28.8.08

Centenário do nascimento de Josué de Castro, geógrafo brasileiro e autor de livros como «Geografia da Fome»

"Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens, contra outros homens".

"Mais grave ainda que a fome aguda e total, devido às suas repercussões sociais e económicas, é o fenómeno da fome crónica ou parcial, que corrói silenciosamente inúmeras populações do mundo".

"O subdesenvolvimento não é, como muitos pensam equivocadamente, insuficiência ou ausência de desenvolvimento. O subdesenvolvimento é um produto ou um subproduto do desenvolvimento, uma derivação inevitável da exploração económica colonial ou neocolonial, que continua se exercendo sobre diversas regiões do planeta

Citações de Josué de Castro


Sobre Josué de Castro:
«Ele sabia que não adiantava aumentar a riqueza, sem reduzir a pobreza»

«Propunha o incentivo da agricultura familiar e a criação de restaurantes populares»


No próximo dia 5 de Setembro de 2008 completam-se 100 anos do nascimento do destacado geógrafo brasileiro ( pernambucano de nascimento), autor de livros como Geografia da Fome (1935), traduzido e editado em 25 línguas, e Geopolítica da Fome, textos que se tornaram em autênticas referências incontornáveis da literatura sobre a matéria, e onde são denunciadas as verdadeiras causas da fome que atinge milhões de seres humanos, causas de carácter social e económico, que exigem, antes de tudo o mais, uma solução política. Josué de Castro fez da luta contra a fome a sua bandeira de vida, até porque, desde miúdo, conhecera de perto o fenómeno da fome: morando perto dos mangues, Josué fez uma comparação cruel: "As pessoas que vivem naquelas áreas e sobrevivem da pesca do caranguejo, acabam se tornando 'irmãos de leite' desse anfíbio". Por causa das suas ideias progressistas, foi obrigado pelo regime militar brasileiro da época a deixar o país. Morreu no exílio, em Paris, na França, no dia 24 de Setembro de 1973, aos 65 anos de idade.

Josué de Castro teve inúmeras profissões: médico, geógrafo, professor, escritor, sociólogo e político. Presidiu a FAO, organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) para Agricultura e Alimentação e seus conceitos sobre desenvolvimento sustentável e as causas da miséria fizeram com que fosse indicado duas vezes ao Prêmio Nobel, da Medicina, em 1954, e da Paz, em 1963.


A socióloga, filha e “herdeira cultural” do médico, Anna Maria de Castro, disse que o pai tinha propostas concretas para acabar com a fome, como reforma agrária, melhoria de sementes e aumento da produtividade. As suas ideias, no entanto, foram vistas como “comunistas”, pois , Josué acreditava na capacidade de superar a fome aliando a Ciência, a técnica e a participação das pessoas.


No início do livro «Geografia da Fome» pode-se ler:

"Neste nosso ensaio de natureza ecológica tentaremos, pois, analisar os hábitos alimentares dos diferentes grupos humanos, ligados a determinadas áreas geográficas, procurando, de um lado, descobrir as causas naturais e as causas sociais que condicionaram o seu tipo de alimentação, com suas falhas e defeitos característicos, e, de outro lado, procurando verificar até onde esses defeitos influenciam a estrutura económico-social dos diferentes grupos estudados. Assim fazendo, acreditamos poder trazer alguma luz explicativa a inúmeros fenómenos de natureza social até hoje mal compreendidos por não terem sido levados na devida conta os seus fundamentos biológicos


Um pouco mais à frente, aparece a denúncia do neocolonialismo:


"É mesmo esta a característica essencial do desenvolvimento económico do tipo colonialista, bem diferente do desenvolvimento económico autêntico de tipo nacionalista. O colonialismo promoveu pelo mundo um certa forma de progresso, mas sempre a serviço dos seus lucros exclusivos, ou quando muito associado a um pequeno número de nacionais privilegiados que se desinteressavam pelo futuro da nacionalidade, pelas aspirações políticas, sociais e culturais da maioria. Daí o desenvolvimento anómalo, sectorial, limitado a certos sectores mais rendosos, de maior atractivo para o capital especulativo, deixando no abandono outros sectores básicos, indispensáveis ao verdadeiro progresso social".




Para assinalar o centenário do nascimento de Josué de Castro foram programadas no Brasil algumas actividades que começam amanhã, dia 29 de Agosto, em Belo Horizonte:

Dia 29/8, sexta:

9h30 – Abertura
10h15 – Leitura dramatizada de trechos da peça Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto e Chico Buarque de Holanda – professor Fernando Limoeiro (TU/UFMG)
11h – Coffee-break
11h30 – Palestra “Presença de Josué de Castro”
Anna Maria de Castro – filha de Josué de Castro e professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Ajax Pinto Ferreira – coordenador do Centro de Memória da Medicina
Local: Salão Nobre da Faculdade de Medicina da UFMG (avenida Alfredo Balena, 190, bairro Santa Efigênia)

Dia 4/9, quinta-feira:

12h – Encenação da peça teatral Zerando a Fome, do professor Romeu Sabará
Degustação de comidas típicas derivadas do milho
Local: Praça de Serviços da UFMG (avenida Antônio Carlos, 6627, campus Pampulha)

Dia 5/9, sexta-feira:

14h às 17 horas – Debate sobre a “Problemática da Fome”
Participantes: José Divino Lopes – professor da Escola de Enfermagem da UFMG, membro-titular do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais e suplente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar
Leila Regina da Silva – Vicariato da Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte, representante do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Belo Horizonte
Local: Auditório da Escola de Belas-Artes (avenida Antônio Carlos, 6627, Campus Pampulha)
Actividades complementares
Entre os dias 1 e 4 de setembro, será realizada na Fafich, Faculdade de Educação, Escola de Enfermagem e Escola de Belas-Artes a exibição do filme/documentário Josué de Castro – Cidadão do Mundo, de Silvio Tendler, seguida de debate.

Dia 2/9, terça-feira:

18h – Escola de Enfermagem (avenida Alfredo Balena, 190)
1 – Seminário “Josué de Castro e a alimentação como direito”
Debate, precedido da exibição do documentário "Josué de Castro, Cidadão do Mundo", de Silvio Tendler
Organização da disciplina Nutrição e Cidadania e do Projeto Segurança Alimentar e Cidadania na Vila Acaba Mundo (Curso de Nutrição da Escola de Enfermagem e Programa Pólos de Cidadania da Faculdade de Direito da UFMG).


JOSUÉ DE CASTRO E A LUTA CONTRA A FOME
Conferência





Excerto do belissimo filme de Silvio Tendle




Chico Science falando de Josué de Castro









A Geografia da Fome (excertos de textos e escritos de Josué de Castro)

A fome é, conforme tantas vezes tenho afirmado, a expressão biológica de males sociológicos. Está intimamente ligada com as distorções económicas, a que dei, antes de ninguém, a designação de subdesenvolvimento.
A fome é um fenómeno geograficamente universal, a cuja acção nefasta nenhum continente escapa. Toda a terra dos homens foi, até hoje, a terra da fome. As investigações científicas, realizadas em todas as partes do mundo, constataram o facto inconcebível de que dois terços da humanidade sofre, de maneira epidémica ou endémica, os efeitos destruidores da fome.
A fome não é um produto da superpopulação: a fome já existia em massa antes do fenómeno da explosão demográfica do após-guerra. Apenas esta fome que dizimava as populações do Terceiro Mundo era escamoteada, era abafada era escondida. Não se falava do assunto que era vergonhoso: a fome era tabu.

