15.7.09

Elementos à Solta ( que junta Arte e Natureza): a 4ª edição realizou-se no passado fim de semana na aldeia de Cerdeira, na Serra da Lousã



Anualmente, em Julho, a 700m de altitude há uma Aldeia do Xisto – Cerdeira – que protagoniza uma exposição/encontro artístico – «Elementos à Solta».São convidados artistas para residir, expôr, trabalhar ao vivo e conviver com o público em cenário natural.


Foi a vontade de retirar as Artes dos recintos fechados, de «povoar» e realçar a beleza desta
Aldeia do Xisto recuperada, de voltar a colocar os materiais transformados perto das suas raízes, que levou Kerstin Thomas, uma alemã residente na aldeia há 20 anos, a conceber «Elementos à Solta».


«Elementos à Solta» nasceu num ambiente privilegiado: uma ALDEIA do XISTO recuperada, uma SERRA com fauna e flora endémica, MÚSICA e ARTE.Apesar de Natureza e Arte coexistirem desde sempre, raramente a Natureza é escolhida como cenário de mostra de trabalho. Museus e Galerias são normalmente os locais de eleição para mostrar o que o HOMEM concebe inspirado na NATUREZA – a ARTE. Aqui o MUSEU é ao ar livre!

Este ano, a 4ª edição dos «Elementos à Solta» aconteceu no passado fim-de-semana, 11 e 12 de Julho. Houve Música e a Arte a conviverem com a Natureza, para 2009, e realizaram-se diversos workshops, para além das habituais exposições, ateliers, e provas de chás biológicos e sal aromático. Não faltaram evidentemente os petiscos da Serra da Lousã, e um bar para servir os forasteiros

Este encontro artístico em cenário natural começava loga à entrada da aldeia com uma exposição colectiva dos artistas, e desenrola-se ao longo do percurso pela aldeia. Podia-se apreciar e adquirir obras artísticas em ferro, barro, madeira, papel e têxtil.


ARTISTAS PARTICIPANTES de 2009
AFONSO CANCELA * ANTÓNIO FERNANDES * FILOMENA ALMEIDA * GUIDA FONSECA * IDÁLIO DIAS * JOSÉ VICTOR * KERSTIN THOMAS * LUÍS PIRES * VANDA VILELA * VASCO BALTAZAR * VIRGÍLIO PEIXE * XANA MONTEIRO
Convidados especiais LUIS CORREA E NANCY RODRIGUEZ (CUBA)

Este ano, os Elementos à Solta inovaram e tinham à sua disposição 5 ateliers onde podia-se interagir com os artistas e com as matérias. Cerâmica, tecelagem, escultura em papel, ferro e madeira são as artes que se podia experimentar.

Quanto à música, a animação esteve a cargo da Astedixie Jazz Band Formada em 1998 com o objectivo de divulgar o dixieland, a Astedixie Jazz Band já percorreu inúmeros palcos por todo o país e no estrangeiro. Composta por 5 elementos e oriunda da Lousã, a Astedixie Jazz Band trouxe os sons característicos de New Orleans, provocando a boa disposição, característica deste estilo musical.
Trompete – Celso Gregório; Trombone – Zé Rui; Sousafone – Renato Correia; Banjo – Nuno Antão; Washboard – Rafael Ventura



Instrumentista, compositor e construtor de instrumentos, Fernando Meireles veio novamente este ano alegrar a aldeia com o som da Sanfona. Amante da música de cariz tradicional desde longa data e fundador do grupo «Realejo», Fernando Meireles é, neste momento, o maior impulsionador e o único construtor deste instrumento em Portugal.
http://www.myspace.com/manbellas

A Planta do Xisto também esteve presente nos Elementos à Solta. Nascidas na aldeia, estas plantas aromáticas, condimentares e medicinais são produzidas em Agricultura Biológica.
Pudemos provar e adquirir 100% natural – chás e sal aromático – ou, ainda, plantas em vaso.



Informações e fotografias : http://elementosasolta.blogspot.com/
Reportagem da 4ª edição dos Elementos à Solta ( em 2009)



14.7.09

Jornada de trabalho voluntário de reflorestação no Cabeço Santo, situado na Serra do Caramulo ( Sábado, dia 18 de Julho)




No próximo Sábado, dia 18 de Julho, realizaremos uma jornada de trabalho no Cabeço Santo, durante a qual teremos também a oportunidade de observar no terreno os últimos trabalhos realizados por várias equipas de profissionais e ficar com uma ideia mais clara dos desafios que aí se colocam. Os trabalhos a realizar serão leves, como cuidar das árvores plantadas este ano e cortar plantas de espécies invasoras com tesourões. O programa será contudo adaptado às condições meteorológicas que se apresentarem, pois que o objectivo desta jornada não é tanto a realização de trabalho mas, através de algum dele, dar uma ideia aos participantes do que é necessário fazer aqui para atingir os objectivos do projecto: recuperar áreas biologicamente degradadas para formações nativas próximas das que espontaneamente existiriam aqui.

O projecto oferece a alimentação para os inscritos até Quinta-feira à noite: almoço e lanche em forma de piquenique. Haverá um ponto de encontro junto à estação de caminhos de ferro em Aveiro às 8:30h, na sede da Quercus às 8:45h e no parque de merendas do Moinho de Vento às 9:30h. Devem trazer calçado e indumentária adequadas.

Entretanto, no terreno, as equipas continuam o seu trabalho. A equipa da Associação Florestal do Baixo Vouga deixou já as últimas (antigas) terras agrícolas de Belazaima-a-Velha e progride agora na margem direita do Ribeiro em direcção ao vale 5. A área é agora por vezes muito escarpada, colocando grandes desafios. Alguns locais são mesmo inacessíveis a homens a pé com motosserra na mão pelo que as acácias aí existentes terão de ser eliminadas por outros meios.

Outra equipa continua a trabalhar numa área de alguns hectares junto ao vale 7, a área que fica junto à Casa de Santa Margarida. Uma terceira equipa iniciou esta semana os trabalhos de limpeza do vale 3, logo à entrada da propriedade gerida pela Silvicaima. Finalmente uma quarta equipa trabalhou já numa área junto ao vale 6 e trata agora uma área com eucaliptos e acácias mais dispersos entre os vales 4a e 4b. Nesta área está a utilizar-se a técnica de pincelamento da superfície de corte.

A lenha que é possível retirar sem custos significativos começará também agora a sê-lo, já que a sua presença causa um grande estorvo aos trabalhos subsequêntes.

Para variar, uma apresentação ilustra a evolução dos trabalhos (formato pdf, 9MB): trabalhos em curso .
Ou então nesta apresentação:


CONSULTAR O BLOGUE:

1ª Mostra de Cinema Documental de Montemor-o-Novo (de 16 a 19 de Julho)

A 1ª Mostra Documental de Montemor-o-Novo pretende afirmar-se como uma plataforma de projecção e debate consciencioso feito a partir do documento Cinematográfico. Nesta primeira mostra convergem diferentes pontos de vista sobre o mundo, a partir de um leque diversificado de filmes que atravessam um período situado entre os anos 60 e a actualidade.
Um olhar exterior sobre a nossa cultura a partir de documentários como "Luta de Classes em Portugal" de Kramer realizador que dedicou parte da sua obra ao estudo da sociedade Portuguesa ou "Torre Bela" de Thomas Harlen sobre a ocupação da Herdade da Torre Bela no Ribatejo através de um acutilante olhar político sobre uma época, uma utopia e as suas contradições.
Paralelamente a esta visão exterior sobre cultura Portuguesa uma outra de dentro para fora. Um olhar de realizadores Portugueses sobre o mundo onde se inclui um olhar profundo sobre Portugal, feito a partir de filmes como "Bab Sebta" de Frederico Lobo e Pedro Pinho, "Nhô Simplício" de Pedro Conceição, "Outside" de Sérgio Cruz, “Gosto de ti como és” e “Queria Ser” de Silvia Firmino, “Um Pouco Mais que o Indiana” de Daniel Blaufuks ou "Jumate Jumate" de Diogo Costa Amarante entre muitos outros...
“Uma câmara na mão, uma ideia na cabeça, uma história no coração"Miguel littin


16, 17, 18 e 19 de Julho

Cine Teatro Curvo Semedo


PROGRAMA

Quinta-Feira (16 Julho):
Noite:
Sessão de Abertura
21:00- Jumate Jumate 35m
21:45- Os Respigadores e a Respigadora 82m
23:15- Grandes Esperanças 74m


Sexta-Feira (17 Julho):
Tarde:
15:00- Queria Ser 55m
16:00- Mulheres Traídas 54m
17:00- Um pouco mais Pequeno que o Indiana 78 m
17:30 - Os Conceitos de Documentário, relativização e contexto histórico:

1º Painel
Documentarismo, sua história, tendências recentes.
O contexto português. O cinema documentário de vocação etnográfica e a sua ligação com a representação da cultura popular de matriz rural e a identidade nacional.

