/

6.2.11

ZAZ, a nova Edith Piaf, canta Je Veux ( com tradução livre para português)



ZAZ canta Je Veux ( com tradução livre para português)

Dão-me uma suite no Ritz, mas eu não quero
Jóias da Chanel, muito menos eu quero
Dão-me uma limousine, para que eu a quero?
Pessoal é-me oferecido, para fazer o quê?
Uma mansão em Neufchatel, mas não é do meu gosto
Oferecem-me a Tour Eiffel, para que é que me serve?

Eu quero amor, alegria, e bom humor
Não é o vosso dinheiro que me trará a felicidade
Eu quero morrer com a mão no coração
Vamos juntos, descobrir a minha liberdade
Esquecei os vossos preconceitos
Bem-vindos à minha realidade

Estou cansada das vossas boas-maneiras, são demais para mim
Como com as mãos, e sou como sou
Falo forte e com franqueza, desculpai
Acabai com a hipocrisia, não a quero mais
Estou cansada da linguagem dúplice
Olhem-me, não estou tão louca como vocês, eu sou como sou

Eu quero amor, alegria, e bom humor
Não é o vosso dinheiro que me trará a felicidade
Eu quero morrer com a mão no coração
Vamos juntos, descobrir a minha liberdade
Esquecei os vossos preconceitos
Bem-vindos à minha realidade



Letra da canção no original (francês)

Donnez moi une suite au Ritz, je n'en veux pas !
Des bijoux de chez CHANEL, je n'en veux pas !
Donnez moi une limousine, j'en ferais quoi ? papalapapapala
Offrez moi du personnel, j'en ferais quoi ?
Un manoir a Neufchatel, ce n'est pas pour moi.
Offrez moi la Tour Eiffel, j'en ferais quoi ? papalapapapala

Je Veux d'l'amour, d'la joie, de la bonne humeur,
ce n'est pas votre argent qui f'ra mon bonheur,
moi j'veux crever la main sur le coeur papalapapapala
allons ensemble, découvrir ma liberté,
oubliez donc tous vos clichés, bienvenue dans ma réalité.

J'en ai marre de vos bonnes manières, c'est trop pour moi !
Moi je mange avec les mains et j'suis comme ça !
J'parle fort et je suis franche, excusez moi !
Finie l'hypocrisie moi j'me casse de là !
J'en ai marre des langues de bois !
Regardez moi, toute manière j'vous en veux pas et j'suis comme çaaaaaaa (j'suis comme çaaa) papalapapapala

Je Veux d'l'amour, d'la joie, de la bonne humeur,
ce n'est pas votre argent qui f'ra mon bonheur,
moi j'veux crever la main sur le coeur papalapapapala
allons ensemble, découvrir ma liberté,
oubliez donc tous vos clichés, bienvenue dans ma réalité.