30.12.07

As lutas dos trabalhadores portugueses em revista ao longo do ano de 2007

Retirado do blogue:


JANEIRO 2007

• Os trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio fizeram uma vigília na Urgeiriça, de protesto contra a falta de cumprimento pelo Governo da promessa antiga de os «equiparar a trabalhadores de fundo de mina» para efeitos de reforma.
• Denúncia, protesto e luta dos trabalhadores da Yazaki Saltano, em Ovar, em defesa dos seus (533) postos de trabalho, depois da empresa ter anunciado o fim da produção de cablagens para o modelo Toyota Corolla, colocando cerca de 500 trabalhadores no desemprego. A empresa recorreu a acordos individuais de rescisão de contrato. Os trabalhadores que assinaram não receberam cópia do documento, e alguns reconheceram ter cedido a pressões, nem tendo lido o acordo. A multinacional, que está instalada em Portugal há mais de 20 anos e chegou a empregar, em 1996, 7 mil trabalhadores, recebeu 10 milhões de euros de apoios comunitários. Contudo a partir de 1998 iniciou o processo de deslocalização para Marrocos, tendo nessa altura reduzido para metade o número de trabalhadores.
• Greve de 24 horas (dia 5) dos trabalhadores das empresas Autosource/Tutela e Select, que prestam serviço na Optimus. O Sindicato Nacional dos Correios e Telecomunicações denunciou tentativas de intimidação de chefes de equipa, ameaçando com faltas injustificadas aqueles que decidissem aderir à luta.
• Greve durante três horas por turno (dias 5 e 8) dos maquinistas dos barcos da Soflusa, com uma adesão praticamente total, paralisando a ligação entre o Barreiro e o Terreiro do Paço. Em causa estava a negociação do complemento remuneratório e o aumento de funções dos maquinistas práticos. Os custos seriam inferiores ao que a empresa gasta com autocarros alternativos num só dia de greve, afirmam os sindicatos. Pelos mesmos motivos, estes trabalhadores realizaram em 2006, sempre com muito fortes níveis de adesão, mais de uma dezena de greves. No dia 25, a administração da Soflusa apresentou aos sindicatos uma proposta, «por força da luta dos trabalhadores», na intenção de obter acordo com os maquinistas que continuam a lutar pela manutenção da equiparação salarial com os mestres das embarcações,
• Greve dos trabalhadores da Portucel Viana (dias 4 e 5) lutando contra a redução do complemento de reforma e o fim da actualização anual deste. A Portucel Viana pretend reduzir para cerca de 5 por cento da remuneração-base e diuturnidades o complemento de reforma, que hoje pode atingir 28,6 por cento, e quer também acabar com a actualização anual do complemento pelo valor do aumento médio dos salários.
• Continuação da luta dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa (ML), com mais dias de greve (dia 9 e 11) com o propósito de impedir que o Acordo de Empresa (AE) caduque, no final de 2007.
• Greve de uma hora por turno (dia 25) na VN Automóveis, com concentrações à porta da empresa, em Vendas Novas, para exigir conhecer a proposta salarial da administração. Os trabalhadores também queriam ver resolvida a situação dos deslocados da ITAB e acatadas as propostas constantes no seu caderno reivindicativo.
• Aos 90 trabalhadores, há meses em vigília, dia e noite, frente às instalações da Pereira da Costa Construções, na Amadora, juntaram-se, dia 10, mais 50 dos restantes cem operários que ainda estavam a trabalhar, por não terem recebido, em Dezembro, o salário e o subsídio de Natal.
• Foi desconvocada a greve dos 26 trabalhadores da fábrica de moldes Famopla, na Marinha Grande, prevista para a tarde de 24 de Janeiro, após a administração se ter comprometido a pagar os salários em atraso.
• Contestação popular contra a política de encerramento de serviços de maternidades e urgências.

FEVEREIRO 2007

• Os 76 trabalhadores da fábrica de cortiça Monticor , no Montijo, fizeram greve por tempo indeterminado para exigirem o salário deste mês e a garantia dos empregos, ameaçados pela construção de uma urbanização junto às instalações da unidade.
• Luta dos trabalhadores da EMEF, membro do grupo CP. Em causa estava a «provocação sem precedentes» da administração que, na reunião com representantes dos trabalhadores, dia 26 de Janeiro, anunciou a intenção de não proceder a quaisquer aumentos salariais nem a qualquer negociação nos próximos três anos.
• Greve dos trabalhadores da empresa de moldes da Marinha Grande, Somema, (dia 15) após a administração ter tentado impor trabalho extraordinário não pago e avançado com despedimentos e processos disciplinares.
• Cerca de 300 trabalhadores da empresa de trabalho temporário, Sonastel, concentraram-se, dia 1, na sua sede, para exigirem os salários de Janeiro. A administração declarou falência e quis indemnizar apenas quem aceitasse as rescisões, ficando de fora da lista de credores. Quem rescindiu recebeu cheques carecas.
• Luta dos trabalhadores das minas de Aljustrel contestando a proposta salarial da Pirites Alentejanas (aumento de 25 euros) como "insuficiente e provocadora" e exigindo o respeito pelo limite legal dos horários de trabalho.
• Paralisação (dia 14) na Transportes Sul do Tejo (TST). A apresentação formal do pré-aviso de greve fez «efeito na estratégia da empresa, obrigando-a a passar a sua proposta de aumento na tabela salarial para 2,5 por cento».
• A administração da Transtejo recuou, dia 16, na pretensão de passar a impor a marcação das datas de férias aos trabalhadores, um dia depois de um plenário ter aprovado uma greve às horas extraordinárias, por tempo indeterminado, contra aquela medida «abusiva» e «injustificada».
• Tribuna pública dos trabalhadores da Gestnave e Lisnave para exigir aos subscritores do Protocolo de Acordo de 1997 (assinado pelo Estado e os donos da Lisnave, com o objectivo de viabilizar a indústria naval na Península de Setúbal) que cumpram o previsto no acordo e decidam a integração na Lisnave dos trabalhadores da Gestnave e associadas.
• Concentração dos trabalhadores da Portugal Telecom frente à residência do primeiro-ministro para que o Governo vote pelo impedimento do desbloqueamento dos estatutos da empresa e evite o seu desmembramento, como estava perspectivado no quadro da OPA lançada pela Sonae.
• A Associação Nacional de Sargentos interpôs uma providência cautelar contra a pena aplicada a dez militares por terem participado no «passeio de descontentamento», a 23 de Novembro de 2006. As penas de detenção foram depois suspensas pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra.
• Greve de duas horas, no dia 15, dos trabalhadores do Arsenal do Alfeite, com concentração junto à administração, para exigir que as organizações representativas dos trabalhadores sejam informadas e auscultadas junto do grupo de trabalho criado para preparar a «empresarialização» do estaleiro.
• Repressão sobre os trabalhadores e tentativas de impedir a acção sindical na SPPM, Sociedade Portuguesa de Pintura e Módulos para a Indústria Automóvel, instalada no Parque Industrial da Autoeuropa (ver).
• Protestos por todo o país (dia 28) dos estudante do ensino secundário contra a política educativa do governo, pelo fim dos exames nacionais e da nota mínima (9,5) de acesso ao ensino superior, pela melhoria das condições materiais de ensino, o aumento do número de professores e funcionários, e contra a privatização do seu ensino, a sobrecarga horária e as aulas de substituição.
• Protestos das comunidades Portuguêsas em França contra o encerramento de consulados.
• Vitória do Sim no referendo nacional sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.

MARÇO 2007

• Greve na CP (dia 1) por um «tratamento salarial mais justo» dos trabalhadores ferroviários, que desempenhando um conjunto de funções iguais ou idênticas a outras categorias, recebem salários mais baixos.
• Manifestação de agricultores em Coimbra contra a diminuição de ajudas ao desenvolvimento rural, o encerramento de zonas agrárias e a mudança da sede da Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral.
• Mais de 150 mil nas ruas de Lisboa por uma mudança de políticas numa grande jornada de luta nacional pela defesa dos serviços públicos, da segurança social e dos direitos dos trabalhadores, pela mudança de políticas, contra aFlexisegurança.
• Durante a manhã do dia 2, muitos sectores protestaram diante do respectivo patronato, caso dos trabalhadores de super e hipermercados da Jerónimo Martins (Pingo Doce e Feira Nova), trabalhadores da hotelaria e turismo, e fabricantes de material eléctrico. Os trabalhadores da Pereira Costa, à cinco meses de vigília permanente junto às instalações da empresa fizeram uma concentração junto à residência oficial do primeiro-ministro. No dia 13, estes trabalhadores foram alvo de uma carga policial frente à empresa após a polícia ter agarrado e detido Pedro Miguel, dirigente do Sindicato da Construção, por este se ter aproximado do carro transportando o administrador Luís Moreira que abandonava o local numa viatura da empresa.
• Manifestação de 6,500 portugueses e lusodescendentes manifestam-se (dia 4) em França contra o encerramento de consulados.
• Milhares de pessoas manifestam-se em Peniche contra o encerramento do serviço de urgências do Hospital S. Gonçalo Telmo. Esta foi apenas uma das várias iniciativas por todo o país em defesa do Serviço Nacional de Saúde.
• Protesto dos trabalhadores da Marginal, na Broega (Sarilhos Grandes, Montijo), contra atrasos no pagamento de salários, desde há 4 anos. A empresa trabalha para a EMEF, na construção de vagões para a Bósnia.
• Trabalhadores da Recorte decidem fazer greve todas as segundas e sextas-feiras, a partir de 19 de Março, depois da empresa ter reafirmado, dia 7, que não pretende actualizar os salários, o subsídio de alimentação e as diuturnidades.
• Nova greve dos trabalhadores da TST (dia 9) por melhorias salariais e das condições de trabalho.
• Perante a iminência do fecho da Rohde, multinacional alemã de calçado, em Santa Maria da Feira, e a ausência de medidas do Governo para o evitar, os trabalhadores sairam à rua (dia 15) e mantiveram vigilância à porta da empresa para evitar a saida de ma terial da fábrica e garantir o pagamento de salários (avaliados em cerca de 700 mil euros).
• Nas transportadoras de passageiros Transdev, Minho Bus, Charline, e Rodoviária D’Entre-Douro-e-Minho, os trabalhadores cumpriram um dia de greve (dia 22) contra a «política de ataque aos salários e aos direitos dos trabalhadores».
• No Dia da Juventude (28 Março) decorreu o maior protesto de jovens trabalhadores realizado em Portugal, com uma manifestação de cerca de 10 mil jovens contra a precariedade no emprego.
• Concentração de enfermeiros (dia 29) frente ao Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia contra a precariedade sofrida por estes profissionais de saúde: na região dum total de 900 enfermeiros, 300 têm contrato a termo certo. Este foi apenas um de vários protests de enfermeiros ocorridos este mês.

