18.5.08

Morreu Zélia Gattai, autora do livro «Anarquistas, graças a deus»


A escritora Zélia Gattai, autora do livro «Anarquistas Graças a Deus», e viúva de Jorge Amado, morreu ontem aos 91 anos. Nasceu no seio de uma família de imigrantes italianos anarquistas no Brasil do início do século XX e participou activamente na sua juventude no movimento político-operário anarquista.

Anarquistas, graças a Deus descreve o quotidiano da uma família de imigrantes italianos anarquistas no Brasil no início do século XX. É uma história familiar mas que está eivada de preocupações com questões ideológicas e valores humanistas, em particular o apoio mútuo, a amizade e o companheirismo entre todos os seres humanos na sua luta diária pela subsistência e as contrariedades da vida social.




Zélia Gattai (São Paulo, 2 de julho de 1916 — Salvador, 17 de maio de 2008) foi uma escritora e fotógrafa brasileira, tendo também sido um expoente da militância política durante quase toda a sua longa vida, da qual partilhou cinquenta e seis anos casada com o também escritor Jorge Amado, até a morte deste.

Filha dos imigrantes italianos Angelina e Ernesto Gattai, nasceu e morou durante toda a infância na Alameda Santos, 8, no bairro Paraíso, em São Paulo.
Zélia participava, com a família, do movimento político-operário anarquista que tinha lugar entre os imigrantes italianos, espanhóis, portugueses, no início do século XX.
Aos vinte anos, casou-se com Aldo Veiga. Deste casamento, que durou oito anos, teve um filho, Luís Carlos, nascido em São Paulo, em 1942.
Leitora entusiasta de Jorge Amado, Zélia Gattai conheceu-o em 1945, quando trabalharam juntos no movimento pela amnistia dos presos políticos. A união do casal deu-se poucos meses depois. A partir de então, Zélia Gattai trabalhou ao lado do marido, passando a limpo, à máquina, os seus originais e o auxiliando no processo de revisão.
Em 1946, com a eleição de Jorge Amado para a Câmara Federal, o casal mudou-se para o Rio de Janeiro, onde nasceu o filho João Jorge, em 1947. Um ano depois, com o Partido Comunista declarado ilegal, Jorge Amado perdeu o mandato, e a família teve que se exilar.
Viveram em Paris por três anos, período em que Zélia Gattai fez os cursos de civilização francesa, fonética e língua francesa na Sorbone. De 1950 a 1952, a família viveu na Checoslováquia, onde nasceu a filha Paloma. Foi neste tempo de exílio que Zélia Gattai começou a fazer fotografias, tornando-se responsável pelo registro, em imagens, de cada um dos momentos importantes da vida do escritor baiano.
Em 1963, mudou-se com a família para a casa do Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia, onde tinha um laboratório e se dedicava à fotografia, tendo lançado a fotobiografia de Jorge Amado intitulada Reportagem incompleta.
Aos 63 anos de idade, começou a escrever as suas memórias. O livro de estreia, Anarquistas, graças a Deus, ao completar vinte anos da primeira edição, já contava mais de duzentos mil exemplares vendidos no Brasil. A sua obra é composta de nove livros de memórias, três livros infantis, uma fotobiografia e um romance. Alguns de seus livros foram traduzidos para o francês, o italiano, o espanhol, o alemão e o russo.
Anarquistas, graças a Deus foi adaptado para mini-série pela Rede Globo. Censurada em 1983 acabou por ser transmitida só em 1985. Foi escrita por Walter George Durst, que adaptando o romance autobiográfico de Zélia Gattai, e dirigida por Walter Avancini.

Fonte: parte do texto foi retirado da Wikipedia



Obras:
• Anarquistas Graças a Deus, 1979 (memórias)
• Um Chapéu Para Viagem, 1982 (memórias)
• Pássaros Noturnos do Abaeté, 1983
• Senhora Dona do Baile, 1984 (memórias)
• Reportagem Incompleta, 1987 (memórias)
• Jardim de Inverno, 1988 (memórias)
• Pipistrelo das Mil Cores, 1989 (literatura infantil)
• O Segredo da Rua 18, 1991 (literatura infantil)
• Chão de Meninos, 1992 (memórias)
• Crônica de Uma Namorada, 1995 (romance)
• A Casa do Rio Vermelho, 1999 (memórias)
• Cittá di Roma, 2000 (memórias)
• Jonas e a Sereia, 2000 (literatura infantil)
• Códigos de Família, 2001
• Um Baiano Romântico e Sensual, 2002



Abertura da mini~série Anarquistas Graças a Deus




Ler o livro









Discografia da mini-série Anarquistas, Graças à Deus

• 01 - Mattinata - Mario Del Monaco
• 02 - Comme Facette Mammeta - Sergio Franchi
• 03 - Core'ngrato - Mario Lanza
• 04 - Torna A Surriento - Beniamino Gigli
• 05 - Una Furtiva Lagrima - Placido Domingo
• 06 - Santa Lucia - Tito Schipa
• 07 - Quel Mazzolin Di Fiori - Luciano Tajoli
• 08 - Musica Probita - Beniamino Gigli
• 09 - Un Amore Cosi' Grande - Mario Del Monaco
• 10 - Tarantella - Mangini Coletti
• 11 - O Sole Mio - Tito Schipa
• 12 - Serenata - Armando Sorbara
• 13 - E Lucevan La Stelle - Placido Domingo
• 14 - Nabucco: Va Pensiero... - Robert Shaw Choracle & Orchestra



Actores que participam na mini-série:

Ney Latorraca - Ernesto Gattai
Débora Duarte - Angelina Gattai
Daniele Rodrigues - Zélia Gattai
Marcos Frota - Remo
Lilian Vizzachero - Vanda
Cristiane Rando - Vera
Afonso Nigro - Mário (Tito)
Gianni Ratto - Nonno
Zenaide Pereira - Maria Negra
Bárbara Fazio - Ada





Letra de Comme Facette Mammeta - Sergio Franchi
Parte I


Quanno màmmeta t'ha fatta,
quanno màmmeta t'ha fatta...
Vuò' sapè comme facette?
vuò' sapè comme facette?...
Pè 'mpastà sti ccarne belle,
pè 'mpastà sti ccarne belle...
Tutto chello ca mettette?
tutto chello ca mettette?...
Ciento rose 'ncappucciate,
dint''a màrtula mmescate...
Latte, rose, rose e latte,
te facette 'ncopp''o fatto!...
Nun c'è bisogno 'a zingara
p'andivinà, Cuncè'...
Comme t'ha fatto màmmeta,
'o ssaccio meglio 'e te!...
Parte II
E pè fà 'sta vocca bella,
e pè fà 'sta vocca bella...
Nun servette 'a stessa dose,
nun servette 'a stessa dose...
Vuò' sapè che nce mettette?
Vuò' sapè che nce mettette?…
mo te dico tuttecosa...
mo te dico tuttecosa:
nu panaro chino, chino,
tutt''e fravule 'e ciardino...
Mèle, zuccaro e cannella:
te 'mpastaje 'sta vocca bella...
Nun c'è bisogno 'a zingara
p'andivinà, Cuncè'...
Comme t'ha fatto màmmeta,
'o ssaccio meglio 'e te...
Parte III
E pè fà sti ttrezze d'oro,
e pè fà sti ttrezze d'oro...
Mamma toja s'appezzentette,
mamma toja s'appezzentette...
Bella mia, tu qua' muneta!?
bella mia, tu qua' muneta!?
Vuò' sapè che nce servette?
vuò' sapè che nce servette?...
Na miniera sana sana,
tutta fatta a filagrana,
nce vulette pè sti ttrezze,
che, a vasà, nun ce sta prezzo!
Nun c'è bisogno 'a zingara,
p'andivinà, Cuncè'...
comme t'ha fatto màmmeta,
'o ssaccio meglio 'e te...

17.5.08

1968-2008 A beleza continua na rua



Algumas mulheres do anos 60 e do Maio de 68



Caroline de Bendern, a imagem feminina das ruas de Paris no Maio de 68



Valérie Lagrange, compositora,autora e intérprete,
participante do movimento hippie e da organização «Cantores sem fronteiras»

São dela, as seguintes palavras:
«O lucro. esse monstro insensível e cruel, está a tornar-se o valor supremo do nosso mundo. Isso está a fazer retornar a nossa dignidade à época da barbárie. É por isso que há cada vez mais miséria, injustiça e ódio pelo mundo fora.»





