2.12.09

Projecção do filme Metropolis e debate sobre o trabalho através do cinema na Fac. de Economia da Universidade de Coimbra ( 4/12 às 14h30)


AUDITÓRIO DA FEUC – Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, 4/12/2009

14:30 Projecção do filme
16:00 Seminário: O trabalho através do cinema: uma análise crítica do filme «Metropolis


Giovanni Alves (Universidade Estadual de São Paulo- UNESP/ Marília)
Nota biográfica
O Professor Giovanni Alves é um dos mais dinâmicos sociólogos críticos do trabalho, que vem estudando e publicando sobre as temáticas da precariedade das relações laborais, do movimento sindical brasileiro e do que ele designa por "condição de proletariedade" no moderno capitalismo global.
Giovanni Alves é Professor Livre-docente de sociologia da Universidade Estadual de São Paulo- UNESP/ Marília; pesquisador do CNPq; líder do grupo de pesquisa "Estudos de Globalização"; coordenador geral da Rede de Estudos do Trabalho - RET; coordenador do projecto de extensão Tela Crítica.
Entre as suas publicações destacam-se: O Novo e Precário Mundo do Trabalho (ed. Boitempo); Trabalho e Cinema (Ed. Praxis); A Condição de Proletariedade (Ed. Praxis).


«Metropolis» e a Europa

Texto de Manuel Portela Ex-Director do Teatro Académico de Gil Vicente;Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Reflectir sobre a possibilidade de encontrar em Metropolis uma antevisão da Europa actual implica uma reflexão prévia, e extraordinariamente difícil de articular: qual a relação entre a representação ficcional e a representação documental? Ou entre um conhecimento imaginário e mítico, por um lado, e um conhecimento social e económico do real, por outro? Reconhecer Metropolis como antevisão da Europa e da urbanização e mundialização actuais seria reconhecer como adequadas ao mundo das relações sociais de produção actuais certas descrições desse mundo ficcionado de uma métropole tecnológica. No filme de Fritz Lang aquilo que sobressai é o gigantismo de uma civilização tecnológica urbana de massas, dividida entre a classe subterrânea dos que trabalham para manter o sistema da civilização da mega-cidade em funcionamento e a classe dos que dirigem e vigiam esse sistema à superfície, beneficiando da capitalização e da riqueza produzida pelo trabalho incessante e auto-referencial da civilização como megamáquina tecnológica. A leitura alegórica contida no próprio filme representa essa divisão de classes como uma divisão entre a mão e o cérebro, que caberia à mediação do coração resolver. Tal resolução não só é inadequada para a escala do conflito que o filme encena, como revela os limites de qualquer solução ficcional.

Se a relação entre representação e realidade só pode ser pensada como uma relação entre diferentes representações do real, então a ficção e o documentário são dois modos específicos de produção do real, do real como ficção e do real como documentário. E se assim é, ambos os dispositivos formais participam das condições económicas e ideológicas que produzem certos modos de representação do real, e os integram, por seu turno, no conjunto de práticas sociais e culturais que os fazem circular enquanto formas de produção de sentido: num caso, o cinema como arte de massas, dispositivo de construção de narrativas míticas e imaginárias, produzidas de acordo com as regras formais da ficção; no outro caso, o documentário como registo de espaços, tempos, actos e indivíduos enquanto parte do mundo, cuja existência excede o acto de registá-la. Num e noutro caso, haveria que acrescentar às regras formais internas da linguagem de cada modo de representação, os contextos institucionais que os tornam possíveis enquanto produtos de formas de trabalho específicas. Quer dizer que o próprio cinema pode ser analisado como modo de trabalho e como actividade económica – no caso do filme de Fritz Lang, as multidões de figurantes são também um sintoma das condições económicas e do desemprego em massa que deram aos estúdios a possibilidade de contratar a mão-de-obra necessária para realizar o filme.

Aquilo que aproxima ambos os modos de conhecimento (ficcional e documental) enquanto representações é o conjunto de propriedades comuns a todas as representações: a sua natureza mediada e a criação de um ponto de vista, isto é, de uma perspectiva, que decorre da incompletude de qualquer representação. A tecnologia do cinema (ficcional ou documental) se pensada como forma de ver e de dar a ver torna evidente a natureza representacional das representações: o ponto de vista da câmara (nos seus enquadramentos, ângulos e movimentos) e a narrativa construída pela montagem (na criação de relações lógicas e cronológicas entre planos e acções) instituem ao nível formal da materialidade cinematográfica uma determinada visão dos objectos que representam, isto é, uma determinada narrativa. Se a realidade tem também, em parte, uma dimensão de produção perceptual, na medida que eu a conheço através das representações que construo, o processo social de produção do real não está apenas nas formas de trabalho e nas leis que regulam as formas de trabalho que definem a ordem social e económica, isto é, não está apenas nas formas que eu reproduzo ao agir para reproduzir as condições de existência em que existo. Está também na forma de representar o mundo em que existo: as representações fazem parte do processo geral de reprodução social. Quanto menos visível a sua condição de representação, isto é, quanto mais naturalizada estiver, mais difícil se torna revelar a sua perspectiva particular e a ideologia que sustenta a sua coerência interna.

Mas o perspectivismo, que limita a possibilidade de universalização das representações, é também a propriedade que permite criticá-las e construir sobre um objecto pontos de vista alternativos. De certo modo, foi isso que se tentou fazer com o conjunto de filmes escolhidos para o ciclo «Integração Mundial, Desintegração Nacional: Crise nos Mercados de Trabalho»: dar do trabalho, em diversos sectores económicos e em diversas regiões da Europa e do mundo, um conhecimento diverso daquele que as representações políticas e jurídicas correntes permitem construir. Vários filmes mostraram a persistência de formas de trabalho fora da protecção jurídica, e a erosão dos direitos sociais e económicos dos trabalhadores. Na medida em que a ordem jurídica, como extensão das relações políticas numa sociedade, legitima certas relações de poder entre classes e entre grupos, ela participa activamente no processo de reprodução da ordem de dominação económica existente. E não se trata apenas de representar como universais interesses que são, de facto, particulares (às vezes, muito particulares), trata-se também da incapacidade de eliminar as contradições profundas entre certos dispositivos jurídicos de protecção do trabalho e as condições reais de subjugação económica que institucionalizam a exploração de todos aqueles que têm de vender a sua força de trabalho (e a sua saúde, e o seu corpo, e a sua vida) sem um salário digno, sem protecção social e sem verem garantidos os direitos de humanidade que políticos e juristas nos dizem serem de todos.

A mundialização dos mercados do trabalho torna possível exportar formas de proletarização e manter os espaços de pobreza material que as alimenta. Por outro lado, acentua-se mais ainda do que na fase dos mercados nacionais a divisão entre consumidores e produtores. Na esfera simbólica da publicidade, que constrói para os consumidores a identidade dos objectos, foram apagadas todas as marcas das condições reais de produção. À medida que o mercado se mundializa, conhecemos ainda menos, cada vez menos, a história concreta de produção da maior parte dos objectos que usamos: quem fez os meus sapatos, e em que condições? Quem extraiu o crude que foi transformado na gasolina com que enchi o carro, e em que condições? Quem fabricou o carro que conduzo, e em que condições? Quem apanhou os morangos que comi ao jantar, e em que condições? Quem fez as minhas calças, e em que condições? Que direitos económicos e sociais tem? Que leis internacionais do trabalho são capazes de garantir condições de trabalho justas? E será isso possível sem mudar o sistema de produção eonómica? Isto é, sem a reificação do capital e das mercadorias se constituírem como essência da vida humana, como o verdadeiro sujeito da história?

Aquilo que salta à vista em Metropolis, quando lido como prefiguração do futuro, é a contradição entre uma dimensão de luta de classes e de segregação territorial (descrição ainda suficientemente precisa para apreendermos nela a forma essencial da estrutura das sociedades humanas) e a dimensão simbólica e mítica do bem e do mal, resolvida imaginariamente através da ideia de mediação que o coração faz entre o cérebro e a mão. Uma contradição que se manifesta igualmente na contradição entre o tratamento da coreografia de massas, que analisa a dimensão colectiva da metrópole tecnológica, e as convenções que constroem a narrativa das personagens individuais enquanto falsa resolução de um conflito que é estrutural à própria configuração da metrópole. Talvez a prefiguração do mundo actual esteja sobretudo nessa representação da megalópolis como megamáquina, isto é, como um sistema social em que os indivíduos (no submundo dos subterrâneos ou no sobremundo dos arranha-céus) se encontram alienados da sua própria subjectividade, constrangidos a servir um dispositivo técnico e económico auto-referencial, de que a grande cidade constitui a materialização social e arquitectónica.

Portanto, talvez a pergunta tenha de ser reformulada para se tornar um pouco mais precisa: que representação conseguimos construir da Europa (e do mundo) actual que seja capaz de dar conta do sacrifício continuado de milhões de corpos ao Moloch da máquina da economia e do Estado? E, uma vez construída essa representação, como conseguimos usá-la para nos libertarmos da máquina que nos produz como sujeitos da sua ordem? Como usar os dispositivos jurídicos e económicos de forma emancipatória? Que instâncias de mediação conseguimos criar para alterar desigualdade estrutural que determina a exploração do trabalho de milhões de seres humanos? É possível explicitar os conflitos e garantir os direitos sem pôr em causa a globalização do capitalismo tecnológico?

