15.1.08

Ernesto de Sousa ou como fazer da vida uma coisa bonita



"É preciso acabar com a distinção entre a arte e a vida. Detesto espectáculos, detesto a arte… Só me interessa a vida… Gostaria da arte se toda a vida fosse arte… e é isso que deve acontecer…” (Ernesto de Sousa)

A propósito da criação de um novo website dedicado à figura ímpar que foi Ernesto de Sousa deixamos aqui alguns textos sobre a sua obra e biografia, dele retirados:
http://www.ernestodesousa.com/?cat=1




Consultar ainda:
http://triplov.com/ernesto/
http://expressarte.weblog.com.pt/arquivo/380048.html


JOSÉ ERNESTO DE SOUSA nasceu em Lisboa, em 1921, e nos anos quarenta frequentou a Faculdade de Ciências para ai organizar a exposição de arte negra da Associação de Estudantes. Militava, então, no MUD Juvenil, organização política da resistência antifascista.

Amante das artes e entre estas do cinema, Ernesto de Sousa foi pioneiro na animação cultural, contribuindo para a implantação do movimento cineclubista no nosso país a partir da década de 50, ao fundar o primeiro cíneclube entre nós, o Círculo de Cinema.

O cinema apaixona-o e dirige a revista «Imagem». Em 1962 nasce do seu talento um filme que marcou o cinema português: «Dom Roberto», com o actor Raul Solnado. Como afirmou um grande crítico, Alves Costa, «é talvez arbitrário considerar Dom Roberto o filme charneira. O certo é que a partir dali a história do cinema português seria outra».

Ernesto de Sousa, no silêncio do seu comedimento, fez outra história para o cinema português.
Como fez outra história para as artes por onde viajou: - encenações no TEP, cursos de formação artística na Sociedade Nacional de Belas-Artes.
Nos anos 60, quando se preparava para se deslocar a Cannes e aí receber o Prémio da Crítica pelo seu filme «Dom Roberto», foi detido pela PIDE ficando preso na cadeia do Aljube.
Nos anos de chumbo a liberdade era coisa por conquistar. E o direito à diferença, estrangulado pela violência da ordem imposta.
Escreve, lê, pinta, fotografa, filma, teatriza, vive numa busca constante da beleza inesperada. Instalações, exposições e happenings fazem parte do seu itinerário nos anos 70 e 80.
Atravessa-o o 25 de Abril quando já tinha sido preso três vezes pela PIDE: em 48, numa reunião do cineclube, mais tarde por ter visitado a URSS e a última vez quando foi impedido de receber o prémio em Cannes.
«Foi a minha terceira prisão», declarou a Rui Ferreira e Sousa. «Eu estava no Aljube. Vesti- me com o fraque que iria levar a Cannes e fui contando vários episódios. Todos os companheiros estavam a ouvir-me contar e ler poesia: operários e até guardas. Então, os presos confeccionaram um diploma para me oferecer e premiaram, assim, a realização de 'Dom Roberto'. Foi muito bonito».

Pode dizer-se que o objectivo supremo deste homem foi fazer da vida uma coisa bonita, como quem respira. Conheceu Bazin, Agnés Varda, Resnais. Estudou Sartre, Merlau-Ponty e Rosa Ramalho. Conheceu por dentro o neo-realismo como o surrealismo. Não impôs a si próprio fronteiras ideológicas e deixou que a cultura o atravessasse sem tréguas.

Filma poemas de Herberto Helder, faz exercícios sobre poesia de Almada Negreiros, Luísa Neto Jorge, Herberto e Cesariny no Primeiro Acto de Algés, com música de Jorge Peixinho e a sua imaginação.
Recupera painéis de Almada Negreiros, em Madrid. É comissário por Portugal para a Bienal de Veneza em 1980, e vive no silêncio da sua serenidade.


Biografia

Ernesto de Sousa(1921-88) - Nasceu em 18 de Abril de 1921, em Lisboa. Seguiu o curso de físico-químicas na Faculdade de Ciências de Lisboa e dedicou-se, desde muito jovem, ao estudo da arte e da fotografia.
Espírito aberto, polémico, pioneiro em muitas das coisas a que se dedicou, exerceu uma vasta acção no campo artístico: artes visuais, cinema, teatro, jornalismo, rádio, crítica e ensaísmo.
Fez estudos de etnologia e estética, foi artista, comissário de exposições, professor.
Escreveu vários livros e textos dispersos em jornais e revistas, interessando-se particularmente pelo mixed-media e pela arte vídeo experimental.
A sua produção fotográfica, com início nos anos 40, inclui levantamentos etnográficos, de escultura medieval, de arte popular, retratos urbanos, etc. Entre os inéditos que fazem parte do seu espólio, contam-se numerosas montagens de fotografias que E.S. “paginava” com reenquadramentos e cortes, segundo um modelo que não era meramente gráfico ou cinematográfico mas antes se aproximava de posteriores sequenciações conceptuais.
Nos anos quarenta dedicou-se à divulgação e ao estudo do cinema desenvolvendo uma intensa actividade cine-clubistica, que teve significativa influência na formação ideológica e cultural de várias gerações e fundando, em 1947, o Círculo de Cinema, primeiro cine-clube português. Em 1948, a sede do Círculo foi assaltada pela PIDE-DGS, que prendeu E.S. e os restantes membros da Direcção. Esta foi a primeira de quatro prisões por motivos político-culturais. O carácter cultural e cívico desenvolvido por Ernesto de Sousa nesta área estendeu-se a todo o País e foi completado pela revista Plano Focal, onde publicou uma entrevista com Man Ray (1953), e pela revista Imagem-2ª Série, (1956-61), de que foi redactor principal, lutando pelo “cinema novo” em Portugal, e onde entrevistou Bernard Dort, e Chris Marker, entre outros.
Co-fundador, com Fernando Lopes Graça e outros, do Coro da Academia de Amadores de Música, em 1950.
Entre 1949 e 1952 viveu em Paris onde frequentou cursos de cinema da Cinemateca, da Sorbonne e do Institut de Hautes Études Cinematographiques, aulas de arte na Ecole du Louvre e fez o Cours d’Initiation aux Arts Plastiques de Jean d’Yvoire, com quem manteve relações de amizade. Foi membro do Cine-Clube do Quartier Latin, onde travou conhecimento com René Bazin e François Truffaut. Estagiou em Marly-le-Roy, onde privou com Alain Resnais, Agnès Varda, com Jean Michel, Presidente da Federação dos Cine-Clubes Franceses e Jean Delmas.
Iniciou a sua participação como crítico e teórico do neo realismo artístico e literário dos anos 40, por entender ser esse o local propício ao magistério da arte como instrumento de libertação social e individual. Em consequência, esteve sempre em violenta divergência com os seus contemporâneos surrealistas.
De 1958 a 1962, realizou o filme Dom Roberto, uma viragem no cinema português, ponto de partida para o chamado “cinema novo”. Apresentado no Festival de Cannes 1963, foi galardoado com os prémios Prémios da Jovem Crítica (”La Jeune Critique)” e de “L’ Association du Cinéma pour la Jeunesse”.
Participou em estágios e congressos internacionais para o estudo da comunicação e da pedagogia, através dos meios audio-visuais.
Entre 1966-69 leccionou no Curso de Formação Artística da Sociedade Nacional de Belas Artes as disciplinas Técnicas da Comunicação e Estética do Teatro e do Cinema. Durante este período criou a Oficina Experimental para desenvolvimento de projectos colectivos, de “criação permanente”.
Em 1969 participou no 1º Festival 11 giorni di arte collectiva a Pejo (Itália), onde conheceu Bruno Munari, Sarenco, Verdi, entre outros, e a partir daquela data passou a autodenominar-se “operador estético”.
No mesmo ano, o mixed-media Nós não estamos algures, merece especial destaque. Jorge Peixinho foi seu amigo e autor da música para encenações teatrais e obras mixed-media.
Ao longo da sua vida Almada Negreiros foi para Ernesto de Sousa uma referência permanente. A sua obra e personalidade foram ponto de partida para artigos, livros, e o mixed-media Almada, Um Nome de Guerra. Recuperou os painéis deste artista do Cine San Carlos em Madrid, que conseguiu transportar para Portugal numa importante operação no âmbito da defesa do património.
Em meados dos anos 60 entrou em contacto com o movimento Fluxus: entrevistou Ben Vaultier e foi amigo de Robert Filliou, e de Wolf Vostell. A partir de 1976, foi visita frequente do Museu Vostell, em Malpartida de Cáceres (MVM). Esta relação com Vostell permitiu o alargamento do seu projecto MVM à participação de muitos artistas portugueses.
Nos anos 60 a 80, divulgou a arte vídeo, o happening, a performance em cursos, artigos e conferências que contribuiram para abrir caminhos à arte portuguesa, entre as quais, Arte portuguesa actual, na Ecole Supérieure d’Arts Visuels, em Genebra, a convite de Chérif Défraoui. Apresenta, em 1976, o Ciclo sobre arte vídeo, no Instituto Alemão de Lisboa, em colaboração com a Videoteca do Neuer Berliner Kunstverein. A convite de Dulce d’Agro, introduz o ciclo Performing Arts, na Galeria Quadrum, em que se exibe vasta documentação visual sobre happenings, envolvimentos, performances, events, video e nova fotografia, em colaboração com Gina Pane, Ulrike Rosenbach e Dany Block, entre outros.
Foi convidado pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) a integrar a Comissão consultiva para a cultura, poucos dias após o 25 de Abril 1974, em que também participavam Sophia de Mello Breyner, Natália Correia, e outros intelectuais.
Organizou, em 1977, a exposição Alternativa Zero, que integrou os mais importantes artistas portugueses e ainda o Living Theatre.
Participou activamente nas correntes de mail art. Foi sócio fundador da Galeria Diferença (1978), membro da AICA e do IKG (Internationales Künstler Gremium).
As casas da Rinchoa (1967-1971) e de Janas (1971-) tornaram-se, muito de acordo com o espírito dos anos 60, locais de encontro de efervescência criativa e interdisciplinar. Por ali passaram portugueses e estrangeiros, nas mais diversas situações.
Em 1987 a SEC, por iniciativa de Teresa Gouveia, ex-Secretária de Estado da Cultura, organizou a exposição retrospectiva Itinerários.
A Fundação Calouste Gulbenkian-Centro de Arte Moderna dedicou-lhe a exposição Revolution My Body, em 1998, comissariada por Helena de Freitas e Miguel Wandschneider.



