12.2.09

Plantação de árvores na Serra de S. Mamede (14/2/09‏) por iniciativa da Quercus, e aberta a todos os interessados em participar


A QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza convida todos os interessados a participar numa plantação de 1200 Carvalhos-negral (Quercus pyrenaica) no Parque Natural da Serra de S.Mamede, onde aquela espécie é autóctone e espontânea.

A acção será desenvolvida no dia 14 de Fevereiro, sendo o AMOR ao PLANETA TERRA o mote a desenvolver de acordo com a simbologia da data, pois quem cuida do Ambiente está invariavelmente a pensar na prosperidade sustentável da Humanidade.

Venha compensar a sua Pegada Ecológica criando sumidouros de Carbono por todo o país, contribuindo também para o aumento da Biodiversidade e da qualidade ambiental e paisagística das jóias naturais, como são os nossos Parques Naturais.

O ponto de encontro será no parque de estacionamento junto à ponte romana da Portagem, às 10 horas da manhã, sendo o terreno alvo na localidade de Alvarrões, com a toponímia local de Carvalhal, sito na estrada que liga Marvão a Portalegre.

A participação na actividade é gratuita e o transporte a cargo de cada participante(s). O final da iniciativa está previsto para as 16.00 horas, havendo contudo a hipótese de os interessados participarem apenas no período da manhã ou da tarde. As inscrições podem ser feitas pelos contactos abaixo.



QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza
Núcleo Regional de Portalegre
Apartado 163, 7301-901 PORTALEGRE, Telefs: 96 010 70 80 / 96 020 70 80
E-mails:
portalegre@quercus.pt / quercus.portalegre@gmail.com

Web page:
www.quercus.pt

A Quercus pretende, através deste apoio à plantação de espécies autóctones, contribuir para a adopção de atitudes e comportamentos ambientalmente adequados, tendo em vista a preservação e valorização da floresta.

A plantação decorrerá, simultaneamente, em oito localidades distintas, envolvendo colaboradores da Quercus e da Caixa, voluntários do Corpo Nacional de Escutas (CNE), das Autarquias e das Juntas de Freguesias.

A plantação abrangerá uma área de cerca de 15 hectares, nas seguintes localidades:

- Montemor-o-Novo
- Serra de São Mamede
- Idanha-a-Nova
- Castanheira de Pêra
- Azambuja
- Penamacor
- Vila Pouca de Aguiar
- Murça

Assim, no dia 14, serão plantadas cerca de 15 000 plantas de espécies tão variadas como o Carvalho-negral (Quercus pyrenaica), o Pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris), o Plátano-bastardo (Acer pseudoplatanus), o Vidoeiro (Betula celtiberica), a Cerejeira (Prunus avium), a Tramazeira (Sorbus aucuparia), o Mostajeiro (Sorbus latifolia), o Azereiro (Prunus lusitanica), a Azinheira (Quercus rotundifolia), o Sobreiro (Quercus suber), o Amieiro (Alnus glutinosa), o Freixo (Fraxinus angustifolia), a Borrazeira-preta (Salix atrocinerea) e o Sabugueiro (Sambucus nigra).

Hoje há cinema na Casa Viva (às 22h.)


5ªfeira, 12 fevereiro, às 22h00 na Casa Viva
Praça marquês pombal 167 porto
entrada livre


2009 trouxe alterações ao Cinema Comunitário e a primeira 3ª.feira do mês desdobra-se agora em duas sessões:
-documentários, à segunda 5ª.feira de cada mês, à noite;
-e ficção no penúltimo sábado, à tarde, para dar tempo para conversarmos sobre os filmes.

Filmes para hoje:

Faixa de Gaza, de James Longley
[Gaza Strip - EUA, 2002, cor, 74', documentário]


O norte-americano James Longley viajou para a Faixa de Gaza em Janeiro de 2001, com intenção de ficar duas semanas para recolher material para um filme sobre a Intifada. Acabou por ficar mais de três meses, período no qual pôde conhecer a fundo a população.
Faixa de Gaza é filmado quase que totalmente em estilo verídico e apresentado quase sem narração. Dotado de maior observação e menor argumento político, o filme apresenta um raro olhar sobre a inflexível realidade vivida nos territórios palestinianos sob a ocupação militar israelita. [falado em Árabe, com legendas em Inglês]



Gaza-new years bombings 2009
[3'19'' 4'20'' 5'10'']

Três registos de curta duração dos bombardeamentos na Faixa de Gaza no fim do ano de 2008 e início de 2009.

A mulher que parou – peça de Tiago Rodrigues, com interpretação do grupo Nu Kre Baú Na Bu Onda, no espaço Alkantara, até 15 de Fevereiro

Estreou no dia 5 de Fevereiro, e volta à cena no dia 12 até 15 de Fevereiro, o espectáculo de teatro “A Mulher que Parou”, da autoria de Tiago Rodrigues, com encenação de Cláudia Gaiolas e Pedro Carraca e interpretação do grupo de teatro Nu Kre Bai Na Bu Onda, da Cova da Moura. Um espectáculo desenvolvido entre amadores e profissionais.
Está em cena no espaço alkantara até 15 de Fevereiro, de quinta a domingo, pelas 21h30.
Espaço alkantara - Calçada Marquês de Abrantes,99. Santos. Lisboa

5 a 8 e 12 a 15 Fevereiro às 21h30

bilhetes normal 5 euros c/ desconto 3 euros
horário bilheteira nos dias de espectáculo, a partir das 19h30


Excertos dos ensaios da peça 'A Mulher que Parou' texto de Tiago Rodrigues, encenado por Cláudia Gaiolas e Pedro Carraca. A interpretação é do grupo de teatro Nu Kre Bai Na Bu Onda constituido pela bela medina, calo mendes, diana varela, djena baldé, edna varela, elisa varela, lena amaral, paula silva e tozé barros. Este é um trabalho desenvolvido por alkantara no âmbito do projecto Programa Escolhas, em parceria com a Associação Moinho da Juventude, Associação de Solidariedade Social do Alto Cova da Moura e Junta de Freguesia da Buraca desde 2007.

10.2.09

Política, Ordem e Revolta - encontros e debates na galeria Zé dos Bois (dia 14 e 15 de Fev.) acerca da evolução do estado de excepção

«Terrorismo» é actualmente o termo vanguarda de todo um discurso que legitima um processo transnacional de remodelação das funções de Estado – menos sociais e mais securitárias. Do encontro entre o progresso científico, a procura estatal por mecanismos de vigilância, controlo e identificação e uma propaganda que espalha o medo em relação ao próximo, perpetua-se um estado de excepção, em que liberdades, direitos e garantias são colocadas em causa pela mesma entidade responsável pela sua protecção. Simultaneamente, multiplicam-se os sinais de mal-estar social, expressos de uma forma difusa e para além dos limites impostos pela cidadania institucional. É objectivo desta iniciativa reflectir em torno destes temas, traçar o seu percurso de evolução.

Sábado 14

14h30: "Autoritarismo e Vigilância: da empresa para a sociedade" João Bernardo;

16h00: "Prevenir a confraternização: história das técnicas para que os soldados não fiquem ao lado do povo" Diego Palacios Cerezales;

Domingo 15

15h00: A Invenção do Terrorismo.