Coimbra, 02 de Julho de 2008

Texto retirado de:
http://boasociedade.blogspot.com/

Libertários vão a julgamento no próximo dia 7 de Dezembro


No próximo dia 7 de dezembro vai começar o julgamento dos detidos na manifestação anti-autoritária de 25 de abril de 2007, em Lisboa. Alguns dos condenados, 11 no total, enfrentam acusações que podem levar a penas de seis meses a cinco anos de prisão por terem participado numa manifestação que sofreu uma carga policial sem qualquer ordem de dispersão.]

Que acusações são essas? Resumindo: Agressão à polícia.

O curioso é quem ficou ferido, para variar – neste sapal à beira-mar sedimentado –, foram os manifestantes – as imagens dessa manifestação que circulam pela net e o testemunho de quem lá esteve podem comprová-lo.

Mas não é isso que interessa. Somos Anarquistas!

O que importa aqui não é a atuação da polícia, pois para quem luta pela liberdade o que está em causa é a existência da própria polícia. Nem tão pouco é a liberdade de manifestação, pois a liberdade individual é a essência do Eu, jamais poderá ser legislada e, como tal, o que está em causa é a existência do Estado – esse indiscutivelmente autoritário na sua essência.

É, também, como anarquistas que sabemos que o Estado pode pôr diversas máscaras, da mais estalinista à farsa democrática. E que nesta sua, do Estado, roupagem de farsa democrática, quando não se contesta da forma que ele próprio define, mostra a sua essência repressora e lança os seus cães contra quem o ataca.

Enquanto houver Estado haverá repressão. Haveremos sempre, sempre lutar contra ela – e contra ele – com todas as nossas armas e seremos sempre solidários com quem o fizer de modo semelhante.

Identificando a manifestação que deu origem a este processo como uma ação que vai ao encontro dos nossos métodos, queremos afirmar a nossa solidariedade para com os condenados e apelar a todos, que se identificarem com tal, a não deixarem que o processo se resolva no circo, que é o tribunal, mas nas ruas. Em todo lado e de qualquer forma, vamos incendiá-las, quer figurativa quer literalmente. Vamos sair e dar-lhes trabalho!

Ainda que com happy end, quando o processo cessar nós não.
(texto recebido por email)

1.12.09

Transbordantes Infinitos - Colóquio internacional sobre dramarturgia contemporânea na FLUP (4 e 5 de Dez.)

O Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa organiza um colóquio internacional destinado a reflectir, em termos teóricos e/ou aplicados, sobre as diferentes expressões, formais e culturais, da dramaturgia contemporânea, a sua circulação e a sua relação com a cena. O colóquio terá lugar na Sala de Reuniões da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, nos dias 4 e 5 de Dezembro de 2009.

Transbordamentos infinitos: A dramaturgia contemporânea

O carácter híbrido das dramaturgias contemporâneas é uma realidade cuja análise implica, hoje, a consciencialização de novos paradigmas, capazes de darem conta das constantes mutações da forma dramática que se afirma e se coloca para além do espaço meramente genológico. A forma canónica do drama de tradição aristotélico-hegeliana vive, há largas décadas, um processo de aparente “transbordamento infinito”, expressão introduzida por Jean-Pierre Sarrazac para traduzir as mais diversas e caleidoscópicas configurações do drama contemporâneo. É a este abandono de toda e qualquer modelização unificadora que, por exemplo, o conceito de “rapsodização”, proposto pelo mesmo autor nos anos 80, pretendeu dar resposta. Tendo como ponto de partida a sugestão avançada por Peter Szondi de que “o sentido está na forma”, este colóquio visa empreender uma reflexão crítica alargada sobre os mais repetidos processos de “desterritorialização” do drama, o mesmo é dizer da notória e permanente renovação que caracteriza a condição da escrita dramática contemporânea.


O livro de Jean-Pierre Sarrazac« A Invenção da Teatralidade, seguido de Brecht em Processo e O Jogo dos Possíveis», traduzido e prefaciado por Alexandra Moreira da Silva, estará disponível na sessão.




Programa Completo - aqui

O banqueiro anarquista, de Fernando Pessoa, vai ser representado a partir do dia 10 no teatro Maria Matos



O Teatro Maria Matos vai estrear no dia 10 de Dezembro, às 21h30, na Sala Principal, a peça O Banqueiro Anarquista, com encenação de João Garcia Miguel, a partir do texto de Fernando Pessoa. Sobem ao palco Anton Skrzypiciel, Ana Rosa Abreu, Isa Araújo, João Pedro Santos e Sara Ribeiro.

Para o encenador, a peça «é um emblema paradoxal da liberdade e da guerra. A sua pertinência, o seu sentido de humor e de ridículo, leva-nos a reflectir sobre os caminhos que deixamos que escolham por nós».

À mesa de um restaurante dois amigos debatem a situação social de um deles que diz paradoxalmente que se tornou banqueiro por que é anarquista politicamente.

O absurdo da situação, a falta de teatralidade e o devaneio mental desta personagem, conduzem-nos perante um retrato de vida, no qual a maior parte dos ouvintes conhece, ou por experiência própria ou por proximidade familiar. É a evolução clássica de um ponto da escala política, até ao seu oposto, no decorrer de uma vida, tão comum nos nossos políticos e porque não também em alguns dos mais conhecidos membros da nossa finança e economia.

O desenrolar da história tem muitas semelhanças e reverberações com os reality shows actuais ou os programas confessionais onde se tece a biografia pessoal em termos mais ou menos fantasiosos.

um projecto Companhia JGM

encenação João Garcia Miguel

texto O banqueiro anarquista de Fernando Pessoa

adaptação dramatúrgica e outros textos João Garcia

Encontro com João Garcia Miguel a 11 de Dezembro às 18h30 no MMCafé

http://www.teatromariamatos.pt/

http://mmblogue.wordpress.com/

É proibido proibir! - exposição sobre a contracultura dos finais dos anos 60 e inícios dos anos 70 no MUDE (Museu do design e da moda, em Lisboa)


MUDE – Museu do Design e da Moda tem patente nas suas instalações em Lisboa a Exposição É proibido proibir! que se propõe viajar no tempo pelos finais dos anos 60 e início dos 70, através de uma apresentação de cerca de 60 peças, cruzando o design e a moda com o cinema, a literatura e a música, de modo a poder retratar a riqueza desta época.

É proibido proibir! pode ser visitada até ao próximo dia 31 de Janeiro de 2010, no piso 1, do MUDE, na Rua Augusta, 24, em Lisboa



“É proibido proibir!”,

“Debaixo das pedras da calçada, a praia!”,

“Quanto mais faço amor mais tenho vontade de fazer a revolução (e vice-versa)”
...são três slogans, escritos nas ruas de Paris em 1968, por entre graffitis e cartazes, que traduzem bem o espírito de libertação, contestação e revolução sexual em curso.


Enquanto se discutia apaixonadamente, dia e noite, um novo futuro, a sociedade de consumo, as instituições e a moral vigente, fazia-se a apologia do prazer e do amor livre, recusando os costumes e as normas sociais.


No outro lado do Atlântico, gritava-se Make Love, Not War. Vivia-se sob o espírito da contracultura e do flower power.


As palavras e a música d’É proibido proibir! que Caetano Veloso cantou em 1968 no âmbito do movimento Tropicália recebem os visitantes e dão o mote para o que esta exposição quer evocar: o final dos anos 60 e o início dos anos 70, como um tempo de forte contestação, experimentalismo, multiculturalismo, demolição dos estatutos e procura de uma plena liberdade.

No design, uma revolução estava também em curso. É essa revolução que esta exposição apresenta porque muitas das atitudes, pesquisas e reflexões do nosso tempo podem encontrar neste período os seus antecendentes, resultam dessas rupturas e utopias, nomeadamente a consciência e o compromisso de intervenção do design (presente nos movimentos de anti-design) ou o gosto claro pela experimentação e contaminação com as outras artes.

A exposição coloca o enfoque no continente europeu, sobretudo em Itália e Inglaterra, Milão e Londres, respectivamente. A exposição organiza-se em núcleos temáticos sobre o espírito de contracultura e anti-design, a efemeridade e a performatividade das propostas, o estar em colectivo e o vestuário como protesto.
As peças apresentadas espelham a crise da sociedade de consumo, das instituições e da moral vigente que caracterizou a segunda metade dos anos 1960 e os primeiros anos de 1970.


A atenção centra-se no corpo, não no corpo sentado, deitado ou em pé, mas antes num corpo em liberdade, em permanente mudança de posição, um corpo cuja posição indefinida e sempre em movimento exige do objecto que utiliza e apropria a mesma capacidade de se ajustar e convidar esse mesmo corpo a manter compulsivamente essa ambiguidade de posição. Um corpo que rompe com a Autoridade e que procura novos espaços de vivência, novos modelos de assento e novo vestuário, seguindo uma lógica de prazer. É esse corpo que dá a forma aos próprios objectos com atitudes de descontração, prazer e liberdade, que os transforma, que lhes dá sentidos. Por isso, uma das tipologias em destaque é o móvel de assento que se transforma, é mais efémero, performativo e modular, nómada, retratando as mentalidades em mudança. Mesma na esfera individual, vive-se e habita-se no colectivo.


Assiste-se assim a uma radical alteração (formal, funcional e simbólica) dos objectos e dos espaços, em todas as formas de vivência do quotidiano.
A revolução está na rua e esta invade todo o quotidiano, com uma contangiante energia.


