2.6.08

Plantados no Chão – um livro de Natália Viana sobre os assassinatos políticos no Brasil de Hoje


Por via do Jornal Mudar de Vida soubemos da possibilidade de descarregar integralmente o livro «Plantados no Chão – os assassinatos políticos no Brasil de Hoje» da jornalista Natália Viana e publicado pela editora Conrad. Trata-se de um corajoso trabalho acerca dos assassinatos de activistas dos movimentos sociais no Brasil dos nossos dias. O livro está pois disponível em versão PDF para download gratuito.

O objectivo da autora e dos editores é divulgar o máximo possível o conteúdo do livro, levantando o debate sobre a violência que os movimentos sociais continuam a enfrentar no Brasil.

www.conradeditora.com.br/plantadosnochao.html


Às onze horas do dia 20 de novembro de 2004, dezessete homens armados entraram na fazenda Nova Alegria, no município de Felisburgo, Minas Gerais. Queriam "acertar a contas" com as 130 famílias do Movimento de Trabalhadores Sem-Terra (MST), que estavam há mais de dois anos no acampamento batizado de Terra Prometida. Os sem-terra denunciavam que parte da terra havia sido grilada, e pela lei deveria ser desapropriada. Adriano Chafik – dono da propriedade – e seus homens caminharam até o centro da ocupação e abriram fogo. Mataram cinco sem-terra e feriram quinze.

Três anos se passaram.

As 13 horas do dia 21 de outubro de 2007, quarenta homens armados entraram na fazenda da multinacional Syngenta Seeds, próxima ao Parque Nacional do Iguaçu, em Santa Tereza do Oeste, Paraná. Queriam “acertar as contas” com os líderes das setenta famílias da Via Campesina que montaram ali um acampamento batizado de Terra Livre. Os camponeses denunciavam os experimentos da Syngenta com sementes transgênicas de soja e milho, que feriam uma lei que proíbe tal prática próxima a reservas florestais. Os homens, contratados de uma empresa de segurança privada, entraram na fazenda já atirando. Executaram um líder sem-terra e feriram outros cinco.




O relato dos dois episódios assusta pela semelhança. Mas deveria chamar a atenção, também, pela diferença. São duas histórias distantes no espaço e no tempo, envolvendo atores diferentes e com motivações diferentes. No entanto, como numa novela bem ensaiada, o desenrolar dos acontecimentos é idêntico: as vítimas já haviam sido ameaçadas, as autoridades sabiam do perigo eminente, mas mesmo assim nada foi feito. O desfecho, também, provavelmente será o mesmo. Enquanto matavam mais um sem-terra no campo da Syngenta, Adriano Chafik, réu confesso do massacre de Felisburgo, continuava sem julgamento – e sem previsão para tal.


O livro Plantados no Chão é um grito de indignação contra essa novela. Publicado em junho de 2007, é uma compilação de mais de 180 casos de militantes assassinados nos últimos 4 anos – durante do governo Lula – por causa da sua convicção. É uma tentativa de entender esses assassinatos, buscar estabelecer que padrão eles seguem, por que eles acontecem e perguntar como continuam a ocorrer em um governo que foi eleito com o apoio desses mesmos movimentos sociais. Não são respostas fáceis, e por isso não pretendemos esgotar o assunto, mas iniciar um debate muito necessário.


Cada assassinato político não é a morte de um militante, é um pouco a morte da causa que ele defende. Os assassinatos políticos nos dias de hoje não servem para exterminar uma pessoa, mas para refrear a demanda de um grupo que é representado por essa pessoa. Ao permitir essa rotina de violência, nosso governo permite que a democracia brasileira continue sendo decidida a bala. Não é algo para se orgulhar.

Desde o lançamento, sempre quisemos que o livro fosse disponibilizado na internet para download gratuito. Queríamos desde o começo que o seu conteúdo tivesse mais alcance do que a forma (e o preço) de um livro pode alcançar. Queremos levar esse debate para os mais diferentes cantos possíveis. Por isso, como autora (juntamente com toda a equipe da Conrad) pedimos: baixe o livro, copie, imprima, leia, releia, critique. Afinal, parafraseando a jornalista britância Jan Rocha, autora do prefácio do livro, o assassinato político não é a morte de uma só pessoa; é um golpe contra a esperança – e contra o futuro da nossa democracia.
E o trabalho iniciado com Plantados no Chão não termina por aqui. Em breve estrearemos um blog neste site, onde manteremos os leitores atualizados não apenas em relação aos crimes relatados no livro, mas também abrindo espaço para novas denúncias.
Aproveite o livro e o site, e espalhe a idéia.

Natalia Viana

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Entrevista à autora do Livro Plantado no Chão:


- Como surgiu a idéia de lançar um livro com esta temática, de assassinatos políticos no Brasil?



O Plantados no Chão nasceu de uma proposta que os editores da Conrad me fizeram: vamos fazer um livro, uma espécie de lista dos casos de assassinatos políticos no Brasil hoje. Isso porque o Anderson Luís, presidente do Sintrafrios, sindicato de trabalhadores em Frios e Laticínios da baixada Fluminense, tinha acabado de ser assassinado e havia um sentimento de revolta que assassinatos assim, por conta da militância política, ainda acontecessem no Brasil tantos anos depois de derrubada a ditadura. Só que quando comecei a pesquisar, descobri que não havia tal levantamento, e o pior: não havia nem mesmo um conceito estabelecido de assassinato político contemporâneo. Muita gente que procurei falava imediatamente de casos de políticos assassinados, o que não é nem de longe a mesma coisa.


2 - Porque você classificou estes casos como crimes políticos?


Para nós, sempre esteve claro que o assassinato político tem como raiz a ação política de um grupo, ou seja, um indivíduo é morto porque age politicamente em nome de um grupo. Adotamos o sentido de política usado pelo sociólogo Chico de Oliveira, que diz que “política é a reclamação das partes pelos que não têm parte”. Assim, a política, ou democracia, como prefiro chamar, é a disputa entre grupos dentro do Estado de Direito. Nesse sentido, o assassinato político de hoje em dia tem uma função praticamente oposto ao da ditadura. Se na época da ditadura a repressão era considerada necessária para manter o regime, hoje em dia o assassinato político é um golpe contra o atual regime, um golpe contra a democracia. Ou, como diz no prefácio do livro a jornalista Jan Rocha, que foi correspondente do Guardian e da BBC no Brasil, “A morte de um líder não é simplesmente a eliminação de uma pessoa inconveniente. mas um golpe contra a esperança. Contra o futuro”.


3 - Os dados e personagens foram pesquisados nos mapas e informes da Comissão Pastoral da Terra e de outras entidades? quais?


Algumas organizações coletam dados que entraram parcialmente no livro depois de uma avaliação caso a caso. Além da CPT, usamos dados do Cimi, Conselho Indigenista Missionário, que publica uma lista de todos os indígenas assassinados a cada ano, da ONG Justiça Global, que publica o relatório Na Linha de Frente, sobre defensores de direitos assassinados e relatos de outras organizações como Terra de Direitos, CUT e o Movimento Passe Livre – além dos relatórios da ONU sobre defensores de direitos no Brasil feitos pela relatora Hina Jilani.


4- Como vê o fato de os crimes terem aumentado em um governo de centro-esquerda e, ao menos teoricamente, mais preocupado com questões sociais?


Primeiro, não podemos afirmar que os crimes políticos no geral aumentaram durante esse governo, mesmo porque só levantamos dados sobre esse período e não temos nada com que comparar. Mas dados tanto da CPT quanto da Ouvidoria Agrária Nacional mostram que no caso dos conflitos por terra, o número aumentou muito no primeiro ano do governo Lula com relação ao governo anterior, e se manteve mais alto até o ano passado.
Dito isso, é claro que consideramos um absurdo que esses crimes continuem a acontecer durante um governo de um presidente que foi ele mesmo vítima de repressão política. Acho que as iniciativas deste governo – como a criação do Programa Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos – são ainda fracas. Seria necessário um posicionamento mais firme neste sentido, mais pressão para que esses casos andem na justiça. Acreditamos que, como atentados à democracia, eles devem ser tratados de forma exemplar – todos eles deveriam seguir o exemplo da apuração da morte de Dorothy Stang.



5 - Como foi feita a pesquisa para o livro, você foi em algum lugar?


A pesquisa para o livro foi basicamente documental, feita a partir de dados da organizações que já citei, pesquisas acadêmicas, processo judiciais e inquéritos. Além disso, conversei longamente com parentes das vítimas e pessoas envolvidas, movimentos e advogados que trabalham com os casos. Isso porque desde o começo a idéia era fazer uma listagem mais do que apurar cada caso com pormenores, o que seria impossível. Queríamos reunir o máximo de casos porque sabíamos que íamos chegar a um número grande que ia surpreender muita gente –a idéia era mostrar que há um fenômeno acontecendo no Brasil que não tem recebido a devida atenção.


6 - De quem foi a idéia e como está a repercussão do livro disponibilizado na internet?


Desde o começo eu queria disponibilizar o livro para download porque, como já disse, a idéia sempre foi propor a discussão. E realmente tem sido muito legal. Agora estamos estudando como licenciar o livro em creative commons para disponibilizar mais abertamente em outro sites como o Overmundo. Além disso, como o livro tem um site próprio(www.conradeditora.com.br/plantadosnochao), com mais informações do que no livro, e um blog sobre o tema (www.conradeditora.com.br/plantados ), sinto que ele tem uma vida que vai além do formato papel, e além de tudo pode ser atualizado a qualquer momento. O formato virtual me parece ser muito mais livre.


7 - Há alguns retornos interessantes da proposta?


Tem, claro. Tenho recebido emails de muitas partes do país - outro dia me escreveu um rapaz da China, veja só que incrível, isso jamais seria possível se o livro ficasse só no formato papel. Como ele está disponível para todos, ficou bem mais fácil ele ser comentado, resenhado e indicado; muitas listas de discussão e blogs passaram a idéia adiante. É muito bacana isso.




8 - Pretende voltar ao Brasil e continuar a pesquisa? Há algum outro projeto em vista?


Sim, sem dúvida quando voltar ao Brasil pretendo continuar a cobrir o tema. Por enquanto, continuo o trabalho como eu posso, através do blog Plantados no Chão (http://www.conradeditora.com.br/plantados/ ), que estamos fazendo em parceria com a revista Caros Amigos. Nele eu estou atualizando alguns casos relatados no livro e também acompanhando sempre que possível outros casos de violência contra defensores de direitos no Brasil. Comecei há menos de um mês, e eu mesma estou perplexa com a quantidade de notícias que tenho recebido – prova de que a violência contra quem protesta ainda é rotina no nosso país.

