7.3.09

O futuro dos alimentos (filme-documentário de Deborah Koons Garcia, legendado em português)

A dupla tragédia:
fome crónica no Sul
e obesidade epidérmica no Norte



O Futuro dos alimentos é um filme-documentário norte-americano realizado em 2004 sobre as mudanças que se estão a verificar na natureza da nossa alimentação, sem que muitos de nós tenhamos conhecimento do seu conteúdo nem das suas consequências para a saúde e para o planeta em geral.
Trata-se de uma profunda investigação sobre os bens alimentares geneticamente modificados, cujas sementes e características estão a ser registadas e patenteadas pelas grandes empresas multinacionais que assim passam a monopolizar cada vez o agro-negócio e a dominar em absoluto o mercado global dos produtos alimentares, com a consequente perda de biodiversidade a favor de uma monocultura promovida centralmente pelas grandes empresas transnacionais.
Desde as pradarias de Saskatchewan, Canadá, aos campos de Oaxaca, no México,este filme dá a voz aos agricultores que foram afectados por estas mudanças. Os perigos para a saúde, as políticas governamentais e os lobbies globais são algumas das razões porque muitas pessoas estão alarmadas pela introdução de alimentos alterados geneticamente.
Filmado nos Estados Unidos, Canadá e México, "The Future Of Food" analisa a complexa malha de forças políticas eeconómicas que estão a alterar o que comemos à medida que enormes multinacionais procuram controlar o sistema alimentar mundial.
O filme também explora as alternativas para a agricultura industrial, colocando a agricultura biológica e sustentável como soluções reaispara a crise agrícola actual

http://www.thefutureoffood.com/




























Cada homem rico custa centenas de seres infelizes e miseráveis ( Almeida Garret, in Viagens na Minha Terra)

Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazeis caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos.

Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai.


No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos.

E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?

- Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.

Almeida Garrett, in 'Viagens na minha Terra'


A ideia capitalista polui o espírito

6.3.09

Por um Rendimento Universal de Cidadania (este tema vai ser motivo de conversa hoje à noite na Casa Viva, depois da hora de jantar)


Hoje, 6ª feira, dia 6 de Março, depois da hora de jantar na CasaViva (Praça Marquês do Pombal, 167 –junto à igreja do terço – metro: Marquês) vai haver um encontro para conversar sobre o Rendimento Universal de Cidadania, bem como sobre trocas. Pretende-se que a conversa seja viva e aberta a alternativas ao modelo económico dominante, e se mostre, no contexto de crise em que é suposto vivermos, a importância do Rendimento Universal de Cidadania como verdadeira condição material de ser cidadão e da cidadania.

Falar-se-á sobre o dinheiro e os seus problemas, e as diversas alternativas para trocar os bens e serviços que precisamos.


A esse propósito, pretende-se dar a conhecer a já conhecida proposta de criar um movimento a favor de um Rendimento Universal de Cidadania, como garantia material de cidadania.

A ideia será ainda divulgar o trocal e lançar a sugestão concreta de se criar uma nova moeda de troca entre os bens e serviços que necessitamos.

Para saber mais:

http://livrecidadania.blogspot.com/


O que é o Rendimento Universal de Cidadania?

O Rendimento Universal de Garantia é um rendimento garantido incondicionalmente pelo Estado a todos os cidadãos de forma individual, independente do género, dos recursos materiais de que possa dispor ou da realização de qualquer tipo de actividade remunerada.A adopção desta medida tem alcance bem maior que do que um combate estrito à pobreza, pois aponta, em primeiro lugar, para o estabelecimento, de facto, de uma sólida base material da liberdade real das pessoas, constituindo-se num verdadeiro direito básico de cidadania. Mas constitui ainda um mecanismo de redistribuição que contribuirá decisivamente para as políticas sociais necessárias numa situação de persistência de grande nível de desemprego e de precariedade do trabalho, de pobreza e de desigualdade. A concretização desta medida a ir para diante constituiria, sem dúvida, um passo decisivo para o estabelecimento da cidadania plena, num quadro de falhanço das medidas de carácter assistencial que têm vindo a ser promovidas pelos governos e outras instituições não governamentais usualmente de carácter confessional, que, antes de mais, promovem, em lugar de eliminar, a estigmatização que acompanha essas situações.E, além do mais, é perfeitamente possível concretizá-la. Haja vontade política. E relação de forças adequada.


Não seria melhor garantir o direito ao trabalho?

Vale a pena começar por examinar o que se quer dizer com “direito ao trabalho”. Será um direito legalmente estatuído, de tal modo que possa ser reclamado num tribunal? Implicaria o dever de trabalhar para toda a população apta ?

Tal direito, para ser aceitável, deveria:

1 – ser um direito a uma remuneração suficiente (e não o “direito” que já existe a trabalhar grátis) e em condições laborais dignas;
2 – ser o trabalho socialmente útil ou ético ( por exemplo, conseguir o pleno emprego através do fabrico de armas ou poluindo não parece ter grande sentido);
3 – ter algum sentido para o trabalhador (oito horas diárias a preencher envelopes…, não é propriamente algo de promissor).


O célebre direito ao trabalho teria, pois, de preencher aquelas condições, cujo cumprimento é bastante duvidoso.

A verdade é que, por um lado, é cada vez menos necessário trabalho para uma produção crescente de bens. Além disso, a criação de empregos dignos, úteis e com sentido, sairia bem mais caro, atendendo aos custos salariais, de infra-estrutura, organização e supervisão que tal medida acarretaria. Mas há ainda outras questões: que trabalhos teriam de aceitar quem reclamasse o seu direito? Poderia exigir-se mudança de residência, de profissão ou de categoria laboral? Como se determinaria a utilidade social dos trabalhos? Como seriam distribuídos os trabalhos desagradáveis mas necessários? Quais as medidas a tomar em caso de recusa dos trabalhos garantidos pelo estado? Como poderia um emprego resultado de um direito outorgado pelo estado dar reconhecimento social (supõe-se que esse é um dos objectivos do direito ao trabalho) em vez de estigmatizar (como seria o caso de um emprego caritativo ou artificial)?
Tudo bem ponderado, o Rendimento Universal de Cidadania constituiria uma via muito mais barata, eficiente e equitativa de induzir e favorecer uma melhor repartição do trabalho social – não só do emprego assalariado –, e de o fazer de uma forma não coerciva ou autoritária.


Ligações de interesse sobre o tema:

5.3.09

Café zapatista na Casa Viva ( dia 6 de Março às 22h. com café de Chiapas e filme sobre os índios tzeltales)


http://casa-viva.blogspot.com/

Praça Marquês de Pombal, 167 . Porto

Não ao apagamento da memória das últimas vítimas da PIDE

O inadmissível aconteceu:
retiraram a placa afixada no edifício da antiga PIDE (polícia política da ditadura fascista de Salazar e Caetano) que recordava as últimas vítimas daquela polícia
Texto de Jorge Martins (*),


Primeiro, transformou-se a sede da PIDE/DGS em condomínio de luxo, em pleno coração do Chiado, obliterando a história do edifício quanto ao negro passado da polícia política da ditadura Salazar-Marcelista. Agora, tudo se prepara para que a placa evocativa das últimas vítimas da PIDE, assassinadas no dia 25 de Abril de 1974, desapareça para sempre da fachada do edifício.

Em Outubro do ano passado ainda se podia ver a marca deixada pela placa, como a foto comprova. Hoje já se pode antever que destino espera a placa: o caixote do lixo da história. Se é que já não está no caixote do lixo de um qualquer empreendedor de condomínios de luxo. Quem lá passar agora não encontrará rasto da placa naquelas paredes imaculadas.

Com a fachada limpa dos sinais dos tempos, designadamente dos crimes da PIDE e do regime que sustentou, podem muito bem dormir tranquilos os novos inquilinos da rua António Maria Cardoso. Os outros, os milhares que por lá passaram e sofreram os horrores da tortura, sentir-se-ão de novo seviciados, com a conivência dos novos dirigentes do regime democrático, edificado pelo sacrifício e abnegação de muitos antifascistas, que estão incrédulos e ofendidos com o que se está a passar. Não foi para isto, seguramente, que lutaram muitos democratas. É este o sinal que deixamos às novas gerações? Não basta dedicar umas miseráveis 11 linhas à PIDE nos programas de História? Vamos todos discutir as mulheres de Salazar e esquecer os seus crimes? Vamos apagar as parcas memórias que nos restam?