É essa energia que queremos revisitar. A moda espelha também as novas atitudes, mentalidades e comportamentos em revolução: as maxi-saias que foram destronando a minisaia, símbolo de toda a década; a invasão de coloridos tecidos estampados, do unissexo, das roupas hippies, das maquilhagens psicadélicas, dos motivos psicadélicos e étnicos. Por outro lado, assiste-se à entrada da moda de rua na alta-costura.


A contracultura da época traduz-se ainda no shock-chic e na antimoda, esta última mais agressiva, de roupa rasgada ou perfurada, com slogans antisistema e anti-burguesia, que mostram o advento do punk.

Destaque para Archizoom Associati, Studio 65, Gruppo Architetti Urbanisti Città, Grupo G14, Grupo Sturm, Superstudio, Eero Aarnio, Pierre Paulin, Verner Panton, Joe Colombo, Gaetano Pesce, Piero Gatti, Cesare Paolini, Franco Teodoro, Roberto Matta, Jonathan de Pas, Rodolfo Bonetto, Achille Castiglioni, Marco Zanusso, Gianni Ruffi e Ettore Sottsass. Na moda, evidenciam-se Biba, Bill Gibb, Courrèges, Emilio Pucci, Missoni, Mary Quant, Ossie Clark, S'angelo, Thea Couture Porter, Vivienne Westwood e Zandra Rhodes.

A exposição vive ainda de um grande suporte de imagem em movimento, da palavra escrita e da música, incluindo os principais nomes que revolucionaram este período.

R. Augusta, 24
1100-053 Lisboa
PORTUGAL
Tel. ++ 351 218886117
Fax. ++ 351 218886124
mude@cm-lisboa.pt
mudemuseum@gmail.com
HORÁRIOS:
De 3ªfeira a 5ªfeira, Domingos: 10h às 20h
Sexta e Sábado: 10h às 22h
Fechado à 2ªfeira

Ciclo Livres Pensadores, na Casa Fernando Pessoa, começa com Caetano Veloso e António Cicero


Uma conferência de Caetano Veloso e Antonio Cicero intitulada A Mensagem do Tropicalismo, sobre a influência de Mensagem de Fernando Pessoa no movimento tropicalista, inaugura o ciclo Livres Pensadores na Casa Fernando Pessoa, no próximo dia 4 de Dezembro, às 18.30.

Com esta série de conferências, de periodicidade mensal, a Casa Fernando Pessoa pretende dar a ouvir algumas das mais luminosas e heterodoxas vozes do pensamento e da criação contemporâneos, nas mais diversas áreas, contribuindo assim para o desenvolvimento da liberdade de pensamento e do sentido crítico que Fernando Pessoa tanto cultivou e de que Portugal tanto necessita.

A conferência de Caetano Veloso e Antonio Cicero assinala os 75 anos da publicação de Mensagem de Fernando Pessoa.

http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/

Casa Fernando Pessoa
Rua Coelho da Rocha, 16
Campo de Ourique
1250-088 Lisboa
Tel.: +351 213 913 270
E-mail:
cfp@cm-lisboa.pt

Orçamento Participativo em Lisboa


Processo do Orçamento Participativo em Lisboa:
- A fase de apresentação das propostas terminou no dia 29 de Novembro de 2009.
- Está a decorrer a análise técnica das propostas, apresentadas pelos cidadãos, até 11 de Dezembro de 2009.
- A fase de votação dos projectos decorrerá de 14 a 20 de Dezembro de 2009



O Orçamento Participativo (OP) é uma das formas de participação dos cidadãos na gestão da Câmara Municipal de Lisboa. O objectivo é decidir em conjunto as questões que afectam os cidadãos no seu dia-a-dia.


Através do Orçamento Participativo 2010, os cidadãos podem apresentar propostas concretas para o orçamento e plano de actividades da CML, numa 1ª fase, de dimensão consultiva, que decorreu até 29 de Novembro de 2009.

Após análise dos Serviços, para confirmação da sua elegibilidade e adaptação a projecto, haverá uma fase para votação dos projectos que decorrerá de 14 a 20 de Dezembro de 2009.

Na 2ª fase, de carácter deliberativo, os cidadãos só podem votar uma vez. Os projectos mais votados serão integrados na proposta de plano de actividades e orçamento municipal até ao valor de 5 milhões de euros.

O Plano e o Orçamento serão depois formalmente aprovados pela Câmara e pela Assembleia Municipal.

Podem participar todos os cidadãos, com idade igual ou superior a 18 anos, que se relacionem com o Município de Lisboa, sejam residentes, estudantes ou trabalhadores e também representantes do movimento associativos, do mundo empresarial e das restantes organização da sociedade civil.

Para tal, deverão primeiramente efectuar o respectivo registo, em

Colóquio sobre Economia Social e lançamento do livro sobre A Economia Social - uma alternativa ao capitalismo ( dia 3 de Dez, às 16h30, em Lisboa)



Lançamento do livro
A Economia Social – Uma Alternativa ao Capitalismo
de Thierry Jeantet

edição cooperativa Outro Modo/Le Monde diplomatique – edição portuguesa

Intervenções de

Manuel Canaveira de Campos
(ex-presidente do INSCOOP)

Thierry Jeantet
(autor)

3 de Dezembro, quinta-feira, 16h30


LOCAL : Instalações do Centro de Estudos Sociais em Lisboa (CES-Lisboa)
(Picoas Plaza, 1º andar, acesso: Rua do Viriato ou Rua Tomás Ribeiro, metro Picoas – Lisboa)



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Colóquio

Economia Social – Caminhos da Democracia na Economia

Abertura:

Manuel Carvalho da Silva
(direcção do CES-Lisboa e secretário-geral da CGTP)

Oradores:

Thierry Jeantet
(Euresa)

Jorge Sá
(CEEPS – Centro de Estudos de Economia Pública e Social)

Maria de Belém Roseira
(deputada)

Manuel Canaveira de Campos
(ex-presidente INSCOOP)

Sílvia Ferreira
(investigadora CES – Universidade de Coimbra)

Ulisses Garrido
(CGTP)

Sandra Monteiro
(directora Le Monde diplomatique – edição portuguesa)


3 de Dezembro, quinta-feira, 17h30

LOCAL: Instalações do Centro de Estudos Sociais em Lisboa (CES-Lisboa)
(Picoas Plaza, 1º andar, acesso: Rua do Viriato ou Rua Tomás Ribeiro, metro Picoas – Lisboa)

Organização:
Le Monde diplomatique – edição portuguesa/Cooperativa Outro Modo Centro de Estudos Sociais (CES) – Lisboa

Apoios:
Euresa
CEEPS – Centro de Estudos de Economia Pública e Social

http://pt.mondediplo.com/spip.php?article623

30.11.09

Relançamento e reabertura do Indymedia-Portugal 10 anos depois do início da rede global Indymedia


A rede Indymedia nasceu no calor da revolta de Seattle, como uma dimensão fundamental do movimento global. Um movimento que ultrapassa as tricas separadoras dominantes da acção política tradicional (reformismo/revolução, local/global, violência/não violência) e inventa respostas práticas para lhes esquivar, desde os Fóruns Sociais, como forma organizativa que tenta superar o canibalismo político, até à 'desobediência civil protegida', como original prática de rua.

Seattle foi apenas a primeira face visível e a Organização Mundial de Comércio (OMC) tão só o pretexto para o que, há muito, se vinha a cozinhar, a necessidade de acordar a malta, de ser suficientemente confrontacional para trazer para a arena pública a voz duma oposição global ao sistema capitalista (e não apenas à OMC) que, pelo que se lia nos jornais e se via nas TVs, não existia.

Há dez anos, no dia 30 de Novembro de 1999, centenas de milhares de pessoas em todo o mundo trouxeram para as ruas a sua insatisfação. Em Seattle, mas também no Porto, em Lisboa, em Londres, em Berlim, na Índia ou na Nova Zelândia. Gente que acreditava que era preciso desmascarar o mundo para o qual se caía e se continua a cair. Com acções mais ou menos espectaculares, a resposta à globalização tornava-se definitivamente global. Festas, flyers, cartazes, ocupações, acções de protesto ou sabotagem, manifestações, palestras, debates, tudo serve e tudo serviu para avisar as pessoas e fazer com que solidariedade fosse mais do que uma palavra com sete sílabas, um redondo vocábulo.

O CMI Portugal é, como todos os centros de media independentes, um centro de informação livre e independente, que cumpre os requisitos para fazer parte da rede IMC e concorda com os princípios de filiação à rede. Funciona para que as pessoas possam tornar-se elas mesmas meios de informação livres e independentes.

Como tal, pretendemos realizar uma acção directa informativa, deixando de confiar aos meios de comunicação corporativos a tarefa de intermediar em exclusivo os acontecimentos e a sua interpretação. Convertemo-nos assim em fonte geradora de um discurso livre da manipulação de governos e corporações, e assumimos o nosso papel como artífices e zeladores dos canais que nos permitem transmitir e difundir uma outra visão da realidade.

O CMI Portugal pretende, assim, pôr em prática todos os mecanismos da imaginação que nos permitam, em conjunto, criar, aqui e agora, fragmentos de um mundo melhor. O desafio é, portanto, grande. Mas acreditamos que um colectivo de pessoas empenhadas em construir algo em conjunto conseguirá fazê-lo, enquanto esse empenho se mantiver, ultrapassando as várias barreiras que forem surgindo. Pretende-se, portanto, com este texto, não apenas a apresentação de uma nova forma de mostrar o que nos move, mas, acima de tudo, lançar um apelo para todos os que, como nós, acreditam que a realização voluntária, colectiva e horizontal de um meio de informação é, ao mesmo tempo, uma machadada nos paradigmas actuais e uma experiência de trabalho num mundo já transformado. Um apelo para que se juntem a esse mundo, para que se povoe de gente e, portanto, de novas possibilidades de ser melhor.