"Violência e Estratégia de Tensão em Itália na década de 70" José Nuno Matos;

" Israel/Palestina" António Louçã;

"Conflito basco: um laboratório da repressão «pós-moderna»", Rui Pereira

17h30: Plenário – Conclusões Provisórias do fim-de-semana



Participantes:
- António Louçã é jornalista e historiador. Entre outros, publicou «Conspiradores e traficantes. Portugal no tráfico de armas e de divisas nos anos do nazismo 1933-1945» (2005)
- Diego Palacios é professor na Universidade Complutense de Madrid. Publicou «O Poder Caiu na Rua. Crise de Estado e Acções Colectivas na Revolução Portuguesa» (2003) e defendeu no ano passado uma tese de doutoramento intitulada «Estado, Régimen y Orden Público en el Portugal Contemporáneo 1834-2000».
- João Bernardo é autor de várias obras. Recentemente, publicou «Labirintos do Fascismo – na Encruzilhada da Ordem e da Revolta» (2003). Em 2004 publicou, no Brasil, «Democracia Totalitária».
- José Nuno Matos é mestrado em Ciência Política pelo ISCSP-UTL. Publicou «Acção Sindical e Representatividade».
- Rui Pereira é jornalista e, entre outros, publicou «Euskadi – A Guerra Desconhecida dos Bascos» (2000)

Zé dos Bois (Rua da Barroca, 59. Bairro Alto) Organização: UNIPOP
Entrada Livre

Digressão do concertinista Aurelien Claranbaux por Lisboa ( dia 11), Coimbra (dia 13) e Porto (dia14)



11 Fev, 22:30 na Fábrica braço de Prata, Lisboa
13 Fev, 22:30 no Salão Brazil, Coimbra
14 Fev, 22:30 no café concerto da ESMAE, Porto



Aurelian Claranbaux, concertinista de origem Francesa, pontua em nomes marcantes da nova música folk, como ZEF e Duo D.C. Os primeiros são uns dos nomes incontornáveis e mais acarinhados no festival Andanças, com incontáveis passagens pelos palcos Portugueses muito além do festival-referência.


Dono de mestria ímpar na concertina, sobe a palco e deixa dezenas de seres bailantes flutuantes em seu redor e das melodias que se vão escorrendo.

Neste noite fica prometida muita magia, uma ambiente descontraído e o desfrute da música pura, do baile sensual e dos prazes do convívio descomprometido.

Mais informações

www.rodobalho.com

www.tradballs.com

Oficina arco-íris do desejo por Iwan Brioc no ESMAE (13 a 15 de Fev.) e na escola de segunda oportunidade de Matosinhos(16 a 20 Fev.)


Oficina arco-íris do desejo no ESMAE (Rua da Alegria, 503, Porto) entre 13 a 15 de Abril
-X-

Workshop O Arco Irís dos Desejos na escola de segunda oportunidade de Matosinhos entre 16 a 20 de Fevereiro

O ARCO IRÍS DOS DESEJOS: UMA VIAGEM AO TEATRO DA MENTE

Destinatários Professores, Formadores, técnicos sociais

O arco-íris revela como a luz branca é o resultado da combinação das diferentes cores. Da mesma forma, cada um de nós é fragmentado pelas nossas diferentes e por vezes contraditórias crenças e desejos.
Este workshop, 2 horas por noite, durante cinco dias, utilizará as técnicas de Augusto Boal para trabalhar com opressões interiores: aqueles “polícias na cabeça” ‘cops in the head’ que nos impedem de realizar todas as nossas potencialidades. Através do prisma do teatro iremos explorar os diferentes elementos da nossa personalidade e talvez rearranjá-los melhor para ir ao encontro das nossas necessidades.

Cada noite, prepararemos e praticaremos depois uma técnica deste arsenal poderoso, colocando o ênfase em como trabalhar melhor com os nossos colegas e estudantes e em como a introspecção ganha através destas técnicas pode ser usada na situação da sala de aula de modo a que também os nossos alunos possam começar a remover as suas inibições à aprendizagem e à maturidade.

Os workshops serão divertidos e energizadores assim como uma experiência de aprendizagem poderosa.

Formador
Iwan Brioc é director artístico do Cynefin (fundado em 2000), uma plataforma sedeada no Reino Unido para o activismo comunitário através do teatro.
Iwan ganhou um “Creative Wales Award” em 2006 pelo seu trabalho com teatro sensorial comunitário labirinto, uma nova metodologia que tem vindo a desenvolver, inspirada pelo trabalho do antropólogo do teatro Enrique Vargas. Isto após ter criado 16 “performances” Labirinto com comunidades por toda a Europa, que tiveram um profundo impacto nas audiências.
O projecto de 2005 do Cynefin `Caerdroia', criou o maior Labirinto do mundo numa floresta do norte do País de Gales .
É o local de performances regulares do Cynefin com jovens e elencos internacionais.
Foi Co-Director de Theatr Fforwm Cymru (1997 - 2004), Teatro do Oprimido do País de Gales (TO). Desenvolveu aí o projecto “Ensaio para a Realidade”, o primeiro projecto nacional de teatro legislativo.
Iwan é membro fundador de “Drums for Peace (fundado em 1999) que reúne jovens desfavorecidos em intercâmbios internacionais com o desafio de criar uma performance artística em 5 dias. Tem qualificações em cinema, psicologia, trabalho com jovens, dramaterapia e chi kung e frequenta actualmente um Mestrado em “Mindfulness-Based Approaches”.

16 a 20 Fevereiro 2009
20.30h – 22:30h
Língua de Trabalho Inglês
Inscrição €30

Local:
Escola de Segunda Oportunidade de Matosinhos
Lg. da Capela do Telheiro,
S. Mamede Infesta
Tel. 22 906 45 38

Discurso do escritor e encenador Augusto Boal no Fórum Social mundial em Belém


A mídia costuma publicar só o que é espectacular, sensacional, mesmo que tenha que esconder a verdade. Hoje, fala-se mais da cor da pele de Barrack Obama do que do seu projeto político, como ontem falou-se mais dos seios da Carla Bruni do que das idéias direitistas do seu marido Sarkosy.
A mídia tem dono, e reflete as opiniões do seu proprietário: o Fórum Social Mundial não tem dono, e deve refletir as nossas.

Foro, Fórum, significa etimologicamente a praça pública, onde se pode discutir livremente. Este nosso Foro é mundial e deve, portanto, discutir os assuntos do mundo.

Temos que saudar o fim da era Bush e seus parceiros, mas ficar atentos à nova era que começa. Aplaudir os primeiros actos de Barrack Obama, mas analisá-los com cuidado. Aplaudir sua decisão de fechar Guantânamo, mas lembrar que isso não basta: é necessário restituir Guantânamo ao seu legítimo dono, que é o povo cubano.

Aplaudir a ordem de acabar com a tortura, mas lamentar que os torturadores não sejam punidos por esse crime de lesa-humanidade e continuem nos seus postos de comando. Aplaudir o desejo do novo presidente em dialogar com todos os países, mas explicar que não queremos, como ele promete ou ameaça, não queremos ver o seu país liderando o mundo - essa tarefa não compete nem aos Estados Unidos nem ao Paraguai, mas sim à Organização das Nações Unidas que para isso foi criada e tantas vezes tem sido desrespeitada pelo país de Barrack Obama.

O Fórum é social, e temos que falar do genocídio dos palestinos. Temos que separar, de um lado, o cruel governo de Israel e, de outro, as centenas de milhares de judeus que com ele não concordam. Não devemos cometer a injustiça que se fez com os alemães, pensando que todos fossem nazistas, quando muitos morreram lutando contra Hitler e seus asseclas.

Milhares de judeus, dentro e fora de Israel, condenam e se envergonham do que fez e faz o seu governo, que representa tão somente aqueles que o elegeram, mas não o judaismo. Dentro de Israel existem organizações como a dos Combatentes Pela Paz, de Chen Allon, que condenam a invasão e denunciam seus crimes. Tenho orgulho em dizer que, para isso, usam o Teatro do Oprimido entre outras formas de combate.

No Oriente Médio já se inverteu a distribuição de papéis: se, ontem, Israel foi o pequenino David, hoje é o gigante Golias, filisteu. O novo Golias, apoiado pelos Estados Unidos, em 22 dias matou mais de 300 crianças e centenas mulheres e homens, civis ou combatentes. Eu chorei vendo a fotografia de um menino, um pequenino David palestino, jogando pedras contra um tanque de guerra. Se a lenda de David e Golias, ontem, foi apenas lenda, a história de Golias e David, hoje, é triste realidade: os 1.300 mortos ainda estão sendo retirados dos escombros, sem as solenes pompas fúnebres dos 13 soldados israelis. O Fórum e o mundo não podem esquecer esse crime antes mesmo que sejam enterradas suas vítimas.