Sem dúvida que o Estado não demonstra a mínima vontade política para preservar a memória dos crimes da ditadura e da resistência antifascista. Depois da transformação da sede da PIDE em condomínio de luxo, da projectada construção de uma pousada na fortaleza de Peniche e, mais recentemente, da anunciada construção de um hotel de charme no Tribunal Boa Hora, não restam dúvidas de que, para além das palmadinhas nas costas, dos sorrisos de circunstância, das palavras inconsequentes e de resoluções vazias de vontade política de dar passos no sentido do seu cumprimento, não há o mínimo sinal de que o farão. Bem pelo contrário, os sinais são preocupantes. Como se sabe, a Câmara Municipal de Lisboa sancionou o projecto do condomínio na António Maria Cardoso e agora o actual presidente confirmou o pior em relação à Boa Hora, ao afirmar que «não se vive de memórias, vive-se de presente e de futuro». Os sinais do ministério da Cultura não são mais optimistas, face às notícias que alegam a possibilidade da entrega aos privados a exploração do nosso património histórico. Ficámos a saber com quem podemos contar: com a determinação dos que não desistem de denunciar este estado das coisas do Estado.

É imperioso exigir que o promotor imobiliário do Paço do Duque respeite a memória daqueles que lhe permitem hoje enriquecer sobre os escombros da sede da PIDE. Para além de ter apagado, no site oficial, da história do edifício esse facto incontornável, prepara-se agora para deixar cair no esquecimento a placa evocativa das últimas vítimas da PIDE, que dizia:



(*) Biografia de Jorge Martins

O 8 de Março, dia internacional da mulher, é dedicado este ano à mulher imigrante: igualdade, cidadania e direitos para tod@s

Várias entidades, da área do feminismo e do associativismo imigrante, chamam à realização de uma jornada de acção –reinvindicativa e de confraternização- para o próximo 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, a decorrer na Alameda Afonso Henriques, em Lisboa, a partir das 12h.

Pretendemos que a reivindicação deste 8 de Março, dia de luta pelos direitos das mulheres, seja focada este ano especialmente nas imigrantes.

No evento irá ser construída conjuntamente uma manta, símbolo da luta pela igualdade de direitos entre mulheres e homens e por um mundo mais justo, sem violência, solidário e livre.
Tod@s aquelas/es que partilhem estes princípios poderão levar o símbolo da sua associação ou entidade para ser costurado à manta ou poderão escrever lá lemas e apelos, em tecido que também irá fazer parte da confecção.
Na iniciativa, que desejamos abrangente, toda bandeira, símbolo ou palavra de ordem, desde que concordante com os valores da igualdade e da justiça – entre mulheres e homens e entre os povos e nacionalidades diferentes – será bem-vinda, venha de entidades colectivas ou de pessoas individuais.
Queremos que a peça artístico-reivindicativa reflicta a grande diversidade de actoras e de actores envolvid@s neste amplo movimento.

No evento, de carácter reivindicativo mas também lúdico e de convívio, haverá um pique-nique, animação musical e performances.
Convidamos tod@s @s cidadãs/ãos e as organizações da sociedade civil a comparecerem e participarem no encontro, podendo levar também comes e bebes, para partilhar, e os seus próprios instrumentos musicais (ou outras ideias!) para colaborar na animação. Poderão ser instaladas bancas com material das associações (devendo, as que assim o desejarem, levar as mesas e cadeiras necessárias para o efeito).

Há quase um século -desde 1911- que os movimentos sociais, em particular o movimento feminista, vêm celebrando o 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher, jornada de acção em prol dos nossos direitos. Em 1975, a ONU reconheceu esta data “para comemorar a luta histórica por melhorar a vida da mulher”.
O direito ao voto, a mobilização contra as guerras, a luta pela conquista de direitos laborais, a legalização do aborto … foram algumas das importantes batalhas travadas pelas mulheres, muitas vezes com a colaboração entre o feminismo e outros movimentos sociais. As convergências continuam e são muito necessárias no actual momento. Achamos particularmente urgente reforçar a imbricação entre movimentos sociais, nomeadamente, entre os movimentos imigrante, feminista e sindical.

As mulheres imigrantes devem ser objecto de especial atenção nas nossas reivindicações, contando com o protagonismo das próprias nesta luta. Os dados mostram que as mulheres sofrem comummente mais abusos laborais do que os seus companheiros varões. As trabalhadoras imigrantes, nomeadamente quando lhes é negada a possibilidade de regularizarem a sua situação documental, sofrem também mais violações de direitos do que as nacionais. Uma parte muito significativa delas trabalha em sectores como o serviço doméstico e o cuidado de pessoas dependentes, actividades de grande relevância para toda a sociedade, embora pouco reconhecidas e onde são frequentes as situações de abusos laborais e de isolamento social.

São muitas as conquistas, mas também são ainda muitas as vitórias que estão por atingir para acabarmos com a desigualdade e a discriminação em função do género ou da nacionalidade. A violência doméstica, a feminização da pobreza, o reduzido número de mulheres em postos decisores, os entraves colocados à regularização d@s estrangeir@s -que alimentam a exploração laboral e a exclusão social- os grandes retrocessos civilizacionais verificados na Europa, em matéria de direitos humanos d@s imigrantes (Directiva do Retorno, Pacto Sarkozy)… são algumas das questões que estão no centro das nossas preocupações.

Assim, vimos pela presente convidar a vossa associação a participar nesta iniciativa, unindo-se às entidades organizadoras. Contamos com a vossa presença e colaboração. Somos precis@s muit@s para o sucesso desta acção. Tod@s somos imprescindíveis nesta luta, necessária e urgente, em prol da igualdade, da cidadania e dos direitos humanos para tod@s, sem exclusão: mulheres ou homens, nacionais ou estrangeir@s.

Entidades promotoras (até a data): Associação Caboverdeana de Lisboa, Casa do Brasil de Lisboa, Ela por Ela – Editora Feminista, GAFFE – Grupo A Formiga Fora da Estrada, Marcha Mundial das Mulheres, Não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais, Solidariedade Imigrante, SOS Racismo, UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta

Semana internacional contra o apartheid israelita vai ser assinalada em Lisboa com uma sessão na faculdade de ciências (dia 6 de Março às 15h.)

Está a decorrer a partir do dia 1 de Março a semana internacional contra o apartheid israelita. A iniciativa partiu em 2005 da Universidade de Toronto, no Canadá, e rapidamente se converteu numa campanha internacional.

Em 2009, com a recordação do massacre de Gaza ainda fresca, começa bem, com o cancelamento dos intercâmbios de estudantes entre a Universidade de São Paulo e a Universidade de Tel Aviv. O secretário do PT brasileiro para as relações exteriores, Valter Pomar, justificou o cancelamento afirmando que “seria adequado aplicar ao governo israelita o mesmo tratamento que o governo de apartheid da África do Sul recebeu”.
Por outro lado, as universidades canadianas de Ottawa e de Carleton vão ter de justificar-se por terem proibido, na semana passada, um poster representando uma criança palestiniana diante dum bombardeiro israelita. A semana anti-apartheid começa aí com a crítica de estudantes que vêem na proibição “uma violação da liberdade de expressão de estudantes que falam sobre direitos humanos”.