Zouzou, actriz, cantora, com um percurso marginal




Juliet Berto, actriz de alguns dos filmes marcantes da época, descoberta por Jean-Luc Godard






Nico, cantora e actriz, um dos ícones dos anos 60



Margeurite Duras , escritora



Monique Wittig, escritora lésbica, intelectual, co-fundadora do Movimento de Libertação das Mulheres (MLF)



Bulle Ogier, actriz anti-star e resistente ao show-bizz




Antoinette Fouque, uma das fundadoras do Movimento de Libertação das Mulheres (MLF)

Noite cigana ( com música dos Balcãs) hoje à noite no Porto ( na Chã das Eiras)



Uma noite de homenagem ao universo cigano.
As danças, o circo e as músicas ciganas em todas as suas vertentes e influências.
Viagens sonoras que passam pela Sérvia, Macedónia, Bósnia, Bulgária, Roménia, Hungria, França, Espanha e Portugal…
Uma noite para usufruir o espírito nómada e rebelde de uma cultura muitas vezes incompreendida pelas sociedades modernas.


Danças ciganas


Circo
Gato Sapato
Pedro Correia, Jorge Freitas (malabarismo, acrobacia, clown) Ferrer Leandro (guitarrra)


Música >
djzuki (balkankitch)


Eira - Espaço Comunitário de Maturação, Secagem e Desfolhagem de Ideias
Rua chã das eiras, 127 – (junto à sé)
Porto

A Economia é uma ciência que foi elaborada pelos ricos, e para os ricos!

Desde os tempos imediatamente posteriores a Adam Smith, quando a Economia começou a ser ensinada nas universidades anglo-saxónicas e francesas, que se pode afirmar que a economia começa a configurar-se como uma ciência elaborada «pelos ricos e para os ricos»

Com uma ou outra excepção, pode-se na verdade dizer que a elaboração da maior parte das teorias económicas nasceram nas universidades das elites – frequentadas pelos círculos sociais mais ricos dos países ricos – pelo que são projecções sobre as condições de vida desses mesmos meios abastados.De tal modo isto se consolidou, que na época actual, a maior parte dos textos da economia ortodoxa fazem apenas uma ligeira alusão à problemática dos mais desfavorecidos, e quando o fazem, equacionam-na como uma variável exógena ao modelo económico vigente, e ainda por cima, com uma certa dose de «compaixão», mas jamais como um facto merecedor de ser considerado como objecto de estudo por parte da Ciência Económica. Ou seja, é como se as Faculdades de Medicina não tivessem os doentes como objecto central da sua actividade de investigação.

Não é, pois, de espantar que a imprensa económica especializada, ou as secções de economia nos jornais diários ou dos canais de televisão, só ofereçam notícias sobre a Bolsa, as taxas de juros ou as fusões de empresas, muito embora tais notícias só interessem a uma minoria muito restrita da população.

Logicamente que esta projecção da Economia ortodoxa sobre os meios privilegiados não é explicada nos manuais de Economia, nem muito menos é tratada nas aulas das faculdades de economia, pelo que provavelmente nenhum estudante de Economia tenha tido alguma vez ocasião para reflectir e analisar esta autêntica distorção científica relativamente ao verdadeiro objecto de estudo da Ciência Económica.

Na sua principal obra, o grande economista Alfred Marshall considerava que o objectivo essencial da Ciência Económica era incrementar o bem-estar material da humanidade e dizia-o em 1890 com as seguintes palavras: «a Economia é o estudo dos assuntos ordinários da vida na humanidade, e analisa a parte da acção individual e colectiva que se encontra mais empenhada em conseguir alcançar os requisitos materiais do bem-estar»Não obstante a alusão à humanidade, a verdade é que as contribuições teóricas de Marshall, catedrático de Cambridge, não tomavam em consideração aquela parte da mesma humanidade que vivia na miséria material mais extrema, atitude esta a que não era estranho o facto de que a realidade económica observada por Marshall, e pelos economistas anteriores a ele, se limitar à Inglaterra, bem como à sua área de influência económica e política.

Anteriormente a Marshall, o pensamento económico dominante, encarnado pelo utilitarismo de Bentham e J. Stuart Mill, já tinha adoptado o mercado como um pilar fundamental do edifício teórico da Economia, pelo que as desigualdades sociais passaram a ser uma norma geral que a Ciência Económica se habituou a não combater.Um tal fenómeno era observado por intelectuais da época, que nada tinham a ver com o economicismo emergente, como foi o caso de Víctor Hugo, que em 1862, nos «Miseráveis», escrevia o seguinte: « Inglaterra produz admiravelmente riqueza, mas distribui-a mal; e isto leva fatalmente a estes dois extremos: opulência monstruosa e miséria monstruosa; todo o gozo para alguns e todas as privações para os demais, ou seja, para o povo.»Regressando ao nosso tempo, refira-se um artigo de Paul Krugman, publicado nos finais do ano de 2002, onde é feita uma análise das desigualdades de rendimento nos Estados Unidos, e que se estão a acentuar por todos os países ocidentais, desde a década de 70 do século XX. Para Krugman estamos a regressar à «realeza do antigo regime». Isto é, a uma plutocracia em que as crescentes fortunas de uns poucos compram vontades, financiam campanhas eleitorais e acabam por impor os seus interesses particulares nas políticas e nas decisões governamentais quer de natureza económica quer mesmo no campo político.

Acontece que, aquilo a que se refere Krugman no que toca às crescentes desigualdades, não se explica apenas pelos interesses da cada vez mais poderosa plutocracia norte-americana, mas encontra as suas raízes na forma como a Ciência Económica foi e continua a ser elaborada, principalmente nas universidades anglo-saxónicas de «prestígio», e que esquece em grande medida as camadas sociais mais carenciadas. Em suma: século e meio depois de ter sido inventada, a Economia continua a ser elaborada «pelos ricos e para os ricos»

Tradução livre do texto de Joaquín Guzmán Cuevas, professor catedrático de Economia Aplicada na Universidade de Sevilha, e autor de várias obras sobre Finanças

O texto original encontra-se no blogue do seu autor:
aqui

Em defesa do património imaterial: festival internacional dos cantos improvisados em Alcácer do Sal neste fim de semana


O Canto de Improviso está em destaque neste fim-de-semana em Alcácer do Sal, com um festival internacional do verso de improviso e um colóquio sobre o mesmo tema.


Do programa do Festival Internacional dos Cantos Improvisados pode-se ler:

A Direcção Regional de Cultura do Alentejo e o Munícipio de Alcácer do sal, preocupados com o estado actual da décima e do verso improvisado no Sul de Portugal, em particular do “Canto do Ladrão do Sado”, e no âmbito do Programa para a Salvaguarda do Património Intangível do Alentejo (PI), assumiram em conjunto a intenção de proceder à salvaguarda destas práticas poético-musicais.


Esta intenção visa não só contribuir para um melhor conhecimento destas espressões, como também desenvolver um conjunto de acções práticas que possibilitem a sua salvaguarda e promoção aos níveis local, regional, nacional e internacional. Criar uma sustentabilidade social, económica daqueles que detêm as aptidões culturais consideradas fundamentais a este programa de salvaguarda, potenciando a sua transmissão é imperativo.

Estes objectivos só poderão ser alcançados num amplo e profundo diálogo no qual os improvisadores, poetas, músicos, investigadores e outros agentes participem, procurando encontrar soluções para a continuidade destas práticas poéticas fundamentais para a permanência da diversidade cultural do Alentejo.

A diversidade e o dálogo intercultural que a décima e o verso improvisado permitem entre pessoas de diferentes regiões, diferentes países e diferentes continentes, são um exemplo profundo do diálogo de Paz que o Património Intangível da cultura dos povos pode ajudar a construir, e que a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, adoptada pela UNESCO em 2003, e já ratificada pela Assembleia da República Portuguesa, assume e reconhece.

Com o colóquio “cantos de despique”- expressão portuguesa para o verso e o canto de improviso - pretende-se abir um espaço de reflexão sobre o que é o Património Intangível e o verso improvisado, bem como discutir metodologias de inventário e estratégias de salvaguarda, dando particular atenção a um conjunto de experiências desenvolvidas no Mediterrâneo e em Portugal.

(in programa)


As noites de sexta-feira, dia 16, e sábado, dia 17 de Maio vão receber improvisadores de Itália, Espanha e Portugal que vão actuar no palco do auditório municipal da cidade, às 21h30. A iniciativa, chamada “Rede Artes da Fala” recebe o Trovo de Múrcia, de Espanha, a Oitava Rima, de Itália, Bonecos de São Bento do Cortiço, de Estremoz, Rap, de Portugal, o Cante do Baldão e Despique, de Portugal e o Ladrão do Sado, de Alcácer do Sal.

16.5.08

Dia internacional das histórias de vida (16 de Maio): um dia para celebrar a importância de compartilhar histórias de vida!


http://www.museu-da-pessoa.net/
(em Portugal)

http://www.museudapessoa.net/


Em nome da Rede Internacional de Museus da Pessoa (Brasil, Portugal, EUA e Canadá) e do Center for Digital Storytelling (EUA) foi lançado um apelo para se apoiar o Dia Internacional de Histórias de Vida, que acontece hoje, dia 16 de Maio de 2008. O dia será uma oportunidade para que pessoas de todo o mundo se encontrem em locais públicos, praças, salas de aula, teatros ou até mesmo em ambientes virtuais para compartilhar as suas histórias de vida uns com os outros.