9 - Como você vê, em termos gerais, o Brasil, como a oitava economia do mundo, uma democracia consolidada e, mesmo assim, ainda com números tão altos de assassinatos políticos principalmente no campo?



Basicamente, acho que o alto número de assassinatos políticos mostra que a nossa democracia ainda está no caminho da maturidade, estamos ainda no estágio em que atores políticos legítimos são vistos como criminosos e onde em muitas regiões disputas políticas ainda são resolvidas a bala. Em anos recentes, os movimentos sociais compreenderam o seu papel na sociedade, e estão reivindicando legitimidade e apoio dos poderes para agirem de acordo com o que são – atores políticos de pressão. De certo modo acho que o problema é que os poderes em geral – inclusive a mídia – demoram um pouco em perceber essa mudança. As pessoas ainda não perceberam que em muitos casos quem está forçando a aplicação da lei são os movimentos populares.


10 - Porque estes casos foram escolhidos como emblemáticos?


Cada um dos seis casos relatados no livro foi selecionado por um motivo de modo que a reunião dos seis casos ilustrasse diferentes aspectos do problema. A escolha de Dorothy Stang foi óbvia pois, além da repercussão, e até por causa dela, foi um caso que andou rápido e de maneira exemplar na justiça. Para contrastar, achamos interessante relatar o massacre de Felisburgo, um episódio brutal em que o próprio fazendeiro, segundo testemunhas, entrou na terra ocupada para matar a sangue-frio um ex funcionário e outros sem-terra. A coisa ainda está parada principalmente no processo contra o próprio fazendeiro. Depois, achamos bom incluir também um caso envolvendo conflitos por terra indígena, que também são muitos dentro do quadro de violência por questão de terra. Aí encontrei o caso dos Xukuru, que aponta como a justiça repetidamente criminalizou esses indígenas ao longo dos anos, com vários Xukuru respondendo processos judiciais. Muito indígenas foram assassinados, mas há poucos assassinos punidos. Um dos assassinos dos jovens Josenilson e José Ademilson, em 2003, por exemplo, foi inocentado e o outro já está em liberdade depois de ter cumprido quatro anos de cadeia.
Depois, quisemos chamar atenção para o fato de que nas cidades também há violência contra militantes, embora haja muito menos informação sobre esses casos – nenhuma organização coleta tais dados. Então tratamos do caso de Anderson Luís, que aliás deu origem ao livro, como já falei, e o caso dele mostra como a investigação policial é lenta e falha em muitos casos. O assassinato vai fazer dois anos em abril, e o inquérito policial nem foi concluído ainda. O caso do Anderson Amaurilio, um estudante atropelado durante um protesto em Londrina, revela também a forte repressão policial e institucional que os estudantes do movimento pelo Passe Livre têm sofrido no país. E por fim, o caso do sindicalista Anderosn Luís, porque ele demonstra a violência policial contra manifestantes. O caso dele é de arrepiar; ele foi estrangulado por policiais em frente a uma multidão no final de uma passeata – ora, uma coisa dessas só pode acontecer em um país que permite abertamente a violência contra quem protesta.



11 - O que fazer, em sua visão, para combater a impunidade neste tipo de crime?


Olha, é um problema complexo que inclui várias instâncias e vários atores. Como jornalista, o que eu pude fazer foi chamar a atenção para o problema e tentar propor um debate para que se busquem soluções. Mas a pesquisa do livro me leva a crer que, para acabar com os assassinatos políticos é preciso, primeiro, que se reconheça e inclua os movimentos como atores políticos legítimos e importantes para o funcionamento da democracia. Os assassinatos de militantes só são possíveis em um contexto em que os líderes populares, organizações e movimentos sociais ainda podem ser taxados de baderneiros e criminosos. O primeiro passo seria esse.
Outra possibilidade que ainda não foi usada é a federalização dos casos, cuja possibilidade foi aprovada em 2004 para todos os crimes em que há grave violações de direitos humanos – todos os assassinatos de defensores de direitos humanos, poderiam de encaixar nessa lei. Só que o pedido de federalização tem que ser feito pelo procurador-geral da República, o que só foi feito em um caso desde a lei ter sido aprovada: no caso da Dorothy Stang, e foi negado pelo STJ. Federalizar os casos de assassinatos políticos poderia ser uma boa maneira de combater um problema sério nas justiças locais, onde a influência regional de muitos dos possíveis executores dos crimes, como fazendeiros, madeireiros e empresários pode perverter o rumo da justiça.



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Links úteis sobre os temas tratados no livro:


1. Documentos


Relatório World Report 2008, da Human Rights Watch. Em português: http://hrw.org/portuguese/docs/2008/01/31/brazil17926.htm


Relatório Direitos Humanos no Brasil 2007, da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. www.social.org.br/relatorio2007.pdf


Relatório Preliminar Conflitos no Campo 2007, da Comissão Pastoral da Terra.
www.cptnac.com.br/?system=news&action=read&id=2108&eid=6


Relatório da enviada da ONU Hina Jilano sobre a situação dos Defensores de Direitros Humanos no Brasil. Em Inglês:
www2.ohchr.org/english/bodies/hrcouncil/docs/4session/A-HRC-4-37-Add.2.doc






Relatório Na Linha de Frente: Defensores de Direitos Humanos no Brasil (2002-2005), da organização Justiça Global:

www.global.org.br/portuguese/relatoriodefensores2005.html


2. ONGs:

Comissão Pastoral da Terra - ligada à Igreja Católica, acompanha a violência causada por conflitos de terra no Brasil.
http://www.cptnac.com.br/


Conselho Indigenista Missionário - também ligado à Igreja Católica, acompanha a violência contra indígenas.
http://www.cimi.org.br/


Terra de Direitos - oferece auxílio jurídico aos movimentos que lutam pela terra.
http://www.terradedireitos.org.br/


Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) - dá apoio jurídico a movimentos populares
http://www.gajop.org.br/


Movimento Nacional de Direitos Humanos - Reúne diversos movimentos e organizações que trabalham com direitos humanos.
http://www.mndh.org.br/


Fórum de entidades Nacionais de Direiros Humanos - traz notícias sobre direitos humanos.
http://www.direitos.org.br/


Conectas Direitos Humanos - acompanha todos os tipos de violações aos direitos humanos.
http://www.conectas.org/


Anistia Internacional - organização com forte atuação no país que costuma emitir apelos pela defesa dos defensores de direitos no aís.
http://www.amnesty.org/


Instituto Socio Ambiental - acompanha movimentos sociais que trabalham com temas ligados ao meio ambiente
http://www.socioambiental.org/home_html


Organização das Nações Unidas (ONU) - Seção Brasil
http://www.onu-brasil.org.br/


3. Movimentos sociais:


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra
http://www.mst.org.br/


Via Campesina
http://www.viacampesina.org/


Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB)
http://www.mabnacional.org.br/


Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
http://www.mpabrasil.org.br/


Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
http://www.mtst.info/


Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)
http://www.mmcbrasil.com.br/


4. Sites de Notícias

Repórter Brasil - site de jornalismo social com especial enfoque no trabalho escravo.
http://www.reporterbrasil.org.br/


Carta Maior - agência de notícias que cobre amplamente os movimentos sociais
http://www.agenciacartamaior.org.br/


Repórter Social - agência de notícias sobre temas sociais em geral
http://www.reportersocial.com.br/noticias.asp?id=1407


Correio da Cidadania - veículo independente que cobre temas sociais.
http://www.correiocidadania.com.br/


Brasil de Fato - jornal ligado ao movimento sem-terra http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia


Caros Amigos - revista mensal de esquerda
http://www.carosamigos.com.br/


Centro de Mídia Independente - seção brasileira do movimento internacional Indymedia.
http://www.midiaindependente.org/


Rede Direitos Humanos e Cultura (DHNET) - notícias sobre direitos humanos no Brasil e demais países lusófonos.

http://www.dhnet.org.br/interagir/noticias/noticias.htm


Agência Chasque - agência de notícias sobre trabalhadores rurais e urbanos o Rio Grande do Sul
http://www.agenciachasque.com.br/


Blog do Sakamoto - o jornalista Leonardo Sakamoto traz notícias sobre desigualdade social, movimentos e combate ao trabalho escravo.
http://blogdosakamoto.blig.ig.com.br/


A 2ª sessão (amanhã, dia 3 às 22h) do cinema comunitário é dedicada a documentários sobre o ambiente


A 2ª sessão do cinema comunitário, que se realiza nas primeiras terças-feiras de cada mês na Casa Viva, no Porto, será preenchida com dois documentários sobre a temática do ambiente.

A pouco mais de um mês da próxima cimeira do G8 em Toyako, no Japão, os ministros do ambiente dos respectivos 8 países anunciaram que entre outros temas irá ser proposto um projecto para reduzir as emissões de dioxido de carbono significativamente até 2050. Antecipando a cacafonia e demagogia que seguramente marcará as discussões em Julho a segunda sessão do Cinema Comunitário é dedicada ao tema do ambiente.


“Lammas Housing Project” (Produzido por Undercurrents UK- 4mins)
Um pequeno documentário sobre uma pacata comunidade sustentável no sul de inglaterra, determinada a provar que é possivel viver um estilo de vida confortavel sem que seja necessario abusar dos recursos naturais que tão grande impacto têm na biosfera que suporta toda a vida no planeta.



“Climate Camp” (Produzido Luciano Ibarra, Cine Rebelde e Rising Tide UK – 1h e 2mins)
Entre 26 de Agosto e 4 de Setembro de 2007 teve lugar o “Camp for Climate Action”, uma ocupação de um terreno fronteireiço com a Drax Power station, a maior emissora de CO2 na Europa, onde milhares de pessoas se concentraram para fechar a central energetica por um dia.
Numa altura em que se procura alternativas energeticas, o governo britanico reabriu a velhinha rede de exploracao de carvão, a mais poluidora forma de energia. A central energetica Drax consome anualmente 13 milhoes de toneladas de carvao e emite 20.8 toneladas de dioxido de carbono por ano.
O documentário analisa toda a problematica das mudancas climatericas a nivel global, tal como a dificuldade de organizar um acampamento desta natureza.

Todas as primeiras Terças-Feiras de cada mês 1 Filme.

Entrada Livre.