O assunto deste livro é bastante delicado e perigoso. A tal ponto delicado e perigoso que se constituiu num dos tabus de nossa civilização. É realmente estranho, chocante o facto de que, num mundo como o nosso, caracterizado por tão excessiva capacidade de escrever-se e publicar-se, haja até hoje tão pouca coisa escrita acerca do fenómeno da fome, em suas diferentes manifestações.
Quais são os factores ocultos desta verdadeira conspiração de silêncio em torno da fome? Trata-se de um silêncio premeditado pela própria alma da cultura: foram os interesses e os preconceitos de ordem moral e de ordem política e económica de nossa chamada civilização ocidental que tomaram a fome um tema proibido, ou pelo menos pouco aconselhável de ser abordado publicamente.
Ao lado dos preconceitos morais, os interesses económicos das minorias dominantes também trabalhavam para escamotear o fenómeno da fome do panorama espiritual moderno. É que ao imperialismo económico e ao comércio internacional a serviço do mesmo interessava que a produção, a distribuição e o consumo dos produtos alimentares continuassem a se processar indefinidamente como fenómenos exclusivamente económicos - dirigidos e estimulados dentro de seus interesses económicos - e não como factos intimamente ligados aos interesses da saúde pública.
Um dos grandes obstáculos ao planeamento de soluções adequadas ao problema da alimentação dos povos reside exactamente no pouco conhecimento que se tem do problema em conjunto, como um complexo de manifestações simultaneamente biológicas, económicas e sociais.
Por outras palavras, procuraremos realizar uma sondagem de natureza ecológica, dentro deste conceito tão fecundo de Ecologia, ou seja, do estudo das acções e reacções dos seres vivos diante das influências do meio.
Neste ensaio de natureza ecológica tentaremos, pois, analisar os hábitos alimentares dos diferentes grupos humanos ligados a determinadas áreas geográficas, procurando de um lado, descobrir as causas naturais e as causas sociais que condicionaram o seu tipo de alimentação, com suas falhas e defeitos característicos, e de outro lado, procurando verificar até onde esses defeitos influenciam a estrutura económico-social dos diferentes grupos estudados.
O objectivo é analisar o fenómeno da fome colectiva - da fome atingindo endémica ou epidemicamente as grandes massas humanas. Não só a fome total, a verdadeira inanição que os povos de língua inglesa chamam de starvation, fenómeno, em geral, limitado a áreas de extrema miséria e a contingências excepcionais, como o fenómeno muito mais frequente e mais grave, em suas consequências numéricas, da fome parcial, da chamada fome oculta, na qual pela falta permanente de determinados elementos nutritivos, em seus regimes habituais, grupos inteiros de populações se deixam morrer lentamente de fome, apesar de comerem todos os dias. É principalmente o estudo dessas colectivas fomes parciais, dessas fomes específicas, em sua infinita variedade, que constitui o objectivo nuclear do nosso trabalho.
É que existem duas maneiras de morrer de fome: não comer nada e definhar de maneira vertiginosa até o fim, ou comer de maneira inadequada e entrar em um regime de carências ou deficiências específicas, capaz de provocar um estado que pode também conduzir à morte. Mais grave ainda que a fome aguda e total, devido às suas repercussões sociais e económicas, é o fenómeno da fome crónica ou parcial, que corrói silenciosamente inúmeras populações do mundo.
A noção que se tem, correntemente, do que seja a fome é, assim, uma noção bem incompleta. E este desconhecimento, por parte das elites europeias, da realidade social da fome no mundo e dos perigos que este fenómeno representa para a sua estabilidade social, constitui uma grave lacuna tanto para a análise dos acontecimentos políticos da actualidade, que se produzem em diversas regiões da terra, como no que se refere à atitude que os países da abundância deveriam ter face aos países subdesenvolvidos, permanentemente perseguidos pela penúria e pela miséria alimentar.
Nenhum fator é mais negativo para a situação de abastecimento alimentar do país do que a sua estrutura agrária feudal, com um regime inadequado de propriedade, com relações de trabalho socialmente superadas e com a não utilização da riqueza potencial dos solos.
Apresenta-se deste modo a Reforma Agrária como uma necessidade histórica nesta hora de transformação social que atravessamos como um imperativo nacional.
É que cerca de 60% das propriedades agrícolas no Brasil são constituídas por glebas de áreas superiores a 50 hectares de terra, das quais 20% possuem mais de 10.000 hectares. No recenseamento de 1950 ficou evidenciada a existência no Brasil de algumas dezenas de propriedades que são verdadeiras capitanias feudais:proriedades com mais de 100.000 hectares de extensão.
Do latifúndio decorre também a existência das grandes massas dos sem-terra, dos que trabalham na terra alheia, como assalariados ou como servos explorados por esta engrenagem económica de tipo feudal. Por sua vez, o minifúndio significa a exploração antieconómica da terra, a miséria crónica das culturas de subsistência que não dão para matar a fome da família.
O tipo de reforma que julgamos imperativo da hora presente não é um simples expediente de desapropriação e redistribuição da terra para atender às aspirações dos sem-terra. Processo simplista que não traz solução real aos problemas da economia agrária. Concebemos a reforma agrária como um processo de revisão das relações jurídicas e económicas, entre os que detêm a propriedade agrícola e os que trabalham nas actividades rurais.
Precisamos enfrentar o tabu da reforma agrária - assunto proibido, escabroso, perigoso - com a mesma coragem com que enfrentamos o tabu da fome. Falaremos abertamente do assunto, esvaziando desta forma o seu conteúdo tabu, mostrando através de uma larga campanha esclarecedora que a reforma agrária não é nenhum bicho-papão ou dragão maléfico que vá engolir toda a riqueza dos proprietários de terra, como pensam os mal-avisados, mas que, ao contrário, será extremamente benéfica para todos os que participam socialmente da exploração agrícola...
É evidente que não bastaria dispor de alimentos em quantidade suficiente e suficientemente diversificados para cobrir as necessidades alimentares da população mundial. O problema da fome não é apenas um problema de produção insuficiente de alimentos. É preciso que a massa desta população disponha de poder de compra para adquirir estes alimentos.
A fome age não apenas sobre os corpos das vítimas da seca, consumindo sua carne, corroendo seus órgãos e abrindo feridas em sua pele, mas também age sobre seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta moral. Nenhuma calamidade pode desagregar a personalidade humana tão profundamente e num sentido tão nocivo quanto a fome, quando atinge os limites da verdadeira inanição. Excitados pela imperiosa necessidade de se alimentar, os instintos primários são despertados e o homem, como qualquer outro animal faminto, demonstra uma conduta mental que pode parecer das mais desconcertantes.
Querer justificar a fome do mundo como um fenómeno natural e inevitável não passa de uma técnica de mistificação para ocultar as suas verdadeiras causas que foram, no passado, o tipo de exploração colonial imposto à maioria dos povos do mundo, e , no presente, o neocolonialismo económico a que estão submetidos os países de economia primária, dependentes, subdesenvolvidos, que são também países de fome.
As massas humanas se deram conta de que a fome e a miséria não são indispensáveis ao equilíbrio do mundo, e que hoje, graças aos progressos da ciência e da técnica, surgiu pela primeira vez na história um tipo de sociedade na qual a miséria pode ser suprimida e com ela a fome.