ABRIL 2007

• Greve (dia 5) dos trabalhadores da Autexpor (Palmela), sem aumentos salariais há oito anos e sem resposta da administração às propostas apresentadas em Novembro.
• Duas concentrações de trabalhadores de empresas fabricantes de material eléctrico e electrónico (dia 4), junto do Complexo Grundig, em Braga (onde estão instaladas a Fehst, a Blaupunkt e a Delphi) e em Alfragide, frente à Siemens, para exigir da associação patronal que respeite o direito à contratação colectiva e a aumentos salariais justos.
• Paralisação na corticeira Esence (dia 9), no Barreiro e Montijo, levando a administração a pagar metade dos salários de Março, estando ainda por pagar os subsídios de férias e de Natal. Convocada nova greve para os dias 18 e 19, a administração pagou a restante metade do salário de Março e a greve foi desconvocada.
• Greve na Amarsul (dia 20) como forma de protesto contra a última proposta de actualização salarial apresentada pela administração, de apenas 2,1% de aumento (a inflação prevista pelo Governo no Orçamento de Estado). Os trabalhadores veriam assim mais uma vez diminuir o seu poder de compra, já que no ano passado, a previsão de 2,3% limitou a actualização dos salários na empresa, levando a uma perda de 0,8%, face à inflação que se veio a registar.
• Foi convocada greve na Carris (dia 16) após a sucessiva imposição de actualizações salariais inferiores à taxa de inflação e a violação sistemática de direitos consagrados no Acordo de Empresa, enquanto se mantêm mordomias para a administração. Os sindicatos foram forçados a suspender a luta e impugnar a decisão do Tribunal Arbitral que impunha uma definição «absolutamente inacietável» dos serviços mínimos a cumprir pelos trabalhadores.
• «Caravana de Indignação», promovida pela Federação dos Sindicatos da Função Pública contra as políticas do governo terminou com uma vigília frente ao Ministério das Finanças, no Terreiro do Paço.
• Concentrações de trabalhadores (dia 20) dos sectores dos mármores e dos produtos de cimento frente às respectivas associações patronais, exigindo o fim ao bloqueio destas à contratação colectiva.
• Uma greve dos trabalhadores da CP às horas extraordinárias, que decorreria de 21 de Abril a 19 de Maio, foi desconvocada após uma evolução das posições da empresa sobre o processo de revisão salarial. A participação na greve geral convocada para 30 de Maio foi considerada necessária para «reforçar a intervenção com vista à melhoria geral das conduções de vida e de trabalho».
• Trabalhadores do Arsenal do Alfeite preocupados com a «ausência de resposta quanto ao futuro do estaleiro e à defesa dos postos de trabalho» protestaram (dia 24) junto ao Ministério da Defesa e exigiram ser ouvidos pela tutela.
• Anunciado o despedimento colectivo (dia 20) de 70 operários da Quimonda; a multinacional alemã recebeu verbas do Estado superiores a 70 milhões de euros e está assim a contrariar um protocolo, assinado pelo ministro da Economia e a administração, que previa a criação de mais 140 postos de trabalho, até 2008.
• A Yazaki Saltano continua a pressionar os trabalhadores a assinarem um acordo de recisão que sirva de despedimento encapotado, por exemplo solicitando aos trabalhadores da unidade de Vila Nova de Gaia que se transfiram para a unidade de Ovar e simultaneamente que os trabalhadores de Ovar se transfiram para a unidade de Vila Nova de Gaia.
• Convocada Greve Geral para o dia 30 de Maio, por uma mudança de rumo para o país e exigindo medidas contra a precariedade, um travão ao desemprego, a rejeição da flexisegurança e uma reversão das crescentes desiqualdades sociais e económicas.






MAIO 2007

• Celebrando o Dia Internacional dos Trabalhadores (1º Maio) dezenas de milhares de pessoas acorreram à chamada da Intersindical Nacional e, em faixas, carros alegóricos, cartazes e palavras de ordem, transportaram os motivos de descontentamento, indignação e luta, incluindo forte apelo à participação na Greve Geral.
• Greve e «tribuna pública», junto à residência oficial do primeiro-ministro, dos trabalhadores da Gestnave e empresas associadas (Erecta, ACI e EPA) em luta pela integração dos trabalhadores no quadro da Lisnave, como previsto no acordo sobre a reestruturação da indústria naval na Península de Setúbal.
• Dirigentes e activistas de sindicatos dos professores e dos trabalhadores das autarquias deslocaram-se ao Fórum Eugénio de Almeida, no centro histórico de Évora, onde decorreu a reunião extraordinária do Conselho de Ministros, no dia 5, para entregarem moções de protesto contra as políticas do Governo para ambos os sectores.
• O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses realizou, no dia 4, uma acção de rua em Santiago do Cacém, contra a precariedade, que atinge cerca de dois terços dos enfermeiros no Hospital do Litoral Alentejano.
• Concentração, junto à Câmara Municipal de Vila do Conde, de denúncia pública do despedimento de 66 trabalhadores da Quimonda.
• Concentração de trabalhadores, durante uma hora, no dia 10, à porta da Delphi-Braga contra a intenção da administração de atribuir aumentos salariais individualmente.
• Apesar da intimidação, das ameaças de represálias, dos ataques ao direito à greve, mais de um milhão e 400 mil trabalhadores do sector público e privado aderiram à Greve Geral, a primeira realizada contra um Governo Socialista.

JUNHO 2007

• Ao fim de nove meses consecutivos de vigília permanente, a mais prolongada no Portugal democrático, junto às instalações da empresa, na Venda Nova, Amadora, os trabalhadores da Pereira da Costa alcançaram no dia 4 «uma importante vitória» na sentença favorável do Tribunal de Trabalho. A empresa foi condenada a pagar aos trabalhadores indevidamente despedidos indemnizações, os salários em dívida, bem como os subsídios de férias e de Natal.
• Os professores de técnicas especiais das escolas secundárias de Ensino Artístico António Arroio, em Lisboa, e Soares dos Reis, no Porto, cumpriram uma greve, dia 6, que registou uma adesão superior a 70 por cento, em protesto pela demora em implementar o regime de integração em lugar de quadro destes docentes.
• Na Auto Sueco Pesados, em Vila Nova de Telha, concelho da Maia, os trabalhadores iniciaram paralisações de meia hora, ao longo do dia de trabalho, a realizar desde 28 de Abril e até 1 de Junho, «em luta pelo diálogo e contra a discriminação salarial», e contra a perseguição dos trabalhadores críticos da má gestão da empresa, incluindo e suspensão de dois deles,
• Greve, no dia 12, dos ferroviários da CP, para reivindicar o fim da polivalência de funções e exigir respostas da empresa a muitos problemas apresentados e que continuam sem resposta.
• Trabalhadores da Gestnave e associadas no quadro da Lisnave, em luta pelo cumprimento do Protocolo assumido pelo Governo, em 1997, realizaram uma Tribuna Pública, no dia 22, junto à residência do Presidente da República, em Belém, e protestaram junto ao Ministério das Finanças e da Economia, nos dias 18 e 19 respectivamente.
• Greve dos jornalistas da Agência Lusa foi desmarcada depois de a administração ter cedido «sem condicionalismos» a uma actualização salarial com retroactivos a Janeiro, e a implementar um seguro de saúde para os trabalhadores e os seus descendentes.

JULHO 2007

• Centenas de manifestantes receberam os comissários europeus e os membros do Governo português, com apupos, assobios, vaias e palavras de ordem quando estes se reuniram para a cerimónia (e concerto) de abertura da presidência portuguesa da União Europeia.
• Mais de 25 mil trabalhadores exigiram Emprego, Direitos e uma Europa social na Manifestação Nacional da CGTP-IN, em Guimarães, onde estavam reunidos os ministros do Trabalho e da Segurança Social da União Europeia.
• Manifestação nacional de trabalhadores da Administração Pública, no dia 12, com mais de 10 mil participantes, no quadro da luta contra a política de desmantelamento do sector (como a revisão dos vínculos, carreiras e remunerações; a extinção e fusão de serviços; a «mobilidade especial» e a definição de excedentários; a criação de empresas para gerir os recursos e as compras da Administração Pública) que visam a privatização de serviços.
• Vigília, do dia 18 a 20, junto à Assembleia da República, dos trabalhadores da Administração Pública em protesto contra legislação do Governo que desfere novos golpes nos direitos laborais dos trabalhadores do Estado, contra o novo regime de carreiras, vínculos e remunerações e as restrições à actividade sindical. A PSP identificou os participantes na vigília, registou as matrículas dos veículos envolvidos no buzinão, e tentou por várias formas impedir e dificultar o protesto.
• Dois trabalhadores da Pican estiveram amarrados às grades, junto ao escritório da empresa, em Lisboa, expressando assim a sua indignação, depois de a gerência ter anunciado o fecho das oficinas, em Alenquer, recusando-se a pagar as dívidas ao pessoal e rejeitando sequer passar cartas de despedimento, que permitiriam o acesso ao subsídio de desemprego.
• Uma vigília nacional, dia 12, junto da residência oficial do primeiro-ministro, dos sargentos «contra o esbulho das pensões de reforma» e «pelo pagamento da dívida de mais de mil milhões de euros à família militar».
• Greve às horas extraordinárias dos trabalhadores da Transtejo pela reposição da legalidade, depois de a administração ter recusado dialogar com os sindicatos que exigem ver retiradas as faltas injustificadas e reposto o prémio de assiduidade retirado, no mês passado, como represália por não terem acatado os serviços mínimos decretados, na greve geral de 30 de Maio.
• Vigília dos corticeiros diante da associação patronal do sector, APCOR, exigindo aumentos salariais dignos e o fim das discriminações salariais entre homens e mulheres.
• Semana e luta e esclarecimento da população dos trabalhadores da Gestnave e da Erecta no Parque das Nações, onde funcionam as instalações permanentes da presidência portuguesa da UE.
• Protesto dos trabalhadores da recolha de lixo contra a concessão, a privados, deste serviço pela Câmara Municipal do Porto.
• Concentração nacional de trabalhadores da EMEF, dia 18, junto ao edifício da administração, em Lisboa, para exigir respostas concretas nas negociações do Acordo de Empresa e do Regulamento de Carreiras.
• Protesto nacional dos bolseiros de investigação científica, dia 18, frente ao Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, exigindo diálogo em torno da alteração do seu estatuto, o seu reconhecimento como trabalhadores e dignificação da sua condição.

AGOSTO 2007

• Semana de greves dos 150 trabalhadores da Industrial Modem e da Megawork, a laborar na fábrica da Portucel, em Setúbal, abrangendo as duas últimas horas de cada turno e o trabalho extraordinário, reclamando melhorias salariais e das condições de trabalho e a definição das carreiras profissionais.
• Greve de 24 horas, dia 16, e recusa de trabalho suplementar, na semana de 11 a 17, dos trabalhadores da SATA Air Açores, que há meio ano vêem a administração adiar uma justa actualização salarial e tentar impor alterações inaceitáveis no Acordo de Empresa. Greve, nos dias 23 e 24, e recusa de trabalho extra entre 25 e 31 de Agosto, dos trabalhadores da SATA, reclamando aumentos salariais justos.
• Protesto de centenas de emigrantes portugueses na Praça do Rossio, contra a reestruturação da rede consular anunciada pelo Governo.
• Greves dos trabalhadores dos casinos da empresa Solverde, no Algarve, por melhores salários e redução do horário laboral.
• Marcha lenta de automóveis, dia 14, de uma centena de trabalhadores da Portugália, no aeroporto de Lisboa, contra o anunciado despedimento colectivo de 118 funcionários da companhia.
• Greve do pessoal de terra dos aeroportos portugueses, no fim de semana dos dias 18/19, reclamando da Groundforce SPdH respostas aceitáveis a reivindicações em matérias de actualização salarial, evolução nas carreiras profissionais e organização dos horários de trabalho.
• Pré-aviso de greve por tempo indeterminado na Transtejo e na Soflusa, a partir de 23 de Agosto, e continuação da greve às horas extraordinárias, depois de a administração não ter evoluído nas suas posições. A greve efectiva pode ser accionada a qualquer altura, caso se repita a realização de uma carreira da Transtejo por uma embarcação da Soflusa.