Casa Viva- 167 praça Marquês de Pombal, Porto

http://www.cinemacomunitario.blogspot.com/

Eleonora Fonseca Pimentel, a portuguesa de Nápoles, uma aristocrata revolucionária que fundou a República de Nápoles, vai ser evocada amanhã no Porto


Integrado na Giornata della Cultura Italiana na cidade do Porto que decorre nesta cidade desde o dia 24 de Junho vai realizar-se amanhã, dia 3 de Junho às 21h30 na Fundação Eng. António de Almeida, Rua Tenente Valadim, 325), uma conferência sobre a figura de Eleonora Fonseca Pimentel, a portuguesa de Nápoles, uma aristocrata revolucionária, que inspirada pelas ideias de Liberdade, Igualdade e Fraternidade da Revolução Francesa, participou activamente na implantação da efémera República de Nápoles contra o domínio espanhol dos Bourbons. Acusada de crime contra o Estado é enforcada na Praça do Mercado de Nápoles em 1799 .Despede-se no cadafalso citando Virgílio: "Forsan et haec olim menimisse juvabit" ( talvez um dia seja bom recordarmos tudo isto).


A conferência intitulada “Eleonora Pimentel Fonseca A portuguesinha de Nápoles tra realtà storica e memoria artistica” estará a cargo de Maria Luisa Cusati, docente de Língua e Literatura Portuguesa nas Universidades L’Orientale e Suor Orsola Benincasa de Nápoles


Seguir-se-á a projecção do filme “Il Resto di Niente” de Antonietta de Lillo (2004), com Maria de Medeiros. Duração 103 min. Versão original em língua italiana com legendas em italiano
O filme é uma análise da Revolução Napolitana de 1799 que vai além dos eventos históricos, mostrando as emoções que galvanizaram a busca de uma nova realidade. Um mundo com distribuição de riqueza justa, o sonho de um país baseado na responsabilidade partilhada,
isso é o que sonhava a República Napolitana. A história é contada por Eleonora Pimentel Fonseca, nobre de origens portuguesas, mulher frágil que foi uma das principais protagonistas daquele momento.
Por meio das suas esperanças, sofrimentos e paixões, descobrimos alguém que não queria ser heroína, não desejava aventuras, não escolheu a revolução, mas quando se viu dentro dela encarou a causa como um compromisso.
No fim da projecção, encontro-debate com a realizadora Antonietta de Lillo


Quem foi Leonor da Fonseca Pimentel

Leonor da Fonseca Pimentel (Roma, 13 de Janeiro de 1752 - Nápoles, 20 de Agosto de 1799), conhecida como Eleonora de Fonseca Pimentel, "A Portuguesa de Nápoles". Ficou na história por ter defendido ideais liberais que conduziram à Revolução e à instauração da malograda República Napolitana (1799).



Ela foi poetisa, escritora, pedagoga, bióloga e uma das primeiras jornalistas europeias. Amiga íntima de intelectuais e revolucionários, desempenhou um papel de relevo na revolução jacobina de Nápoles de 1797, inspirada pelo ideário social e político da Revolução Francesa.

Leonor fundou o jornal oficial da república então instalada - O Monitore Napolitano - considerado o primeiro jornal político napolitano - que teve profunda influência na moderação das decisões do governo revolucionário

Leonor da Fonseca Pimentel, que se considerava "filha de Portugal", cultivou a língua pátria e manteve correspondência com intelectuais portugueses.

Em 1777, chegou a escrever uma peça de teatro de homenagem ao Marquês de Pombal: Il Trionfo della Virtù. Em Nápoles, o seu nome foi dado a uma Escola do Magistério Primário em homenagem à forma denodada como defendeu o primado da educação.

A portuguesa de Nápoles, como ficou conhecida, figura no Pantéon di Martiri dela Libertà, tornando-se, portanto, uma referência do pensamento político italiano. Embora multifacetada, distribuindo os seus esforços pelo jornalismo, a luta política, a biologia, a poesia e a pedagogia, Leonor ficou na História por ter defendido os ideais liberais que conduziram à Revolução jacobina de Nápoles e à instauração da malograda República Napolitana (1797-1799).

Em 1799, Leonor foi acusada de crime contra o Estado e enforcada na Praça do Mercado de Nápoles.

Desde 1997 que a cidade de Nápoles homenageia a vida cultural multifacetada de Eleonora, daí resultando estudos, teses, colóquios e exposições dedicados à sua vida e obra.

Bibliografia
• Benedetto Croce, Eleonora de Fonseca Pimentel, Roma, Tipografia Nazionale, 1887
• Bice Gurgo, Eleonora Fonseca Pimentel, Nápoles, Cooperativa Libreria, 1935
• Maria Antonietta Macciocchi, Cara Eleonora, Milan, Rizzoli, 1993
• Elena Urgnani, La Vicenda Letteraria e Politica di Eleonora de Fonseca Pimentel, Nápoles, La Città del Sole, 1998
• Enzo Striano, Il resto di niente. Storia di Eleonora de Fonseca Pimentel e della rivoluzione napoletana del 1799, Nápoles, Avagliano 1999; Milan, Rizzoli 2001, 2004
• Teresa Santos - Sara Marques Pereira (ed.), Leonor da Fonseca Pimentel. A Portuguesa de Nápoles (1752-1799), "Actas do colóquio realizado no bicentenário da morte de Leonor da Fonseca Pimentel", Lisboa, Horizonte, 2001
• Nico Perrone, La Loggia della Philantropia, Palermo, Sellerio, 2006



Recentemente foi editado entre nós um livro sobre esta figura histórica:

Leonor da Fonseca Pimentel - A Portuguesa de Nápoles (1752-1799), de Teresa Santos e Sara Marques Pereira ( coord.). Editora: Livros Horizonte

Na sua contracapa pode-se ler:
“Morta há duzentos anos, Leonor da Fonseca Pimentel continua na memória contemporânia como exemplo de autonomia e solidariadade, tanto mais notável por a sua vida ter sido extraordinariamente acentuada pelo trágico.Quase desconhecida entre nós, a «Portuguesa de Nápoles», como tambem é chamada, figura no tristíssimo Panteón di Martini della Libertà, em Nápoles, ao lado dos companheiros revolucionários de 1797. Mas Leonor da Fonseca Pimentel não encarna, apenas, a figura da heroína nacional cujo fervor revolucionário se nutria da lata consciência de adesão à causa eleita e cuja actividade se pautava pela coerência para com os princípios da liberdade, igualdade e fraternidade. Também espantam o vigor do trabalho intelectual, a sensibilidade literária, o entusiasmo jornalístico e a lucidez com que, numa época de tão desvairadas paixões políticas – a da Europa pós-revolução Françesa-, soube sempre manter-se equidistante quer do despotismo absolutista quer do radicalismo jacobino.”

Novo Encontro de Reutilizadores está marcado para o próximo Sábado ( 7 de Junho) em Lisboa


Um novo ENCONTRO DOS REUTILIZADORES vai realizar-se no próximo Sábado, dia 7 de Junho.


Todas as pessoas interessadas em reutilizar materiais e objectos úteis, em vez de os atirar para o lixo, podem ( e devem) encontrar-se no próximo Sábado, dia 7 de Junho.


O objectivo é que todos os reutilizadores, de todos vos grupos de reutilização que puderem vir a Lisboa, se encontrem, partilhem experiências, que sejam combinadas as entregas "pendentes" de objectos nesse dia, e que se tragam outros objectos para quem quiser ficar com eles!


Por exemplo, se eu anunciei para o meu grupo que tenho uma almofada para oferecer, e já me responderam que a querem, vou combinar a entrega para o próximo sábado no encontro!


Actualmente existem vários Grupos de Reutilização, e o objectivo é juntar as pessoas dos vários grupos, e todas as outras pessoas interessadas em Reutilizar!

Talvez o grupo mais conhecido é o Freecycle -
www.freecycle.org ( com grupos locais em Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Braga e Alcobaça!)




Se tiveres coisas que não precises leva-as para o Encontro dos Reutilizadores já no próximo Sábado!

Com o Encontro vamos todos poder conhecer outras pessoas do grupo, ver outras ofertas de objectos a acontecerem, conviver, trocar ideias, experiências, e levar as pessoas que nos abordem a aderir ao grupo também.


Só para salvaguardar que todos são bem-vindos!!
Com ou sem coisas para oferecer ou receber!
Tragam os amigos, a família, os colegas!


TODOS ESTÃO CONVIDADOS!!!

O nosso encontro será na Quinta das Conchas, na Alameda das Linhas de Torres, no Lumiar em Lisboa, entre as 10h e as 13h.

A Câmara Municipal de Lisboa lançou-nos o desafio para esta iniciativa e disponibiliza-nos o seu espaço!

Podem ir de Metro até à estação da Quinta das Conchas na Linha amarela
ou de autocarro (nºs 7, 36, 106, 108, 207, 701).

Para ver o mapa do local: aqui



Para qualquer dúvida ou esclarecimento podem contactar-me através do mail claudiocortez@clix.pt

ou para o 962849240.

Terrorismo = militarismo


Terrorismo = Militarismo
A única diferença é que o terrorismo é considerado como um acto ilegal, ao passo que o militarismo é visto como uma acção legal, pelo menos, ... para alguns idiotas!

Ciclo de cinema de intervenção e feminismo «Que querem elas?» (3,10, 17 e 24 de Junho no Bacalhoeiro)


Um ciclo de cinema de intervenção feminista vai realizar-se no bar Bacalhoeiro ( R. dos Bacalhoeiros, em Lisboa)



Dia 3 - “Lettre à ma sœur”
Dia 10 - “De niña a madre”
Dia 17 - “Convicções”
Dia 24 - “Raimunda a quebradeira”

"Este ciclo de cinema foi elaborado em colaboração com o Centre Audiovisuel Simone de Beauvoir em Paris e em parceria com o Instituto Franco Português e a Associação Cultural Bacalhoeiro."


Dia 3 - “Lettre à ma sœur”
Habiba Djahine, França, Argélia, 2006, 68´, V.O. francesa/árabe, legendada em inglês
"Nabila Djahnine, a minha irmã, foi assassinada dia 15 de fevereiro em Tizi-Ouzou, uma cidade importante da região da Cabilia (Argélia). A Nabila era arquitecta e presidente da associação de defesa dos direitos das mulheres « Thighri N’tmettouth » (Grito de mulher) sedeada nesta cidade. Em 1993, a Nabila escreveu-me uma carta em que falava do aumento da violência, da repressão, dos assassinatos, da falta de esperança e do seu desespero perante a quase impossibilidade de agir naqueles anos de chumbo. Eu tinha ido viver durante uns tempos para uma cidade do Sahara argelino, com o objectivo de me distanciar da acção militante. Dez anos depois do assassinato de Nabila, voltei a Tizi-Ouzou para fazer este filme. Lettre à ma sœur é a minha resposta à sua carta, uma forma de contar o que aconteceu durante estes dez anos.