Subdesenvolvimento

Os países do Terceiro Mundo são subdesenvolvidos, não por razões naturais - pela força das coisas - mas por razões históricas - pela força das circunstâncias. Circunstâncias históricas desfavoráveis, principalmente o colonialismo político e económico que manteve estas regiões à margem do processo da economia mundial em rápida evolução.7
Na verdade, o subdesenvolvimento não é a ausência de desenvolvimento, mas o produto de um tipo universal de desenvolvimento mal conduzido. É a concentração abusiva de riqueza - sobretudo neste período histórico dominado pelo neocolonialismo capitalista que foi o factor determinante do subdesenvolvimento de uma grande parte do mundo: as regiões dominadas sob a forma de colónias políticas directas ou de colónias económicas.
O subdesenvolvimento é o produto da má utilização dos recursos naturais e humanos realizada de forma a não conduzir à expansão económica e a impedir as mudanças sociais indispensáveis ao processo da integração dos grupos humanos subdesenvolvidos dentro de um sistema económico integrado. Só através de uma estratégia global do desenvolvimento, capaz de mobilizar todos os factores de produção no interesse da colectividade, poderão ser eliminados o subdesenvolvimento e a fome da superfície da terra.
O maior de todos esses erros foi considerar o processo do desenvolvimento em toda parte como semelhante ao desenvolvimento dos países ricos do Ocidente. Uma espécie de etnocentrismo conduziu os teóricos do desenvolvimento a assentar as suas ideias e estabelecer os seus sistemas de pensamento em concepções de economia clássica que ignoravam quase totalmente a realidade sócio-econômica das regiões de economia ocidental capitalista, uma economia socialista em elaboração acelerada e uma rede de abastecimento e de venda no resto do mundo. Não se ocupavam, pois, das estruturas económicas desse resto do mundo, abandonado quer aos sociólogos, quer, antes, aos folcloristas.
Esta tremenda desigualdade social entre os povos divide economicamente o mundo em dois mundos diferentes: o mundos dos ricos e o mundo dos pobres, o mundo dos países bem desenvolvidos e industrializados e o mundo dos países proletários e subdesenvolvidos. Este fosso económico divide hoje a humanidade em dois grupos que se entendem com dificuldade: o grupo dos que não comem, constituído por dois terços da humanidade, e que habitam as áreas subdesenvolvidas do mundo, e o grupo dos que não dormem, que é o terço restante dos países ricos, e que não dormem, com receio da revolta dos que não comem.
Um dos factores mais constantes e efectivos das terríveis tensões sociais reinantes é o desequilíbrio económico do mundo, com as resultantes desigualdades sociais. Constitui um dos maiores perigos para a paz o profundo desnível económico que existe entre os países economicamente bem desenvolvidos de um lado, e de outro lado os países insuficientemente desenvolvidos. Desnível que se vem acentuando cada vez mais, intensificando as dissensões sociais e gerando a inquietação, intranquilidade e os conflitos políticos e ideológicos.
Ora, o problema do subdesenvolvimento não é exclusivo destes países; é antes um problema universal, que só pode ter soluções igualmente em escala universal. Viver na opulência, num mundo em que 2/3 estão mergulhados na miséria, não é apenas perigoso, é um crime. A tensão social na qual se vive hoje é, na maior parte das vezes, o produto desta conhecida injustiça social, uma vez que os povos dominados tomaram consciência da realidade sócio-económica do mundo, nesta fase da história da humanidade que vivemos, fase de transformações explosivas, caracterizadas essencialmente por explosões diversas: a explosão psicológica dos povos explorados, não menos perigosa do que a explosão atómica com a qual se abriu uma nova era no nosso planeta: a era atómica.
É urgente restabelecer o equilíbrio económico do mundo aterrando o largo fosso que separa os países bem desenvolvidos dos países subdesenvolvidos, sem o que é bem difícil que se consiga a verdadeira paz e a tranquilidade entre os homens. Nenhuma tarefa internacional se apresenta mais árdua, mas ao mesmo tempo mais promissora para o futuro do mundo, do que a do desenvolvimento económico destas áreas mais atrasadas, onde os recursos naturais e os potenciais geográficos se conservam relativamente inexplorados.
A paz depende mais do que nunca do equilíbrio económica do mundo. A segurança social do homem é mais importante do que a segurança nacional baseada nas armas.
Igualmente falso é o conceito de desenvolvimento avaliado unicamente à base da expansão da riqueza material, do crescimento económico. O desenvolvimento implica mudanças sociais sucessivas e profundas, que acompanham inevitavelmente as transformações tecnológicas do contorno natural. O conceito de desenvolvimento não é meramente quantitativo, mas compreende os aspectos qualitativos dos grupos humanos a que concerne. Crescer é uma coisa; desenvolver é outra. Crescer é; em linhas gerais, fácil. Desenvolver equilibradamente, difícil.
Cada vez se pergunta com mais insistência se desenvolver-se significa desumanizar-se, nesta frenética busca de riqueza, de acordo com a fórmula preconizada pelo Ocidente de maximizar os lucros em vez de maximizar as energias mentais que enriquecem com mais rapidez a vida dos homens e podem dar-lhes muito mais felicidade.
O problema do desenvolvimento do Terceiro Mundo, e mesmo o do mundo inteiro que ainda se apresenta subdesenvolvido sob certos aspectos, é antes de tudo um problema de formação de homens. Se a revolução industrial dominou o século XIX, é a revolução cultural que deve dominar o século XX, isto é, a criação de uma cultura capaz de encontrar verdadeiras soluções para os grandes problemas da humanidade.
O subdesenvolvimento é uma forma de sub-educação. De sub-educação, não apenas do Terceiro Mundo, mas do mundo inteiro. Para acabar com ele, é preciso educar bem e formar o espírito dos homens, que foi deformado por toda parte. Só um novo tipo de homens capazes de ousar pensar, ousar reflectir e de ousar passar à acção poderá realizar uma verdadeira economia baseada no desenvolvimento humano e equilibrado.
As contradições do desenvolvimento são múltiplas. Desenvolvimento significa ao mesmo tempo mutação e disciplina. Mas a disciplina impede muitas vezes a mutação. É o conservantismo das sociedades que alcançaram um auto grau de desenvolvimento, que se tomam como modelo ideal de sociedade e passam a combater o desejo da transformação.
Encarar aspectos isolados do problema na luta contra o subdesenvolvimento parece-nos algo ultrapassado, pois sabemos que as fórmulas tradicionais, as medidas isoladas e as concessões limitadas não bastam. A gravidade do problema requer urgentemente a adopção de uma estratégia global do desenvolvimento, comportamento e medidas convergentes por parte dos países desenvolvidos, assim como dos países em vias de desenvolvimento.
Só há um tipo de verdadeiro desenvolvimento: o desenvolvimento do homem. O homem, factor de desenvolvimento, o homem beneficitário do desenvolvimento. É o cérebro do homem a fábrica de desenvolvimento. É a vida do homem que deve desabrochar pela utilização dos produtos postos à sua disposição pelo desenvolvimento.


Para saber mais, consultar:

http://www.josuedecastro.com.br/port/index.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Josu%C3%A9_de_Castro

http://diplo.uol.com.br/2008-06,a2455

Iberfolk (5,6 e 7 de Setembro) em Sortelha ( uma das mais interessantes aldeias históricas)

A associação cultural Transcudânia (a associação cultural Transcudânia surgiu pela inerente necessidade e interesse de proteger e divulgar o Património Histórico e Natural do Concelho do Sabugal, no âmbito do turismo ambiental e numa dimensão regional e transfronteiriça. O nome Transcudânia surge inspirado na possível tribo que habitava esta zona de riba Côa na proto-história, os Lanciences Transcudani.) e os Rodobalho ( de Coimbra), promovem entre os dias 7 e 9 de Setembro a segunda edição do Festival Iberfolk, em Sortelha, uma das mais bonitas e interessantes aldeias históricas.

À semelhança do programa do ano passado, cujas festividades ocorreram no Sabugal, haverá muito do novo sangue da música tradicional portuguesa e das danças europeias, como PÉ NA TERRA, MOSCA TOSCA (da Luísa Côrte, “camisola amarela” do nosso quiz, na foto), TOR, COMCORDAS e, provavelmente, NO MAZURKA BAND, para além de diversos workshops de dança, teatro, relaxamento, ioga, percursos pedestres e várias actividades de ar livre, como a visita a moinhos de água.

Além das actividades planeadas deixaremos a cada um propor e realizar o que entender. Existirá, durante o festival, um placard onde cada um poderá indicar a hora e local da actividade que pretende realizar.

Não há limites ao tipo e natureza de actividades, desde que a logística esteja assegurada.
Fica na vossa mão fazer workshops, sessões de debate, percursos, projecção de filmes, o que quiserem. Sortelha e todos nós estaremos lá para participar.

O lema é: "Constrói o festival!"



PROGRAMA


Sexta, 5 de Setembro

22:00 – Observação Astronómica

22:00 – Adufeiras de Paúl

22:40 – Hora do conto (Marco Luna)


23:30 –
Ishbarian Bagpipe

00:30 –
João Gentil e Luís Formiga DJ Folk


Sábado 6 de Setembro

11:00 – Passeio de Burro


11:00 - Workshop Reciclagem

16:00 – Workshop de dança tradiconal16:00 – Workshop de inic. Gaita-de-foles

17:00 – Escalada do castelo

17:30 – Workshop de dança tradicional

21:00 - Documentário

21:00 - Observação astronómica

21:30 – Arranca Telhados

22:30 – Hora do conto (Marco Luna)

23:00 – Rabies Nubis

00:00 – No Mazurka Band DJ Folk



Domingo, 7 de Setembro


11:00 – Passeio de burro


11:00 - Workshop Reciclagem


13:00 – Caminhada à descoberta da serra da Malcata


15:00 - Documentário


16:00 – Escalada do castelo


16:00 – Workshop de dança tradicional


17:00 -
PortFolk


Consultar para mais informações :

Associação Transcudânia

http://www.rodobalho.com/




CentaMostra (5, 6 e 7 - 12, 13 e 14 de Setembro) em Vila Velha de Rodão e Castelo Branco

CENTAMOSTRA propõe a criação de um espaço de proximidade entre a criação artística contemporânea e as populações e programadores locais.

A programação tem um núcleo fixo constituído pelos projectos produzidos pelo CENTA em 2008: "mapaprovisório", "®existir-2008", "Concertos Improváveis", "Sons do Salgueiral", "Concerto para piano de John Cage – 50 anos", "All in Twlight", "powerTrio", "Experimenta o Campo", e pela colaboração com o festival urbano Pedras d'Água, através da apresentação dos projectos – "Subterrâneos de Lisboa" e " S.Domingos, a nossa casa", e um núcleo flexível constituído pela apresentação de projectos ou do trabalho de criadores apoiados pelo Programa de Residências - Margarida Mestre, Ana Martins, Mário Afonso, Sílvia Pinto Coelho, Simão Costa, Nuno Rebelo/ Marco Franco, Sofia Neuparth, Jorge Murteira, Elizabete Francisca / Miguel Pereira / Nicolaas Leach / Paula Frazão Bruno Carvalho, Gonçalo Tocha e Jack Shamblin.

A informação detalhada poderá ser consultada, em:
www.myspace.com/centamostra








A apresentação pública dos projectos produzidos pelo CENTA, em 2008, concentrou-se em Setembro conduzindo à ideia de partilhar esse espaço de visibilidade com outros criadores. De repente, abriu-se a possibilidade de mostrar o trabalho de 30 artistas, numa zona do país em que a programação de Arte Contemporânea é, praticamente, inexistente. Tal só é possível devido á natureza do CENTA e á sua localização em Vila Velha de Ródão. Há muito que a Arte se afastou do nosso quotidiano, dos suportes e modos de fazer artísticos convencionais, reconhecíveis pelo público. Esta evolução tem afastado, cada vez mais, o público e a Arte. É um problema a nível mundial que deve ser resolvido, também, a nível local, dado o carácter fundador da Arte. Há 19 anos que o CENTA trabalha neste problema inventando e experimentando formas de aproximação ao trabalho dos criadores. É a presença dos artistas que inscreve Ródão na realidade cultural do país e simultaneamente estimula o desenvolvimento local.



Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas [CENTA] é estrutura profissional pluridisciplinar, e tem por objectivos: oferecer condições de trabalho adequadas ao processo criativo e à investigação no território da arte contemporânea; reforçar a identidade cultural das populações através da aproximação à comunidade artística e criar dinâmicas culturais locais. Funciona nas instalações cedidas pela Tapada da Tojeira, casa agrícola com lagar de azeite e modo de produção biológico.

27.8.08

Os 40 anos da publicação do livro «Pedagogia do Oprimido» de Paulo Freire




Paulo Freire nasceu em Recife em 1921 e faleceu em 1997. É considerado um dos grandes pedagogos da actualidade e respeitado mundialmente. Publicou várias obras que foram traduzidas e comentadas em vários países, entre as quais se conta a Pedagogia do Oprimido ( 1968), e a Pedagogia da Autonomia (2000). O seu método de alfabetização para adultos é seguido em muitas partes do globo. As suas primeiras experiências educacionais foram realizadas em 1962 em Angicos, no Rio Grande do Norte, onde 300 trabalhadores rurais se alfabetizaram em 45 dias.Participou activamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife. A partir de 1964 exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. Em 1968 publica a sua obra que teve um impacto mundial de maior alcance e que o tornou mundialmente conhecido, A Pedagogia do Oprimido.


Contra a Educação Bancária; Por uma Educação Problematizadora


Para Paulo Freire, vivemos em uma sociedade dividida em classes, sendo que os privilégios de uns, impedem que a maioria, usufrua dos bens produzidos e, coloca como um desses bens produzidos e necessários para concretizar o vocação humana de ser mais, a educação, da qual é excluída grande parte da população do Terceiro Mundo.

Refere-se então a dois tipos de pedagogia: a pedagogia dos dominantes, onde a educação existe como prática da dominação, e a pedagogia do oprimido, que precisa ser realizada, na qual a educação surgiria como prática da liberdade

O movimento para a liberdade, deve surgir e partir dos próprios oprimidos, e a pedagogia decorrente será " aquela que tem que ser forjada com ele e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade". Vê-se que não é suficiente que o oprimido tenha consciência crítica da opressão, mas, que se disponha a transformar essa realidade; trata-se de um trabalho de conscientização e politização.

A pedagogia do dominante é fundamentada em uma concepção bancária de educação, (predomina o discurso e a prática, na qual, quem é o sujeito da educação é o educador, sendo os educandos, como vasilhas a serem enchidas; o educador deposita "comunicados" que estes, recebem, memorizam e repetem), da qual deriva uma prática totalmente verbalista, dirigida para a transmissão e avaliação de conhecimentos abstratos, numa relação vertical, o saber é dado, fornecido de cima para baixo, e autoritária, pois manda quem sabe.

Dessa maneira, o educando em sua passividade, torna-se um objecto para receber paternalisticamente a doação do saber do educador, sujeito único de todo o processo. Esse tipo de educação pressupõe um mundo harmonioso, no qual não há contradições, daí a conservação da ingenuidade do oprimido, que como tal se acostuma e acomoda no mundo conhecido (o mundo da opressão)- -e eis aí, a educação exercida como uma prática da dominação.

Na concepção de Paulo Freire a educação tem de ser problematizadora, uma vez que o conhecimento não pode advir de um acto de "doação" que o educador faz ao educando, mas sim, de um processo que se realiza no contacto do homem com o mundo vivenciado, o qual não é estático, mas dinâmico e em transformação contínua.

Baseada numa outra concepção de homem e de mundo, pretende-se a superação da relação vertical, para se estabelecer a relação dialógica. O diálogo supõe troca, os homens educam-se em comunhão, mediatizados pelo mundo.

"...e educador já não é aquele que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando, que ao ser educado, também educa ...".

Desse processo, advém um conhecimento que é crítico, porque foi obtido de uma forma autenticamente reflexiva, e implica em acto constante de desvelar a realidade, posicionando-se nela. O saber construído dessa forma percebe a necessidade de transformar o mundo, porque assim os homens se descobrem como seres históricos.

O Educar para Paulo Freire

Educar é construir, é libertar o homem do determinismo, passando a reconhecer o papel da História e onde a questão da identidade cultural, tanto em sua dimensão individual, como em relação à classe dos educandos, é essencial à prática pedagógica proposta. Sem respeitar essa identidade, sem autonomia, sem levar em conta as experiências vividas pelos educandos antes de chegar à escola, o processo será inoperante, somente meras palavras despidas de significação real.


A educação é ideológica, mas dialogante, pois só assim pode se estabelecer a verdadeira comunicação da aprendizagem entre seres constituídos de almas, desejos e sentimentos.

A concepção de educação de Paulo Freire percebe o homem como um ser autónomo

Esta autonomia está presente na definição de vocação ontológica de ‘ser mais’ que está associada com a capacidade de transformar o mundo. É exactamente aí que o homem se diferencia do animal. Por viver num presente indiferenciado e por não perceber-se como um ser unitário distinto do mundo, o animal não tem história.
A educação problematizadora responde à essência do ser e da sua consciência, que é a intencionalidade.

A intencionalidade está na capacidade de admirar o mundo, ao mesmo tempo desprendendo-se dele, nele estando, que desmistifica, problematiza e critica a realidade admirada, gerando a percepção daquilo que é inédito e viável.
Resulta em uma percepção que elimina posturas fatalistas que apresentam a realidade dotada de uma determinação imutável.

Por acreditar que o mundo é passível de transformação a consciência crítica liga-se ao mundo da cultura e não da natureza.
O educando deve primeiro descobrir-se como um construtor desse mundo da cultura.

Essa concepção distingue natureza de cultura, entendendo a cultura como o acrescentamento que o homem faz ao mundo, ou como o resultado do seu trabalho, do seu esforço criador. Essa descoberta é a responsável pelo resgate da sua auto-estima, pois, tanto é cultura a obra de um grande escultor, quanto o tijolo feito pelo oleiro.

Procura-se superar a dicotomia entre teoria e prática, pois durante o processo, quando o homem descobre que sua prática supõe um saber, conclui que conhecer é interferir na realidade, percebe-se como um sujeito da história.

Para ele "não se pode separar a prática da teoria, autoridade de liberdade, ignorância de saber, respeito ao professor de respeito aos alunos, ensinar de aprender".

Consultar:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire

http://www.paulofreire.org/Capa/WebHome

http://www.paulofreire.ufpb.br/paulofreire/principal.jsp

http://www.paulofreire.org.br/asp/Index.asp

http://www.pucsp.br/paulofreire/

www.projetomemoria.art.br/PauloFreire/pecas_culturais/index.jsp


Sobre o Método Paulo Freire : aqui

Sobre a Pedagogia da Autonomia : aqui





Última Entrevista a Paulo Freire

1° parte


2ª parte






PAULO FREIRE REFLEXÕES
Em 1983 o Grupo Banzo registrou na PUCC de São Paulo uma série de aulas do educador Paulo Freire sobre seu método, sua vida e experiências com tribos indígenas.






Pedagogia do Oprimido



Pedagogia da Autonomia


Escola é ( texto-poema de Paulo Freire que mostra quais são as suas principais ideias sobre a educação)


Escola é


... o lugar que se faz amigos.

Não se trata só de prédios, salas, quadros,

Programas, horários, conceitos...

Escola é sobretudo, gente

Gente que trabalha, que estuda

Que alegra, se conhece, se estima.

O Diretor é gente,

O coordenador é gente,

O professor é gente,

O aluno é gente,

Cada funcionário é gente.

E a escola será cada vez melhor

Na medida em que cada um se comporte

Como colega, amigo, irmão.

Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados”

Nada de conviver com as pessoas e depois,

Descobrir que não tem amizade a ninguém.


Nada de ser como tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só.

Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,

É também criar laços de amizade,

É criar ambiente de camaradagem,

É conviver, é se “amarrar nela”!

Ora é lógico...

Numa escola assim vai ser fácil! Estudar, trabalhar, crescer,

Fazer amigos, educar-se, ser feliz.

É por aqui que podemos começar a melhorar o mundo.

(de Paulo Freire)




A partir do poema de Freire podem-se observar as ideias mais importantes sobre a sua concepção educativa:

1. Mostra e defende uma escola democrática centrada no educando através de uma prática pedagógica.

2. Postula que a comunicação entre cada um dos integrantes é uma necesidade para alcançar a libertad do homem.

3. Reflecte uma filosofía da educação que se perspectiva "pensar como ooprimido".

4. Estabelece uma relação em que o que ensina reconhece que pode aprender com aquele a quem vai ensinar.

5. Todas as pessoas implicadas no processo educativo, educam e são simultaneamente educadas.

6. O método fundamental para educar é o diálogo aberto, tendo em conta as necessidades do indivíduo.

7. O estudante é visto como protagonista do processo de aprendizagem, enquanto que o professor actúa como facilitador.

8. Defende uma perspectiva humanista da educação, em que impera o absoluto respeito pelo ser humano.

Nesta concepção a aprendizagem está no que fazer, pois ensinar não está na pura transferência mecânica de conteúdos que torna o aluno em agente passivo e dócil.


