23.8.09

«O anti-terrorismo é uma técnica de governo» (Julien Coupat, em entrevista ao jornal Le Monde)


Eles podem colocar as prisões sob prisão preventiva, mas não o vento nem a luz


Texto da tradução para português retirado do website: http://www.radioleonor.org/

Entrevista a Julien Coupat, realizada ainda na prisão e por escrito pelas jornalistas Isabelle Mandraud e Caroline Monnot e publicada a 25 de Maio pelo Le Monde [diário francês].



Coupat esteve em prisão preventiva entre 15 de Novembro de 2008 e 28 de Maio de 2009 acusado de “terrorismo”, no seguimento dos acontecimentos de “Tarnac”.
“É o aspecto mais formidável deste processo: um livro transcrito integralmente no dossier da instrução, interrogatórios onde se tenta fazer-nos dizer que vivemos como está escrito em «A insurreição que vem», que nos manifestamos como é preconizado em «A Insurreição que vem», que sabotamos linhas de comboio para comemorar o golpe de Estado bolchevique de Outubro 1917, como é mencionado em «A Insurreição que vem», um editor convocado pelos serviços anti-terroristas para interrogatório. Na memória francesa, há muito tempo que não se via o poder ter medo por causa de um livro. Havia mais o hábito de considerar que enquanto os esquerdistas estavam ocupados a escrever, pelo menos não estavam a fazer a revolução. Os tempos estão a mudar, seguramente. Regressa a seriedade histórica.”

Como está a viver a sua detenção?

Muito bem, obrigado. Exercício, corrida, leitura.

Pode recordar-nos as circunstâncias da vossa detenção?
Um bando de jovens encapuzados e armados até aos dentes arrombou-nos a casa., Depois de terem destruído tudo, ameaçaram-nos, algemaram-nos e levaram-nos. Fomos sequestrados a bordo de potentes carros de alta cilindrada, que rodavam a mais de 170 km/h pela auto-estrada. Nas suas conversas, aparecia frequentemente um certo M. Marion [antigo chefe da polícia antiterrorista] cujas façanhas viris os deixava bastante divertidos - como a de esbofetear com bom humor um colega no ambiente divertido de uma festa de despedida. Estivemos sequestrados durante 4 dias numas das suas “prisões do povo”, atordoados com questões onde o absurdo rivalizava com o obsceno.
Aquele que parecia ser o cérebro das operações descartava-se vagamente de todo este circo, explicando que era tudo culpa dos “serviços”, lá em cima, onde se move todo o tipo de gente que nos desejaria bastante. Até hoje, os meus raptores permanecem a monte. Diversos factos recentes atestam mesmo que eles continuam as sevícias com toda a impunidade.

As sabotagens das catenárias dos caminhos de ferro (SNCF) em França foram reivindicadas na Alemanha. Que diz disto?
No momento da nossa detenção, a polícia francesa tinha já em sua posse um comunicado que reivindicava, além das sabotagens que nos foram atribuídas, outros ataques ocorridos simultaneamente na Alemanha. Este panfleto apresentava numerosos inconvenientes: foi redigido em alemão e enviado de Hanôver exclusivamente para jornais alemães, mas sobretudo não encaixava bem na fábula mediática feita à nossa custa - a de um pequeno núcleo de fanáticos que conduz o ataque ao coração do Estado pendurando três pedaços de ferro sobre catenárias. Adoptar-se-à, desde logo, o extremo cuidado de não mencionar demasiado este comunicado, nem no processo, nem na mentira pública.
É verdade que a sabotagem de linhas de comboio perde aí muita da sua aura misteriosa: tratava-se apenas de protestar contra o transporte para a Alemanha, por via ferroviária, de resíduos nucleares ultra-radioactivos e de denunciar de passagem a grande burla da “crise”. O comunicado termina com um muito SNCF “agradecemos a compreensão dos passageiros dos comboios afectados”. Há que sublinhar o tacto revelado por estes “terroristas”!

Reconhecem-se nas qualificações de “cena anarco-autónoma” e de “ultra-esquerda”?

Permitam-me ir um pouco mais longe. Vivemos actualmente em França, o fim de um período de paralisia histórica, cujo acto fundador foi o acordo entre gaullistas e estalinistas em 1945 para desarmar o povo sob o pretexto de “evitar uma guerra civil”. Os termos deste pacto poderiam formular-se assim, para ser breve: enquanto a direita renunciava às suas tendências abertamente fascistas, a esquerda abandonava no seu interior qualquer perspectiva séria de revolução. A vantagem que tem e goza, desde há quatro anos, a clique sarkoziana, é a de ter tomado unilateralmente a iniciativa de romper este pacto, reatando “sem complexos” com os clássicos da reacção pura – sobre os loucos, a religião, o Ocidente, a África, o trabalho, a história de França, ou a identidade nacional.
Face a este poder em guerra, que ousa pensar estrategicamente e dividir o mundo em amigos, inimigos e quantidades neglicenciáveis, a esquerda permanece paralisada. É demasiado cobarde, demasiado comprometida, em suma, demasiado desacreditada para poder opor a mais pequena resistência a um poder que ela própria não ousa tratar como inimigo, e que lhe subtrai, um a um, os mais engenhosos entre as suas fileiras. Quanto à extrema-esquerda à-la-Besancenot, sejam quais forem os resultados eleitorais, e mesmo saindo do estado grupúscular onde desde sempre vegetou, ela não tem um perspectiva mais ambiciosa a oferecer que não seja o cinzentismo soviético, agora retocado em Photoshop. O seu destino é desiludir.

Na esfera da representação política, o poder em funções não tem portanto nada a recear de ninguém. E não são certamente as burocracias sindicais, mais vendidas do que nunca, que o irão importunar, elas que desde há dois anos dançam com o governo um ballet bem obsceno. Nestas condições, a única força que enfrenta directamente o gangue sarkoziano, o seu único inimigo real neste país, é a rua, a rua e as suas velhas inclinações revolucionárias. Apenas ela, de facto, nas revoltas que se seguiram à segunda volta do ritual plebiscitário de Maio de 2007, soube erguer-se por um instante à altura da situação. Apenas ela, nas Antilhas ou nas recentes ocupações de empresas ou de faculdades, soube fazer passar uma outra palavra.

Esta análise sumária do teatro de operações conseguiu impor-se bastante cedo, desde que os serviços de informação fizeram aparecer a partir de Junho de 2007, sob a pluma de jornalistas às ordens (e nomeadamente no Le Monde), os primeiros artigos que revelavam o terrível perigo que os “anarco-autónomos” representam para toda a vida social. Era-lhes atribuída, desde logo, a organização dos motins espontâneos que em muitas cidades saudaram o “triunfo eleitoral” do novo presidente.

Com esta fábula dos “anarco-autónomos”, ficou desenhado o perfil da ameaça à qual a ministra do interior se dedicou docilmente; de detenções arbitrárias a rusgas mediáticas, conseguiu um pouco de carne e algumas caras. Quando já não se pode conter o que transborda, pode-se ainda criar um caso e aí encarcerá-lo. Ora a figura dos “violentos” - onde daqui para a frente se cruzam aos encontrões os trabalhadores de Clairoix, os putos dos subúrbios, os estudantes que fecham escolas e os manifestantes das contra-cimeiras - certamente eficaz na gestão corrente da pacificação social, permite criminalizar os actos mas não as existências. E está bem patente na intenção do novo poder atacar o inimigo, enquanto tal, sem esperar que este se exprima. É esta a vocação das novas categorias da repressão.

Pouco importa, finalmente, que não exista ninguém em França que se reconheça como “anarco-autónomo”, nem que a ultra-esquerda seja uma corrente política que conheceu a sua glória na década de 1920 e que depois disso nada mais tenha produzido do que inofensivos volumes de marxologia. De resto, o recente sucesso do termo “ultra-esquerda”, que permitiu a certos jornalistas apressados catalogar sem esforço os revoltosos gregos de Dezembro último, deve muito ao facto de ninguém saber o que foi a ultra-esquerda, nem mesmo que ela tinha alguma vez existido.