Reactivamos assim o CMI Portugal, para que tenhamos nós também uma voz alternativa aos grandes meios de comunicação deste país.

Estás preparado para escrever a tua notícia?

Ajuda-nos a construir este mundo melhor!


http://pt.indymedia.org/


http://www.indymedia.org/pt/index.shtml


FINTA - 15º Festival Internacional de Teatro Acert, em Tondela (30 de Nov. a 5 de Dezembro)


Mais de uma década a FINTA(r) a tristeza e a desmotivação e a construir colectivamente Futuros mais Solidários, Participados e Sustentados numa Comunidade Culta e Inclusiva.
De 30 de Novembro a 5 de Dezembro, o FINTA leva a cena a 15ª edição da Festa do Teatro. As edições anteriores trouxeram muitos e bons momentos teatrais à ACERT, às ruas de Tondela e das suas freguesias, entre muitos outros locais. Em 2009, queremos que o Festival seja também um ponto alto para os tondelenses e visitantes.

Haverá melhor forma de começar o FINTA do que com uma nova criação da equipa da casa? Julgamos que não! O Festival abre, assim, com uma estreia do TRIGO LIMPO teatro ACERT. “Vila Cacimba” constitui o retorno a Mia Couto e ao imaginário do seu universo, naquela que é a 85ª produção da companhia ACERTina. A encerrar a noite no bar e no dia seguinte na rua, Niño Costrini espalhará a ironia e o riso, fazendo a cidade transbordar de comédia, Novo Circo e malabarismo.

Nesta edição vamos ter vários retornos de companhias que deixaram a sua marca nas edições anteriores. Na tarde do feriado será apresentado no Auditório Municipal (Filarmónica Tondelense) o mais recente espectáculo infantil do GICC da Covilhã, com o qual temos um antigo historial de colaboração. Os mais novos têm aqui o primeiro dos espectáculos do Festival.

Assim que escurecer, a última peça do Teatro de Montemuro, um dos projectos mais característicos do panorama artístico português, vai inundar a noite com o brilho contagiante de corruptos incorrigíveis. Pela coerência da sua actuação e pelo modo como tem defendido a cultura nos territórios do interior, este grupo tem vindo a estabelecer fortes laços com a ACERT desde o seu início.


Dia novo, estreia nova. A Companhia Voadora de Santiago de Compostela, que integra actores cuja carreira começou no TRIGO LIMPO, partilha com o público mais uma estreia criada em residência no Novo Ciclo a (primeira produção desta companhia foi também criada em residência na sede da ACERT em Janeiro/Fevereiro de 2008).

Depois será altura de Teatro para as Escolas, pela mão dos nossos parceiros ao longo de todo o ano: O Art’Imagem no Auditório Municipal.

À noite, uma das últimas criações dos Yllana, mestres do humor que já nos brindaram com a sua presença em várias edições do Festival.
No quinto dia, o “Projecto Satélite” da Circolando fará do Teatro físico e visual a sua imagem de marca num espectáculo para toda a família.

No último dia à tarde, o CEPiA de Évora brinda-nos com uma estreia: um espectáculo que, também criado em residência artística no Novo Ciclo, constrói um microcosmo dramatúrgico de ficção.
À noite daremos lugar a uma Companhia que, presente no FINTA inaugural, nos presenteou com um extraordinário espectáculo de marionetas. Desta vez, o Teatro Corsario traz-nos uma estreia em Portugal que tem merecido as melhores referências na imprensa espanhola e internacional. “Aullidos” foi inclusive considerado o “melhor espectáculo de marionetas para adultos no Festival Internacional de Marionetas de Valência”. O grupo de Luís Bettencourt é a garantia de uma grande festa para encerrar ao ritmo da música açoriana.

Presença constante ao longo do Festival será a Companhia Marimbondo que, de Quarta-feira a Sábado, fará os cantos e recantos de Tondela transbordar de boa disposição.

De estreias e regressos se construirá, então, este FINTA, a Festa de todos os que fazem do Teatro um momento especial de partilha de emoções.
Suba o pano!


Programa FINTA
15º Festival Internacional de Teatro ACERT
Tondela, 30 Novembro a 05 Dezembro 2009


30 Nov. 21:45 ESTREIA TRIGO LIMPO TEATRO ACERT “Vila Cacimba”
23:30 Niño Costrini
01 Dez. 14:30 NIÑO COSTRINI (Ruas de Tondela)
16:00 GICC TEATRO DAS BEIRAS “LOL.pop”
21:45 Teatro Regional da Serrra do Montemuro “Saloon Ye-Ye”
02 Dez. 14:30 Companhia MARIMBONDO (Ruas de Tondela)
21:45 Estreia Plataforma Voadora “Super8”
03 Dez. 10:00 e 14:30 TEATRO ART’IMAGEM “História de uma gaivota e …”
14:30 COMPANHIA MARIMBONDO (Ruas de Tondela)
21:45 Teatro Yllana “Zoo”
04 Dez. 14:30 COMPANHIA MARIMBONDO (Ruas de Tondela)
21:45 CIRCOLANDO PROJ. SATÉLITE “Paisagens em Trânsito”
23:30 “Jamin’Tondela” B.Swing Café-concerto
05 Dez. 14:30 COMPANHIA MARIMBONDO (Ruas de Tondela)
18:30 ESTREIA CEPIA “Antes que a noite venha…”
21:45 TEATRO CORSÁRIO “Aullidos”
23:30 “Ynot Band” Café-concerto


Vila Cacimba
Uma aldeia que mente para viver, onde nasce um espectáculo… de verdade!
O TRIGO LIMPO teatro ACERT, a nossa companhia, regressa a Mia Couto, um autor do nosso
encantamento.
É num ambiente de sonho e de policial, onde o romance e a novela mexicana se fundem e confundem, que seis actores colocam em cena uma história mirabolante centrada na busca… de um remédio.
Conseguirá o Doutor Sidónio erradicar a epidemia que assolou Vila Cacimba ou pretende apenas curar Bartolomeu Sozinho? Conseguirá Suacelência um medicamento que lhe anule definitivamente a transpiração ou morrerá envenenado por vingança? Conseguirá Dona Munda que lhe devolvam a filha Deolinda ou será acusada de ser feiticeira?
Sonhar é uma cura ou dá um trabalhão danado? Há sempre um remédio para tudo ou a vida não tem remédio?


A partir de “Venenos de Deus, Remédios do Diabo, As incuráveis vidas de Vila Cacimba” de Mia Couto
Dramaturgia e Encenação Pompeu josé
Actores Ilda Teixeira, José Rosa, Pompeu José, Raquel Costa, Sandra Santos e Zito Marques
Cenografia Zétavares, Pompeu José e Taller de Escultura
Música Fran Perez (executada em cena pelos actores)
Figurinos Ruy Malheiro (com apoio à execução de José Rosa e Sandra Santos)

Classif: maiores de 12 anos.
www.acert.pt/trigolimpo

26.11.09

Dia sem compras (Buy Nothing Day) - lista de acções em Portugal para o próximo Sábado ( 28 de Novembro)


Lisboa - Horário da acção:
Concentração / Início da Marcha - Praça da Figueira (Baixa) - 14h
Teatro de Rua - 15h30 - Rua Augusta (cruzamento com Rua da Vitória) - 15h30 até às 16h
Final da Marcha com Teatro - 16h30 - Largo do Camões (Chiado) - 16h30 até ao pôr-do-sol
Com os grupos de percussão: Ritmos de Resistência (samba) e Nação do Bairro (maracatú)

No próximo sábado, 28 de Novembro, é celebrado o Dia Sem Compras. Durante este dia celebrado todos os anos a nível mundial, como um manifesto contra o consumismo desmedido e insustentável tão presente na maioria das sociedades, pessoas de todo o Mundo decidem não comprar nada!

É incentivada a reflexão sobre o modo de consumo na actuais sociedades capitalistas. Promove-se uma postura de consumo responsável, alertando-se a sociedade para a escassez dos recursos naturais e para a necessidade de todos nós, enquanto consumidores, termos consciência da pegada ecológica originada pela produção e transporte dos produtos que temos à nossa disposição nas superfícies comerciais. Defende-se a sustentabilidade do planeta, promovendo o consumo consciente e local, o comércio justo e a reutilização e troca de bens.

O caso do nosso país é ainda mais agudo, pois em Portugal consumimos 3 vezes mais do que o adequado para ter um planeta sustentável, disse-o publicamente o Presidente da Oikos (www.oikos.pt ) em 2007. Pensemos, por exemplo, nos pratos abastados das ementas portuguesas, na comida que se costuma deixar no prato no fim da refeição ou nas acelerações desnecessárias dos carros, que consomem combustível a mais.

