21.11.07

Sessão de apresentação do jornal Mudar de Vida no Grémio Lisbonense(22de Nov às 21h.30)


Sessões de apresentação do jornal Mudar de Vida


Lisboa, Grémio Lisbonense (Rossio), 22 Nov, 21:30h
RUA DOS SAPATEIROS Nº 226 1º 1100-581 LISBOA TEL: 213 420 266

Pinhal Novo, Soc. Filarmónica União Agrícola, 23 Nov, 21:30h
Aljustrel, Clube Aljustrelense, 24 Nov, 17:00h

http://jornalmudardevida.net/




NOTA: Já saiu entretanto a edição de Novembro do Mudar de Vida.

Assinem a petição do FERVE (fartos destes recibos verdes) para o extermínio dos falsos recibos verdes

Reportagem da RTP1 sobre o movimento FERVE




Consultem e assinem em:
http://www.fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/




O FERVE - Fartos/as d'Estes Recibos Verdes promove um abaixo-assinado, para apresentação à Assembleia da República.

Obrigada a todos/as e contamos convosco!


PETIÇÃO À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA PARA NEUTRALIZAR A UTILIZAÇÃO DOS DENOMINADOS “FALSOS RECIBOS VERDES”

Os/As signatários/as desta petição solicitam à Assembleia da República, enquanto órgão constitucional representativo dos/as cidadãos/ãs portugueses/as, e ao abrigo da sua função de controlo, que, desencadeie e incremente as acções tendentes a corrigir todos os vínculos laborais constituídos directamente com a Administração Pública a recibos verdes, pela consideração de que, embora designados como prestações de serviço tout court, respeitadores dos regimes de contratação pública em vigor, são antes trabalho prestado por conta de outrem com características em tudo subsumíveis ao conceito de “contrato de trabalho”, vivendo de forma dissimulada pela desoneração que os laços precários trazem para o contratante público.

Defendem os/as signatários/as que cabendo à Assembleia da República, de acordo com o texto constitucional, a vigia do cumprimento da lei, lhe são devidos todos os actos de controlo da preservação dos institutos jurídicos da legislação portuguesa e, concretamente do cumprimento pela Administração Pública das normas jurídicas em vigor.

No universo laboral português, há milhares de pessoas que são contratadas para exercer funções em entidades públicas, sendo para tal recrutadas como trabalhadores/as independentes. Esta situação permite o seu fácil despedimento, sem que tenham direito a receber subsídio de desemprego e habilita o Estado a demitir-se de lhes assegurar o pagamento de subsídios de Natal e de Férias.

Consideramos que o Estado tem de se afirmar como um garante da legalidade e, no que concerne à contratação laboral, constituir-se como exemplo a seguir pelas entidades privadas. Neste sentido, tendo em conta que a situação dos “falsos recibos verdes” também se verifica em entidades privadas, o Estado deve agir de forma a fazer cumprir a lei.

Pelo exposto, solicitamos que a Assembleia da República legisle no sentido de fazer com que:

1) se regularizem, com a generalização de contratos individuais de trabalho, todas as situações de uso de “falsos recibos verdes” na Administração Pública;

2) pelo aperfeiçoamento dos mecanismos legais, se incremente a actividade da Inspecção Geral da Administração do Território de modo a que esta possa ser mais eficaz na verificação da utilização de "falsos recibos verdes” por parte de entidades públicas;

3) o Estado exija às entidades com as quais trabalha ou às quais solicita serviços que estas tenham a situação laboral dos/as seus/suas trabalhadores/as regularizada, certificando-se de que não recorrem à contratação com "falsos recibos verdes”;

4) pelo aperfeiçoamento dos mecanismos legais, se reforce o poder fiscalizador da Inspecção-Geral do Trabalho para que esta possa ser mais eficaz na verificação da utilização de "falsos recibos verdes” por parte de entidades privadas.