Neste ponto, tendo em contra os levantamento que não podem senão sistematizar-se face às provocações de uma oligarquia mundial e francesa vociferante, a utilidade policial destas categorias já não carece de debate. Não é portanto possível antever qual das categorias - “anarco-autónomo” ou “ultra-esquerda” - servirá por fim os favores do Espectáculo, a fim de remeter para o inexplicável uma revolta que tudo justifica.


A policia considera-o chefe de um grupo a ponto de resvalar para o terrorismo. Que pensa disto?

Uma alegação tão patética só pode ser o produto de um regime a ponto de resvalar para o nada.


Que significa para si a palavra terrorismo?
Nada pode explicar que o departamento de informações e segurança argelino, suspeito de ter orquestrado a vaga de atentados de 1995 sob orientação da DST (Direction de Surveillance du Térritoire, serviços franceses anti-terrorismo), não seja colocado a par de outras organizações terroristas internacionais. Nada permite explicar também a súbita transmutação do “terrorista” em herói de libertação, em parceiro recomendado pelos acordos de Evian, em polícia iraquiano ou em “talibã moderado” dos nossos dias, ao sabor das últimas alterações da doutrina estratégica americana.
Nada, a não ser a soberania. É soberano, neste mundo, aquele que designa o terrorista. Quem se recusa a fazer parte desta soberania evitará por isso responder à vossa questão. Quem apenas pedincha por algumas migalhas não hesitará em fazê-lo. Quem não estiver entupido de má fé achará muito instrutivo o caso desses dois ex-“terroristas” tornados, um o primeiro-ministro de Israel, o outro o presidente da Autoridade palestiniana, tendo ambos recebido, para cúmulo, o Prémio Nobel da paz.
A névoa que envolve a qualificação de “terrorismo”, a impossibilidade manifesta de a definir, não remete para uma qualquer lacuna provisória da legislação francesa - constituem o princípio dessa coisa que se pode definir bastante bem: o anti-terrorismo, de cujo funcionamento são uma das condições. O anti-terrorismo é uma técnica de governo que mergulha as suas raízes na velha arte da contra-insurreição, da guerra dita “psicológica”, para não ir mais longe.
O anti-terrorismo, ao contrário do que o termo insinua, não é um meio de luta contra o terrorismo, é o método através do qual se produz, positivamente, o inimigo político enquanto terrorista. É sobretudo um luxo de provocações, de infiltrações, de vigilância, intimidação e propaganda, uma ciência da manipulação mediática, da “acção psicológica”, da fabricação de provas e crimes, através da fusão do policial com o judiciário, trata-se de aniquilar a “ameaça subversiva” associando entre a população, o inimigo interior, o inimigo político, com o adepto do terror.
O essencial, na guerra moderna, é esta “batalha pelos corações e pelos espíritos” onde todos os golpes são permitidos. O procedimento elementar é, aqui, invariável: individualizar o inimigo de modo a separá-lo do o povo e do senso comum, expô-lo com as vestes de um monstro, difamá-lo, humilhá-lo publicamente, e incitar os mais infames a destilarem ódio sobre ele. “A lei deve ser utilizada como apenas uma outra arma do arsenal do governo e neste caso não representa mais do que uma cobertura de propaganda para desembaraçar-se dos membros indesejáveis do público. Para uma maior eficácia, convém que as actividades dos serviços judiciários estejam ligadas ao esforço de guerra de maneira o mais discreta possível”, aconselhava já, em 1971, o brigadeiro Frank Kitson [antigo general do exército britânico, teórico de guerra contra-insurreccional] que sabia algumas coisas acerca do assunto.

Uma andorinha não faz a primavera e, no nosso caso, o anti-terrorismo foi um fracasso. A França não está pronta a deixar-se aterrorizar por nós. O prolongamento da minha detenção por uma duração “razoável” é uma pequena vingança bem compreensível, considerando os meios mobilizados e a profundidade do fracasso; como é compreensível a obstinação um pouco mesquinha dos “serviços”, desde o 11 de Novembro, em responsabilizar-nos atravé da imprensa pelos delitos mais incríveis, ou em seguir qualquer um dos nossos camaradas. Até que ponto esta lógica de represálias se apoderou da instituição policial e do pequeno coração dos juízes, eis o que foi revelado nos últimos tempos pelas detenções cadenciadas de “pessoas próximas de Julien de Coupat”.
É necessário dizer que alguns apostam neste processo toda a sua lamentável carreira, como Alain Bauer [criminólogo], outros o lançamento dos seus novos serviços, como o pobre M. Squarcini [director central do serviço de informações interiores], outros ainda a credibilidade que nunca tiveram e que jamais terão, como Michèle Alliot-Marie [Ministra da Administração Interna ]


Saiu de um meio muito confortável que poderia orientá-lo noutra direcção….
“Existe plebe em todas as classes” (Hegel).

Porquê Tarnac?
Vá lá, você compreende. Se não compreende, receio que ninguém lhe poderá explicar.


Você define-se como um intelectual? Um filósofo?

A filosofia nasceu enquanto luto tagarela da sabedoria originária. Platão entendia já a palavra de Heraclito como algo que escapou de um mundo defunto. Numa época de intelectualidade difusa, não vemos o que poderia especificar “o intelectual”, senão a extensão do fosso que separa, nele próprio, a faculdade de pensar da aptidão de viver. Tristes títulos esses, na verdade. Mas, para quem, afinal, seria necessário alguém definir-se?

Você é o autor do livro A insurreição que vem?

É o aspecto mais formidável deste processo: um livro transcrito integralmente no dossier da instrução, interrogatórios onde se tenta fazer-nos dizer que vivemos como está escrito em A insurreição que vem, que nos manifestamos como é preconizado em A Insurreição que vem, que sabotamos linhas de comboio para comemorar o golpe de Estado bolchevique de Outubro 1917, como é mencionado em A Insurreição que vem, o seu editor convocado pelos serviços anti-terroristas para interrogatório.
Na memória francesa, há muito tempo que não se via o poder ter medo por causa de um livro. Havia mais o hábito de considerar que enquanto os esquerdistas estavam ocupados a escrever, pelo menos não estavam a fazer a revolução. Os tempos estão a mudar, seguramente. Regressa a seriedade histórica.
O que funda a acusação de terrorismo, no que nos diz respeito, é a suspeita da coincidência entre um pensamento e uma vida; o que faz a associação de malfeitores, é a suspeita de que esta coincidência não é deixada ao heroísmo individual, mas antes se torna o objecto de uma atenção comum. Negativamente, isto significa que não se suspeita de nenhum daqueles que assinam com o seu nome ferozes críticas ao sistema, sem alguma vez pôr em prática a mais ínfima das suas firmes resoluções; a injúria é quanto baste. Infelizmente, não sou o autor de A insurreição que vem - e todo este assunto deveria antes conseguir convencer-nos do carácter essencialmente policial da função do autor.
Eu sou, em retaliação, um leitor. Ao reler o livro, há menos de uma semana, compreendi melhor a irritação histérica que provocou, nas altas esferas, na perseguição aos seus presumíveis autores. O escândalo deste livro, é que tudo o que aí figura é rigorosamente, catastroficamente verdadeiro, e não pára de se revelar cada dia mais enquanto tal. Porque aquilo que se evidencia, para lá da “crise económica”, de uma “perda de confiança”, de uma “rejeição massiva das classes dirigentes”, é exactamente o fim de uma civilização, a implosão de um paradigma: o do governo, que tudo comandava no Ocidente - a relação dos seres entre si não menos do que a ordem política, a religião ou a organização das empresas. Existe, em todos os escalões do presente, uma gigantesca perda de controlo para a qual nenhuma espectacular operação policial servirá como remédio.
Não será por nos trespassarem com penas de prisão, com vigilância minuciosa, com controlo judiciário, e interdições de comunicação sob o pretexto de que somos os autores desta constatação lúcida, que se fará evaporar o que foi constatado. É próprio das verdades, uma vez enunciadas, libertarem-se de quem as formulou. Governantes, não vos servirá de nada entregar-nos à justiça, muito pelo contrário.

Está a lêr «Vigiar e punir», de Michel Foucault. Essa análise ainda lhe parece pertinente?