SETEMBRO 2007

• Milhares de agricultores manifestaram-se (17/Set) para exigir uma outra Política Agrícola Comum (PAC), durante o encontro dos 27 ministros da agricultura da UE, que decorria no edifício da Alfandega, no Porto.
• Acordo entre o sindicato e a administração da Soflusa que prevê uma actualização de 1,8 por cento na tabela salarial e restantes cláusulas pecuniárias.
• Greve do pessoal da Valorsul iniciou no dia 18 uma greve de três dias, com adesão total, para «forçar a administração a a negociar salários justos, a abandonar a sua pretensão de retirar direitos do AE e a tomar medidas urgentes de prevenção da segurança e de protecção da saúde dos trabalhadores». Os trabalhadores recusaram a tentativa de imposição de serviços mínimos, por um despacho conjunto dos ministérios do Trabalho e do Ambiente, que representariam um nível de laboração quase a cem por cento.
• Em situação precária, os trabalhadores da Industrial Modem e da Megawork concentraram-se, dia 18, junto ao Governo Civil de Setúbal, onde entregaram uma moção a exigir os mesmos direitos que têm os trabalhadores da Portucel, empresa onde trabalham.
• Concentração de trabalhadores da AA Silva (ex-Autosil), junto aos portões da fábrica, em Paço de Arcos, como forma de protesto contra o negócio imobiliário que pode determinar o encerramento da empresa. O sindicato acusa a empresa, a CM de Oeiras e o Millenium BCP de, com permutas de terrenos, estarem a abrir caminho ao fim da produção de baterias de arranque para a indústria automóvel em Portugal.
• Manifestação (24/Set) , convocada pela Associação Sindical dos Profissionais de Policia junto ao Pavilhão Atlântico, no Parque das Nações, em Lisboa, coincidindo com a reunião de ministros da Justiça e da Administração Interna da União Europeia, no mesmo local.
• Os procedimentos disciplinares contra os trabalhadores do Metropolitano, Transtejo e Soflusa que resistiram à imposição de serviços «mínimos» na greve geral foram anulados.

OUTUBRO de 2007

• Manifestação (1/out) de três mil polícias no Parque das Nações, junto à sede da presidência portuguesa da União Europeia, no mesmo dia em que ali começou uma reunião informal de ministros da Justiça e da Administração Interna dos 27 estados-membros.
• Iniciativa de convívio e de luta do Professores, no Dia Mundial do Professor, no Coliseu de Lisboa, pugnando por melhores condições de trabalho e melhores condições de aprendizagem.
• Nas oficinas do SMAS no Fanqueiro, Loures, centena e meia de operários pararam a laboração, durante a manhã de 1 de Outubro, em protesto contra a retirada do transporte municipal, «a única forma que a maioria destes trabalhadores tem para se deslocar das suas residências para os locais de trabalho» e um direito reconhecido há mais de 30 anos.
• Os trabalhadores dos serviços dos CTT anuncuaram greve para os dias 16, 17 e 18, em resposta à suspensão das negociações do Acordo de Empresa por parte da administração. A greve dos dias 16 e 17 foi posteriormente desconvocada após recuo da administração recuou, e recomeço das negociações de revisão do AE, e concretização e reformulação de algumas das suas propostas fundamentais da empresa.
• «Rota da precariedade», organizada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, terminou dia 18, com uma concentração, junto ao Ministério da Saúde.
• Centenas de alunos do ensino secundário manifestaram-se, dia 11, no Porto, exigindoo fim dos exames nacionais, a implementação da educação sexual, a melhoria das condições materiais e humanas na escola e fim das barreiras no acesso ao ensino superior.
• Com uma adesão de 85 por cento, os cerca de 600 trabalhadores - na sua maioria mulheres auferindo o salário mínimo regional - das três fábricas da empresa conserveira Cofaco, nos Açores. A greve pretende exigir maior dignidade do trabalho, qualificação e valorização profissional, possiblidade de progressão na carreira, subsídio de alimentação igual para todos, direito a formação, e fim da discriminação.
• Uma greve de 24 horas, dia 19, na Portucel Viana, contestando a intenção da administração de piorar o complemento de reforma, com uma redução significativa do seu montante e a possibilidade de este não ser actualizado.
• Vários incidentes de intimidação por forças policiais e da GNR a assembleias de trabalhadores:
o A GNR tentou segunda-feira impedir um plenário de trabalhadores, em Beja.
o A GNR tentou dia 11 impedir dirigentes do Sindicato do Comércio de distribuírem informação no Freeport, em Alcochete.
o «visita» policial à delegação do SPRC/CGTP-IN, na Covilhã, averiguar acerca da participação no protesto convocado para o dia 9 de Outubro.
• 200 mil participantes reclamaram, na Praça das Nações, «uma construção europeia assente no progresso, justiça social e paz», coincidindo com a cimeira europeia que haveria de consolidar o Tratado de Lisboa.
• Greve de quatro horas (dia 30) dos trabalhadores da revisão da CP Lisboa reclamando melhores condições de trabalho e de segurança, face ao aumento do número de agressões sofridas em serviço.
• Regressadas à empresa Key Plastics, em Vendas Novas, após licença de parto, duas operárias foram confrontadas com a intenção da empresa de não respeitar o seu direito a laborarem no horário diurno - conforme determina a lei da maternidade e paternidade e de acordo, igualmente, com prescrição médica. Interposta uma providência cautelar, o tribunal acabou por acusar a Key Plastics de violação do Código do Trabalho.
• Os trabalhadores da SPdH/Groundforce iniciaram a 29 de Out. uma greve , que se prolonga até 31 de Dezembro, ao trabalho suplementar, às sistemáticas trocas de turnos e à alteração dos horários de refeição.
• Greve os pilotos da aviação civil, 23 de Out., contra o aumento da idade de reforma, de 60 para 65 anos, e a redução das pensões. A greve foi cancelada, após o Governo ter aceite iniciar negociações com o sindicato (SPAC).
• Trabalhadores da EMEF promoveram, dia 24, uma concentração junto à administração da empresa pública de manutenção de material ferroviário, para exigir uma efectiva negociação colectiva. Perante a posição da administração que se manteve «inalterável», mesmo em relação às contra-ordenações emitidas pela Inspecção-Geral do Trabalho, os trabalhadores da fizeram greve no dia 31, para exigirem uma efectiva negociação.

NOVEMBRO 2007

• Greve nos dias 19, 20 e 21 pelos trabalhadores dos consulados e missões diplomáticas em Portugal e nos Estados Unidos, contra a dupla tributação a que estão sujeitos em ambos os países.
• Nova greve dos trabalhadores da Valorsul, que durou uma semana, para forçar a administração a manter direitos consagrados no Acordo de Empresa, negociar aumentos salariais justos, cumprir rigorosamente o AE e o regulamento de turnos, revogar a decisão de diminuir o número de trabalhadores por turno, adoptar medidas urgentes de prevenção de riscos, segurança e de saúde no trabalho, e admitir mais pessoal para reduzir a excessiva carga laboral suplementar.
• Novos incidentes de inimitadação de acção sindical:
o GNR apoiou a administração da Manuel Pires Guerreiro, em Beja, no dia 15, a proibir o plenário convocado pelos representantes dos trabalhadores. No dia 22, dois engenheiros da empresa «chamaram, individualmente, ao seu gabinete, dois trabalhadores que deram a conhecer a sua sindicalização para os aconselharem a abandonar o sindicato».
o Em Castelo Branco, os trabalhadores não docentes da Escola EB 2-3, viram, dia 31, impedido o exercício da actividade sindical no local de trabalho. Foi a segunda vez em duas semanas que os representantes dos trabalhadores se viram impedidos, desta vez com a justificação de falta de sala para a reunião.
o Forças policiais interviram para apoiar as posições da administração da Valorsul. «Temos a Polícia a impor a substituição de trabalhadores em greve por funcionários de empresa de segurança, e temos a Polícia a dar ordens aos trabalhadores, a substituir-se aos órgãos de gestão e às hierarquias da Valorsul»
• Mais de dois mil alunos do ensino secundário e básico da região de Setúbal manifestaram-se, dia 7 de Novembro, contra as políticas praticadas pelo Governo PS para a área da educação.
• Vigília de 24 horas dos ex-trabalhadores das minas da Empresa Nacional de Urânio, diante do Governo Civil de Viseu, para exigirem a requalificação ambiental das minas da Urgeiriça, em Canas de Senhorim, Nelas, e indemnizações aos familiares das 100 vítimas que contraíram doenças cancerígenas devido à exposição à radioactividade.
• Os trabalhadores da Pereira da Costa que foram ilegalmente despedidos mantêm a vigília à porta das instalações da empresa, na Amadora, até que sejam depositadas as indemnizações nas respectivas contas bancárias.
• Os ferroviários jovens do Sindicato Nacional dos Trabalhadores Ferroviários efectuaram uma volta de bicicleta, dia 13, em Lisboa, partindo da Gare do Oriente e cumprindo um percurso pelas sedes da REFER, EMEF, CP e o Ministério dos Transportes, em protesto contra a discriminação devida aos contratos a termo que, como dizem, são cada vez mais.
• Nova greve, de dois dias, a 30 deste mês e 3 de Dezembro, dos trabalhadores da Portucel Viana, em Deocriste, Viana do Castelo, em defesa do complemento de reforma que a administração pretende reduzir significativamente, podendo o corte chegar a metade do actual valor.
• Na ex-Renault, os trabalhadores deslocaram-se, dia 16, em plenário, à porta da administração, para exigir uma verdadeira negociação salarial que não dependa «do trabalho ao sábado, da bolsa de horas, entre outras questões.
• Vigília dos 40 trabalhadores da Mecoin - Indústria de Componentes Metálicos, em Nandufe, Tondela, para impedir a saída das máquinas e materiais, depois de a empresa ter encerrado, dia 6, deixando cinco meses e meio de salários e o subsídio de Natal e de férias por pagar.
• Nova greve dos trabalhadores da Gestnave e Erecta, exigindo a integração nos quadros da Lisnave.
• Concentração de trabalhadores da Portugal Telecom, exigindo a suspensão das alterações introduzidas desde Junho no cálculo dos complementos de reforma, a negociação das medidas correctivas para o Plano de Saúde, apresentadas em Julho pela CT e cinco sindicatos, e o desenvolvimento de um projecto empresarial ao serviço da economia nacional.
• Greve (27-27 Nov) , às duas últimas horas de cada turno, na Sociedade de Transportes Colectivos do Porto. A administração pretende impor férias unilateralmente e recusa estender os direitos dos trabalhadores hoje no activo aos que entrem na empresa.
• Greve dos trabalhadores da Administração Pública (30 Nov). Segundo os sindicatos contou com «uma adesão média entre os 80 e os 85 por cento, na administração central, regional e local, com maior incidência nas autarquias, na Saúde, na Educação e na Justiça, onde, como na Segurança Social e Finanças, houve uma participação sem precedentes».
• Funcionários e bolseiros do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI) concentraram-se, dia 28, em Lisboa, junto do Ministério da Economia e Inovação, onde entregaram uma moção, aprovada na Assembleia Geral de Trabalhadores, de dia 22 de Novembro. Acusam a tutela de falta de transparência no processo de extinção do INETI.
• Desfile dos trabalhadores da Empresa de Manutenção de Material Ferroviário percorreram, a 30 de Novembro, as ruas do Barreiro, protestando contra a tentativa da administração de lhes retirar direitos adquiridos