Em vários pontos o GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental) promove Acções para o Dia Sem Compras:

No Centro de Convergência do GAIA no Alentejo, nada melhor para assinalar o Dia Sem Compras que uma Feira de Trocas! No próximo Sábado acontecerá uma no Centro Social da Aldeia das Amoreiras, por isso já sabes, se não tiveres o que fazer com um montão de coisas que se estão a amontoar lá em casa, trá-las e pode ser que regresses com um montão de coisas novas!
Dia 28 às 15h, na aldeia das Amoreiras.
Mais informação em http://gaia.org.pt/node/15182

Em Lisboa o Dia Sem Compras é celebrado com uma Marcha a sair da Praça da Figueira às 14h até ao Largo Camões. Vamos passar pela Rua Augusta onde vai ser montado um Teatro de Rua, pela Rua do Carmo e Rua Almeida Garret até ao Largo do Camões onde representaremos de novo uma peça de Teatro do Oprimido. Na marcha praticipam também dois grupos de percussão: os Ritmos de Resistência (percusssão samba) e a Nação do Bairro (percussão maracatú).
Concentração / Início da Marcha – Praça da Figueira (Baixa) - 14h
Teatro de Rua – Rua Augusta (cruzamento com Rua da Vitória) – 15h30 até às 16h
Final da Marcha e Teatro de Rua – Largo do Camões (Chiado) – 16h30 até ao pôr-do-sol
Mais informação em http://gaia.org.pt/node/15181


No Porto está a ser realizado um ciclo de debates e cinema sobre consumismo e alternativas no espaço Casa da Horta. No dia sem compras um grupo de activistas estão a organizar algumas acções de sensibilização que se irão manter em segredo até o dia da acção. Para mais informação sobre o ciclo sobre consumismo e alternativas ver em: http://gaia.org.pt/node/15170

Divulga aos teus contactos!
Contamos contigo!

Convocatória internacional da Acção Climática contra a cúpula COP 15 em Copenhague


Contra a cúpula COP15 em Copenhague em Dezembro de 2009
Convocatória Internacional de Ação Climática

A catástrofe é real e a mudança climática é um dos seus vários sintomas. O slogan inevitável da COP 15, "evitar a crise climática global", é um embuste elaborado para ocultar o verdadeiro propósito da COP 15, ou seja, restaurar a legitimidade do capitalismo global, através da instituição do capitalismo “verde".

Será empregada uma nova retórica "para evitar a mudança climática" para justificar a repressão, as fronteiras fortificadas, e as suas guerras coloniais pelos recursos naturais. Vestir o Imperador com novas roupas.

A nossa resposta a esta mentira é um NÃO firme e absoluto.

Torna-se necessário alterar muito mais que os nossos hábitos em tempo de ócio para sustentar o mundo nos próximos dias. Seria muita tolice depositar as nossas esperanças justamente sobre aqueles que continuam a destruir o planeta por dinheiro.

Em Copenhague, eles vão mostrar a maneira correcta de criar um mercado que transforme a biosfera em mercadoria, e assim em poluição, despejando milhões de pessoas de suas terras para extrair os lucros da destruição do que resta do nosso planeta. Nem os governos nem as corporações sacrificarão seu crescimento para reduzir as emissões de carbono, e só vão fazer isso para criar um novo regime autoritário para si próprios.

A retórica sobre a “crise climática" e da "crise financeira" é uma manobra cínica dos
administradores do Estado para negar a crise geral da chamada civilização. A COP 15 será apenas uma tentativa para esconder a guerra que o capitalismo está avalizando contra todas as formas de vida no planeta.

Uma guerra que abarca a totalidade, incluindo os oceanos e a atmosfera.

No meio da guerra, não há tempo para falar de gestão ou de "soluções técnicas". Não se pode lutar em uma guerra alegando de que essa guerra não existe, cegos pela repressão e transformados em cúmplices ao aceitar a falsa promessa de tranqüilidade pequeno burguesa. No entanto, reconhecemos o inimigo. Fixamos uma posição. Lutar!

Só livrando-nos daqueles que dizem nos representar e derrotando a ideologia do crescimento econômico infinito, da produção industrial e de consumo, podemos assumir o controle de nossas vidas e do planeta.

É hora de declarar: atacaremos minuciosamente as estruturas que apóiam a COP 15. Irromperemos nas fileiras da sua polícia, recusaremos negociar com os governos beligerantes e os meios de comunicação que lhes são funcionais; nos negaremos a acompanhar as ONGs vendidas e todos os líderes do protesto, rechaçaremos todos os governos e todas formas de decisões governamentais, não só para deslegitimar aos atuais governos.

É a hora de dizer por que pensamos que a insurgência é necessária para começar realmente a mudar as coisas para as quais estamos tão desesperados. Através de um esforço conjunto em oposição contra os detentores do poder, podemos obter uma primeira visão global, tanto acerca
da riqueza quanto das oportunidades possíveis, quanto idéias, experiências e conceitos compartilhados por pessoas de todas as partes do mundo.

Às Brigadas Internacionais!

À Guerra Social, não caos climático!

Mais infos:
http://nevertrustacop.org/



Entre Seattle e Atenas, 10 anos de Revolta



Entre Seattle e Atenas, 10 anos de Revolta
Documentários a projectar na livraria-bar Gato Vadio no próximo dia 29 de Novembro, no Domingo à noite:

This Is What Democracy Looks Like
55 m.
Documentário independente sobre as acções de protesto em Seattle, em 1999, durante o encontro da Organização Mundial do Comércio.

DECEMBER 2008 - THE REVOLT (Grécia)
Contains 150 minutes unpublished visual material, reports and photos from the events of December 2008.

Documentário «Agostinho da Silva - um pensamento vivo» passa na livraria-bar Gato Vadio (dia 29/11 à tarde)




Agostinho da Silva - um pensamento vivo
Documentário, 80min, 2006. Portugal/Brasil
Direção: João Rodrigo Mattos
Sinopse
Marcado pelo gosto do paradoxo, pela independência e inconformismo das idéias e por invulgares dons de comunicação oral e escrita, a figura ímpar de Agostinho da Silva desenha–se num singular misto de sábio, visionário e homem comum, no qual o pensamento e a vida se indistinguem.


Gato Vadio, livraria-bar
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016

Agostinho da Silva-Um Pensamento Vivo – Trailer



"São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem."

Agostinho da Silva, in 'Cartas a um Jovem Filósofo'

Este documentário, produzido pela Alfândega Filmes, segue o percurso biográfico de Agostinho da Silva, um dos mais paradoxais pensadores portugueses do século XX.
Ao longo de 79 minutos, o realizador brasileiro João Rodrigo Mattos percorre todas as cidades e regiões por onde o filósofo português passou, entre Portugal e o Brasil.
O documentário reúne numerosos depoimentos de pessoas das esferas cultural, social e política, tais como Manoel de Oliveira, Caetano Veloso ou Mário Soares.
É uma excelente oportunidade para conhecer melhor um pensador livre e inconformado, que tem sido relegado para um plano marginal no panorama cultural português, talvez por sempre ter andado à margem do convencional.



Agostinho da Silva (Porto, 13 de Fevereiro de 1906 — Lisboa, 3 de Abril de 1994), foi um filósofo, poeta e ensaísta português. O seu pensamento combina elementos de panteísmo, milenarismo e ética da renúncia, afirmando a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano. Agostinho da Silva pode ser considerado um filósofo prático e empenhado através da sua vida e obra, na mudança da sociedade.
George Agostinho Baptista da Silva nasceu no Porto em 1906, tendo-se ainda nesse ano mudado para Barca D'Alva (Figueira de Castelo Rodrigo), onde viveu até aos seus 6 anos, regressando depois ao Porto, onde inicia os estudos na Escola Primária de São Nicolau em 1912, ingressando em 1914 na Escola Industrial Mouzinho da Silveira e completando os estudos secundários no Liceu Rodrigues de Freitas, de 1916 a 1924.

Dono de um percurso académico notável, de 1924 a 1928, cursou Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo concluído a licenciatura com 20 valores. Após concluir a licenciatura, começa a escrever para a revista Seara Nova, colaboração que manteve até 1938.

Em 1929, com apenas 23 anos, defende a sua dissertação de doutoramento a que dá o nome de “O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas”, doutorando-se “com louvor”.

Em 1931 parte como bolseiro para Paris, onde estuda na Sorbonne e no Collège de France. Após o seu regresso em 1933, leciona no ensino secundário em Aveiro até ao ano de 1935, altura em que é demitido do ensino oficial por se recusar a assinar a Lei Cabral, que obrigava todos os funcionários públicos a declararem por escrito que não participavam em organizações secretas (e como tal subversivas). No mesmo ano, consegue uma bolsa do Ministério das Relações Exteriores de Espanha e vai estudar para o Centro de Estudos Históricos de Madrid. Em 1936 regressa a Portugal devido à iminência da Guerra Civil Espanhola.

Cria o Núcleo Pedagógico Antero de Quental em 1939, e em 1940 publica Iniciação: cadernos de informação cultural. É preso pela polícia política em 1943, abandonando o país no ano seguinte (1944) em direcção à América do Sul, passando pelo Brasil, Uruguai e Argentina, no seguimento da sua oposição ao Estado Novo, na altura conduzido por Salazar.

Em 1947 instala-se definitivamente no Brasil, onde viveu até 1969. Em 1948, começa a trabalhar no Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro, estudando entomologia, e ensinando simultaneamente na Faculdade Fluminense de Filosofia. Colabora com Jaime Cortesão na pesquisa sobre Alexandre de Gusmão. De 1952 a 1954, ensina na Universidade Federal da Paraíba (em João Pessoa (Paraíba)) e também em Pernambuco.