Trata-se de um movimento internacional de pessoas e organizações que acreditam que ouvir, coleccionar e compartilhar histórias de vida, são parte de um processo crítico para a democratização da cultura e promoção da transformação social. Queremos que este dia seja especialmente dedicado à celebração e à promoção de projectos voltados à preservação das memórias e histórias de vida, que tenham provocado mudanças em bairros, comunidades e na sociedade como um todo.


Encorajamos a participação no Dia Internacional de Histórias de Vida de diversas formas, por meio da promoção ou presença em eventos, a criação de Círculos de histórias em locais públicos, escolas, casas, centros comunitários, ambientes virtuais etc.;


• Espaços abertos para performances diversas para se contarem histórias;


• Exposições de histórias de vida em locais públicos utilizando os mais diversos formatos (fotografias, textos, vídeos, áudios, etc.);


• Eventos homenageando contadores de histórias locais, mestres da cultura popular, griôs, além de organizações e projetos de memória e histórias de vida;• Promoção de eventos diversos abertos ao público que tenham como base o compartilhamento de histórias de vida;


• Reuniões virtuais simultâneas para promoção de trocas de histórias de vida;


• Difusão de histórias de vida e de documentários sobre histórias orais e temas relacionados nos mais diversos meios de comunicação: jornais, revistas, rádios, televisão etc.;


. Se você quiser apoiar esta idéia, por favor, escreva para internacional@museudapessoa.net.

O Museu da Pessoa é uma rede internacional de museus virtuais de histórias de vida, localizados no Brasil, Canadá, Portugal e EUA


A sua missão é contribuir para que a história de vida de cada pessoa seja valorizada pela sociedade.Center for Digital Storytelling


O Center for Digital Storytelling é uma organização sem fins lucrativos, que trabalha auxiliando pessoas a contarem histórias significativas de suas vidas usando medias digitais. Com sede em Berkeley, na Califórnia, desenvolve projectos e realiza pesquisas em comunidades, escolas e empresas, utilizando a metodologia e os princípios do Workshop de Histórias Digitais – Digital Storytelling.


Para conhecer as organizações e pessoas que já apoiam o Dia Internacional de Histórias de Vida, clique aqui em Endorsements. Se você tem dúvidas, comentários ou quer declarar seu apoio ao Dia Internacional de Histórias de Vida, preencha o formulário em Contact ou escreva diretamente para internacional@museudapessoa.net.




Video Promocional do Dia Internacional de Histórias de Vida

O espírito libertário de Maio de 68




Artigo de Tito Cardoso e Cunha*

Publicado na edição de 7 de Maio de 2008 do JL, Jornal das Letras, Artes e Ideias, que contém um dossier sobre os acontecimentos de Maio de 1968

http://www.bloguedeletras.blogspot.com/



Um novo espírito libertário


por Tito Cardoso e Cunha

Maio 68 foi certamente um acontecimento relevante, antes do mais para os franceses, mas foi também e sobretudo um sintoma de toda uma época e do ar do tempo que então se respirava. A francofonia era nesse tempo, particularmente entre nós, uma área cultural de grande influência e que delimitava os interesses e a atenção de sectores sociais com grande visibilidade politica e cultural.


Passados 40 anos, a francofonia não ocupa mais esse lugar, o que torna possível, hoje, reavaliar e recentrar a relevância daquilo de que Maio 68 foi sintoma. E foi sintoma sobretudo do estado de espírito de uma geração, nascida imediatamente depois da guerra e que se confrontava com uma cultura tradicionalmente patriarcal e autoritária. Nuns casos mais do que noutros. Mais entre nós, que vivíamos em ditadura, esquecido que tinha sido, pelos aliados, o ímpeto libertador anti-fascista no fim das hostilidades, em nome da nova guerra fria.

Maio 68 foi o sintoma sobretudo de um novo espírito libertário e anti autoritário que se exprimira também filosoficamente num existencialismo como o sartriano para o qual Maio representou, a nosso ver, o apogeu e simultaneamente o canto do cisne.

Com a sua filosofia libertária, decifrando a existência como um constante exercício da escolha livre do indivíduo, único responsável de si mesmo, Sartre tinha fornecido o background ideológico que iria lançar toda uma geração ao assalto das autoridades e dos seus dispositivos de obediência. Tudo o que vem a seguir, pelo menos em França, Foucault, Barthes, Levy-Strauss, Althusser, etc., já pertence a um outro mundo então nascente.

Hoje, à distância de 40 anos, torna-se no entanto claro que o sintoma Maio 68 foi apenas um elo numa cadeia mais vasta do que aquilo que o etnocentrismo francês poderia fazer crer. Maio 68 começou muito antes e muito longe dos acontecimentos parisienses. Mesmo entre nós que, não nos esqueçamos, vivíamos sob o então mais feroz e simultaneamente mais serôdio dos autoritarismos europeus, a geração do pós- -guerra já tinha iniciado a sua luta seis anos antes, na chamada crise académica de 1962, com todos os seus prolongamentos até 1968-69, em Coimbra. Aí se atingiram níveis de combatividade raramente até então conhecidos com a ocupação policial da Universidade e a greve aos exames.

A nível global não se pode esquecer o que pouco antes, em 1964, se passava na distante Califórnia, então governada pelo conservador Ronald Regan. Aquele que ficou conhecido como Free Speech Movement, desencadeou na sua Universidade, em Berkeley, uma luta pela liberdade de expressão contra o autoritarismo universitário conservador que deixou marcas e teve repercussões em quase todo o mundo estudantil da época. A guerra do Vietnam, então no auge, viria a ser, também na Europa, o leit motiv de todas as reivindicações anti-autoritárias. Era igualmente na Califórnia, bem perto de Berkeley, na cidade de San Francisco, contemporaneamente a Maio 68, que florescia o movimento hippy, na esteira e no lugar de eleição da sua antecedente beat generation.

Mesmo na Europa, Paris não foi o único centro da batalha. Na Alemanha as universidades também se mobilizavam contra os autoritarismos, nomeadamente em torno do emblemático Rudi Dutschke e fazendo circular entre fronteiras personalidades igualmente emblemáticas, como Sartre ou Cohn-Bendit. Sem esquecer, naturalmente, outros nomes de referência como um Herbert Marcuse, este fazendo a ponte entre a Califórnia e a Alemanha, passando pelo resto da Europa.

Foi da Alemanha que saiu também uma das consequências mais gravosas de todo esse movimento geracional, sob a forma militarizada da Rote Armee Fraktion (RAF). Não único, aliás, porque contemporâneas são ainda as Brigate Rosse italianas, se não mesmo a ETA basca, na sua fase anti-franquista.

Uma referência caberá também aos Weather Underground que nesse terreno privilegiado da Califórnia então representaram uma vontade mais violenta de afrontar o establishment e que ainda hoje alguns dissabores causam, ao que parece, à candidatura do senador Barak Obama.
Outros casos houve na Europa, no mesmo ano de 1968, de que pouco se fala, mas cujas consequências ainda hoje persistem e estão activas. É o caso da Bélgica, onde a crise académica de 68, em torno da Universidade de Lovaina, tomou contornos de início semelhantes a todo o restante movimento geracional mas, com o andar dos tempos, inscreveu-se na main stream politics ao ponto de poder ser hoje vista como um momento chave na história da reivindicação nacional(ista) flamenga.

Nessa época, outros fenómenos mais longínquos não deixavam de ter algum eco no espírito combativo e reivindicativo do(s) movimento(s). Era o caso do que se passava, por exemplo, em África com as lutas anti-coloniais, na América Latina com o guevarismo e até no mais que longínquo Império do Meio com a celebrada Grande Revolução Cultural Proletária, então percebida como uma manifestação de anti-autoritarismo em que a juventude rebelde partia ao assalto do quartel general, na florida linguagem dos «guardas vermelhos», guiados pela estátua impávida do Grande Timoneiro.

Tudo isto de certo modo estava presente e se confundia no Paris de Maio 68, bem como em todos os outros campos da batalha anti-autoritária que então percorria o mundo e muito especialmente, se não mesmo exclusivamente, os campus universitários.

Tudo era também sintoma de uma mutação fundamental no campo político da esquerda saído da II Guerra Mundial, pelo menos no que diz respeito ao espaço europeu. De uma esquerda hegemonizada pelos partidos comunistas no imediato pós-guerra, a baby boom generation iria, nos anos 60, fragmentar esse espaço politico sobretudo sob influência de um certo espírito libertário. No então chamado Bloco de Leste, o acontecimento mais emblemático foi certamente Praga 68, que só veio reforçar ainda mais a referida fragmentação politica à esquerda.