Bibliografia ( só livros):

Ser Moderno em Portugal
Assírio e Alvim ,1998

Presépios, o Sol, outras Loas & etc.
Bertrand, 1985

Re Começar Almada em Madrid
Colecção Arte e Artistas, Imprensa Nacional - Casa da Moeda ,1983


Maternidade - 26 desenhos de Almada Negreiros
Colecção Arte e Artistas, Imprensa Nacional - Casa da Moeda ,1982

Para o Estudo da Escultura Portuguesa ,ECMA,Livros Horizonte ,1973

A Pintura Portuguesa Neo-Realista (1943-1953)

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ARTE = VIDA = ARTE

Esta liberdade de meios, estratégias e conceitos proclamada por Fluxus e pelos artistas deste período encontraria um paralelismo na própria carreira de Ernesto (e de Vostell) que não era apenas crítico, comissário, cineasta ou artista. Ernesto foi, essencialmente, uma figura controversa no país de então, desenvolvendo uma estratégia de ruptura e descontinuidade para com alguns dos cânones estabelecidos. Depois de uma incursão pelo cinema e pela estética neo-realista enveredou por uma arte experimental com um forte cunho conceptual, ligando a arte à vida e as suas relações com o público, em sintonia com o que se fazia fora do país.
De suma importância – e definidora da estratégia que aqui nos interessa em particular – foi a visita que Ernesto realizou à Documenta de Kassel de 1972, onde conheceu pessoalmente Joseph Beuys e contactou com as ideias de Harald Szeemann, facto que marcaria o seu pensamento crítico e a dinamização do debate nacional com novas problemáticas no campo artístico introduzidas por Ernesto, tais como a desmaterialização da obra de arte, a noção de obra aberta, o artista como operador estético ou o papel activo do espectador.
No ano seguinte, Ernesto conheceu Robert Filliou, Ben Vautier e George Brecht e passou a desenvolver uma série de actividades-convívio no país, com projecção de slides, com a finalidade de divulgar a consciência moderna que lhe foi dada a entender no estrangeiro. À semelhança dos festivais Fluxus e após ter participado em Agosto de 1969 nos Undici Giorni di Arte Collectiva na cidade italiana de Pejo, em Dezembro desse mesmo ano, Ernesto organizaria Nós Não Estamos Algures, no Clube 1º Acto de Algés, um primeiro happening ou exercício sobre a poesia da comunicação, sem grandes definições, onde foi possível experimentar estratégias, com permissão para imprevistos e acasos. Desde então, toda a sua actividade como comissário, dinamizador cultural e promotor de projectos ficou marcada por acções próximas da performance, nomeadamente os Encontros do Guincho (1969), o 1000011º Aniversário da Arte (1974) e as exposições integradas na AICA Do Vazio à Pró-Vocação (1972) e Projectos-Ideias (1974), para além do marco histórico da década, a Alternativa Zero (1977).
Todos estes projectos tinham por base a lição aprendida por Ernesto em Kassel e as diversas leituras e contactos estabelecidos nestes anos, com uma singular preocupação pela noção de Vanguarda (marcante nos textos da década de 70) e pela relação entre arte e vida. Partindo da ideia original de Robert Filliou, o 1000011º Aniversário da Arte foi organizado por Ernesto e pelo CAPC com a intenção de reunir amigos e outros convivas numa festa sem arte (convencional). A intenção era internacionalizar o país e acrescentar Portugal (neste caso Coimbra) à constelação de locais onde se verificou o mesmo festejo, criando assim a possibilidade para que a «ARTE e VIDA SE CONFUNDAM em vez de se divorciarem: “A ARTE DEVE VOLTAR AO POVO, AO QUAL ELA PERTENCE.» (10)

Excerto de um texto que pode ser lido integralmente em:
http://expressarte.weblog.com.pt/arquivo/380048.html




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Utopia e Vanguarda em Ernesto de Sousa
(texto de David Soares)

“Os primeiros passos de uma criança são experimentais
e por isso começam algo absolutamente novo”
Ernesto de Sousa