A educação libertadora pproblematiza e desmistifica a realidade.

VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire (16 a 20 de Setembro, no Brasil)




O Instituto Paulo Freire é uma das entidades promotoras do VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, que se vai realizar entre 16 e 20 de setembro, no Campus da PUC (pontoficai Universidade Católica), e que terá como tema a Globalização, Educação e Movimentos Sociais: 40 anos da Pedagogia do Oprimido. Neste ano, completa-se uma década do primeiro encontro do Fórum e os 40 anos da Pedagogia do Oprimido


http://www.paulofreire.org/FPF2008/WebHome



Programação

O VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire está organizado em duas modalidades: Conferências e Círculos de Cultura.

1) CONFERÊNCIAS – 16/09 e 17/09

Poderão participar das conferências todos os inscritos no evento. Elas serão realizadas no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA). Serão cinco grandes conferências. Para participar, esse público deverá se inscrever pela internet até 10/09, ou até o preenchimento de todas as vagas. Se as vagas não forem preenchidas até a data inicial do Encontro (16/09), os interessados poderão fazer a sua inscrição momentos antes do início das conferências.

16/09 – 8h30 às 12h30

Mesa 1 - Globalização e os desafios da educação libertadora
• Carlos Torres (Universidade da California e IPF Los Angeles)
• Antônio Teodoro (Universidade Lusófona e IPF Portugal)
• Ladislau Dowbor (PUC-SP)
• Mario Sérgio Cortella (PUC-SP)
• Luiza Cortesão (Universidade do Porto e IPF-Portugal)
• Coordenação: Benno Sander

16/09 – 14h às 18h

Mesa 2 - Paradigmas freirianos e movimentos sociais
• Danilo Streck (Unisinos)
• Pep Aparicio (IPF-Valência – Espanha)
• José Eustáquio Romão (IPF-Uninove)
• Peter Lownds (Universidade da California - IPF-Los Angeles)
• Célia Linhares (UFF-IPF)
• Coordenação: Salete Camba (IPF-Brasil)

17/09 – 8h30 às 12h30

Mesa 3 - Pedagogia do Oprimido: 40 anos depois
• Afonso Scocuglia (UFPB)
• Alipio Casali (PUC-SP)
• Celso Beisiegel (USP)
• Silvia Manfredi (IPF-Itália)
• Miguel Escobar (Universidade do México)
• Coordenação: Ângela Antunes (IPF-Brasil)

17/09 – 14h às 18h

Mesa 4 - Paulo Freire: legado e reinvenção
• Ana Maria Saul (PUC-SP)
• Reinaldo Fleuri (UFSC)
• Ivor Baatjes (IPF - África do Sul)
• Florenço Varela (Cabo Verde)
• Oscar Jara (Costa Rica)
• Eliete Santiago (UFPE - Centro Paulo Freire)
• Coordenação: Marina Felldman (PUC-SP)

17/09 – 19h às 22h

Mesa 5 - Paulo Freire, arte e cultura
• Thiago de Mello (Poeta e escritor)
• Augusto Boal (Teatro do Oprimido)
• Elisa Larkin (IPEAFRO)
• Carlos Rodrigues Brandão (Unicamp - IPF)
• Coordenação: Paulo Roberto Padilha

2) CÍRCULOS DE CULTURA – 18/09 e 19/09

Participarão dessa modalidade apenas os inscritos com trabalhos no Fórum. Os Círculos de Cultura serão compostos por pessoas do Brasil e de outros países que tiverem os seus trabalhos aprovados pelo Comitê Científico. Esses participantes apresentarão e debaterão os seus trabalhos nos períodos manhã e tarde.

Observações:
a) As pessoas com trabalhos inscritos e aprovados pelo Comitê Científico, isto é, que estarão nos círculos de cultura, poderão participar de todas as atividades do Encontro (conferências, círculos de cultura e atividades culturais).
b) Os demais participarão apenas das cinco conferências, nos dias 16 e 17, e das atividades culturais do evento.
c) Além dessa programação, ocorrerão reuniões paralelas relacionadas a projetos de pesquisas que envolvem grupos da comunidade freiriana.

3) PROGRAMAÇÃO CULTURAL - a partir das 19h
• 16/09 a 20/09 - Exposição: "Paulo Freire: educar para transformar" (Local: saguão da PUC).
• 16/09 - Peça de Teatro - "Sobre sonhos e esperança" - espetáculo inspirado na obra de Paulo Freire (Local: TUCARENA).
• 17/09 - Mesa de diálogos - "Paulo Freire, arte e cultura" (Local: TUCA).
• 18/09 - Filme: "Encontro com Milton Santos ou o mundo global visto do lado de cá" (Local: Espaço Banespa).
• 19/09 - Prêmio Paulo Freire - sessão solene de entrega da 3ª edição do prêmio (Local: Câmara Municipal de São Paulo).

A Flor Dente-de-Leão como símbolo do Fórum Paulo Freire

Após longo processo de pesquisa sobre elementos que pudessem traduzir graficamente os muitos significados e sentidos do Fórum Paulo Freire, deparamo-nos com uma imagem curiosa: a flor Dente-de-leão
Assim como a educação libertadora, a flor Dente-de-leão não estimula a posse, o apego. Simboliza a liberdade. Ao assoprá-la as pessoas desejam ver suas pétalas se desprendendo e voando livremente. Quando entramos em contato com ela, queremos compartilhar, interagir uns com os outros, experienciá-la. Tal como o ser humano descrito por Freire, a dente-de-leão nos remete às idéias de inconclusão, incompletude e inacabamento. Suas pétalas são sempre irregulares, desfazendo-se com um simples assopro. A exemplo da pedagogia freiriana, cujas sementes se espalham com extrema facilidade, levada pelo vento, germina e adapta-se a inúmeras realidades geográficas no mundo, o que a torna extremamente popular. Em algumas tradições culturais, significa união, tolerância, esperança.

25.8.08

Acção espectacular em Paris de um colectivo desobediente contra o tráfego automóvel, e por uma mobilidade sustentável ( Ver o vídeo )

Respiração fluida na cidade = Tráfego automóvel bloqueado

No passado mês de Fevereiro, em pleno dia de Inverno, um colectivo francês de activistas desobedientes intitulado «Colectivo de cidadãos Quadrado Verde» levou a cabo uma acção espectacular que consistiu em bloquear e desviar a circulação rodoviária da principal auto-estrada que circunda a cidade de Paris, o chamado Boulevard Périferique.
Instalaram em poucos minutos uma cobertura verde com a forma de um quadrado de 200 m2, por cima do piso da auto-estrada, como símbolo de resistência à asfixia e à poluição das nossas cidades pelo tráfego automóvel.

Aproveitaram também para pôr a circular um Manifesto por uma Mobilidade Sustentável.

A acção desobediente e contrária às normas legais que regem a circulação rodoviária da via pública foi justificada pela luta contra a poluição e o progressivo envenenamento do ar das cidades e a ausência de medidas por parte dos decisores políticos.


http://www.carrevert.net/


Manifesto por uma Mobilidade sustentável (em francês):
http://carrevert.net/spip.php?rubrique1


Vídeo desta Acção espectacular em plena auto-estrada.

Imperdível!



Princípios para um Associativismo Ambiental Alternativo


Fonte: blogue Terra Livre ( Açores)

Embora plural no que diz respeito à forma de pensar e viver o ecologismo, consideramos que não se pode separar os ecossistemas naturais da vida do homem na sociedade, não esquecendo que a crise ecológica global não atinge de igual modo as pessoas no mundo.


É o modelo actual de produção e consumo o responsável pela violação dos direitos humanos e ambientais da maior parte da humanidade, sendo também responsável pelo sofrimento infligido aos animais

Defendemos uma nova relação do homem com o ambiente, assegurando que todos os recursos estejam equitativamente repartidos entre todas as pessoas, tanto as do Norte como as do Sul, não esquecendo as gerações vindouras.

Pensamos que um mundo mais justo, pacífico e ecológico só será possível através do contributo de todas as pessoas e não apenas das opiniões dos técnicos ou especialistas.

Assim, consideramos importante que sejam respeitados os seguintes pontos:


1. O capitalismo, seja ele liberal ou de estado é o responsável pela crise global que afecta todos os habitantes do Planeta. A política e a economia deverão sofrer alterações profundas, contemplando o desenvolvimento humano e a satisfação equitativa das necessidades, ultrapassando a sua obsessão pelo crescimento ilimitado.