Em 1954, novamente com Jaime Cortesão, ajuda a organizar a Exposição do Quarto Centenário da Cidade de São Paulo. É um dos fundadores da Universidade de Santa Catarina, cria o Centro de Estudos Afro-Orientais, e ensina Filosofia do Teatro na Universidade Federal da Bahia, tornando-se em 1961 assessor para a política externa do presidente Jânio Quadros. Participou na criação da Universidade de Brasília e do seu Centro de Estudos Portugueses no ano de 1962 e, dois anos mais tarde, cria a Casa Paulo Dias Adorno em Cachoeira e idealiza o Museu do Atlântico Sul em Salvador.

Regressa a Portugal em 1969, após a doença de Salazar e a sua substituição por Marcello Caetano, que deu origem a alguma abertura política e cultural do regime. Desde aí continuou a escrever e a leccionar em diversas universidades portuguesas, dirigindo o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e no papel de consultor do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, (actual Instituto Camões).

Em 1990, a RTP1 emitiu uma série de treze entrevistas com o professor Agostinho da Silva, denominadas Conversas Vadias. Uma outra entrevista, até ao momento não publicada, conduzida por António Escudeiro e chamada Agostinho por si próprio, fala sobre a sua devoção ao Espírito Santo.

Faleceu no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, no ano de 1994.

Um documentário sobre o próprio, intitulado Agostinho da Silva: um pensamento vivo, foi realizado por João Rodrigues Mattos, e lançado pela Alfândega Filmes, in 2004.

Agostinho Da Silva é referenciado como um dos principais intelectuais portugueses do século XX. Da sua extensa bibliografia, destacam-se o livro Sete cartas a um jovem filósofo, publicado em 1945.

Lançamento do livro Boomerang de Pedro Eiras na livraria-bar Gato Vadio ( dia 28 de Nov. às 22h.)



Lançamento do livro Boomerang, de pedro eiras.
Apresentação por joão miguel teixeira lopes, com pedro eiras e antónio preto.
Livro da Colecção o rato da europa, das edições pé de mosca.
na livraria gato vadio,
rua do rosário, 281, no porto.
Sábado, 28 de novembro, às 22 h.

boomerang. 27 postais. sobre a europa ou os seus fantasmas. poderia ter sido um livro mas afinal é um trânsito. ir e vir. escrita sobre a escrita sobre a escrita. recuo histórico. e depois sobre o presente: desafiar a miopia. aceleração do tempo. 27 vezes, menos uma, porque há sempre o imponderável. ensaios postais crónicas relatórios de leitura. acordos e desacordos. para desmontar perder dispersar.

Pedro eiras
nasceu em 1975. é professor de literatura portuguesa na faculdade de letras da universidade do porto. Desde 2001, publicou livros de ficção (anais de pena ventosa, estiletes, os três desejos de octávio c.), teatro (antes dos lagartos, passagem, um forte cheiro a maçã, recitativo dos livros do deserto, as sombras, um punhado de terra), poesia (arrastar tinta) e ensaio (esquecer fausto, a moral do vento, a lenta volúpia de cair). com esquecer fausto, ganhou o prémio PEN clube português de ensaio em 2006. tem peças de teatro encenadas e publicadas em diversos países: portugal, frança, grécia, eslováquia, roménia, brasil.

apresentação da colecção o rato da europa
direcção de antónio preto

o rato da europa apresenta-se como uma colecção de textos inéditos, onde se pretende desenvolver, através dos mais variados géneros, ângulos de abordagem, pontos de vista e subterfúgios, uma reflexão alargada, não só sobre o lugar de portugal na europa como, também, sobre a relação de portugal com a europa. se o primeiro problema que se coloca é, desde logo, o de tentar perceber se as duas coisas são ou não a mesma coisa, se este confronto é ou não uma antinomia, outras questões, que daqui decorrem, passarão forçosamente pela aferição das taxas de câmbio entre representações, pela afinação da balança comercial das identidades, pela identificação do que continua a ser contrabando, pela revisão das fronteiras de um horizonte europeu que se define por aquilo que propõe ou que se funda naquilo que rejeita. é, pois, urgente saber se chamamos europa a um acordo de boa vizinhança, que nos permite ir a bruxelas pedir um raminho de salsa para a tortilha, se a europa é um diálogo, uma abertura, uma construção colectiva, se é a europa um projecto político comunitário ou um conjunto de normas sanitárias e de directrizes para a calibragem de maçãs, se a europa das cruzadas é, hoje, pátria de cavaleiros que se batem pela democracia ou terra de vilões dispostos a tudo pilhar em nome da mesma democracia, se o velho continente se transformou ou não num shopping vigiado, onde os cidadãos se confundem com os consumidores, ou se europa é, afinal, o nome do arame farpado que estendemos ao longo do mediterrâneo.
na era das low cost, numa altura em que já ninguém vai comprar caramelos a espanha, desafiámos alguns escritores a partilharem connosco as suas ideias e inquietações. feitas as malas, a viagem inicia-se com boomerang, de pedro eiras: um conjunto de 27 textos sobre as representações da europa na literatura portuguesa do século XIX até ao presente.
a próxima paragem aparecerá muito em breve.

antónio preto
emigrado há três anos em frança, onde realiza um doutoramento em letras, artes e cinema (na universidade paris 7) sobre a adaptação cinematográfica de textos literários em manoel de oliveira, publicou recentemente manoel de oliveira: o cinema inventado à letra, 11.º volume da colecção arte contemporânea público serralves. paralelamente, tem publicado crítica e ensaio em diversos jornais, revistas e catálogos em portugal, frança e brasil, participado em inúmeros colóquios, conferências e seminários, programado mostras de cinema mais ou menos clandestinas, como a reposição – o cinema em trás-os-montes (2007), e colaborado em projectos performativos, como a récita-atentando a carbonária (2008), com ana deus e joão sousa cardoso. é um dos mais assíduos clientes da cinemateca francesa e da piscine des amiraux.


http://oratodaeuropa.blogspot.com/
http://sombrachinesa.blogspot.com/

http://www.pedemosca.com/

A Cooperativa Pé de Mosca surge como plataforma cultural e social que, através do Design, das Artes Gráficas e da Formação se propõe criar projectos singulares e revestidos de uma forte dimensão social e pública. Assim, a Pé de Mosca privilegia o desenvolvimento de objectos de Design inclusivos e participativos, a colaboração com criadores de outras áreas de actuação e uma relação estreita entre o lado material e imaterial do Design.

25.11.09

EPAL colabora com empresa israelita acusada de pilhagem da água à população palestiniana



O Comité de Solidariedade com a Palestina denunciou o acordo recentemente celebrado entre a EPAL e a Mekorot, a empresa israelita responsável pela pilhagem das águas na Palestina. O Comité de Solidariedade enviou uma carta ao Conselho de Administração da EPAL, protestando contra o acordo entre a empresa portuguesa e a sua congénere israelita, e pedindo à EPAL que reconsiderasse esta parceria, denunciando o roubo sistemático dos recursos hídricos do povo palestiniano, mas esta rejeitou o apelo. Fontes palestinianas consideram esta parceria imoral.


O resultado desse roubo é quantificado no relatório da ONU de Julho de 2007, elaborado pelo OCHA (Office for the Coordination of Humanitarian Affairs). Do conteúdo deste relatório resulta que Israel açambarca anualmente 490 milhões de metros cúbicos dos 600 milhões produzidos pelos aquíferos da Cisjordânia. O povo palestiniano, que teria o direito a essa água, apenas fica com os restantes 110 milhões de metros cúbicos. A situação na Faixa de Gaza é ainda mais dramática, em especial desde a "Operação Chumbo Derretido", iniciada em Dezembrode 2008. Em consequência, o consumo palestiniano diário per capita(cerca de 60 litros) situa-se claramente abaixo do mínimo (100 litros) recomendado pela OMS, ao passo que o consumo israelita vai muito além desse mínimo e do necessário (330 litros).
Além disto, o Direito Internacional limita o direito de uma potência colonizadora utilizar os recursos hídricos de um território ocupado e proíbe-a de descriminar os residentes nessa área de ocupação. No entanto, Israel anexou ilegalmente os recursos hídricos da Palestina ocupada desde 1967, exercendo controlo absoluto sobre esses recursos, impondo políticas discriminatórias na distribuição da água. A empresa Mekorot participa nesta violação do Direito Internacional.



No relatório intitulado “Israel raciona fios de água aos Palestinos”, a Amnistia acusava Israel de negar aos Palestinos o direito de acesso a água adequada, ao manter o controlo total sobre os recursos de água que são partilhados e levando a cabo políticas de discriminação.

Segundo a Amnistia Internacional, Israel utiliza cerca de 80% da água dos “lençóis de água da montanha” (mountain aquifer, no original), a única fonte de água dos Palestinos da Cisjordânia. Simultaneamente, a Mekorot vende a água a preços fortemente subsidiados aos colonatos Israelitas ilegais na Cisjordância. Aproximadamente 40% da água consumida pelos Palestinos na Cisjordância é fornecida pela Mekorot e é vendida a um preço muito mais alto e não subsidiado.

http://palestinavence.blogs.sapo.pt/

Nos 80 anos de Zeca lembramos os 10 de Seattle ( actividades na Casa Viva, durante o dia 30 de Novembro)


A Casa Viva assinala na próxima 2ª feira os 80 anos de José Afonso e também as manifestações contra a OMC e a globalização capitalista realizadas há 10 anos em Seattle.