Cinematografia e Etnologia, o caso da Etno-ficção.
Orador: Catarina Alves Costa
19:00- WOLFRAM, a saliva do lobo 45m

Noite:
21:30-Mais Alma /Catarina Alves Costa – 70m
22:30-Orquestra Típica Fernandes Ferro Parque Urbano (Programação em parceria com a Câmara Municipal de Montemor-o-Novo)
00:00- Festa Oficinas do Convento com DJ Ride

Sábado (18 Julho):
Tarde:
15:00 - Torre Bela 105m
17:00 - Cenas de luta de classes em Portugal 90m
18:30 - REFLEXÕES SOBRE PORTUGAL. UMA VISÃO PROCESSUAL:

2º PAINEL
Contextos sócio-políticos do país no período situado entre os anos 60 e a actualidade.
Reflexos de um país em mudança.
Imagens de um país: o documentário etnográfico como reflexo de políticas e mudanças.

ORADOR: Maria Clara Saraiva
Noite:
21:30 - Bab Sebta 110 m
23: 30- Nhô Simplício 68m
00:45 – Polar Performance

Domingo (19 Julho):
Tarde:
15:00-Resultado do Workshop com Frederico Lobo e Tiago Afonso.
15:30-Cinema Volante Apresenta (resultado de workshop)
16:00-Traces Sonores d'une écoute engagée 55m
17:00 -80000 Shots 50m
18:45-MOVIMENTAÇÕES NA ESTRUTURA SOCIAL E ESPACIAL

3ºPAINEL
A cidade contestada: movimentos sociais e reestruturação do espaço urbano.
Experiência urbana e Bairros populares.
Relação entre as transformações sociais e os modos de concepção e elaboração do espaço.
ORADOR: Teresa Fradique

Noite:
21:30 -Gosto de Ti como És 57m
22:30 - Outside 15m
23:00- Balaou 77 m

Nota: Programa sujeito a alterações

A precariedade: conversa em torno da realidade local (em Aljustrel, no Club Aljustrelense,no próximo Sábado, dia 18, às 17h.)




A Precariedade. Conversa em torno da realidade local.


Actualmente, cerca de 40% dos trabalhadores portugueses são precários. Recibos-verde, contratados a prazo, inscritos em empresas de trabalho temporário, desempregados. Todos eles trabalham, inclusive aqueles que têm o trabalho de ter de arranjar trabalho. Todos eles são particularmente explorados.

O aumento da precariedade laboral tende a ser legitimada por todo um novo discurso ideológico em torno da questão do trabalho. Entre os múltiplos conceitos desta novilíngua laboral, destacamos o de capital humano. Para o capitalismo, o trabalhador constitui essencialmente um capital que se apresenta numa forma humana. Por um lado, são as suas capacidades de criação e imaginação que alimentam a máquina de produção: algo que é visível no profissional de marketing que inventa slogans publicitários, no trabalhador do telemarketing que usa as suas capacidades de sedução e retórica para vender um qualquer produto, no pedinte que produz uma determinada narrativa de forma a obter esmola. Algo que sempre existiu, mas que tende cada vez mais a ser potencializado, não para o nosso próprio bem, mas para o bem de uns poucos.

Por outro lado, capital. Porque, tal como uma acção da bolsa de valores, tem um valor de mercado, atribuído consoante as suas características: se for inteligente e comunicativo terá um valor elevado, se for feio e tímido terá um valor não tão elevado. À semelhança das acções da bolsa, o seu valor sofre alterações: assim, se o trabalhador feio e tímido se tornar comunicativo e bonito, se demonstrar capacidade de se alterar com base nos critérios da empresa, o seu valor de mercado aumentará. Na era do capital humano, o trabalhador é apresentado como sendo o único responsável pela sua própria situação. Se ganha mal, é porque não se esforça; se se queixa de tal situação, é porque não é pró-activo (outros dos novos conceitos em voga); se se sente cansado, é porque poderia ser mais dinâmico. Em suma, é porque não se capitaliza a si mesmo, algo que passa por servir os responsáveis pela definição dos ditames da sua capitalização.

Esta estratégia acontece a uma escala planetária. No caso da região alentejana, a população trabalhadora apresenta um “valor específico”: vive numa região fustigada pelo desemprego e encontra-se disposta a fazer tudo por tudo para conseguir rendimento. Se actualmente, muitos call centers se deslocalizam para zonas do interior (Beja, Castelo Branco) onde as taxas de desemprego são mais elevadas, é porque sabem que vão encontrar pessoas com poucas alternativas de escolha.

O objectivo desta conversa é tentar compreender os contornos deste processo, tendo como princípio a ideia de que o verdadeiro valor das pessoas nunca passou, não passa e jamais passará pelo trabalho que são obrigadas a desempenhar.

Jantar e conversa sobre a FAI (Federação Anarquista Ibérica) no Club Aljustrelense ( dia 16 de Julho, às 21h.)



Jantar e conversa sobre

"F.A.I. - Federação Anarquista Ibérica. A sua história, presente e futuro"

por volta das 21.00 no Club Aljustrelense

www.nodo50.org/fai-ifa/

Concentração de professores e educadores não colocados no dia 16 de Julho (no cruzamento entre as Avenidas 24 de Julho e a Av. Infante Santo, às 14h30

O Ministério da educação voltou a mudar o local da reunião. Muda, por conseguinte, o local da nossa concentração. A reunião vai agora ser nas instalações da DGRHE, na Avenida 24 de Julho, à mesma hora (14h 30). A concentração dos professores e educadores não colocados neste concurso passa então para esse mesmo local.

Não há que enganar - A concentração passa para a Avenida 24 de Julho, no cruzamento com a Avenida Infante Santo, à mesma hora - 14h 30, e no mesmo dia - 16 de Julho (quinta feira).

Vamos lá estar a mostrar a nossa indignação com os resultados deste concurso e a exigir que já no próximo ano haja novo concurso - e não só daqui a 4 anos. E, novamente, a exigir respeito pelos professores e pela Educação! Contamos contigo!






Acção do actual Governo agrava instabilidade e desemprego docente
(comunicado da Fenprof)

A triste realidade destes concursos, a manipulação do ME e o esclarecimento cabal dos resultados, com apenas 1 por cento de professores colocados, estiveram no centro das atenções da conferência de imprensa que decorreu na tarde desta terça-feira, 7 de Julho, em Lisboa, por iniciativa da FENPROF. Presentes na Mesa, além de Mário Nogueira, Secretário Geral da Federação, os dirigentes Anabela Delgado (SPGL), Vitor Gomes (SPN), Anabela Sotaia (SPRC) e Antónia Fialho (SPZS), todos membros do Secretariado Nacional da FENPROF. Apresentamos já de seguida a declaração lida e comentada por Mário Nogueira neste encontro com os profissionais da comunicação social.


Era inevitável, como a FENPROF já tinha alertado: a instabilidade dos professores e o desemprego docente irão agravar-se já a partir de Setembro, como se confirmou após serem conhecidos os resultados dos concursos de professores para 2009/2010.

Quando, em tempo oportuno, a FENPROF alertou para este problema, membros da equipa do Ministério da Educação negaram, acusaram-na de mentir, emitiram comunicados a esse propósito e nem no dia em que foram divulgados os resultados souberam assumir uma postura eticamente correcta.

Perante a ansiedade dos professores
ME reteve listas e lançou-se no ilusionismo...

Para poderem utilizar os números a seu bel-prazer e, dessa forma, manipular a realidade junto da opinião pública, o ME, em mais uma atitude reveladora de grande desrespeito pelos professores, reteve as listas de colocação durante várias horas, procurando, nesse período, criar uma ilusão: a de que este concurso, dado o número de colocações, significava mais emprego e mais estabilidade para os professores e as escolas, o que é mentira!

As colocações citadas pelo ME referem-se, quase todas, a transferências de docentes que já estavam colocados e que, pertencendo a quadros que foram extintos (Quadros de Zona Pedagógica), tiveram de concorrer para os quadros que, em sua substituição, foram criados (Quadros de Agrupamento). Isto é, dos 30.146 docentes que foram agora colocados, só 417 não pertenciam aos quadros, passando a integrá-los. É o mais baixo número de sempre. Menos de 1% dos cerca de 50.000 candidatos externos que apresentaram 65.464 candidaturas! (Aos quais ainda devem acrescentar-se cerca de 10.000 docentes portadores de habilitação própria que o ME impediu de concorrer.)

Depois de três anos sem concursos...

Era inevitável este resultado, como afirmámos antes. Isto porque os três anos em que não houve concurso para ingressar nos quadros não se destinaram a dar mais estabilidade aos professores, como afirmaram os governantes. Serviram, isso sim, para aprovar medidas no âmbito do Estatuto da Carreira Docente, do regime de concurso e do designado reordenamento da rede escolar que tiveram, por objectivo, reduzir o número de professores e educadores, empurrando para o desemprego milhares de contratados, alguns com muitos anos de serviço, e criando maior instabilidade aos que já se encontram nos quadros. Associada esta situação ao regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas (Lei n.º 59/2008, de 11 de Setembro), os professores e educadores que venham a celebrar novo contrato com o Estado estarão sujeitos a novas e mais cruéis condições de emprego precário.