DEZEMBRO 2007

• Greve de cinco dias (10-14 Dez), das 8 às 10 horas, e das 16 às 18 horas, na REFER, para defender os postos de trabalho e os direitos «sistematicamente ameaçados por processos de reestruturação». Os trabalhadores deslocam-se para locais de trabalho, a centenas de quilómetros de distância, sem qualquer tipo de apoio social.
• Mais de centena e meia de dirigentes, delegados e activistas da USL/CGTP-IN percorreram, dia 6, as ruas da baixa de Lisboa e seguiram até à residência oficial de José Sócrates, em São Bento, onde lhe deixaram uma carta de Natal, lembrando-lhe o agravamento das dificuldades sociais, decorrentes das suas políticas, nomeadamente através do aumento das desigualdades e da pobreza, do desemprego, da manutenção dos baixos salários e do ataque às funções sociais do Estado e às políticas sociais.
• Greve, dia 7, por aumentos salariais, direitos laborais e pela revisão do Contrato Colectivo de Trabalho, os trabalhadores da limpeza industrial. Este CCT abrange cerca de 50 mil trabalhadores.
• Com adesão total, entraram em greve no dia 10 os trabalhadores da Sisáqua, na ETAR da Ribeira de Moinhos, em Sines, reclamando a negociação do seu caderno reivindicativo.
• Plenário Nacional de Sindicatos e desfile de activistas sindicais até ao Palácio de Belém (13 de Dezembro)
• Greve ao trabalho extraordinário, dia 20, dos trabalhadores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) para exigirem o pagamento, em atraso, do trabalho suplementar.
• Greve, dia 19, dos trabalhadores da Unicer, em protesto contra o despedimento colectivo de 18 trabalhadores da logística da fábrica de Leça do Baldio, onde a administração passou a assegurar aqueles serviços recorrendo a uma empresa de outsourcing.
• Os ex-trabalhadores da Lanalgo vão processar os responsáveis pela venda do imóvel da empresa por um décimo (450 mil euros) do seu valor real (4 milhões de euros), situação que os impediu de receberem os salários e as indemnizações em atraso. Há sete anos que os ex-trabalhadores aguardam o pagamento de cerca de 1,5 milhões de euros em indemnizações e salários em atraso por motivo da falência da empresa, no ano 2000.
• Cinco períodos de greve de 12 horas, com adesão a cem por cento, dos inspectores das pescas da Direcção-Geral das Pescas e Aquicultura, para exigir a correcção do D.L. n.º 276/2007, que regula a actividade das Direcções-Gerais, mas onde não consta a D.G. das Pescas e Aquicultura, como entidade inspectiva e fiscalizadora.
• Paralizações dos trabalhadores da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, em defesa dos direitos ameaçados, dando seguimento às realizadas em Novembro.
• Centenas de trabalhadores de empresas do concelho do Barreiro manifestaram-se, dia 20, nas ruas da cidade, em direcção ao Instituto de Emprego e Formação Profissional, onde foi entregue uma resolução, com exigências, quer ao Governo, quer a administrações de empresas, relativas à situação social e laboral, designadamente: a salvaguarda dos postos de trabalho e dos direitos dos trabalhadores da EMEF; respeito pelos direitos dos trabalhadores da Administração Pública; a retoma do normal funcionamento da Amoníaco de Portugal; mudança de políticas e melhoria dos salários.
• Em Braga, no dia 18, um plenário distrital de sindicatos entregou no Governo Civil o «livro negro» da situação social e laboral do distrito, exigindo medidas e políticas alternativas. O documento da USB/CGTP-IN refere, designadamente, que há mais de 50 mil desempregados, mais de 8 mil trabalhadores com remunerações em atraso, cerca de 60 mil assalariados a receberem (líquido) menos que o salário mínimo nacional.


2008 promete ser um novo ano de luta intensa dos trabalhadores contra as ofensivas do governo de direita de José Sócrates, as ofensivas neo-liberais orquestradas na União Euopeia, o roubo e exploração do capital, em defesa dos direitos dos trabalhadores, do direito de organização sindical, das liberdades democráticas, em defesa de um sociedade com mais justiça social.

O Comuneiro - Revista digital marxista


Apesar de não partilharmos as suas análises nem ainda de muitos dos seus princípios ideológicos, não queremos deixar terminar este ano sem uma referência à revista digital de filiação marxista, O Comuneiro, cuja leitura se recomenda pela qualidade dos textos que aí são difundidos. Foram já editados cinco números cujos sumários transcrevemos mais abaixo, depois do texto de apresentação da revista retirado do seu website:

http://www.ocomuneiro.com/

Em Comum


Em Wall Street as expectativas crescem. Há fusões de grandes conglomerados e mais despedimentos massivos em perspectiva. As armadilhas da liquidez. Grandes aluviões de dinheiro – fictício, esbulhado, prometido - cachoam enlouquecidos, como manadas de bisontes em pânico. Flexibilidade, polivalência, just in time. Os ritmos aceleram para os sobreviventes da empregabilidade. Os nervos crispam-se no esforço. A TV vomita as suas obscenidades quotidianas. A terra está seca. Os peitos das mães acusam silenciosamente. Torrentes de humanidade “excedentária” afluem continuamente às megapólis de lata. As chuvas são ácidas. O barril do ‘brent’ está cotado em alta. Erguem-se novamente as cabeleiras rubras da guerra. De todos os cantos do mundo se levanta um mesmo clamor de revolta.
‘O Comuneiro’ pretende ser, dentro do mundo da língua portuguesa, um pequeno laboratório de pesquisa na busca de um propósito articulado nesta revolta. Para isso, serve-se dos instrumentos da crítica ao universo do capital forjados há cento e cinquenta anos e temperados desde então em milhões de lutas, grandes e pequenas, certas e equivocadas. Trabalho necessário, mais-valia, D-M-D’. Como do sangue, suor e fezes das grandes multidões laboriosas se foram amassando as riquezas acumuladas nas mãos dos poucos, reproduzindo-se o ciclo incessantemente com uma regularidade cega e brutal. Até que a rotativa da valorização entra em panne mortal. O velho red doctor, nas insónias do Soho, viu tão bem e tão longe que só hoje começamos a compreendê-lo verdadeiramente. Ou só hoje as duras esquinas do real parecem obstinar-se a preencher e cumprir fielmente os seus conceitos.
Que um outro mundo é possível, ninguém o duvida. Menos que todos os ideólogos estipendiados para o negar, que são as únicas vozes autorizadas no novo Leviatã totalitário da “globalização”. Mas os futuros possíveis arrancam do que é presente, do que se compreende a si próprio como movimento e razão. O nosso desígnio é pois tornar esse movimento e essa razão presentes a si próprios. Para que, de entre os miasmas em decomposição do mundo mercantil (e seu bailado de fetiches), se ergam as novas vozes prontas a reclamar e fazer sua a própria vida. Em comum. Saltando as cercas. Rasgando a mãos juntas os velhos protocolos da exclusão e do enclausuramento proprietário.



Revista nº 5 – Setembro 2007

A única economia viável - István Mészáros
Marxismo para o século XXI - Michael Lebowitz
Trabalho forçado e por gosto - Daniel Bensaïd
Notas críticas sobre o capitalismo cognitivo - Michel Husson
Trabalho e história - Sérgio Lessa
Tecnociência, ecologia e capitalismo - Marcos Barbosa de Oliveira
Trabalho e fluxo informacional - Ruy Braga
A nova divisão internacional do trabalho - Ivonaldo Leite
Movimentos sociais rumo a uma nova sociedade - Alder Júlio Calado
Novos tempos, novos caminhos - Ricardo Gebrim


Números anteriores da Revista digital O Comuneiro:

REVISTA nº 1 - Setembro 2005

-
Capitalismo Monopolista - Paul Sweezy
-
A crise actual e as raízes do futuro - Tom Thomas
-
O problema do subdesenvolvimento e o exército industrial de reserva - João Valente Aguiar
-
O fim do valor - Jim Davis
-
O poder do dinheiro: dívida e vedações (enclosures) - George Caffentzis
-
Os segredos da «sociedade da informação» - Ângelo Novo
-
Tenham a certeza absoluta... - Chris Harman
-
Socialismo ou Barbárie: objectivismo económico e intervenção criativa dos povos no desenlace das contradições do capitalismo - Ronaldo Fonseca
-
Trabalhadores: classe ou fragmentos? - João Bernardo
-
O Governo Lula e a reforma conservadora do neoliberalismo no Brasil - Armando Boito
-
Movimentos sociais no Brasil de hoje - Ivonaldo Leite

REVISTA nº 2 - Março 2006

-
Trabalhar todos, menos, de outra forma –Tom Thomas
-
Ciência: força produtiva ou mercadoria?– Marcos Barbosa de Oliveira
-
Filósofos, cientistas e a unidade da ciência – Helena Sheehan
-
Constância, transformação e ruptura – Ângelo Novo
-
Da idiotia útil ao activismo – Bob Hughes
-
Os fundamentos do processo de financeirização - Tatiana Brettas
-
Novos movimentos sociais e partidos revolucionários – Ronaldo Fonseca
-
O galo da Europa se espreguiça – Osvaldo Coggiola
-
Género, marxismo e pós-modernidade – Mirla Cisne
-
Celso Furtado e a história económica – Ivonaldo Leite
-
2006, ou a propósito de um ano eleitoral – Virgínia Fontes

REVISTA nº 3 - Setembro 2006

-
A mundialização do exército industrial de reservar – François Chesnais
-
Novos rumos do comunismo – Ângelo Novo
-
Imperialismo, classes sociais e conjuntura – Virgínia Fontes
-
A emergência do sistema imperialista – Ronaldo Fonseca
-
Abaixo as patentes – Marcos Barbosa de Oliveira
-
O Manifesto dot.Comunista - Eben Moglen
-
As despolitização das lutas sociais – Tatiana Brettas e Mirla Cisne
-
Salazar e outras histórias – Francisco Martins Rodrigues
-
Espectros de 1964 – Caio Navarro de Toledo- O ocaso do PT, as eleições e as parspectivas da luta socialista no Brasil - Carlos Zacarias de Sena Júnior

REVISTA nº 4 - Março 2007

- A Ecologia da Destruição - John Bellamy Foster
- Pensar o comunismo, hoje - AA. VV.
- Crítica da 'Crítica do Programa de Gotha' - Tom Thomas
- Que outro mundo é possível? - Ângelo Novo
- Dezanove teses - Ben Seattle
- Marxismo e questão nacional - Ronaldo Fonseca
- Igualitarismo marxista e liberdade humana - Valério Arcary
- Comunismo: de que se trata? - Sérgio Lessa
- O PCP e a questão colonial - Francisco Martins Rodrigues
- Governo Lula: realidade e promessas - Caio Navarro de Toledo

29.12.07

Ateneo libertário Al Margen e o Bairro del Carmen em Valência

Barrio del Carmen ( centro histórico de Valência - Comunidad Valenciana)

BAIRRO DEL CARMEN é o bairro popular mais antigo e cheio de história de Valencia. Conserva ainda muito da sua primitiva construção: ruas estreitas e quarteirões irregulares, os seus edifícios senhoriais, palácios e ruínas romanas e árabes.