Numa entrevista a propósito do “exercício de comunicação poética” Nós não estamos algures (1969), Ernesto de Sousa dizia: “…É preciso acabar com a distinção entre a arte e a vida. Detesto espectáculos, detesto a arte… Só me interessa a vida… Gostaria da arte se toda a vida fosse arte… e é isso que deve acontecer…”1. Este desejo declarado significa, afinal, todo um programa de uma época onde a criatividade vivia de ideias e experiências limites. O radicalismo e o sonho exigiam-se como espécie de aliados permanentes. A liberdade total resultava então, necessariamente, numa arte do efémero, da acção e da partilha essencial da vida. “Nós somos realistas, queremos o impossível”, lembrava Ernesto de Sousa, repetindo entre nós o famoso slogan do “Maio de 68”.
O contributo decisivo de José Ernesto de Sousa para o desenvolvimento de uma consciência de vanguarda no Portugal dos anos 70 não sofre hoje contestação de maior – sendo antes o reflexo de uma quase absoluta unanimidade, que por certo tanto incomodaria o próprio Ernesto. De facto, é cada vez mais evidente o valor da sua acção (ética e estética – aliança absolutamente essencial a toda a verdadeira vanguarda) junto da comunidade artística desses anos tão agitados política e socialmente, cenários de pequenas e grandes revoluções, como acabou por ser, em toda a sua dimensão, o nosso 25 de Abril de 1974. Contudo, nessa mesma época, Ernesto de Sousa sublinhava já algo de essencial, a necessidade de uma outra revolução, a revolução artística, social e política, de cada um consigo mesmo: “A única coisa que me interessa é a revolução total […] Uma revolução, também, interior”. Nesta declaração se resumia afinal todo o programa de uma vida, o desígnio último e primordial de uma existência que sempre se pautou pela busca de outras realizações artísticas, mais humanas e livres. Aí se promove uma utopia essencial em torno de um projecto renovador da criatividade mais espontânea e efémera, de partilha e comunhão de valores e experiências, marcada por um sincero e generalizado espírito de solidariedade. A defesa de uma vanguarda artística, dirigida por Ernesto de Sousa como expressão mais radical de uma outra espécie de felicidade e realização, alimentou assim um desejo – que aos poucos se tornou colectivo – de consciencialização sobre as carências estruturais e mesmo de auto-estima que eram próprios da prática artística portuguesa de então.
Mas, afinal, de que utopia e de que vanguarda se fala aqui? Desde logo, uma utopia entendida enquanto futuro indefinido, ideal regulador de uma matriz redentora de emancipação individual e colectiva que alimentou a esperança de reconciliação do sujeito consigo mesmo e com o(s) outro(s); fundamentada entre a crença dos valores ideológicos que atribuem ao sujeito a condição de transformação da vida e do seu destino e a consciência maior das impossibilidades ou limitações dessa mesma ambição. Vanguarda, considerada no mais amplo entendimento que o mosaico das suas manifestações pode permitir, ou seja, enquanto pretenso alheamento da estrutura narrativa subjacente à tradicional historicidade da realização artística, contraposição à definição metafísica da arte como lugar de conciliação e catarse, como correspondência maior entre o interior e o exterior do psiquismo humano, valores defendidos, ou pelo menos fixados, no essencial, pela estética idealista do início de oitocentos. Vanguarda julgada enquanto consciência de uma necessidade de negação que é, simultaneamente, reforço de um território, poderíamos dizê-lo, de autocriação, espécie de ruptura controlada, onde se mantém o paralelo evidente com a estética do Romantismo, nomeadamente, no desenvolvimento do “mito da originalidade” da criação subjectiva e sem modelo, definida por Rosalind Krauss2 enquanto pretensa e ingénua procura de um estado puro, o zero, a raiz, ou o princípio, esse novo que funciona então menos como móbil, como rejeição da tradição e do passado, de um progressismo civilizacional e artístico, mas antes enquanto exacerbação da ideia de origem, causa, razão. Em Ernesto de Sousa convergem ainda as dimensões mais utópicas do espírito vanguardista, de uma vanguarda que evoluiu ao longo do século XX sobretudo como equilíbrio entre a ruptura e a continuidade de uma herança, em permanente e estonteante abertura de experiências estéticas e processos ideológicos análogos às vanguardas político-revolucionárias que alimentaram o primeiro quartel do século passado, enquanto resultado mais imediato das teorias socialistas desenvolvidas durante as manifestações sociais do final do século XIX. Vanguarda identificada também na arte do pós-guerra, entre as décadas de 50 e 70, reforçando e ampliando o vasto espectro das noções de experimentalismo em arte, na exponencianção extremada do conceito de obra (aberta, como proposta de Umberto Eco3), na profusão de uma interdisciplinaridade onde se revelam os valores de uma autocrítica da arte e do artista, como sintoma da “morte do autor” preconizada por Roland Barthes, em favor duma autoria da recepção, experimentada na desvalorização da interpretação estritamente individualizada, sublinhando antes uma arte enquanto ideia e acção, num processo generalizado de desmaterialização da obra de arte, sintoma maior de um desejo de aproximação radical entre a arte e a vida.
Ernesto de Sousa foi decisivo sobretudo num processo de descoberta nacional sobre os sinais de uma vanguarda entendida como “work in progress” e experiência de liberdade, investigação e descoberta, participação colectiva e festa. Essa consciência da partilha de um olhar estético plural e livre (popular e/ou erudito) resulta então em Ernesto de Sousa numa inevitável dissidência com as formas mais tradicionais (no sentido elitista da autonomia da arte) de produção e fruição do objecto artístico. Nesse sentido, ele repetia muitas vezes uma célebre frase de Franz Fanon: “Todo o espectador é um cobarde e um traidor”. Tal como sugere o título da exposição Do Vazio à Pró-vocação, organizada em 1972 por Ernesto de Sousa, era afinal a participação activa do receptor que se pretendia com essa arte-processo (ou process art). Pairava no ar esse “espírito Fluxus” que promovera a dissolução da obra de arte na acção e na vida. À contemplação passiva opunha-se um esforço analítico e de participação que exigia uma maior e decisiva cumplicidade entre os intervenientes e os “operadores estéticos”, como então se dizia. A atitude transgressora do movimento Fluxus (tendo Ernesto de Sousa desenvolvido contactos epistolares com artistas como Joseph Beuys e ainda profunda amizade e comunhão com figuras tão determinantes para esse movimento como Wolf Vostell, Robert Filliou ou Ben Vautier), assim como da earth art, land art, performace e body art, e ainda de todas as variantes do conceptualismo emergente, desencadearam nessa época uma verdadeira atmosfera (essencialmente utópica…) de superação absoluta dos limites da instituição arte, fazendo eco na famosa expressão de Harald Szeemann: “Percebe-se perfeitamente o desejo de fazer explodir o triângulo internacional da arte: estúdio-galeria-múseu”.
Todavia, e apesar dos resultados artísticos mais decisivos desse contexto revelarem afinal, e paradoxalmente, uma temporalidade bastante curta e sobretudo terem sido ainda objecto de uma perfeita assimilação museológica, inclusivamente aqueles de carácter mais efémero, ou contestatários do sistema político, económico e artístico vigente, podemos afirmar que na assunção da arte portuguesa do século XX, Ernesto de Sousa representa uma consciência ímpar, fundamentalmente no que diz respeito ao desenvolvimento de uma actividade crítica, didáctica e pedagógica que introduziu entre nós as referências essenciais dessa vanguarda internacional dos anos 60 e 70. A sua acção revelar-se-ia pioneira e tanto mais importante quanto assumida essencialmente como valor crítico e de resistência, realizada num país, até então, praticamente isolado da informação e do debate estético internacional, inocentemente afastado de uma maior consideração das práticas vanguardistas que em torno dos valores experimentais haviam transformado, nas suas premissas e resultados, o contexto de produção e recepção da obra, bem como o conceito de arte em geral.
Entre a “metáfora do zero” e a transparência teórica, a participação e a festa, a criatividade e a celebração do convívio humanos, ou a formação aberta e nunca dogmática dessa espécie de reanimação da “inocência almadina” apontada por José-Augusto França, a perspectiva crítica que Ernesto de Sousa produziu, seria responsável, directa e indirectamente, por uma profunda transformação no modo como os valores e os desígnios da vanguarda artística viriam a ser entendidos entre nós, num trabalho árduo, porque praticamente isolado, perante o marasmo da reflexão teórica e artística que o contexto nacional então apresentava. A expressão mais evidente desse longo e atípico projecto crítico revelou-se finalmente no espaço expositivo da Alternativa Zero, em 1977, como resultado de uma atmosfera reivindicativa e poética alimentada igualmente pela Revolução do 25 de Abril de 1974. Nesse espaço de participação plural, Ernesto de Sousa confirmou-se então como voz essencial de uma nova geração de jovens artistas que em torno das suas ideias e dinamismo viriam a criar uma espécie de nova oportunidade criativa, experimentando para lá dos ditames académicos, sintonizando-se desse modo, e finalmente, com o que de mais avançado se fazia na arte ocidental.
Também na Galeria Quadrum, então dirigida por Dulce D’Agro, Ernesto de Sousa dinamizou uma ideia de vanguarda, trazendo até nós nomes como Gina Pane, Ulrike Rosenbach, Silvie e Chérif Defraoui, Dany Bloch ou Fernando de Fillipi. Esse mesmo espaço galerístico viria a apresentar também a primeira exposição individual de Ernesto de Sousa no nosso país, em Novembro de 1978. Em “A Tradição como Aventura”, título da mostra que lançava Ernesto de Sousa como artista plástico, dava-se conta da reciclagem a que a imaginação criativa deste crítico-artista esteve sempre sujeita. Na verdade, depois da experiência autoral desenvolvida por Ernesto de Sousa no cinema, com todo o seu envolvimento na criação de “cine-clubes”, na realização de um filme mítico como Dom Roberto (1961) – interpretado por Raul Solnado e Glicínia Quartim – Ernesto assumia uma outra dimensão de autoria e criatividade, mais interdisciplinar e livre de constrangimentos orçamentais. Pelo meio, e como testemunho de todo esse processo de transição artística e existencial, ficava o documentário planeado para dar a ver essa figura essencial do primeiro modernismo português que foi Almada Negreiros. De um filme documental, Ernesto de Sousa passou a um projecto multimédia (ou mixedmedia, como então se preferia dizer) onde a pluralidade de suportes utilizados privilegiava ainda uma lógica que hoje se chamaria de instalação, criando assim uma espécie de “antifilme?”4 Esse foi na verdade o projecto que marcou a passagem do cinema para o mundo das artes visuais. Almada, Nome de Guerra, em projecto iniciado em 1969, resultaria sobretudo como espécie de híbrido entre esses dois grandes universos de criatividade artística, como um longo e inconclusivo work in progress.
Da acção cultural que Ernesto de Sousa desenvolveu fundamentalmente entre o dealbar da década de 60 e meados dos anos 80, resulta lógica a confirmação de um pensamento crítico onde o didactismo do olhar e da imaginação estética serviram sempre uma ampla utopia transformadora que refutava, ao mesmo tempo, qualquer espécie de elitismo mais exclusivista, dado que da arte popular dos barristas do norte de Portugal às teorias conceptuais mais complexas de Joseph Kosuth, o entendimento e a sensibilidade criativas não tinham para ele quaisquer fronteiras ou limites pré-definidos. Para Ernesto de Sousa, tudo se convocava numa urgência, ou necessidade primeira: a vanguarda; pela afirmação de um desejo: a experiência de liberdade, na reivindicação de um ritual: a festa, ou a participação de uma arte feita por todos, a partir dessa plural e frutuosa ideia: a “criação consciente de situações”5, num Portugal carenciado afinal de ousadia, utopia e espírito de vanguarda.