Grandes prejudicados com tudo o que está a acontecer, serão, sem dúvida, os docentes, mas também a Escola Pública, a qualidade da educação e do ensino, as aprendizagens dos alunos. Esta é mais uma forte machadada deste Governo de maioria absoluta, numa Escola Pública que se pretende de qualidade.

Reduzir o número de professores
e provocar mais instabilidade:
objectivos do Governo Sócrates

As medidas concretas que levaram a que isto acontecesse são o aumento do horário lectivo de trabalho e do número de alunos por turma, a alteração do regime de reduções lectivas por antiguidade, o agravamento das condições de aposentação (mantendo milhares de docentes, por mais anos, no sistema e impedindo o seu rejuvenescimento), o encerramento de milhares de escolas do 1.º Ciclo, a alteração do regime de reduções horárias, nas escolas, para o desempenho de cargos pedagógicos, os cortes nos apoios dirigidos aos alunos com necessidades educativas especiais, a fusão dos QE e QZP dando origem aos Quadros de Agrupamento...em suma, medidas que tiveram por objectivo, precisamente, conseguir o que está a acontecer: despedir contratados, criar instabilidade nos docentes dos quadros e provocar aposentações antecipadas com claros prejuízos para os docentes, mas, também, para as escolas. Foi esta a encomenda feita pelo Governo à equipa ministerial e esta, correspondendo ao que lhe foi pedido, cumpriu. O resultado está à vista.

FENPROF desmonta equívocos
lançados pelo Ministério da Educação

Com o intuito de enganar quem estivesse menos atento ou dominasse menos bem a matéria, foram vários os equívocos que o Governo lançou na opinião pública a propósito dos números deste concurso. Por essa razão, a FENPROF não pode deixar de esclarecer:

1. Esta foi a primeira fase do concurso, é verdade, mas a única em que os docentes podem ingressar nos quadros. A partir de agora apenas haverá destacamentos, afectação de docentes (a escolas ou agrupamentos) que, sendo dos quadros (QZP), ainda não foram colocados e contratação;

2. Este é o pior concurso dos últimos anos no que respeita a ingresso em quadros. Quando o concurso era anual tivemos, em 2005, 2.918 entradas no quadro (260 no QE + 2.658 em QZP) e, em 2006, 3.107 (177 + 2.930). Este ano, 2009, depois de 3 anos sem concurso e com milhares de docentes a aposentarem-se ao longo desse tempo, ingressam nos quadros (de escola ou de agrupamento) apenas 417 docentes!

3. Estes 417 docentes, contudo, estão concentrados num número reduzido de grupos: Espanhol - 189; Informática - 84; Educação Moral e Religiosa Católica - 39; Electrotecnia - 27 e os restantes, de forma quase residual, em mais 5 grupos de recrutamento.
(Pela consulta das listas graduadas, confirma-se que muitos dos docentes sem colocação têm largos anos de serviço e experiência. Não tendo obtido lugar de quadro, continuarão a ver adiada por, pelo menos, mais quatro anos, esta possibilidade, apesar de serem necessários ao sistema)

4. Na Educação Pré-Escolar e no 1.º Ciclo do Ensino Básico não entrou ninguém nos quadros. No 2.º Ciclo do Ensino Básico apenas entraram docentes em Educação Moral e Religiosa Católica. No Ensino Secundário, mesmo em grupos, por norma, menos preenchidos (Físico-Química, Biologia/Geologia ou Inglês) também não entrou ninguém. Na Educação Especial não entrou nenhum docente, por concurso externo, no grupo EE1, o mais numeroso, e apenas 29 nos grupos EE2 e EE3, respectivamente, 19 para a deficiência visual e 10 para a auditiva.

5. Quanto à designada 2.ª fase do concurso não contempla qualquer entrada em quadro, como antes se referiu. Afirmar que serão colocados mais 38.000 contratados, para além dos quase 12.000 que falta colocar dos QZP, só pode ser feito por adivinhação, na medida em que as escolas ainda não procederam, porque tal não era possível, ao apuramento final das necessidades para se saber quantos e quando serão colocados mais docentes.

6. Algumas das notas que o ME introduziu na apresentação que fez e mantém disponível na sua página electrónica deveriam envergonhar o autor e os responsáveis políticos daquele ministério. Por exemplo, a Nota ao quadro "Comparativo de colocações - 1.ª fase; Representação gráfica". Diz o seguinte: "É notória desde 2005 a aposta na estabilidade das colocações. Em 2009 quadriplicou o número de docentes de QZP que foram colocados em Quadros de Escola".

Em primeiro lugar isso não é verdade, a esmagadora maioria destes docentes foi colocada em Quadros de Agrupamento (excepção para o Secundário); depois, esta colocação deveu-se, apenas, ao facto de terem acabado os QZP. O que o ME não refere é que todos os docentes que eram de QE, com excepção das Secundárias não agrupadas, passaram a pertencer a Quadros de Agrupamento. Ou seja, e essa é a verdade, passaram de uma situação de maior estabilidade para uma bastante mais instável. Situação essa que abrangeu um maior número de professores e educadores, pois a sua transferência para o QA fez-se automaticamente e não por via do concurso!

Reuniões com professores
contratados e desempregados

Perante esta situação, a FENPROF, para além da denúncia pública da situação e do comportamento reprovável do Ministério da Educação, irá promover reuniões com professores contratados e desempregados e aprofundar a luta:

- por melhores condições de trabalho nas escolas;

- pela criação de condições que promovam a qualidade do ensino, designadamente no que respeita ao número máximo de alunos por turma ou, no 1.º Ciclo do Ensino Básico, a criação de equipas educativas;

- pela viabilização dos projectos educativos apresentados pelas escolas, que se orientam para a promoção do sucesso e o combate ao abandono escolar, e que exigem a disponibilização de mais recursos humanos;

- pelo combate a todas as formas, directas ou indirectas, de privatização de respostas educativas, designadamente as que são dadas através das designadas actividades de enriquecimento curricular;

- por horários de trabalho que sejam pedagogicamente adequados;

- pelo rejuvenescimento do corpo docente das escolas e pela sua real estabilidade.

Nem "agência de emprego",
nem carrasco da Escola Pública!...

Se forem criadas essas condições que são fundamentais para um ensino melhor e de maior qualidade, estará, naturalmente, garantido mais emprego para os docentes.
Como a FENPROF tem repetido, o Ministério da Educação não tem de se comportar como agência de emprego para os professores, o que não pode é actuar como carrasco da Escola Pública, pondo em causa a qualidade das suas respostas educativas, apenas pela ânsia de reduzir, em milhares, o número de docentes, procurando, dessa forma, embaratecer o sistema.

Imposição nacional

Portanto, o que está em causa, neste confronto, não é só querer ou não querer que exista emprego para os professores, mas também, querer ou não querer que as escolas se organizem e funcionem melhor, querer ou não querer que o ensino tenha mais qualidade. Essa não é uma exigência exclusiva dos docentes portugueses. É uma imposição nacional.
O Ministério da Educação, pelas medidas que toma e pelas políticas que desenvolve, já mostrou não ser essa a sua principal preocupação.

FENPROF RECLAMA NOVO CONCURSO
JÁ NO PRÓXIMO ANO

Perante o que antes se afirmou, a FENPROF reclama, desde já, a abertura de um novo concurso no próximo ano. Um governo que apenas permite a entrada de 417 professores nos quadros, mas, desde já, afirma que irá contratar 38.000 docentes é um governo que:

i) ou está a mentir;

ii) ou reconhece que não abriu o número de vagas que as escolas e os agrupamentos necessitavam.

Admitindo que não há governantes mentirosos, então é necessário que, no próximo ano, abra um novo concurso com vista a corrigir esta grave distorção.

O Secretariado Nacional da FENPROF
7/07/2009

Festa da Apenas livros: sessão com os poetas da Apenas ( dia 16 de Julho, na Biblioteca Municipal de Cascais - São Domingos de Rana)


Noites com poemas 2
16 de Julho de 2009
Biblioteca Municipal de Cascais - São Domingos de Rana
Sessão especial : Os Poetas da Apenas

17h30


· Estórias do Amanhecer
vários autores, dos 7 aos 17 anos


21h30


· Tríptico fálico, Vítor Vicente
· Llibretina de tornes, José Luis Campal
· Escrevo-te sobre o fogo, Artur Patrício
· Nevou este Verão, Maria Paula Raposo
· Sangue em flor, Fernando Botto Semedo
· O sol nos olhos, Manuel Filipe
· Chão de papel, Maria Estela Guedes
· Brinquedos de latão e sarampo, Luís Serra
· O Sol quando nasce, João Barbosa
· A alma desfeita em corpo, Floriano Martins
· Pedro e Inês ou As madrugadas esculpidas, João Rasteiro
· Requiem par'Imortais, João Pereira de Matos
· Cânticos de Zomba e Zurzimento, Jorge Castro
· O espantador, Ricardo Álvaro

Júlia Zulus (oboé) e Luís Morais (violino) interpretarão
obras de Mozart, Telemann e Bach




APENAS LIVROS
Alameda das Linhas de Torres, 97 3 Dto.
1750-140 Lisboa, Portugal
geral@apenas-livros.com
http://www.apenas-livros.com/


Fonte da notícia:

Encontros do pé na rua (artes circenses, teatro, música, dança, artesanato) em Penela ( de hoje, dia 14, até 19 de Julho)


A companhia de Teatro Encerrado para Obras tem o prazer de apresentar a 2ª Edição dos Encontros do Pé na Rua, evento pluridisciplinar que terá lugar na vila de Penela, entre 14 e 19 de Julho 2009.
O evento conta com a participação de mais de 3 dezenas de artistas e grupos nas áreas das Artes Circenses, Teatro, Música, Danças Tradicionais e Artes Plásticas. Oficinas, concertos, espectáculos de Teatro e Circo, conversas/debates, uma Gala, lindas paisagens, muita festa e muita amizade compõem o programa.
Na presente edição destacam-se as participações do malabarista alemão Matthias Romir e das bandas Mu e Bailebúrdia.


http://encontrosdopenarua.blogspot.com/

http://www.encerradoparaobras.com/



Encontros do Pé na Rua 2009 - PROGRAMA

14 de Julho (terça-feira)

> 11h00 – Conferência de imprensa – apresentação dos Encontros Pé na Rua – Clube Penelense

> 12h30 – Passe-calles a anunciar a abertura dos Encontros do Pé na Rua – Ruas de Penela

> 14h30 – Recepção aos participantes – Clube Penelense

> 17h00 – Arraial – Clube Penelense

> 22hoo – Matthias Romir “Life is (Short Stories) “– Castelo de Penela (Porta da Traição)

> 23hoo – Concerto pela Encerrado para Obras – Castelo de Penela (Porta da Traição)


15 de Julho (quarta-feira)

> 10h00/12h30 e 14h30/17h00 – Oficina de Dragões com Delphim Miranda – Clube Penelense

> 10h00/11h30 – Oficina de Acrobacia com Michel Kotenkoff - Pavilhão Multiusos

> 11h30/13h00 – Oficina de Maças (avançado) com Vasco – Pavilhão Multiusos

> 14h30/16h00- Oficina de Monociclo (avançado) com André Borges – Pavilhão Multiusos

> 16h00/17h30 – Oficina de Danças Africanas com Eva Azevedo – Clube Penelense

> 17h30/19h00 – Encontros do Fogo (preparação) – Praça do Pavilhão Multiusos

>22h0o – "Ponto.de.vista"– com André Borges e Jorge Lix- Castelo de Penela (Porta Traição)

> 22h3o – Port-folk – Castelo de Penela (Porta Traição)



16 de Julho (quinta-feira)

> 10h00/12h30 e 14h30/17h00 – Oficina de Dragões com Delphim Miranda – Clube Penelense

> 10h00/11h30 – Oficina de Passing com Bernardo Malabarista – Pavilhão Multiusos

> 14h00/16h00 – Conversa sobre Artes de Rua em Portugal – Clube Penelense

> 16h00/17h30 – Oficina de Equilíbrios com João Pinto “Rasta” – Pavilhão Multiusos

> 16h00/17h30 – Oficina de Capoeira com professor Gesso, Grupo Muzenza – Clube Penelense

> 17h30/19h00 – Encontros do Fogo (preparação) – Praça do Pavilhão Multiusos

> 21h3o – “Quesa-me Mucho” pela Encerrado para Obras – Castelo de Penela (Porta da Traição)

> 23h00 – Encontros do fogo com batucada – Castelo de Penela (Quintal das Lapas)


17 de Julho (sexta-feira)

> 10h00/12h30 e 14h30/17h00 – Oficina de Dragões com Delphim Miranda – Clube Penelense

> 10h00/11h30 – Oficina de Aéreos com Mila Xavier – Pavilhão Multiusos

> 11h30/13h00 – Oficina de Bouncing com Rafa – Pavilhão Multiusos

> 14h30/16h00 – Oficina de Danças de Leste com Diana Azevedo– Clube Penelense

> 16h00/17h30 – Oficina de Mimo com Sérgio Cardoso– Auditório Municipal de Penela

> 16h00/17h30 – Oficina de Danças Europeias com Rute – Clube Penelense

>17h30/19h30 Musicoterapia com Jöelle Ghazarian– Auditório Municipal

> 18h00/19h00 – Yoga do Riso com Jorg e Ana Banana – Castelo de Penela (Quintal das Lapas)

> 22h00 – Concerto com Baileburdia

> 00h00 "Artoche de Fogo e Tocha Humana" com Jorge Freitas e Nuno (Mu)

> 00h30 – Concerto com Mu – Pavilhão Multiusos

> Pela noite dentro – Noites folk com Dj Osga – Pavilhão Multiusos


18 de Julho (sábado)

> 7h77 – Oficina do que der e vier com o 1º a chegar – Castelo de Penela

> 10h00/12h30 e 14h30/17h00 – Oficina de Dragões com Delphim Miranda – Clube Penelense

> 11h30/13h00 – Oficina de Bolas Iniciado com Sara – Pavilhão Multiusos

> 14h30/16h00 – Siteswap (numerologia do malabarismo) com Rafael Aranda – Pavilhão Multiusos

> 14h30/16h00 – Oficina de Palhaço com José Fernando Ramalho “Côco” – Auditório Municipal de Penela

> 16h00/17h30 – Iniciação com 4 e 5 Bolas com Bernardo Malabarista – Pavilhão Multiusos

> 16h00/17h30 – Oficina de Danças Tradicionais Portuguesas com Liliana Pinto – Clube Penelense

> 16h00/17h30 – Oficina de Percussão Criativa com Osga – Castelo de Penela (Quintal das Lapas)

> 18h00/19h00 – Oficina de Didgeridoo com Osga – Castelo de Penela (Quintal das Lapas)

> 21h30 – Gala com apresentação de Osga – Auditório Municipal de Penela

> 00h07 – Tinto e Jeropiga seguido de palco aberto – Clube Penelense


19 de Julho (domingo)

> 8h88 – Oficina do sono com Abel Fantasma – espaço incógnito

> 15h00/16h00 – Pinturas faciais e modelagem de balões com Estela Lopes, Andreia Pena e Sara Fernandes – Clube Penelense

> 16h00 – Arruada pelas ruas da vila: percurso entre o Clube Penelense e o Castelo

> 17h00 – Olimpíadas do Malabarismo na Praça da República com coordenação de Rafa Malabarista

> 18h00 – Arraial na Praça da República

12.7.09

Somos filhos da madrugada ( José Afonso, in Canto Moço)


Canto Moço, por José Afonso

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
A procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Năo soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
A procura de manhă clara

Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para năo se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Mensageira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos p'la noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já năo espera
Fresca, brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca

Judith Reyes ( cantora mexicana) canta Gorilita Gorilón





Gorilita, gorilon


El gobierno de hoy en día
nos vigila el pensamiento,
éste no es el porfiriato
pero es parecido el cuento.


Se amenaza al estudiante
con la represión al día
y el prestigio de la escuela
en manos de la policía.


Uno y uno suman dos,
dos y uno suman tres!
Gorilita, gorilón! Qué feo te ves!
Uno y uno y otro más,
salta y brinca para atrás!
Gorilita, gorilón, qué feo estás!

Es derecho ciudadano
apoyar a un compañero,
en esto que no se matan
policías ni granaderos.

Porque con los estudiantes
¡ay de aquel que mal se enreda!
Echenle, échenle muchachos
y ninguno retroceda!

Uno y uno suman dos...

El gobierno que ahora
manda soldadotes a mi escuela,
me reprime y me sofoca
y l sangre me rebela.

Gobiernito, gobiernito,
de la negra tradición,
se parece al que mi abuelo
le hizo una revolución.

Uno y uno suman dos...


http://www.geocities.com/yellymar/

9.7.09

Vídeos e debate sobre a obra e o pensamento de M. Foucault na livraria-bar Gato Vadio ( neste Domingo, dia 12, às 17h.)


GATO VADIO - Livraria. Atelier de Design. Café-bar
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016
email: gatovadio.livraria@gmail.com
http://gatovadiolivraria.blogspot.com/

Hoje à noite há cinema e café zapatista na livraria-bar Gato Vadio ( documentários sobre Chiapas, no México, e sobre os povos indígenas do Peru)


Hoje, quinta-feira, dia 9 de Julho, às 22h. na Livraria-bar Gato Vadio ( na Rua do Rosério nº 281, Porto), vai passar o filme A Placed Called Chiapas (México), integrado no ciclo de cinema dedicado à América Latina que está a decorrer naquele espaço. Entretanto, antes do filme, vai ser exibido um pequeno vídeo sobre o Massacre em Bágua, A Selva não se vende, a Selva defende-se. Ao longo da noite haverá ainda Café Zapatista e debate!


Livraria-bar Gato Vadio
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016


Na Amazónia peruana vivem, desde milénios, mais de 1500 comunidades nativas, que habitam em cerca de 10 milhões de hectares. Sem contar com os grupos chamados de não contactados, que por decisão própria vivem afastados de todo o contacto com o homem branco ocidentalizado.

Além do mais, conta com áreas naturais protegidas pelas leis nacionais e internacionais, tomando em conta que são uma garantia para o frágil equilíbrio ecológico da terra e património com a maior diversidade do planeta em termos biológicos e culturais.