Nosso Fórum é pluralista, e deve se manifestar contra o colonialismo italiano que ofende a nossa soberania, que tenta interferir nas decisões da nossa Justiça, como está sendo o caso da concessão de asilo a Cesare Battisti. Existe uma lei brasileira que proibe a extradição de pessoas condenadas em seus países à pena de morte ou à prisão perpétua. É este o caso, é esta a lei! O ministro Tarso Genro apenas cumpriu a lei - a lei brasileira. O presidente Lula foi claro explicando aos italianos as sólidas bases da nossa decisão, mas parece que eles não entenderam, nem disso são capazes. Por quê?

A Itália, que foi o berço do fascismo e deveria ser também a sua sepultura, mostra agora que a ideologia colonialista ainda está viva e pretende anular decisões soberanas do Brasil, invadindo o nosso Judiciário e querendo nos ensinar a diplomacia da obediência e da submissão. Temos que repudiar essa ofensa e libertar o prisioneiro!

Nosso Fórum é social, e a economia também. A maioria dos países que estão em crise, ou dela se aproximam, sempre disseram não ter dinheiro para melhorar a Educação, a Saúde, aPrevidência Social. De repente, para socorrer seguradoras, bancos e montadoras, esses governos descobriram que tinham bilhões e trilhões de dólares, euros, iens e libras. Nosso Fórum tem a obrigação moral de interrogar os senhores da Davos: de onde veio esse dinheiro? Quem os escondia? Quanto sobrou? Onde estão?

O nosso Fórum Social também é brasileiro e é camponês: devemos saudar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST, que é o mais democrático e bem organizado movimento de massas que o Brasil já teve, e que completa agora 25 de lutas pela terra, luta que continua.

O Fórum Social Mundial não é daqueles que dizem Hay Gobierno? Soy Contra, e porque assim não é, deve se alegrar em receber tantos presidentes de tantas Repúblicas sulamericanas juntos neste evento: Evo, Correa, Kirchner, Chavez, Lugo e Lula. Nunca se viu fraternidade igual.



Queremos agora ver os resultados concretos dessa irmandade.

Devemos, muito cordialmente, lembrar aos nossos presidentes que a Política não é a arte de fazer o que é possível fazer, mas sim a arte de tornar possível o que é necessário fazer!

Caminhar não é fácil! As sociedades se movem pelo confronto de forças, não pelo bom senso e justiça.

Temos que avançar e, a cada avanço, avançar mais, na tentativa de humanizar a Humanidade. Não existe porto seguro neste mundo, porque todos os portos estão em alto mar e o nosso navio tem leme, não tem âncoras.

Navegar é preciso, e viver ainda mais preciso é, porque navegar é viver, viver é navegar!
Eu sou homem de teatro e não posso deixar de falar de Arte e Cultura quando falo de Política, porque a Política é uma Arte que a Cultura produz.

Temo que, mesmo entre nós, muita gente ainda pense em arte como adorno, e nós dizemos: não é! A Palavra não é absoluta, Som não é ruído, e as Imagens falam. São esses os três caminhos reais da Estética para o entendimento: a palavra, o som e a imagem. São também os canais de dominação pois estão os três nas mãos dos opressores, não dos oprimidos: a Palavra dos jornais, o Som das rádios, as Imagens da TV e do cinema estadunidense, dominam nossos meios de comunicação e invadem nossos cérebros com seu pensamente único, seus projetos imperiais e suas mercadorias.

Acabou-se o tempo da inocência... o tempo da contemplação já não é mais. Temos que agir!
Palavra, imagem e som, que hoje são canais de opressão, devem ser conquistados pelos oprimidos como formas de libertação. Não basta consumir Cultura: é necessário produzi-la. Não basta gozar arte: necessário é ser artista! Não basta produzir idéias: necessário é transformá-las em atos sociais, concretos e continuados.



A Estética é um instrumento de libertação.

Eu felicito o nosso Ministério da Cultura pela criação de mais de mil Pontos de Cultura no Brasil inteiro, onde o povo tem acesso não só à Cultura alheia, mas aos meios de produzir sua própria Cultura sem servilismos, sua Arte sem modismos, porque entendemos que Arte e Cultura são formas de combate tão importantes como a ocupação de terras improdutivas e a organização política solidária.

Sonho com o dia em que no Brasil inteiro, e no inteiro mundo, haverá em cada cidade, em cada povoado ou vilarejo, um Ponto de Cultura onde a cidadania possa criar e se expressar pela arte, afim de compreender melhor a realidade que deve transformar. Nesse dia, finalmente, terá nascido a Democracia que, hoje, só existe em Fóruns como este!

Ser cidadão, meus companheiros, não é viver em sociedade: é transformar a sociedade em que se vive!

Com a cabeça nas alturas, os pés no chão, e mãos à obra!

Muito obrigado.



Belém/PA, 31 de Janeiro de 2009.

http://www.ctorio.org.br/



Reunião de preparação do MayDay 2009 no bar Maus Hábitos ( Porto) no dia 10 de Fevereiro às 21h30, promovida pelo FERVE (Fartos destes recibos verdes)


MAYDAY 2009 – O LUGAR ONDE NOS ENCONTRAMOS

De há uns anos a esta parte, diversos países têm vindo a assinalar o dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador/a, alertando especificamente para a situação dos/as trabalhadores/as precários/as. Esta iniciativa é conhecida como MayDay* e decorreu pela primeira vez em Portugal, em Lisboa, em 2007.

A expressão do descontentamento do precariado faz-se na rua, com uma parada que agrega trabalhadores/as sujeitos/as às actuais expressões da desregulação laboral: falsos recibos verdes, contratos a prazo, intermitência no espectáculo, desemprego, desemprecariedade, trabalho temporário ou estágios sem remuneração.

Após duas edições bem sucedidas em Lisboa, gostaríamos de dar amplitude a este descontentamento no Porto, unindo vontades e vozes múltiplas. A iniciativa parte do FERVE, mas dirige-se a todos: associações, sindicatos, companhias, colectivos, movimentos e pessoas interessadas em promover a mudança.

Por isso, convidamos-te a participar na primeira Assembleia Pública de discussão desta iniciativa, a decorrer no dia 10 de Fevereiro, às 21h30, no MAUS HÁBITOS (Rua Passos Manuel, 178, 4º andar - Porto).

*MayDay é um termo utilizado nas comunicações radiofónicas, marítimas ou aeronáuticas que significa "urgência" ou "socorro" e que deriva do francês "m'aidez" (ajudem-me).

MayDay 2008: http://maydaylisboa.blogspot.com/

Sessão de poesia dedicada a Alexandre O'Neill no bar-livraria Gato Vadio ( dia 15 às 18h.)




Sessão de Poesia dedicada Alexandre O’neill
Domingo, 15 de Fevereiro, 18 h.