A prisão é o pequeno segredo sórdido da sociedade francesa, não está na margem de relações sociais mais apresentáveis, é antes a sua peça-chave. O que se concentra aqui num todo compacto não é, como se encarregam de nos fazer crer, um amontoado de bárbaros selvagens, mas antes o conjunto das disciplinas que tecem, cá fora, a existência dita «normal». Vigilantes, cantina, jogos de futebol no pátio, emprego do tempo, divisões, camaradagem, cenas de porrada, arquitectura repressiva: é necessário ter já passado algumas noites na prisão para tomar plena consciência de tudo o que a escola, a inocente escola da República, contém, por exemplo, de carcerário.
Encarada a partir deste ângulo inexpugnável, não é a prisão que serve de tapete para esconder os fracassos da sociedade, mas antes a sociedade actual que assume a forma de uma prisão fracassada. A mesma organização da separação, a mesma administração da miséria pela droga, pela televisão, pelo desporto e pela pornografia reinam em toda parte, ainda que certamente de modo menos metódico que aqui. Finalmente, estes muros altos não ocultam senão esta verdade de uma explosiva banalidade: são vidas e almas em tudo semelhantes as que se desenrolam de um lado e de outro do arame farpado, e por causa dele.
Se são seguidos com tamanha avidez os testemunhos «do interior», que deveriam finalmente expor os segredos que a prisão oculta, é apenas para melhor ocultar o segredo do que ela é: o da vossa servidão, vocês que são considerados livres ao mesmo tempo que a sua ameaça pesa invisivelmente sobre cada um dos vossos gestos.
Toda a virtuosa indignação que acompanha o buraco negro das prisões francesas e os seus repetidos suicídios, toda a grosseira contra-propaganda da administração penitenciária, que apresenta perante as câmaras guardas prisionais dedicados ao bem-estar dos detidos e directores de prisão zelosos do «objectivo da sentença», resumindo: todo esse debate acerca do horror do encarceramento e da necessidade de humanizar a detenção, é tão velho como a prisão. É necessário partir precisamente da sua eficácia, que permite combinar o terror que deve inspirar com o hipócrita estatuto de punição «civilizada». O pequeno sistema de espionagem, de humilhação e de devastação que o Estado francês emprega em relação aos detidos, mais fanaticamente do que qualquer outro na Europa, não é sequer escandaloso. O Estado paga por ele todos os dias, multiplicado por cem, nos seus subúrbios e isso não é claramente mais do que um princípio: a vingança é a higiene da plebe.

Mas a mais notável impostura do sistema judicial e penitenciário consiste certamente em pretender que ele serve para punir os criminosos quando ele não faz outra coisa senão gerar as ilegalidades. Não interessa que qualquer patrão – e não apenas o da Total –, qualquer autarca – e não apenas o do Hauts-de-Seine [subúrbio ocidental de Paris] -, qualquer bófia, saiba quantas ilegalidades são necessárias para o correcto exercício da sua profissão. O caos das leis é tal, nestes dias, que se torna prudente não procurar fazê-las respeitar em demasia e os próprios stups [polícia francesa encarregue dos narcóticos], fazem bem em apenas regular o tráfico em vez de o reprimir - o que seria social e politicamente suicidário.
A divisão não passa por isso, como pretenderia a ficção judicial, entre o legal e o ilegal, entre os inocentes e os criminosos, mas entre os criminosos que se julga oportuno perseguir e aqueles que são deixados em paz, conforme o exigido pelo policiamento geral da sociedade.

A raça dos inocentes está extinta há muito tempo e a punição não é aquilo a que a justiça nos condena: a punição é a própria justiça. Não se trata por isso, para mim e para os meus camaradas, de «clamar pela nossa inocência», como a imprensa ritualmente se encarregou de escrever, mas de derrotar a arriscada ofensiva política em que consiste todo este infecto processo judicial. Eis algumas das conclusões às quais o espírito é conduzido, ao reler «Vigiar e punir» desde Santé [Prisão parisiense]. Não saberíamos como sugerir, à luz do que vêm fazendo os foucaultianos com os trabalhos de Foucault ao longo de vinte anos, que estes sejam colocados na reforma por estes lados durante uns tempos…


Como analisa aquilo que vos aconteceu?

Desenganem-se: o que nos aconteceu, a mim e aos meus camaradas, há-de vos acontecer também. É desde logo essa a primeira mistificação do poder: nove pessoas vêm-se perseguidas no quadro de um procedimento judicial por “associação de malfeitores relacionados com objectivos terroristas” e deveriam sentir-se particularmente preocupadas com essa grave acusação. Mas não se trata do “caso Tarnac”, mais do que do “caso Coupat”, ou do “caso Hazan” [editor de La Fabrique, chancela que publicou A insurreição que vem].
Trata-se antes de uma oligarquia vacilante em todos os aspectos, que se torna feroz como todo o poder se torna feroz quando se sente realmente ameaçado. O Príncipe não tem qualquer outro apoio que não seja o medo que inspira, a partir do momento em que a sua figura não suscita mais do que o ódio e o desprezo entre o povo.

Trata-se de uma bifurcação com a qual estamos confrontados, simultaneamente histórica e metafísica: ou passamos de um paradigma de governação para um paradigma de habitação, ao preço de uma revolta cruel mas perturbadora, ou deixamos instaurar à escala planetária este desastre climatizado em que coexistem, sob o controlo de uma gestão “descomplexada”, uma elite imperial de cidadãos e massas plebeias mantidas à margem de tudo. Trata-se portanto, em todo o seu esplendor, de uma guerra, uma guerra entre os beneficiários dessa catástrofe e aqueles que possuem da vida uma ideia um pouco menos esquálida. Nunca se viu uma classe dominante suicidar-se com boa vontade.

A revolta tem condições, não tem causas. Quantos ministérios da Identidade nacional, despedimentos à moda da Continental, perseguições aos imigrantes sem documentos ou aos opositores políticos, crianças assassinadas pela polícia nos subúrbios e ministros que ameaçam privar de diploma os que ainda ousam ocupar a sua faculdade, serão necessários para decidir que semelhante regime, mesmo se instalado por um plebiscito aparentemente democrático, não tem qualquer razão para existir e merece apenas ser derrubado? É uma questão de sensibilidade.

A servidão é o intolerável que pode ser infinitamente tolerado. Porque é uma questão de sensibilidade e porque essa sensibilidade é imediatamente política (não na medida em que se coloca a questão “porque vou votar?”, mas antes “será a minha existência compatível com isto?”), torna-se para o Poder uma questão de anestesia, à qual este deve responder pela administração de doses incessantemente mais massivas de diversão, medo e embrutecimento. E lá onde a anestesia deixa de ser operativa, esta ordem, que reuniu contra si todas as razões para a revolta, tenta dissuadir-nos através de uma pequena administração de terror.

Eu e os meus camaradas não somos senão uma variável desse ajustamento. Somos suspeitos, como tantos outros, como tantos “jovens”, como tantos “gangs”, de nos dessolidarizarmos para com um mundo que se afunda. A esse respeito, não dizemos qualquer mentira. Felizmente, o amontoado de escroques, impostores, industriais, financeiros e prostitutas, toda essa corte de Mazarin sob efeito de neurolépticos, de Louis Napoleão em versão Disney, de Fouché domingueiro, que neste momento domina o país, carece do mais elementar sentido da dialéctica. Cada passo que dão no sentido de tudo controlar aproxima-os da sua queda. Cada nova “vitória” da qual se vangloriam alarga um pouco mais o desejo de os ver vencidos a todos. Cada manobra através da qual julgam sustentar o seu Poder acaba por torná-lo mais odioso. Para dizê-lo noutros termos: a situação é excelente. Não é o momento de perder a coragem.

O transiberiano ( documentário)



















Volta à Itália em 80 comboios (documentário)


























VII Curso de Educação Libertária na Escola Paideia, situada em Mérida, na Extremadura ( de 2 a 6 de Setembro)


Queremos transformar o mundo e queremos fazê-lo a partir da baixo, desde a infância.