Dia 10 - “De niña a madre”
Florence Jaugey, Nicaragua, 2006, 70´, V.O. espanhola, legendada em francês
O filme acompanha a vida de três adolescentes confrontadas com a maternidade na Nicarágua rural. Durante três anos, a realizadora captou com mestria os triunfos e as batalhas de Kenia, Vivian e Bianca, recorrendo a entrevistas em profundidade com estas jovens mulheres, as suas mães e os pais dos bebés. Kenia, Vivian e Bianca são levadas a reajustar as suas esperanças e sonhos em função da difícil realidade que é a maternidade adolescente numa comunidade tradicional como esta.


Dia 17 - “Convicções”
Julie Frères, Portugal/França, 2007, 55´, V.O. português
Em Fevereiro de 2007, os Portugueses foram chamados a votar pela ou contra a despenalização do aborto. Partindo do quotidiano de quatro mulheres de convicções totalmente opostas, o filme segue de perto a campanha do referendo, nos bastidores, na rua e nos média.

Dia 24 - “Raimunda a quebradeira”
Marcelo Silva, Brasil, 2007, 52´, V.O. português, legendada em inglês
Confrontada com o problema do acesso à terra, Raimunda luta diariamente, trabalhando como quebradeira de coco. Ao lado do padre Josimo, assassinado por homens de mão dos latifundiários, ajudou as quebradeiras a organizarem-se para obter terras, conseguindo assim dar a ouvir o grito destas excluídas.
Pela acção política ou pelo trabalho como quebradeiras de coco, estas mulheres asseguram a sobrevivência de suas famílias numa região onde as disputas pela posse da terra tiveram um saldo de centenas de mortes, entre fazendeiros, mercenários, activistas e até religiosos. Raimunda consagra todo o seu tempo e energia a esta causa, assim como à agricultura biológica e à melhoria da qualidade de vida das quebradeiras, combatendo os interesses dos industriais e grandes proprietários.


http://www.bacalhoeiro.pt/bacalhoeiro/index.php?destination=1



A restante programação do mês de Junho:
http://www.bacalhoeiro.pt/bacalhoeiro/index.php?destination=1

Manifestação nacional contra a revisão da legislação laboral (todos a Lisboa no dia 5 de Junho, no M. de Pombal às 15h.)


Quem luta, nem sempre ganha, mas quem não luta, perde sempre!

Mobilização geral para 5 de Junho contra a ofensiva do Governo e do patronato


As mais graves alterações para pior que o Governo de Sócrates quer introduzir nas leis do trabalho são:


• horários de trabalho à medida do patrão, pois seria possível impor horários de 12 horas diárias e 60 semanais, incluindo fins-de-semana, sem pagamento de horas extra;

• os horários concentrados abririam a possibilidade de juntar mais do que um horário num único dia de trabalho ou em determinados dias da semana, à vontade do patrão;

• com os bancos de horas, as horas trabalhadas fora do horário normal seriam trocadas por dias de descanso, eliminando o pagamento de trabalho suplementar;

• os horários flexíveis, aplicados a grupos de trabalhadores da mesma empresa, seriam obrigatórios mesmo para aqueles que não estivessem de acordo;

• a caducidade da contratação colectiva poria fim a condições hoje garantidas e iria nivelar os direitos (horas extra, assistência à família, horários, subsídios de turno e trabalho nocturno, etc.) pelos mínimos da lei geral, ou pior;

• despedimentos facilitados, através da simplificação do processo disciplinar, cortando as possibilidades de defesa do trabalhador, aliviando a empresa do pagamento de salários durante o processo e permitindo ao patrão que recusasse a integração de um trabalhador após o despedimento ser anulado em tribunal;

• ao introduzir a inaptidão como causa de despedimento, a lei permitiria que fosse suficiente inventar incompetência ou desempenho insatisfatório, para uma empresa despedir um trabalhador.


A RESPOSTA A ESTA PROPOSTA INACEITÁVEL DE REVISÃO DO CÓDIGO DE TRABALHO, SÓ PODE SER UMA: A LUTA!


DIA 5 DE JUNHO
GRANDE MANIFESTAÇÃO NACIONAL EM LISBOA




As graves propostas do Governo sobre a legislação laboral, na Administração Pública e no sector privado, fazem parte da política de José Sócrates e do PS, com o objectivo de tirar o máximo a quem trabalha e dar ainda mais ao grande capital: retira direitos a todos os trabalhadores, para diminuir os custos do trabalho, passando mais uns milhões para os cofres patronais; destrói os serviços públicos e retira direitos à maioria dos portugueses, facilitando os negócios dos grandes grupos privados.


Para rechaçar esta política de retrocesso e exigir condições dignas de vida e de trabalho para todos, a CGTP-IN lançou um «alerta geral», apelando a uma «resposta global» dos trabalhadores, com uma forte participação na grande manifestação nacional, convocada para a próxima quinta-feira, 5 de Junho, em Lisboa.

Horas de trabalho e dias de descanso, despedimento, pagamento do trabalho suplementar, do trabalho nocturno e do trabalho por turnos, carreiras profissionais e funções, a definição do local de trabalho - tudo passaria de novo a depender da empresa, do patrão, do chefe. A desigual e injusta relação de forças entre quem trabalha e quem explora ficaria ainda mais desigual e mais injusta, porque o Direito do Trabalho veria os seus princípios subvertidos e as convenções colectivas seriam destruídas.


Em vez de corrigir o Código do Trabalho de Bagão Félix, que condenou há cinco anos, o PS pretende agora torná-lo ainda pior para os trabalhadores.


Não há tempo a perder

A 22 de Abril, o Governo apresentou na Concertação Social um «documento de trabalho», com 44 páginas, contendo «propostas para um novo consenso na regulação dos sistemas de relações laborais, de protecção social e de emprego». Com o Livro Verde (apresentado em Novembro de 2006 pela Comissão Europeia) e o Livro Branco (cuja Comissão foi empossada pelo ministro do Trabalho naquele mesmo mês, apresentou um «relatório de progresso» há um ano e a versão final em Dezembro), entende o Governo que houve «um debate informado, participado e intenso» e que pode assim «levar a cabo um processo de reforma ambicioso, que se pretende ancorado num alargado consenso social».


Mas o embrulho de diálogo, consenso e modernidade não se ajusta, nem de perto, nem de longe, ao conteúdo anunciado para esta revisão do Código do Trabalho, que segue o essencial das propostas da Comissão do Livro Branco. O Governo não formalizou a proposta legislativa, mas pretende que ela seja aprovada rapidamente no Parlamento e que entre em vigor em 2009.
Não há tempo a perder, para quem promove esta revisão, mas também para os trabalhadores, que a têm combatido vivamente, desde que o PS mostrou que não ia respeitar as posições que assumiu quando estava na oposição.


Para o Governo, as lutas travadas nestes últimos dois anos, com poderosas manifestações e com uma greve geral, a 30 de Maio de 2007, apenas se integram num «debate vivo» que ainda não justifica a alteração dos pontos mais gravosos da sua «reforma». No que toca às exigências patronais, o Governo tem gerado consensos fáceis e até dá o exemplo aos patrões, tentando impor aos trabalhadores da Administração Pública a redução de direitos, a diminuição das remunerações, a instabilidade de horários, a polivalência de funções, a insegurança no emprego.
Tal como sucedeu com anteriores maiorias, só a luta firme de todos os trabalhadores levará o Governo PS e a sua maioria absoluta a recuarem nesta ofensiva. A próxima batalha é já no dia 5 de Junho.

Descodificar os «eixos»

Na linguagem do Governo, dar um passo largo para a inconstitucional liberalização dos despedimentos é «racionalizar e reforçar a segurança das partes nos processos de despedimento» - o nome de um dos cinco «eixos» estruturantes do «documento de trabalho» que o ministro Vieira da Silva apresentou na Concertação Social e que precisa ser lido em simultâneo com as propostas do Livro Branco das Relações Laborais.


Neste exemplo do despedimento é bem visível o alcance das alterações pretendidas. A «descodificação» tem por base um dos textos que a CGTP-IN entregou ao Governo e demais parceiros e publicou no seu sítio na Internet. A central critica os objectivos visados e apresenta as suas propostas.

Começa por notar que «a liberalização dos despedimentos é uma velha aspiração patronal, que aparece agora mascarada de moderna necessidade, imposta pelos condicionalismos dos mercados globalizados, e elevada à categoria de solução milagrosa para os problemas do desemprego e da segmentação do mercado de trabalho». O Governo «opta claramente por contornar os princípios constitucionais», que proíbem o despedimento sem justa causa, e procura «uma via mais ou menos indirecta para a liberalização».

Por um lado, o Executivo propõe uma «simplificação profunda» dos processos de despedimento por facto imputável ao trabalhador, designadamente, os procedimentos disciplinares.

Muitas das formalidades hoje exigidas às empresas deixariam de ser obrigatórias, cabendo à entidade patronal decidir sobre a sua promoção ou não.

Um despedimento que fosse declarado ilícito, «apenas» por vícios procedimentais, não seria invalidado e o trabalhador deixaria de ter direito à reintegração.

Seria reduzido o prazo para a impugnação do despedimento.

O Governo propõe ainda que seja transferida, para o Estado, a responsabilidade pelo pagamento das retribuições vencidas durante uma acção de impugnação, pelo menos nas situações em que se verifique uma maior demora (um ano). A CGTP-IN repudia esta «medida promocional do despedimento», pois alivia o patrão do receio de ter que pagar aquelas retribuições se vier a perder a acção judicial. A morosidade da Justiça não pode justificar tal medida, já que «não há notícia de que o Governo se tenha prontificado a legislar no sentido de atribuir indemnizações a outros cidadãos lesados pela demora da Justiça, incluindo trabalhadores que estão à espera de receber indemnizações há cinco, dez e até vinte anos».

Por outro lado, acusa a Inter, o Governo preconiza o alargamento do despedimento por inadaptação. Passariam a ser motivo de despedimento «situações de alteração na estrutura funcional do posto de trabalho», deixando de ser exigida a ocorrência de modificações tecnológicas. Seria assim admitido o despedimento por inaptidão (por falta de capacidade, incompetência ou desempenho insuficiente do trabalhador), «baseado em causas subjectivas, quiçá de natureza ilícita».