Leitura a cargo de Carla Rosa, Nuno Meireles, Júlio Gomes
na livraria-bar Gato Vadio



Saber viver é vender a alma ao diabo


Gosto dos que não sabem viver,
dos que se esquecem de comer a sopa
(Allez-vous bientôt manger votre soupe,
s... b... de marchand de nuages?»)
e embarcam na primeira nuvem
para um reino sem pressa e sem dever.
Gosto dos que sonham enquanto o leite sobe,
transborda e escorre, já rio no chão,
e gosto de quem lhes segue o sonho
e lhes margina o rio com árvores de papel.
Gosto de Ofélia ao sabor da corrente.
Contigo é que me entendo,
piquena que te matas por amor
a cada novo e infeliz amor
e um dia morres mesmo
em «grande parva, que ele há tanto homem!»
(Dá Veloso-o-Frecheiro um grande grito?..)
Gosto do Napoleão-dos-Manicómios,
da Julieta-das-Trapeiras,
do Tenório-dos-Bairros
que passa fomeca mas não perde proa e parlapié...
Passarinheiros, também gosto de vocês!
Será isso viver, vender canários
que mais parecem sabonetes de limão,
vender fuliginosos passarocos implumes?
Não é viver.
É arte, lazeira, briol, poesia pura!
Não faço (quem é parvo?) a apologia do mendigo;
não me bandeio (que eu já vi esse filme...)
com gerações perdidas.
Mas senta aqui, mendigo:
vamos fazer um esparguete dos teus atacadores
e comê-lo como as pessoas educadas,
que não levantam o esparguete acima da cabeça
nem o chupam como você, seu irrecuperável!
E tu, derradeira geração perdida,
confia-me os teus sonhos de pureza
e cai de borco, que eu chamo-te ao meio-dia...
Por que não põem cifrões em vez de cruzes
nos túmulos desses rapazes desembarcados p'ra
[morrer?
Gosto deles assim, tão sem futuro,
enquanto se anunciam boas perspectivas
para o franco frrrrançais
e os politichiens si habiles, si rusés,
evitam mesmo a tempo a cornada fatal!
Les portugueux...
não pensam noutra coisa
senão no arame, nos carcanhóis, na estilha,
nos pintores, nas aflitas,
no tojé, na grana, no tempero,
nos marcolinos, nas fanfas, no balúrdio e
... sont toujours gueux,
mas gosto deles só porque não querem
apanhar as nozes...
Dize tu: - Já começou, porém, a racionalização do
[trabalho.
Direi eu: - Todavia o manguito será por muito tempo
o mais económico dos gestos!


Saber viver é vender a alma ao diabo,
a um diabo humanal, sem qualquer transcendência,
a um diabo que não espreita a alma, mas o furo,
a um satanazim que se dá por contente
de te levar a ti, de escarnecer de mim...

Alexandre O´Neill



Gato Vadio - livraria-bar
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016

Confrontações: o nazismo e a cultura - exposição, debates e cinema no CCB entre 5 de Fev. a 1 de Março

DE 5 DE FEVEREIRO A 1 MARÇO DE 2009
O NAZISMO E A CULTURA: CONFRONTAÇÕES


Entre o auto-de-fé de 10 de Maio de 1933, no qual se queimaram 20 mil livros, e a abertura da exposição Entartete Kunst (Arte Degenerada), em Maio de 1938, situam-se as etapas fundamentais que definem a apropriação e submissão do mundo da cultura ao império do III Reich.


A exaltação da música e a perseguição ao pensamento, a “ghettização” dos intelectuais judeus e o fascínio pela arquitectura, a construção de uma ideologia de massas pelo uso dos meios audiovisuais e a subordinação da criação artística aos ditames do poder, são os traços marcantes de um dos períodos mais negros da cultura europeia. Este ciclo aborda algumas das etapas da confrontação entre o nazismo e a cultura e os sinais de resistência que, apesar de tudo, se foram manifestando.


Programa


CONFERÊNCIAS

> Atlantikwall por Alberto Ruiz de Samaniego, Director da Fundación Luis Seoane
SALA DE LEITURA
DIA 5 FEVEREIRO ÀS 18:00
ENTRADA LIVRE


> Thomas Mann e o Nacional-Socialismo por Teresa Seruya
SALA DE LEITURA
DIA 7 FEVEREIRO ÀS 18:30
ENTRADA LIVRE


> O "Caso Jünger" por António Mega Ferreira
Leitura de excertos de Sobre as Falésias de Mármore (1939), por Marcello Urgeghe
SALA SOPHIA DE MELO BREYNER
DIA 14 FEVEREIRO ÀS 17:00
ENTRADA LIVRE


EXPOSIÇÃO
> ATLANTIKWALL - Arquitecturas bélicas nas praias de Ocidente
GALERIA MÁRIO CESARINY
5 FEVEREIRO a 1 MARÇO (INAUGURAÇÃO ÀS 19:00)
ENTRADA LIVRE


MESA REDONDA
> Memórias de Antes, Durante e Depois
SALA ALMADA NEGREIROS
DIA 6 FEVEREIRO às 21:30
ENTRADA LIVRE
Conversa com Edmundo Pedro e Aquilino Ribeiro Machado


ÓPERA
> Der Kaiser von Atlantis (O Imperador de Atlântida ou a Abdicação da morte), 1944
uma produção Ginásio Ópera
PEQUENO AUDITÓRIO - SALA EDUARDO PRADO COELHO
DIA 7 FEVEREIRO ÀS 21:00
DIA 8 FEVEREIRO ÀS 16:00



CINEMA

> "NOITE E NEVOEIRO"/“NUIT ET BROUILLARD" [1955]
de Alain Resnais
SALA SOPHIA DE MELO BREYNER
DIA 9 FEVEREIRO ÀS 21:00


> "EINLEITUNG ZU ARNOLD SCHOENBERGS BEGLEITMUSIK ZU EINER LICHTSPIELSCENE"/ “INTRODUÇÃO À MÚSICA DE ACOMPANHAMENTO PARA UMA CENA DE FILME DE ARNOLD SCHOENBERG” [1972]
de Danièle Huillet e Jean-Marie Straub
SALA SOPHIA DE MELO BREYNER
DIA 9 FEVEREIRO ÀS 21:00


> “DER JÜNGE TÖRLESS”/"O JOVEM TÖRLESS" [1966]
de Volker Schlöndorff
SALA SOPHIA DE MELO BREYNER
DIA 9 FEVEREIRO ÀS 21:00


> "O OVO DA SERPENTE"/ "THE SERPENT'S EGG" [1977]
de Ingmar Bergman
SALA SOPHIA DE MELO BREYNER
DIA 10 FEVEREIRO ÀS 21:00


> "A SAUDADE DE VERONIKA VOSS"/"DIE SEHNSUCHT DER VERONIKA VOSS" [1982]
de Rainer Werner Fassbinder
SALA SOPHIA DE MELO BREYNER
DIA 11 FEVEREIRO ÀS 21:00


> "A VIDA MARAVILHOSA E HORRÍVEL DE LENI
RIEFENSTAHL"/"DIE MACHT DER BILDER: LENI RIEFENSTAHL" [1993]
de Ray Müller
SALA SOPHIA DE MELO BREYNER
DIA 13 FEVEREIRO ÀS 21:00


> "TRIUNFO DA VONTADE"/"TRIUMPH DES WILLENS" [1935]
de Leni Riefenstahl
SALA SOPHIA DE MELO BREYNER
DIA 14 FEVEREIRO ÀS 19:00


PREÇOS
2€ (CADA SESSÃO)
4€ (TODO O CICLO DE CINEMA)



LEITURA
> Correspondência entre Hannah Arendt e Martin Heidegger (excertos)
Apresentação de João Paulo Cotrim com a participação de José Wallenstein
SALA SOPHIA DE MELO BREYNER
DIA 12 FEVEREIRO ÀS 21:00
ENTRADA LIVRE



CONCERTO
> Verboten / Nicht Verboten (Proibido / Não Proibido)
pela Orquestra de Câmara Portuguesa, direcção de Pedro Carneiro
PEQUENO AUDITÓRIO - SALA EDUARDO PRADO COELHO
DIA 15 FEVEREIRO ÀS 17:00
PREÇOS
Plateia 15€
Laterais 12,5€



Um projecto CENTRO CULTURAL DE BELÉM
Consultor JOÃO PAULO COTRIM
Comissário da programação de cinema JOÃO LOPES

7.2.09

Declaração da Assembleia pela Justiça Climática no Fórum Social Mundial de 2009 em Belém do Pará


Durante o Fórum Social Mundial em Belém do Pará no Brasil, que decorreu até ao passado dia 1 de Fevereiro de 2009, foi lançada uma Declaração da Assembleia pela Justiça Climática


JUSTICIA CLIMATICA JÁ!

Não às ilusões neoliberais, Sim às soluções dos povos!