A educação procura sempre atingir um objectivo, e este depende da ideia e do conceito de pessoa que se tem e da sociedade que desejamos construir


Não cremos nem participamos no ensino oficial, seja público seja privado, e rejeitamos que esse seja o único possível. Face a ele apresentamos um modelo de escola auto-gerida, livre, baseada no princípio da liberdade responsável e na solidariedade entre iguais.

VII Curso de Educação Libertária na Escola Paideia, situada em Mérida, na Extremadura ( de 2 a 6 de Setembro)


A finalidade do curso é fazer conhecer como funciona a escola Paideia, pelo que será eminentemente prático, ou seja, durante esses dias pretende-se mostrar como se vive habitualmente na escola.

O grupo a formar auto-gestionará os dias em que permaneça na escola, tal como se costuma fazer nos dias de aulas, sempre a partir de uma assembleia geral em que as mais diversas pessoas se encontram para se acordarem entre si como e de que maneira irão ser repartidas as mais variadas tarefas, assim como o horário, as actvidades, o tempo para debate, o modo de funcionamento da assembleia geral, os trabalhos de cozinha, de limpeza e as actividades de cáracter manual, etc.

Não esquecer que uma das bases prioritárias da escola da anarquia é a igualdade: igualdade no trabalho, sem discriminação entre trabalho intelectual e manual, igualdade de géneros, de classes, com a aceitação da diversidade que é própria de qualquer colectividade humana.

O lema que a todos norteará será o princípio «de cada um segundo as suas possibilidades, e para cada um segundo as suas necessidades».


O curso pretende ainda dar a conhecere a educação libertária, e a ideologia que a inspira.


Ao mostrar como funciona esta escola livre, pretende-se expor as dinâmicas educativas que são necessariamente diferentes das que são desenvolvidas em outro tipo de escola.


Não existe um programa pré-estabelecido. Caberá à assembleia geral a decisão quanto à sua definição e elaboração.


O preço do curso é de 190 euros, o que inclui a matrícula, pequeno-almorço, alimentação, lanche e material. Os recursos obtidos servirão para apoiar economicamente a escola, cujas contas são sempre deficitárias


Quem estiver interessado em realizar o curso deverá preencher a ficha de inscrição e enviá-la para
info@paideiaescuelalibre.org


Uma vez recebida a ficha de inscrição será enviado por email o nº da conta bancária da escola para onde deve ser depositado o dinheiro da matrícula.


Uma vez que o nº de pessoas será necessariamente reduzido é conveniente que a inscrição seja o mais breve possível

22.8.09

O casal-símbolo de Woodstock continua hoje unido, 40 anos depois do mítico festival, e a defender os mesmo valores de sempre ( liberdade, paz e amor)

Bobby e Nick Ercoline em 1969 e hoje em dia


A imagem dos namorados Bobby e Nick Ercoline abraçados, envoltos em um cobertor, tornou-se um símbolo do festival de Woodstock de 1969. A foto de ambos foi usada na capa do disco com o concerto gravado, e foi tirada sem que eles percebessem.

Casados, entretanto, e vivendo no Estado de Nova York, eles continuam hoje juntos. Não admira que por altura da celebração dos 40 anos do festival eles não tivessem voltado a aparecer na ribalta a fim de dar o seu próprio testemunho

O casal que virou ícone da geração Woodstock ao figurar na capa do álbum e no poster do documentário sobre o festival continua junto até hoje, e ainda mora próximo a Bethel, cidadezinha no estado de Nova York, onde há 40 anos (entre 15 e 17 de agosto) centenas de milhares de pessoas se reuniram para celebrar "3 dias de paz e música".

«Acho que a nossa foto resume bem a ocasião. Ela simboliza todo o evento por traduzir a paz que reinava por lá. É uma foto de um casal de jovens, que estavam cansados e molhados, mas também calmos, em paz e profundamente apaixonados», lembra Nick, que acrescenta: «E estamos juntos até hoje. Podem-nos ver na rua andando de mãos dadas e nos beijando. Não mudou nada, ainda somos daquele jeito.»

«A minha impressão mais forte de Woodstock foram todas aquelas pessoas agindo pacificamente», confessa Nick. «As pessoas que vieram de todas as partes dos EUA e de cada canto do mundo. As pessoas se juntaram e cooperaram entre si, dividiram o que tinham uns com os outros e curtiram toda a experiência daquele fim de semana».

Nick diz que outra impressão importante foi o clima de liberdade que havia tomado Woodstock, com as camisetas e vestidos tingidos em tie-dye e rodas de viola à volta das fogueiras. «Via-se coisas que normalmente não viamos. A polícia estava lá com uma atitude de não incomodar as pessoas. Ou seja, as coisas que fazíamos, legais ou ilegais, eram toleradas por eles – e por nós também. Existia a liberdade de fazer basicamente o que se quisesse, e nós fizemos”.

O único inimigo parecia ser a chuva que castigou o recinto constantemente durante o fim de semana e a consequente lama. Mas nem isso afastou o jovem casal. «Nós ficamos desconfortáveis com a lama, e as outras pessoas também – algumas ficaram incomodadas ao ponto de tirar a própria roupa. Nós tínhamos vinte anos de idade, e quem se ia importar com a chuva?».

Eles estavam a namorar havia três meses. Apesar do congestionamento para chegar a Woodstock no segundo dia de festival (16 de agosto de 1969, um sábado), eles conseguiram chegar à fazenda em Bethel por conhecerem os atalhos das estradas próximas. Àquela altura, sem controle sobre quem ia e vinha, Woodstock já era um festival gratuito, e Nick e Bobbi não tiveram que pagar suas entradas.

Nick, que hoje é funcionário público no Condado de Orange, em Nova York, acha que o legado de Woodstock permanece vivo: «A minha geração mostrou para as pessoas que era possível questionar as autoridades. Nós fizemos isso nos anos 60 contra a Guerra do Vietnam».

Para saber mais:
aqui

Realizou-se mais um encontro ibérico de naturismo para promover esta filosofia de vida (Lista das praias naturistas em Portugal)

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a mensagem.

Viajar de comboio: comboios lendários ( documentário)









Declaração dos revolucionários culturais 2009




Declara Independência!


Esta é uma experiência aberta.
É um pôr em palavras de algo que já está no ar.
Quanto mais esta declaração for lida, pensada ou debatida, mais a sua energia se irá manifestar no nosso mundo e na nossa sociedade.
Se sentes que o que aqui segue escrito ressoa contigo, faz desta também a tua declaração. Procura maneiras de a reler, de a partilhar, e de a colocar em acção.

DECLARAÇÃO DE REVOLUCIONÁRIOS CULTURAIS 2009


Os Revolucionários Culturais, em 2009 …

-vivem, agem e trabalham com e não contra a natureza

-sabem que a vida é demasiado complexa para ser entendida a nível intelectual

-criam e apoiam economias locais e auto-reguladas

-valorizam e protegem a diversidade de qualquer tipo

-valorizam e praticam a interdependência, uma vez que sabem que nada é realmente independente

-consideram-se equivalentes a todas as formas de vida

-protegem e apoiam a vida

-amam e apoiam incondicionalmente as crianças

-trabalham em si mesmo para uma maior consciencialização

-estão familiarizados com os princípios ecológicos e integrám-nos nas suas vidas

-consideram a música e a dança como uma parte integrante da sua expressão e da sua comunicação

-vivem numa terra animada de vida e consideram-na como algo sagrado

-entregam-se e comprometem-se em benefício da sua comunidade

-sabem cultivar os seus próprios alimentos

-experienciam e apreciam a sua percepção sensorial

-celebram a vida

-cooperam

-deixam de pensar de forma “x ou x” para pensar de forma “x e x”

-partilham conhecimentos

-integrar o estar em processo como uma forma de ser e estar

-não se identificam com o seu corpo, nem com os seus pensamentos ou emoções

-vêem a mente como uma ferramenta

-apercebem-se de que não existe Bem ou Mal

-não se identificam com qualquer tipo de rótulo ou categoria social, nem com o seu passado ou o seu futuro