Os outros quatro «eixos» apresentam igualmente designações bem modernas: «Aumentar a adaptabilidade das empresas», «Promover a regulação contratual colectiva», «Reforçar a efectividade da legislação laboral», «Combater a precariedade e segmentação e promover a qualidade do emprego». Contêm, no entanto, graves perigos para os trabalhadores, como alertam as estruturas do movimento sindical unitário. Destacam-se:


– o ataque aos direitos conquistados e consagrados na contratação colectiva (que não podem hoje ser anulados por decreto, embora a falta de fiscalização deixe impunes muitos casos de desrespeito dos contratos pelas empresas), quer pela imposição da caducidade de todas as convenções colectivas ao fim de dez anos da sua primeira publicação, quer passando a permitir que novos acordos tivessem normas ainda piores para os trabalhadores do que os mínimos do Código;

– o horário de trabalho poderia chegar até 12 horas diárias e 60 semanais, incluindo os fins-de-semana, sem o acordo do trabalhador e sem pagamento de horas extraordinárias; o limite legal das 40 horas semanais e 8 horas diárias seria calculado com base no número de horas trabalhadas num dado período (um ano, no caso dos «bancos de horas», ou menos, noutros casos), permitindo a compensação em tempo de descanso, quando a empresa entendesse; uma das variantes seriam os «horários concentrados», aumentando as horas de trabalho em dados dias da semana e alargando os dias de descanso;

– poderia ser aplicada a flexibilização dos horários apenas a certos grupos de trabalhadores, dentro da empresa; a aceitação destes horários pela maioria obrigava os demais trabalhadores do grupo, mesmo aqueles que tivessem fortes objecções (e que hoje podem recusar o trabalho suplementar);

– a redução do horário implicaria a diminuição do salário, com o fim do limite do trabalho temporário;

– ampliando a mobilidade funcional (polivalência), deixaria de ser remunerado o exercício de funções superiores às da classificação profissional;

– a mobilidade geográfica dependeria apenas da imposição patronal;

- reconhecendo os elevados níveis de precariedade, o Governo propõe a legalização dos abusos dos contratos a prazo e das falsas situações de recibos verdes, através de uma mínima contribuição patronal para a Segurança Social (cinco por cento, nos recibos verdes, quando a taxa patronal normal é de 23,75 por cento).








O filme Os Respigadores e a Respigadora, seguido de debate, vai passar na Casa da Horta no dia mundial do ambiente (5 de Junho às 21h30)


No dia 5 de Junho celebra-se o Dia Mundial do Ambiente. A Casa da Horta em colaboração com o GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental - pretende marcar essa data questionando o modelo de consumo actual capitalista com um filme e debate.


Aqui está o programa de Quinta-Feira, dia 5 de Junho.


21:30 - Filme
Os Respigadores e a Respigadora


SINOPSE

A partir de um célebre quadro de Millet, o filme de Agnès Varda é um olhar sobre a persistência na sociedade contemporânea dos respigadores, aqueles que vivem da recuperação de coisas (detritos, sobras) que os outros não querem ou deixam para trás. A respigadora, nesse sentido é Agnès Varda, que experimentando pela primeira vez uma pequena câmara digital, se quer assumir como uma “recuperadora” das imagens que os outros não querem ver nem fazer, e que portanto deixam para trás.


23:00 - Debate
Debate aberto sobre Consumo e Consumismo.


31.5.08

Conversa sobre Poliamor e as relações não-monogâmicas ( 5 de Junho, na Crew Hassen, Lisboa)

Nota prévia: Não confundir Poliamor com Poligamia.
A poligamia, também conhecida como casament pural, consiste na relação de um homem com várias mulheres, e é uma extensão da monogamia. Por isso faz parte da tradição judaica-cristã.
Em contraste com isso, temos o movimento do poliamor, que emerge nos anos sessenta com os escritos de Robert Rimmer ( autor do livro Proposition 31 ) e Robert Hainlein ( autor da obra de ficção científica «Um estranho numa terra estranha») , e que nos remete para um relacionamento comunal, cooperativo e voluntário, de igualdade, baseado no amor livre (Free Love), abrangendo ainda o chamado casamento aberto.



CONVERSA SOBRE POLIAMOR
(5 de Junho às 20h30, na Crew Hassan, cooperativa cultural, Lisboa)
http://www.crewhassan.org/.

Não interessa se tens uma relação amorosa, nenhuma ou muitas.

Este encontro vai ser apenas uma troca de ideias sobre:

o poliamor,

a não monogamia responsável,

as relações não monogâmicas,

as relações múltiplas

a crítica à monogamia,

a cultura galdéria,

e muito mais ...


Organizam:
Poly-Portugal (http://www.poliamor.pt.to/)
e Panteras Rosa (
http://www.panterasrosa.blogspot.com/)



Consultar:




Poliamor é um tipo de relação em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Não segue a monogamia como modelo de felicidade, o que não implica, porém, a promiscuidade. Não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo facto de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente.

O Poliamor pressupõe uma total honestidade no seio da relação. Não se trata de enganar nem magoar ninguém. Tem como princípio que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com ela.

Difere de outras formas de não-monogamia pelo facto de aceitar a afectividade em relação a mais do que uma pessoa. Tal como o próprio nome indica, poliamor significa muitos amores, ou seja, a possibilidade de amar mais do que uma pessoa ao mesmo tempo. Chamar-lhe amor, paixão, desejo, atracção, ou carinho, é apenas uma questão de terminologia. A ideia principal é admitir essa variedade de sentimentos que se desenvolvem em relação a várias pessoas, e que vão para além da mera relação sexual.

O Poliamor aceita como facto evidente que todas as pessoas têm sentimentos em relação a outras que as rodeiam. E que isto não põe necessariamente em causa sentimentos ou relações anteriores. Aliás, o ciúme não tem lugar neste tipo de relação. Primeiro porque nenhuma relação está posta em causa pela mera existência de outra, mas sim pela sua própria capacidade de se manter ou não. Segundo, porque a principal causa do ciúme, a insegurança, é praticamente eliminada, já que a abertura é total. Não havendo consequências restritivas para um comportamento, deixa de haver razão para esconder seja o que for. Cada pessoa tem o domínio total da situação, e a liberdade para fazer escolhas a qualquer momento.



Links:

http://www.wikipedia.org/wiki/Polyamory
Excelente definição de Polyamory, abordando vários aspectos: terminologia, símbolos do poliamor, formas, questões legais, valores, paternidade, conceitos relacionados,...

http://pt.wikipedia.org/wiki/Poliamor
Artigo sobre Poliamor na Wikipedia em língua portuguesa. Entrada mais pequena, mas com alguns conteúdos diferentes.

http://www.xeromag.com/fvpoly.html
Polyamory? What? Why? How? Página muito completa, com conteúdos muito interessantes, FAQs muito pertinentes, mitos acerca do Poliamor, conselhos, etc. A não perder. Vale a pena ler com atenção.

http://www.polyamorysociety.org
Um dos mais importantes e completos sites sobre o tema. Criado em 1992 por Jennifer Wesp, reúne uma vasta comunidade nos EUA e em todo o mundo.

http://www.polyamory.org
Outro site de referência no mundo do Poliamor. Muitos textos, opiniões, histórias, testemunhos, etc. Muito completo, embora com um design pouco apelativo.

http://laundrylst.blogspot.com
Blog sobre poliamor e muito mais: “Every blog is a laundry list: a collection of self obsessed writings with little interest to the rest of the world. Escreve-se aqui principalmente sobre poliamor/ polyamory, mas também sobre liberdade, glbt, diy, criatividade quotidiana e utopias definitivamente possiveis”

http://groups.yahoo.com/poly_portugal
Polyamory Portugal. Grupo de discussão em português.
“Esta é a página para discussão de polyamory e, em geral, sobre 'não monogamia responsável' em Portugal! Sejam bem vindos!”.

http://www.polyandproud.com
Site lançado na Primavera de 2003, com um ar muito jovial e lúdico. Mantido por Karawynn Long and Jak Koke, um casal de Seattle, com um vasto "currículo" na matéria.

http://www.lovemore.com
Site da revista Loving More, dedicada a relações não monogâmicas. É a expressão da organização americana com o mesmo nome, que promove conferências e várias actividades por todo o país. Um artigo interessante sobre um desses eventos está disponível aqui.

http://www.polychromatic.com
Listagem de livros relacionados de alguma forma com o tema do Poliamor, com resumo e comentários para cada um. Site muito interessante e bem estruturado, com um aspecto muito agradável. A não perder também a definição de Poliamor, em What the heck is Polyamory?

http://www.tamera.org
Site da comunidade Tamêra, situada no Alentejo, Portugal. Tendo em vista a paz global, desenvolve várias actividades interessantes. Entre muitas coisas importantes, defende "um amor sem ciúmes, sexualidade sem medo, alegria antecipada sem o medo secreto da impotência, uma fidelidade que não se desmorona por causa de 'escapadelas', duração no amor e novos caminhos à parceria".

http://www.polymatchmaker.com
Encontros e desencontros num site vocacionado especialmente para o poliamor, mas onde se pode encontrar vários tipos de relação. "Love is never wrong". Pena que o número de membros portugueses se conte pelos dedos de uma mão.

http://www.soulrebels.com/beth/poly.html
Página pessoal, Beth's Polyamory Page, com respostas a FAQs, listagens de livros e filmes sobre o tema.

http://ropi.net/aul
Site com bastante informação, mas com uma apresentação um pouco difícil de decifrar. No entanto, vale a pena o esforço de ler algumas coisas, porque o conteúdo é bom.

http://www.unmarried.org
Site da organização Alternatives to Marriage Project, que defende os direitos das pessoas que por opção ou por impossibilidade, não são casadas. Isto abrange casais que vivem juntos antes de casar, ou que não pensam sequer vir a fazê-lo, homossexuais, bem como outros modelos alternativos de relação, em que estão envolvidas mais do que duas pessoas

" The only safeguard against authority and rigidity setting-in is a playful attitude."
Raoul Vaneigem.



Livros sobre Poliamor:

Polyamory: The New Love Without Limits: Secrets of Sustainable Intimate Relationships, by Deborah M. Anapol

The Ethical Slut; A Guide to Infinite Sexual Possibilities, by Dossie Easton & Catherine A. Liszt
The Myth of Monogamy, by David P. Barash & Judith Eve Lipton

Polyamory: Roadmaps for the Clueless & Hopeful, by Anthony D. Ravenscroft

Three in Love : Menages a Trois from Ancient to Modern Times, by Michael Foster, Letha Hadady, & Barbara M. Foster

The New Intimacy: Open-Ended Marriage and Alternative Lifestyles, by Ronald M. Mazur

The Premar Experiments, by Robert Rimmer

Stranger in a Strange Land, by Robert Heinlein



2008 WORLD POLYAMORY CONFERENCE
SEPTEMBER 12-14, 2008
HARBIN HOT SPRINGS, CALIFORNIA

http://www.worldpolyamoryassociation.org/

Boicote total e ilimitado aos postos de combustível ! Não à especulação e aos lucros astronómicos das petrolíferas! Muda o teu estilo de vida !