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E a quarta voz que aqui trago é a de Ernesto de Sousa
(texto de Eduarda Dionísio)


(…)E a quarta voz que aqui trago é a de Ernesto de Sousa, uma grande excepção, que conta o seu quotidiano em 75. Deitar às 5, levantar às 8. E, num só dia, reler uma mesa redonda do Jornal Novo sobre “Revolução Cultural”, uma nota da Quinta Divisão sobre a polémica da Exposição de Paris, escrever uma crónica para a Vida Mundial, participar num júri da SNBA, fazer uma sessão de diapositivos no ARCO com uma escultora belga, encontrar-se com Mário Pedrosa (ex-director do Museu de Santiago do Chile), ver a exposição “Colagens” na SNBA, participar numa mesa redonda sobre o conflito no IPC, montar um super 8 da Festa da Electricidade para os amigos da Dinamização, pôr em dia a correspondência com o realizador Robert Kramer e o pintor Robert Filliou. E no fim exclama: “Eu sou um trabalhador, não acham? Pois, um trabalhador intelectual, e depois?”
Já em 77, poria de pé uma inesperada “Alternativa Zero”, com o apoio da SEC então ocupada em “moralizar” o teatro independente … “Criação consciente de situações”. “Entrar no quotidiano” sem a “mentira dos objectos”. 10.000 visitantes no Mercado de Belém. Artistas consagrados e estreantes. Movimentos artísticos “de ponta”. Participação activa do público.
Mas já era tarde para provar que o difícil, o diferente, o abstracto ou o conceptual não é necessariamente igual a “elitista” e que o fácil, o habitual, o naturalista, o figurativo, o decorativo não é igual a “popular”. Tinha-se dado o regresso aos quartéis e começavam os regressos a casa. O 25 de Novembro apanhou na rede também a “Alternativa Zero”: possibilitou a sua concretização ao mesmo tempo que esvaziou a sua proposta.



Eduarda Dionísio, in Títulos, Acções, Obrigações, Sobre a Cultura em Portugal 1974-1994, Ed. Salamandra, Col. Tempos Modernos, 1993.

14.1.08

A revolta operária do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande vai ser recordada no Porto nos próximos dias 18 e 19


Sexta-feira, dia 18/1, às 21.00 H.


No Terra Viva!
Rua dos Caldeireiros, 213 PORTO (perto da torre dos clérigos)


SESSÃO DE INFORMAÇÃO/DEBATE


Organiza:
Círculo de Estudos Sociais Libertários /Terra Viva!AES - em colaboração com o Movimento Cívico "NÃO APAGUEM A MEMÓRIA" (Núcleo do Porto)


Antes do início da sessão serão distribuídos textos de apoio extraídos tanto dos depoimentos de antigos militantes libertários da CGT intervenientes no "18 de Janeiro "(Acácio Tomás de Aquino, Américo Martins, Custódio da Costa, Emídio Santana e outros) como da recente obra de Fátima Patriarca "Sindicatos Contra Salazar" e do livro de Afonso Manta c/ textos do antigo "PCP/SPIC".


NÃO DEIXEMOS QUE AS "BRUMAS DA MEMÓRIA" NOS ESCONDAM OS HORIZONTES E AS RAÍZES!



SÁBADO, 19 de Janeiro às 17h30

No ESPAÇO MUSAS
Rua do Bonjardim, 998 - Porto (metro: Faria Guimarães)


Organiza: Círculo Anarquista Libertário do Porto.

Conversa e Jantar no Espaço Musas:
"A insurreição de 18 de Janeiro: Cercados e perseguidos"


Conversa sobre a insurreição de 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande, com a presença de dois elementos do colectivo «Luta Social» de Lisboa.

"Os anos '30 assistiram à perda definitiva da hegemonia da Confederação Geral do Trabalho (CGT) sobre o movimento operário português e ao fim do sindicalismo revolucionário e do anarco-sindicalismo como força ideológica mobilizadora entre os trabalhadores. A análise histórica deste processo passou por conhecermos o posicionamento estratégico do orgão confederal face ao movimento militar do 28 de Maio de 1926 bem como os problemas com que a organização sindical se deparou até ao malogrado 18 de Janeiro de 1934.[...]"

(extracto do texto "Cercados e Perseguidos:a Confederação Geral do Trabalho (CGT) nos últimos anos do sindicalismo revolucário em Portugal (1926-1938"; Guimarães, Paulo; 2004; Évora)



Para mais informação ler sobre o assunto
este texto já publicado neste blogue

13.1.08

Vejam qual é o programa dos capitalistas para o nosso planeta…e lutem!

Vejam qual é…
…o programa dos capitalistas para o planeta Terra…


…e lutem!

(a propósito das manifestações contra o Fórum Económico Mundial- WEF em Davos)

A ecologia é para hoje, não para daqui a 20 anos!



Nós não vos perdoaremos

Reduziram os nossos sonhos às ilusões da televisão deles. Semeiam a miséria e respondem ao atraso com bombas. Enquanto homens morrem ao pé da porta do seu império económico, eles, do alto do seu Fórum, dividem e partilham os despojos do seu massacre. Esse é o seu sistema, esse mesmo que acena com as matracas quando se reclama justiça. Perante esta situação não há espera possível, é necessário mudar urgentemente as coisas.

Nós somos os abstencionistas, a maior força política do globo, os sem voz.

A sedição já não é apenas um dever social, tornou-se um imperativo ecológico para todos nós. Importa uma mudança radical, fazer subir a tensão para fazer disparar o disjuntor da engrenagem capitalista.


O Fórum Económico Mundial (WEF) realizar-se-á em Davos entre 23 e 27 de Janeiro e reunirá durante esses quatro dias toda a elite económica e política do mundo globalizado para discutir o NOSSO futuro.

O lema deste ano é «The Power of Collaborative Innovation» e a figura principal será Henry Kissinger, o chefe de orquestra do golpe de estado contra Allende no Chile

Globalizemos a resistência.

Nenhum fórum para os tiranos


Manifestação em Berna a 19 de Janeiro, 15h00 Waisenhausplatz

Manifestação em Davos a 26 de Janeiro, 14h00 Bahnhof Davos Dorf

Mais info:

Para defender a biodiversidade a França invoca a cláusula de salvaguarda e proíbe o milho transgénico

O governo francês acabou de tomar uma decisão histórica: proibir pura e simplesmente a cultura do milho transgénico no seu território, seguindo, aliás, o sentido do parecer da Alta Autoridade dos OGMs que preconizava a suspensão do cultivo do milho MON 810 da multinacional Monsanto, a única espécie de sementes de milho transgénico autorizada a ser comercializada em França. Recorde-se que no seu relatório essa mesma Alta Autoriradade tinha alertado para os riscos das plantações transgénicos, em especial a disseminação dos pólens, não sobre dezenas ou centenas de metros como anteriormente se acreditava, mas ao longo de dezenas e até centenas de quilómetros, para além de referir sobre o impacto negativo sobre a fauna e a flora, em particular, os micro-organismos. Esta decisão, note-se, mais não faz que aplicar o princípio de precaução.
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Esta boa notícia é, no entanto, manchada por uma outra que foi tornada pública pelo governo francês e segundo a qual os investimentos em biotecnologias vegetais vais ser reforçado podendo chegar aos 45 milhões de euros, o que representa um perigoso sinal de favoritivismo em relação ao lobby dos OGMs em detrimento de ajudas às pesquisas agronómicas que permitiriam a redução do uso de pesticidas.

Esta decisão governamental levou à interrupção da greve de fome de vários activistas anti-OGMs, entre os quais José Bové, que tinha sido inciada a 3 de Janeiro como forma de pressionar o governo francês a interditar os cultivos de transgénicos, o que acabou de acontecer.

Seis outros países já tinham invocado a cláusula de salvaguarda, mas só seis o fizeram para o milho transgénico. Recorde-se que a Áustria, Hungria e a Grécia já tinham invocada aquela clásula de salvaguarda para impedir as culturas de transgénicos nos seus países, e esta resolução francesa irá certamente obrigar a uma nova discussão por parte da Agência Europeia da Segurança dos Alimentos.




Comunicado da Conféderation Paysanne (Confederação Camponesa)



OGM: Clause de Sauvegarde, une étape importante, une victoire de la Confédération Paysanne

Communiqué de presse - 11 janv 2008


L'annonce de la Clause de Sauvegarde est une étape importante vers une alimentation sans OGM pour les citoyens.

C'est la reconnaissance d'un combat mené depuis dix ans presque jour pour jour par la Confédération Paysanne.

La Clause de Sauvegarde devra être rédigée de manière rigoureuse. Elle devra s'appuyer sur les études internationales officiellement publiées, notamment les plus récentes, telles qu'elles ont été répertoriées par la Haute Autorité Provisoire sur les OGM.

Dans les semaines et les mois à venir cette étape devra être confirmée par une loi sur les OGM qui reconnaîtra le droit pour tous à produire et consommer sans OGM.