2. Consideramos que é fundamental o respeito do homem para com os restantes animais domésticos e selvagens, assim é imprescindível promover uma educação, cultura e legislação que garantam os direitos dos animais. A sociedade que defendemos não pode aceitar espectáculos onde se torturem animais, como as touradas, etc.

3. Hoje, a nível mundial, assiste-se à crescente extinção de espécies da fauna e flora, o que se traduz numa perda incalculável de património genético e à delapidação de recursos geológicos do planeta. Consideramos imprescindível a tomada de medidas com vista à conservação da biodiversidade e da geodiversidade.


4. Defendemos uma agricultura sustentável, orientada para a protecção da biodiversidade e do direito dos povos à soberania sobre o seu património genético comum. Assim, consideramos que a aposta deverá ser na soberania alimentar e na agricultura biológica. Opomo-nos ao cultivo e uso na alimentação de Organismos Geneticamente Modificados.


5. A única energia limpa é a que não é consumida. Assim, defendemos um modelo energético alternativo ao actual, com produção descentralizada e baseado na poupança e eficiência energética e nas energias renováveis. Opomo-nos à utilização da energia nuclear, tanto para a produção de electricidade como para a construção de armas, não só pelos riscos envolvidos, mas também por fomentar um modelo de sociedade militarizada e monopolista.

6. A terra é de todos os seus habitantes, daí que sejamos solidários com todos os povos do mundo, defendendo o seu direito à autodeterminação, o respeito às suas culturas autóctones e seus modos de vida. Rejeitamos os impedimentos à livre circulação das pessoas e defendemos que nenhum ser humano possa ser considerado ilegal.

7. Defendemos um modelo de democracia real, onde a participação cidadã e o acesso o mais amplo possível e livre à informação seja a coluna vertebral de todas as deliberações. Não aceitamos os totalitarismos políticos e a acumulação de poder, defendemos a máxima descentralização e pugnamos por um associativismo livre e independente.

8. Somos pacifistas, consequentemente defendemos a solução não-violência dos conflitos e opomo-nos à militarização das sociedades e ao uso da ciência e da tecnologia para fins militares. Advogamos o fim dos exércitos e denunciamos o impacto social e ambiental da indústria militar e do comércio de armas.

9. Defendemos para todas as pessoas trabalhos, dignos e livres de exploração, que contribuam para a satisfação das aspirações individuais e colectivas.

10. Reclamamos uma educação integral e multidisciplinar que torne responsável e consciente o indivíduo da sua posição na natureza e que não reproduza a actual sociedade, discriminatória e competitiva

24.8.08

Grupo de solidariedade e petição em favor do Movimento Verde Eufémia


Já está disponível uma petição de solidariedade com a acção do Movimento Verde Eufémia.

A petição pode ser vista e assinada em
http://gopetition.com/online/21252.html

A tua solidariedade para com a acção e os activistas é essencial para continuar a luta contra a disseminação dos transgénicos em Portugal e no mundo!

Há precisamente um ano, o Movimento Verde Eufémia (MVE) realizou uma acção de desobediência civil. Num acto simbólico, mas determinado, destruíram menos de 1 hectare do primeiro campo de milho geneticamente modificado na região do Algarve, previamente declarada Zona Livre de Transgénicos pelas autoridades locais.



Passado um ano da acção, decidimos lançar o soliMoVE, Solidariedade com o Movimento Verde Eufémia. soliMoVE é um grupo que estabelece uma plataforma internacional para qualquer pessoa que queira apoiar moralmente e politicamente o MVE e o acto de desobediência civil que realizaram.

Está também disponível uma petição de solidariedade com a acção do Movimento Verde Eufémia. Esta petição pretende dar apoio moral e político a todas as pessoas, movimentos e organizações que sofrem ou venham a sofrer consequências legais, políticas ou pessoais em consequência da acção do Movimento Verde Eufémia.




Visita o nosso site e junta-te ao grupo em: http://solimove.liveinfo.nl/


Contacta-nos através de: solimove@googlemail.com




MEMORANDUM

A 17 de Agosto de 2007, cerca de 150 pessoas dirigiram-se para a Herdade da Lameira, perto de Silves, na região livre de transgénicos do Algarve, para fazer um protesto contra o cultivo de transgénicos. Na acção teve lugar uma ceifagem simbólica de menos de 1 hectare de milho transgénico.

O Algarve foi a primeira região portuguesa a declarar-se uma Zona Livre de Transgénicos. Esta propriedade, a primeira da região a cultivar milho transgénico da variedade MON810, violou a declaração e desrespeitou a vontade dos cidadãos.

Os activistas ofereceram publicamente para recultivar os 51 hectares de milho transgénico com milho biológico. A proposta foi rejeitada pelo dono da propriedade, que continua a cultivar milho transgénico.

Nos dias que seguiram a acção, a vasta atenção mediática que o MVE recebeu, instigou uma grande polémica, com ressonância em camadas do público em geral, do próprio movimento ambientalista, do governo e dos meios académicos. Nunca uma acção ambientalista recebeu tanta atenção na história recente em Portugal. Os destaques iniciais dos media não foram tanto sobre o tema da acção - a presença de organismos geneticamente modificados (OGM) em Portugal - mas antes na sua natureza espectacular e na sua componente ilegal. No entanto, numa segunda fase a atenção voltou-se também para o debate sobre OGM e os seus perigos. Por essa razão em particular, a acção do MVE foi considerada por muitas pessoas com preocupações ambientais como um grande sucesso.

Devido a esse sucesso, o actual governo, responsável por uma política favorável aos OGM, reagiu com agressividade, numa tentativa de isolar os activistas do MVE através de uma estratégia de criminalização. Esta estratégia chegou ao ponto de rotular a acção como um acto terrorista (Europol EU Terrorism Situation and Trend Report 2008). Algumas pessoas que foram relacionadas com o caso pela polícia, correm agora o risco de ser acusadas. Em geral, tornou-se mais difícil agir contra os OGM em Portugal. Os indivíduos ou organizações que o fazem, correm um grande risco de ficar sob suspeita e vigilância das autoridades.




PETIÇÃO DE APOIO AO MOVIMENTO VERDE EUFÉMIA


Eu, abaixo-assinado, quero manifestar a minha solidariedade com a acção do Movimento Verde Eufémia, que ceifou 1 hectare de milho geneticamente modificado MON810, na Região Livre de Transgénicos do Algarve, a 17 de Agosto de 2007.

Apoio moralmente todas as pessoas, movimentos e organizações que sofrem consequências legais, políticas ou pessoais em consequência da acção do Movimento Verde Eufémia.

O meu apoio é baseado no conhecimento de que:

- eu e outros cidadãos vivemos actualmente num estado de emergência, em consequência da contaminação genética causada pela libertação deliberada no ambiente de organismos geneticamente modificados (OGM);

- esta contaminação expõe, a mim e outros cidadãos e cidadãs, a riscos sociais, económicos, ecológicos e de saúde;

- os nossos governos representativos não intervêm o suficiente no sentido de proteger-nos dessas ameaças;

- agir agora é necessário para evitar que se desenvolvam mais efeitos negativos irreversíveis;

- os métodos de acção que operam dentro dos limites legais só podem atingir os seus resultados na totalidade quando complementados pela acção da sociedade civil, que pode ocorrer fora desses limites.

Assim, considero que:

- este estado de emergência exige que os cidadãos e cidadãs comuns protestem contra o uso de organismos geneticamente modificados na agricultura;

- é moralmente justificável e legítimo realizar acções de desobediência civil contra o cultivo de OGM, uma vez que os meios legais não provaram atingir resultados suficientes;

- a defesa dos direitos humanos, em particular os que dizem respeito à protecção da cadeia alimentar e do ambiente da contaminação genética, não podem resultar em perseguição política.

Assinatura



EM INGLÊS

I, the undersigned, want to express my solidarity with the action of Movimento Verde Eufémia, who mowed 1 hectare of genetically modified MON810 maize in the GM Free Region of the Algarve, Portugal on the 17th of August 2007.

I morally support all the people, movements and organizations who suffer legal, political or personal consequences as a result of the action of Movimento Verde Eufémia.

My support is based on the acknowledgments that:

- me and other citizens currently find ourselves in a state of emergency, as a result of the genetic contamination caused by the deliberate release in the environment of genetically modified organisms (GMO);

- this contamination exposes me and other citizens to social, economic, ecological and health risks;

- our representing governments are not sufficiently intervening in order to protect us from these threats;

- acting now is necessary in order to prevent irreversible negative effects further taking shape;

- the means of action operating within legal boundaries may only deliver their full results when complemented by civil society action, which can occur outside such limits.