O desenvolvimento sustentável, conceito usado pelos governos auto-proclamados desenvolvidos, para uma responsável e racional exploração de recursos, brilha pela sua total ausência. Na Amazónia peruana, a negligência usada em nome do progresso social, tecnológico e económico de um país, promove a escandalosa devastação dos territórios das comunidades indígenas, da sua cultura e do modo de vida indígena. E alimenta a base da exploração com que se sustentam os aparelhos de Estado e as multi-nacionais.

Tecnocratas e capitalocratas mutilam o património da Amazónia, convertendo as florestas em produção permanente. Lotes de hidrocarbonetos e recursos minerais que são leiloados em milionárias concessões petro-mineiras para as maiores corporações internacionais.

Petrobras, Barret, Burlington, Pluspetrol, Ramshorn, Oxy, Nocol, Repsol, Hess, Loon, Sapet, Hunt Oil, Pan Andean, True energy e outras mais, podem agora usufruir de mais de 70 % da selva amazónica peruana em concessões para a exploração de todos os tipos, incluindo a maior parte dos territórios indígenas outrora legalmente considerados intangíveis.
No seguimento do Tratado de Livre Comércio assinado com os EUA, pouco antes de George Bush sair da presidência, o governo peruano aprovou e executou os Decretos Legislativos que provocaram o protesto e descontentamento popular, que se estenderam por todo o país, especialmente em Loreto, San Martín, Amazonas, Ucayali, Huánuco, Cuzco e Madre de Dios.

Alterações na lei que permitem o acesso à Amazónia Peruana ainda não capitalizada das multinacionais petroleiras e mineiras e de empresas dedicadas a produção de biocombustíveis.
As comunidades nativas (awajún-wampis, kichuas, arabelas, huaronis, pananujuris, achuar, murunahus, entre outras) uniram-se e reagiram contra o pacote legal por considerar que ele afecta os seus direitos e ameaçam o ecossistema da Amazónia, onde vivem.

Além do mais, o governo decidiu promulgar essas leis sem consultas, desrespeitando o Convénio 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que obriga à auscultação das comunidades nativas antes da definição de uma norma legal que possa afectá-los, transformando as leis em inconstitucionais.

A negativa do governo em derrogar as leis tornou impossível o diálogo com os indígenas e os protestos converteram-se em greves por tempo indeterminado que duram por mais de 60 dias, bloqueio das principais estradas e vias que ligam o país, ocupação de locais estratégicos, exigências e reclamações.

Como resposta, numa tentativa de calar a voz indígena, no início de Junho, o governo de Garcia suspendeu as Liberdades Civis, declarou estado de emergência e enviou militares para actuar sobre os protestos na região de Bagua.

A intervenção militar resultou em confrontos sangrentos (5 de Junho), onde morreram cerca de 30 indígenas. A polícia foi acusada de recolher e queimar corpos para esconder a chacina e de disparar de helicóptero para os indígenas armados com lanças. Estima-se que mais de 50 pessoas tenham sido mortas neste massacre.

Devido às proporções trágicas e ao mediatismo do conflito, uma semana após o massacre, o Congresso aceitou revogar dois dos decretos presidenciais questionados pelos indígenas, levantando os bloqueios dos protestantes.

De nada serviu para interditar as aspirações petroleiras, pois 13 dias depois do massacre, o governo de Alan Garcia deu luz verde para que uma empresa anglo-francesa perfure a Amazónia peruana em busca de petróleo.

O projecto da empresa Perenco está localizado numa região habitada por duas tribos de índios isolados. O projecto é considerado a maior descoberta de petróleo do Peru nos últimos 30 anos. A empresa Perenco, que é uma das maiores abastecedoras de petróleo do Reino Unido, negou anteriormente que índios isolados vivessem na região.

Se estas leis se mantêm, em curto prazo, as terras amazónicas passarão para as mãos das corporações petroleiras, mineiras, de água, madeireiras, produtoras de biocombustíveis, e a médio prazo, a Amazónia estará irreversivelmente destruída e as populações indígenas destroçadas.

A luta contra estas leis, é uma luta pela sobrevivência das comunidades amazónicas e da sua cultura.



A Place Called Chiapas
Nettie Wild,

Documentário (México)

Chiapas e a resistência Zapatista

Em 1993, o governo federal mexicano assinou o acordo de comércio livre da América do Norte (NAFTA) com os EUA e anunciou ao povo mexicano que a penetração livre das corporações americanas na economia promoveria um inusitado e exótico salto do México do 3º para o 1º mundo.


Depois de o povo indígena ter lutado durante anos para ganhar representação política e justiça económica, em resposta ao acordo e à linha dura do mercantilismo, uma facção político-militar, liderada por um homem misterioso conhecido apenas por subcomandante Marcos, insurgiu-se numa insurreição armada na região de Chiapas no dia 1 de Janeiro de 1994, dominando quatro municípios e cerca de 650 ranchos privados, que historicamente tinham provocado a deslocação de nativos.


As acções do exército Zapatista de libertação nacional (EZLN) em protesto contra a ratificação do acordo NAFTA, exigiam o "controlo sobre as nossas vidas e a nossa terra" como forma de garantir a autonomia e a sobrevivência das comunidades indígenas.


Como resposta receberam as investidas do exército federal. Em 1999 ....ambas as facções acordaram um desconfortável cessar-fogo e trégua. Pese embora, um quarto do exército mexicano continue ainda hoje instalado nas redondezas das comunidades Zapatistas, fazendo um cerco às aldeias e cidades da cultura indígena de Chiapas.


Instando os cidadãos a uma guerra pacífica, o subcomandante Marcos usa os media como misseis de longo alcance para manter afastados os 30.000 militares mexicanos que rodeiam o território Zapatista. As suas comunicações no mundo virtual, desafiam o governo mexicano e desmascaram o sistema capitalista internacional.

A sua poesia e a sua retórica, corteja os mexicanos com sonhos de uma nova democracia.
Com o intuito de realizar um documentário sobre esta revolução na zona de Chiapas, Nettie Wild, esteve lá nove meses, numa das zonas mais pobres do México, e seguiu as actividades dos rebeldes zapatistas e do grupo paramilitar opositor Partido Paz e Justiça.


"A place called Chiapas" ganhou o prémio de melhor documentário em 1998 no festival internacional de Los Angeles.
A Place Called Chiapas


Nettie Wild
1998
tempo: 89 min
México

Concentração de anarquistas em Lisboa e Porto em solidariedade com a luta dos povos indígenas do Peru


Respondendo ao apelo internacional feito pela União Socialista Libertária do Peru para o próximo dia 8 de Julho, algumas dezenas de anarquistas e anti-autoritários concentraram-se na Praça Camóes, em Lisboa, em solidariedade com a luta dos povos indígenas no Perú.
Foram distribuídos panfletos à população em que, para além de se denunciar a situação vivida pelos indígenas do Perú, se indicava de uma forma muito clara que se estava em luta ...
"Contra o capitalismo e a destruição do nosso mundo natural, solidariedade com a luta dos povos indígenas!!! ", e que ... "Nenhuma agressão sem resposta", assinado por "Anarquistas por uma terra livre".

7.7.09

A «gestão» de Rui Rio e a privatização do pavilhão Rosa Mota






Como um zombie a olhar o palácio

Deixemos de chutar para canto o que os nossos olhos vêem: o poder municipal não está ao serviço dos munícipes e de uma ideia de serviço dos interesses sociais da comunidade, mas está ao serviço do mercantilismo. Desse princípio orientador, autarcas e políticos, extraem a sua verdade: quando advogam que o mercantilismo está ao serviço da comunidade e do serviço público é quando o serviço público e a comunidade passam a estar ao serviço do mercantilismo.

Ou seja, não fora isso uma desmesurada mentira, a ideologia actual do capitalismo avançado postula que a liberdade e a realização do sujeito e a sua vida comunitária é determinada pelos valores do Mercado e pela sagrada virtude da Economia. Por outras palavras, o livre uso da vida e o espaço social onde ela se expressa, com a natureza e com outros seres humanos, depende de uma relação de troca mercantil, desta ideia sufocante e maldita da hiper-mercadoria ter saltado do plano da História, das ideologias, para o plano de um processo inexorável, sem origem nem fim, sem fronteiras nem horizonte.

Neste contexto de embuste ideológico, iniquidade social e cinismo político, vamos pedir ao poder municipal que tenha em conta a lei e o PDM? O que é que podemos querer negociar com uma elite política quando para nós a vida humana e social, a sua liberdade e realização, não é negociável porque não é um negócio?

O que se pode obter ainda de quem vende o património de todos confundindo a gestão pública com a liquidação lucrativa, esvaziando de sentido a substância humana desse património, depois de desde há décadas terem eles próprios feito depender a sua humanidade de valores monetários, do dogma do mercado e do fetiche da mercadoria?