Consultar o excelente website:
http://www.barriodelcarmen.net/evolucion/index.php





Ateneo Libertário Al Margen

http://www.ateneoalmargen.org/

http://ateneoalmargen.blogia.com/

http://www.tokata.ateneoalmargen.org/base/

Ateneu Llibertari Al Margen
c/ Palma, 3
Valência
tel.: 96 392 17 51





Cine, Teatro, Música, Poesía, Senderismo, Exposiciones, Presentaciones, Biblioteca, Comunicación, Debates, Pro-Pres+s, Contrainformación, Talleres de Creatividad y de Salud, Documentación y Memoria Libertaria, Solidaridad...



Vídeo sobre as actividades do Ateneo libertário Al Margen (em Valência):







Missa de galos (acção de protesto na noite de Natal em Valência reivindicando um centro de acolhimento para os emigrantes )

Nenhum ser humano é ilegal


O vídeo mais visto de 2007 foi sobre a união dos mais fracos (búfalos) contra os mais fortes (leão)

...ou a luta de classes no mundo animal.

Assim se vê como só a união dos mais fracos pode vencer o poder e a força bruta dos mais fortes:


Conferência-debate com Alain Bihr intitulada «Os serviços públicos face à globalização neo-liberal»

Este encontro foi organizado por estudantes em luta contra a lei de reforma universitária e foi reaizada no passado dia 10 de Dezembro, na Universidade Marc Bloch



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28.12.07

Os discos de jazz mais emocionantes de 2007 segundo a Jazz Magazine


Les disques d'émoi 2007

Jason Moran - “Artist in Residence”
Blue Note/EMI

Michel Portal - “Birdwatcher”
Universal Music Jazz France/Universal

David S. Ware - “Balladware”
Thirsty Ear/Orkhêstra

Charles Tolliver - “With Love”
Blue Note/EMI

Noël Akchoté - “So Lucky”
Winter & Winter/Abeille Musique

Andy Emler Megaoctet - “West in Peace”
Nocturne

Martial Solal - “Solitude”
CamJazz/Harmonia Mundi

Archie Shepp - “Gemini”
Archiball/Abeille Musique

Eric Le Lann/Jannick Top - “Le Lann Top”
Utopic Records/Nocturne

Abbey Lincoln - “Abbey Sings Abbey”
Verve/Universal

Kartet - “The Bay Window”
Songlines/Abeille Musique

Michael Wollny - “Hexentanz“
Act/Harmonia Mundi

Simon Goubert/Sophia Domancich - “You Don't Know What Love Is”
Cristal/Abeille Musique

David Torn - “Prezens”
ECM/Universal

Michael Brecker - “Pilgrimage”
Verve/Universal

Airelle Besson/Sylvain Rifflet - “Rocking Chair”
Chief Inspector/Abeille Musique

Dré Pallemaerts - “Pan Harmonie”
B Flat/Discograph

Yaron Herman - “A Time For Everything”
Laborie Records/Naïve

Stéphane Kerecki - “Focus Dance”
Zig-Zag Territoires/Harmonia Mundi

Steve Coleman - “Invisible Paths: First Scattering”
Tzadik/Orkhêstra

Florian Ross - “Eight Ball & White Horse”
Intuition/Sphinx

Géraldine Laurent - “Time Out Trio”
Dreyfus/Sony BMG

David Linx - “Changing Faces”
O+/Harmonia Mundi

King Oliver - The Complete 1923 Jazzband Recording”
Off The Record/Archeophone

Chris Potter - “Lift Live at the Village Vanguard”
Emarcy/Universal

Enrico Rava-Stefano Bollani - “The Third Man”
ECM/Universal

Hélène Labarrière - “Les temps changent”
Emouvance/Abeille Musique

Beverly “Guitar” Watkins - “Don't Mess With Miss Watkins”
Dixefrog/Harmonia Mundi

Louis Armstrong - “Rétrospective 1923-1956”
Saga Jazz/Universal

Pony Poindexter - “Pony's Express”
Epic/Sony BMG

http://www.jazzmagazine.com/

Entre a loucura e a depressão – passagem de ano no bar-livraria Gato Vadio (no Porto)

Este é o esperado anúncio de um fracasso adiado!
Venha festejar connosco!

Preste atenção. Bem vistas as coisas é um milagre estarmos por cá. Ou um sacrilégio. Tanto faz. O que é certo é que a tragicomédia desta aventura do Gato Vadio está cada vez mais trágica e menos cómica. Ainda assim queremos partilhar a nossa loucura até ao fim. Passagem de ano 2007/2008. Algarve? Madeira? Ryan Air? Tudo Planos B. Olhem-me só pró cardápio: Gostávamos de ter circo, malabaristas, trapezistas, striptease literário, bailarinas da Sibéria com sotaque da Beira, caviar d' aeroporto, os fatos-de-treino da Ikea para os convidados darem uma mão quando a festa acabar, ainda pensámos trazer a mesa que o Woody Allen reserva no casino de Espinho vai para nove anos, falou-se ao Vasco Pulido Valente para animar a malta com as previsões hiper-óptimistas a que nos habituou para 2008, népias, vai passar o reveillon a repor whiskys na Makro de Alfragide, às duas por três ainda nos impingiam com o The Famous Grouse Vadio, a nossa história até já vem no jornal, ao fim ao cabo isto é só paleio por que não temos nada para lhe oferecer, como de costume aliás, quem sabe umas filhozes mal-amanhadas, torresmos gourmet à la garder, rabanadas de vento é fadado como'ó destino, meia-dúzia de passitas vá que não vá, (também temos sultanas e corintos), mas meu amigo para além da nossa grácil miséria temos só o sonho e uma contagem decrescente pela frente!

Vamos festejar enquanto é tempo, é que pelo andar da carruagem para o ano…Bah! Let's Dance!! Champagne (parece que no "Lidle"…) para todos!*


*mas é facultativo…

E já uma vez avisámos se isto por acaso lhe cheirar mal é da exclusiva responsabilidade do Gato Fedorento!


Entre a Loucura e a Depressão
Passagem de ano 2007/2008

5 euros (estes gajos estão loucos ou deprimidos?)

As reservas devem ser feitas
na livraria do Gato Vadio,
Rua do Rosário 281, Porto.


Festival da passagem de ano em Coimbra (28, 29, 30 e 31 de Dez) com workshops, bailes, festas e concertos





Toda a informação - aqui

Começa a chegar a chuva, o calendário a ficar sem folhas [electrónicas], os centros comerciais parecem hinos à parolice, o frio ataca e uma qualquer cidade tem a árvore de natal não sei o quê mais que todas as outras. Não há dúvida, está prestes a chegar mais um festival para celebrar o novo ano.

Desta vez no acolhedor Centro Norton de Matos, em Coimbra, que aceitou o desafio do Peixe com Botas [vulgo Rodobalho e Tradballs].


Vamos construir 3 dias [ou mais] de baile, aprendizagem, partilha, sensualidade, muita música e sorriso de lés-a-lés.

Passem palavra. Participem.
Dêm ideias . Acima de tudo, sejam felizes.


Os primeiros detalhes:
Bailes
Projecção de videos
Contador de histórias

Workshops dança:
Portuguesas, Irlandesas, Bourrees, Expressão dramática, Mazurka, Tango...

Workshops Instrumentos:
Sanfona, Gaita de Foles, Concertina, Cavaquinho, Percussão


Haverá um local para "acampamento seco", com acesso a chuveiros.

27.12.07

Coisas que me irritam...

Coisas que me irritam...

O Salário de Vítor Constâncio (como presidente do Banco de Portugal, e cujo vencimento é até superior ao do presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos) e a sua grande lata quando pede "contenção salarial"

O pretexto sempre invocado da falta de produtividade dos trabalhadores para explicar a incompetência dos gestores e a ineptidão das elites lusas

A esperteza saloia de Sócrates em vangloriar-se com um título e uma formação académica que nunca teve


A impunidade dos ricos em Portugal e a imunidade que gozam as grandes fortunas, apesar dos meios fraudulentos usados para as aumentar

O despudor e a inépcia dos sucessivos governos da direita conservadora

A resolução do problema do défice orçamental à custa dos direitos e da dignidade dos mais carenciados

A eleição para Presidente da República do principal responsável ( Cavaco Silva) pelo défice orçamental das contas públicas do Estado português

A promoção de um criminoso de guerra (Durão Baroso), e cúmplice da invasão norte-americana de um país soberano como era o Iraque, para Presidente da Comissão Europeia !!!

A futebolização do país

O amorfismo da juventude em geral, mas em especial dos estudantes

O poder oculto da Igreja, a obsessão sacrílega pelas aparições de Fátima e o elitismo serôdio da Universidade Católica

O poder tentacular do maior merceeiro português ( Belmiro de Azevedo e a fábrica de fazer dinheiro com o comércio retalhista do seu hipermercado)

O provincianismo cultural

A inércia, o fatalismo e a passividade geral do povo português

O Processo de Adultério de Camilo Castelo Branco - por António Rebordão Navarro


Conferências do Passeio Alegre

Estas conferências - que dão origem aos cadernos do mesmo nome - são intervenções, lidas ou não, diversas no tema e na maneira, em que assunto, ou orador, ou público, ou sítio da sessão, têm um fio de ligação, ainda que ténue, com a bela e milenar terra da Foz do Douro.

Repor a antiga e nobre tradição portuense de levar as elites intelectuais e sociais a falar aos cidadãos agrupados em torno das colectividades locais ou em lugares públicos é um dos objectivos destas conferências e, por extensão, dos cadernos.


Juro que sou Sou Suspeito - O Processo de Adultério de Camilo Castelo Branco

por

António Rebordão Navarro

o conferencista será apresentado pelo poeta Albano Martins

28 de Dezembro de 2007, sexta-feira, às 18,30,

no Restaurante Gilreu, Rua de S. Bartolomeu
(entre a Rua da Senhora da Luz e a Rua Coronel Raul Peres – Estrada Nova), 20, Foz

Pode reservar jantar a seguir à conferência pelo n° tel. 226 186 290


informação obtida junto do blogue:
http://culturanoporto.canalblog.com/

Mostra documental sobre Augusto Abelaira ( escritor, 1926-2003) na Biblioteca Nacional



MOSTRA DOCUMENTAL

de 29 de Novembro de 2007 a 9 de Fevereiro de 2008

na Biblioteca Nacional - Sala de Referência Entrada Livre

Augusto Abelaira 1926 – 2003

Esta mostra visa dar a conhecer o espólio de Augusto Abelaira (1926-2003), doado à BNP em 2004, reconstituindo, a partir dos materiais existentes no acervo, o seu percurso pessoal e literário. O espólio inclui fundamentalmente manuscritos do autor, correspondência recebida e documentos biográficos. A viagem através dos papéis do autor de A Cidade das Flores – romance marcante da década de 60 –, permitirá entrar nos bastidores da construção da sua obra literária (ficção e teatro), conhecer o seu laboratório de escrita, assim como acompanhar o seu percurso enquanto jornalista e cronista.




Augusto Abelaira, nascido a 18 de Março de 1926, em Ançã (Cantanhede ), passou a sua infância entre os Açores e o Porto, fixando-se em Lisboa em 1943. Licenciou-se em Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1953), depois de uma curta passagem pela Faculdade de Direito, apresentando uma tese, ainda inédita, sobre Garcia da Orta. Foi professor durante alguns anos, tendo-se dedicado posteriormente apenas à escrita, ou como jornalista ou como ficcionista e dramaturgo e mais esporadicamente como tradutor. Desempenhou alguns cargos, entre outros: director das revistas Seara Nova (1969-1973) e Vida Mundial (1974-1975), director adjunto de programas na RTP (1976) e presidente da Associação Portuguesa de Escritores (1978-1979).