Semana internacional contra o apartheid israelita
Sessão na 6ª feira, 6 de Março, 15 horas,
na sala 6.4.30, Edifício C6, 4º andar
na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa,

Com a participação de
John McDermott, professor universitário canadiano

Projecção do filme
Wadi Fukin, a aldeia cercada (17 min), de Chris den Hond

Organização do COMITÉ DE SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA e núcleo da Fac. de Ciências

http://palestinavence.blogs.sapo.pt/23089.html


http://apartheidweek.org/


Documentário de 2009 de apresentação da Semana sobre o Apartheid israelita


Documentário de 2008 de apresentação da Semana sobre o Apartheid israelita

1º aniversário da Associação Renovar a Mouraria é comemorado com diversas iniciativas ao longo do mês de Março

A Associação Renovar a Mouraria comemora 1 ano de existência no dia 19 de Março. Para o efeito foi organizado um interessante Programa:

Dia 1 de Março:
16:00 - Inauguração da Exposição de fotografia e poesia popular A Mouraria dos Anos 40, de Fernando Baguinho
Até 31 de Março

18:00 - Tertúlia de Fado Mouraria com o trio de João Penedo: contrabaixo, Marco André: voz e guitarra, Ricardo Rocha: guitarra portuguesa, e muitos fadistas convidados…

Local: Forno do Alfarrabista, Beco dos Cavaleiros, 7-13 (Ao lado da Rua dos Cavaleiros)



Dia 7 de Março:

17:00 – Conferência Falando de Fado, com Adalberto Alves

Seguido de excerto do espectáculo "Papoila de Odiana", Dançar a Poesia de Almutâmide,
com Elsa Shams, Eduardo M. Raposo, Tiago Bensetil, Nuno Faria


Local: Galeria Colorida, Rua Costa do Castelo, 63 (Entrada pela Esc. Marquês Ponte de Lima 1-A)


Dia 10 de Março:
18:30 - Percurso pelos Azulejos do Metro do Martim Moniz, com Gabriela Carvalho


Dia 11 de Março:
19:30 – Exibição do Filme A Severa, de Leitão de Barros (Organização conjunta com a Cinemateca Portuguesa)
Cinemateca Portuguesa, Rua Barata Salgueiro, 39


Dia 14 de Março:
16:00 – Ronda das Tascas: as mais típicas tascas da Mouraria serão revisitadas neste passeio que será acompanhado por músicos da Associação Gaita-de-Foles, fadistas e muitos convidados…



Dia 21 de Março:
22:30 – Há Tertúlia na Mouraria, com música, poesia e muitas conversas soltas sobre a Mouraria
Local: Bar Anos 60, Largo do Terreirinho, 21


Dia 24 de Março:
18:30 - Visita ao Colégio de Santo Antão-o-Novo, com Gabriela Carvalho


Dia 28 de Março:
15:00 – O Centro Mário Dionísio abre as portas para mostrar o seu futuro espaço

Casa da Achada, Rua da Achada, 11-B

16:00 – Projecção de um documentário sobre Mário Dionísio
Projecção de quadros e leituras de poemas de Mário Dionísio
Espectáculo musical com Diana e Pedro

Largo da Achada


Dia 29 de Março:
11:00 – Atelier para crianças com leitura de contos e desenhos
Casa da Achada, Rua da Achada, 11 - B

Jantar caboverdeano promovido pelo Solim (Solidariedade Imigrante) no Sábado(7 de Março, às 20h. em Lisboa)


Apareçam para curtir o som do funana do Arlindo e da sua banda, e a cachupa da Milena!

4.3.09

Mais uma notável crónica de Manuel António Pina sobre o tempo em que vivemos...

Noticia o JN que está marcado para o dia 20 de Abril, no Tribunal da Maia, o julgamento de um homem que, em 2007, terá arrombado um galinheiro e furtado duas galinhas no valor de 50 euros.

A Justiça tarda, mas chega. O criminoso andou mal e merece justa punição, quer pela mediocridade de fins quer pela ruralidade de meios.

Gente como ele, que pilha galinhas em vez de fundar um banco e pilhar as contas dos depositantes, ou como aquela septuagenária que não pagou uma pasta de dentes num supermercado em vez de pedir uns milhões à Caixa, comprar o supermercado na bolsa e igualmente não o pagar, vendendo-o depois à Caixa através de um "offshore" pelo dobro do preço (ou vendendo-lho mesmo antes de o ter comprado), não tem lugar no Portugal moderno e empreendedor.

Ainda por cima, deixou-se apanhar. Se calhar, até confessou, em vez de invocar lapsos de memória. E aposto que nem se lembrou de se divorciar antes de ser preso, pondo os 50 euros a salvo na partilha de bens.

Não queria estar na pele do seu advogado, não há Código de Processo Penal que valha a um caso destes. É condenação mais que certa.


Texto de Manuel António Pina, em crónica publicada no Jornal de Notícias sob o título «Crime e Castigo»

Teatro-Seminário no espaço Chã das Eiras, a partir de 18 de Março

Todas as quartas das 18.00 ás 21.00, de 18 de Março a 17 de Junho, no Espaço Chã das Eiras - Porto,com o seguinte programa:

1
Trabalho sobre o corpo em desequilíbrio, em deslize, em risco, o corpo que ultrapassa as fronteiras do seu próprio espaço de segurança e assim atinge o outro.O despertar da auto confiança capaz de permitir o abandono e propiciar o imprevisível .O binómio espontaneidade/ forma sob o signo da intencionalidade, expresso por meio da revisitação criativa de processos de training.Dinâmicas e energias de deslocação no espaço de trabalho, a partir dos membros inferiores, sob formas precisas de deslocação, sob a descontextualização progressiva do pisar, sob o constrangimento de ter de criar deslocações pessoalizadas.Libertação progressiva da expressividade do tronco em imobilidade e em movimento, especificação e desenvolvimento dos pontos de partida do impulso.Dinâmicas e energias de direccionamento do impulso , tanto no aspecto da intensidade como no da qualidade.Trabalho de activação respiratória, diferenças entre respiração pela boca e pelo nariz, a respiração como um fio de Ariadne.


2
Trabalho sobre a teatralidade enquanto acção comprometida que implica a totalidade do indivíduo, que corresponde a uma necessidade concreta e real de interacção e expressão.Trabalho sobre as bases mais primárias da contracena, choque, suporte, estimulo, recusa, conflito, risco, confiança no parceiro de jogo.Despertar progressivo da intuição e da imaginação activas partindo tanto da necessidade de incorporar constrangimentos e ápriori corporais, como da provocação imediata para o exponenciar de respostas criativas no presente.Condicionantes vectoriais da acção/movimento, quem, quando, onde, o quê, como, porquê, para o quê, contra o quê.Simbioses e contaminações entre o substrato imaginário e a formalidade da fisicalidade concreta.Estratégias paralelas conducentes á ampliação do espectro pessoal de movimento, trabalho sobre animais, sobre as diferentes fisicalidades que se manifestam ao longo do ciclo de uma vida, compreensão e integração do movimento alheio.Experiências sobre os vários processos do olhar, da visão.


3
Trabalho sobre a abordagem e a criação ou levantamento de um espaço cénico, qualitativamente diverso do espaço e do local quotidiano, embora apoiando-se e desenvolvendo-se a partir deste, numa organicidade que o presente concreto deve alimentar e não impedir.A importância de “escolher” o espaço mantendo com ele uma relação de subjectividade pessoal capaz de metamorfosear a inércia dos materiais e dos volumes em fontes de inspiração para o vivo, entendendo-se o corpo como, ele também, um espaço a escolher.O espaço enquanto fronteira e enquanto vazio por preencher, os espaços por trás do “espaço”, as coordenadas da esfera espacial do indivíduo e as suas ressonâncias subjectivas.O inevitável relacionar da espacialidade com a temporalidade, enquanto ritmo de mudança, enquanto momento expresso num tempo irrepetivel, a recuperar e reviver noutros momentos de irrepetibilidade.A ética como dimensão irredutível do trabalho do performer, não como imposição de uma disciplina abstractamente exterior mas como factor passível de determinar ou impedir a possibilidade de uma teatralidade eficaz.Reflexão sucinta sobre as similitudes entre o espaço da cena, o espaço do sonho, e o espaço mítico.



Hugo Calhim Cristóvão ( 966149405) - Criador e director artístico do grupo performativo de pesquisa "NuIsIs ZoBoP". Criou e dirigiu "ABBADON" com interpretação de Paula Cepeda Rodrigues e “SHE WILL NOT LIVE”, interpretado por Joana von Mayer Trindade, no âmbito da NuIsIs ZoBoP. Destaca as experiências de trabalho com Conceição Nunes, João Paulo Costa, Polina Klimovitskaia, Rogério de Carvalho, Malcolm Morrison, Min Tanaka, Christinne de Villepoix, Laurie Booth, Thomas Richards, Andrezj Mayak, Andrezj Sadowsky, Zygmunt Molik, Elizabete Disdier, Paula Simms, Alain Richardson, Krystian Lupa e Guennadi Bogdanov. Licenciatura em Teatro, Interpretação e Direcção de Actores, na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto ( 1998/1999). Seminário Profissional de Formação de Jovens Encenadores no Teatro Nacional D. Maria II (2003). Professor das disciplinas de Oficina de Expressão Dramática I e Oficina de Expressão Dramática II no ensino secundário (2003/2004). Colaborador da Universidade de Évora tendo leccionado as disciplinas Corpo e Movimento Cénico III (2003/2004), Corpo e Movimento Cénico II e Improvisação II (2004/2005) da licenciatura em Estudos Teatrais. Outras formações e experiências diversas, entre as quais uma imersão de três meses em meditação Zen no Templo Zazen Antai-Ji no Japão ( 2002), e uma estadia de seis meses na Índia onde concluiu “Certificate Course in Yoga” na Benares Hindu University em Varanasi e “Yoga Intensive Teachers Training Course” na Patanjali Yoga Foundation em Rishikesh, ambos em 2008
Hugo Calhim Cristovao : hugocristovao@gmail.com

Bicycle Film Festival - Lisboa 2009 (Lisboa vai ter também um Festival de cinema dedicado às bicicletas)

A celebração da BICICLETA e cultura ciclística
Qual a melhor forma de celebrar a bicicleta? Pela arte, performances, cinema, música, e - claro - pedalando!