Vamos todos juntos boicotar os postos da GALP, BP, REPSOL e outras empresas que continuam a impôr preços especulativos…. e a maximizar os seus lucros…

A Galp, que é uma empresa privada ( foi privatizada pelo PSD e PS), o que significa que o seu móbil de actuação é a maximização dos seus lucros, teve 777 milhões de euros de lucro líquidos, só no primeiro trimestre de 2008, e pelo caminho que os preços levam os seus lucros vão crescer exponencialmente ao longo deste ano...

É preciso obrigar os distribuidores como a Galp, a Repsol ou a BP a diminuir as suas margens de lucro.


Mudemos o nosso estilo de vida com meios de transporte alternativos (bicicleta, comboio, transportes colectivos)

Um dia de boicote representará uma quebra nas vendas da petrolífera portuguesa de 13 milhões de euros, tendo em conta que as vendas médias por posto são de cerca de 3,1 milhões de metros cúbicos,

Por dia, são cerca de 5 mil empresas e 250 a 300 mil pessoas que abastecem nas estações de serviço daquela petrolífera.

Vamos todos afixar um cartaz, panfleto, onde se promova o bocoite dos postos da GALP, BP, REPSOL, na porta do prédio, paragem de autocarro, bicicleta, varanda,....


Importamos 14 milhões de euros por dia em petróleo e refinados

Segundo a DGEE, Portugal importou em termos líquidos em 2007 cerca de 5 mil milhões de euros em petróleo e refinados (livres de impostos), ou seja 14 milhões de euros por dia. E isto foi no ano passado, quando o famoso Brent custou em média 52,7€. Neste preciso momento está a 84€, o que dá para imaginar quanto vai subir este custo em 2008.

São 14 milhões que todos os dias saem do país porque nas últimas décadas apostámos
exclusivamente no automóvel.

14 milhões porque construímos 2000 km de auto-estradas e outros tantos de IPs e ICs,
enquanto destruíamos a ferrovia e descurávamos os transportes públicos.

14 milhões porque as nossas cidades estão pensadas para quem anda de automóvel, e desprezam os outros modos bem mais poupadores de energia.

14 milhões porque queimar combustível dentro do carro dá status na nossa sociedade... e quanto mais eles queimam, mais status dão.

Links:

http://www.boicote.pt.vu/

http://boicotemarcas.blogspot.com/

http://www.maisgasolina.com/

http://blog.maisgasolina.com/


Vamos todos afixar um cartaz, panfleto, onde se promova o bocoite dos postos da GALP, BP, REPSOL, na porta do prédio, paragem de autocarro, bicicleta, varanda,....





A GALP foi privatizada pelos governos do PSD e do PS. Em Dez. 2003 foram liberalizados os preços dos combustíveis em Portugal pelo governo PSD/CDS.

A razões apresentadas pelos então governo é que isso iria determinar o aumento da concorrência, com a consequente descida dos preços. No entanto, o que sucedeu foi precisamente o contrário. Entre 2.1.2004 e 22.5.2008, o preço da gasolina 95 aumentou 57,3%; o do gasóleo rodoviário 102,7%; e o do gasóleo de aquecimento mais de 138,1%.




Aproveitando a especulação, a GALP cobrou preços excessivos e obteve 69 milhões de euros de lucros extraordinários em 3 meses, o triplo de 2007


A GALP acabou de apresentar publicamente as contas referentes ao 1º Trimestre de 2008. E por elas ficamos a saber que esta petrolífera obteve, só no 1º Trimestre de 2008, 175 milhões de euros de lucros líquidos, ou seja, mais 22,4% do que em idêntico período de 2007. E isto quando são exigidos tantos sacrifícios aos portugueses.

Mas ainda mais grave, é que 69 milhões de euros desses lucros – que é o triplo do valor registado em 2007 (+228,6%), que foi de 21 milhões de euros –, resultaram da especulação do preço do petróleo no mercado internacional, de que a GALP e as outras petrolíferas se aproveitam para cobrarem aos portugueses preços de venda nos combustíveis excessivos e escandalosos.

E isso resulta de um estranho sistema de cálculo dos preços de venda dos combustíveis aos portugueses, que não se baseia nos custos efectivos suportados pela empresa, mas que tira partido directo da especulação do petróleo no mercado internacional, que é urgente alterar pois, caso contrário, como a especulação vai continuar, os portugueses serão obrigados a alimentar os lucros das petrolíferas resultantes dessa especulação.

Esse sistema de cálculo dos preços de venda dos combustíveis, diferente do adoptado pela generalidade das empresas, é utilizado pelas petrolíferas, perante a passividade, para não dizer mesmo a conivência, do governo e da Autoridade da Concorrência.

Para calcular os preços de venda dos combustíveis, as petrolíferas recolhem os valores dos preços dos produtos refinados (gasolina, gasóleo, etc.) no mercado de Roterdão em cada semana, depois calculam a média em relação a cada produto, e é o valor assim obtido para cada um dos produtos que é o preço, sem impostos, a que vendem os combustíveis em Portugal. É evidente que esse preço de Roterdão, que não é determinado pelos custos suportados pelas petrolíferas portuguesas, incorpora a especulação que se verifica todos os dias no mercado internacional do petróleo, determinada pela entrada maciça dos fundos de investimento nesse mercado, com o objectivo de, controlando a oferta, como estão a fazer, imporem preços especulativos e, consequentemente, embolsarem gigantes lucros (o que está a suceder).

Portanto, as petrolíferas em Portugal aproveitam-se da especulação no mercado internacional do petróleo para cobrar pelos combustíveis preços aos portugueses muito superiores aos custos que têm de suportar, utilizando um esquema privilegiado de cálculo dos preços.

É urgente que o governo e a Autoridade da Concorrência ponham cobro a este lucro especulativo das petrolíferas – que resulta do aproveitamento que elas estão a fazer da especulação que se verifica nos mercados internacionais – alterando o sistema de cálculo dos preços de venda dos combustíveis, excluindo a especulação.

Os preços de Roterdão devem funcionar apenas como limite máximo, para obrigar as petrolíferas a serem eficientes em relação aos preços podem cobrar pela venda dos combustíveis em Portugal. No entanto, o cálculo dos preços deverá respeitar o que a generalidade das empresas são obrigadas fazer, ou seja, cobrir os seus custos efectivos e adicionar uma margem decente de lucro.

Em Maio de 2008, os preços dos combustíveis em Portugal, quer se inclua ou não impostos (e ainda não se considera os últimos aumentos), eram superiores aos cobrados na maioria dos países da União Europeia.

Assim, o preço sem impostos do gasóleo em Portugal era superior em 2% ao preço médio do gasóleo na União Europeia, e o da gasolina, também sem impostos, era em Portugal superior ao preço médio da União Europeia em +2,4%. Considerando preços com impostos, o preço do gasóleo em Portugal era inferior ao preço médio da U.E. em –0,1%, mas o da gasolina era já superior ao preço médio da União Europeia em +5,2%. Se a análise for feita por países, conclui-se que na Áustria, na Irlanda, na França, na Suécia, na Alemanha, na Dinamarca, na Finlândia e na Inglaterra, o preço do gasóleo sem impostos era inferior ao preço cobrado pelas petrolíferas em Portugal. Na Áustria, na Irlanda, na França, na Suécia, na Alemanha, na Dinamarca, na Finlândia e na Inglaterra, o preço da gasolina sem impostos era também inferior ao cobrado pelas petrolíferas em Portugal. É um autêntico escândalo, pois, com remunerações por ex., as petrolíferas em Portugal têm custos inferiores aos suportados pelas empresas desses países (menos de metade).

A GALP foi privatizada pelos governos do PSD e do PS. Em Dez. 2003 foram liberalizados os preços dos combustíveis em Portugal pelo governo PSD/CDS.

A razões apresentadas pelos então governo é que isso iria determinar o aumento da concorrência, com a consequente descida dos preços. No entanto, o que sucedeu foi precisamente o contrário. Entre 2.1.2004 e 22.5.2008, o preço da gasolina 95 aumentou 57,3%; o do gasóleo rodoviário 102,7%; e o do gasóleo de aquecimento mais de 138,1%.

Durante o mesmo período, os rendimentos da esmagadora maioria dos portugueses aumentaram menos de 15%. Isto tem-se verificado perante a passividade, para não dizer mesmo a conivência do governo e da Autoridade da Concorrência. Ambos preparam-se agora para branquear o comportamento das petrolíferas, pois é de esperar que pretendam fazer passar como “natural” a actuação destas empresas, dizendo que elas adoptam «o sistema de conformação de preços adoptado a nível internacional», como já veio dizer o presidente da GALP, que exige a baixa dos impostos, para assim poder manter os seus elevados lucros.


Eugénio Rosa
Texto completo em:

Como Charles Boycott ajudou involuntariamente a criar o verbo boicotar e o método de acção directa do boicote




Charles Cunningham Boycott (12 de Março de 1832 — 19 de Junho de 1897) foi um militar britânico e um Agente de Terras de um nobre inglês, grande proprietário de terras na Irlanda, mais concretamente em Lough Mask no condado de Mayo, contra o qual foi lançada a primeira campanha de boicote registada na história. Uma campanha de ostracização pelos trabalhadores agrícolas locais que o levou à ruína e ao seu regresso à Inglaterra por motivo de ter recusado a melhoria das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores rurais. Dessa campanha nasceu o verbo inglês Boycott, que significa colocar em ostracismo, e que originou por sua vez a palavra portuguesa boicote.

Charles Boycott nasceu em Norfolk, em 1832.A partir de 1850 serve o Exército Britânico no 39º regimento de Infantaria, Depois de se demitir do Exército, parte em 1872 para a Irlanda a fim de lá trabalhar como Agente de Terras ao serviço de Lorde Erne (John Crichton, 3o Earl Erne), grande latifundiário local. Boycott tinha também as suas próprias terras. A dada altura, os camponeses locais pedem-lhe uma redução das suas rendas. Boycott recusa e inicia processos de despejo.

É perante esta atitude que, em 1880, os trabalhadores locais, liderados por Michael Davitt, decidem abandonar as colheitas na propriedade de Lorde Erne. O movimento fazia parte da campanha da Liga Irlandesa da Terra, dirigida por Charles Stewart Parnell, para proteger os rendeiros da exploração a que são submetidos, assegurando uma renda justa, a garantia de emprego e o direito de venda livre, segundo os lemas conhecidos pelos três efes: "Three Fs" (fair rent, fixity of tenure and free sale)

Quando Charles Boycott tentou contrariar essa campanha dos rendeiros agrícolas, a Liga da Terra lançou um movimento para o isolar da comunidade local. Decidiram então que:
• Os vizinhos não lhe falariam.
• As lojas não lhe serviriam.
• Na igreja, não lhe falariam nem não se sentariam perto dele.