20.11.07

Sétimo dia de greve na ValorSul: trabalhadores continuam a sua luta por melhores condições de trabalho


Apesar da presença maciça da GNR, das ameaças e intimidações policiais, e de toda a campanha de intoxicação lançada pelo Governo Xuxialista contra a greve dos trabalhadores da empresa ValorSul, a greve mantém-se e chega hoje ao seu sétimo dia.


Durante este últimos dias os grevistas mantiveram-se junto ao aterro sanitário, procurando dissuadir os trabalhadores da recolha de lixo dos vários municípios servidos pela Valorsul. Alguns motoristas dos Serviços Municipalizados de Loures chegaram mesmo a recusar-se a entrar no aterro, merecendo os aplausos dos trabalhadores em greve. Tudo isto perante a presença intimidatória de dezenas de militares da GNR, que fez deslocar para o local três carros do corpo de intervenção rápida.

Um aparato policial que desagradava aos trabalhadores da Valorsul. "É a GNR que neste momento toma conta de todas as operações, dá ordens aos motoristas, aos encarregados, a toda a gente", dizia Adolfo Zambujo, dirigente sindical.

Está marcado para hoje um novo plenário dos trabalhadores que decidirão o rumo a tomar para a sua luta por melhores condições de trabalho.


Os trabalhadores insistem na importância do apoio da população ao piquete de Mato da Cruz, cientes de que a greve é uma prova de força e de resistência. Com efeito, a policia reprime os grevistas de forma sorrateira, dispersando o piquete assim que verifica que os trabalhadores estão sozinhos, são pouco numerosos ou estão cansados. Por isso, a solidariedade activa, no local, conta muito para denunciar e tentar impedir o uso da força por parte da polícia. E bem assim, para denunciar o pretexto da defesa do interesse público - invocado pelo governo e pela administração da Valorsul para usar a força policial - quando o que está em causa é a recusa da empresa em discutir as reivindicações dos trabalhadores.


Apelamos a que todos se desloquem para apoiar os grevistas. Por várias vezes, estes nos disseram “Venham! Venham! O vosso apoio é indispensável, seja a que horas for, dia e noite”. Neste caso, como em tantas outras pequenas-grandes lutas, “resistir é vencer”.

mais info:

www.jornalmudardevida.net/?p=354

www.jornalmudardevida.net/?p=354

www.jornalmudardevida.net/?p=334

www.jornalmudardevida.net/?p=330

Jaime Brasil, notável escritor e jornalista de ideais libertários

Fotografia e textos retirados do jornal O Primeiro de Janeiro




Artur Jaime Brasil Luquet Neto foi escritor e jornalista.
(N. Angra do Heroísmo, 1896 – m. Lisboa, 1966)

Cursou o liceu e, durante a Grande Guerra, a escola de oficiais milicianos, entrando para o Exército como alferes.

Jornalista brilhante, crítico literário e de arte, foi redactor do Primeiro de Janeiro, do Século, do Século da Noite, da República, do Diabo, dirigiu o jornal O Globo, de efémera duração, e muitos foram os jornais e revistas em que colaborou, sendo à data da sua morte chefe da delegação em Lisboa de O Primeiro de Janeiro, cuja excelente página «Das Artes, das Letras» organizou, desde início, durante muitos anos, e na qual colaboraram José Régio, Casais Monteiro, Gaspar Simões, Jorge de Sena, bem como inúmeros dos melhores autores das décadas de 40 e 50; as recensões críticas eram, nessa página – que passou a ser dirigida pelo poeta Alberto de Serpa –, assinadas com a letra A. (correspondente a Artur, de seu primeiro nome).

Grande amigo do seu patrício Vitorino Nemésio, ajudou-o quando este, em 1921, vindo dos Açores, se estreou no jornalismo profissional.

Jaime Brasil, para além de jornalista culto e probo, distinguiu-se como polemista, não poupando o adversário nas pugnas que travou (com o diário católico Novidades, a propósito do livro A Questão Sexual; com Agustina Bessa-Luís, acerca de Os Super-Homens, em 1950; e com um camilianista a quem chama «camelianista», em 1958).