-estão conscientes de que a essência de quem eles são é a própria vida

-assumem a responsabilidade pelas suas emoções

-estão conscientes e valorizam as suas relações com tudo o que de vivo e aparentemente não vivo os rodeia

-valorizam e integram a sabedoria das mulheres

-valorizam e integram a sabedoria das culturas indígenas

-participam e investem em construir relacionamentos no lugar onde vivem

-valorizam o conhecimento generalista

-estão cientes que a mudança é um dos princípios fundamentais da evolução

-trabalham para a diversificação e descentralização

-evoluem do estado de consumidores dependentes para o de produtores responsáveis

-estão à procura de formas pelas quais os seus interesses e os seus talentos se possam desenvolver

-resistem e eventualmente desobedecem a qualquer lei que ilegalize formas de auto-governo, auto-produção e sustentabilidade

-estão informados sobre o actual sistema monetário e identificam-no como uma forma contemporânea de escravidão

-identificam e boicotam monoculturas biológicos, culturais, sociais e filosóficas

-boicotam monopólios de qualquer tipo

-questionam quem quer que promova uma única solução

-valorizam a ética ambiental e humana sobre qualquer tipo de maximização de lucros

-boicotam empresas e bancos que operem com fins puramente lucrativos e de maximização de lucros

-estabelecem terras e florestas como bem comum

-estabelecem a água como bem comum

-estabelecem a biodiversidade e o conhecimento como bem comum

-estão conscientes de que todo o tempo participam no processo de co-criação

-permitem que a vida se desenvolva através deles

Berlim, 03/2009

http://culturalrevolutionaries.org/

http://www.art-ecology-education.org/

http://www.soundofsirens.net/


The Declaration of Cultural Revolutionaries for 2009 is an open experiment that is “putting in words of what is already in the air.” Read it, print it, post it, send it.



Governo lança alcatrão contra a população: a freguesia Branca (Albergaria-a-Velha) vai ser atravessada por 3 auto-estradas!!!




O Governo e seus lobbies investem no betão das auto-estradas financiadas pela União Europeia sem respeitarem as directivas europeias sobre a protecção de ambiente e das espécies, nem terem em conta o património cultural, natural e histórico nem tão-pouco os interesses das populações atingidas.

De facto, o Governo português transpõe as directivas europeias para o direito nacional mas não o aplica. Aposta na falta de iniciativa do povo e nos vícios de forma e na nebulosidade para não cumprir as directivas e assim levar a efeito projectos irracionais.

A população da cidade da Branca, do conselho de Albergaria-a-Velha, cansada perante o mutismo do Governo, das desculpas de mau pagador dos ministérios e dos paliativos políticos, vê-se na necessidade de dar passos mais decisivos para levar a efeito a defesa dos seus direitos contra a construção da A32.

A A32 vem servir São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha e Águeda, apesar de, junto a estas cidades, já passarem duas auto-estradas no sentido Porto-Lisboa. De início, com o governo PSD, só tinha sido projectado o troço até S. João da Madeira e de S.João da Madeira até à A29 em Ovar, como resposta a uma política de alargamento da área metropolitana do Porto (Cfr. Decreto-Lei n.º 210/2003, de 15 de Setembro). O Governo PS, que parece só conhecer Lisboa, quer fazer daquela iniciativa regional, uma terceira auto-estrada no sentido Norte-Sul até Lisboa. O povo da Branca bem se ergue nos bicos dos pés para dizer que o Norte também existe e deve ser contemplado nos seus interesses. É uma luta de David contra a megalomania centralizadora do Golias Governo. Para se tornar eficiente terá de usar a fisga tribunal, doutro modo, eles comem tudo e no deixam nada…

O traçado a nascente (PDM) constitui um abuso de poder e além do mais passaria por um espaço de reserva ecológica nacional. Comporta a construção dum viaduto de 995 metros, com pilares de 35 metros de altura, com pendente constante de 6%, passando pelo meio de casas. O traçado destruiria, na encosta do monte de S. Julião, 35 minas e pontos de água. O património histórico seria destruído, e a imagem paisagística da Branca seria irremediavelmente destruída além da poluição de águas, poluição sonora e atmosférica. O impacto ambiental seria irreparável. A fauna e flora da área (falcões, esquilos, javalis, etc.) seriam abatidas.

O Prof. Doutor Humberto Flávio Xavier, professor de direito público e advogado, esteve numa cessão de esclarecimento da “AURANCA” (Associação do Ambiente e Património da Branca) para ouvir e dar esclarecimentos sobre estratégias a seguir em defesa dos direitos em causa.

Para que a acção popular tenha resultados positivos será preciso intentar várias medidas na fase pré-contenciosa para depois se passar à fase contenciosa. Será necessário alertar a Greenpeace internacional e as autoridades competentes da Comissão Europeia chamando a atenção para o incumprimento do direito ambiental e para a transgressão de direitos humanos. A União Europeia não poderá disponibilizar verbas a serem aplicadas em projectos que transgridem o direito europeu. Além disso há uma directiva europeia que impede empreendimentos que destruam a imagem da zona, que destruam zonas paisagísticas expressivas e específicas dos locais.

Como ultima ratio e paralelamente será necessário colocar a questão, primeiramente, em tribunais nacionais. Para isso proprietários de terrenos por onde passaria a auto-estrada e cidadãos prejudicados com a passagem do traçado pelo local e terceiros deverão juntar-se para mover uma acção colectiva em tribunal. Foi proposto que a “Auranca” assumisse o papel de fazer o levantamento das pessoas implicadas no processo e dispostas a custear as despesas de tribunal. Assim se manteriam baixos os custos duma acção de grupo que nomearia os representantes para o representar nas questões processuais jurídicas.

Acabadas as férias urge meter mãos à obra. Doutro modo os políticos continuarão o jogo das escondidas com a EP (Estradas de Portugal) e a não levar a sério os cidadãos e seus representantes directos: Junta da Freguesia e Câmara Municipal votaram contra o traçado a nascente.
Além do mais, há matéria para ocupar o tribunal europeu em Bruxelas, não sendo de desprezar também uma acção por desrespeito dos direitos humanos.

É de considerar que, neste projecto público como noutros, o Governo só parece interessado em gastar dinheiros sem ter também em conta as despesas de manutenção que hipotecarão o futuro dos mais jovens.

António da Cunha Duarte Justo
antoniocunhajusto@googlemail.com




HINO DA VILA DA BRANCA

A BRANCA É UMA LINDA TERRA
POR TODA A PARTE BELEZA E SERRA
PAISAGEM LINDA E BOA GENTE
QUE SEMPRE VIVE ALEGREMENTE
DE TUDO O QUE HÁ NESTE RECANTO
TÃO BONITINHO QUE É UM ENCANTO
NÓS TEMOS OS NOSSOS CORAÇÕES
CHEIOS DE GRATAS RECORDAÇÕES

A BRANCA É TERRA BEM FORMOSA
MUITO ALEGRE, MUITO AIROSA
ONDE SE VIVE SEMPRE A CANTAR
DE OLHAR PERDIDO NO NOSSO MAR
DE TUDO O QUE HÁ NESTE RECANTO
TÃO BONITINHO QUE É UM ENCANTO
NÓS TEMOS OS NOSSOS CORAÇÕES
CHEIOS DE GRATAS RECORDAÇÕES

A vila da BRANCA está em luta!

A esmagadora maioria da população da Vila da Branca, e os 4.247 cidadãos que validaram os fundamentos da nossa reivindicação, propõem-se a entregar junto do Governo Civil de Aveiro, cópia de Abaixo-Assinado e da Contestação Técnica ao Despacho da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) sobre o traçado a adoptar na Auto-estrada A32/IC2, nomeadamente o que está previsto para a freguesia da Branca, pois consideram que:

É um traçado com impactes irreversíveis para a paissagem da BRANCA, destruindo-a para sempre.

Tem custos sociais altamente negativos para as populações, nomeadamente para as dos lugares de Fradelos e de Casaldima.

Destrói a estação arqueológica do Monte S. Julião com grande valor histórico.

Corta a meio a zona industrial de Albergaria-a-Velha, uma das mais importantes da região de Aveiro, criando um efeito tampão ao seu crescimento para Norte.