A prevalência da atitude crítica não era apenas no campo politico que se fazia sentir. Também culturalmente as correntes libertárias fortemente se manifestavam. O então chamado Internacional Situacionismo, com Guy Debord como figura carismática, teve uma influência relevante no espírito de Maio e mesmo entre nós também.

Os mais célebres slogans que Paris consagrou, como por exemplo «É proibido proibir!» ou «Sejam realistas, peçam o impossível!», reflectiam de algum modo um estado de espírito que abarcava domínios do quotidiano, não propriamente políticos no sentido estreito do termo, como sejam a famosa «revolução sexual», civilizacionalmente permitida e induzida pela descoberta e generalização dos meios contraceptivos e o surgimento dos feminismos, americanos e europeus, onde a figura de Simone de Beauvoir, muito apoiada no pensamento sartriano, desempenhou um papel de relevo com o seu célebre Deuxième Sexe.

Sendo os campus universitários, na Europa como nos Estados Unidos, um terreno privilegiado para toda essa agitação que percorre os anos 60, a própria instituição universitária se posicionava como alvo central da inquietação estudantil, bem como da sua atitude crítica. A organização interna das academias, estruturada em torno do chamado mandarinato, sofreu um inevitável abanão. Nada, no entanto, que não lhe tenha sido permitido recuperar posteriormente, até por via dos mais jovens lobos que a vieram a integrar.

Aliás, de alguma pertinência é hoje a pergunta inevitável sobre o que dos anos 60 vai restando. Poderá haver quem se lamente do afastamento da juventude relativamente a um certo empenhamento social e politico que então era proverbial. Nada disso poderá ser motivo de espanto. Cada geração só pode recordar e de algum modo integrar o que constitui a sua experiência vivida. E as vivências são sempre diferentes de geração para geração. O que para uns foi profundamente existencial para outros é apenas História e as duas coisas não são o mesmo.

Algumas diferenças existenciais são profundamente marcantes. Os que nos anos 60 eram jovens e frequentavam as universidades (muito antes da explosão demográfica que mais tarde teve lugar, particularmente entre nós) sabiam que nenhuma incerteza de fundo lhes toldava o horizonte. É claro que corriam riscos. No caso português, a prisão fora de qualquer protecção legal séria, as incertezas do exílio ou a guerra colonial que já então se percebia estar condenada ao desastre, eram ameaças muito reais. Mas, de uma maneira geral, o jovem universitário sabia que mais cedo ou mais tarde, com as suas qualificações, a vida lhe asseguraria uma estabilidade reconfortante e muito provavelmente no domínio de actividade da sua eleição.

Bem diferente será a situação actual. Para os jovens de hoje a liberdade é já de tal modo adquirida que nenhuma resistência se lhe opõe. O problema deixou de ser esse, em qualquer das formulações que nos anos 60 ele tinha, político, artístico, sexual ou outro. Em contrapartida, o horizonte é que se fechou. Em liberdade mas sem perspectivas numa vida condenada à precariedade, ao provisório, à instabilidade em contraste com os seus maiores que, porventura sem liberdade, tinham mesmo assim como horizonte a perspectiva securizante de um destino que eles próprios poderiam construir. É isso que hoje falha. A ansiedade, não pela falta de liberdade, mas pela falta de futuro, que era o que antes abundava, terá necessariamente consequências gravosas em termos políticos e até civilizacionais. Quais elas venham a ser, ignoramos. Mas podemos vir a esperar o pior.

Um outro aspecto faz divergir radicalmente a situação actual do que então se experimentava no quotidiano. Em 1968 ainda eram os jornais o principal meio de comunicação social. Os movimentos estudantis exprimiam-se sobretudo através da escrita, se bem que a rádio tivesse tido algum papel no caso parisiense. Mas a rádio era então um meio de comunicação de controle sobretudo governamental e a televisão, se bem que já existisse, não tinha ainda a proeminência que veio a ter. Pode-se imaginar o que teria sido todo esse movimento sob o império do lixo televisivo tal como hoje a conhecemos: um imenso reality show maximamente espectacularizado.

Quando se tenta hoje em dia interrogar o alheamento da juventude, dever-se-ia também ter em mente esse império televisual que quotidianamente manieta os espíritos. Se, como diz Niklas Luhman, «o que sabemos acerca da nossa sociedade , ou mesmo o mundo em que vivemos, sabemo-lo através dos meios de comunicação de massa»1 (mormente da televisão, poder-se-ia acrescentar), compreende-se que a mentalidade reinante seja feita de alheamento e fait divers, porque é esse o enquadramento do real que tais meios nos comunicam. l

*Prof. da Un. de Coimbra, Nova Lisboa e actualmente da Beira Interior. Doutorado em Lovaina com a tese "Estrutura e Existência"

Notas: (1)Niklas Luhman, The Reality of The Mass Media. Stanford University Press, 2000.

Para Einstein a religião é um «produto da debilidade humana» e a biblía não era mais que uma recolha de «lendas infantis»

Numa carta até agora pouco conhecida, Albert Einstein, o célebre cientista que foi autor da teoria da relatividade, confessa que para ele a religião se baseia em lendas «bastante infantis» e que é um «produto da debilidade humana». A carta tem data de 3 de Janeiro de1954 e está escrita em alemão, uma vez que é dirigida ao filósofo Eric Gutkind.

Com pais judeus, Einstein foi educado, no entanto, num colégio católico onde tinha aulas particulares sobre a religião judaica. Durante a infância, Einstein levava a sério as suas obrigações religiosas, que começou a questionar quando cumpriu os seus 12 anos, idade a partir da qual questiona o judaísmo e rejeita a pretensa superioridade do povo judeu que o judaísmo pregava.

Einstein escreveu ainda: «Para mim, a religião judaica, como as outras religiões, é uma incarnação das superstições mais infantis», e acrescenta, «o povo judeu, que gosto de pertencer e com quem tenho uma profunda afinidade, não tem nenhuma outra qualidade que não tenham os outros povos. Pelo que a minha experiência me diz, não são melhores que os outros grupos humanos, apesar de estarem protegidos dos piores males em resultado da sua falta de poder. Além disso, não vejo neles não vestígio de serem o povo eleito.»

A carta foi escrita pouco mais de uma ano antes da sua morte.


Informação recolhida do jornal The Guardian:
aqui

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Reprodução integral do artigo original publicado no The Guardian:

Childish superstition: Einstein's letter makes view of religion relatively clear

Science without religion is lame, religion without science is blind." So said Albert Einstein, and his famous aphorism has been the source of endless debate between believers and non-believers wanting to claim the greatest scientist of the 20th century as their own.

A little known letter written by him, however, may help to settle the argument - or at least provoke further controversy about his views.

Due to be auctioned this week in London after being in a private collection for more than 50 years, the document leaves no doubt that the theoretical physicist was no supporter of religious beliefs, which he regarded as "childish superstitions".

Einstein penned the letter on January 3 1954 to the philosopher Eric Gutkind who had sent him a copy of his book Choose Life: The Biblical Call to Revolt. The letter went on public sale a year later and has remained in private hands ever since.

In the letter, he states: "The word god is for me nothing more than the expression and product of human weaknesses, the Bible a collection of honourable, but still primitive legends which are nevertheless pretty childish. No interpretation no matter how subtle can (for me) change this."

Einstein, who was Jewish and who declined an offer to be the state of Israel's second president, also rejected the idea that the Jews are God's favoured people.

"For me the Jewish religion like all others is an incarnation of the most childish superstitions. And the Jewish people to whom I gladly belong and with whose mentality I have a deep affinity have no different quality for me than all other people. As far as my experience goes, they are no better than other human groups, although they are protected from the worst cancers by a lack of power. Otherwise I cannot see anything 'chosen' about them."

The letter will go on sale at Bloomsbury Auctions in Mayfair on Thursday and is expected to fetch up to £8,000. The handwritten piece, in German, is not listed in the source material of the most authoritative academic text on the subject, Max Jammer's book Einstein and Religion.

One of the country's leading experts on the scientist, John Brooke of Oxford University, admitted he had not heard of it.

Einstein is best known for his theories of relativity and for the famous E=mc2 equation that describes the equivalence of mass and energy, but his thoughts on religion have long attracted conjecture.

His parents were not religious but he attended a Catholic primary school and at the same time received private tuition in Judaism. This prompted what he later called, his "religious paradise of youth", during which he observed religious rules such as not eating pork. This did not last long though and by 12 he was questioning the truth of many biblical stories.

"The consequence was a positively fanatic [orgy of] freethinking coupled with the impression that youth is being deceived by the state through lies; it was a crushing impression," he later wrote.

In his later years he referred to a "cosmic religious feeling" that permeated and sustained his scientific work. In 1954, a year before his death, he spoke of wishing to "experience the universe as a single cosmic whole". He was also fond of using religious flourishes, in 1926 declaring that "He [God] does not throw dice" when referring to randomness thrown up by quantum theory.