Pela 1ª vez, a capital portuguesa acolherá o BFF, em Setembro, integrando o grupo de cidades na vanguarda do movimento ciclístico global.

O prazo para apresentação de filmes para o concurso internacional BFF termina a 17 de Março.
No entanto, o prazo para submissão de filmes e propostas artísticas para o BFF Lisboa foi alargado até Junho. Participa!

O BICYCLE FILM FESTIVAL [BFF] integra-se na emergente cultura do ciclismo urbano. Conjugando os diferentes aspectos da cultura ciclística, promove a bicicleta e a sua capacidade de nos transportar de variadas maneiras.

Desde que surgiu em 2001 em Nova Iorque, o BFF contribuiu significativamente para a dinâmica de crescimento do movimento ciclístico nas grandes cidades do Mundo. O seu propósito é o de estimular positivamente a comunidade e os utilizadores da bicicleta através de diversas actividades.

Uma tendência VERDE e CRESCENTE

São inegáveis os benefícios da bicicleta para os seus utilizadores e para a cidade e comunidade onde se inserem.

Promover o uso da bicicleta é estimular um modo de vida mais saudável e ecologicamente sustentável. Por isso, cada vez mais pessoas circulam de bicicleta nas grandes urbes, e um número crescente de ciclistas identifica-se actualmente com um modo de vida baseado no transporte individual sustentável. A “Bike Scene” ganha um reconhecimento crescente na sociedade, como sucedeu com o surf ou o skate nos anos 80 e 90.


A programação do BFF é transversal a várias disciplinas e públicos-alvo, integrando uma mostra de cinema, exposições artísticas, workshops, música e performances, passeios e actividades de bicicleta.

O BFF tem apresentado trabalhos de artistas e cineastas estabelecidos bem como de outros que obtiveram reconhecimento global com o Festival. Em edições anteriores, foram apresentados trabalhos de autores como MICHEL GONDRY, SWOON, PHIL FROST, MADSAKI e PETER SUTHERLAND, entre outros.

Os eventos são muito populares e eclécticos, incluindo trabalhos seleccionados especialmente para cada edição, ao nível internacional e local.

Cada cidade apresenta sempre uma programação inédita e única, proporcionando uma oportunidade ímpar de juntar criadores e público de áreas muitas vezes bem diferentes.
Uma Audiência ENTUSIASTA e GLOBAL

O público do BFF é composto essencialmente por jovens urbanos, que se identificam com cinema independente, arte, música e desporto. Ao longo dos anos, a iniciativa gerou uma comunidade de adeptos que viaja para participar nas diferentes cidades onde o evento decorre.

As expectativas têm sido consistentemente excedidas, com as audiências a duplicar a cada ano. Em 2008, participaram cerca de 150.000 pessoas em 17 cidades.
O evento tem obtido elevada notoriedade mediática junto de canais televisivos, jornais e revistas, e também beneficia de uma cobertura significativa na internet.


Mais informações em http://bicyclefilmfestival.com/

BICYCLE FILM FESTIVAL - LISBOA 2009

3.3.09

Feira de Trocas (8 de Março, das 15h. às 18h., no espaço da Junta de Freguesia de São Nicolau)

Porquê trocar?

É uma forma de reciclagem

Para reduzir o lixo

Para poupar dinheiro

Porque o valor das coisas não está no preço, mas no uso que lhes damos

Para construir um mercado local, feito por tod@s

Para valorizar aquilo que podemos fazer e oferecer

Para reavivar hábitos esquecidos

Para conhecer @s vizinhs do lado

Para animar a tarde de domingo!

Organização:

http://gaia.org.pt/

Não à sorte de varas nem aos touros de morte nos Açores


Apelo a todos os cidadãos e cidadãs e a todas as organizações ambientalistas/ecologistas e de defesa dos animais

Depois de várias tentativas frustradas de introduzir na ilha Terceira corridas picadas e touros de morte, tem-se assistido nos últimos anos a uma imposição das touradas à corda em ilhas onde não há qualquer tradição, como Santa Maria ou São Miguel, com a conivência ou apoio governamental ou autárquico.

Numa altura que as vozes de sempre aproveitando a revisão constitucional de 2004 e o novo Estatuto Político dos Açores, se preparam para fazer aprovar, na Assembleia Legislativa Regional, legislação que legalize a sorte de varas e depois os touros de morte, um grupo de cidadãos e cidadãs decidiu começar a luta em defesa dos direitos dos animais de que as touradas são uma parte do problema.

Considerando que não é aceitável que nenhum animal seja torturado para entretenimento do ser humano. Considerando que todo o acto que implique a morte de um animal, sem necessidade, é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida (Artigo 11º da Declaração Universal dos Direitos dos Animais). Considerando ainda que os direitos dos animais devem ser defendidos pela Lei, assim como o são os direitos do homem (Artigo 14º) e por acreditarmos que a evolução cultural irá sobrepor-se à tradição e à ignorância, vimos manifestar a nossa profunda discordância com a referida pretensão e apelar para que:

1- Não sejam promovidas nem apoiadas, com recurso a dinheiros públicos, touradas à corda, nas ilhas onde tal prática não é tradição;

2- Não venham a ser legalizadas as corridas picadas e os touros de morte, por serem alheias à nossa cultura, na Região Autónoma dos Açores.

3- Seja aprovada legislação regional de protecção dos animais que tenha em consideração o disposto na legislação europeia e na Declaração Universal dos Direitos dos Animais que foi proclamada em 15 de Outubro de 1978 e aprovada pela Unesco.



Todas as pessoas singulares ou colectivas (formais ou informais) e blogues que queiram subscrever este apelo deverão enviar um mail (
terralivreacores@gmail.com ) manifestando a sua intensão e indicando o nome, profissão (ou instituição a que pertence)e local de residência (no caso dos cidadãos/cidadãs) nas associações e outros colectivos deverão indicar o nome e o local.

Fonte: http://terralivreacores.blogspot.com/

Concerto para apoiar os 4 activistas sociais, acusados de difamação pelo SEF ( dia 7 de Março, na Associação Terra Viva, Porto)

CONCERTO

para apoiar os quatro activistas sociais, acusados de difamação, por numa manifestação em 2006 terem responsabilizado o SEF do Porto do suicídio de um imigrante

com

TRASHBAILE
MISTURA DO PESADO BAILE COM O TRADICIONAL TRASH

ESSALAM

MUSICA BERBER

CABEÇA DE MARTELO PUNK DA TERRA DO PÃO DE LÓ

Sábado, 7 de Março - Terra Viva
Rua dos Caldeireiros, 213 (Cordoaria), Porto


http://terraviva.weblog.com.pt

2.3.09

A luta dos professores continua. Plataforma sindical reafirma a sua determinação e no próximo Sábado ( 7 de Março) há um cordão humano em Lisboa.




Organizações da Plataforma Sindical dos Professores reafirmam posições sobre avaliação e revisão do ECD

FENPROF, FNE, SPLIU, SNPL, SEPLEU, SINDEP, ASPL, SINAPE, e SIPE reuniram-se em Lisboa, na tarde de 27 de Fevereiro
.
Da reunião saíram as seguintes conclusões:

Avaliação do desempenho docente

As organizações continuam a considerar necessário que o ME suspenda, urgentemente, a aplicação do actual modelo de avaliação e manifestam grande preocupação com o facto de os seus principais procedimentos coincidirem com os momentos mais sensíveis do ano lectivo, designadamente o seu final, responsabilizando o ME por todas as situações de instabilidade acrescida que venham a ocorrer.