Cependant, cette annonce est équivoque. En même temps que le premier ministre annonce que des doutes sanitaires et environnementaux justifient la mise en œuvre du principe de précaution, il ajoute que cette technologie aurait un intérêt pour " relever les défis alimentaires et environnementaux " et envisage de multiplier par 8 les crédits dédiés aux biotechnologies (45 Millions d'Euros).


Si cette recherche est publique et a pour but d'évaluer les risques évoqués par la Haute Autorité, cette dépense envisagée peut être cohérente.
Pour la Confédération Paysanne, les enjeux alimentaires et environnementaux, les problèmes actuels de l'agriculture et de l'alimentation ne sauront trouver leurs solutions dans ces technologies qui ne respectent ni les territoires, ni les savoir-faire paysans, ni la diversité biologique et alimentaire.


La Confédération Paysanne refuse que ces 45 Millions d'Euros soient destinés au développement de ces technologies; l'inquiétude et la vigilance sont de rigueur.


Contact :
Olivier Keller : 06 26 45 19 48
Jacques Pasquier : 06 72 44 14 83
Régis Hochart : 06 08 75 00 73

12.1.08

Reuniões preparatórias para a jornada europeia de mobilização contra os centros de detenção para pessoas indocumentadas (dia 19 de Janeiro )





NINGUÉM É ILEGAL

CONTRA AS PRISÕES ADMINISTRATIVAS


Em toda a Europa pessoas são perseguidas, detidas e deportadas, só pelo facto de serem imigrantes à procura de melhores condições de vida

Em Dezembro imigrantes marroquinos desembarcaram no ilhéu da Culatra, em Olhão. Estão actualmente detidos no centro de detenção do SEF no Porto.


MOBILIZAÇÃO EUROPEIA CONTRA OS CENTROS DE DETENÇÃO.

SÁBADO 19 DE JANEIRO - Acção no PORTO.


CONTRA AS apreensões E DETENÇÕES ARBITRARIAS!

Regularização e Documentos para todos!

ENCERAMENTO DOS CENTROS DE DETENÇÃO!



CONVOCATÓRIAS para reuniões de preparação

Vão-se organizar reuniões preparatórias para a jornada de mobilização contra os centros de detenção e as prisões administrativas para as pessoas indocumentadas

Lisboa -

reunião de preparação na segunda-feira, dia14, às 20H30
na SOLIM, rua da Madalena, 8.


contactos
guichard.benoit@gmail.com
justinelemahieu@no-log.org


Porto -

reunião de preparação na Casa-Viva (praça Marquês de Pombal nº 167) na próxima quarta-feira, dia 16, pelas 21h.



Rede QUE ALTERNATIVAS?

A Rede Que Alternativas? está a ponderar a realização de uma acção conjunta de várias associações, junto ao centro de detenção de imigrantes do Porto, com a maior brevidade possível. O nosso objectivo é denunciar e chamar a atenção para os problemas das políticas de repressão à imigração que, no nosso entender, favorecem e alimentam as redes criminosas de tráfico humano e de auxilio às acções da imigração ilegal e que estão a ser aplicadas em Portugal e na Europa. Esta foi também uma preocupação recentemente manifestada pelo Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

O caso recente dos imigrantes marroquinos que desembarcaram no ilhéu da Culatra, em Olhão, e que se encontram detidos no centro de instalação dos SEF no Porto, como de criminosos se tratassem, veio colocar em evidência a situação dramática em que se encontram centenas de imigrantes que foram vitimas de tráfico humano e que devem ser protegidos. É nosso dever apoiá-los.

Ao contrário do que tem sido a prática das autoridades, existem Directivas Comunitárias, Convenções Internacionais instrumentos legais portugueses que obrigam à garantia de protecção destes imigrantes. A sua expulsão é praticamente condená-los à morte, pois a maior parte destes imigrantes estão dispostos a arriscar novamente a perder a vida através da travessia oceânica, como aconteceu com milhares de homens, mulheres e crianças que, durante o ano de 2007, perderam a vida ao tentaram a sua sorte na falta de outras condições.

A Rede Que Alternativas? nasceu a partir da organização da iniciativa "África-Europa: que Alternativas?" , paralela à cimeira oficial, que decorreu nos dias 7, 8 e 9 de Dezembro em Lisboa. Esta iniciativa contou com a participação de diversas associações e movimentos sociais europeus e africanos, quer como convidados quer como organizadores.

A Rede, então formada, congrega membros de diversas associações e visa dar continuidade, em Portugal com muitos outros actores sociais que queiram juntar-se a ela, aos debates e movimentos de luta que germinaram do referido encontro. Enviamos em anexo o comunicado final.

Hoje, na Europa, a imigração é uma das questões mais emergentes ao nível da acção e debate. O caso dos imigrantes marroquinos que actualmente estão presos no centro de detenção de imigrantes no Porto é emblemático da gravidade da situação de violação dos direitos humanos.

As politicas de repressão na UE, de externalização das fronteiras vão no sentido contrário dos direitos humanos e do apoio às pessoas vítimas de tráfico de seres humanos e favorecem a exploração desumana de homens e mulheres indocumentados .

Num país marcado por uma história de emigração ilegal, sobretudo durante os anos 60 não temos o direito de esquecer a própria história e termos dois pesos e duas medidas .

Neste contexto, gostaríamos de saber se a vossa associação tem interesse e disponibilidade para se juntar a nós na referida acção junto do CIT do Porto. A nossa ideia seria juntar activistas de todo o país, com a imprescindível participação de associações do Porto, para organizarmos esta acção em conjunto com a Rede Alternativas.

Para que esta acção possa ser levada a bom porto, precisamos dos vossos contributos, propostas e ideias. Estamos convictos de que esta iniciativa poderia ser um ponto de partida para iniciar um trabalho conjunto, reforçar posições e parcerias imprescindíveis para a defesa dos mais excluídos e necessitados.

Poderão contactar-nos através deste email
que.alternativas@gmail.com


ou pelo telefone
Camila Lamarão : 914 194 013
Timoteo Macedo : 914 948 558
Benoît Guichard : 964 921 446

Semana de luta e de luto dos professores ( 14 a 18 de Janeiro)

Um ano depois da publicação do "Estatuto da Carreira Docente do ME", a Plataforma Sindical dos Professores promove uma Semana de Luta e de Luto entre os dias 14 e 18 de Janeiro



Quando, em 19 de Janeiro de 2007, foi publicado o Decreto-Lei n.º 15/2007, que contém o actual ECD, as organizações que se constituíram em Plataforma Sindical dos Docentes declararam a data como "Dia Nacional de Luto dos Professores e Educadores Portugueses". No momento em que se completa o primeiro ano sobre a publicação daquele estatuto da carreira docente, as organizações sindicais irão desenvolver as seguintes iniciativas entre os dias 14 e 18 de Janeiro:

- Afixação, a partir de dia 14, de 10.000 cartazes - em todos os estabelecimentos de Educação Pré-Escolar e Ensinos Básico e Secundário - de luto relacionados com a publicação do ECD do ME;

- Distribuição de cerca de 100.000 autocolantes de luto, aos docentes de todas as escolas portuguesas;

- Afixação, em todo o país, de pendões negros, neles constando a seguinte frase: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO - MAIS DE 1.000 DIAS A ATACAR A ESCOLA PÚBLICA. Estes pendões serão colocados junto às escolas e em outros locais em que seja grande a afluência diária de pessoas;

- Realização de uma Vigília junto às instalações do Ministério da Educação, em Lisboa, no dia 18 de Janeiro (sexta-feira), entre as 16 e as 24 horas. Pelas 17 horas, terão lugar intervenções de representantes das organizações sindicais presentes, sendo para esse momento que se convidam os senhores jornalistas a estarem presentes, sem prejuízo de qualquer outro que seja do seu interesse;

- Promoção de uma exposição subordinada ao tema "A Ministra vista pelos Professores". Com esta exposição pretende-se tornar pública a opinião dos professores e educadores em relação à actual ministra, e à sua equipa, que tem sido muito bem expressada em inúmeros cartazes, banda desenhada, cartoons, poemas - materiais que, na maior parte dos casos, têm circulado por correio electrónico. A exposição será inaugurada no local da Vigília, às 17.00 horas, imediatamente antes das intervenções dos dirigentes sindicais. Posteriormente, percorrerá as diversas regiões do País.

Com estas iniciativas as organizações sindicais de professores e educadores pretendem deixar claro que não desistiram da luta contra este estatuto da carreira docente e por um ECD que, efectivamente, valorize e dignifique a profissão e os profissionais docentes.

A Plataforma Sindical dos Professores

Começa hoje o ciclo de cinema «A cidade + cinematográfica» na Chã das Eiras ( um novo espaço de ideias e artes no Porto)

clicar por cima da imagem para ler em detalhe


A Chã das Eiras, um novo espaço cultural na cidade do Porto, apresenta a partir de hoje o ciclo de Cinema "A cidade + cinematográfica", uma retrospectiva do trabalho do realizador Sério Fernandes. Esta mostra de cinema de autores da escola do Porto, sobre o Porto foi realizada em parceria com a Bei Films e o Cineclube do Porto e apoiada pelo Àtomo 47 e Restaurante Dom Grillon.