Cedo se iniciou na política e na escrita literária, como o atestam os materiais existentes no espólio, de que se dá conta nesta exposição: jornais infantis, poesias, contos, peças de teatro. Sabe-se que em criança também ensaiou argumentos para filmes.

A sua estreia literária data de 1947 com um pequeno ensaio «Sinceridade e falta de convicções na obra de Fernando Pessoa» (Mundo literário, nº 51, 25 Abr. 1947), embora em 1945 uma poesia sua (género que cedo abandonou) já tivesse aparecido na imprensa (Primeiro de Janeiro, 11 Jul. 1945).

Os seus primeiros romances, que datam dos anos 40, permanecem até hoje inéditos, tendo sido recusados pelas editoras da época: Lugar-geométrico, Beco sem saída e Os anos Inúteis. Recusado também pelas editoras, mas neste caso por razões políticas, A Cidade das Flores foi publicado em edição de autor (1959), tendo sido sucessivamente reeditado ao longo dos anos (a última em 2004). É de salientar que as primeiras edições sofreram significativas alterações, ou mesmo reescrita, como pode ser visto nos exemplares existentes no espólio. Romance que marcou toda uma geração, Florença, cidade onde se situa a narrativa, tornou-se uma «cidade abelairiana», como lhe chamam numerosos leitores e amigos que ao longo da vida lhe vão enviando notícias dessa «cidade das flores».

Como ficcionista publicou 11 obras, tendo o seu último romance (Nem só mas também) sido publicado postumamente. Foi distinguido com vários prémios literários: Boas intenções (1963) recebe o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências; Sem texto entre ruínas o Prémio Cidade de Lisboa; Enseada amena (1966) o Prémio de Romance do IV Encontro da Imprensa Cultural e Outrora agora (1996) os seguintes prémios: Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB, Prémio da Crítica da Associação Portuguesa dos Críticos Literários, Prémio Municipal Eça de Queiroz, da C.M.L. e o Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção.

Como dramaturgo publicou três peças de teatro, uma delas – A palavra é de oiro (1961) – foi proibida de representação pela Comissão de Exame e Classificação dos Espectáculos.

Como jornalista foi colaborador da imprensa diária (Diário Popular, Diário de Lisboa) e de numerosas revistas (Almanaque; Gazeta Musical e de todas as Artes; Vértice; Seara Nova). Foi também cronista de O Jornal (1978-1992) e do JL ( 1981-1996), com as colunas intituladas, respectivamente, «Escrever na água» e «Ao pé das letras» .

A sua intervenção política data dos tempos da Faculdade (MUD Juvenil), tendo integrado os movimentos de oposição ao regime. Em 1965 foi preso por alguns dias juntamente com outros membros do júri que atribui o Prémio da Novelística da Sociedade Portuguesa de Autores a Luandino Vieira, na altura preso no Tarrafal.
Os cafés são locais privilegiados em Abelaira, locais de convívio e locais de escrita. Fez parte das tertúlias dos cafés «Bocage», «Chiado», «Monte Carlo», entre outros, e mais tarde da «Nobreza» (a figura de Carlos de Oliveira sempre presente mesmo quando já ausente) e da «Cister». Outros cafés (como o «Caleidoscópio» nos últimos tempos) estavam particularmente vocacionados para a escrita («a primeira fase consiste em escrever, escrever para a frente»), porque as fases seguintes, de reescrita e montagem, têm de ser em casa («seria preciso andar com uma mala e espalhar muitos papéis»), mas o café é também local de observação: estou a observá-la, embora não com os olhos, mas com uma esferográfica, uma esferográfica azul, cilíndrica, macia, a observá-la e a procurar adivinhar quem ela é (ela, mulher subitamente desconhecida, letra a letra se esclarecendo enquanto estas páginas se escurecem). (Bolor, Bertrand, 1968, p. 14)

________________________________________
Horário de visita à exposição: 2ª a 6ª-feira – 10H00 às 19H00
Sábado – 10H00 – 17H00
Encerra domingos e feriados


Mais informações
através do endereço rel_publicas@bn.pt

ou dos tels.:
21 798 2124 / 21 798 2428
http://www.bn.pt/agenda/evento-abelaira.html


Manifesto do Partido Surrealista Situacionista Libertário de apoio à candidatura de António Pedro Ribeiro à Câmara do Porto

MANIFESTO DO PARTIDO SURREALISTA SITUACIONISTA LIBERTÁRIO PELA CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À CÂMARA DO PORTO


O poeta mijou na àrvore de Natal do Rio
o poeta plantou uma árvore mais alta da Europa
em todas as esquinas da cidade do Rio
o Rio prostitui-se na esquina

O Rio e o La Féria ocuparam o Rivoli
o poeta vomitou, em fúria,
as peças do La Féria
O Rio engoliu o vomitado
e masturbou-se no túnel
o poeta mijou no Rio
o Pai Natal e as renas
enrabaram o La Féria
As renas voaram com o poeta
o Pai Natal comeu o BCP
o PCP mantém-se marxista-leninista

O espírito do Natal mantém-nos juntos
o espírito do Natal está nos bancos
o Rio é o Pai Natal
a àrvore mais alta da Europa
é patrocinada pelo BCP
o poeta mija na árvore, na Europa e no BCP
o PCP mantém-se marxista-leninista
o poeta mantém-se surrealista
o Rio faz uma pirueta
e cai ao rio Douro
o La Féria enforca-se
na árvore mais alta da Europa
O PSSL ocupa a Câmara.

Porto, 24. Dez.2007


António Pedro Ribeiro e o Partido Surrealista Situacionista Libertário (PSSL) apresentaram o manifesto e a candidatura à Câmara Municipal do Porto na passada quarta-feira, dia 26 de Dezembro, pelas 23,30 horas no Bar Púcaros no Porto (à Alfândega).

António Pedro Ribeiro ou A. Pedro Ribeiro acaba de lançar o livro "Um Poeta a Mijar" (Corpos Editora) e tem publicados "Saloon" (Edições Mortas, Março 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro. Manifestos do Partido Surrealista Situacionista Libertário" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (Pirata, 2004) e "À Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001).

Nasceu no Porto em Maio de 1968, tendo sido pré-candidato à Presidência da República em 2005.
Foi acusado de derrubar a estátua do Major Mota na Póvoa de Varzim em 2003 por motivos políticos e há 20 anos que diz regularmente poesia.

É vocalista das bandas Mana Calórica (
www.myspace.com.manacalorica ) e Las Tequillas e é sociólogo.

Disse poesia ao lado de Adolfo Luxúria Canibal no Festival de Paredes de Coura de 2006.

O PSSL está em vias de legalização.


http://partido-surrealista.blogspot.com









Manifesto anti-Rio

por Eduardo Faria
retirado de
O quotidiano da miséria




O Rio, não é rio!......
O Rio, é um esgoto a céu aberto!
O Rio na cabeça tem um deserto!
O Rio não é um burocrata!......
O Rio é um burro que farta!
O Rio bem podia ter ido desaguar ao raio que o parta!
O Rio é uma vergonha de presidente!
O Rio é um indigente!
O Rio é completamente demente!......
E quem deixa a sua cidade se representar pelo Rio, não é filho de boa gente!
O Rio tem de se tratar!
O Rio não se trata num centro hospitalar!...
... O Rio trata-se numa, (muito boa), ETAR!
O Rio polui tudo por onde passa!
O Rio matou a praça!...
... O Rio é a verdadeira desgraça!
O Rio cheira mal!O Rio é animal!
O Rio é irracional!...
... E uma cidade conduzida por tal, Rio, será certamente, (e muito em breve), a vergonha de Portugal!
O Rio odeia o criativo!
O Rio é radioactivo!
O Rio não passa de um espermatozóide que encontrou um furo no preservativo!
O Rio é um asno que ri!
O Rio faz xixi por um pipi!
O Rio quer nos matar o Rivoli!
O Rio está armado em ditador!
O Rio não é um ponto negro, é um tumor!
O Rio é um estupor!
O Rio é um insecto!
O Rio é abjecto!
O Rio é um dejecto!
Se estais com pena do Rio, eu digo-vos... não estejais!
Porque o Rio é tudo isto e muito mais!
O Rio usa a clausula para tentar calar!
O Rio é horrível de se cheirar!...
... O Rio é igual ao resultado de defecar!
O Rio diz-se Dão!...
... Mas o Rio é Nabão!...
... Porque o Rio é Cabrão!
O Rio no intimo usa purpurina!
O Rio senta-se quando urina!
O Rio é pior de que o Katrina!...
... Uma cidade com um Rio destes a governar transforma-se numa latrina!
O Rio é um primata!
O Rio é um pirata!...
... O Rio faz mal à saúde e mata!
O Rio é um inculto!
O Rio é um insulto!...
... Por isso o Rio não merece o indulto!
O Rio é oleoso!
O Rio é piolhoso!
O Rio é mentiroso!...
... E se o povo voltar a eleger o Rio será para sempre um povo piroso!
O Rio gosta de corridas na Boavista!
O Rio não usava selim se fosse ciclista!
O Rio é um grande fascista!
O Rio é um reaccionário!
O Rio é um salafrário!
O Rio é um caudilho retardatário!
O Rio quer impor uma ditadura!
O Rio é contra a cultura!
O Rio é o fluxo que nos sai do corpo quando estamos de soltura!
O Rio é ruminante e só come aveia!
O Rio não tem massa cinzenta, tem areia!
O Rio não nasceu de um parto, nasceu de uma diarreia!
O Rio não merece PAM nem PIM!...
...O Rio só merece PUM!
E se um dia o Rio que é Rui vos quiser chatear,
Só tendes uma solução!... Usai da diplomacia e mandai-o fazer-se montar!

26.12.07

Acerca da pseudo-democracia em que vivemos

Antigamente, e não há muito tempo, o conceito de democracia era vilipendiado e objecto das mais variadas sátiras pelos agentes do poder e pelos fazedores de opinião ( para eles não havia nada de mais caricatural que o poder da populaça, de uma múltidão de brutos e analfabetos como era visto o povo)

Hoje, a democracia só venceu na ordem discursiva dos media e na retórica diária dos agentes ao serviço do poder na medida em que o seu real significado e conteúdo ( = poder do povo) se foi esvaziando até se perder na realidade manipulada de umas eleições cozinhadas pela engenharia eleitoral e pelas campanhas de propaganda partidária



Evidências da falsa democracia em que vivemos:


O governo finge promover a estabilidade social, mas vive principalmente à custa do povo que vai sobrevivendo de crise em crise

O governo finge promover a educação, mas toda a sua força baseia-se na ignorância do povo;


O governo finge defender a liberdade constitutional, mas toda a sua política vai no sentido de constranger e delimitar a liberdade individual;

O governo finge melhorar a condição social do trabalhador, mas na realidade oprime-o para continuar a existir o domínio social de uma élite não-eleita sobre a maioria da população;

O governo elabora leis para para garantir a segurança mas a precariedade e a insegurança social não páram de crescer;

O governo elabora leis que dizem promover a educação mas isso não vai suprimir a ignorância nem a alienação, apenas as aumentam;

O governo elabora leis para garantir a liberdade constitucional, mas esconde o despotismo dos poderes ocultos que não são eleitos democraticamente ( o enorme poder dos grupos económico-financeiros e das grandes empresas multinacionais que são quem verdadeiramente governam o mundo);


O governo diz na sua vil propaganda, que aprova leis de protecção ao trabalhador, mas não o livra da dominação, e até acaba por bloquear e impedir alguma tantativa dos trabalhadores em sairem deste sistema de dominação social ( capitalismo) em que vivemos

Realizada a primeira acção do Clown Army (exército de palhaços) no Porto contra a árvore do Millenium





11 palhaços rebeldes veneraram a maior árvore de natal da Europa, com VIVAS ao consumo, ao desperdício, ao Millenium-bcp e ao rui rio!