As organizações manifestaram, ainda, a sua disponibilidade para continuarem a apoiar juridicamente todos os professores que, por não terem entregado os objectivos individuais de avaliação, venham a ser ameaçados de consequências que a lei não prevê.

Revisão do ECD

As organizações presentes reafirmaram convergência nas posições fundamentais que têm assumido em sede negocial. Assim, e particularmente em relação à estrutura da carreira e avaliação do desempenho, reafirmam a exigência de eliminação das categorias, abolição das vagas para acesso a qualquer escalão da carreira, substituição do modelo de avaliação e revogação das quotas para atribuição de menções qualitativas.

Sem que se verifiquem, cumulativamente, estas condições, não haverá espaço para qualquer acordo ou, sequer, entendimento com o Ministério da Educação.

Concursos para a colocação de professores

As organizações reafirmam o seu profundo desacordo em relação à legislação hoje publicada (Decreto-Lei 51/2009, de 27 de Fevereiro) e decidiram: entregar no ME, no primeiro dia dos concursos, o abaixo-assinado de contestação que reúne já milhares de assinaturas; diligenciar, junto das entidades competentes, no sentido de obterem a apreciação parlamentar do diploma legal, bem como a sua submissão a um processo de fiscalização sucessiva e abstracta de constitucionalidade.

"Cordão Humano" a realizar no próximo dia 7 de Março

Este cordão humano, que será mais uma grande acção dos professores e educadores portugueses, tem os seguintes objectivos: exigência de suspensão do actual modelo de avaliação, revisão positiva do ECD e fim da divisão da carreira docente. A esta luta aderiram já as seguintes organizações: FENPROF, SPLIU, SNPL, SEPLEU, SINDEP, ASPL E SIPE. É provável o envolvimento de um ainda maior número de organizações no Cordão Humano, ficando a decisão apenas pendente de reuniões dos seus órgãos estatutários, que deverão ter lugar ao longo da próxima semana.

A Plataforma Sindical dos Professores

Acção MayDay sobre o equilíbrio das vidas precárias. Hoje há reunião MayDay no Porto, e no dia 4 de Março é em Lisboa

Querem-nos precários, descartáveis e fáceis de despedir. Querem-nos torcidos, sujeitos às leis da flexibilidade.

Atacam-nos direitos e fazem chantagem. Dizem que temos de aceitar o inaceitável. Dizem que é da crise, que vem de fora. Dizem que contra ela, nada se pode fazer. Mas será a crise para todos?

Enquanto nos contorcemos para tentar equilibrar as nossas vidas precárias, outros aumentam lucros e cobrem as falcatruas com uma ajudinha do Estado.

Nós respondemos na luta diária. Por um emprego, um contrato justo, para poder pagar a renda de casa, a água, a luz, a saúde, a educação, o lazer e a cultura. Mas respondemos também uns com os outros. Para mudar colectivamente as vidas precárias, decidimos organizar, no dia 1 de Maio, o Mayday!

O Mayday! é um apelo geral contra a precariedade. Uma luta que junta trabalhadores de call-center e outras vítimas das empresas de trabalho temporário, estagiários a trabalhar por uma migalha, técnicos e artistas intermitentes do espectáculo, gente a recibos verdes, imigrantes a quem cortam duas vezes os direitos, todos os que têm míseros contratos a prazo e baixos salários, sindicalizados ou não, desempregados, todos a quem a promessa de futuro é viver sob a ameaça e a chantagem.

O Mayday! é um protesto que sai à rua no primeiro de Maio, mas é também um caminho de debate, contestação e festa. À chantagem da precariedade propomos a insubmissão dos precários.

Precários nos querem, rebeldes nos terão!

Até ao Mayday, há um caminho a fazer. E é p'ra já!

Toda a gente está convocada!

Próxima Assembleia MayDay em Lisboa: dia 4 de Março, às 21 horas
Local: Associação Solidariedade Imigrante :: Rua da Madalena, 8 - 2º
(ao Campo das Cebolas)



Acção MayDay Lisboa 2009 :: O equilíbrio das vidas precárias!

Estivémos no centro de Lisboa a mostrar como é difícil equilibrar e suportar todas as coisas que fazem parte da vida. Somos precários e precárias, mas não o queremos ser para sempre. Por isso fazemos o MayDay!!






Precários nos querem. Rebeldes nos terão!

Assembleia do MayDay Porto no dia 2 de Março de 2009 às 21h.30 nos Maus Hábitos

(bar em frente ao Coliseu do Porto, na Rua Passos Manuel)


Vídeo do Stencil do MayDay Porto.

Comunicado das associações ambientalistas (Quercus, Fapas, Geota, LPN) contra a refinaria de Balboa (na Extremadura espanhola)

Em finais de 2004 foi anunciado pelo Presidente da Junta de Extremadura (Espanha) a intenção de construir uma refinaria de petróleo nos municípios estremenhos de Villafranca de los Barros, Los Santos de Maimona e Fuente del Maestre, situados entre as comarcas de Tierra de Barros e Zafra-Río Bodión.

Apresentado como o maior projecto industrial da história da Extremadura, o promotor da
Refinaria Balboa seria o Grupo Alfonso Gallardo (com BBVA, Iberdrola, Caja Madrid, Caja Extremadura e Sociedad de Fomento Industrial de Extremadura), que realizou também avultados investimentos na região, designadamente nos sectores siderúrgico e cimenteiro, perspectivando ainda novos investimentos no sector petroquímico e energético (centrais térmicas).

A Refinaria Balboa, que terá capacidade para produzir mais de 5 milhões de toneladas de produtos petrolíferos por ano, necessitará de um oleoduto para a ligar ao porto de Huelva com cerca de 200 km de extensão.

Contra o projecto de refinaria nasceu, de imediato, uma importante mobilização cívica com origem em Villafranca de los Barros e que depois se estendeu a toda a comarca e, finalmente, a toda a região de Extremadura, consubstanciada na formação da Plataforma Ciudadana Refineria No. Durante estes anos, foi levado a cabo um número impressionante de manifestações organizadas, umas vezes por esta Plataforma noutras ocasiões por organizações agrárias e ecologistas, com assistência pública assinalável, convictos de que este projecto, destruirá o tecido industrial e económico de toda uma região dedicada fundamentalmente ao sector agrário e ganadeiro, onde foram feitos investimentos muito importantes na reestruturação das vinhas e na modernização de infra-estruturas para conseguir pôr os seus produtos à cabeça da Extremadura em matéria de vinhos, azeites e queijos, entre outros.

O procedimento de avaliação de impacte ambiental da construção da refinaria de Balboa teve início em Abril de 2006. Em Dezembro desse ano, o Ministério do Ambiente Espanhol estabelecia o nível de detalhe necessário do estudo de impacte ambiental (Proposta de Definição de Âmbito) que seria depois entregue pelo mesmo, em Janeiro de 2008, às autoridades de AIA portuguesas.

Em Fevereiro de 2008, a Plataforma pelo Alentejo Sustentável foi contactada pela Agência Portuguesa de Ambiente (APA) para se pronunciar sobre um conjunto simplificado de documentos relacionados com o empreendimento. Esta Plataforma não tem existência legal nem funcionamento contínuo, pelo que não houve resposta na altura por parte das diferentes organizações não governamentais com interesse no tema, dado que as mesmas só tomaram conhecimento da consulta pública no final do respectivo prazo. Este procedimento é altamente questionável, tendo em conta que a questão da refinaria foi diversas vezes levantada pelas organizações não governamentais de ambiente (ONGA) representadas no Conselho Nacional da Água (Quercus, Geota e LPN), onde está igualmente representada a APA. Para além disso, estas ONGA reuniram em várias ocasiões com a sub-comissão de participação pública da Comissão de Acompanhamento da Convenção de Albufeira (CADC) e não foram informadas da consulta pública por esta via. Assim, apesar de inequivocamente demonstrado o interesse da Quercus, do Geota da LPN e do FAPAS, as mesmas nunca foram directamente informadas e consultadas. Ainda assim, e não obstante, a Quercus viria a participar no processo de consulta pública que teve lugar em Espanha em Julho de 2008.

Em função da referida consulta efectuada em Fevereiro, a APA elaborou um conjunto de considerações enviadas para o Ministério do Ambiente Espanhol que, em Julho de 2008, solicitou ao promotor uma avaliação do impacte transfronteiriço do projecto. O Ministério do Ambiente Espanhol viria a receber essa análise no final desse mesmo mês de Julho, tendo em seguida dado conhecimento do documento à Agência Portuguesa de Ambiente.