Destrói os recursos hídricos da encosta central da BRANCA que é a base de apoio de regadio à agricultura da zona baixa da BRANCA.

Torna a zona baixa central da BRANCA, comletamente vulnerável ao risco de contaminação por eventual acidente naa via, de derrame de produtos tóxicos e perigosos.

É a solução economicamente mais dispendiosa em termos de custos de investimento, sem nenhum ganho ambiental de contrapartida, antes pelo contrário.

Por isso propõem-se:

A bem da qualidade de vida da população da BRANCA, da salvaguarda do seu património paisagístico, histórico e arqueológico, que o Estudo de Impacte Ambiental seja realizado e alterado, optando pelo traçado base (solução 1) a poente do IC2.

Que após a adopção da solução base (solução 1) sejam minorados os seus impactes negativos, com vista à salvaguarda das populações que pontualmente são atingidas com a implantação da auto-estrada A32.

AURANCA

O Jardim Nómada (Le Jardin Nomade) em Portugal


A Horta ou Jardim Nómada é uma caravana-jardineira que percorreu o trajecto entre Brest (na França), de onde partiu no passado dia 1 de Julho, até chegar a Setúbal, no próximo dia 1 de Setembro. Trata-se, no fundo, de um projecto que tem por objectivo partilhar experiências e trocar ideias sobre as hortas, ao mesmo tempo que pretende testemunhar a dinâmica e as potencialidades das “hortas partilhadas” na actualidade.
O «Jardim Nómada», composto por 5 membros, contactou com as hortas partilhadas que foi encontrando ao longo da rota seguida, desde França passando por Espanha até Portugal, realizando cerca de 20 etapas em 60 dias. No final, uma horta será construída com os habitantes locais com a terra vinda das hortas da cidade de Brest (França) e de plantas colhidas nas diversas hortas de França.


O que é uma horta partilhada ?
Uma horta partilhada é uma horta dinamizada por uma associação que propõe actividades de horticultura destinadas a sensibilizar as pessoas para a defesa do ambiente e educação para a cidadania. Pretende também criar laços entre os habitantes do local e facilitar a inserção de outros. Serve ainda para valorizar os recursos locais e é gerida colectivamente. Situa-se em geral em terreno cedido pela Câmara municipal ou por outras entidades (hospitais, Caminhos de ferro…)



A caravana Jardim Nómada começou por estar em Ponte de Lima no dia 9 de Agosto ( ver
aqui) no Festival Internacional dos Jardins que ali se realiza anualmente e que decorre durante estes meses de Verão.

Passou depois pelo Porto ( ver aqui) onde contactou o Projecto da Horta da Formiga

Seguiu para Coimbra onde visitou as Hortas do Ingote e o jardim vinculado à Escola Agrícola, as Hortas do Bispo


Uma tarde em Lisboa passada com a Starhawk ( relato)


A sessão com Starhawk correu muito bem. Vieram cerca de 30 pessoas, algumas de longe, todas muito motivadas para conhecer a Starhawk. Começámos no terraço num círculo onde ela explicou um pouco como tudo começou para ela, porque é que fez sentido juntar activismo com espiritualidade e mais tarde permacultura. Contou como fizeram o primeiro ritual pagão num protesto contra uma central de carvão e que as pessoas gostaram, porque, como diziam, "estar por aí à espera de ser preso acaba por ser um tédio...".


Depois fomos para a sala dos Reis onde nos instalámos confortavelmente em cima de mantas no chão enquanto a Starhawk mostrava fotografias de algumas acções e projectos em que participou, desde os protestos contra a OMC (No de Cancún usaram técnicas de permacultura para montar o acampamento dos activistas, acabando por ensinar à população como captar água da chuva e reutilizar águas cinzentas), passando por guerrilla gardening (Em San Francisco ensinaram centenas de pessoas a propagar plantas e criaram um mercado semanal que se chama "The really REALLY free market") até exemplos de permacultura aplicada em zonas degradadas de cidades (como o South Bronx).


Marcou-me um exemplo lindo da vila de Portland, Oregon, onde o que começou como guerrilla gardening acabou por transformar a cidade, com verdadeiras obras de arte feitas em madeira e uma espécie de adobe: bancos estilo Gáudi com mosaícos lindos, quiosques de chá onde um vizinho deixava sempre uma garrafa térmica de chá quente, pontos para trocar objectos ou livros e mandalas pintadas nas praças e em cruzamentos.

Outro exemplo marcante foi o drama vivido em Nova Orleães e como activistas de todo o país se juntaram para fazer aquilo que o governo e as grandes ONG's não foram capazes de assumir. A Starhawk foi para lá com um grupo para fazer "bio-remediação", limpar e regenerar os solos com plantas (a terra tinha ficado contaminadíssima com metais pesados e toxinas).

Terminámos a sessão com um ritual, cantando em 3 línguas "Ela muda tudo o que toca, e tudo o que toca muda" (O Marcos preferiu a versão "Ela muda tudo o que toca e tudo aquilo que ela toca muda" :-))) ) Ela refere-se obviamente ao nosso planeta Gaia. Mandámos um desejo para ter a energia e ajuda que precisámos para fazer as mudanças necessárias.

Já com a noite a cair ainda visitámos a horta, que devo dizer já está bem mais composta com as novas placas e novos caminhos! A Starhawk analisou rapidamente a terra e disse que o que lhe falta sobretudo é matéria orgânica. Temos que pôr camadas e camadas de mulch e de composto para compensar os anos de maus-tratos. Aconselhou também a plantar umas variedades (ex girassóis e Indian mustard plant), que limpam o solo dos metais pesados e outras toxinas .

Por falta de quorum para jantar popular, levei a Starhawk ao restaurante Psi com mais duas pessoas a fazer companhia. Hoje passeei um pouco com ela por Alfama e zona do castelo, fiz lhe panquecas e levei-a ao aeroporto. Acho que ela ficou contente e gostou de ter conhecido uns activistas mais grassroots, pois apesar de ela louvar o projecto Tamera, ela considera que precisamos de guerreiros no terreno


Retirado de:


Ver ainda:
http://starhawksblog.org/

Monarquia de Escada Abaixo



Texto de Nicolau Saião, retirado do blogue:
http://triplov.com/blog/



MONARQUIA DE ESCADA ABAIXO?

Como o leitor saberá pois os órgãos de informação noticiaram-no, um quarteto de monárquicos orbitrados num blog conhecido pela amável agressividade anti-republicana na qual se mescla uma agradável sobranceria fidalga (ou fidalgota, segundo alguns) talvez filha da inexistência de horizontes ideológicos consideráveis (acham-se partidários do Sr. Duarte Pio, o que já por si é relativamente constrangedor – vide as polémicas que rodeiam e rodearão o seu caso em Itália e já também em Portugal), mascarados de Darth Vader colocaram, pela calada da noite, uma bandeira da sua “causa ideológica” na Câmara de Lisboa. Um acto típico de felizes filhos família, dir-se-ia.
Em estilo de estudantes coimbrões, que fizeram lenda.
Nesse caso aceitava-se…

Mas o mais ridículo, embora ligeiramente inquietante, é que vieram a público com propósitos discursivos de tom reivindicatico e adusto, como se a República tivesse culpa das existência, nela, de ferreiras leites e josés sócrates pouco apelativos ou francamente descartáveis.

O geral dos comentários da trupe real que lhes louvou o acto, aduzido à explicação dada pelos darth vaders que efectuaram a acção, é de uma confrangedora relevância de análise.

Primeiro ponto: não foi como pretendem um acto de guerrilha ideológica, foi uma provocação de adeptos de um regime que a História expeliu e negou. Não foi uma provocação a políticos incapazes, mas uma provocação ao povo português. Para além de cliques interesseiras, querem que este também sustente pseudo-élites de ascendência…descendente.
Ou seja, um abuso pedante e nada mais.

Segundo ponto: esta acção é, claramente, um “apalpar de pulso“. Pois sabe-se o que “anda no ar real”. Nessa perspectiva, deve ser encarada como um acto ilegal e susceptível de punição.
O povo e a nação merecem mais respeito, tanto de “republicanos” interesseiros como de monárquicos “guerrilheiros”.