Ver aqui o video-reportagem:
http://youtube.com/watch?v=jmkbYhFGL1k






No dia 23 de Dezembro a secção do Porto do universal exercito de palhaços decidiu adorar a arvore do millenium BCP, a maior árvore da europa, plantada na avenida dos aliados da cidade do Porto.
A grandeza do rídiculo daquela árvore deixou os palhaços estupefactos e de forma espontânea bradaram do fundo dos pulmões: Viva o desperdício, viva o Rui Rio, Viva o aquecimento global, viva o Millenium BCP.

Utilizando tácticas altamente avançadas, o muy nobre corpo expedicionário do CIRCA-PORTUGAL realizou durante a tarde do dia 23 do mês presente, a primeira de muitas acções de forma a reclamar uma série de objectivos ... ( falta texto ) ….
Toda a acção correu muito bem e foram cumpridos todos os objectivos acima assinalados.

Chegaram,
viram
e adoraram a árvore do Millenium BCP!
Gritaram muito alto em prol do desperdício e dançaram em honra do aquecimento global, agradecendo ao Rui Rio por tão nobre e grande esforço (construir a maior árvore da europa... e talvez do mundo).




Foi entretanto distribuído o seguinte texto:

Amar a árvore com todo o fervor.
Dar vivas ao aquecimento global.
Agradecer pela dívida.
Premiar o desperdício.
Incentivar as câmaras de vigilância.
Louvar Rui Rio.
Festejar e fazer rir.
Alterar o panorama chato de chatos protestos que chateiam as pessoas.

Divertirmo-nos. (este já está no papo)

CIRCA-PT


Dados recolhidos sobre a árvore do millenium que se encontra plantada na Avenida dos Aliados na cidade do Porto com a cumplicidade e o beneplácito de Rui Rio, querido líder da câmara da cidade, permitem-nos afirmar o seguinte:
a estrutura montada que pomposamente ( mas incorrectamente) dá pelo nome de árvore tem 180 toneladas de ferro, nas quais se devem incorpor 26 toneladas de CO2 eq. que foram emitidas aquando da sua produção. A isto se acrescem 132 toneladas de CO2 das emissões do gerador associadas a um consumo de cerca de 50 mil litros de gasóleo e à produção de 464100 kWh de energia eléctrica para a iluminação da árvore - o correspondente ao consumo de aproximadamente 170 lares com um agregado de 3 pessoas num ano.
Ou seja, um total das emissões - 158 toneladas de CO2 equivalente - que irá consequentemente contribuir para o aumento das emissões do nosso país e, como tal, engordar a factura que teremos que pagar pelo nosso incumprimento do protocolo de Quioto que o Estado português se comprometeu a respeitar !!!

Fuja do circo. Junte-se ao CIRCA (clandestine insurgent Rebel Clown Army)


Roll up, roll up - Ladies and gentlemen, meninas e meninos, amigos e amigas: bem vindos ao único, ao inesperado, ao paradoxal, ao grotescamente belo, ao novo e inútil mundo do Clandestine Insurgent Rebel Clown Army (Exército Insurgente Clandestino de Palhaços Rebeldes).


Somos clandestinos porque recusarmos o espectáculo e porque somos qualquer pessoa.
Porque sem nomes reais, rostos e narizes, mostramos que as nossas palavras, sonhos e desejos são mais importantes do que nossas biografias.
Porque nós recusamos a sociedade da vigilância e do controle: que observa, controla, espia, regista e acompanha cada um de nossos movimentos.
Porque ao esconder as nossas identidades nós recuperamos o poder dos nossos actos.
Porque mascarados nós resistimos de uma forma engraçada e tornamo-nos
visíveis.

Somos insurgentes por termos surgido do nada e estarmos em todos os lugares.
Porque as ideias podem ser ignoradas mas não censuradas, e uma insurreição da imaginação é irresistível.
Porque sempre que caírmos, nós nos levantaremos de novo, de novo e de novo, sabendo que nada se perde historicamente, nada é finito. Porque a história se projecta em linha recta, mas surge como a água: às vezes escorrendo em espiral, às vezes pingando, fluindo ou inundando tudo - sempre irreconhecível, inesperada, incerta.
Porque a chave da insurreicção é o improviso, e não meras reproduções baratas.

Somos rebeldes por amarmos mais a vida e a felicidade do que a 'revolução'.
Porque nenhuma revolução se completa e as rebeliões são eternas. Porque não queremos mudar 'o' mundo mas sim os 'nossos' mundos. Porque sempre iremos desertar e desobedecer àqueles que abusam e acumulam poder.
Porque os rebeldes transformam tudo: como vivem, criam, comem, riem, brincam, aprendem, trocam, ouvem, pensam e acima de tudo a forma como se rebelam.

Somos palhaços, porque, afinal o que mais poderíamos ser neste mundo estúpido?
Dentro de cada um de nós há um palhaço tentando revoltar-se. Porque nada afeta mais as autoridades do que ridicularizá-las.
Porque os idiotas são temíveis e inocentes, espertos e estúpidos, entertainers e dissidentes, curandeiros e subversivos.
Porque um palhaço sobrevive a tudo e sempre se sai bem.


Somos um exército por vivermos num planeta em permanente guerra - a guerra do dinheiro contra a vida, o lucro contra a dignidade, o progresso contra o futuro.
Porque uma guerra que se alimenta de sangue & morte e caga dinheiro & toxinas merece um corpo obsceno de soldados contestadores.
Porque apenas um exército pode declarar uma guerra absurda contra uma guerra absurda.
Porque o combate requer solidariedade, disciplina e comprometimento.
Porque palhaços sozinhos são figuras patéticas, porém em grupos, brigadas ou batalhões são extremamente perigosos.
Somos um exército por sermos putos: onde as bombas falharem nós vamos rir e ridicularizá-las.
E as nossas risadas precisam de eco.


Somos CIRCA por sermos próximos e ambivalentes, por estarmos no mais poderoso lugar: entre a ordem e o caos.


FUJA DO CIRCO
JUNTE-SE AO CIRCA




Para mais informação consultar aqui, e o website da Clow Army:

http://www.clownarmy.org/

24.12.07

Eu tenho um sonho...


O Genocídio perpetrado no Iraque pelo exército dos Estados Unidos da América, e que não pára de aumentar desde a invasão daquele país soberano em 2003, é já muito maior que o genocídio no Rwanda em 1994 ( 880.000 mortes).
Segundo fontes fidedignas o número de vítimas de iraquianos já ultrapassa o 1 milhão e 100 mil mortos, sem contar os 500 mil mortos da primeira guerra do Golfo.
A isto haverá a acrescentar os feridos, os presos, os torturados, os refugiados, e todo o sofrimento provocado pelas decisões de dois criminosos de guerra. Bush e Cheney ( presidente e vice-presidente dos Estados Unidos da América).
Não esquecer ainda os cúmplices: Durão Barroso. Aznar e Tony Blair ( o quarteto genocida dos Açores), e todos quantos colaboraram de perto ou de longe neste crime contra a Humanidade…

23.12.07

Palavras (Paroles), de Jacques Prévert, poeta anarquista - livro traduzido finalmente para português


"Embauché malgré moi dans l’usine à idées
J’ai refusé de pointer
Mobilisé de même dans l’armóc des idées
J’ai déserté"
J.Prévert

Empregado contra a vontade na fábrica de ideias
Recusei-me a marcar o ponto
Mobilizado mesmo assim para o exército das ideias
Eu desertei



«Notre Père qui etes aux cieux,... Restez y !
et nous,
nous resterons sur cette terre
qui est parfois si jolie. »
J. Prévert


Pai nosso que estais no céu…Ficai por lá!
Que nós,
Nós continuaremos na terra
Que por vezes é tão bonita.


Jacques Prévert, poeta francês (n. Neuilly-sur-Seine, 1900 - m. Ormonville-a-Petite, 1977), e um dos expoentes da literatura francesa, tem agora finalmente o seu livro Paroles traduzido para português nas edições Sextante com tradução de Manuela Torres

Poeta, surrealista, guionista, escritor de diálogos e de contos infantis, o seu talento desdobrou-se por múltiplos géneros e sempre com geral admiração. Foi um assumido e visceral poeta libertário, cultivador da liberdade e do espírito de revolta, a cujo humor corrosivo não escapava nenhum símbolo burguês, seja ele o clericalismo, o militarismo ou a moral hipócrita. ( um dos seus poemas mais corrosivos é "Tentative de description d'un dîner de tête à Paris-France”, de 1931.

A publicação do seu livro de poemas Paroles em 1946, constituiu um marco importante que mereceu o geral reconhecimento público, tendo então ingressado no colegio da patafísica, onde alcançou o grau de sátrapa em 1953.

Para além de representar a vida parisiense, as suas ruas e gentes, a cultura popular e boémia, a sua obra revela um empenhamento pelas causas sociais, pelo pacifismo e pela liberdade, identificando-se com o anarquismo e as ideias libertárias.

Jacques Prévert parece falar quando escreve. É um homem da rua e não da literatura de salões e de bibliotecas. Encontra a poesia por todo o lado que passa, ao virar da esquina ou nuns simples lábios.
A sua poética é des-respeituosa para com todos os conformismos e mostra-se delirante sobre as coisas simples da vida. São celebrações libertárias e improvisações de humor crítico e corrosivo.

Em 1930 rompeu com André Breton - representante máximo dos surrealistas - demasiado autoritario para o seu gosto, afastando-se igualmente do partido comunista onde nunca, de resto, chegou a militar, abraçando então assumidamente as ideias libertárias do anarquismo. Contra as pretensas virtudes o velho patriotismo, Prévert sempre se manifestou o seu declarado antimilitarismo e pacifismo que não admitia qualquer concessão.


Escreveu também vários guiões para cinema, em especial para o realizador Marcel Carné, entre as quais se encuentra Drôle de drame (1937), Le jour se lève (1939) e a mais famosa, Les enfants du paradis (1945).
Muitos dos seus poemas são cantados pelas figuras mais importantes da Chanson francesa e seleccionados para servir de lectura e estudo nas escolas de francês em todo o mundo.


Os seus poemas tratam geralmente do quotidiano de uma grande cidade como é Paris, dedicando-se a realizar contínuo jogos de palabras, e reinventando musicalmente a linguagem poética numa singular demonstração da sua capacidade imaginativa e inspiração poética.
Ligado ao surrealismo, mas mantendo a sua independencia e especificidade, a sua poesia está recheado de imagens e recursos literários que nos dão a ver uma naturaleza fluída e uma composição heteróclita de objectos e pessoas.