A APA considerou insuficiente o conjunto de elementos fornecidos, voltando a pedir mais esclarecimentos à parte espanhola, o que é novamente solicitado em Outubro de 2008 ao promotor pelo Ministério do Ambiente Espanhol. Em Dezembro de 2008, o promotor elaborou um documento de resposta às questões colocadas pela APA, entregue através do Ministério do Ambiente Espanhol, juntamente com o Estudo de Impacte Ambiental, e cuja consulta pública termina hoje, dia 24 de Fevereiro de 2009 e que é o objecto do presente parecer.



Considerações gerais

Poderá, desde logo questionar-se a localização da refinaria. De um modo geral, há duas localizações lógicas para as refinarias, em países não produtores de petróleo:

- junto à costa (porque é aí que aportam os petroleiros),
- ou junto a grandes cidades (porque é aí que se consomem os produtos petrolíferos).

Esta refinaria, nem se encontra junto à costa, nem junto a grandes cidades. Logo, têm de haver outras motivações.

De facto, trata-se de um projecto com objectivos muito particulares: sustentar o desenvolvimento industrial do próprio grupo (cimenteira, siderurgia, centrais térmicas, petroquímica e o que mais vier a ser projectado), e alicerçar as evidentes ambições hegemónicas que o mesmo tem em relação à Estremadura espanhola e mesmo a Portugal. Não se trata de todo de um projecto de desenvolvimento regional, mas de um projecto corporativo conduzido à revelia dos interesses regionais.

Para além destas motivações, há a considerar um conjunto de outros aspectos:

+ Uma instalação desta natureza tem emissões muito consideráveis de dióxido de carbono, contribuindo significativamente para a emissão de gases de efeito de estufa causadores das alterações climáticas, indo contra uma política energética europeia de maior aposta nas energias renováveis e na eficiência energética em detrimento do uso de combustíveis fósseis; as emissões de dióxido de carbono, num total de 1,5 milhões de toneladas/ano representam 2,5% das emissões portuguesas no ano base de 1990 do Protocolo de Quioto;

+ As emissões atmosféricas associadas a outros poluentes serão muito relevantes, com efeitos na saúde pública e nos ecossistemas, contribuindo para problemas como a acidificação, a produção de ozono troposférico e ainda a emissão de partículas; em determinadas condições meteorológicas Portugal será directamente afectado;

+ A construção da refinaria tem localização prevista na bacia hidrográfica do Guadiana, a escassos 50 km da albufeira do Alqueva, agravando a situação, já de si preocupante, da qualidade da água, com reflexos negativos nos aquíferos e no solo;

+ A água armazenada na albufeira de Alqueva é transferida para outras albufeiras (Monte Novo, Alvito, Odivelas e Roxo) que abastecem diversas localidades. O derrame acidental e não controlado de hidrocarbonetos, com origem na refinaria ou no troço do oleoduto na bacia do Guadiana, poderá originar graves consequências no fornecimento de água à população de uma vasta região;

+ A produção de resíduos perigosos é muito importante e obrigará não apenas ao seu tratamento como a operações de descontaminação para além das acções de desmantelamento no futuro;

+ Serão inevitáveis os impactes sobre a importante actividade agrícola na zona, a paisagem e os ecossistemas circundantes (Serra de San Jorge), para além dos valores de património histórico e cultural como a Via de la Plata – Camino de Santiago, exactamente na zona de implantação do empreendimento mas também estendendo-se a Portugal;

+A viabilidade económica das explorações agrícolas do Alentejo e da Extremadura que apostam na qualidade dos produtos e na certificação biológica poderá ficar comprometida pela contaminação atmosférica e hídrica resultante da refinaria.

+ Mesmo no contexto espanhol, não é evidente a alegada relevância da refinaria em matéria de auto-suficiência, pois não são exploradas soluções de reconversão de refinarias existentes, e a matéria-prima – petróleo bruto – continua a ser importada. O investimento a efectuar na refinaria, a ser efectuado alternativamente em energias renováveis geraria um muito maior número de postos de trabalho directos (cerca de 10 mil);

+ O futuro da bacia hidrográfica do Guadiana passa por um desenvolvimento que promova as potencialidades locais e não a criação de conflitos sociais que uma instalação desta natureza gerará inevitavelmente.

Aspectos transfronteiriços mais relevantes que as ONGA consideram vitais para justificar a recusa de Portugal na instalação da refinaria

- Afectação do Rio Guadiana e Barragem de Alqueva


O clima de Portugal e da Estremadura Espanhola, em particular na bacia hidrográfica do Guadiana , está a sofrer modificações motivadas pelas alterações climáticas globais, sendo que os regimes e caudais do rio são cada vez menores. As previsões para a Estremadura apontam nas próximas décadas para uma redução de 20 a 45% do valor da precipitação, menos 35% de nebulosidade e uma humidade relativa 10% menor. A bacia do Guadiana está submetida a secas periódicas, sendo necessário um planeamento conjunto articulado com Portugal em situações mais críticas, já que o volume de água armazenado também tenderá a diminuir. O volume de água a ser utilizado pela refinaria é muito significativo (132 litros/segundo – o equivalente a uma população de 25 000 famílias) e após a utilização, a redução da sua qualidade, não permite o uso imediato para consumo humano. O uso destes 4 hm3/ano de água altera as quantidades e usos previstos pela Confederação Hidrográfica do Guadiana, sendo que este volume poderá ser ultrapassado, já que a capacidade de bombagem apontada é de 714 m3/h (contemplando aquilo que se chama de possíveis ampliações), o que faz antever conflitos de uso de água ainda maiores no futuro.

Note-se que as afluências anuais registadas pela CHG para a albufeira de Alange, de 81.8 hm3/ano (diferentes dos que o promotor indica, de 150 hm3/ano) não são sequer suficientes para assegurar a procura actual e futura para o uso a que está destinado. De acordo com relatório interno do INAG, no ano hidrológico 2005/2006 houve um défice de, pelo menos, 16 a 18 hm3 no valor do escoamento total afluente a Portugal a jusante de Badajoz (que, podendo parecer insignificante, corresponde a uma perda de caudal constante ao longo do ano de 0,5 m3/s) e que, mesmo assim, não foi compensado pelas autoridades espanholas apesar das condições de armazenamento serem então altamente favoráveis, o que indiciaria, a nosso ver, uma ainda menor vontade de cumprimento em condições de menores disponibilidades hídricas.

A solicitação efectuada pela Refinaria Balboa, juntamente com os pedidos do mesmo Grupo de até 4 possíveis projectos de Central Eléctrica de Ciclo Combinado, todas a captar água da albufeira de Alange no rio Guadiana, constituiriam um acréscimo de necessidades muito significativo (estima-se uma procura para projectos industriais de até 25 hm3/ano, a que há que juntar 9 hm3/ano para abastecimento e de 70 hm3/ano para rega).

Por outro lado, a captação solicitada seria incompatível com a manutenção do caudal ecológico do rio e não garantiria os acordos mantidos com Portugal respeitantes aos volumes que se devem destinar ao caudal do Guadiana, segundo o Protocolo Adicional (Regime de Caudais e seu Anexo).

Haverá ainda que ter em conta que as águas captadas, uma vez utilizadas, serão vertidas no rio Guadajira, afluente do Guadiana, em condições qualitativamente inferiores às da origem, sendo que ambos os cursos se encontram actualmente muito contaminados como é claramente assumido pela Confederação Hidrográfica do Guadiana. Note-se que o pedido de concessão de 4 hm3/ano de água da albufeira de Alange se destina a tratar (leia-se dessalinizar) os crudes provenientes do Alto Orinoco da Venezuela (que são dos mais impuros e de maiores teores de resíduos do mundo).

Neste contexto há claramente impactes que afectam a manutenção de um caudal ecológico e/ou os caudais garantidos no quadro da Convenção sobre a Cooperação para a Protecção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas. Mais ainda, para além dos problemas de quantidade, também a qualidade da água no rio Guadiana e na Albufeira de Alqueva já de si deficientes, serão agravadas com o funcionamento normal da refinaria e estarão sempre ameaçadas por riscos de deficiente tratamento dos efluentes ou de eventuais derrames. Este risco é ainda mais grave no que diz respeito ao aumento da concentração de sais nos sistemas reservatório de Alqueva e todas as albufeiras integradas no seu sistema de rega. As consequências do aumento da concentração de sal prevêem-se desastrosas, respectivamente a salinização e sodização dos solos e a morte de culturas agrícolas. Estes impactes não são mencionados no EIA.