As such I consider that:

- this state of emergency requires ordinary citizens to protest against the use of genetically modified organisms in agriculture;

- it is morally justifiable and legitimate to enter into acts of civil disobedience against the cultivation of GMOs, since legal means have not proven to deliver sufficient results;

- standing for human rights, particularly those regarding the protection of the food chain and the environment from genetic contamination must not result in political persecution.



sign




EM ALEMÃO

Mit meiner Unterschrift erkläre ich mich solidarisch mit der Aktion des Movimento Verde Eufemia, das 1 Hektar gentechnisch veränderten MON 810 Mais in der Gentechnik-Freien Region der Algarve, Portugal, am 17. August 2007, abgemäht hat.

Meine moralische Unterstützung gilt allen Menschen, Bewegungen und Organisationen, die unter rechtlichen, politischen oder persönlichen Konsequenzen leiden, die aus der Aktion des Movimento Verde Eufemia resultieren.

Meine Unterstützung basiert auf der Erkenntnis, dass

- ich und andere Bürger sich derzeit in einer Notsituation befinden, die aus der gezielten Kontaminierung der Umwelt mit gentechnisch veränderten Organismen(GVO) resultiert

- diese Kontaminierung mich und andere Bürger, sozialen, ökonomischen, ökologischen und gesundheitlichen Risiken aussetzt

- unsere uns repräsentierenden Regierungen nicht entschieden genug einschreiten, um uns vor diesen Gefahren zu schützen

- es notwendig ist, jetzt zu handeln, um nicht rückgängig zu machende, negative Auswirkungen in der Zukunft zu vermeiden

- die Mittel für Aktionen, die sich im legalen Rahmen bewegen, nur zu ausreichenden Ergebnissen führen können, wenn sie durch Aktionen aus der Gesellschaft heraus ergänzt werden, die sich auch außerhalb dieses Rahmens bewegen können

Daher sehe ich es als gegeben an, dass

- dieser Notstand Bürger dazu zwingt, gegen den Einsatz von gentechnisch veränderten Organismen in der Landwirtschaft zu protestieren

- es moralisch legitim und zu rechtfertigen ist, sich gegen den Anbau von GVO an Aktionen des zivilen Ungehorsams zu beteiligen, besonders in Anbetracht dessen, dass legale Mittel keinen ausreichenden Erfolg zu versprechen scheinen

- das Eintreten für Menschenrechte, speziell für solche, die die Nahrungskette und die Umwelt vor GVO bewahren sollen, nicht zu politischer Verfolgung führen dürfen.

Sign the petition








Movimento Verde Eufémia:
Agricultores contra os cultivos OGMs:

Ceifeiros Voluntários /França):
www.monde-solidaire.org/spip/spip.php?rubrique131

Ceifeiros Voluntários ( Alemanha)
http://www.gendreck-weg.de/

Resistências aos OGMs:
www.all4all.org/2007/07/3219.shtml


Greenpeace:





22.8.08

Portugal é o segundo país da União Europeia com maior desigualdade salarial entre homens e mulheres

Em Portugal os homens ganham uns 25,4% mais do que as mulheres, enquanto a media europeia é de 15,9%, ou seja, os homens ganhan mais do que as mulheres em toda a UE.

Portugal é o segundo país da UE con maior diferença salarial entre sexos, segundo o Relatório anual de 2007 da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (Eurofound) sobre aumentos salariais nos Vinte e sete países.

A media europea situa-se nos 15,9%.

Porém, os homens portugueses ganham 25,4% mais que as portuguesas. Só na Eslováquia é que a diferença salarial é maior,pois a mesma eleva-se para 26,9%.

Seguem-se-lhes na listagem a Estonia, República Checa, Chipre, Alemanha, Holanda e Finlandia, que superan os 20%.

Eslovenia é o país que oferece o melhor retrato. Com efeito, naquele país balcânico, os homens ganham só mais uns 6,9% que as mulheres.

Henri Cartier-Bresson, figura maior da fotografia, e conhecido anarquista, nasceu há 100 anos (a 22 de Agosto de 1908)


"Desde a juventude sou um revolucionário. O que me admira é que hoje não existam mais revolucionários. Hoje as pessoas repudiam tudo, vivemos num mundo niilista. A anarquia não é um modo de vida niilista, é o contrário." Henri Cartier-Bresson

O fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson (1908-2004) faria cem anos hoje, 22 de Agosto.




Henri Cartier-Bresson (22 de agosto de 1908, Chanteloup-en-Brie, Seine-et-Marne, França — 2 de agosto de 2004, Cereste, Vaucluse, França) foi um dos mais importantes fotógrafos do século XX, considerado por muitos como o pai do fotojornalismo.


Cartier-Bresson era filho de pais de uma classe média (família de industriais têxteis), relativamente abastada. Em 1931, aos 22 anos, Cartier-Bresson viajou à África, onde passou um ano como caçador. Porém, uma doença tropical obrigou-o a retornar à França. Foi neste período, durante uma viagem a Marselha, que ele descobriu verdadeiramente a fotografia, inspirado por uma fotografia do húngaro Martin Munkacsi, publicada na revista Photographies (1931), mostrando três rapazes negros a correr em direção ao mar, no Congo.

Faz reportagem no México e durante a Guerra Civil espanhola, ao lado das forças da CNT anarquista, e foi preso pelos alemães durante a II Guerra Mundial

Quando a paz se restabeleceu, Cartier-Bresson, em 1947, fundou a agência fotográfica Magnum junto com Bill Vandivert, Robert Capa, George Rodger e David Seymour "Chim". Começou também o período de desenvolvimento sofisticado de seu trabalho.

Revistas como a Life, Vogue e Harper's Bazaar contrataram-no para viajar o mundo e registrar imagens únicas. Da Europa aos Estados Unidos da América, da Índia à China, Bresson dava o seu ponto de vista especialíssimo.

Tornou-se também o primeiro fotógrafo da Europa Ocidental a registrar a vida na União Soviética de maneira livre. Fotografou os últimos dias de Gandhi e os eunucos imperiais chineses, logo após a Revolução Cultural

http://www.henricartierbresson.org/


Masters of Photography - Henri Cartier-Bresson
Ver :
parte 1; parte 2



Entrevista com Cartier-Bresson





Henri Cartier-Bresson
L'amour tout court
Parte 1






Parte 2



Parte 3



Parte 4




Parte 5


Troca-Tudo: noite das trocas (26 de Agosto, às 23h. no bar do bairro, em Lisboa)


O “TROCA-TUDO” é uma proposta para reduzir a ideia de consumo , aproveitando a oportunidade para trocar os nossos produtos usados, por produtos de uma outra pessoa que, da mesma forma, possam ser do nosso agrado. É realizado num espaço (Bar do Bairro) onde todos os participantes podem trocar ou oferecer produtos entre si.

Já pensaste no que vais levar nesta noite das trocas? CD’s, Vinil, DVD’s, Livros,ou até Franzines, tudo poderá ser trocado mensalmente no Bar do Bairro.

Se quiseres podes sugerir quais os produtos que gostarias de encontrar nesta noite das trocas.

A troca como actividade social existe desde o principio dos tempos e consiste numa actividade essencialmente baseada na negociação entre duas partes – pessoas ou grupos – que chegam a um acordo de que algo é equivalente a outro algo e passível de troca.

É uma oportunidade de quebrarmos o vicio do consumo e reforçarmos o convívio e a solidariedade


TERÇA FEIRA, 26 DE AGOSTO
TROCA-TUDO
NO BAR DO BAIRRO – 23h
Rua da Rosa, 255 - Bairro Alto

Nenhum exército defende a Paz




Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei que a quarta será con pedras e lanças.
Albert Einstein


Se matar fosse algo de natural, porque é que os soldados se têm de treinar para fazer isso?
Joan Baez


A Guerra dá saúde ao Estado
Randolph Bourne, in The State



"War is a quarrel between two thieves too cowardly to fight their own battle; therefore they take boys from one village and another village, stick them into uniforms, equip them with guns, and let them loose like wild beasts against each other."
Thomas Carlyle



"YOUNG MEN: The lowest aim in your life is to become a soldier. The good soldier never tries to distinguish right from wrong. He never thinks; never reasons; he only obeys. If he is ordered to fire on his fellow citizens, on his friends, on his neighbors, on his relatives, he obeys without hesitation. If he is ordered to fire down a crowded street when the poor are clamoring for bread, he obeys and see the grey hairs of age stained with red and the life tide gushing from the breasts of women, feeling neither remorse nor sympathy. If he is ordered off as a firing squad to execute a hero or benefactor, he fires without hesitation, though he knows the bullet will pierce the noblest heart that ever beat in human breast.

"A good soldier is a blind, heartless, soulless, murderous machine. He is not a man. His is not a brute, for brutes kill only in self defense. All that is human in him, all that is divine in him, all that constitutes the man has been sworn away when he took the enlistment roll. His mind, his conscience, aye, his very soul, are in the keeping of his officer. No man can fall lower than a soldier—it is a depth beneath which we cannot go."
Jack London

3ª Convenção das Artes do Circo (29, 30 e 31 de Agosto em Vila do Conde) promovida pela associação Corda Bamba


Decorre, nos próximos dias 29, 30 e 31 de Agosto, em Vila do Conde, a 3ª Convenção de Artes do Circo. Organizada pela Corda Bamba – Associação de Artes do Circo e com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde, a 3ª Convenção de Artes do Circo é dirigida a crianças, jovens e adultos, amadores e profissionais do circo, propondo, neste sentido, diversos ateliers de Artes Circenses (malabarismo, equilibrismo, monociclismo, trapézio, clown, acrobacia e trampolins).