Casa Viva
Praça do Marquês, 167 -Porto
(Nota Importante: tocar ao batente para abrirem a porta)


Programa de actividades

19h00 Relançamento do Indymedia português... pelo menos em papel. E projecção de imagens sobre a insatisfação que saiu à rua em Seattle, há 10 anos (durante a cimeira da Organização Mundial de Comércio), dando origem à criação de centros de informação independente nos cinco continentes deste planeta chamado Terra.


20h30 Jantar, traz o que te aprouver, desde que seja vegetariano, para partilharmos.


21h30 Apresentação do Movimento dos Sem Terra – Brasil
Documentário e conversa
Não comemos Eucalipto, de Mateus Flores (20’)
Registo da repressão contra as mulheres da Via Campesina, ocorrida após a ocupação de um latifúndio, em 2008, no estado do Rio Grande do Sul, no Brasil


21h30 O Canto de Intervenção
Iniciativa da AJA Norte, integrada nas comemorações dos 80 Anos de Zeca.



Nos 80 anos de Zeca lembramos os 10 de Seattle

Vejam bem, Seattle foi apenas a primeira face visível e a Organização Mundial de Comércio (OMC) tão só o pretexto para o que, há muito, se vinha a cozinhar, a necessidade de acordar a malta, de ser suficientemente confrontacional para trazer para a arena pública a voz duma oposição global ao sistema capitalista (e não apenas à OMC) que, pelo que se lia nos jornais e se via nas tvs, não existia. Afirmando, no coração do império, que o imperialismo não passará.

A insatisfação saiu à rua num dia assim, trazida por centenas de milhares de pessoas em todo o mundo. Foi há dez anos, no dia 30 de Novembro de 1999. Em Seattle, mas também no Porto, em Lisboa, em Londres, em Berlim, na Índia ou na Nova Zelândia. Gente que acreditava que era preciso desmascarar o mundo para o qual se caía e se continua a cair. Com acções mais ou menos espectaculares, a resposta à globalização tornava-se definitivamente global. Festas, flyers, cartazes, ocupações, acções de protesto ou sabotagem, manifestações, palestras, debates, tudo serve e tudo serviu para avisar a malta e fazer com que solidariedade fosse mais do que uma palavra com sete sílabas, um redondo vocábulo.

Mas é por Seattle que a data é, dez anos passados, recordada. Foi lá que, pela primeira vez, os poderosos foram confrontados com a sua fraca figura perante os que trilham os caminhos do pão e se viram incapazes de reunir, alguns de saírem do quarto de hotel. Foi lá que uma imensa mole humana os fez repensar a impunidade com que estavam a impor os seus desígnios. E foi em Seattle que a alternativa se apresentou ao mundo como um meio e um fim. Se pode haver dúvidas quanto ao consenso sobre que mundo novo construir, a forma como a contestação se organizou foi, ela própria, um novo mundo, opondo à actual organização topo-fundo ou centro-periferia, uma horizontalidade em rede.

E provando, na prática, que, dando poder à malta, ela se organiza e atinge objectivos. Potenciada pela existência da internet, a organização baseou-se na autonomia dos vários colectivos e indivíduos que a compunham. Havia um objectivo claro, pessoas para o levarem a bom porto, ferramentas para o atingirem, e isso bastou para que milhares de pessoas se organizassem e fizessem o mundo andar sem ter à frente um capataz.

Muitas das decisões dos dias de Seattle foram tomadas na rua, pelos próprios participantes. Essas assembleias, onde cabiam todos os interessados, que decidiam, entre eles, o que havia, de comum, a decidir são o alicerce dessa alternativa que, assim, se propunha. /This is what democracy looks like/, qualquer coisa como /É este o aspecto da democracia/, foi uma das palavras de ordem mais ouvidas nas movimentações de rua. O Povo é quem mais ordena, lembrar-se-iam se essa memória neles existisse.

Mas Seattle foi ainda o berço de outra proposta, desta vez ao nível da informação. Sabia-se, tendo em conta os propósitos desses dias, que a polícia não ia deixar que uma multidão, pura e simplesmente, impedisse a OMC de reunir. E sabia-se também, tendo em conta que os proprietários dos meios de comunicação estariam representados nessa reunião, que a cobertura sobre os eventos seria baseada na velha premissa da polícia contra os desordeiros. E surgiu o Indymedia, um centro de media independente de todos os poderes, para dar voz aos que não tinham espaço mediático. O lema /Be the Media/, qualquer coisa como /Sê os meios de comunicação/, diz tudo.

Como tudo estará dito ao saber-se que este centro de média se reproduziu pelos cinco continentes, onde foram criados centenas de Indymedias locais, organicamente unidos por laços fraternos e decisões assembleárias de todos os interessados. Com o objectivo de libertar a malta das grilhetas da informação uniformizada, da mera transmissão do pensamento dos poderosos, para ajudar o formigueiro a mudar de rumo. Uma rede mundial de informações, onde os sujeitos das acções são os jornalistas e onde uma nova e imensa minoria pode aceder a informações, pensamentos e análises normalmente ausentes do debate público. E um local, também, de inspiração, onde as acções de uns servissem de mote e alento para que outros abandonassem a apatia. Uma ferramenta, enfim, para que a voz não nos esmoreça, para agitar, empurrar e animar a malta.

Foi assim, Seattle, uma cidade que, apesar de sitiada, se manteve sem muros nem ameias. Como todas as coisas bonitas, um ponto na história em que a simplicidade aparente esconde uma teia de complexidades. Como uma canção do Zeca.

Que, com referências mas sem saudosismos, sejamos capazes de os os repetir, ao Zeca e a Seattle, é a nossa mais profunda esperança, o móbil do que fazemos.

O Canto de Intervenção (texto,música e poesia para recordar José Afonso) na Casa Viva (dia 30 de Nov. às 21h30, com entrada livre)




Viagem pelos principais cantores portugueses e internacionais, contextualizando o seu papel na música e na sociedade.
Interpretação: Paulo Esperança apresentação e narração Ana Afonso declamação Ana Ribeiro guitarra e voz Fernando Lacerda voz Paulo Veloso guitarra Miguel Marinho violino e bandolim Tino Flores guitarra e voz

Iniciativa da AJA Norte, integrada nas comemorações dos 80 Anos de Zeca


Local: Casa Viva
Pr. do Marques 167 - Porto
(tocar ao batente para abrirem a porta)

O 28º aniversário do Terra Viva ( Associação de Ecologia Social) é assinalado nos dias 28 e 29 de Novembro


Sede do TERRA VIVA –R.dos Caldeireiros, 213 –Porto (à Cordoaria)


PROGRAMA

Sábado, 28 de Novembro

15.30 -Mini-conferência/Sessão de Inform."ECOLOGIA SOCIAL,INTERVENÇÃO SOCIAL E MOVIMENTOS POPULARES- Balanço e perspectivas"

17.00 -Mostra de fotos e pequenos vídeos das nossas actividades juvenis
(REGRALL-Eco-escotismo livre, História Viva-Recriações Históricas, Participação em campanhas e movimentos populares-cívicos, etc.). Nota: continua depois à noite

17.30 -“ANTENAS DE REDES DE TELEMÓVEIS: AMEAÇA SOBRE AS NOSSAS CABEÇAS?!...”DEBATE ABERTO/ SESSÃO DE INFORMAÇÃO

20.30 - Jantar-Benefit (apoio CCL Almada)

21.30- "Velada Social-ecológica" - com cantos de intervenção (social e ambiental)


---Domingo, 29 de Novembro

10.30 - Visita à Quinta do Covelo (Paranhos) e apanha de bolotas de sobreiro e carvalho
(encontro 10.00 na praça do Marquês, junto ao lago - Est.Metro do Marquês)


15.00 - Workshop de BOLOTAS, MOAGEM BÁSICA E UTILIZAÇÃO CULINÁRIA -sede da Terra Viva

16.00 - Reunião/Sessão de Informação/Debate :
"ANIMAR E CRIAR MOVIMENTO POPULAR" -perpectivas e experiências de intervenção social "de base" dos últimos anos e lutas sociais da actualidade (c/visualização de vídeos e sites
de movimentos de base no Brasil, na Grécia e noutros locais)

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O Amor é mais poderoso que Deus e a Igreja! E ainda bem…


Em Celorico de Bastos, na freguesia de Carvalho, o amor venceu o todo-poderoso Deus, e a não menos tirânica Igreja Católica.

O padre Rui, de 26 anos, pároco em várias freguesias daquele concelho, ordenado sacerdote católico em Braga no ano passado, apaixonou-se por uma rapariga de 18 anos e fugiram ambos para surpresa geral dos paroquianos. Alguns consideram o comportamento do padre como atitude de homem, mas muitos ainda não compreenderam como o jovem padre trocou Deus pelo amor da sua vida!

O sacerdote esperou que a sua apaixonada perfizesse os 18 anos para desaparecerem da região, não sem antes pedir a rapariga em casamento à sua família – o que lhe foi recusado – e ter escrito uma carta de despedida ao arcebispo de Braga.