Em 1925 fundou o Sindicato dos Profissionais de Imprensa de Lisboa, do qual foi o primeiro secretário-geral. Em Paris, onde residia desde 1937 e para onde voltou, algum tempo, no final dos anos 40, fundou em 1939 a Union des Journalistes Amis de la République Française.

Obras principais: O Problema Sexual, 1931; A Questão Sexual, 1932; Os Padres e a Questão Sexual, 1932; Os Órgãos Sexuais, 1933; A União dos Sexos, 1933; O Japão Actual, 1936; Diderot e a Sua Época, 1941; Vida e Obras de Zola (assinado A. Luquet), 1943; Rodin, 1944; Os Novos Escritores e o Movimento Chamado «Neo-Realismo», 1945; Vítor Hugo, 1940; Chalom…Chalom!... Uma Reportagem na Palestina, 1948; O Caso de «A Infanta Capelista» de Camilo Castelo Branco ou Como se Arrancam as Penas a Um Empavonado «Camelianista», 1958; Leonardo Da Vinci e o Seu Tempo, 1959; Velásquez, 1961; Ferreira de Castro.
A obra e o Homem, 1961; Zola – O Escritor e a Sua Época, 1966
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JAIME BRASIL e o Suplemento Semanal Ilustrado de A Batalha

por Luís Garcia e Silva *

Artur Jaime Brasil Luquet Neto nasceu em Angra do Heroísmo a 22 de Janeiro de 1896 e fez parte duma plêiade de militantes libertários terceirenses seus contemporâneos que só viria a conhecer em Lisboa.

O mais velho, António José de Ávila, era na I República, o decano e figura tutelar dos anarquistas lisboetas, tendo falecido em 1923.(1) Adriano Botelho e Aurélio Quintanilha (nascidos em Angra, 1892) vieram estudar para o Continente e, embora mais velhos que Brasil, faleceriam muito depois dele, em 1983 e 1987 respectivamente. Os contactos com estes últimos afrouxaram durante a Guerra Civil espanhola e a II Guerra Mundial por Jaime Brasil ter ido para Espanha (escreveu de Madrid a Ferreira de Castro em Outubro de1937) e daí para Paris onde já se achava em princípios de Novembro. Ali foi secretário-geral da União dos Jornalistas Amigos da República Francesa. Manteve-se em Paris após a ocupação alemã (Junho de 1940) até final do ano, regressando para ocupar, no início de Janeiro de 1941, o lugar de redactor em O Primeiro de Janeiro. Detido, julgado e condenado a vinte meses de prisão, que cumpriu no Aljube e em Caxias, retomou em 1942 o seu lugar no jornal portuense, deslocando-se raramente à capital por motivos profissionais ou para conviver com os amigos íntimos. Quintanilha, afastado da docência por motivos políticos, seguiu para Lourenço Marques em 1943.

A colaboração de Brasil em A Batalha, da C.G.T., diz essencialmente respeito ao seu Suplemento Semanal. (2) A colaboração iniciou-se no nº 4 (24/12/1923) com uma série intitulada «Paradoxos Bárbaros» que abriu com o tema O Teatro. Esta coluna prosseguiu irregularmente até ao nº 51 tratando sucessivamente Do Desporto, Da Morte, Dos Brinquedos, Dos Livros, Do Ódio, Das Jóias, Da Língua e Da Moral


Jaime Brasil teve a seu cargo uma coluna de crítica literária intitulada «Através dos Livros» que se prolongou do nº 2 ao nº 135 (28/6/1926). Os três primeiros números dessa coluna não vinham assinados. (3) O quarto, já subscrito, foi inteiramente dedicado à apreciação de O Paço do Milhafre, colectânea de contos do seu conterrâneo (e jovem admirador) Vitorino Nemésio. Entre as obras revistas encontram-se algumas de Afonso Lopes Vieira, António de Cértima, Campos Lima, Ferreira de Castro, etc. Voltamos a ter de permeio colunas não assinadas (nos 82, 88, 114 e 115). Desta vez curtas apreciações dum maior número de títulos.
A crítica de livros não se confinou a esta coluna, podendo encontrar-se fora dela artigos mais extensos sobre obras e autores como Antero de Quental e os fariseus; Anatole France. A morte do grande escritor; O Senhor Rei D. Sebastião e o livro do Sr. António Sérgio, tema que prossegue com Camões e D. Sebastião e com Ainda o Sr. D. Sebastião; Cavalgada do Sonho, um novo livro de Julião Quintinha ou Um livro póstumo de Eça de Queiroz. A síntese admirável da mentalidade burguesa na actividade política (4)