Nos seuscontos infantis, como O Pequemo Leão, Cartas desde as ilhas Baladar, Contos para crianças más, A pastora e outros ( já anteriormente traduzidos para português), Prévert mostra que sabe manejar com sensibilidade e maestria a rebeldia do eterno insubmisso que existe na criança e no jovem.




"Ni Dieu, ni Maître; Mieux d'Etre "
"Rêve + Evolution = Révolution "

Nem Deus, Nem Senhor; Melhor é Ser
Sonho + Evolução = Revolução





Filme sobre Jacques Prévert – realizado por Janine Marc Pezet, Alain Poulanges et Gilles Nadeau

Parte 1





Parte 2






Parte 3








Parte 4











Parte 5








Parte 6








Prévert no cinema








Um dos mais famosos textos de Prévert interpretado por Serge Reggiani










POESIA DE JACQES PRÉVERT




FAMILIALE

La mère fait du tricot
Le fils fait la guerre
Elle trouve ça tout naturel la mère
Et le père qu'est-ce qu'il fait le père?
Il fait des affaires
Sa femme fait du tricot
Son fils la guerre
Lui des affaires
Il trouve ça tout naturel le père
Et le fils et le fils
Qu'est-ce qu'il trouve le fils?
Il ne trouve rien absolument rien le fils
Le fils sa mère fait du tricot son père des
[ affaires lui la guerre
Quand il aura fini la guerre
Il fera des affaires avec son père
La guerre continue la mère continue elle
[ tricote
La père continue il fai des affaires
Le fils est tué il ne continue plus
La père et la mère vont au cimetière
Ils trouvent ça naturel le père et la mère
La vie continue la vie avec le tricot la guerre
[ des affaires
Les affaires la guerre le tricot la guerre
Les affaires les affaires et les affaires
La vie avec le cimitière.



FAMILIAR

Tradução: Silviano Santiago

A mãe faz tricô
O filho vai à guerra
Tudo muito natural acha a mãe
E o pai que faz o pai?
Negocia
A mulher faz tricô
O filho luta na guerra
Ele negocia
Tudo muito natural acha o pai
E o filho e o filho
o quê que o filho acha?
Nada absolutamente nada acha o filho
O filho sua mãe faz tricô seu pai negocia ele
[ luta na guerra
Quando tiver terminado a guerra
Negociará com o pai
A guerra continua a mãe continua ela tricota
O pai continua ele negocia
O filho foi morto ele não continua mais
O pai e a mãe vão ao cemitério
Tudo muito natural acham o pai e a mãe
A vida continua a vida com o tricô a guerra
[ os negócios
Os negócios a guerra o tricô a guerra
Os negócios os negócios e os negócios
A vida com o cemitério.


JE SUIS COMME JE SUIS

Je suis comme je suis
Je suis faite comme ça
Quand j'ai envie de rire
Oui je ris aux éclats
J'aime celui qui m'aime
Est-ce ma faute à moi
Si ce n'est pas le même
Que j'aime chaque fois
Je suis comme je suis
Je suis faite comme ça
Que voulez-vous de plus
Que voulez-vous de moi

Je suis faite pour plaire
Et n'y puis rien changer
Mes talons sont trop hauts
Ma taille trop cambrée
Mes seins beaucoup trop durs
Et mes yeux trop cernés
Et puis après
Qu'est-ce que ça peut vous faire
Je suis comme je suis
Je plais à qui je plais
Qu'est-ce que ça peut vous faire
Ce qui m'est arrivé
Oui j'ai aimé quelqu'un
Oui quelqu'un m'a aimée
Comme les enfants qui s'aiment
Simplement savent aimer
Aimer aimer...
Pourquoi me questionner
Je suis là pour vous plaire
Et n'y puis rien changer.








CET AMOUR

Cet amour
Si violent
Si fragile
Si tendre
Si désespéré
Cet amour
Beau comme le jour
Et mauvais comme le temps
Quand le temps est mauvais
Cet amour si vrai
Cet amour si beau
Si heureux
Si joyeux
Et si dérisoire
Tremblant de peur comme un enfant dans le noir
Et si sûr de lui
Comme un homme tranquille au milieu de la nuit
Cet amour qui faisait peur aux autres
Qui les faisait parler
Qui les faisait blêmir
Cet amour guetté
Parce que nous le guettions
Traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Parce que nous l'avons traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Cet amour tout entier
Si vivant encore
Et tout ensoleillé
C'est le tien
C'est le mien
Celui qui a été
Cette chose toujours nouvelles
Et qui n'a pas changé
Aussi vraie qu'une plante
Aussi tremblante qu'un oiseau
Aussi chaude aussi vivante que l'été
Nous pouvons tous les deux
Aller et revenir
Nous pouvons oublier
Et puis nous rendormir
Nous réveiller souffrir vieillir
Nous endormir encore
Rêver à la mort
Nous éveiller sourire et rire
Et rajeunir
Notre amour reste là
Têtu comme une bourrique
Vivant comme le désir
Cruel comme la mémoire
Bête comme les regrets
Tendre comme le souvenir
Froid comme le marbre
Beau comme le jour
Fragile comme un enfant
Il nous regarde en souriant
Et il nous parle sans rien dire
Et moi j'écoute en tremblant
Et je crie
Je crie pour toi
Je crie pour moi
Je te supplie
Pour toi pour moi et pour tous ceux qui s'aiment
Et qui se sont aimés
Oui je lui crie
Pour toi pour moi et pour tous les autres
Que je ne connais pas
Reste là
Là où tu es
Là où tu étais autrefois
Reste là
Ne bouge pas
Ne t'en va pas
Nous qui sommes aimés
Nous t'avons oublié
Toi ne nous oublie pas
Nous n'avions que toi sur la terre
Ne nous laisse pas devenir froids
Beaucoup plus loin toujours
Et n'importe où
Donne-nous signe de vie
Beaucoup plus tard au coin d'un bois
Dans la forêt de la mémoire
Surgis soudain
Tends-nous la main
Et sauve-nous.






POUR TOI MON AMOUR

Je suis allé au marché aux oiseaux
Et j'ai acheté des oiseaux
Pour toi
mon amour
Je suis allé au marché aux fleurs
Et j'ai acheté des fleurs
Pour toi
mon amour
Je suis allé au marché à la ferraille
Et j'ai acheté des chaînes
De lourdes chaînes
Pour toi
mon amour
Et puis je suis allé au marché aux esclaves
Et je t'ai cherchée
Mais je ne t'ai pas trouvée










Texto retirado de:
http://ruibebiano.net/zonanon/non/abc/prevert.html


"De fora", como se dizia dos irredutíveis da anarquia, Jacques Prévert insurgiu-se sempre contra a Ordem – fosse ela moral, social, religiosa ou militar – com uma certa violência mas ao seu estilo, alternando alfinetadas com patas de veludo, vestindo-se como um dandi mas usando boina de operário. Nascido em 1900, Prévert inicia-se em Montparnasse, nos anos vinte, através de facécia e de invenções verbais, em conjunto com um grupo de amigos, mais próximos de Dada do que do surrealismo, que costumavam acampar na Rue du Château: Yves Tanguy, Marcel Duhamel, Benjamin Péret. Em seguida, entre provocações-escândalos e trabalhos de encenação, confirmará a eficácia dos seus gags produzindo sketches para Octobre, um grupo de agit-prop mais esquerdista do que comunista, ainda que o seu encenador, Louis Bonin, se tenha rebaptizado, exibindo um certo "chique" soviético, como Lou Tchimoukov. A propósito de uma possível ligação, Jacques recusar-se-á: «Aderir?.. Mas iam logo meter-me numa célula!». La Bataille de Fontenoy, Suivez le druide e outros escritos incendiários constituem nesta altura enormes sucessos.


O grupo Octobre auto-dissolver-se-á em 1936, depois de achar que a Frente Popular era demasiado consensual, mas manter-se-á para sempre a amizade entre os seus membros: J. B. Brunius, Yves Allégret, Raymond Bussières, Yves Deniaud, que Prévert jamais esquecerá na formação dos seus castings.
Ei-lo agora, com Drôle de drame, mais do que um cenófrogo-dialoguista: será ele o verdadeiro autor de filmes que irão rodar Renoir (Le Crime de M. Lange, um testamento do grupo Octobre), Grémillon (Remorques, Lumière d'été), o seu irmão Pierre Prévert (L’affaire est dans le sac, Adieu Léonard, Voyage surprise), Christian Jaque (Les Disparus de Saint-Agil, Sortilèges), Carne por fim, com o qual assinará algumas das obras-primas do realismo poético francês: Jenny, Drôle de drame, Le Quai dês brumes, Le jour se leve, Les Visiteurs du soir, Les Enfants du paradis, Les Portes de la nuit.
E a escrita? Prévert não se considerava um homem de letras, mas Un peu de ténue, Souvenirs de famílle ou Le Diner de têtes apareceram regularmente em revistas desde 1929. Em 1936, regressado (com o grupo Octobre) com um grande desencantamento de Moscovo, irá até às Baleares com a mulher amada. Aí escreverá Lumières d'homme, poemas cheios de implícitos sentidos («Toujours três près des camarades/Mais si loin tout de même si loin.»), num livro dado a um impressor e editor, que não os publicará senão em... 1955!
Todavia, desde antes da guerra que alguns dos seus poemas circulavam já por albergues da juventude. Será em 1946 que René Bertelé reunirá Paroles, cujo enorme sucesso editorial não terá precedentes senão no Livro dos Cantos, de Heine, nos tempos idos do romantismo alemão. «Notre Père qui Êtes aux cieux/Restez-y»: é difícil imaginar hoje o significado, naquela época, desta nova Libertação! Seguir-se-ão Spectacle, La Pluie et le Beau Temps, Histoires, Fatras, Choses et autres. Uma obra complexa e erudita, mesmo quando ela parece superficial ao brincar, como brincava, com as palavras. Uma obra de reivindicação, mas também de um profundo lirismo, de pudor mais do que de fracasso, inscrevendo-se naquela estreita linha da poesia francesa que, de Villon a Hugo, se consegue dirigir a todos e a cada um.
Poesia viva ainda devido às canções musicadas por Bessières, Crolla, e sobretudo Kosma, que soube encontrar melodias simplesmente memoráveis para Agnès Capri ou Yves Montand; devido às suas variações em homenagem às pinturas de Miró, Chagall, Ernst, Braque, e Picasso, seu amigo; devido aos reflexos do seu próprio imaginário que se encontram representados em fotografias de Brassaï, Izis, Villers, Doisneau; devido aos inúmeros recortes, colagens e colorações da sua lavra.
«Quando ele escreve, é como se falasse.», dizia Ribemont-Dessaignes antes ainda de 1930. Claro que sim, mas olhada mais de perto, a sua frase, longamente experimentada no decorrer de inesgotáveis monólogos, aparece como busca paciente de uma apenas aparente simplicidade, de uma perfeição minimal. Nada pois de automático, de improvisado: Prévert polia e voltava a polir. Quanto aos «temas», às escolhas se quisermos, elas foram aquelas do repertório eterno dos poetas: o amor pela vida, a fraqueza do homem, a nobreza da fraternidade, o amor do amor.
A criação e a vida: poesia de imagens, de palavras, de sons, de cores. De amor e de revolta. Um rendez-vous previsto com o século seguinte, com este terceiro milénio, quando forem esquecidos de vez os nomes dos académicos e dos eminentes "protectores das artes", ao mesmo tempo que continuarão a sua ronda os estranhos personagens de JP.