O que temos ouvido da boca de autarcas ou de governantes é aquilo que ouvimos da boca dos altos administradores de multi-nacionais ou de representantes das confederações do patronato e da finança: todo o serviço público deve desaparecer assim como desaparece a sociedade para se entronizar o indivíduo, esse ente superiormente libertado pela sociedade de consumo para nela se acoitar e ingurgitar a sua cota parte do reino da insustentabilidade, do saque e da depredação de recursos, a troco de uma passividade face à insânia da exploração humana global. Falácia da cultura neo-yuppie que esconde no discurso do individualismo não só a cegueira do egoísmo e da ganância, como o facto de ser a própria noção e possibilidade do indivíduo que desaparecem na economia de mercado actual – quantos resistem aos códigos e ao controlo dessa ideologia das relações públicas globais? Quem não afoga os seus desejos, sonhos, pensamentos, críticas, disposições, numa sociedade que substitui o rosto humano pelo rosto da mercadoria? Quantos ganham a sua individuação na propaganda do individualismo vendida a torto e a direito?

…não fora a narrativa do individualismo o canto da sereia ditado às massas e em coro pelos trovadores da esperança cínica, de Sócrates a Rui Rio, de Valentim Loureiro a George Obama, de Jardim Gonçalves a Dias Loureiro…

É tempo de nos libertarmos da agonia de uma resposta que venha do sistema. Negociar com políticos que insultam quotidianamente a inteligência e a sensibilidade de seres humanos é absorver toda a negatividade – vil e pesada – gerada pela degradação humana desse sistema. De uma vez por todas, uma só proposta vinda dos interesses políticos instalados (ou um discurso na televisão) tende a fazer incomensuravelmente pior à democracia do que mil gestos infantis de um ministro em plena Assembleia da República.

Não estamos aqui para obter uma resposta do poder municipal. Todas as respostas do poder autárquico em geral, como do governativo, já foram dadas: o capital, o interesse económico e a protecção desses interesses (e da elite restrita do círculo de interesses), excluem a possibilidade do diálogo – e o diálogo é a reversibilidade plena e democrática de um poder – e a crítica desses interesses. E a legitimação dessa democracia que começa e que se encerra numa urna de quatro em quatro anos é uma miserável e funérea ideia do que poderá ser uma democracia.

Estamos aqui para obter uma resposta das pessoas. De todos aqueles que vivem nesse misto de sonolência, impotência e humilhação causados pela realidade política do país. E a realidade política do país é, grosso-modo, dominada pura e simplesmente por uma ideia economicista, que tudo reduz à circulação de mercadorias e ao proveito de uma elite. E as pessoas que se sentem enojadas por esta grande ideia de estarem sempre perto de se tornarem uma mercadoria útil ou inepta do sistema, uma estatística da base de dados de um sistema bancário, uma vítima a mais de um sistema público de saúde, um precário a tempo inteiro e indefinido, não podem responder com o silêncio e (só) a cruz do seu voto. Não podem ceder à conquista mais sofisticada do capitalismo Ocidental, essa miscelânea entre o sistema representativo e a sociedade de consumo que desenraizou de cada cidadão a sua possibilidade e potência de intervenção, de participação e de união no espaço público.

Que resposta se pode obter de um homem que não representa os interesses da cidadania e do humano, mas os próprios interesses do sistema?

Será necessário ter como referente do estado doentio da democracia homens como Berlusconi, Mesquita Machado ou Isaltino Morais, para ilibar da nossa mais firme censura quem orienta a sua conduta pessoal e política segundo os interesses da máquina financeira, da avidez das multi-nacionais e que não equaciona nenhuma manifestação da vida humana a não ser se ela for sancionada pelo altar do lucro e pela hóstia do mercado?

E que resposta podemos obter daqueles que se não revêem nesse tipo de exemplos? O bocejo, o shopping, o cansaço, a psicanálise de café? Ou estar onde estão aqueles que recusam a preeminência do dinheiro e a ignominia de uma sociedade que converte cada humano no homem-mercadoria?

Sabemos todos que nenhum argumento racional subsiste para acreditar no Capitalismo actual como sistema político e económico – como ideologia. Que para essa ideia ser justa, democrática, socializante, era preciso acreditar que a felicidade humana dependesse desse sistema bárbaro de consumo e desperdício per capita de energia dos recursos da terra e da energia humana. Era preciso acreditar na exploração contínua do homem, do outro, nesse esclavagismo legal de estimação de uma minoria (minoria alargada que pode ir de uma multi-nacional ao café da esquina).

O território desta luta não é por isso o presidente da Câmara do Porto, mas as pessoas que não querem viver sob a mentira do lucro, que querem libertar toda a sua possibilidade de dizer que a sua vida passa também por um gesto de união solidária sem competições, sem estruturas partidárias, sem visar lucros, juros, contas, dívidas ou proveitos, mas apenas contar com a riqueza do humano.

Que mais precisamos de ver para sairmos do nosso sono?


Os Vadios, 7 de Julho de 2009, Porto

Texto retirado de:
http://gatovadiolivraria.blogspot.com/

Imagem pescada de:
http://www.mruim.blogspot.com/

Quando Tróia era livre: petição pública contra a privatização de parcelas da península de Tróia, e a sua conversão em resort de luxo


Está a circular na Internet uma petição intitulada “Quando Tróia era livre” a contestar a privatização daquele espaço natural a favor de um poderoso grupo económico e a interdição do seu usufruto por parte da população.Fonte da noticia: blogue Contramestre


Petição Quando Tróia era livre


Para:

Presidente da Camara Municipal de Grândola


É com enorme desgosto que assisto a destruição de mais uma das belas paisagens do meu conselho de Grândola, estou a falar de Tróia é claro que deixou de ter aquelas belas praias selvagens para passar a ter betão.


Tróia foi servida de bandeja ao paradigma nacional dos negócios de lucro fácil e do capital intensivo, Belmiro de Azevedo. Pelo meio, a perspectiva de um Casino a fazer brilhar de cobiça os olhos do um autarca de Grândola a sonhar com o dinheiro que lhe permitirá acrescentar "obra" àquela que tem deixado implantar nas zonas dunares e agrícolas ao longo da costa alentejana... O facto de Tróia pertencer ao Concelho de Grândola não foi a única justificação para que o "Debate Público" sobre o projecto fosse agendado para Grândola, para bem longe daqueles que historicamente usaram as suas praias.


A um Estado incompetente em gerir um recurso natural e histórico de valor inestimável, juntou-se a oportunidade do negócio exclusivo. Com a desculpa do turismo, a construção maciça de segunda habitação para rico desfrutar. E o autarca "socialista" de Grândola a sonhar com o dinheiro das licenças de construção e do imposto autárquico...

José Sócrates, também "socialista" rendido aos valores da especulação imobiliária, o mesmo que patrocinou a co-incineração do outro lado do rio no meio das crateras da cimenteira Secil (convenientemente tapada digitalmente nos primeiros vídeos de apresentação do empreendimento), lá foi fingir a ignição da implosão das duas torres que teriam ficado mal construídas desde os tempos da Soltróia.

Hoje, os velhos ferrieboats a preto e branco da Transado, que transportavam pessoas e automóveis para o outro lado do rio, foram substituídos por outros de uma toda modernaça cor verde-alface... de estufa. Não foi só a cor das embarcações que foi alterada, o trajecto também, que passou a ser mais longo e feito para o interior do rio, para um antigo embarcadouro dos fuzileiros e pelo meio da rota de alimentação dos famosos golfinhos de Setúbal - de facto, roazes corvineiros, uma comunidade em declínio acelerado e já considerada em extinção pelos biólogos marítimos.

Para colmatar a distância do cais às praias da costa, a empresa de Belmiro colocou autocarros para levar as pessoas do cais dos ferrieboats para a costa. E fez cair sobre os "clientes" a duplicação do tempo de viagem e sobretudo o preço de acesso às praias. As embarcações que transportavam exclusivamente pessoas estão paradas no estaleiro, anunciaram-se novos hovercraft para os substituir mas estes ainda não apareceram - hovercraft, já os ouve no Rio Sado, mas desapareceram: dentre outras razões, o preço era tão proibitivo que os "convencionais" mantiveram a preferência dos setubalenses.

Quem pretender fazer o caminho a pé ao longo da costa terá à sua frente vedações e seguranças que o demoverão de passar na "propriedade privada". Uma repetição do abusivo impedimento da passagem pelo meio das urbanizações construídas em redor dos antigos caminhos de acesso às praias, iato num país que escreveu na Constituição que a orla marítima é de Direito Público e que não reconhece a existência de praias privadas... A desculpa: “os abusos” de alguns . A velha desculpa dos gestores incapazes de defenderem o Bem Público, e de quem encontra aí o argumento-chave para convencer os idiotas úteis quando é necessário acabar com o que é de Todos e de Todas.

Os signatários ...





------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


O que está a acontecer em Tróia?



Apartheid em Tróia



Com o início da época balnear, confirmam-se os efeitos da grande operação de especulação imobiliária de Belmiro de Azevedo em Tróia - os setubalenses estão de facto impedidos de frequentar as praias de Tróia.


O betão ocupou a praia do povo de Setúbal. Os setubalenses não são desejados numa urbanização de milhões, de carácter elitista, destinada a garantir lucros chorudos e rápidos. Os ferries aumentaram os preços para o dobro e levam os passageiros para a zona dos fuzileiros, tornando penoso o acesso à praia. Os prometidos empregos não existem, já que o objectivo não é a hotelaria mas vender imobiliário.