Todos os Sábados e Domingos até 9 de fevereiro, a partir das 22h30 (Donativo € 1,5).

Poderão também visitar as exposições parmanentes todos os dias das 17h às 19h.

A programação completa do evento poderá ser consusltada em

http://www.myspace.com/barrabssoundsystem.




Cha das Eiras
Rua Chã 127,
à Sé, Porto
Portugal

e-mail:
barrabassoundsystem@gmail.com




OBJECTIVOS:
organizar e promover encontros de âmbito cultural; promover acções de formação de jovens, tendo em vista a sua integração soció-profissional, nas áreas culturais; promover o intercâmbio e cooperação com associações e organismos, nacionais e estrangeiros, que prossigam os mesmos objectivos; promover intervenção sociocultural, tendo em vista a (re)inserção social de crianças, jovens e adultos, através de actividades, lúdicas, recreativas e pedagógicas

http://chadaseiras.blogspot.com/



11.1.08

Fechem o campo de concentração de Guantánamo em poder dos Estados Unidos da América



Hoje, dia 11 de Janeiro, passa o 6º aniversário da chegada dos primeiros prisioneiros ao campo de concentração norte-americano de Guantánamo. Um triste aniversário que importa recordar, denunciando por todo o mundo as prisões ilegais de centenas de pessoas sem acusação formada, as torturas, maus tratos e a forma humilhante como os detidos são tratados pelos agentes e militares ao serviço do governo dos Estados Unidos da América.


Encerrar Guantánamo é uma exigência da Amnistia Internacional
http://www.amnistia-internacional.pt/


No sexto aniversário das primeiras transferências de presos para o centro de detenção dos EUA na Baía de Guantánamo, a AI, apoiada por cerca de 1200 parlamentares de todo o mundo, apresentou à administração norte americana uma agenda para acabar com as detenções ilegais em situação de “guerra ao terror ”.

O plano de acção da AI consiste num conjunto de 13 recomendações para acabar com as detenções ilegais no âmbito da “guerra ao terror” sem comprometer a capacidade dos governos no combate ao terrorismo. E dá às autoridades alternativas muito práticas para que se feche o Guantánamo.

Irene Khan, a Secretária Geral da AI disse que “Guantánamo é uma anomalia que precisa ser corrigida imediatamente e a única maneira de o conseguir é fechá-la de vez.”

O plano de acção assinado por parlamentares do Reino Unido, Israel e Japão, além de muitos outros, apelam à restauração do Habeas Corpus; ao fim das detenções secretas e para que todos os detidos sejam julgados em tribunais independentes e imparciais, se não for para serem libertados.

É fundamental que a lei salvaguarde soluções seguras e justas para aqueles que são libertados.

“As prácticas ilegais adoptadas pelo governo dos EUA na sua “ guerra ao terror” como é Guantánamo e o programa de detenções secretas da CIA – promoveram a perigosa noção de que os direitos humanos fundamentais podem vir a ser postos de lado em nome da segurança nacional.” A abordagem às detenções levadas a cabo pelos Estados Unidos tiveram efeitos corrosivos na aplicação da lei e no respeito pelos direitos humanos.

Do Paquistão à Europa até ao leste de África, outros governos tornam-se cúmplices na ilegalidade ou acabaram eles mesmos por prosseguir com práticas ilegais semelhantes. Por exemplo, o recente reaparecimento de pessoas que tinham sido consideradas desaparecidas no Paquistão voltou a dar ênfase a esta violação de direitos humanos especificamente naquele país.

A Amnistia Internacional sabe de pelo menos 38 pessoas que se crê estarem em detenção secreta pela CIA e cujo destino e paradeiro permanecem desconhecidos. O programa da CIA de detenções e rendições extraordinárias não poderia ter sido usado sem a cooperação de outros governos. Outros governos foram cúmplices também nas detenções de Guantánamo.

“As detenções arbitrárias e secretas violam princípios fundamentais de direitos humanos. Tais injustiças não devem ocorrer em pleno século XXI – a sua continuação semeia ressentimentos e ameaças em vez de promover a segurança”, disse Irene Khan.

A Amnistia Internacional apela aos Estados Unidos para que oiçam os deputados e outras pessoas por todo o mundo que pedem uma mudança efectiva . Paralelamente, todos os governos devem garantir que também estão a cumprir as suas obrigações de direitos humanos no contexto do contra-terrorismo.

Participe:









Para saber mais:




Normose

Há na maioria dos nossos contemporâneos uma crença bastante enraizada segundo a qual tudo o que a maioria das pessoas pensa, sente, acredita ou faz, deve ser considerado normal e servir de guia para o comportamento de todas as outras pessoas.

Factos e descobertas recentes sobre as origens do sofrimento e das doenças e também sobre as guerras, a violência e a destruição ecológica questionam seriamente a utilidade de certas "normas" ditadas pela sociedade e os seus consensos.

Muitas normas sociais, actuais ou passadas, levam ou levaram ao sofrimento - moral ou físico – de indivíduos, grupos, colectividades inteiras e até mesmo espécies vivas.

Resolvemos então adoptar o termo de "Normose", para designar esta forma de comportamento visto como normal mas que na realidade é anormal. O termo foi forjado na França por Jea Yves Leloup.

A Normose é o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir aprovados por um consenso ou pela maioria de uma determinada população e que levam a sofrimentos, doenças ou mortes, por outras palavras, que são patogénicas ou letais, e são executados sem que as suas vítimas tenham consciência desta natureza patológica, isto é, são de natureza inconsciente.

Pierre Weil



O estado permanente de alienação, de adormecimento, de inconsciência, de ausência de si mesmo, é o que caracteriza as pessoas normais.

A sociedade supervaloriza as pessoas normais. Educa as crianças para que se percam, se tornem irracionais, e assim se tornarem pessoas normais.

As pessoas normais mataram quase 100.000.000 de pessoas normais nos últimos cinquenta anos.

Ronald David Laing, 1990
http://www.laingsociety.org/



Ode ao burguês (poema de Mário de Andrade)

Ode ao burguês

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel

o burguês-burguês!

A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros!
Que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangue de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiburi!
Padaria Suíssa! Morte viva ao Adriano!
"- Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
- Um colar... - Conto e quinhentos!!!
Más nós morremos de fome!"

Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!

Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!

Fora! Fu! Fora o bom burguês!...



Mário de Andrade
(biografia retirada da wikipedia)

Mário Raul de Morais Andrade (São Paulo, 9 de outubro de 1893 — São Paulo, 25 de fevereiro de 1945) foi um poeta, romancista, crítico de arte, folclorista, musicólogo e ensaísta brasileiro.

Nasceu, estudou e iniciou a sua carreira musical e literária na cidade de São Paulo. Em 1917 foi publicado o seu primeiro livro de versos: Há uma gota de sangue em cada poema.
A sua segunda obra, Paulicéia desvairada, colocou-o entre os pioneiros do movimento modernista no Brasil, culminando, em 1922, como uma das figuras mais proeminentes da histórica Semana de Arte Moderna. Alguns dos seus livros de poesia mais conhecidos são: Losango cáqui, Clã do jabuti, Remate de males, Poesias e Lira paulistana.
Publicou, em 1928, Macunaíma o herói sem nenhum caráter e Ensaio sobre a Música Brasileira.
Em 1938 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde exerceu o cargo de diretor do Instituto de Artes na antiga Universidade do Distrito Federal (hoje Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Regressando a São Paulo em 1942, regeu durante muitos anos a cadeira de História da Música no Conservatório Dramático e Musical.
Possuidor de uma cultura ampla e profunda erudição, foi o fundador e primeiro diretor do Departamento de Cultura de São Paulo da Prefeitura Municipal de São Paulo, onde fundou a Sociedade de Etnologia e Folclore, o Coral Paulistano e a Discoteca Pública Municipal.
Foi amigo e compartilhou os ideais estéticos modernistas de Oswald de Andrade.

1893: Nasce Mário Raul de Moraes Andrade, no dia 9 de outubro, filho de Carlos Augusto de Moraes Andrade e Maria Luísa Leite Moraes Andrade; na Rua Aurora, 320, em São Paulo - SP.

1904: Escreve o primeiro poema, cantado com palavras inventadas. "O estalo veio num desastre da Central durante um piquenique de subúrbio. Me deu de repente vontade de fazer um poema herói-cômico sobre o sucedido, e fiz. Gostei, gostaram. Então continuei. Mas isso foi o estralo apenas. Apenas já fizera algumas estrofes soltas, assim de dois em três anos; e aos dez, mais ou menos, uma poesia cantada, de espírito digamos super realista, que desgostou muito minha mãe. "— Que bobagem é essa, meu filho?" — ela vinha. Mas eu não conseguia me conter. Cantava muito aquilo. Até hoje sei essa poesia de cor, e a música também. Mas na verdade ninguém se faz escritor. Tenho a certeza de que fui escritor desde que concebido. Ou antes... Meu avô materno foi escritor de ficção. Meu pai também. Tenho uma desconfiança vaga de que refinei a raça..." Este o depoimento do escritor a Homero Senna, publicado no livro "República das Letras", Editora Civilização Brasileira - Rio de Janeiro, 1996, 3a. edição, sobre como havia começado a escrever.