A campanha contra Boycott tornou-se famosa na imprensa britânica: os jornais ingleses enviaram correspondentes ao oeste de Irlanda, chamando a atenção para o que consideravam como vitimização de um empregado de um Lorde no reino pelos camponeses irlandeses.

Foi então que cinquenta "Orangemen", membros da organização protestante irlandesa "Orange Order", do Condado de Cavan viajaram à propriedade do Lorde Erne com o fim de salvar a colheita. Um regimento de 1.000 homens da organização policial "Royal Irish Constabulary" foi igualmente enviado para proteger as plantações. O certo é que todo este episódio custou ao governo britânico cerca de 10.000 Libras, para proteger as 350 Libras que valeriam a colheita de batatas, segundo a estimativa feita por Boycott.

Face a todo esta pressão, Boycott decide deixar a Irlanda no dia 1 de Dezembro de 1880, tendo o seu nome sido imortalizado com a criação do verbo "boicotar", que significa "colocar em ostracismo".

Boicotar transformou-se num método da desobediência civil e da política de não-violência.
Foi praticado, entre outros: por Mahatma Gandhi; e pelos activistas das campanhas pelos direitos civis nos Estados Unidos e na Irlanda do Norte realizadas na década de 1960

Em 1947 a história do capitão Boycott foi tema do filme "Captain Boycott".

Referências bibliográficas:
• Marlow, Joyce "Captain Boycott and the Irish", London, 1973
• Moody, Theodore W. "Davitt and Irish revolution", Oxford, 1981
• Tebrake, J. K. "Irish peasant women in revolt. The Land League years", in: "Irish Historical Studies 28" (1992), S. 63-80


Adaptação livre para português de um texto retirado da Wikipedia

Hoje realiza-se em Roma a Massa Crítica Interplanetária


Hoje, dia 31 de Maio, realiza-se em Roma uma manifestação pública a que se designou por Massa Crítica Interplanetária (Critical Mass ou Ciemmona, literamente “Grande Massa Crítica”). Trata-se já da sua 5ª edição ( a anterior realizou-se no ano passado) e o seu objectivo é reunir num ambiente festivo e colorido milhares de ciclistas provenientes dos quatro cantos do mundo

A Ciemmona ( (Massa Crítica Interplanetária) nasceu do desejo dos elementos participantes da Massa Crítica de Roma em partilharem esse momento de alegria e de consciência colectiva com os paticipantes de outras Massas Críticas, quer sejam italianas ou não. A primeira edição decorreu em 2004 tendo reunido mais de 4.000 ciclistas determinados a reivindicar o espaço público e a rua, demonstrando pelos factos que os carros se tornaram uma solução obsoleta.






28.5.08

Relatório Anual 2008 da Amnistia Internacional: a situação de Direitos Humanos no mundo = 60 anos de fracassos

Para ler o Relatório Anual da Amnistia Internacional de 2008:




A Amnistia Internacional desafiou hoje os líderes mundiais a pedirem desculpa por seis décadas de fracassos em matéria de direitos humanos e a voltarem a assumir o compromisso de fazer melhorias concretas.

"As zonas mais críticas para os direitos humanos exigem uma acção imediata como é o caso do Darfur, do Zimbabué, de Gaza, do Iraque e do Myanmar", afirmou Irene Khan, secretária-geral da organização, no lançamento do relatório de 2008 da Amnistia Internacional: o estado dos direitos humanos no mundo.

"Injustiça, desigualdade e impunidade são as marcas do mundo de hoje. Os governos devem agir agora para diminuir a distância que separa as suas promessas do seu desempenho”.

O relatório de 2008 da Amnistia Internacional mostra que, 60 anos depois da Declaração Universal dos Direitos Humanos ter sido adoptada pelas Nações Unidas, as pessoas ainda são torturadas ou maltratadas em pelo menos 81 países, enfrentam julgamentos injustos em, pelo menos, 54 países e são proibidas de se expressar livremente em, pelo menos, 77 países.

"O ano de 2007 caracterizou-se pela impotência dos governos ocidentais e pela ambivalência ou relutância das potências emergentes para enfrentar algumas das piores crises de direitos humanos do mundo, desde os conflitos enraizados até às crescentes desigualdades que estão a deixar milhões de pessoas para trás", afirmou Irene Khan.

A Amnistia Internacional alerta para a maior ameaça ao futuro dos direitos humanos que é a ausência de uma visão partilhada e de uma liderança colectiva.

"O ano de 2008 apresenta oportunidades sem precedentes para que os novos líderes que estão a assumir o poder e para que os países que estão a emergir no cenário mundial tomem um rumo novo e rejeitem as políticas e as práticas míopes que ultimamente têm feito do mundo um lugar mais perigoso e mais dividido", declarou a secretária-geral.

A Amnistia Internacional desafia os governos a criarem um novo paradigma de liderança colectiva baseada nos princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

"Os mais poderosos devem liderar com exemplos", afirmou Irene Khan.

- A China deve cumprir as promessas que fez em torno dos Jogos Olímpicos, permitindo a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa e acabando com a "reeducação pelo trabalho".

- Os Estados Unidos devem fechar o campo de detenção de Guantánamo e os centros de detenção secretos. Devem julgar os seus detidos segundo as normas e padrões internacionais para julgamentos justos ou, então, libertá-los; devem ainda rejeitar, de modo inequívoco, o uso da tortura e dos maus-tratos.

- A Rússia deve mostrar maior tolerância com as divergências políticas e não deve ser tolerante com a impunidade para os abusos de direitos humanos cometidos na Chechénia.

- A União Europeia deve investigar a cumplicidade de seus Estados-membros com as transferências extrajudiciais (rendições) de pessoas suspeitas de terrorismo e deve estabelecer para seus próprios membros os mesmos critérios de direitos humanos que estabelece para outros países.

A secretária-geral faz um alerta: "Os líderes mundiais estão em estado de negação, mas a sua inércia tem elevados custos. Como bem demonstram o Iraque e o Afeganistão, os problemas de direitos humanos não são tragédias isoladas, mas são como vírus, que podem infectar e espalhar-se rapidamente, tornando-se um risco para todos nós”.

"Os governos devem mostrar hoje o mesmo grau de visão, de coragem e de compromisso que levou as Nações Unidas a adoptar a Declaração Universal dos Direitos Humanos há sessenta anos atrás”.

"Há um movimento crescente por parte das pessoas exigindo justiça, liberdade e igualdade”.

Entre as imagens que mais marcaram 2007, estão os monges no Myanmar, os advogados no Paquistão e as mulheres activistas no Irão.

"As populações inquietas e indignadas não permanecerão silenciosas, e se os líderes mundiais as ignorarem, não será bom para eles.", declarou Irene Khan.

http://www.amnistia-internacional.pt/

http://www.amnesty.org/

Roberto Freire (1927 - 23 de Maio de 2008) criador da Somaterapia


No dia 23 de maio de 2008, morreu Roberto Freire, escritor brasileiro, médico, criador da Somaterapia e activista libetário.
Roberto Freire foi um médico e psiquiatra, que esteve envolvido na luta contra a ditadura militar, conhecido por ser o criador de uma nova e heterodoxa técnica terapêutica denominada Soma, uma terapia que cruzava ideias de W. Reich com uma perspectiva libertária e anti-autoritária.

Entre suas obras literárias mais importantes figuram: Cléo e Daniel, um livro que marcou uma geração no Brasil e que foi levada ao cinema e ainda: Sem entrada e sem mais nada, Coiote e os ensaios Utopia e Paixão, Sem Tesão Não Há Solução e Ame e dê Vexame.
Cléo e Daniel é uma história que foi levada ao cinema, com Myriam Muniz, Sônia Braga e John Herbert, entre outros).
Em 2003 lançou a autobiografia "Eu é um outro".





A Soma foi criada pelo escritor Roberto Freire no início dos anos 70 como uma terapia corporal e em grupo, baseada nas pesquisas do austríaco Wilhelm Reich. Buscando o desbloqueio da criatividade, os exercícios da Soma abordam a relação corpo e emoções presentes na obra de Reich, os conceitos de organização vital da Gestalterapia, os estudos sobre a comunicação humana da Antipsiquiatria e a arte-luta da Capoeira Angola. Os grupos de Soma duram um ano e meio, com encontros periódicos (quatro vivências por mês). Esta convivência possibilita a construção de uma dinâmica de grupo, onde o referencial ético é o Anarquismo. Esta é a maior originalidade da Soma: terapia como pedagogia política, onde o prazer e a liberdade são a saúde que combate a neurose capitalista da sociedade globalizada.
A Soma, enquanto terapia com uma ética anarquista, procura entender o comportamento político humano em sociedade a partir do cotidiano das pessoas. São as micro-relações que produzem o germe do autoritarismo social, num jogo de poder e sacrifício onde valores capitalistas como a propriedade privada, a competição, o lucro e a exploração já não devem ser tratadas apenas como questões de mercado e ideologia. É inegável a influência destes valores sobre áreas vitais das relações sociais, como no amor, por exemplo, onde sentimentos (ciúmes, posse, insegurança) e situações (competição, traição, mentiras) parecem reproduzir no micro-social todos os ranços e saldos do autoritarismo de Governos e Estados. Para a Soma, portanto, a política começa no cotidiano.

Apenas o racional e o lógico tornam-se insuficientes para compreender a imensa teia de controles impostos socialmente e seu impacto sobre a individualidade. É justamente este o grande paradoxo: como escapar das relações hierárquicas e autoritárias com os sentimentos e todas suas extensões emocionais contaminadas por algo que foge do campo das idéias, do pensamento. Este "algo mais", para além da razão, já foi objeto de estudos de filósofos e psicólogos e podemos chamar aqui de inconsciente, as motivações e estímulos, muitas vezes contraditórios, que extrapolam a racionalidade objetiva. O fato de se acreditar numa visão de mundo, numa ideologia, não basta para ter um comportamento libertário no amor, na família, nas relações afetivas. Infelizmente, parece mais fácil tentar ser livre fora de casa, longe da privacidade e exilado do corpo.

Foram estes questionamentos que levaram a criação da Soma, no início dos anos 70. Roberto Freire, militante clandestino lutando contra a ditadura militar, não encontrava na Psicanálise, metodologia que se formou e depois abandonou por divergências ideológicas, e na Psicologia tradicional, ferramentas necessárias para ajudar os conflitos emocionais e psicológicos de seus companheiros de luta que o procuravam buscando auxilio. Foi então buscar as pesquisas de um cientista renegado pelo meio acadêmico, o dissidente mais radical da Psicanálise: Wilhelm Reich. A partir daí, criou uma técnica terapêutica corporal e em grupo.