O desplante com que estes monárquicos de navegação à vista agem é pasmoso e revela bem o seu deficiente senso comum e a sua (in)sensatez formal. Tiveram um desarrincanço…guerrilheiro – de que a seguir, (porque serão eventuais “guerrilheiros por correspondência”, como dizia nos tempos do PREC um pobre diabo pseudo-esquerdista que ficou tristemente famoso no Alentejo) depressa se enrolaram em timidez.

E agora, pouco corajosamente, apelam para a comiseração e a desculpa da República que detestam! Querem conversações…

Isto dito, importará referir: a sua proposta é uma atitude de sobranceria alfacinhista, a não ser que seja uma simples garotada.

Mas não nos parece que seja. Com efeito, por detrás dum pretenso direito de manifestação (?)perfila-se uma pequena actuação claramente sediciosa. De pessoas inteligentes, que sabem bem o que querem: aproveitar a criticável actuação de governantes para visivelmente tentarem impor - mais do que pontos de vista - sim a elevação de uma ideologia não sancionada em eleições e claramente recusada pelo devir histórico.

Por detrás duma acção pretensamente corajosa e “engraçada” assoma o perfil sinistro de partidários de autocracias que a História já pôs de parte.


Os republicanos devem estar atentos e não deixarem que colem a estes gestos o perfil daquilo que não são: acto filho da liberdade de expressão. Ou brincadeira de intelectuais a meio-pano…

São sim uma acção concertada de neo-privilegiados que o querem ser de todo e que, afinal, começam por se propôr mediante um acto ilegal e realmente autoritário.

Não lhes façamos a vontade, mesmo de arraial.

Nicolau Saião

A bandeira monárquica ou como a actual sociedade portuguesa se parece mais com uma Monarquia do que com uma República



Por alguns momentos nos braços de uma duquesa!


Será por causa de uns tipos hastearem a bandeira monárquica que deixo de ser republicano?!... Evidentemente que não! Mas não deixo de pressentir que ando fora do tempo. O tempo que vivemos é muito mais monárquico que republicano. Andamos a ser governados por barões, duques, princesas e outros que vivem em “re(g)alezas”.

A bandeira é o símbolo representativo de uma sociedade e a monárquica é a que mais se ajusta à nossa sociedade dominante. Onde encontram presunção maior, loquacidade mais sublime, que a de um barão?!... Não será esse o título que melhor se adequa a Sócrates?!...

Perguntem a Eça e reparem que, nas épocas de decadência, os reis e os nobres tinham sempre presente a necessidade de garantir ao povo que as suas barrigas ficavam abarrotadas a troco do apoio que lhes desse.

De igual forma, Sócrates garante que é dele, e só dele, a felicidade dos portugueses. Até já descobriu que é vantagem o que sempre desprezou: tornou o socialismo das novas tecnologias, do TGV e das auto-estradas a rodos no maná que irá cair sobre toda a república!

Lembram-se de quem escreveu um dia: "O patriotismo das formas de governo é o último refúgio de um imbecil"?!... Este senhor, Samuel Johnson, editor das obras de Shakespeare, garante que “ Se não fosse a imaginação, o homem seria tão feliz nos braços de uma criada quanto nos de uma duquesa”.

A nossa imaginação tem-nos traído. Julgávamos que Sócrates viria resolver os nossos problemas, a ponto de nos sentirmos nos braços de uma duquesa, e ficamos estendidos na penúria.

Coloquemos um chapéu de coco e pensando debaixo para cima, deixemo-nos elevar pela imaginação ao nivel dos braços de uma duquesa. Pode ser que, pelo menos, durante alguns instantes, nos sintamos honrados e felizes.


Estou certo que foi esse o propósito dos homens do “31 da Armada”: amaciar o nosso “ego”! E não são nenhuns andrajosos verdes eufémios, o que se harmoniza com o perfil socrático!

Seminário de Verão sobre Política de afectos e o imaginário da resistência quotidiana (Affective politics & the imagination of everyday resistance)

Decorre até ao próximo dia 26 de Agosto na livraria Bluestockings em Nova Iorque o Seminário de Verão «Política de afectos e o imaginário da resistência quotidiana» (Affective Politics & the Imagination of Everyday Resistance) sob a coordenação de Jack Z. Bratich e Stevphen Shukaitis

Consultar:
http://bluestockings.com/
http://stevphen.mahost.org/affectivepolitics.html




Recently, “affect” has been a key concept for research in politics, aesthetics, marketing, neuroscience, and sociology.

This course seeks to draw together some of the more innovative work within this “affective turn,” focusing on the political composition of subjectivities, especially via cultural practices.

After a survey of some conceptual foundations of affectivity, we explore its relation to group-formation, labor, technology, value, passions (fear, panic, trauma, joy, love), actions, and creativity.
The course will feature guest speakers engaged in affective politics and involve group discussions on the affective nature of practices participants are involved in.


Readings are divided into core and supplementary readings. The core readings (noted with a star *, approximately 50 pages) will be used to form the basis of discussion. Please make sure that you have read the core readings before the meeting for that week Supplementary readings are materials arguments will be drawn from and would be useful for pursuing particular topics further but are not necessary to read before discussion. Reading core materials is highly encouraged and will greatly aid in having engaging and interesting discussions.



Week 1: Intro: Affective Foundations & Subjectivity

* Emma Dowling, Rodrigo Nunes and Ben Trott (2007) “Immaterial and Affective Labor: Explored,” ephemera: theory & politics in organization Volume 7 Number 1: 1-7.

*Free Association (2006) “What is a life?” Available at
www.nadir.org.uk/whatisalife.html

*Seigworth, Gregory and Melissa Gregg (forthcoming) ‘An Inventory of Shimmers’: Affect, for Now.

Massumi, Brian (2002) “Autonomy of Affect,” Parables for the Virtual: Movement, Affect Sensation. Minneapolis: University of Minnesota Press.

Clough, Patricia Ticineto with Jean Halley, Eds. (2007) “Introduction,” The Affective Turn: Theorizing the Social. Durham, NC: Duke University Press.

Brennan, Teresa (2004) “Introduction” Transmission of Affect. Ithaca: Cornell University Press.

Spinoza, Baruch (1677) “Of Human Bondage, or the Strength of the Affects.”


Readings for this week here.


Week 2: Labor & Value


*Affective capitalism: http://p2pfoundation.net/Affective_Capitalism

*Ahmed, Sara (2004) “Affective Economies” Social Text 22: 2

*Negri, Antonio (1999) “Value and Affect,” boundary 2 Volume 26 Number 2: 77-88.

Hardt, Michael (1999) “Affective Labor,” boundary 2 26:2: 89-100.

Mezzadra, Sandro. “Taking Care: Migration and the Political Economy of Affective Labor.”

Prada, Juan Martin. “Affective Link. Policies of affectivity, aesthetics of biopower.”

Prada, Juan Martin. “Economies of Affectivity.”

Readings for this week here.



Week 3: Affect & Technology

*Pybus, Jennifer. “Affect and Subjectivity: A case study of Neopets.”

*Berardi, Franco “Bifo” (2009) “Info-labor and precarization,” Precarious Rhapsody: Semiocapitalism and the pathologies of post-alpha generation. London/New York: Minor Compositions: 30-55.

*Arvidsson, Adam (2006). “Quality Singles: internet dating and the work of fantasy,” New Media and Society 8:4.

Guattari, Félix. “Cinema of Desire,” Soft Subversions. New York: Semiotext(e)

Clough, Patricia Ticineto (2001) Autoaffection: Unconscious Thought in the Age of
Teletechnology. Minneapolis, MI: University of Minnesota Press.

Readings for this week here.



Week 4: Affect & Sad Passions

*Brown, Wendy (1999) “Resisting Left Melancholy” boundary 2 26:3.

*Marazzi, Christian. “Who Killed God Pan?” ephemera: theory & politics in organization Volume 4 Number 3: 181-186.