Em suma, este e outros projectos do mesmo promotor podem entrar em colisão com o disposto na Directiva 2000/60/CE (Directiva Quadro da Água), designadamente no que se refere ao artigo 1, artigo 5 (deve existir uma análise económica do uso da água), artigo 9 (deve exigir-se uma recuperação dos custos dos serviços relacionados com a água), artigo 12 (problemas que não possa abordar um só estado membro, dado o carácter internacional do rio Guadiana).


- Qualidade do ar, em particular agravamento da poluição por ozono no Verão

Sabe-se que uma instalação de refinação tem impactes na qualidade do ar a mais de 100 Km - estudos também realizados pela Universidade Nova de Lisboa com campanhas por tubos de difusão mostram-no para o caso de Sines, onde ventos de Noroeste permitem identificar uma pluma de maior concentração de dióxido de enxofre, bem como a ocorrência de maiores concentrações do poluente secundário ozono na zona do Sotavento Algarvio provavelmente consequência das emissões primárias de compostos orgânicos voláteis e óxidos de azoto da zona industrial. Um dos aspectos críticos prende-se com as condições meteorológicas de elevada temperatura e radiação solar associadas a ventos de leste, onde é certo um agravamento dos níveis de ozono na zona do Alentejo, afectando assim culturas agrícolas e a saúde pública. Quanto a outros poluentes, o promotor não efectuou sequer simulações para a área periférica à instalação, mas haverá também um agravamento dos seus níveis na atmosfera, apesar de poderem não vir a ser críticos, excepto eventualmente no caso das partículas inaláveis. Acrescente-se ainda que esta situação se tornará mais provável devido a uma maior frequência de ondas de calor previstas num quadro de alterações climáticas.


- Afectação de espécies e habitats protegidos

O EIA foi realizado à escala da Comunidade Autónoma da Extremadura, ignorando o facto de maior proximidade de alguns territórios portugueses e, consequentemente, maior probabilidade de afectação dos mesmos. O EIA integra a Rede Natura 2000, as áreas protegidas, a rede hidrográfica e outras condicionantes ambientais presentes na Extremadura mas ignora as suas equivalentes em território português. Sendo o propósito da Rede Natura 2000 a criação de uma rede importante de protecção dos valores naturais à escala Europeia, é inconcebível que um EIA fragmente a sua avaliação, restringindo-se unicamente ao território espanhol. Este facto é tanto mais grave quando algumas das Zonas de Protecção Especial e Sítios de Importância comunitária visam proteger espécies e habitats comuns a Portugal e Espanha e populações transfronteiriças. A título de exemplo, o projecto afecta a zona do Plano de recuperação do lince-ibérico na Extremadura, mas os critérios de afectação, estabelecidos em função da distância às infra-estruturas ignora o efeito de isolamento das populações criado pelas mesmas, e os impactes espectáveis para a gestão dos habitats favoráveis em território português.


- Afectação das zonas costeiras incluindo o Estuário do Rio Guadiana

Não existem estudos técnicos que avaliem os riscos, seja no estuário do Guadiana, na área da Albufeira de Alqueva, na bacia hidrográfica do Guadiana, na costa do Algarve, junto à fronteira com Espanha, ou sequer em alto mar, junto à costa portuguesa. A modelização de um eventual derrame apenas se refere a área localizada em território espanhol, sendo que as probabilidades de uma eventual maré negra atingir igualmente águas da zona económica exclusiva espanhola, são equivalentes às de atingir águas da zona económica exclusiva portuguesa.
Por outro lado, o facto do crude conduzido pelo oleoduto ser transportado até ao Porto de Palos, em petroleiros que navegariam e descarregariam necessariamente perto da costa algarvia, e o tráfego de petroleiros no pólo industrial de Huelva, elevarão significativamente o risco de marés negras, que podem afectar significativamente a costa algarvia. No entanto, no EIA não parece ter sido avaliado o risco de marés negras que alcancem águas e a costa portuguesa, sendo deficiente na apreciação das correntes e marés, não avaliando correctamente a direcção de eventuais marés negras, nem estabelecendo as medidas ou planos para combater a sua eventual ocorrência.

Na realidade, o estudo de impacte ambiental reconhece a possibilidade de derrames no ambiente portuário de Huelva, havendo risco e probabilidades de atingirem o sul da ria e as praias, não se pronunciando contudo no que respeita a eventuais impactes em território português no caso de tal ocorrer. Por outro lado, o estudo é ainda omisso quanto a acidentes ocorridos nos próprios petroleiros. Estamos convencidos que os riscos associados são elevados e devem traduzir-se numa opinião negativa das autoridades portuguesas em relação a esta matéria.


Conclusão

As associações de ambiente consideram que as explicações dadas pelo promotor e que foram objecto desta consulta pública que terminou a 24 de Fevereiro de 2009, mesmo após insistência das autoridades portuguesas, são claramente insuficientes, não revelam um esforço acrescido por parte do promotor em responder às solicitações e não traduzem em muitos casos o que está presente no estudo de impacte ambiental ou a realidade do projecto. Aliás, muitas das solicitações pertinentes efectuadas são remetidas para futuros regulamentos de segurança que são por agora desconhecidos, não se mencionando qualquer probabilidade de ocorrência de eventos com consequências ambientais graves.

Com a refinaria depois de construída, em caso de funcionamento com problemas e/ou de acidente grave as consequências serão principalmente para o rio Guadiana e para as actividades dele dependentes.

As ONGA consideram que estão demonstradas as falhas de informação, incertezas e elevados riscos ambientais da construção da refinaria de Balboa, pelo que apela ao Primeiro-Ministro de Portugal para ser coerente com as afirmações efectuadas recentemente em Alqueva e assim fazer valer, pelos impactes transfronteiriços potenciais, os argumentos que conduzam à recusa do projecto.

O Governo Português deve assim manifestar-se veementemente contra o projecto já que os riscos associados para o ambiente e para diversas actividades económicas são demasiado elevados pondo em causa investimentos de centenas e centenas de milhões de euros efectuados em Portugal.

Não obstante as declarações do promotor quanto à ausência de impactes no território português, tendo em conta todas as infra-estruturas que supõem o conjunto da monoboia de descarga, armazenagem e oleoduto de transporte de crude e o próprio funcionamento da refinaria, parece-nos que a acumulação de riscos implicados, tornam indispensável o equacionar de outras alternativas de localização para a refinaria, que não impliquem impactes ambientais em Portugal.


24 de Fevereiro de 2009

As associações,

FAPAS – Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens

GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente

LPN – Liga para a Protecção da Natureza

Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Para reforçar a posição contra os transgénicos na União Europeia

Hoje, segunda-feira, dia 2 de Março, em Bruxelas vai ter lugar a primeira de uma série de votações sobre transgénicos que é decisiva para o futuro próximo desta tecnologia na UE.
Trata-se essencialmente de decidir sobre duas propostas da Comissão Europeia: para impedir os Estados Membros de proibir certos transgénicos no seu território, e para autorizar para cultivo mais duas variedades de milho transgénico, a juntar à que já está autorizada.
De acordo com as votações prévias já realizadas, a maioria de dois terços necessária para bloquear estas propostas está prestes a ser atingida, mas pode perder-se por muito poucos votos, sendo que as abstenções são contadas como se fossem a favor. Portugal, que se tem abstido ou votado a favor da Comissão Europeia, precisa de mudar de posição.

Mais info: http://www.stopogm.net/


Para mostrar ao Ministro do Ambiente português que só votando contra é que serve os interesses dos portugueses, por favor envie a seguinte carta ao ministro!


27.2.09

Começa hoje o congresso do partido «socialista» que tem protegido os banqueiros, aumentado as desigualdades sociais e degradado as condições de vida

Para rir até às lágrimas durante o fim de semana, ler as seguintes peças humorísticas ( sempre que possível, com o jornal do dia ao lado para aferirmos com as notícias do país real que trabalha, sofre e luta, as anedotas e as graçolas dos auto-denominados «socialistas»):


Para saber a negra história do Partido «Socialista» Português ao serviço da consolidação do capitalismo, e da dominação do capital sobre o trabalho, ler entre muitas outras fontes o seguinte livro (pode-se descarregá-lo, se bem que demore algum tempo):

"Contos Proibidos: Memórias de um PS desconhecido", de Rui Mateus, – fundador e ex-responsável pelas relações internacionais do PS, até 1986.