His position on God has been widely misrepresented by people on both sides of the atheism/religion divide but he always resisted easy stereotyping on the subject.

"Like other great scientists he does not fit the boxes in which popular polemicists like to pigeonhole him," said Brooke. "It is clear for example that he had respect for the religious values enshrined within Judaic and Christian traditions ... but what he understood by religion was something far more subtle than what is usually meant by the word in popular discussion."
Despite his categorical rejection of conventional religion, Brooke said that Einstein became angry when his views were appropriated by evangelists for atheism. He was offended by their lack of humility and once wrote. "The eternal mystery of the world is its comprehensibility."

15.5.08

«A medida de política educativa de maior impacto seria a extinção do Ministério da Educação.» (José Pacheco, principal mentor da Escola da Ponte)

Entrevista retirada do site Educare: aqui

Foi o principal mentor do projecto da Escola da Ponte. Com a chegada da aposentação, decidiu abraçar novos desafios, mas desta vez do outro lado do Atlântico. Conversa com José Pacheco, a partir do Brasil.


José Pacheco foi professor do 1.º ciclo, ou do ensino primário como gosta provocatoriamente de afirmar, docente na Escola Superior de Educação do Porto e membro do Conselho Nacional de Educação.

Mas José Pacheco é também reconhecido com o principal responsável pelo nascimento do projecto da Escola da Ponte, em Vila das Aves, considerado uma referência a nível nacional e internacional. Uma escola que assenta num modelo de ensino inovador, onde não há turmas, nem anos, e onde cada criança aprende ao seu próprio ritmo.

Actualmente, José Pacheco já não se encontra na Escola da Ponte. Com a chegada da aposentação, decidiu abraçar outros desafios e afastar-se da Ponte para que, como explica nesta entrevista, o projecto possa seguir o seu caminho. É no Brasil que se encontra actualmente, vivendo, como sublinha, "em permanente conspiração".

EDUCARE: Antes de mais, e para quem ainda não o conhece, como é que se definiria? Como um professor de 1.º ciclo, um mestre em Ciências da Educação ou como um eterno aprendiz de utopias?

José Pacheco: Creio que serei um eterno aprendiz.

E: É o fundador do projecto da Escola da Ponte. Passados mais de 30 anos, como avalia esta experiência?

JP: Que me seja perdoada uma breve referência autobiográfica: troquei a carreira de engenheiro pela de professor, quando me apercebi de que seria possível resgatar a missão da escola e dar a todos condições de sucesso escolar e pessoal. Não estava equivocado, pois tive o privilégio de encontrar uma escola chamada Ponte. Mas um projecto não tem "fundador", qualquer projecto humano resulta de um esforço colectivo. Eu apenas tive o mérito de desacomodar alguns professores. Depois, foi uma questão de tempo, de muito estudo, do reforço do colectivo, de mudanças prudentes e de muita frustração e resistência. Melhor dizendo: de resiliência, que é a sina de todos os que, nascendo neste país, ousam perturbar a mediocridade reinante.

Na Ponte, nunca fomos adeptos de copiar teorias. Sofremos influências teóricas, mas testámo-las na prática. Os projectos estão sempre em fase instituinte e as rupturas (responsáveis!) acontecem sem cessar. Trinta anos foi apenas um tempo de começar. Talvez daqui a mais trinta possamos "avaliar a experiência".

E: Sente-se responsável por um legado único ao nível do ensino em Portugal e até além-fronteiras?

JP: Sinto-me colectivamente responsável. E, quanto mais longe estou da Ponte, à medida que o distanciamento crítico me permite observar mais atentamente o projecto, mais me convenço de que a Ponte inaugurou um novo tempo na história da educação. Não há presunção no que afirmo: a Ponte logrou operar uma ruptura total com o modelo dito "tradicional", com excelentes resultados.

Mas ainda tem muito caminho pela frente. Os professores que integram a nova equipa herdaram uma grande responsabilidade. Aquilo que, lenta e pacientemente, foi construído carece de uma síntese fundadora de novos passos e da criação de redes de colaboração com outras escolas onde a mudança, lenta e discretamente, já vai acontecendo.

E: Apesar do mérito reconhecido da Escola da Ponte, poucas foram as escolas que se atreveram a seguir um percurso semelhante. Falta de condições, medo de inovar ou a velha resistência à mudança?

JP: Poderei discordar? Não serão poucas as escolas que mudaram inspiradas na Ponte. Serão poucas no nosso país, mas esse facto não me surpreende. Nós sabemos que ninguém é profeta na sua terra.

Conheço muitos professores que se interrogam sobre o (sem) sentido da escola. E que, mais do que interrogar, agem. É bom que sintam receio e que ajam com prudência. Nos tempos que correm, escasseiam os educadores e sobram os detractores.

Acompanho o trabalho de muitos professores envolvidos em projectos de mudança, inevitavelmente diferentes do projecto da Ponte, mas que partilham da mesma intenção: transformar as escolas em espaços de fazer dos jovens seres mais sábios e pessoas mais felizes.

Não acredito em modelos, muito menos acredito na clonagem de projectos. Acredito nos professores que vão construindo alternativas a uma escola obsoleta, geradora de insucesso e infelicidade.

Cada ser humano é único e irrepetível e o mesmo acontece com as escolas. Nenhuma deverá seguir os caminhos da Ponte.

E: E que mensagem deixa para as vozes críticas ou dissidentes em relação ao projecto da Ponte?

JP: Que continuem a criticar. Mas que o façam com conhecimento de causa. As críticas, desde que construtivas e fundamentadas, são muito úteis para a correcção das rotas. Infelizmente, muitas das críticas provêm das mesmas pessoas que criticam "novos métodos" sem fazerem a mínima ideia do que sejam esses "novos métodos".

Juntam à crítica do "eduquês" (aberração que eu também critico) um ódio primário a tudo o que possa constituir inovação. Não conseguem entender que o seu discurso favorece a manutenção de práticas caducas, responsáveis pelo caos em que o sistema está imerso. Talvez creiam que, para ser professor, basta ter formação técnica, científica. Não basta! Se os "críticos" investissem algum tempo no estudo das (desdenhadas) ciências da educação, talvez tomassem consciência dos disparates que publicam.

Quando findar o tempo das críticas ignorantes e dos debates estéreis, que essas pessoas alimentam (sobretudo na Internet) não será tarde para mudar de rumo, mas muitas gerações terão sido sacrificadas a um ensino sem sentido, gerador de insucesso nos alunos e de sofrimento nos professores
.

E: Já se encontra há algum tempo no Brasil. Como surgiu esta experiência no outro lado do Atlântico? Que trabalhos/experiências está a desenvolver? A receptividade dos professores/educadores brasileiros tem sido positiva?

JP: Talvez porque, como diria o Pessoa, a língua portuguesa seja a nossa pátria, a receptividade às inovações produzidas na Ponte foi significativa no Brasil. Não é necessário traduzir...

O que mais me atrai no Brasil é o desafio. Encontrei escolas em tudo idênticas às europeias: com grandes recursos, mas acomodadas. E, em escolas sem um mínimo de condições, encontrei professores que não aderem a "modismos" e que, apesar do baixo salário e das precárias condições de trabalho, não desistem de se melhorar e de melhorar as suas escolas.

Há cerca de dois anos, senti que teria chegado o momento de permitir que a Ponte seguisse o seu caminho sem a minha presença. E o Brasil talvez tenha sido um pretexto (inconsciente...) para me afastar (fisicamente) da Ponte e permitir que outros professores tomassem nas suas mãos a condução do projecto. Sem a interferência de um velho que tem sempre razão...

E: O caso do telemóvel que envolveu uma aluna e uma professora da Escola Secundária Carolina Michaëlis, trouxe para a ribalta o problema da indisciplina e da violência nas escolas. Concorda com o desfecho final do caso (com a transferência dos dois alunos envolvidos para outra escola)?

JP: Se eu escrevo por tudo e por nada, por que razão ainda não terei escrito uma linha sequer sobre esse incidente? Porque já escrevi, há vinte, há trinta anos. Aquilo que aconteceu nessa escola é a ponta de um icebergue, o lado visível de um drama mais profundo. Lamento o sucedido e lamento o desfecho. A transferência dos dois alunos nada resolve.

E: Como explica o número crescente de casos de indisciplina e violência nas salas de aula? A escola pode ser um espelho da sociedade?

JP: A indisciplina é a filha dilecta do autoritarismo e da permissividade. A violência vivida em muitas salas de aula é mais um sintoma da degradação da instituição escola. A autoridade está ausente e os professores parecem candidatos a martírios. Parecem não compreender a permeabilidade da escola aos problemas sociais e o sem-sentido de uma escola que os reproduz e agudiza. Parafraseando o Eça, muitas escolas são sítios mal frequentados, onde a educação está ausente e a instrução já raramente acontece.