*Feel Tank Chicago: http://feeltankchicago.net

*Berardi, Franco “Bifo” (2008) Félix Guattari: Thought, Friendship, and Visionary Cartography. Trans. Giuseppina Mecchia. New York: Palgrave.

Massumi, Brian (2005) “Fear (The Spectrum Said).” Positions 13:1.

Dalla Costa, Maria (2002) “Door to the Garden.”

Berardi, Franco “Bifo” (2009) “Dark Desires,” Precarious Rhapsody: Semiocapitalism and the pathologies of post-alpha generation. London/New York: Minor Compositions: 30-55.

Readings for this week here. Bifo reading here.



Week 5: Affect & Joyful Passions

*Hardt, Michael (1993) “Spinozian Practice: Affirmation and Joy,” Deleuze: An Apprenticeship in Philosophy. Minneapolis: University of Minneapolis Press.

*Shukaitis, Stevphen (2007) “Affective Composition and Aesthetics: On Dissolving the Audience and Facilitating the Mob,” Journal of Aesthetics & Protest.

*Curious George Brigade (2003) “Beyond Duty and Joy,” Anarchy in the Age of Dinosaurs. New York: CrimethInc Ex-Workers Collective: 33-40.

Weinstone, Ann (2004) Avatar Bodies: A Tantra for Posthumanism. Minneapolis: University of Minnesota Press.

Berardi, Franco “Bifo” (2009) “77: The Year of Premonition,” Precarious Rhapsody: Semiocapitalism and the pathologies of post-alpha generation. London/New York: Minor
Compositions: 30-55.

Readings for this week here.



Week 6: Affect, Creativity & Action

*Brennan, Teresa (2004) “Transmission in Groups” Transmission of Affect. Ithaca: Cornell University.

*Precarias a la Deriva (2006) “A Very Careful Strike – Four Hypotheses,” the commoner Number 11: 33-45.

*Lohmann, Peter and Steyaert, Chris (2006) “In the mean time: Vitalism, Affects, and Metamorphosis in Organizational Change,” Deleuze and the Social. Eds. Martin Fuglsang and Bent Meier Sorenson. Edinburgh: Edinburgh University Press.

Grindon, Gavin (2007) “The Breath of the Possible,” Constituent Imagination: Militant Investigations // Collective Theorization. Ed. Stevphen Shukaitis and David Graeber with Erika Biddle. Oakland, CA: AK Press: 94-107.


Readings for this week here.



Week 7: Affective Resistance in the Open

*Bratich, Jack. "Affective Convergence in Reality Television: A Case Study in Divergence Culture "

*Genosko, Gary. “Transversality,” Félix Guattari: An Aberrant Introduction. London: Continuum Press.

Foucault, Michel (1997) “What is Revolution?” The Politics of Truth. New York Semiotext(e).

Bratich, Jack (2009) “Subjectivity Rosa: Undercurrent Affairs,” Fifth Estate Volume 44 Number 1.

Agamben, Giorgio (2004) The Open: Man and Animal. Stanford: Stanford University Press.

Readings for this week here.



Additional readings:

dowload folder of additional readings here
“Immaterial and Affective Labor: Explored,” ephemera: theory & politics in organization Volume 7 Number 1.
Abel, Marco (2009) Violent Affect: Literature, Cinema and Critique After Representation. Lincoln: University of Nebraska Press.
Ahmed, Sara (2004) The Cultural Politics of Emotion. New York: Routledge.
Berlant, L., Najafi, S., & Serlin, D. (2008). “The Broken Circuit: an Interview with Lauren Berlant,” Cabinet Magazine Issue 31: Shame, 85.
Bennett, Jill (2005) Empathic Vision: Affect, Trauma, and Contemporary Art. Stanford: Stanford University Press.
Best, Susan (2007) “Rethinking Visual Pleasure, Aesthetics and Affect,” Theory & Psychology Vol. 17(4): 505–514.
Blackman, Lisa. (2008) “Affect, Relationality and the `Problem of Personality',” Theory, Culture & Society. Vol. 25 (1): 23–47.
Bratich, Jack Z. (2008) Conspiracy Panics: Political Rationality and Popular Culture. Binghamton: SUNY Press.
Brook, Brook (2009) “The Alienated Heart: Hochschild’s ‘emotional labor’ thesis and the anticapitalist politics of alienation,” Capital & Class 98: 7-31.
Cote, Mark & Jennifer Pybus (2007) “Learning to Immaterial Labor 2.0: Myspace & Social Networks,” ephemera: theory & politics in organization Volume 7 Number 1.
Deleuze, Gilles. Lecture Transcripts on Spinoza’s Concept of Affect.
www.gold.ac.uk/media/deleuze_spinoza_affect-1.pdf
Dowling, Emma (2007) “Producing the Dining Experience: Measure, Subjectivity and the Affective Worker,” ephemera: theory & politics in organization Volume 7 Number 1.
Duncombe, Stephen (2007) Dream: Re-Imagining Progressive Politics in an Age of Fantasy. New York: New Press.
Federici, Silvia (2004) Caliban and the Witch: Women, the Body, and Primitive Accumulation. Brooklyn, NY: Autonomedia.
Federici, Silvia (2008) “Precarious Labor: A Feminist Viewpoint,” In The Middle of a Whirlwind: 2008 Convention Protests, Movement, and Movement. Los Angeles: Journal of Aesthetics & Protest Press. Available at
www.inthemiddleofawhirlwind.info.
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Gorton, Kristyn (2007) “Theorizing emotion and affect: Feminist engagements,” Feminist Theory Vol. 8(3): 333–348.
Gorton, Kristyn (2007a) Psychoanalysis and the Portrayal of Desire in Twentieth-Century Fiction: A Feminist Critique. Lewiston, NY: Edwin Mellen.
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Hold, Christian, Ed. (2009) Emotional Cartography: Technologies of the Self.
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Web resources:
Aarg:
http://a.aaaarg.org/
Activist Trauma:
www.activist-trauma.net
CSeARCH:
http://scm-rime.tees.ac.uk/VLE/DOMAIN/CSeArch/TABS/About.asp
Dicentra Collective:
www.dicentracollective.wordpress.com
Generation On-Line:
http://www.generation-online.org
Icarus Project:
www.theicarusproject.net

1.8.09

Voltámos já...


Uma surtida por outras terras, mais ou menos involuntária, mais ou menos imprevista, impõe-se ... Talvez que estas paragens dêem aquilo que as aglomerações não conseguem... Coisas simples, obviamente...
Voltámos já.



Ai que linda troca de olhos, ai que linda troca de olhos
Fizeram-me agora ali, fizeram-me agora ali
Trocaram-se os olhos pretos, trocaram-se os olhos pretos
Por uns outros que eu bem vi, por uns outros que eu bem vi

Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim
Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim


Tenho a chula no meu corpo, tenho a chula no meu corpo
Tenho o vira nos meus braços, tenho o vira nos meus braços
Quando eu trabalhar por gosto, quando eu trabalhar por gosto
Nem vou saber de cansaços, nem vou saber de cansaços

Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim
Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim

Meu amor não me falou, meu amor não me falou
Fez-me linda companhia, fez-me linda companhia
Ai às quatro é de noite, ai às quatro é de noite
E às cinco é de dia, e às cinco é de dia

Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim
Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim

Dizem que é da justiça, dizem que é da justiça,
De dar o seu ao seu dono, de dar o seu ao seu dono
Mas porque entregar terras, mas porque entregar terras
A quem as deixa ao abandono, a quem as deixa ao abandono


Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim
Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim

Dizes que gostas de mim, dizes que gostas de mim
O teu gosto é só um engano, o teu gosto é só um engano
Tu cortas na minha vida, tu cortas na minha vida
Como a tesoura no pano, como a tesoura no pano

Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim
Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim

Não tenho cama nem casa, não tenho cama nem casa
Ando por quatro caminhos, ando por quatro caminhos
Dois que cheiram mal se vêm, dois que cheiram mal se vêm
Outros dois com mais cheirinho, outros dois com mais cheirinho

Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim
Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim


Ouvir aqui o tema cantado por Sheila Charlesworth
Composição: Tradicional (Adaptação de Fausto e Sérgio Godinho)



AMIGO

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O'Neil