Por séculos, o produtivismo e o capitalismo industrial destruiram as nossas culturas, explorando a nossa mão de obra e envenenando o nosso meio ambiente.

Agora, com a crise climática, a Terra está dando um basta!

Mais uma vez, as pessoas que criaram o problema dizem-nos que também tem soluções: o comércio de emissões de CO2, o chamado "carbono limpo", mais energia nuclear, agrocombustíveis, incluindo um "novo pacto verde". Mas estas não são soluções reais, mais sim ilusões neoliberais. É hora de nos movermos para além destas ilusões.

Soluções reais para a crise climática vêm sendo construídas por aqueles/as que sempre protegeram a Terra e que lutam diariamente para defender o meio ambiente e suas condições de vida. Temos que globalizar estas soluções.

Para nós, as lutas por justiça climática e por justiça social são uma só. São lutas pelo território, pela terra, bosques, água, pela reforma agrária e urbana, pela soberania alimentar e energética, assim como pelos direitos das mulheres e dos/as trabalhadores/as. As lutas por igualdade e por justiça aos povos indígenas, aos povos do Sul, as lutas por distribuição de riqueza e pelo reconhecimento da dívida ecológica e histórica dos países do Norte.

Frente aos interesses desumanos e impulsionados pelo mercado da elite global e do modelo dominante de desenvolvimento baseado no crescimento e consumo intermináveis, o movimento por justiça climática clamará pelos bens comuns e colocará as realidades sociais e económicas no coração de nossa luta contra as mudanças climáticas.

Chamamos todas e todos, trabalhadores, camponeses, pescadores,
estudantes, jovens, mulheres, povos indígenas, assim como toda a humanidade consciente do Sul e do Norte a unirem-se a esta luta comum para construir soluções reais à crise climática, pelo futuro do nosso planeta, das nossas sociedades e das nossas culturas. Estamos construindo juntos um movimento pela justiça climática.


Apoiamos as mobilizações contra a Cúpula do G20 e sobre a crise global que ocorrerá de 28 de Março à 4 de Abril, e a mobilização da Via Campesina dia 17 de Abril.

Apoiamos o chamado para o Dia de Acção Internacional em Defesa da Mãe Terra e dos Direitos dos Povos Indígenas, no dia 12 de Outubro.

Convidamos a todos e todas a nos mobilizar e organizar acções diversas em todas as partes do mundo, em preparação até, durante e depois da Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, em Copenhague, especialmente durante o Dia de Acção Global no dia 12 de Dezembro de 2009.


Em todo nosso trabalho, vamos desmascarar as falsas soluções, levantaremos as vozes do Sul, defenderemos os Direitos Humanos e fortaleceremos a nossa solidariedade na luta pela justiça climática. Se tomarmos decisões acertadas, poderemos construir um mundo melhor para todas e todos.

Centenário do nascimento de D.Hélder da Câmara, o santo rebelde, e a sua voz na Missa dos Quilombos

"Se dou comida a um pobre, chamam-me de santo,
mas se pergunto porque é que ele é pobre, chamam-me então de comunista."
D. Helder da Câmara



Dom Hélder Câmara (Fortaleza, 7 de Fevereiro de 1909 — Recife, 28 de Agosto de 1999) foi um bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife. Foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, grande defensor dos direitos humanos durante o regime militar brasileiro e integralista. Pregava uma igreja simples voltada para os pobres e a não-violência. Por sua actuação, recebeu diversos prémios nacionais e internacionais. Foi indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz.


Biografia

Décimo-primeiro filho de João Eduardo Torres Câmara Filho, maçom, jornalista, crítico teatral e funcionário de uma firma comercial e da professora primária Adelaide Pessoa Câmara, desde cedo manifestou sua vocação para o sacerdócio.
Ingressou no Seminário Diocesano de Fortaleza em 1923. Foi ordenado padre no dia 15 de agosto de 1931, em Fortaleza, aos 22 anos de idade, com autorização especial da Santa Sé, por não possuir a idade mínima exigida. No mesmo ano, fundou a Legião Cearense do Trabalho e em 1933, a Sindicalização Operária Feminina Católica, que congregava as lavadeiras, passadeiras e empregadas domésticas. Atuou na área da educação, participando de políticas governamentais do estado do Ceará na área da educação pública.
Em 1936 foi para a cidade do Rio de Janeiro, dedicando-se a actividades apostólicas. Foi Director Técnico do Ensino da Religião.
Foi nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro no dia 3 de Março de 1952. Foi ordenado bispo, aos 43 anos de idade, no dia 20 de abril de 1952, pelas mãos de Dom Jaime Cardeal de Barros Câmara, Dom Rosalvo Costa Rego, Dom Jorge Marcos de Oliveira. Fortaleceu a nascente Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e participou da criação do Conselho Episcopal Latino-Americano. Foi um grande promotor do colegiado dos bispos e da renovação da Igreja Católica, fortalecendo a dimensão do compromisso social.
Em 1956, fundou a Cruzada São Sebastião, com a finalidade de dar moradia decente aos favelados. Desta primeira iniciativa, outros conjuntos habitacionais surgiram. Em 59, fundou o Banco da Providência, cuja actuação se desenvolve no atendimento a pessoas que vivem em condições miseráveis.


Teve participação activa no Concílio Ecuménico Vaticano II, sendo um dos propositores e signatários do Pacto das Catacumbas, um documento assinado por cerca de 40 padres conciliares no dia 16 de novembro de 1965, nas catacumbas de Domitila, em Roma, durante o Concílio Vaticano II, depois de celebrarem juntos a Eucaristia. Este pacto teve forte influência na Teologia da Libertação.


No dia 12 de Março de 1964 foi designado para ser arcebispo de Olinda e Recife, Pernambuco, múnus que exerceu até 2 de abril de 1985. Instituiu um governo colegiado nesta diocese, organizada em setores pastorais. Criou o Movimento Encontro de Irmãos, o Banco da Providência e a Comissão de Justiça e Paz daquela diocese. Forteleceu as comunidades eclesiais de base.


Estabeleceu uma clara resistência ao regime militar. Tornou-se líder contra o autoritarismo e pelos direitos humanos. Pregava no Brasil e no exterior uma fé cristã comprometida com os anseios dos empobrecidos. Foi perseguido pelos militares por sua actuação social e política, sendo acusado de comunismo. Foi-lhe negado o acesso aos meios de comunicação social durante o governo militar. Apesar disto, foi um grande orador, tornando-se conhecido sobretudo no exterior, onde divulgou amplamente suas ideias.


A arquidiocese de Olinda e Recife, o Instituto Dom Hélder Câmara (IDHeC) e a Universidade Católica de Pernambuco estão promovendo a comemoração do centenário de Dom Hélder, a ser celebrado em 7 de Fevereiro de 2009. O objectivo é manter viva a sua memória e a sua luta pela solidariedade e justiça social.


Recebeu o Prémio Martin Luther King, nos EUA e o Prémio Popular da Paz, na Noruega e diversos outros prêmios internacionais. Foi indicado quatro vezes para o Prémio Nobel da Paz.

O acervo histórico de Dom Hélder é mantido pelo Instituto Dom Hélder Câmara, em Recife.

Texto retirado da Wikipedia


http://www.domhelder.org.br/Default.htm

Programa do centenário de D.Helder da Câmara: aqui


Comunidades eclesiais de base:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidades_Eclesiais_de_Base



D.Helder da Câmara contra a Ditadura Militar brasileira





Missa dos Quilombos - Ofertório

Cena "Ofertório" do espetáculo "Missa dos Quilombos", montagem da Companhia Ensaio Aberto para o musical de Milton Nascimento, Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra, com direção de Luiz Fernando Lobo








Missa dos Quilombos
Invocação de Mariama ( alocução de Dom Helder Câmara)





Missa dos Quilombos parte 1


Parte 2



Parte 3



Parte 4



Parte 5



Parte 6



Parte 7 (final)

Lamento ou elegia do progresso ( La complainte du progrès), uma canção satírica do grande Boris Vian


Noutros tempos ao fazer a corte
falava-se de amor
e como prova do nosso ardor
oferecia-se o coração.