E: A avaliação dos professores tem estado no centro de grande contestação e polémica. Concorda com o modelo proposto pelo Ministério da Educação?

JP: Não quero fazer coro com a maioria, mas só poderei estar em desacordo.
Não me alongarei na resposta, nem exporei o ridículo da proposta. Direi somente que, também na Ponte, a "avaliação" proposta pelo ME não faz sentido. É nefasta uma avaliação que hierarquiza e divide (ainda mais) os professores.

E: E com a política educativa do actual executivo?

JP: Existirá uma "política educativa"? Incomoda-me ver pessoas que, no passado, considerava decentes, envolvidas agora numa tragicomédia sem fim. No (des)governo da educação, decepcionam-me. Sinto náuseas, quando os vejo proteger políticos que muito têm prejudicado a Ponte, só porque são barões locais do seu partido.

Sobrevivi a dezenas de ministérios e mantenho o que disse, há mais de vinte anos, porque o tempo me deu razão: a medida de política educativa de maior impacto seria a extinção do Ministério da Educação. As escolas passariam bem sem esse monstro burocrático e de cara manutenção.

E: Que balanço faz do seu percurso até ao momento actual? Que memórias ficam passados estes anos todos?

JP: Vou definindo grandes metas e dando pequenos passos, solidariamente acompanhando outros conspiradores. Na educação, está tudo por fazer. Não sobra tempo para viver de memórias.

E: Por último, e para terminar, tem planos para um futuro próximo? Ainda tem muitas metas para alcançar?

JP: Estou aposentado, mas não inactivo, não inútil. Vivo em permanente "conspiração" e, nos tempos mais próximos, envolver-me-ei em mais um projecto. Ajudarei alguns educadores a fundar aquilo a que, freirianamente, se pode chamar uma "cidade educativa".

Um dia, darei notícia do que vier a acontecer...



Todos à Horta do Palácio de Cristal ( dia 17 às 10h.)

O núcleo do Porto do Gaia convida tod@s @s que partilhem do gosto pela terra e tod@s @s conhecedor@s desta arte a participar no projecto de criação de uma horta comunitária no recinto do Palácio de Cristal


Objectivos:

Criar uma Horta Comunitária;

conhecer e darmo-nos a conhecer à horta;

cruzar experiências; mexer na terra;

plantar sorrisos; cultivar amizades…




Aprender

- a identificar as plantas existentes e suas potencialidades;

- possíveis coexistências das plantas e relações entre as plantas e os astros;

- a potenciar as possibilidades de interacção do ser humano com a Terra.


Partilhar

- conhecimento, experiências, vivências, sonhos e vontades;

- projectos com o objectivo de participar na construção da sociedade.


É importante que os interessados em cultivar a horta comunitária apareçam no próximo sábado, dia 17 de Maio, a partir das 10h, na Horta do Palácio de Cristal para, juntos, definirmos estratégias!

Sessão de esclarecimento sobre Transgénicos (17 de Maio às 21h30 na Casa-Viva)

Clicar por cima da imagem para ampliar e ler em detalhe

Movimento Social e Intervenção Libertária no Brasil de hoje( sessões de informação e debate no Terra Viva, dias 16 e 22)

SEXTA FEIRA, 16 de Maio 21.30 h.

A realidade social e as desigualdades sociais no Brasil –paralelos Brasil - Portugal : Movim.d@s Sem-tecto e ocupações urbanas no Rio de Janeiro, o MTD-Movim.Trabalhadores Desempregados, o “Centro de Cultura Social” de Vila Isabel, o papel d@s anarquistas organizados da FARJ (Federação Anarquista do Rio de Janeiro) nas lutas populares
(Relato de uma visita recente)


QUINTA-FEIRA, 22 de Maio 21.00 h.

ECOLOGIA E SOCIEDADE - Trabalhadores sem-terra e agricultores contra a eucaliptização e a monocultura industrial de cana de açúcar
(documentário de uma jornada de luta e resistência à repressão -em Março último,no Rio de Janeiro )

- A “Frente Agro-Ecológica”e o projecto “Germinal” da FARJ nas ocupações urbanas d@s sem tecto – projectos e actividades


organização:

CESL-CÍRCULO DE ESTUDOS SOCIAIS LIBERTÁRIOS/ TERRA VIVA!AES –Porto

TERRA VIVA: Rua dos Caldeireiros,213 Porto (à Cordoaria)

http://terraviva.weblog.com.pt/

Manifestação em Santiago de Compostela a favor da língua galaico-portuguesa (dia 18): pelo direito a viver em galego na Galiza

A Nossa Língua é Internacional


O 18 de Maio será uma data histórica


A Associação Galega da Língua (AGAL), por ocasião do
Dia das Letras, vai realizar uma manifestação no próximo dia 18 de Maio pelas 12h em Santiago de Compostela e cujo objectivo é a defesa dos direitos linguísticos individuais e colectivos dos falantes do galego, defesa que passa pelo reconhecimento do galego como parte integrante da lusofonia, ao mesmo tempo que se pretende denunciar as políticas de normalização linguística desenvolvidas pelo Estado espanhol a favor do castelhano.

Apesar do processo autonómico e político que levou a uma espécie de oficialização da língua galega, a verdade é que o modelo linguístico que é imposto nas escolas e na comunicação social é o castelhano, passando os mais jovens a considerar o português como uma língua estrangeira. Os dados estatísticos indicam que "90 por cento dos galegos, com mais de 65 anos, falam português da Galiza, mas essa percentagem é muito reduzida entre os que têm menos de 20 anos".

Ora o galaico-português nasceu, e manteve-se ao longo dos séculos, desde o século IX, como a língua falada no Norte de Portugal e a Galiza, entre as cidades do Porto e Santiago de Compostela.

Por isso foi lançada a convocatória para todos os cidadãos, mesmo para aqueles que não falam habitualmente o galego, a manifestarem-se no dia 18 de Maio, a fim de reivindicar o uso do galego, como único idioma natural de Galiza.

A manifestação percorrerá as ruas de Santiago de Compostela sob o lema «Polo dereito a vivirmos en galego»


MANIFESTO «A NOSSA LÌNGUA É INTERNACIONAL»

A Associação Galega da Língua (AGAL) lançou entretanto um Manifesto sob o título «A nossa língua é internacional» que pode ser subscrita por todos os interessado aderentes em todo o mundo, e cujo conteúdo é o seguinte:

1.- Denunciar as políticas de substituiçom lingüística que levaai decorrermos sofrendo durante os últimos 25 anos, disfarçadas de falsa normalizaçom lingüística.

2.- Exigir o reconhecimento da condiçom internacional da nossa Língua, que com a variedade própria das línguas internacionais é falada por centos de milhões de pessoas no mundo, quer como língua nativa, como é o caso dos galegos, quer como língua oficial de oito Estados, ou como língua cada vez mais estudada em todo o mundo polas vantagens das línguas internacionais.

3.- Denunciar as autoridades e administrações públicas que, em vez de garantirem os direitos lingüísticos e democráticos do Povo galego, discriminam e perseguem aqueles que nom aceitam a deriva de substituiçom lingüística e dialectizaçom castelhanizadora do Galego que o torna desnecessário no seu próprio país.

4.- Apoiar a iniciativa aprovada no Parlamento por unanimidade reclamando a recepçom das rádios e televisões portuguesas na Galiza, que pedimos que se efective desde já e que nom fique numha simples declaraçom sem vontade real de a levar a cabo.

5.- Denunciar também os grupos extremistas que, protegidos por certos sectores políticos, atacam o direito e a liberdade de vivermos na Galiza em galego.

6.- Finalmente, apelamos a toda a sociedade para exigir umha mudança das políticas que tornam a Língua desnecessária e dialectal, como forma de impor o uso do castelhano, por políticas que garantam os nossos direitos lingüísticos individuais e colectivos, assegurando que o Galego continue a ser a língua própria dos galegos e galegas, e umha língua extensa e útil.