As viagens dos ferries para o novo cais junto aos fuzileiros, coincidindo com a área mais importante de alimentação dos golfinhos do Sado, constitui também grave ameaça à sua subsistência no estuário.

São agora evidentes os efeitos da conivência do poder central e local com os interesses imobiliários, bem como da farsa mediática que juntou Belmiro e Sócrates.

Praia do povo, ao longo dos tempos frequentada livremente pelas populações de Setúbal, foi nas décadas 60 e 70 que a Torralta construiu torres e bandas de prédios. Com o 25 de Abril foi possível garantir que esse betão não impediria o acesso à praia. Existiu uma convivência pacífica entre essa urbanização e os frequentadores da praia. Com a falência do projecto da Torralta, vieram os despedimentos do pessoal e um semi-abandono da área construída.

Um governo PS lançou um projecto diferente. Os créditos do estado foram oferecidos, praticamente dados, ao grupo SONAE, que foi impondo a sua vontade. Beneficiando da colaboração do PCP (nas câmaras de Grândola e Setúbal), garantido o do PS, e com o natural apoio e entusiasmo do PSD, os anos foram passando e os projectos avançando no papel.

Já com Sócrates, esse especialista em farsas mediáticas, os três partidos uniram-se, disputando lugares ao lado de Belmiro de Azevedo: as torres apodrecidas foram destruídas em directo nas televisões. Muitas pessoas baixaram os braços perante a indestrutível aliança destes partidos com o maior "empresário" do país.

No extremo da península de Tróia virada para Setúbal, a duna primária foi arrasada. A popular praia, do lado direito do passadiço de desembarque, desapareceu substituída por uma marina. Uma muralha de prédios de 4 e 5 pisos, bem próxima da água, deixa para trás, cercada e sem vistas, a antiga área edificada pela antiga Torralta (perante a indignação dos antigos proprietários). A erosão da costa é secundária perante a ganância de quem finge não ver a destruição das dunas.

Para os golfinhos do Sado, o "resort" actualmente em desenvolvimento em Tróia, levanta novas e graves ameaças. O projecto imobiliário, implicou a deslocação do cais dos ferries para a zona próxima das instalações da marinha. Essa zona coincide com a área de mais importante alimentação dos golfinhos.


O estudo de impacte ambiental efectuado pela Comissão de Avaliação do Projecto "Marina e novos cais dos ferries do Tróiaresort", deu parecer desfavorável por causa dos riscos eventuais para a população de golfinhos e por existir a alternativa de manter a actual localização. Este estudo foi ignorado pelo Governo. Um princípio mínimo de precaução, aconselharia a que a mudança do cais dos ferries não tivesse lugar e se mantivesse o actual cais.

A Tróia do povo está transformada numa espécie de condomínio privado de novos ricos e patos-bravos carentes de estatuto. É provável que mais dunas e cordões dunares sejam inevitavelmente destruídos, rompidos, a água comece a ameaçar com as marés e os temporais. Que a salinização e contaminação dos escassos aquíferos pela ocupação desenfreada, pelos campos de golfe, venha a sair cara a todos nós ou que cá estiver para ver.

Quando a operação imobiliária estiver concluída, Belmiro de Azevedo abandonará rapidamente Tróia e lá estará o orçamento do Estado a pagar os efeitos nefastos da destruição das dunas, construindo muros e diques para defender a selva de betão...


Texto de Álvaro Arranja retirado do website Esquerda.net

Filme/debate O Mar é Nosso! (dia 11 de Julho, às 17h., Figueira da Foz), contra a privatização do mar e do litoral



Sábado, dia 11 de Julho, Clube União Brenhense, na Figueira d Foz, às 17 horas

Projecção do filme seguida de debate aberto, com a presença de Fernando Varela, representante do Movimento de Pescadores e Cidadãos contra o Mar Privado, e Sofia Rajado pelo Colectivo Revista Rubra.

Colóquio sobre patrimónios pastoris no núcleo museológico da pastorícia do Fundão ( dia 10 de Julho)


O colóquio «Patrimónios Pastoris – cruzar olhares II» acontece na sequência de várias actividades que têm vindo a ser feitas, no Núcleo Museológico da Pastorícia, com o propósito de reflectir e valorizar o património material e imaterial que nos é legado por séculos de práticas pastoris.

Está patente, no Núcleo Museológico do Salgueiro, a exposição “Tectos Pastoris céu, colmo, barro, pedra” na qual se apresenta um grande trabalho de recolha fotográfica de elementos arquitectónicos efectuada nas vias pecuárias espanholas. Entendemos que esta é uma óptima ocasião para fazermos um cruzamento de olhares entre a arquitectura e a cultura pastoril.

Um dos objectivos deste colóquio é reflectir acerca das técnicas e materiais utilizados ancestralmente e as actuais preocupações ecológicas na arquitectura. Para nos falarem acerca destes temas vamos ter connosco a Arqt.ª Ana Cunha, o Dr. António Catana, o Dr. Santiago Bayón Vera e o Dr. Pedro Salvado.

Após este debate, iremos apresentar um filme que resultou de algumas recolhas de histórias de vida que fizemos, e está integrado no Projecto «O Céu dos Nossos Avós».

Estão todos convidados a aparecer no Núcleo Museológico da Pastorícia pelas 21h00 no dia 10 de Julho 2009.

«Abri ! Eu chamo-me a Anarquia», poesia de Gomes Leal (1848-1921) publicada no jornal anarco-sindicalista brasileiro «A Plebe»



Abri ! Eu chamo-me a Anarchia!

E sou o Turbilhão colérico e profundo,
que vem varrer a terra, o rato nunca visto.
Venho cheio de pó, cansado, todo immundo.
Em toda parte o mal! Em toda parte o Christo!
Sou quem trago a sentença escripta contra o mundo,
e que açouto o cavallo em sangue do Anti-Christo!

Sou quem trago commigo os rotos esquadrões
da plebe esguedelhada, anonyma, assassina.
Sou quem hei de varrer reis e religiões,
a indignação de baixo, a colera ferina
Já chegou a Justiça o sangue das Nações!
- A pé, a pé, a pé! A cotovia trina!

Papas, bispos, e reis, peitos de diamante!
Como não chorareis ouvindo o grande abalo?
Allemanha, arremessa ao Rheno o teu guante
Tu, Igreja, renega antes que cante o gallo
- Justiça, mostra já teu dedo flamenjante!
- Vingança, vai sellar o teu feroz cavallo!

Gomes Leal
A Plebe - Anno I - num 4 - 30 de Junho de 1917



Quem foi Gomes Leal?

Filho ilegítimo de um funcionário, António Duarte Gomes Leal nasceu em Lisboa no dia 6 de Junho de 1848. Chegou a frequentar o Curso Superior de Letras, mas a sua cultura literária foi quase toda adquirida no seu meio de trabalho e nos cafés.
Começou cedo a trabalhar no mundo jornalístico, tendo também feito edição de livros e panfletos. Colaborou com diversos jornais da época, publicando críticas literárias e artigos satíricos. Enquanto crítico, Gomes Leal era já defensor do realismo, mas como poeta era ainda ultra-romântico, sobretudo a nível formal.

O seu primeiro livro de poesia, Claridades do Sul, foi publicado em 1875, e nele já se notam os seus ideais anticlericalistas e republicanos, preocupações também presentes em obras posteriores. A partir de Anticristo (1886), e com A Mulher de Luto (1902), a poesia de Gomes Leal torna-se mais negativa, de uma certa inspiração ocultista, provavelmente devido à decadência física e moral sofrida pelo poeta. Em 1910 converteu-se ao catolicismo, mudança que se manifestou na sua obra, em livros como A Senhora da Melancolia.

A fase final da vida de Gomes Leal foi marcada por um grande fervor religioso, associado à degradação física e moral consequente do seu alcoolismo. Morreu em Lisboa no dia 30 de Janeiro de 1921.

Dandy saturniano, entre a boémia e a pobreza, entre o prestígio panfletário e o abandono visionário, Gomes Leal publicou irregularmente a mais extraordinária e desconcertante obra poética do seu tempo. Personificando a figura romântica do predestinado para os rasgos de génio e para os transes da desgraça, Gomes Leal revelou logo na primeira e insuperada colectânea — Claridades do Sul (1875) — as potencialidades ímpares e nunca perfeitamente actualizadas. Aí cruzava todas as tendências do século XIX; e por vezes antecipava aspectos do Modernismo e da imaginação surrealista.

Com a morte da sua mãe, em 1910, caiu na pobreza e converteu-se ao Catolicismo, vivendo da caridade alheia, chegando a passar fome e a dormir ao relento, em bancos de jardim, como um vagabundo, tendo uma vez sido brutalmente agredido pela canalha da rua. No final da vida, Teixeira de Pascoaes e outros escritores lançaram um apelo público para que o Estado lhe atribuísse uma pensão, o que foi conseguido, apesar de diminuta.

Funda com Magalhães Lima, Silva Pinto, Luciano Cordeiro e Guilherme de Azevedo, em 1872, o jornal satírico "O Espectro de Juvenal".