Escrito em 1996, este livro é um retrato da personalidade de Mário Soares, antes e depois do 25 de Abril. Com laivos de ajuste de contas entre o autor e demais protagonistas socialistas, são abordados, entre outros assuntos, as dinâmicas de apoio internacional ao Partido Socialista e, em particular, a Soares, vindos de países como os EUA, Suécia, Itália, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Líbia, Noruega, Áustria ou Espanha.

Soares é descrito como alguém que «tinha uma poderosa rede de influências sobre o aparelho de Estado através da colocação de amigos fiéis em postos-chaves, escolhidos não tanto pela competência mas porque podem permitir a Soares controlar aquilo que ele, efectivamente, nunca descentralizará – o poder» (pp.151-152); «para ele, o Partido Socialista não era um instrumento de transformação do País baseado num ideal generoso, mas sim uma máquina de promoção pessoal» (p.229); e como detendo «duas faces: a do Mário Soares afável, solidário e generoso e a outra, a do arrogante, egocêntrico e autoritário» (p.237).
A teia montada em torno de Soares, com um cunhado como tesoureiro do partido, e as lutas internas fratricidas entre novos/velhos militantes (Zenha, Sampaio, Guterres, Cravinho, Arons de Carvalho, etc), que constantemente ameaçavam a primazia e o protagonismo a Soares, são descritos com minúcia em /Contos Proibidos/.
Grande parte dos líderes da rede socialista internacional – uma poderosa rede de “entreajuda” europeia que, em boa verdade, só começou a render ao PS depois dos EUA, sobretudo com Carlucci, terem dado o passo decisivo de auxílio a Portugal – foi mais tarde levada à barra dos tribunais e muitos deles condenados, como Bettino Craxi de Itália, envolvidos em escândalos, como Willy Brandt, da Alemanha, ou assassinados como o sueco Olaf Palme.
Seria interessante todos lermos este livro. Relê-lo já será difícil, a não ser que alguém possua esta raridade.O livro foi rapidamente retirado de mercado após a curta celeuma que causou (há quem diga que “alguém” comprou toda a edição) e de Rui Mateus pouco ou nada se sabe.












25.2.09

Sobre o anarquismo em Portugal - artigo de Júlio Henriques na edição portuguesa do Le Monde Diplomatique

Ao contrário da Espanha (ou da Grécia), o pensamento e as práticas anarquistas não parecem ter deixado em Portugal um lastro profundo. Expressões disso mesmo podemos encontrá-las no facto de a sociedade portuguesa continuar a ser na Europa aquela onde existem as maiores discrepâncias sociais ou no facto, até, de a figura do cidadão não se encontrar instituída nas formas de tratamento, mantendo-se hoje, na democracia formal, as que se institucionalizaram durante a ditadura salazarista, no velho «país dos dótores» que José Cardoso Pires satirizou com verve nos anos 60.

Parece de facto estranho que um movimento político e social que se mostrou tão pujante entre finais do século XIX e os finais da década de 1920, e que constituiu sem dúvida a mais importante corrente revolucionária do movimento operário em Portugal, tenha por assim dizer desaparecido após os anos 30, não se tendo transmitido de forma muito expressiva o seu património filosófico e a sua memória política e social às gerações que actuaram durante os longos anos da ditadura. (Sendo aliás a extraordinária capacidade de duração do Estado Novo um outro elemento porventura revelador da não transmissibilidade do anarquismo nas condições portuguesas.)

Em Portugal, o movimento anarquista foi suplantado no terreno da oposição, a partir dos anos 30, pelo Partido Comunista, criado em 1921 como uma cisão que aliás teve origem nas fileiras do operariado libertário. Essa suplantação ficou a dever-se a várias circunstâncias, a mais importante das quais terá sido o enorme entusiasmo que a Revolução Russa de 1917 despertou também em Portugal e a concomitante «superioridade política» com que esse acontecimento surgiu aos olhos de uma parte dos militantes em luta, tendo em conta que a Revolução Russa apareceu como uma revolução proletária vitoriosa e que em Portugal só ao fim de alguns anos se começaram a ter informações sobre a sua realidade política, ou seja, sobre a concentração do poder nas mãos do partido bolchevique (contrariando o lema libertário «todo o poder aos sovietes») ou sobre a implacável perseguição que esse poder passou a mover à autonomia operária em geral e aos anarquistas em particular.

Nas condições de clandestinidade impostas a qualquer actividade de oposição pelo Estado Novo, a organização que veio a encontrar-se em relativamente melhores condições de subsistir e progredir foi o PCP, devido à sua própria estruturação hierarquizada e de tipo conspirativo e ao facto de poder contar com o apoio de uma importante retaguarda, a URSS. Os anarquistas, além de terem sido grandemente dizimados nos afrontamentos finais do período da I República e do advento do fascismo, não dispunham de uma retaguarda de apoio; e, por outro lado, as suas formas organizativas, de carácter horizontal, não se adequavam às condições da clandestinidade.

Em todo o caso, as organizações anarquistas não puderam manter-se em actividade de modo a transmitirem o seu legado, de forma operacional, às gerações seguintes. E ao mesmo tempo o PCP foi adquirindo um grande ascendente ideológico, com base na sedução exercida pela URSS e nas lutas empreendidas na clandestinidade, o que o levou a tornar-se hegemónico na oposição ao regime fascista, resultando dessa hegemonia, do ponto de vista teórico e da influência ideológica por ele exercida, o quase apagamento da história do anarquismo em Portugal e das perspectivas de uma revolução de características anti-autoritárias assente na autogestão, ou seja, num poder exercido directamente pelos trabalhadores através da expropriação dos capitalistas.

Alguns anarquistas continuaram sem dúvida a tentar levar a cabo diversas acções contra o regime fascista, quer em Portugal quer no estrangeiro, onde muitos deles se exilaram. Dos que actuaram no estrangeiro, é de sublinhar o caso de Edgar Rodrigues, sem dúvida ainda hoje o mais activo historiador do anarquismo português, que no Brasil publicou vários livros de denúncia da ditadura salazarista, um dos quais, A Fome em Portugal (este em parceria com Roberto das Neves), teve bastante repercussão nos anos 60.

Depois do 25 de Abril de 1974, os anarquistas portugueses ressurgiram no terreno público, muitos deles regressados do exílio, abriram sedes, participaram nas lutas sociais e políticas suscitadas pelo golpe de Estado popular, publicaram artigos e livros notáveis. O anarco-sindicalista Emídio Santana, conhecido co-autor do atentado contra Salazar em 1937, foi um dos mais activos. Mas muitos dos militantes libertários eram pessoas já bastante idosas; o contacto com eles foi uma experiência fundamental, quer para o conhecimento directo, em primeira mão, de uma parte essencial da história do movimento operário e anarquista, quer como partilha de uma humanidade rara, de pessoas com uma profunda consciência de classe e que mantinham viva a noção de que a transformação revolucionária deve ter por base a auto-emancipação. Outros, muito mais jovens, ex-refugiados ou exilados como desertores e refractários ao exército colonial, tinham descoberto o anarquismo, em melhores condições de informação, no estrangeiro (inclusive o anarquismo português), sobretudo a partir da grande revolta de Maio de 68.

Mas a verdade é que, apesar da relativa proliferação de grupos e publicações anarquistas após o 25 de Abril, nunca se reconstituiu nenhuma federação libertária com capacidade para intervir a longo prazo na sociedade e com resultados substanciais. Pelo menos até um período recente, o diálogo desses vários grupos afins, susceptível de exprimir um confronto estimulante, revelou-se em geral fraco ou mesmo inexistente, apresentando-se amiúde o anátema mútuo como a única relação possível; repetindo com isso, no fundo, o clima de suspeição sistemática e de concorrência que os grupos de extrema-esquerda levaram à exaustão paranóica e à caricatura nos anos 70.

Tais circunstâncias acabam sempre por ter repercussões doentias, levando os indivíduos e os grupos a assumir características de seitas que se digladiam e a criar formulações e uma linguagem que só podem afastá-los uns dos outros e das próprias realidades circundantes.

Nos últimos anos, no entanto, parece começar a emergir um outro clima, fruto também, possivelmente, das próprias condições que o capitalismo vem forjando no sentido de um aprofundamento do desastre que ele constitui.

Por JÚLIO HENRIQUES