Porém, a coluna que mais impacto teve no público leitor do Suplemento foi a «Voz que clama no deserto», série de 21 cartas sobre temas nacionais em tom que oscilou entre o profético e o irónico, atingindo por vezes causticidade extrema. São disso exemplo o Discurso sobre a política nacional, quando já se avizinhava o 28 de Maio: «Evidentemente que temos os generais e as forças vivas – temos a ditadura. Ditadura, porém, tem sido isto sempre, ora ditadura do rei, ora do executivo, ora do legislativo. Ditadura heróica com Afonso Henriques, ditadura doida com D. Sebastião, ditadura às direitas com Pombal, ditadura às esquerdas com Afonso Costa, ditadura civil com os Cabrais, ou com o António Maria, ditadura militar com o Sidónio ou com o Vitorino, ditadura de saias com a Srª D. Maria II, ditadura de botas e esporas com o sr. Manuel Maria, e até já os ditadores do Alcaide – essa terra famosa para homens bravos – foram experimentados e não deram resultado nenhum.»
Outro exemplo é o da Carta ao sr. António Maria da Silva sobre a teoria do saque e a higiene pública, onde, a dada altura, se pode ler: «Quando me decidi, contudo, a considerá-lo o segundo grande estadista de Portugal, foi ao pronunciar V. aquela afirmação célebre de que o país estava a saque. Fiz-me seu devoto, passei como todos nós, os bons portugueses, a tratá-lo carinhosamente, familiarmente, pelo Silva, pelo António Maria. A minha ternura vai a ponto de já o tratar na Farmácia cá de Redondo só por o António, e se não o trato simplesmente por Maria, é por receio de o confundir com a Imaculada.»
Mas os exemplos são muitos, como o da jocosa carta dirigida ao então presidente da República, Teixeira Gomes, Carta ao Presidente da Finelândia sobre uma campanha “moralizadora” da sua polícia, ou a diatribe contra as touradas na Carta ao sr. Governador Civil com um pedido particular.
«A Voz que clama no deserto», iniciada em 3 de Março de 1924, durou até 7 de Julho de 1926 sendo esta última carta, sobre os acontecimentos subsequentes ao 28 de Maio – Cartas da China. I Aspectos e impressões da vida na Celeste República – subscrita por Tsing-Wang-Li e não pela «Voz que clama no deserto» (para despistar a censura?).

Digna de realce é também a polémica com Raul Proença, intitulada «Em defesa do jornalismo». Suscitada pelo seareiro e alto quadro da Biblioteca Nacional que, proclamando-se “o primeiro jornalista da república” e declarando “escrever de graça” na Seara Nova considerava os jornalistas remunerados indignos de empunhar a pena. A refutação de Jaime Brasil corre por três artigos: O sr. Raul Proença e o seu soberano desprezo pelos que na imprensa trabalham; Ou a irritação produzida num polemista por quem não é polemista e Resposta à parte doutrinária dum artigo de polémica do sr. Raul Proença. Veemente mas educada embora o primeiro artigo conclua dizendo que “tanta altivez, tanta independência, tanta sinceridade temos nós ao escrever este artigo pago, como o sr. Raul Proença a dizer sandices de borla.” Exasperado com a contestação, Proença trata Brasil de “arrieiro analfabeto”, “rafeiro que ladra e morde nas canelas”, que uma “análise científica” devia revelar nele “ancestralidades de eguariços arremangados”. A resposta de Brasil foi contundente mas correctíssima, limitando-se a mencionar os insultos de que foi alvo – chamando assim a atenção para a falta de educação do interlocutor – e a pôr a nu a incongruência do seu palavrório.