A Soma nasceu de uma pesquisa sobre o desbloqueio da criatividade, realizada no Centro de Estudos Macunaíma. Através de exercícios teatrais, jogos lúdicos e de sensibilização, Roberto Freire foi criando uma série de vivências que possibilitavam uma rica descoberta sobre o comportamento, suas infinitas e singulares diferenças. Perceber como o corpo reage diante de situações comuns no cotidiano das relações humanas, como a agressividade, a comunicação, a sensualidade, e sua associação com os sentimentos e emoções, permite um resgate daquilo que nos diferencia enquanto individualidade, para criar um jeito novo, a originalidade contra a massificação.

Assim, a Soma se construiu como um processo terapêutico com conteúdo ideológico explícito, o Anarquismo. A terapia tem tempo determinado (cerca de um ano e meio), para evitar a dependência terapeuta/cliente, e é realizada em sessões de três horas cada (são quatro por mês) em vivências com exercícios corporais ou dinâmicas de grupo. Depois de cada vivência, o grupo realiza a leitura da sessão, procurando verbalizar as sensações e percepções produzidas pelo exercício/dinâmica. A leitura pode ser tanto sobre si mesmo como sobre algum companheiro de grupo e é nesta etapa que o participante da Soma começa a produzir sua autonomia terapêutica, desenvolvendo um olhar e uma compreensão maior, a partir do corpo, sobre as atitudes e comportamentos políticos no cotidiano.
http://www.somaterapia.com.br/

Universidade Itinerante do Mar (ainda estão abertas inscrições até 30 de Maio)


A Universidade Itinerante do Mar é um programa que visa a promoção da identidade marítima dos estudantes portugueses e espanhóis de várias origens, através do contacto com o mar e com o conhecimento sobre as suas potencialidades, actividades e cultura.

Esta iniciativa teve a sua primeira edição em 2006 e tem também como objectivo levar os estudantes a descobrir o valor do trabalho em equipa e a partilha de dificuldades e de projectos, enquanto participam em todas as tarefas da navegação e visitam diferentes portos.

Este ano o programa destina-se a estudantes universitários e pré-universitários de diferentes cursos e licenciaturas provenientes principalmente das Universidades do Porto, Aveiro e de Oviedo e do Ensino Secundário. Oferece três cursos entre os dias 30 de Junho e 26 de Julho de 2008 que no seu conjunto abrangem 126 estudantes portugueses e espanhóis.

O programa será composto por diferentes momentos de formação em terra e a bordo do Navio de Treino de Mar (NTM) CREOULA e será organizado em torno de três cursos com 42 estudantes cada, sendo o tema específico de formação a “Energia, Ambiente & Mar” com ênfase na implicação das questões da energia no desenvolvimento sustentado e o mar como fonte de energia e rota de transporte.

O primeiro curso terá início na Universidade de Oviedo (Espanha) e seguirá, após embarque em Avilés, rumo a Gijón (Espanha) e a Rouen (França). O segundo curso terá início em Rouen (França) e seguirá rumo a Ferrol (Espanha). O terceiro curso inicia-se em Ferrol (Espanha) e seguirá rumo a Aveiro (Portugal) e Lisboa (Portugal).

Informação sobre o programa, condições de candidatura e pagamento:

www.cimar.org/UnivItinerante_2008.htm



Curso I - 30 de Junho a 11 de Julho de 2008
Curso II - 11 a 20 de Julho 2008
Curso III - 20 a 26 de Julho de 2008




Brochura


Normas gerais de embarque


Questionário Médico


Ficha de Inscrição

Novo blogue de caricaturas de crítica social. Altamente recomendável.



Retirado do blogue, de que se recomenda a leitura regular:

http://quedizopivo.blogspot.com/

Massa Critica na próxima Sexta-feira ( dia 30) em Aveiro, Coimbra, Lisboa e Porto




Farto dos aumentos dos combustíveis? Anda de bicicleta!

A Massa Crítica (Bicicletada) é um passeio no meio da cidade feito em transportes não poluentes. Realiza-se sempre na última sexta-feira de cada mês às 18h00, partindo de um local pré-determinado.

As MC também são conhecidas nos países lusófonos como bicicletadas porque a maioria dos participantes desloca-se em bicicleta. O termo Massa Crítica é mais apropriado porque encoraja-se a participação de pessoas que se deslocam de outras formas não-poluentes: patins, skate, trotinete, etc.

Para lá das motivações pessoais de cada participante, a MC é uma coincidência organizada de cidadãos unidos pelo interesse em celebrar formas de transporte não poluentes e mais sustentáveis a longo prazo do que o automóvel ou outros veículos dependentes de energias não renováveis.

Hora: 18h00

* Aveiro - Início de encontro na Praça Melo Freitas (perto do Rossio)

* Coimbra - Concentração no Largo da Portagem, junto à estátua do Mata Frades.

* Lisboa - Concentração na Marquês Pombal, no início do Parque Eduardo VII.

* Porto - Concentração na Praça dos Leões.


http://www.massacriticapt.net/




Massa Crítica em Portugal

A primeira MC em Portugal aconteceu em Lisboa em 2003 (por volta de Maio?) e contou com 14 pessoas, e o seu início e desenvolvimento foi promovido pelo GAIA, uma Organização Não-Governamental de Ambiente.

Para que servem as bicicletadas?

Divulgar e promover o uso da bicicleta e outros veículos não motorizados como meios de transporte viáveis;
Criar condições favoráveis ao uso da bicicleta como meio de transporte – tornando as cidades mais hospitaleiras;
Tornar mais ecológica e saudável a mobilidade urbana.

Quem organiza a bicicletada?

Em Portugal é promovida pela Massa Crítica (MC), uma “coincidência não organizada”. É um conjunto não hierárquico de cidadãos que cooperam para realizar estes passeios. A MC é apartidária, não representa ou segue qualquer orientação ideológica nem tem fins lucrativos.

Onde se realizam?

As Bicicletadas realizam-se em Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro e Portimão e em mais cerca de 350 cidades de todo o mundo. Em Lisboa têm início no Marquês de Pombal, no Porto começa na Praça dos Leões, em Coimbra no Largo da Portagem, em Aveiro na Praça da Ponte e em Portimão na Fortaleza

Quando se realizam?

As Bicicletadas realizam-se sempre na última sexta-feira de cada mês, às 18h em Lisboa, no Porto, em Coimbra e em Aveiro, faça chuva ou faça sol.

Quem pode participar?

Qualquer pessoa animada pelas mesmas intenções que a MC pode participar. Basta aparecer no local e hora habituais com a sua bicicleta ou veículo similar. Se quiser trazer um/a amigo/a tanto melhor.

O trajecto de uma bicicletada é difícil?

Não. É sempre um percurso urbano traçado para poder ser cumprido por qualquer condição física. A velocidade é sempre baixa, determinada pelo mais lento dos participantes. Habitualmente o passeio dura 1,5 ou 2 horas.

Feira Aquiliniana na Aldeia da Lapa, no concelho de Sernancelhe

“que o escritor realize o mundo de beleza que traz em si, e já é alguma coisa.Quanto ao mais, que seja o que lhe apetecer, desde que não arme em fariseu, e não esteja nunca contra os simples, de braço dado com os trafulhas, nem contra os fracos de braço dado com os poderosos."
Aquilino Ribeiro



Vai decorrer, na Aldeia Classificada da Lapa, em Sernancelhe, nos dias 31 de Maio e 1 de Junho, a V Feira Aquiliniana onde estarão em destaque artesanato e produtos regionais.

www.cm-sernancelhe.pt/vfeira_aquiliniana.htm









Aquilino Ribeiro nasceu em Sernancelhe, mas foi registado noutro local, por motivo do pai exercer aí funções eclesiais

O nascimento de Aquilino foi registado em 7 de Novembro de 1885 na Igreja de Alhais, concelho de Vila Nova de Paiva - ao tempo, concelho de Fráguas - , data em que o baptismo foi oficializado pelo cura Luís Machado de Morais.

Contudo, na realidade, nasceu na freguesia do Carregal, concelho de Sernancelhe, diocese de Lamego, à uma hora da tarde do dia treze do mês de Setembro do mesmo ano, filho natural e primeiro de Mariana do Rosário, solteira, criada de servir… É o que consta do registo.

Nasceram também no Carregal os seus dois irmãos: o Melchior - o Quinzinho do livro Cinco Reis de Gente - em 10 de Setembro de 1888 e a Maria do Rosário em 2 de Outubro de 1889.
A menina terá falecido cedo, mas o Melchior acabou seus dias em Soutosa em 30 de Junho de 1967. Conheci-o muito bem. Era proprietário e exercia também o ofício de serralheiro.

Dos registos consta serem filhos naturais, porque assim tinha de constar. O pai tinha especiais responsabilidade na freguesia (era padre), mais concretamente na paróquia e, por isso, as cerimónias oficiais do baptismo e registo de nascimento do Aquilino e da Maria fizeram-se fora da freguesia onde nasceram: as do primeiro em Alhais, as da sua irmã em Gradiz, freguesia muito próxima do Carregal. O pároco dos Arcozelos, José da Fonseca Ambrósio, deslocou-se expressamente ao Carregal para baptizar o Melchior, com autorização do abade local.


Mariana do Rosário (Gomes, do apelido de seu pai Filipe) tinha nascido em Soutosa, freguesia de Peva em 4/7/1851 e, mais tarde, foi trabalhar no Carregal, como governanta da casa de Joaquim Francisco Ribeiro, este ali em serviço como responsável da paróquia, mas também natural de Soutosa. De relações entre os dois nasceram esses três filhos, que o pai perfilhou e reconheceu por escritura de 6 de Setembro de 1890, lavrada por Adelino Amado dos Santos Leite, notário de Sernancelhe.


Joaquim Francisco Ribeiro prestou serviço no Carregal desde Janeiro de 1879 até Março de 1895. Antecedeu-o o P.e encomendado João de Sobral e substituiu-o o P.e José Gomes Oliveira.
Não consta que ele tivesse residido, enquanto ali serviu, noutra casa que não aquela onde a Câmara Municipal procedeu a beneficiações.A casa a relembrar será, portanto, esta residência, onde viviam os pais à data do seu nascimento.

Àquela casa se refere o escritor, com muito carinho e saudade, no "Cinco Reis de Gente", com muito de autobiográfico - " o actual romancito exprime o retorno que efectuei sobre esse passado, já bem longínquo mas ainda inebriador" - diz no prefácio. Lá estão o "grande e desmantelado (agora bem composto) pátio fidalgo" e os dois vetustos ciprestes de que "recebia uma lição de altitude e firmeza".