Para assinar o Manifesto:
http://www.agal-gz.org/manifesto08/index.php




Para mais informações, consultar:


http://www.agal-gz.org/

http://mdl-galiza.org/index.php

http://www.amesanl.org/noticias/index.asp


http://www.agal-gz.org/blogues/index.php?blog=27

http://galego.org/contidos.html

http://www.causaencantada.org/

http://afoucedeouro.blogspot.com/


Existe já uma rede de blogues em defesa da língua galaico-portuguesa:

http://www.bloguespolalingua.org/







Festivais de teatro universitário em Lisboa (FATAL) e no Porto (INPUT08) decorrem neste mês de Maio


FATAL – Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa ( 5 a 31 de Maio)


O FATAL tem por missão promover e divulgar o Teatro Universitário português, garantindo-lhe um lugar de honra na vida cultural portuguesa e destacando Lisboa na rota dos grandes festivais europeus de teatro universitário.
O Teatro Universitário, desenvolvido no âmbito das instituições de Ensino Superior, é, sem dúvida, uma das actividades extracurriculares estudantis de maior significado sócio-cultural e histórico no meio académico português. Não só pela sua notável qualidade e tradição histórica, mas igualmente pelo alto nível de adesão dos estudantes (actores e espectadores) e surpreendente longevidade dos grupos de teatro, alguns com idade muito perto do meio século.
Sendo, claramente, o ex-libris da vida cultural universitária e um expoente artístico da formação humanista como o testemunham os percursos biográficos das mais diversas figuras de proeminência histórica, política e cultural do nosso país, a Universidade de Lisboa tomou a iniciativa de criar, em 1999, uma mostra do teatro académico e integrá-la nos circuitos regulares da vida cultural lisboeta.



PROGRAMAÇÂO


-Apresentação Pública

-13 Noites 13 Peças

-Tertúlias

-Performances

-Conferências

-Workshops

-Masterclasses

-Instalações Urbanas

-Cerimónia de Entrega de Prémios

-Festa FATAL (encerramento do festival)



Vindos de faculdades do Minho, do Porto, de Aveiro, de Coimbra, da Covilhã de Lisboa e de Évora, o Festival conta com 29 grupos de teatro universitário que chegam à capital alfacinha de vários pontos do país e de duas cidades espanholas, Sevilha e Vigo.


Encenadores como Gonçalo Amorim, Pedro Penim, Diogo Bento, Susana Vidal, Pedro Wilson e Ávila Costa estão por trás do palco do FATAL 2008, um verdadeiro laboratório da dramaturgia!

No total, são 21 as peças de grupos de teatro universitário que o FATAL 2008 exibe, de 5 a 31 de Maio: 16 grupos estreiam o seu trabalho no Teatro da Politécnica e 5 utilizam espaços alternativos, entre as suas faculdades e a Casa Conveniente. Os grupos de teatro universitário e de dança prepararam ainda 12 performances que vão animar as ruas e os bares do Bairro Alto.

Para além do teatro dentro de portas, as performances, momentos em que os grupos de teatro e de dança universitários dão asas à sua criatividade, vão dar vida às ruas de Lisboa, e em particular ao Bairro Alto, ao longo de todo o mês de Maio, com 12 espectáculos e 19 exibições.

O FATAL reserva ainda para este ano duas estreias nacionais absolutas: a Revista Fatal, Publicação Anual de Teatro Universitário, que será lançada a 5 de Maio, dia da Apresentação Pública do festival, e o concerto do Coro da Universidade de Lisboa Missa Tiburtina, de Gilles Swayne, na Igreja de São Domingos, no Rossio, nos dias 23 e 30 de Maio.

2 workshops, de Fotografia e Crítica de Teatro, a conferência-debate sobre Teatro e Direito a 7 de Maio na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e as 2 instalações que vão decorar Lisboa ao ar livre, Lx Tek e Zigurate, completam a programação do FATAL 2008, que encerra este ano no Cabaret Maxime com uma Festa e a Entrega dos Prémios FATAL: o Prémio FATAL, o Prémio FATAL – Cidade de Lisboa e o Prémio FATAL do Público, em colaboração com o jornal O Público.

Links úteis:
http://www.fatal2008.ul.pt/

http://www.fatal.ul.pt/

http://fatalnosbastidores.blogs.sapo.pt/





INPUT'08
2º Festival de Teatro Académico da U. do Porto

15 a 25 de Maio
Local: Teatro do Campo Alegre


Programa

Quinta, 15 de Maio
21h30, no Teatro Universitário do Porto
"O Sonho de Uma Noite de Verão"
de William Shakespeare, pelo TUP (UP)

Sábado, 17 de Maio
21h30, no Teatro do Campo Alegre
"A Corda (O Crime Perfeito)"
de Michel Simeão, pelo GTUL (ULusíada)

Domingo, 18 de Maio
21h30, no Teatro do Campo Alegre
"Conflitos"
de Pedro Mendes, pelo GATUÉ (UÉvora)

Terça, 20 de Maio
21h30, no Teatro do Campo Alegre
"Quinto Império"
a partir de Fernando Pessoa, pelo Direito á Cena (FDUP)

Quarta, 21 de Maio
21h30, no Teatro do Campo Alegre
"Última Hora"
de Lara Morgado, pelo X-Acto (FPCEUP)

Quinta, 22 de Maio
21h30, no Teatro do Campo Alegre
"Seis Mulheres Sob Escuta"
de Jaime Rocha, pelo Máscara Solta (FLUP)

Sexta, 23 de Maio
21h30, no Teatro do Campo Alegre
"Falhar"
a partir de Samuel Beckett, pelo S.O.T.A.O (ICBAS)

Sábado, 24 de Maio
21h30, no Teatro do Campo Alegre
"Posso Avançar? Pergunta o Cavalo"
direcção de Cecília Gomez, pelo Teatr'UBI (UBeira Interior)

Domingo, 25 de Maio
21h30, no Teatro do Campo Alegre
"Choque Frontal entre um Automóvel e um Carro"
de A. Branco, pelo Fc-Acto (FC ULisboa)


Teatro do Campo Alegre
Rua das Estrelas, s/n
(+351)226063000
bilheteira@tca-porto.pt

Preçário
4 euros - público em geral
2 euros - estudantes e comunidade UPorto

http://www.input08.blogspot.com/

Encontro Hortas Vivas a 16 e 17 de Maio em Odemira


No âmbito do Projecto Re.Ci.Pro.Co. ( ver abaixo) desenvolvido com as escolas do Concelho de Odemira e do encontro da Rede Nacional do Re.Ci.Pro.Co . vai realizar-se o encontro Hortas Vivas que se desenvolverá em quatro vertentes:, uma exposição, um espaço lúdico, um seminário e a reunião da Rede Nacional do Re.Ci.Pro.Co. com as actividades constantes no programa.


Hortas Vivas em Odemira

Relações de Cidadania entre Produtores e Consumidores (Re.Ci.Pro.Co.)


16 e 17 de Maio
Zona Ribeirinha – Odemira





Programa


Dia 16 – sexta-feira


10h – Abertura da exposição


10.30h – Encontro Re.Ci.Pro.Co., Odemira
Abertura



11.30h – De um cabaz da Horta e de uma Relação de Cidadania entre Produtores e Consumidores – Hélder Guerreiro


12.00h – Experiência Francesa – AMAP (Toulouse)


13.00h R11; Pausa para almoço


14.30h – Experiência da ADDLAP/Criar Raízes (S. Pedro Do Sul)


15.00h R11; Experiência da ADREPES / Prove (Palmela/Sesimbra)


Em paralelo
14.30h – 16.00h
Mesa Redonda 1- Troca de experiências entre o grupo de produtores, dinamizado por Rosário Oliveira (Universidade de Évora)



Mesa Redonda 2 – Troca de experiências entre o grupo de consumidores dinamizado por Patrícia Rego (Universidade de Évora)


16.00h – Pausa para Café (com produtos tradicionais)


16.30h – Apresentação das conclusões pelo grupo de agricultores, consumidores e comentador


17.30h – Debate


Dia 17 – Sábado


10.00h – Reunião, Rede Nacional Re.Ci.Pro.Co.


14.30h – Sessão de sensibilização – Alimentação responsável


16.00h – Apresentação do trabalho da associação Colher para Semear


17.30h – Actuação do grupo etnográfico: Gentes do alto Mira



Nos dois dias:


Mostra de Produtos dos territórios da Rede Nacional Re.Ci.Pro.Co (TAIPA, Crl, ADREPES, ADDLAP)


Exposição sobre o trabalho desenvolvido pela Associação Colher para Semear no Concelho de Odemira (levantamento de Sementes)


Mostra dos trabalhos desenvolvidos pelas entidades locais envolvidas no projecto "Há vida na Horta":
. Jardim-de-infância Nossa Senhora da Piedade
. Casa Beatriz Gambôa
. Colégio Lápis de Cor Sonhador
. Agrupamento de Escolas de Odemira



Espaço Lúdico para as crianças, com actividades relacionadas com o tema

Organização: TAIPA, CRL., Consumidores e Produtores do Cabaz da Horta de Odemira
http://www.taipa-desenvolvimento.pt/


Tel: 283320020;

taipa@taipa-desenvolvimento.pt ;

Fax: 283320029



O que é a Taipa

A Taipa – Organização Cooperativa para o Desenvolvimento Integrado do Concelho de Odemira, fundada em Setembro de 2000, é uma entidade colectiva, privada de serviços, sem fins lucrativos.
É reconhecida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros como Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) e é reconhecida pelo IQF – Instituto para a Qualidade na Formação como entidade formadora nos domínios 4 – Organização de Actividades Formativas e 5 – Desenvolvimento de Actividades Formativas.
Dos seus membros constam entidades colectivas privadas locais, sem fins lucrativos, representativas dos mais variados sectores (Associação Humanitária Dona Ana Pacheco, Associação dos Criadores da Raça Caprina Charnequeira, Associação para o Desenvolvimento da Região do Mira, Associação de Apicultores do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, entre outros) e membros individuais com as mais variadas competências.
Ao longo da sua ainda pequena existência a Taipa, Crl promoveu várias acções de formação dirigidas a um vasto público-alvo, nas mais diversas áreas, nomeadamente, Turismo e Lazer, Contabilidade e Gestão, Novas Tecnologias de Informação, Agricultura, Línguas, Primeiros Socorros, Higiene e Segurança no Trabalho, entre outros.