1905: Ingressa no Ginásio N. Sra. do Carmo dos Irmãos Maristas.

1909: Forma-se bacharel em Ciências e Letras. Terminado o curso multiplica leituras e freqüenta concertos e conferências.

1910: Cursa o primeiro ano da faculdade de Filosofia e Letras de São Paulo.

1911: Inicia estudos no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.

1913: Morre seu irmão Renato, aos 14 anos, devido a complicações decorrentes de uma cabeçada em jogo de futebol. Abalado pelo fato e trabalhando em excesso, Mário tem uma profunda crise emocional. Passa um tempo em Araraquara, na fazenda da família. Quando retorna desiste da carreira de concertista devido a suas mãos terem se tornado trêmulas. Dedica-se, então a carreira de professor de música.

1915: Conclui curso de canto no Conservatório.

1916: Conclui, como voluntário, o Serviço Militar.

1917: Diploma-se em piano pelo Conservatório. Morre seu pai. Publica Há uma gota de sangue em cada poema, poesia, sob o pseudônimo de Mário Sobral.. Primeiro contato com a modernidade na Exposição de Anita Malfatti. Primeira viagem a Minas: encontra o barroco mineiro, visita Alphonsus de Guimarães. Já iniciou sua Marginália.

1918: Recebe Diploma de Membro da Congregação Mariana de N. Sra. da Conceição da Igreja de Santa Ifigênia. Noviciado na Ordem Terceira do Carmo. Nomeado professor no Conservatório. Escreve contos e poemas. Colabora ocasionalmente em jornais e revistas como crítico de arte e cronista; em A Gazeta e O Echo (São Paulo).

1919: Profissão na Ordem Terceira do Carmo à 19 de março. É colaborador de A Cigarra, O Echo e A Gazeta. Viagem à Minas Gerais, visitando as cidades históricas.

1920: Lê obras Index . Faz parte do grupo modernista de São Paulo. Colabora em Papel e Tinta (São Paulo), na Revista do Brasil (Rio de Janeiro - até 1926) e na Illustração Brasileira (Rio de Janeiro - até - 1921).

1921: É professor de História da Arte no Conservatório. Pertence à Sociedade de Cultura Artística. Está presente no lançamento do Modernismo no banquete do Trianon. É apresentado ao público por Oswald de Andrade através do artigo "Meu poeta futurista" (Jornal do Commércio São Paulo). Escreve "Mestres do passado" para o citado jornal.

1922: Professor catedrático de História da Música e Estética no Conservatório. Participa da Semana de Arte Moderna em São Paulo, de 13 à 18 de fevereiro, no Teatro Municipal de São Paulo. Faz parte do grupo da revista Klaxon, publicando poemas e críticas de literatura, artes plásticas, música e cinema. Escreve Losango Cáqui, poesia experimental. Inicia a correspondência com Manuel Bandeira, que dura até o final de sua vida. Publica Paulicéia desvairada, poesia.

1923: Estuda alemão com Kaethe Meichen-Bosen, de quem se enamora. Faz parte da revista Ariel, de São Paulo. Escreve A escrava que não é Isaura, poética modernista. Continua a colaborar na Revista do Brasil (Rio de Janeiro).

1924: Realiza a histórica "Viagem da Descoberta do Brasil", Semana Santa dos modernistas e seus amigos, visitando as cidades históricas em Minas. Colabora em América Brasileira (contos de Belazarte), Estética e Revista do Brasil (Rio de Janeiro).

1925: Colabora n'A Revista Nova de Belo Horizonte. Publica A Escrava que não é Isaura: discurso sobre algumas tendências da poesia modernista. Adquire a tela de André Lhote, Futebol, através de Tarsila.

1926: Férias em Araraquara, escrevendo Macunaíma. Publica Primeiro andar, contos, e Losango Cáqui (ou Afetos Militares de Mistura com os Porquês de eu Saber Alemão), poesia. Escreve poemas de Clã do Jaboti. Colabora na Revista de Antropofagia, na Revista do Brasil e em Terra Roxa e Outras Terras.

1927: Colabora no Diário Nacional de São Paulo: crítico de arte e cronista (até 1932, quando o jornal é fechado). Estréia como romancista, publicando Amar, verbo intransitivo, que choca a burguesia paulistana com a história de Carlos, um adolescente de família tradicional iniciado nos prazeres do sexo pela sua Fraülein, contratada por seu pai exatamente para essa tarefa. Lança, também, o livro Clã do Jaboti, de poesias. Realiza a primeira "viagem etnográfica": percorrendo o Amazonas e o Peru, da qual resulta o diário O Turista Aprendiz.

1928: Membro do Partido Democrático. Realiza sua segunda "viagem etnográfica": ao Nordeste do Brasil (dez. 1928 - mar. 1929). Colabora na Revista de Antropofagia e em Verde. Publica Ensaio sobre a Música Brasileira e Macunaíma - o Herói sem nenhum caráter, onde inova com audácia e rebela-se contra a mesmice das normas vigentes. Com enorme sucesso a obre repercutiu em todo o país por seus enfoques inéditos. Sob um fundo romanesco e satírico, aí se mesclavam numa narrativa exemplar a epopéia e o lirismo, a mitologia e o folclore, a história e o linguajar popular. O personagem-título, um "herói sem nenhum caráter", viria a ser uma síntese, o resumo das virtudes e defeitos do brasileiro comum.

1929: Inicia coluna de crônicas "Táxi", no Diário Nacional. "Viagem etnográfica" ao Nordeste, colhendo documentos: música popular e danças dramáticas. Rompimento da amizade com Oswald de Andrade. Publica Compêndio de História da Música.

1930: Apóia a Revolução de 30. Defende o Nacionalismo Musical. Publica Modinhas Imperiais, crítica e antologia, e Remate de Males, poesia.

1933: Completa 40 anos. Faz crítica para o Diário de São Paulo (até 1935).

1934: Diplomado Professor honorário do Instituto de Música da Bahia. Cria e passa a dirigir a Coleção Cultural Musical (Edições Cultura Brasileira - São Paulo). Colabora em Festa (Rio de Janeiro), Boletim de Ariel. Publica Belazarte, contos, e Música, Doce Música, crítica.

1935: É nomeado chefe da Divisão de Expansão Cultural e Diretor do Departamento de Cultura. Publica O Aleijadinho e Álvares de Azevedo.

1936: Deixa de lecionar no Conservatório. Nomeado Chefe do Departamento de Cultura da Prefeitura.

1937: É contra o Estado Novo.

1938: Transfere-se para o Rio de Janeiro (27 jun.), demitindo-se do Departamento de Cultura (12 mai.). É nomeado professor-catedrático de Filosofia e História da Arte na Universidade do Distrito Federal e colabora no Diário de Notícias daquela cidade. Publica Namoros com a Medicina, estudos de folclore.

1939: Cria a Sociedade de Etnologia e Folclore de São Paulo, sendo seu primeiro presidente. Organiza o 1o. Congresso da Língua Nacional Cantada (jul.). Projeta a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, SPHAN. É nomeado encarregado do Setor de São Paulo e Mato Grosso. Escreve poemas de A Costela do Grão Cão. Publica Samba Rural Paulista, estudo de folclore. É crítico do Diário de Notícias (até 1944) e colabora na Revista Acadêmica (Rio de Janeiro) e em O Estado de S. Paulo. Publica A Expressão Musical nos Estados Unidos.

1941: Volta a viver em São Paulo, à Rua Lopes Chaves 546. Está comissionado no SPHAN. Colabora em Clima (SP).

1942: Sócio-fundador da Sociedade dos Escritores Brasileiros. Colabora no Diário de S. Paulo e na Folha de S. Paulo. Publica Pequena História da Música.

1943: Publica Aspectos da Literatura Brasileira, O Baile das Quatro Artes, crítica, e Os Filhos de Candinha, crônicas.

1944: Escreve Lira Paulistana, poesia.


Um capítulo à parte em sua produção literária sem fronteiras é constituído pela correspondência do autor, volumosa e cheia de interesse, ininterruptamente mantida com colegas como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Fernando Sabino, Augusto Meyer e outros. Suas cartas conservaram, de regra, a mesma prosa saborosa de suas criações com palavras — um lirismo que, como ele disse, "nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada".
Coberto de reconhecimento pelo papel de vanguarda que desempenhou em três décadas, Mário de Andrade morreu em São Paulo SP em 25 de fevereiro de 1945.