Hoje já não é como dantes
está tudo mudado
Pra seduzir o ente adorado
murmura-se-lhe ao ouvido
Ah... Gudule... Vem-me dar um beijo...

E eu dou-te...
eu dou-te um frigorífico
uma boa lambreta
um atomizador
um fogão de cozinha
com um forno de vidro
montes de cobertores
e facas para bolos
um torniquete
pra fazer vinagrete
um bom ventilador
para tirar os odores
lençóis aquecidos
uma pistola de biscoito
um avião para dois

e vamos ser felizes
e vamos ser felizes

Noutros tempos se acontecesse
a gente desentender-se
partíamos com ar lúgubre
deixando ficar a baixela

mas hoje o que é que querem
a vida está tão cara
dizemos volta prà tua mãe
e ficamos com tudo
Ah... Gudule... Pede desculpa... ou ...

ou fico com tudo
o meu frigorífico
o meu aparador
o meu lava-loiça de ferro
o meu fogão a petróleo
o meu encera-chanatos
o meu passa-lesmas
o meu banco de espelho
o meu caça-malandros
o torniquete
pra fazer vinagrete
o encolhedor de lixo
e o corta-batatas-fritas

e se a bela
inda se mostrar rebelde

pômo-la na rua
pômo-la na rua

e confiamos o nosso destino
ao frigorífico
ao apaga-poeira
ao fogão de cozinha
à cama sempre feita
ao aquece-sapatas
ao canhão de batatas
ao esventra-tomates
ao esfola-galinhas

mas muito muito em breve
receberemos a visita
de uma terna miúda
de uma terna miúda
que nos oferece o coração
sim que nos oferece o coração

então logo cedemos
temos de ser uns prós outros
e vivemos assim
e vivemos assim
até á próxima vez
até à próxima vez

Boris Vian, Canções e Poemas,
Lisboa, Assírio & Alvim, 1997

( retiramos a tradução portuguesa
daqui)








La complainte du progrès
by Boris Vian


Autrefois pour faire sa cour
On parlait d'amour
Pour mieux prouver son ardeur
On offrait son coeur
Aujourd'hui, c'est plus pareil
Ça change, ça change
Pour séduire le cher ange
On lui glisse à l'oreille
(Ah? Gudule!)

{Refrain 1:}
Viens m'embrasser
Et je te donnerai
Un frigidaire
Un joli scooter
Un atomixer
Et du Dunlopillo
Une cuisinière
Avec un four en verre
Des tas de couverts
Et des pell' à gâteaux

Une tourniquette
Pour fair' la vinaigrette
Un bel aérateur
Pour bouffer les odeurs

Des draps qui chauffent
Un pistolet à gaufres
Un avion pour deux
Et nous serons heureux

Autrefois s'il arrivait
Que l'on se querelle
L'air lugubre on s'en allait
En laissant la vaisselle
Aujourd'hui, que voulez-vous
La vie est si chère
On dit: rentre chez ta mère
Et l'on se garde tout
(Ah! Gudule)

{Refrain 2:}
Excuse-toi
Ou je reprends tout ça.
Mon frigidaire
Mon armoire à cuillères
Mon évier en fer
Et mon poêl' à mazout
Mon cire-godasses
Mon repasse-limaces
Mon tabouret à glace
Et mon chasse-filous

La tourniquette
A faire la vinaigrette
Le ratatine-ordures
Et le coupe-friture

Et si la belle
Se montre encore rebelles
On la fiche dehors
Pour confier son sort

{Coda:}
Au frigidaire
À l'efface-poussière
À la cuisinière
Au lit qu'est toujours fait
Au chauffe-savates
Au canon à patates
À l'éventre-tomates
À l'écorche-poulet

Mais très très vite
On reçoit la visite
D'une tendre petite
Qui vous offre son coeur

Alors on cède
Car il faut bien qu'on s'entraide
Et l'on vit comme ça
Jusqu'à la prochaine fois


La complainte du progrès
(Bernard Lavilliers interpreta a canção de Boris Vian)







Hoje há manifestação e festa reivindicativa contra a refinaria de Balboa em Santa Olalla del Cala

Plataformas ambientais das regiões espanholas da Extremadura e da Andaluzia, e ainda a Quercus portuguesa, realizam hoje, Sábado, dia 7 de Fevereiro, uma manifestação contra a polémica refinaria Balboa, proposta para a região de Badajoz, e o necessário oleoduto.

Responsáveis do protesto explicaram que a manifestação na localidade de Santa Olalla del Cala (onde se prevê a construção da refinaria) conta com o apoio das plataformas "Sereno" de Sevilha, "Oleoducto NO" de Huelva, e "Refinaria NO" da Extremadura.

Leonardo Clemente explicou que o protesto visa consciencializar as pessoas da região para os impactos ambientais do projecto industrial, que classificou como "obsoleto e caduco".

Os activistas contestam igualmente o que dizem ser a postura contraditória do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) - que governa as duas regiões espanholas - por promover o combate às alterações climáticas e, ao mesmo tempo, "apostar num projecto contaminante".

Plataformas ambientais portuguesas e espanholas têm promovido várias acções nos últimos meses contra o polémico projecto.

Representantes das plataformas espanholas deverão deslocar-se na próxima quarta-feira a Bruxelas, para expor perante o Comité de Petições do Parlamento Europeu, os seus argumentos contra o projecto.

A refinaria Balboa está projectada para o município de Santos de Maimona, província de Badajoz (Extremadura), a cerca de cem quilómetros da fronteira com Portugal.

O projecto, que inclui a análise do impacto transfronteiriço envolvido, está em consulta pública em Portugal até 24 de Fevereiro, no âmbito da Avaliação de Impactes Ambientais.

A construção do equipamento tem suscitado críticas dos dois lados da fronteira, nomeadamente de ambientalistas portugueses e espanhóis, assim como de autarcas e empresários alentejanos.

Os receios são que a refinaria prejudique o ambiente e a saúde pública de um lado e de outro da fronteira, sobretudo com a contaminação do ar e da bacia hidrográfica do rio Guadiana e da albufeira de Alqueva, para onde estão previstos projectos turísticos em concelhos do Alentejo.
PROGRAMA PARA HOJE

FIESTA REIVINDICATIVA SANTA OLALLA DEL CALA (HUELVA)

12:00 h Reunión de trabajo de Plataforma Sevilla Refinería No, Plataforma Provincial de Huelva Oleoducto No y Plataforma Ciudadana Refinería No.

12:30 h Talleres de artesanía, música, animación infantil, exposición de pinturas, puestos informativos, etc. LUGAR: Explanada del mercadillo, Santa Olalla.

14:30 h Comida convivencia. Ermita de Santa Eulalia. Merendero con zona de barbacoa.

17:00 h Inicio de la MANIFESTACIÓN desde la Ermita de Santa Eulalia hasta la Plaza de la Constitución, con la participación de una Batukada y espectáculos

5.2.09

Lançado hoje o Dicionário Internacional da Outra Economia, para a compreensão e divulgação das alternativas económicas ao capitalismo


A partir do Dictionnaire de l'autre économie foi hoje lançada em Portugal a sua tradução portuguesa sob o título Dicionário Internacional da Outra Economia com a coordenação a cargo de Antonio David Cattani, Jean-Louis Laville, Luiz Inácio Gaiger,e Pedro Hespanha


O "Dicionário Internacional da Outra Economia" apresenta em 58 verbetes os conceitos e as teorias mais marcantes sobre as alternativas à economia capitalista. Abrange os fundamentos e as modalidades da outra economia, os marcos históricos do pensamento alternativo e temas específicos como autogestão, bens públicos mundiais, comércio justo, economia feminista, redes sociais e solidariedade.