Por nós, desejamos ao jovem casal as maiores felicidades, e ficamos-lhes agradecidos pelo lição de vida que o jovem padre deu a todos nós: o amor é capaz de vencer a tirania de Deus e da Igreja…

Professores das Actividades de Enriquecimento Curricular marcam assembleia no SPN a 5 de Dezembro para tratar da sua situação laboral


Os professores das Actividades de Enriquecimento Curricular do Porto estão em luta.
São explorados pela Edutec, com a cumplicidade da Câmara Municipal do Porto e a indiferença do Governo e de todas as instituições que deveriam garantir que os direitos destes trabalhadores são garantidos.
Fartos de esperar por uma justiça que não chega, quebrando o isolamento e enfrentando a impunidade, estes profissionais vão reunir-se em assembleia aberta no próximo dia 5 de Dezembro, no Porto.

Os Precários Inflexíveis, bem como o FERVE e o Sindicato dos Professores do Norte, juntam-se a esta convocatória.

Assembleia aberta sobre a situação dos professores das Áreas de Enriquecimento Curricular

5 de Dezembro de 2009 às 10h30

Sindicato dos Professores do Norte ( Local: R. D. Manuel II, 51 C - 3º - Edifício Cristal Park)



As Áreas de Enriquecimento Curricular (AECs) são uma medida criada pelo Governo que prolonga o horário das actividades nas escolas, nomeadamente através da promoção do ensino do inglês e da música. Sendo uma política do Ministério da Educação, as responsabilidades de contratação dos profissionais que assegurem estas áreas são da responsabilidade das autarquias. O Ministério transfere uma verba por aluno por ano para as autarquias, que depois asseguram a existência das AECs. Dada a ausência de regras claras, as AECs têm resultado em situações muitas vezes delicadas para as escolas, as crianças e os profissionais.

No que a estes últimos diz respeito, as AECs são, em muitos casos, asseguradas por trabalhadores precários com reduzidos direitos e reduzido salário. Muitos destes profissionais trabalham para empresas que os angariam através de falsos recibos verdes e que se apropriam de uma parte da verba que o Ministério transfere, ou trabalham em condições de precariedade para empresas municipais que acumulam à custa destes trabalhadores, os quais vêem negados os direitos básicos que qualquer trabalhador deveria ter, quer ao nível do reconhecimento, quer em termos de protecção social (na doença, no desemprego, na segurança em relação ao emprego).

No caso específico do Porto, a política educativa implementada este ano lectivo de 2009/2010, pela Câmara Municipal é polémica e imoral, pois lançou a instabilidade entre os professores das AEC´s e nas EB1 do Porto, em consequência do concurso público internacional para a entidade gestora.

Deste modo, em vez de melhorarem as condições de trabalho dos professores (tal como estipula o decreto-lei 212/2009 de 3 de Setembro) pioraram a condição já precária dos falsos recibos verdes.

É urgente que pais, educadores, coordenadores e professores tenham conhecimento de toda esta situação.

É urgente que saibam que as autarquias recebem 100 euros por ano, por aluno, para cada disciplina. Isto significa que se estimarmos o número anual de aulas em 50, isso corresponde a 2€ por aluno, por hora. Isto corresponde, numa turma de 20 alunos a 40 euros por hora que a autarquia recebe. Ou seja, paga 11 e guarda 29 Euros. Este valor é variável em função do número de alunos por turma. Em 50 aulas corresponde a um lucro de 1 450 €, em cada disciplina e em cada turma. Se multiplicarmos este valor pelo número de turmas e de disciplinas, estamos a falar de um negócio simpático, sobretudo porque não há nenhum investimento em materiais didácticos, nem em instalações.

É urgente que saibam que os professores deixaram de ser pagos para fazer as planificações, articulação entre as disciplinas, presença nas reuniões e quaisquer outras situações normais provenientes da docência, que obrigam um professor a estar na escola, pois a nova entidade gestora apenas paga em função da hora leccionada retirando do seu vencimento a componente não lectiva, (reuniões, planificações, participações em festividades, actividades, etc.).

Porque é urgente partilhar informação sobre esta situação e juntar as pessoas que se encontram nesta condição, porque é urgente juntar a solidariedade dos pais e dos encarregados de educação, porque é urgente juntar todos aqueles que não querem que os seus impostos sirvam para este enriquecimento ilícito de autarquias e/ou empresas angariadoras de profissionais que é feito à custa da precariedade dos professores, porque é urgente tornar esta situação visível e reagirmos a ela, vai realizar-se no dia 5 de Dezembro uma reunião aberta que visa debater a situação precária que se vive actualmente nas Escolas Básicas de todo País e pensar acções a levar a cabo a partir do caso que se vive no concelho do Porto


Contamos com a presença de todos vós no SPN dia 5 de Dezembro às 10h15m.

FERVE- Fartos destes Recibos Verdes,
Precários Inflexiveis,
Professores das AEC’S do Porto,
Sindicato dos Professores do Norte

O neoliberalismo está vivo, e contra-ataca em nome da sacrossanta economia...

O neoliberalismo está "vivinho da silva"
( texto de Walden Bello )

O recente colapso da economia mundial, causado predominantemente pela falta de regulação dos mercados financeiros, provocou uma erosão na credibilidade do neoliberalismo. No entanto, segue exercendo uma forte influência na maioria dos economistas e dirigentes de empresas, sobretudo pela ausência de uma doutrina alternativa.

Por que a contínua invocação dos mantras neoliberais quando as promessas desta teoria foram contraditadas pela realidade em quase todas as ocasiões?

O neoliberalismo é uma perspectiva que advoga a favor do mercado como o principal regulador da atividade econômica, enquanto busca limitar ao mínimo a intervenção do Estado.

Em tempos recentes, o neoliberalismo foi identificado com a própria ciência econômica, dada sua hegemonia como um paradigma dentro da disciplina, que induz à exclusão de outros enfoques.

Dado que a economia é vista em muitos setores como uma ciência irrefutável, quase como a física (é a única ciência social para a qual há um Prêmio Nobel), o neoliberalismo teve uma tremenda e penetrante influência não só em âmbitos acadêmicos, mas também nos meios políticos. Enquanto a Universidade de Chicago, lar do guru neoliberal Milton Friedman, se converteu em fonte de sabedoria acadêmica, em círculos tecnocráticos o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial foram vistos como instituições-chave que levaram esta teoria à política com uma série de prescrições que eram aplicáveis a todas as economias.

É surpreendente comprovar como só recentemente o liberalismo se transformou em um paradigma hegemônico. Até meados dos anos 70, as orientações econômicas keynesianas, que promoviam uma boa dose de intervenção estatal como necessária para a estabilidade e um crescimento econômico constante, eram a ortodoxia. No chamado Terceiro Mundo, o desenvolvimentismo, que prescrevia os princípios keynesianos para as economias que estavam insuficientemente penetradas e transformadas pelo capitalismo, era o enfoque predominante. Havia um tipo conservador de desenvolvimentismo e outro progressista, mas ambos viam o Estado como o mecanismo central do desenvolvimento.

Creio que há três razões pelas quais o neoliberalismo, apesar de seus fracassos, segue sendo dominante.

Em primeiro lugar, em certos países em desenvolvimento como Filipinas, a corrupção continua sendo considerada geralmente como uma explicação para o subdesenvolvimento. Deriva daí o argumento segundo o qual o Estado é a fonte da corrupção e o incremento do papel do Estado na economia, inclusive como regulador, seja visto com ceticismo. O discurso neoliberal concorda perfeitamente com esta teoria da corrupção, minimizando o papel do Estado na vida econômica e sustentando que tornar as relações de mercado dominantes nas transações às custas do Estado reduzirá as oportunidades para a corrupção tanto dos agentes econômicos quanto dos estatais.

Por exemplo, para muitos filipinos o Estado corrupto foi e segue sendo o principal obstáculo para a melhoria do nível de vida. A corrupção estatal é vista como o maior impedimento para o desenvolvimento econômico sustentável. A corrupção, por óbvio, deve ser condenada por razões morais e políticas, mas a suposta relação entre corrupção e subdesenvolvimento tem, de fato, pouca base.

Em segundo lugar, apesar da profunda crise do neoliberalismo, não surgiu ainda nenhum paradigma ou discurso alternativo convincente nem local nem internacionalmente. Não há nada parecido com o desafio que os princípios keynesianos colocaram ao fundamentalismo do mercado durante a Grande Depressão dos anos 30 do século passado. Os desafios apresentados por economistas estelares como Paul Krugman, Joseph Stiglitz e Dani Rodrik continuam enquadrados dentro dos limites da economia neoclássica.

Em terceiro lugar, a economia neoliberal segue projetando-se com a imagem de uma “ciência irrefutável” em razão de ter introduzido meticulosamente a tecnologia matemática. Como seqüela da recente crise financeira, esta extrema aplicação da matemática foi objeto de críticas dentro da própria profissão. Alguns economistas sustentam que o predomínio da metodologia sobre a substância converteu-se na finalidade da prática econômica e, consequentemente, a disciplina perdeu contato com as tendências e os problemas do mundo real.

Vale a pena notar que John Maynar Keynes, que era uma mente matemática, se opôs à “matematização” da disciplina precisamente pelo falso sentido de solidez que dava à economia. Como registrou seu biógrafo Robert Skidelsky, “Keynes era notoriamente cético acerca da econometria” e os números “eram para ele simplesmente pistas, indicações, gatilhos para a imaginação”, ao invés de expressões de certezas sobre fatos passados e futuros.

Superar o neoliberalismo, portanto, requer ir além da veneração dos números que, freqüentemente, cobrem a realidade, e ir além também do suposto cientificismo neoliberal.

(*) Walden Bello, é deputado da República das Filipinas e analista do centro de estudos Focus on the Global South (Bangkok)

Tradução: Katarina Peixot