Obras suas importantes são também " A Mulher de Luto" (depois da sua viagem a Madrid em 1878, por ocasião do casamento de Afonso XII) - 1902 -; "A Fome de Camões" e "A Morte de Bocage" (aquando do centenário épico Nacional, em 1881. Reflecte nelas sobre o destino fatal do poeta de missão, com que ele próprio se identificava); no ano seguinte os panfletos poéticos "A Traição" e "O Herege" (pondo em causa o trono na pessoa do rei D.Luís, as Instituições burguesas e a Igreja, gerou um verdadeiro escândalo literário e político); e na linha desta "poesia como voz da Revolução" (como o anunciara Antero de Quental nas Odes Modernas), os folhetins satíricos "A Orgia", "A Morte do Atleta", "A Noviça", e "O Remorso do Facínora"; "A História de Jesus" em 1883 (tendência agora calma e cristã) ; "Fim do Mundo" (volume com as suas poesias de combate) - 1899 -; "Mefistófele em Lisboa" e "Retratos Femininos" ( novas sátiras e quadros da vida urbana) - obras extraordinárias onde conflui o Ultra-Romantismo, satanismo byrónico, Parnasianismo e Simbolismo.

Foram publicadas em 2000 pela Assírio & Alvim, com edição de José Carlos Seabra Pereira, as seguintes obras, até à data esgotadas ou de difícil acesso:

A Fome de Camões e Outros Destinos Poéticos
A Mulher de Luto – Processo Ruidoso e Singular
Claridades do Sul
Fim de um Mundo – Sátiras Modernas
História de Jesus (Para as Criancinhas Lerem)
Mefistófeles em Lisboa e Outros Humorismos Poéticos
O Anti-Cristo – Primeira Parte – Cristo é o Mal
O Anti-Cristo – Segunda Parte – As Teses Selvagens


Para saber mais sobre Gomes Leal:
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/5656.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Gomes_Leal



O Mundo Velho


Nas crises d'este tempo desgraçado,
Quando nos pomos tristes a espalhar
Os olhos pela historia do passado...
Quem não verá, contente ou consternado,
- Mundo velho que estás a desabar - ?!...

Sim tu estás a morrer, vil socio antigo...
E Pae de nossos vicios e paixões!
Camarada dos crimes, torpe amigo...
- Morre, emfim, correrá no teu jazigo,
Em vez de vinho, o sangue das nações!

Deves morrer, provecto criminoso!
Tens vivido de mais, vil sensual!
Tu estás velho, cansado e desgostoso,
E, como um velho principe gotoso,
Ris, cruelmente, ás sensações do mal.

- Que é feito do teu Deus, do teu Direito?
- Onde estão as visões dos teus prophetas?
- Quem te deu esse orgulho satisfeito?
Muribundo Caiphaz, junto ao teu leito,
Morrem, debalde, os gritos dos poetas!

No tempo em que eras forte, foi teu braço
Que apunhalou os grandes ideaes!...
Hoje estás gordo, sensural, devasso,
E andas, torpe a rir, como um palhaço,
N'um circulo lusente de punhaes.

Tu tens vendido os justos no mercado!
Crucificado o nobre, o bello e o bom!
Vaes cahir templo pôdre e abandonado,
Não á voz de Jesus ensanguentado,
- Mas ao verbo sinistro de Proudhon.

É elle que te arrasta ao teu jasigo,
Andas vergado á sua maldição!
Cambalêas ao funebre castigo,
E passas corcovado como o antigo,
Escravo, sob o lenho da paixão!

O seu grande clarão inda t'innunda,
Fulminou-te, morcêgo, á sua luz!
Marcou-te a consciençia rôta e immunda,
E a chaga que te abriu é mais profunda
Que a do lado direito de Jesus!

Nenhum deus, já ninguem póde cural-a!
Has-de morrer, caido amphytrião;
É essa a dôr eterna que te rala,
- Manda erguer o caixão na tua salla,
Prepara o funerario cantochão!

Tu tens quebrado os peitos mais robustos,
Tens dado aos santos o vinagre e o fel...
- Bom conviva de Nero e dos Procustos,
Andas ebrio do sangue de mil justos,
De mil sabios... de Christo e de Rossel!

Tens talhado a teu modo a Sociedade!
E por isso o infeliz que te condemne;
Ensanguentaste as mãos da Mocidade,
Nunca amaste o Direito ou a Equidade,
Matas Vallès...... Deixas viver Bazaine.

Tu viveste contente e agasalhado
Entre os brilhantes, e as visões do gaz!
- Bem te importava a neve... e o ar gelado,
O Frio e a Fome... É tepido o Peccado!
Calvo amigo!... Venceu-te Satanaz!

Tornaste o Templo casa de penhores,
- Mas ninguem ora a Deus nas cathedraes!
E já cheios de lastimas e dôres,
Nós lemos mais nas petalas das flores
Do que em todas as folhas dos missaes!

Morre, morre, venal, sem um gemido!
- Nem podes, levantar as mãos aos ceus!
Ha muito que ris d'isso, aborrecido?
Em nada crêste, em nada!--Adeus vencido!
Morre ahi como um cão!--Vencido, adeus!

Morre, morre, na lucta, pois, soldado!
Corpo cheio de tedio e de bolor!
- Adeus, velho navio destroçado!
- Morre! antigo conviva do peccado!
- Faltou-te sempre Deus, a Lei e o Amor!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'





Acusação à Cruz


Ha muito, ó lenho triste e consagrado!
Desfeita podridão, velho madeiro!
Que tens avassalado o mundo inteiro,
Como um pendão de luto levantado.

Se o que foi nos teus braços cravejado
Foi realmente a Hostia, o Verdadeiro,
Elle está mais ferido que um guerreiro
Para livrar das flexas do Peccado.

Ha muito já que espalhas a tristeza,
Que lutas contra a alegre Natureza,
E vences ó Cruz triste! Cruz escura!

Chega-te o inverno, symbolo tremendo!
Queremos Vida e Acção- Fica-te sendo
Um emblema de morte e sepultura!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul





Lisboa


De certo, capital alguma n'este mundo
Tem mais alegre sol e o ceu mais cavo e fundo,
Mais collinas azues, rio d'aguas mais mansas,
Mais tristes procissões, mais pallidas creanças,
Mais graves cathedraes - e ruas, onde a esteira
Seja em tardes d'estio a flor de larangeira!

A Cidade é formosa e esbelta de manhã! -
É mais alegre então, mais limpida, mais sã;
Com certo ar virginal ostenta suas graças,
Ha vida, confusão, murmurios pelas praças;
- E, ás vezes, em roupão, uma violeta bella
Vem regar o craveiro e assoma na janella.

A Cidade é beata - e, ás lucidas estrellas,
O Vicio á noute sae ás ruas e ás viellas,
Sorrindo a perseguir burguezes e estrangeiros;
E á triste e dubia luz dos baços candieiros,
- Em bairos sepulchraes, onde se dão facadas -
Corre ás vezes o sangue e o vinho nas calçadas!

As mulheres são vãs; mas altas e morenas,
D'olhos cheios de luz, nervosas e serenas,
Ebrias de devoções, relendo as suas Horas;
- Outras fortes, crueis, os olhos côr d'amoras,
Os labios sensuaes, cabellos bons, compridos...
- E ás vezes, por enfado, enganam os maridos!

Os burguezes banaes são gordos, chãos, contentes,
Amantes de Cupido, avaros, indolentes,
Graves nas procissões, nas festas e nos lutos,
Bastante sensuaes, bastante dissolutos;
Mas humildes crhistãos! - e, em lugubres momentos,
Tendo, ainda, crueis saudades dos conventos!

E assim ella se apraz n'um somno vegetal,
Contraria ao Pensamento e hostil ao Ideal! -
- Mas mau grado assim ser cruel, avara, dura,
Como Nero tambem dá concertos á lua,
E, em noutes de verão quando o luar consolla,
Põe ao peito a guitarra e a lyrica violla.

No entanto a sua vida é quasi intermitente,
Afunda-se na inação, feliz, gorda, contente;
Adora inda as acções dos seus navegadores
Velhos heroes do mar; detesta os pensadores;
Faz guerra a Vida, á Acção, ao Ideal - e ao cabo
É talvez a melhor amiga do Diabo!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'



O Selvagem


Eu não amo ninguem. Tambem no mundo
Ninguem por mim o peito bater sente,
Ninguem entende meu sofrer profundo,
E rio quando chora a demais gente.

Vivo alheio de todos e de tudo,
Mais callado que o esquife, a Morte e as lousas,
Selvagem, solitario, inerte e mudo,
- Passividade estupida das Cousas.

Fechei, de ha muito, o livro do Passado
Sinto em mim o despreso do Futuro,
E vivo só commigo, amortalhado
N'um egoismo barbaro e escuro.

Rasguei tudo o que li. Vivo nas duras
Regiões dos crueis indifferentes,
Meu peito é um covil, onde, ás escuras,
Minhas penas calquei, como as serpentes.

E não vejo ninguem. Saio sómente
Depois de pôr-se o sol, deserta a rua,
Quando ninguem me espreita, nem me sente,
E, em lamentos, os cães ladram à lua...