Este livro constitui-se no volume 1 da Série Políticas Sociais (editada pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra) e é editada pela Almedina

Este dicionário da outra economia não é um dicionário propriamente dito. Ele reúne simplesmente o mais importante para a pesquisa de uma alternativa ao liberalismo económico. Desde a letra A como “alterglobalização” até à letra U como “utopia”, passando por E para “empresa social” e M para “microcrédito”, são cerca de sessenta assuntos e temas sobre as implicações, conceitos e práticas dessa alternativa económica que são expostos nesta obra. Cada tema compreende um “ensaio” de 3 a 20 páginas, uma bibliografia e algumas indicações lexicais.

O Dicionário Internacional da Outra Economia está sintonizado com os ideais e as realizações objectivas da outra economia, aquela que se apresenta como alternativa material e humana superior à economia capitalista.


A obra visa divulgar, para um amplo público, os conceitos e as teorias mais marcantes sobre as alternativas à economia capitalista presentes numa literatura especializada, que às vezes é hermética demais para o leitor. Neste Dicionário são analisados os mais diversificados temas, como os fundamentos e as modalidades da outra economia, os marcos históricos do pensamento alternativo, as redes de colaboração solidária, o comércio justo, entre outros.

A variedade de abordagens faz com que a leitura do conteúdo deste dicionário possa encontrar algumas contradições. Assim, por exemplo, a noção de decrescimento apresentada pelo economista Guy Roustang choca com a ideia do desenvolvimento local apresentado pelo brasileiro Paulo de Jesus,doutor em ciências de educação.

Assinala-se também aí que desenvolvimento não é o mesmo que crescimento. E para economia solidária, assim como para moeda social são propostas duas definições, não obrigatoriamente coincidentes.

Por outro lado, certas entradas dão lugar a textos mais teóricos ( autogstão, capital social, mercado solidário, dádiva) , enquanto noutras a ênfase é dade sobretudo à prática ( economia alternativa, consumo solidário, organizações internacionais)

Em síntese, a outra economia deve ser concebida no plural, pois é na pluralidade de propostas alternativas que encontramos saída para o pensamento único do neo-liberalismo, assim como o capitalismo, como modelo económico dominante.

A abertura do Cabaret Voltaire foi há 93 anos ( a 5 de Fevereiro de 1916) em Zurique








Em 5 de Fevereiro de 1916, foi inaugurado em Zurique o ponto de encontro para artistas contestatários da ordem estabelecida, "Cabaret Voltaire". Era o início do dadaísmo, uma tendência artística antiburguesa e anti-convencional

O Cabaret Voltaire foi um clube nocturno, criado em 5 de Fevereiro de 1916, no nº 1 da pequena rua de Spiegelgasse, em Zurique (Suíça), dirigido pelo filósofo, romancista e anarquista Hugo Ball ,e pela sua companheira, a cantora Emmy Hennings, e com ele surge também, oficialmente, o Dadaísmo, uma vanguarda modernista.


Este espaço dava aos artistas as condições para a liberdade artística, e para a experimentação, e o seu nome provinha das palavras Cabaret ( invocando os vícios da noite) e Voltaire ( valorizando a filosofia)


Com o passar do tempo o local começou a degradar-se e no Inverno de 2002 um grupo de artistas autodenominado neo-dadaistas, organizado por Mark Divo okupou o espaço. Reclamavam que o local era o símbolo de uma nova geração de artistas que aspiravam renacer o espírito Dada. Durante um período de 3 meses houve uma série de festas, tardes poéticas, interpretações e perfomances e projecções. Desse conjunto de artistas contavam-se nomes como Ingo Giezendammer, Mikry Drei, Lennie Lee, Leumund Cult, Aiana Calugar y Dan Jones. A curiosidade dos visitantes também foi grande. Porém, a 2 de Março de 2002 a policía expulsou os ocupas, tendo o edificio sido convertido em museu para recordar Dada.


"Dada é a vida sem pantufas e sem paralelas, é pró e contra a unidade e decididamente contra o futuro", pois "a arte não é séria", proclamava o escritor francês Tristan Tzara.

Para a primeira soirée do Cabaret Voltaire , Ball pediu a artistas plásticos, como Hans Arp, que contribuíssem com objectos de arte, e a poetas, como Tristan Tzara ou Huelsenbeck, que colaborassem com palavras poéticas. Assim, nasceram composições como as três variações sobre um motivo dado, em três línguas. Tratava-se do primeiro poema simultâneo dadaísta com o título: "O almirante tenta alugar uma casa". Humor e nonsense tinham um pano de fundo sério.
Arte, acaso da natureza


A Primeira Guerra Mundial estava às portas. Pintores, poetas, pacifistas, filósofos e músicos de todas as nacionalidades reuniam-se no Cabaret Voltaire, no solo neutro da Suíça. Eles eram contra a sociedade burguesa decadente, contra a autoridade na política e na Igreja e, de maneira não pouco significativa, contra o aparato da arte estabelecida.


Dada é espatifar aquilo que até então era válido, quer dizer, não mais utilizar a tinta a óleo para pintar, nem empregar a língua do modo como era usada na literatura. A arte deveria ficar ao acaso da natureza.


Por acaso, combinavam-se palavras achadas, letras, sílabas. Como por acidente, produziam-se colagens de cores, materiais, palavras, movimentos e sons. Como que acidentalmente, nasceu o nome Dada, ao folhear um dicionário.


Não havia uma orientação estilística determinada, nem uma escola definida, o que os distingue claramente dos surrealistas.


Em 9 de Abril de 1919, o movimento encontrou seu apogeu e declínio numa gigantesca exposição de arte total, com poemas simultâneos e danças de máscaras ao som de música atonal.
Fora da Suíça, contudo, o dadaísmo continuou vivendo. Em Nova York, Marcel Duchamp declarou objectos utilitários como peças de arte. Em Berlim, Huelsenbeck fundou o Club Dada, de orientação sócio-crítica. O poeta e colagista sonoro Kurt Schwitters não era um de seus membros, mas o seu nome está estreitamente ligado ao dadaísmo, sendo a sua ursonate uma das obras mais célebres do movimento.


E o que restou do dadaísmo?


Se Dada é um estado de espírito, então ele está em nós. As agitações estudantis nas ruas, os movimentos criativos, as rupturas, em tudo isso esta incarnado de uma forma bem palpável o espírito Dada. Ou seja, desde que se questione radicalmente algo, então estamos como Dada . Por isso, é que os dadaístas sempre rejeitaram a indústria artística literária estabelecida, apesar desta ter vindo a recuperá-lo e a declarar a anti-arte como arte


De qualquer forma, e retomando Dada se o mundo está em ruínas, todos os meios são permissíveis.


Consultar :


International Dada Archive
http://www.lib.uiowa.edu/dada/








Kaspar König and Simon Berz at the Cabaret Voltaire, Zurich



4.2.09

Ciclos Derivas de Fevereiro - Escola: há lugar para novos criadores? (na Bibliot. Almeida Garret,27 e 28 de Fev.). Abertas as inscrições

Já nos encontramos a aceitar inscrições.

Vamos fazer destas derivas uma operação higiénica contra a dita avaliação - ou seja, nem vamos falar dela... mas por que não falarmos de programas, de criatividade e de motivação para o ensino?

Vamos conversar todos, na Biblioteca Almeida Garrett (no Porto) a 27 e 28 de Fevereiro, com
José António Gomes,
Paula Cruz,
Isabel Sousa,
Luísa Portal,
António Tavares Lopes,
Emílio Remelhe,
Rui Pereira,
Suzana Ralha,
Pedro Eiras e
Américo Lindeza Diogo.


Clicar por cima da imagem para ler em detalhe

A condição feminina no Portugal recente - conferência de Helena Neves no Grémio de Instrução Liberal de Campo de Ourique (dia 5 de Fev. às 21h30)


As Conferências das Quintas são uma iniciativa quinzenal de debate co-organizada pelo Le Monde diplomatique - edição portuguesa e o Grémio de Instrução Liberal de Campo de Ourique (GILCO). As conferências têm lugar no colégio do GILCO, em Campo de Ourique.