A Artes de Rua e o Novo – Circo procuram remeter os seus públicos e participantes para formas diferentes de sentir a cidade, de descobrir as suas ruas, praças e monumentos, de valorizar os seus locais de convívio e de aproximar dos cidadãos os simples locais de passagem.
A partir de um património histórico e arquitectónico que é revalorizado e tirando partido da dimensão “cénica” de espaços urbanos, estas formas vêm-se afirmando, com grande projecção, por toda a Europa. Assim, em diferentes pontos da cidade, serão apresentados espectáculos de novo-circo, gratuitos e para todo o público.

Locais:
- Parque de Jogos da Avenida Júlio Graça
- Auditório Municipal
- Alameda dos Descobrimentos
- Cais da Alfândega
- Praça José Régio
- Cine teatro do Rancho do Monte


Programa da 3ª Convenção das Artes do Circo:
www.cordabamba.com/3aconvencao.pdf

http://www.cordabamba.com/

A Corda-Bamba, Associação para as Artes do Circo é uma estrutura cultural, sediada em Vila do Conde, que desenvolve um trabalho contínuo e especializado nos diferentes domínios das artes circenses Anualmente a Corda-Bamba organiza em Vila do Conde a "CONVENÇÃO DE ARTES DO CIRCO".A Convenção dirige-se a pessoas já familiarizadas com o circo mas também quem queira iniciar-se nestas artes. Durante 3 dias realizam-se workshops de malabarismo, equilibrismo, ilusionismo, andas, acrobacia e trampolins no Parque de Jogos da Cidade. Paralelamente várias companhias portuguesas e estrangeiras de novo-circo apresentam os seus espectáculos.

21.8.08

Manifestação antinuclear pelo encerramento da Central Nuclear de Almaraz (13 de Setembro de 2008, em Navalmoral de la Mata, na Extremadura, Espanha)


Porque há que fechar definitivamente a Central Nuclear de Almaraz, na Extremadura ( Espanha): ler as razões e os argumentos aqui.









A Plataforma Antinuclear Cerrar Almaraz vai realizar uma manifestação contra a central nuclear de Almaraz no Sábado 13 de Setembro.



A central fica junto ao rio Tejo a menos de 100km da fronteira portuguesa.


Muitos portugueses também vão participar nesta manifestação contra a central nuclear de Almaraz e pelo seu encerramento.

Do lado português sebe-se já que a Quercus irá juntar-se a esta iniciativa através dos Núcleos Regionais de Portalegre e Castelo Branco, junto dos quais se poderão obter mais informações sobre as actividades previstas (no ano passado, por exemplo, realizou-se uma visita ao Parque Nacional de Monfrague).

Todos os interessados poderão ainda contactar os Núcleos referidos para organizar uma deslocação conjunta até ao local. Para tal, estão à disposição os seguintes contactos:


Telemóveis: 960107080 e 960207080




Manifestação antinuclear pelo encerramento da Central Nuclear de Almaraz (13 de Setembro de 2008, em Navalmoral de la Mata, na Extremadura, Espanha)vai contar com a presença de portugueses

Data: 13 de Setembro de 2008


Local: Navalmoral de la Mata, no passeio da estação de comboios, pelas 18h30


De seguida segue-se para a povoação de Almaraz e daí realiza-se uma marcha a pé até ao portão da central nuclear de Almaraz


No regresso há festa com comida, vinhos e limonada no Parque de las Minas de Navalmoral às 22h00


Convocam:

Plataforma Antinuclear Cerrar Almaraz, Refinería No, Térmicas NO, Ecologistas en Acción Extremadura, Cúriga-Ecologistas en Acción Monastério, ADENEX, AMUS, QUERCUS, CNT- AIT, CGT, C.A.L.A., Aso.Comarcal Jóvenes del Jerte, Aso. Garabato del Piornal, Colectivo Ambroz de Ecología Socia, Los Verdes Extremadura, Juventudes Comunistas, Izquierda Unida, PCEX, Sociedad Zoológica de Extremadura e Ateneu Libertário de Hervás


Consultar:









Documentário sobre o belíssimo Parque Nacional de Monfragüe, situado perto da Central Nuclear de Almaraz

Parte 1



Parte 2



Parte 3

Chega hoje a Lisboa o navio da Greenpeace, Arctic Sunrise, que pode ser visitado livremente nos dias 21, 22 e 23 de Agosto.


Um dos navios da Greenpeace, o quebra-gelo MV Arctic Sunrise chega hoje a Lisboa. Os interessados podem visitar livremente o navio. Vem a bordo e participa numa visita guiada ao navio.



Consultar:

http://weblog.greenpeace.org/pt/

Horários de visita

Dia (Agosto 2008) Horário

Quinta-feira, 21 - 17h00 - 20h30
Sexta-feira, 22 - 16h30 - 20h30
Sábado, 23 - 09h00 - 13h00 e 16h30 - 20h30

Lugar: Porto de Lisboa, Doca de Alcântara, ao fundo do pontão no lado sul. Acesso pela Avenida de Brasilia via ponte de peões ou pela Rua General Gomes Araújo.



Breve História do Arctic Sunrise

Talvez por ironia, ou quem sabe justiça poética, antes de juntar-se à frota da Greenpeace, em 1995, o quebra-gelo Arctic Sunrise era um navio utilizado na caça às focas.
Aproximadamente uma década mais cedo, em 1986, a Greenpeace havia pela primeira vez confrontado o navio, que à época chamava-se Polar Bjorn, enquanto este fazia a entrega de equipamentos para a construção de uma pista de aterragem que possibilitasse a exploração de petróleo e de reservas minerais pelo governo francês. A pista seria construída dentro de uma reserva de pinguins na Antárctica. Na Tasmâmia, um activista escalou o mastro do Polar Bjorn, içou a bandeira da Greenpeace e acorrentou-se ao cesto da gávea. Era um presságio do que estava por vir.
Posteriormente, todo o continente Antárctico foi declarado parque mundial, e a exploração mineral e petrolífera foi banida da região. Para o governo francês, o Arctic Sunrise já não era de qualquer utilidade. Para a Greenpeace, sim.
A vida do Arctic Sunrise junto à Greenpeace começou com a campanha para o fim do descarte de instalações petrolíferas no mar. Lançados do navio, activistas da organização ocuparam a reserva de petróleo Brent Spar, localizada no Mar do Norte, para evitar que a instalação de 14.500 toneladas fosse afundada. A acção, que integrava a campanha para a eliminação do descarte oceânico, colocou a Greenpeace contra as forças do governo britânico e da maior empresa de petróleo do mundo à época.
Desde sua acção inaugural, o Arctic Sunrise tem lutado em muitas campanhas. Já investigou a poluição de plataformas de petróleo no Mar do Norte, perseguiu embarcações piratas que pescavam ilegalmente no Oceano Índico, confrontou poluidores no Mediterrâneo, e no Pacífico colocou-se na rota de um míssil que estava a ser testado para o “Guerra das Estrelas”, sistema de defesa dos EUA.
Durante o outono passado, no oceano Antárctico, o Arctic Sunrise foi deliberadamente atacado e danificado pelo Nisshin Maru, o navio-fábrica da frota baleeira japonesa, duas vezes mais longo e seis vezes mais pesado que o navio da Greenpeace. O impacto deixou o Sunrise abalado e danificado, mas felizmente nenhum membro da tripulação ficou ferido.
Fazendo jus ao nome, o Arctic Sunrise tem passado muito tempo a navegar nas regiões polares. Fez diversas viagens ao Mar de Beaufort, no Oceano Árctico, para confrontar os testes para a criação de novas reservas de petróleo, e documentou as alterações climáticas tanto no Alasca quanto na Groelândia.
Em 1997, tornou-se o primeiro navio a circunavegar a Ilha James Ross, na Antárctica, no que fora uma jornada impossível até que um bloco de gelo de 200 metros de espessura, que ligava a ilha ao continente Antárctico, veio abaixo. Mais um sinal das alterações climáticas que o Arctic Sunrise ajudou a documentar.
Agora, após quase três meses no Mediterrâneo a denunciar actividades destructivas e a documentar as áreas marinhas que necessitam de protecção, o Arctic Sunrise está a aproximar-se de águas portuguesas. Em breve, este navio que já fez tanto por nossas campanhas, estará aqui para divulgar a campanha de mercado de peixe da Greenpeace em Portugal, em mais uma luta para ajudar a salvar os nossos oceanos.

http://www.greenpeace.org/portugal/





A webcam do navio: aqui