Objectivos
• Fomentar, desenvolver e apoiar as diversas formas de associativismo numa abordagem participativa;
• Constituir-se como parceiro local junto das diversas entidades da administração local e central, e das diferentes formas de organização da sociedade civil;
• Promover a reflexão e o debate de ideias de âmbito geral, mas também um espaço de reflexão de âmbito sectorial de forma a servir os interesses dos seus membros;
• Promover debates, seminários bem como acções de formação sobre temas de interesse para os seus membros quer sejam propostos por estes ou por iniciativa da própria TAIPA;
• Promover parcerias de âmbito nacional e internacional por forma a incentivar a realização de projectos conjuntos e a troca de experiências que consequentemente concorrem para a melhoria das competências ao nível local e a divulgação das actividades e dos produtos locais;
• Constituir-se como entidade vocacionada para a elaboração e/ou execução de projectos sobretudo de âmbito concelhio apoiando-se nos seus membros como parceiros privilegiados para a implementação desses projectos a nível de freguesia numa perspectiva de transferências de competências;
• Constituir-se como uma verdadeira rede no sentido de animar e promover a partilha de experiências e a transferência de metodologias por forma a incentivar a divulgação/utilização das “boas práticas”.

Ver aqui um vídeo-reportagem da SIC sobre a Taipa




O que é o Re.Ci.Pro.Co. (Relações de cidadania entre produtores e consumidores)

No passado dia 22 de Janeiro de 2008 foi formada a Rede Nacional Re.Ci.Pro.Co. (Relações de Cidadania entre Produtores e Consumidores), na sede da Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, em que estiveram presentes os representantes dos territórios com o sistema Re.Ci.Pro.Co. em implementação: Odemira, Palmela, Sesimbra e São Pedro do Sul. (Representantes: entidades facilitadoras – TAIPA, ADREPES, ADDLAP, consumidores e produtores dos respectivos territórios). Estiveram também presentes o Eng.º Rui Baptista (Chefe do Projecto LEADER +), Eng.ª Rosário Serafim (Técnica da Rede Portuguesa LEADER +) e o Eng.º Samuel Tirion (INDE). Nesta reunião, foi deliberado por unanimidade que o Território de Gestão da Rede Nacional nos próximos dois anos (2008/09) será o Território de Odemira.

O conceito Re.Ci.Pro.Co., inspira-se numa prática que teve inicio há 40 anos no Japão, generalizando-se a outros países do mundo, tais como, Alemanha/Suíça, nos anos 70, EUA nos anos 80, Canadá e Reino Unido, nos anos 90. Em 2004 existiam 1000 casos no Japão (Teikei), 1700 no EUA, através da Community Sustainable Agriculture (CSA), 100 no Canadá (ASC), 100 no Reino Unido, através da Community Sustainable Agriculture (CSA) e 150 em França, através da Association pour le Maintain d’une Agriculture Paysanne en France (AMAP).

Este tipo de intervenções tem por base a criação de contratos locais directos entre agricultores e consumidores das vilas e cidades próximas, acrescentando a esta ideia uma dimensão territorial, colectiva e social e tem tido um impacte bastante positivo, do ponto de vista social (com o estabelecimento de laços entre agricultores e consumidores), ambiental (com o desenvolvimento de uma agricultura sustentável, a redução dos transportes e do consumo de embalagens e a produção de outros desperdícios), de saúde (com o aumento do consumo de produtos frescos e de qualidade, com a administração reduzida de produtos de síntese), económico (com o aumento da segurança financeira para os agricultores, comercialização de produtos de qualidade a um preço acessível), patrimonial (com a revalorização das variedades locais) e pedagógico (com a sensibilização das populações para as questões dos desenvolvimento rural).

Para que estes contratos respondam aos objectivos procurados, devem ser baseados num comprometimento recíproco, ou seja, por um lado, o comprometimento dos consumidores em comprar os produtos dos agricultores e, por outro lado, o comprometimento dos agricultores em fornecer produtos de qualidade e aplicar objectivos definidos em comum com os consumidores, como por exemplo a manutenção de um certo tipo de paisagem, a preservação e valorização de variedades locais, a introdução de uma agricultura respeitadora do ambiente, etc. Esta ideia tem subjacente o princípio de que todos somos responsáveis pelos estragos e benefícios que fizermos e pela consciência e envolvimento activo na mudança de atitudes e comportamentos face ao planeta em que vivemos.

Nos mercados locais encontram-se, cada vez mais, produtos alimentares provenientes de regiões distantes e vendidos a preços competitivos, num processo directamente ligado à globalização dos mercados e ao avanço das técnicas de conservação de produtos. Os produtos alimentares percorrem, hoje em dia, uma média de 1500 km antes de chegarem ao consumidor e esta tendência, que se tem vindo a acentuar, tem consequências negativas para o tecido económico das regiões rurais, para a qualidade dos produtos vendidos e a para a própria saúde dos consumidores.

É também contraditório com os acordos de Quioto que prevêem uma redução de emissão de gás carbónico a nível mundial. Para os produtos alimentares da agricultura intensiva que, em média, percorreram 1500 km antes de chegar ao prato dos consumidores, a emissão de gás carbónico é superior 100 vezes mais a produtos locais de uma agricultura sustentável. Por outro lado, sendo a comercialização cada vez mais controlada pelos intermediários, que retêm a maior parte das mais-valias criadas e exercem uma forte pressão sobre as receitas dos agricultores, não se evidencia a necessária e prudente redução dos preços da alimentação aos consumidores (Re.Ci.Pro.Co. - Guia Conceptual e Metodológico).

Procurando quebrar esta lógica, cidadãos de diversas origens, desenvolveram novas formas de organização e consumo, que passam pela reconstrução de uma relação social mais próxima entre agricultores e consumidores. Para o efeito, constituíram-se parcerias locais e solidárias entre agricultores e consumidores, baseadas no compromisso mútuo, numa remuneração justa, e na partilha dos riscos e das vantagens

Este conceito foi introduzido em Portugal, em 2003, com a experiência piloto realizada na zona do Poceirão, tendo por base o quadro do projecto URGENTE (financiado pelo Interreg IIIB, implementado pela INDE) e em Odemira no âmbito da acção 8 do Agris, pela Taipa, Crl.

Dado o carácter inovador deste Projecto, a Rede Portuguesa LEADER+ considerou bastante relevante a sua realização em Portugal e, nesta conformidade, nasceu o projecto Re.Ci.Pro.Co. que teve como resultados: a sensibilização e organização dos consumidores, operacionalizada pela ProRegiões, garantindo a divulgação do projecto nos diferentes meios de comunicação; a generalização do sistema a outros territórios através do apoio técnico da INDE e da TAIPA, Crl; realização do Colóquio Internacional de 3 a 6 de Dezembro de 2005, realizado em Palmela com visita ao território de Odemira, contou com 166 participantes, dos quais 93 estrangeiros, vindos de 17 países diferentes (ver www.urgenci.net). Permitiu dar visibilidade ao Projecto Re.Ci.Pro.Co. e possibilitou a troca de experiências entre intervenções similares noutros países; elaboração de um Guia Conceptual e Metodológico (www.leader.pt), sobre as diferentes práticas em Portugal; e a criação da Rede Nacional Re.Ci.Pro.Co.

A Rede tem como objectivos, disseminar a metodologia Re.Ci.Pro.Co. a outros territórios, criar canais regulares de comunicação e informação entre os Membros e actuar junto de estruturas públicas e privadas no sentido de influenciar políticas públicas coincidentes com os objectivos da rede e que contribuam para a manutenção de espaço rural vivo.

Acreditamos que esta Rede de relações é uma das formas de contrariar a tendência para o consumo de produtos massificados, a falta de ética alimentar, o desaparecimento das pequenas explorações e o abandono dos meios rurais, por isso é nosso entender que municípios, associações, agricultores, consumidores e potenciais consumidores, devem juntar-se a este movimento que diz respeito a todos para um desenvolvimento mais saudável das nossas gentes e para um desenvolvimento sustentável dos nossos territórios.

(Artigo Publicado – Jornal da Taipa 2008)