A próxima conferência, subordinada ao tema «A condição feminina no Portugal recente», é já amanhã, dia 5 de Fevereiro, pelas 21h30, e contará com a participação de Helena Neves.

O colégio do GILCO fica no Lrg. Dr. António Viana, em Campo de Ourique.

A conferência seguinte, a propóito do tema «Traços da actualidade internacional», realizar-se-á no próximo dia 19 de Fevereiro e contará com a participação de Luís Moita.

A entrada é livre. Participe!

Para mais informações:
monde-diplo@netcabo.pt ou gremio@gremionet.com

Bonecas de Ataúro ( Timor) vão estar na Exponor, em Matosinhos ( de 5 a 8 de Fev.)



O stand das Bonecas de Ataúro vai estar presente na Exponor em Matosinhos. Venham visitar e apoiar o artesanato que se faz em Timor.

Sobre as Bonecas de Ataúro

O grupo Boneca de Ataúro está alojado na ilha com o mesmo nome, em Timor-Leste. Trata-se de uma iniciativa de empreendedorismo social, que levou um grupo de mulheres a criar uma oficina de artesanato, onde desenvolvem peças originais e criativas. As artesãs trabalham em pano e bordados, criando não só Bonecas, mas bolsas e toalhas. Desenvolvem também trabalhos com materiais ecológicos na concepção de Biojóias. É da constante preocupação do grupo adoptar métodos que permitam melhorar os seus processos de trabalho e aprendizagem para a inovação e geração de maior riqueza para a comunidade onde estão inseridas.


O filme de Luis Buñuel, Un Chien Andalou, vai passar no bar-livraria Gato Vadio ( no dia 5 de Fev. às 21h30)


Quinta-feira, 5 de Fevereiro
Cinema de Luis Buñuel - Curta-metragem + Documentário
21h30
Livraria-Bar Gato Vadio



Un Chien Andalou,
Luís Buñuel, 1929
Curta-metragem, P/B. 16 m.
Luis Buñuel estreou-se como realizador (e actor) com esta experimental curta-metragem, escrita em parceria com Salvador Dali, que constituiu um marco do surrealismo no cinema. À luz da psicanálise, Buñuel e Dali exploram o inconsciente humano, numa sequência de cenas oníricas, incluindo o célebre momento em que um homem corta, com uma navalha, o olho de uma mulher.




Las Hurdes, Terra sem Pão
Luís Buñuel, 1933
Documentário. P/B, Duração: 30 minutos.
Após a proclamação da República em Espanha, Buñuel regressou de Paris e realizou, em 1933, o documentário, Las Hurdes, tierra sin pan, De modo cru, descreve a vida miserável e os costumes ancestrais de uma aldeia espanhola da Extremadura em estado quase selvagem. As imagens e os factos descritos são extraordinários e irreais, acabando por conferir ao filme um cunho verdadeiramente surrealista. O documentário desagradou de tal forma o governo republicano que foi proibido por veicular uma imagem medieval da Espanha.

O realizador espanhol explica na sua autobiografia que em vez de sentir comiseração e pena pelos indigentes e excluídos da sociedade, manifestava profundo sentimento de respeito e de dignidade para com os mais necessitados.

As Hurdes situam-se numa região montanhosa e inóspita na Extremadura espanhola junto à raia portuguesa.

Livraria-bar Gato Vadio
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016

Fuck May 68. Fight Now - a insurreição que vem da Grécia a Tarnac (na galeria Zé dos Bois, dia 7 de Fev., a partir das 17h.30)




FUCK 68 FIGHT NOW
Sábado, 7 de Fev a partir das 17h30
Galeria zé dos bois, Rua da Barroca, 59

Proposta de www.radioleonor.org


«Por todo o lado cresce o deserto. O "império", o "capitalismo", o "biopoder", o "espectáculo" - os nomes para o descrever são tantos como as formas de resistência que se lhe opõem. Aos anos do neoliberalismo triunfante sucedem-se guerras infinitas e crises mundiais. A mudança de época é assinalada por momentos de conflito social e de subversão do quotidiano que tomam as ruas das grandes metrópoles, ocupam espaços e atravessam corpos, redescobrindo o prazer cúmplice do jogo e a partilha da desobediência. Chiapas, Seattle, Kabília, Génova, Buenos Aires, Paris, Barcelona, Atenas - o mapa do mundo enche-se de sinais que apontam a insurreição que vem.

Face à ameaça de um levantamento global, os vários Estados sofisticam não apenas as suas técnicas de vigilância, controlo e repressão, como também os discursos que legitimam e banalizam o seu uso. Toda a resistência é uma ameaça, todos os rebeldes se tornam possíveis terroristas.

Em Novembro de 2008, após a circulação de alguns comboios de alta velocidade ter sido interrompida por actos de sabotagem não reivindicados, a polícia francesa deteve nove habitantes da pequena aldeia de Tarnac, incriminados por "associação com fins terroristas". Numa gigantesca manipulação apoiada pelos media, o Ministério Público prendeu aqueles que considera serem os «cérebros» por trás das sabotagens, destruições e ilegalidades que vêm caracterizando inúmeros conflitos sociais em França. Na ausência de provas, criminalizou textos e ideias, lançando uma ameaça contra todas as formas de pensamento crítico. Apresentar, divulgar e partilhar as propostas, reflexões e experiências criminalizadas pelo Estado francês assumiu agora a forma mais elementar de solidariedade.»


FILME > 17h30 > Get rid of yourself, de Bernadette Corporation. 2003, '61 min

CONVERSA > 18h40 > A insurreição que vem: Da Grécia a Tarnac, por radioleonor.org

APPEL > Lançamento do livro "Appel" (edições antipáticas, 2008)

JANTAR > 20h30 > vegetariano

CONCERTO > 22h30 > GAF

DJ SET > 23h00 > Les Tétons Baptiste Dj Vaipes

Sessão pública sobre o Fórum Social Mundial na livraria Círculo das Letras (6 de Fev. às 21h.) em Lisboa




Fórum Social Mundial em Debate

Na Sessão Pública promovida pela ATTAC Portugal,

com Ulisses Garrido,

6 Fevereiro (sexta-feira), 21 horas,

no Auditório da Livraria Círculo das Letras



No momento em que se vive a mais grave crise do capitalismo desde há 80 anos, dezenas de milhar de representantes de movimentos sociais de todo o mundo reuniram-se no Fórum Social Mundial, em Belém (Brasil), entre 27 de Janeiro e 1 de Fevereiro.

Desde há dez anos que o movimento altermundialista reunido no Fórum promove a convergência das forças activamente empenhadas no combate à dominação mundial do capital financeiro, à submissão de todas as actividades humanas a uma lógica financeira e especulativa, que estão na raiz da actual crise da economia, do agravamento das desigualdades e da concentração da riqueza, do esgotamento e desperdício dos recursos naturais, da multiplicação de conflitos e guerras, da ofensa a direitos humanos e sociais básicos. Em nome da exigência de que outro mundo é possível, o movimento altermundialista dos fóruns inscreve-se no objectivo de lutar pela devolução à humanidade do controlo colectivo do seu futuro.

A Sessão Pública promovida pela ATTAC Portugal, com Ulisses Garrido (sindicalista e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da ATTAC), que participou no Fórum Social Mundial em Belém, será uma oportunidade não só para colher o testemunho directo e pessoal e informação relevante sobre a sua participação no evento, como também para uma reflexão e um debate partilhados sobre as perspectivas e alternativas do movimento altermundialista em tempo de crise.


6 Fevereiro (sexta-feira), 21.00 horas,

Auditório da Livraria Círculo das Letras,

Rua Augusto Gil, 15 B

(esquina com a Rua Óscar Monteiro Torres, junto à Av. Roma), em Lisboa.