Bibliografia:

- Há uma gota de sangue em cada poema, 1917

- Paulicéia desvairada, 1922

- A escrava que não é Isaura, 1925

- Losango cáqui, 1926

- Primeiro andar, 1926

- A clã do jabuti, 1927

- Amar, verbo intransitivo, 1927

- Ensaios sobra a música brasileira, 1928

- Macunaíma, 1928

- Compêndio da história da música, 1929 (reescrito como Pequena história da música brasileira, 1942)

- Modinhas imperiais, 1930

- Remate de males, 1930

- Música, doce música, 1933

- Belasarte, 1934

- O Aleijadinho de Álvares de Azevedo, 1935

- Lasar Segall, 1935

- Música do Brasil, 1941

- Poesias, 1941

- O movimento modernista, 1942

- O baile das quatro artes, 1943

- Os filhos da Candinha, 1943

- Aspectos da literatura brasileira 1943 (alguns dos seus mais férteis estudos literários estão aqui reunidos)

- O empalhador de passarinhos, 1944

- Lira paulistana, 1945

- O carro da miséria, 1947

- Contos novos, 1947

- O banquete, 1978

- Será o Benedito!, 1992

As sextas-feiras culturais em Águeda começam hoje com os Gaiteiros de Lisboa


A associação cultural d'Orfeu, de Águeda, que tantas iniciativas tem desenvolvido nos últimos tempos, lança-se em mais uma animação cultural com as Sextas-Feiras Culturais em Águeda. e cujo programa segue abaixo. Hoje é a vez dos Gaiteiros de Lisboa.


http://www.dorfeu.com/


Sextas-feiras culturais em Águeda


14 Março Camané


9 Maio A Naifa

13 Junho Os Melhores Sketches dos Monty Python



Dois videos dos Gaiteiros de Lisboa




A Roda de Choro de Lisboa no Grémio Lisbonense ( às 3ªs feiras) e na Fábrica Braço de Prata ( às 4ªs feiras)

RODA DE CHORO DE LISBOA
na Fábrica Braço de Prata
todas as quartas das 22h às 02h

Cada vez mais quentinha e mais rodada, a Roda de Choro, outrora nascida no histórico Espaço Fala-Só, e que viria a ressurgir no mítico Sítio do Cefalópode onde ganhou uma nova vitalidade, e enquanto mantém residência às terças no belo espaço do Grémio Lisbonense...
apresenta-se agora todas as quartas-feiras no grande espaço da Fábrica Braço de Prata.

A Roda tem-se presentado em espectáculos cheios de uma alegre nostalgia que caracteriza esta música herdada do mestre Pixinguinha.

Os chorões de Lisboa estão imparáveis, numa Roda viva!

Fábrica Braço de Prata
Rua Fernando Palha 26, 1950-131 Lisboa (Marvila)
entrada: 3 euros

ENCONTRO DOS AMANTES DO CHORINHO, GÉNERO NASCIDO DO RIO E SUBLIMADO POR PIXINGUINHA... ESTE ESTILO DE MÚSICA POPULAR BRASILEIRA É PRATICADO TAMBÉM EM LISBOA!

10.1.08

A chegada do preço do barril de petróleo aos 100 dólares foi festejada efusivamente pelos ecologistas




Numa acção espontânea e com algum humor e boa-disposição à mistura , os defensores da bicicleta como meio alternativo de deslocação, e os ecologistas em geral, festejaram em várias cidades francesas um acontecimento promissor: nada mais nada menos que o facto do preço do barril de petróleo ter atingido os 100 dólares.
Segundo os organizadores dos festejos não se trata propriamente de um má notícia, muito pelo contrário poderá ser até um motivo para levar a signficativas mudanças sociais e comportamentais e uma ocasião importante para repensar as nossas sociedades baseadas no todo-poderoso automóvel, ajudando a re-localizar a economia.
Uma dessas festas decorreu simbolicamente num antigo posto de gasolina , agora desactivado, e entre canções e diversas intervenções, a tónica comum foi sempre a necessidade das nossas sociedades se habituarem em viver sem o sacro-santo petróleo.

Ao contrário da vulgata ideológica difundida todos os dias pelos media acerca da alta do preço do petróleo como uma má notícia, esta corrida de preços poderá constituir uma ocasião única para repensarmos a economia e levar muitos de nós a privilegiar os transportes colectivos e a bicicleta, meios muito menos danosos para o ambiente.

Do que se trata é de festejar o fim de uma civilização fundada no petróleo, por muitos considerado o «ouro negro»

Um litro de petróleo economizado é mais um bocado de liberdade que se ganha!

Consultar:
http://fete100dollars.free.fr/recitlyon.html
http://fete100dollars.free.fr/
e ainda aqui

Fotografias dos festejos:












Excerto do filme utópico «Ano 01 – pára tudo e começamos a pensar» (L'an 01 - "On arrête tout et on réfléchit" ) realizado por Alain Resnais, Jacques Doillon, Jean Rouch et Gébé em 1973, que trata da primeira bicicletada realizada em França ( sob o nome de Vélorution)






A Velorution hoje em dia


Filo-Café: Suicídio/Altericídio ( sábado, 12 de Janeiro às 21h. na café Princesa, Porto)


Filo-Café: Suicídio/Altericício
12Janeiro 2008, 21h
Café Princesa
Rua Silva Tapada, 134
Porto
sábado, 12/01/08

filo-café
lançamento de livro
performances

Mais informação:
INCOMUNIDADE
http://incomunidade.blogspot.com/



Inscrições Abertas:
Para a sua inscrição indique nome, lugar de proveniência e área de intervenção, através de incomunidade@gmail.com


Mais info: 00351.965817337

9.1.08

Movimento Porta 65 Fechada: reunião preparatória no café Piolho (dia 12 de Janeiro às 18h) para o fim de semana de contestação de 9 e 10 de Fev.

Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar.


O movimento Porta 65 Fechada decidiu promover um fim-de-semana de contestação ao programa Porta 65 Jovem a 9 e 10 de Fevereiro. A acção culminará no Domingo, dia 10, com concentrações simultâneas e inovadoras em Lisboa, Porto e Coimbra, sendo que outras cidades se poderão ainda juntar. Entretanto o movimento continuará a promover acções de sensibilização da população.

A decisão foi tomada, a 5 de Janeiro, na primeira reunião nacional do movimento que, apesar de ter nascido há pouco mais de um mês, já conta com o apoio directo de centenas de pessoas, e o encorajamento de movimentos similares estrangeiros.

O movimento Porta 65 Fechada continua empenhado em denunciar as graves situações criadas pelo novo programa de apoio ao arrendamento jovem, onde se incluem a definição de critérios absolutamente desajustados da realidade, que afastam os jovens que mais necessitariam do incentivo.

A contestação, que teve a sua primeira acção a 20 de Dezembro, pretende obrigar à revogação da lei que institui o Porta 65 Jovem e à criação de regras mais justas.

As candidaturas ao programa Porta 65 – Jovem terminaram no passado dia de 3 Janeiro, após sucessivos adiamentos atestando o completo falhanço desta primeira fase de candidaturas. Das 15 a 20 mil candidaturas esperadas apenas se efectuaram cerca de 3500. O movimento Porta 65 Fechada estima que entre 15 a 17 mil jovens, antigos beneficiários do programa de apoio anterior, ficaram automaticamente excluídos da possibilidade de se virem a candidatar.


Para tal, quem quiser participar na preparação deste fim de semana envie por favor um email de confirmação para a reunião que vai ser realizada este sábado 12 de Janeiro às 18h00 no café piolho ( no Porto)

Todos juntos conseguimos!



obrigada,





Reportagens das televisões sobre o assunto: o arrendamento-jovem e o Movimento Porta 65 Fechada







Convite da Casa-Viva para partilha de informação

A CasaViva tem a felicidade de ter um espaço amplo, que muito raramente é utilizado na sua plenitude. Nesse sentido, decidiu-se dedicar uma sala para coisas mais perenes, como computadores, biblio, áudio e videotecas e, igualmente importante, espaço para que gente que connosco partilha críticas e pensamentos possa divulgar as suas lutas.

Ou seja, para além de, logicamente, aceitarmos que nos enviem zines, livros, CDs, filmes e computadores que tenham a mais ou que iam deitar ao lixo, gostaríamos de vos convidar a ter uma banca permanente nesse espaço que será de acesso livre e público. Temos mesas disponíveis para colocar lá flyers, cartazes, zines, o que acharem que é importante a cada momento.

A ideia é que a banca seja alimentada pelas próprias pessoas ou colectivos que a ocupam, ou seja, é importante que, regularmente, nos enviem material novo para substituir o que a obsolescência ou o interesse de quem por cá passa fizer desaparecer.

Envia as tuas coisas para:

CasaViva
Praça Marquês de Pombal, 167