Outra não menos interessante polémica foi a travada com António Sérgio, uma série de quatro artigos sobre «Os verdadeiros e reflexivos heróis no conceito do sr. António Sérgio». O primeiro destes artigos situava um problema que já vinha dos trabalhos críticos de Sérgio em O Desejado e Camões e D. Sebastião, que desmitificavam o monarca e eram dedicados à memória de Nun’Álvares, Infante D.Henrique e D.João II, qualificados de verdadeiros e reflexivos heróis. Qualificativos que Brasil contesta, aceitando o critério de herói de António Sérgio – um delineador consciente de planos de grande alcance com a inerente capacidade de os levar à prática, independentemente dos meios utilizados para o efeito. Ora é precisamente a existência desses planos de longo alcance e dos meios adequados à sua execução que Jaime Brasil refuta, reduzindo Nun’Álvares à condição de fidalgo medievo, teso e beato (compara-o até ao comandante da polícia Ferreira do Amaral) e o Infante D.Henrique à condição de mero “chatim negreiro”. A D.João II atribui o desejo obsessivo de lograr dote suficiente para casar o filho com a herdeira do trono de Castela, visando unificar a Península sob o ceptro do seu putativo sucessor. A estreiteza mental dos personagens retirava-lhes implicitamente a estatura de heróis.

Muito informativa é a série de 10 artigos denominada «Apontamentos sobre jornalismo» com dados históricos sobre o aparecimento do jornal e evolução deste e da profissão de jornalista fora e, sobretudo, adentro das fronteiras pátrias. É uma verdadeira Introdução à História do Jornal e do Jornalismo para ilustração dos leitores de A Batalha. Mencionaremos de relance os títulos específicos de cada um dos artigos. I – A insuficiência de trabalhos relativos à história da imprensa periódica; II – Onde e como surgiram os primeiros jornais; III – O desenvolvimento do periodismo na Europa no século XVII; IV – Os primeiros periódicos portugueses; V – A primeira gazeta portuguesa e quem foi o seu primeiro redactor; VI – A evolução do periodismo em Portugal; VII – O jornalismo português no século XIX; VIII – A primeira associação jornalística que houve em Portugal; IX – A organização corporativa da classe dos profissionais da Imprensa; X – A liberdade de imprensa na Rússia.

«Da profissão de Jornalista» é outra série dedicada à elucidação do quadro legal e condições materiais em que operam os jornalistas, como facilmente se depreende dos temas tratados: I – Onde se procura definir o que seja profissional do jornalismo; II – A situação dos que exercem a actividade jornalística em Portugal; III – A situação jurídica dos profissionais do jornalismo em Portugal; IV – A situação material e moral dos jornalistas em Inglaterra; V – O contrato de trabalho dos jornalistas italianos elaborado em 1919; VI – As concessões ferroviárias de que gozam os jornalistas italianos; VII – O código de honra dos profissionais do jornalismo.
Não deve estranhar este recorrente interesse pelo jornalismo quem conhecer, não só a dedicação e o brilho com que exerceu a profissão, como o seu empenhamento militante no associativismo da classe.

Resta-nos mencionar a coluna «Questões de ética», quatro artigos como segue: I – A moral nova deve ter por base as leis da biologia; II – O fundamento biológico da moral sexual; III – Ainda algumas palavras sobre moral sexual; IV – A moral biológica e o direito de matar. É quiçá a menos interessante, por mais desactualizada, das colunas de Jaime Brasil.

Cumpre agora recordar que, além do extenso material já referido, há uma vasta gama de artigos sobre temas tão diversos como «O caso jurídico de Germaine Berton»; «A Cantiga da Primavera»; «O diálogo do Amor e da Morte»; «A pena de degredo. O êxito duma campanha jornalística em França»; «O ‘Salão de Outono’ continua brilhantemente as tradições do Palácio das Belas-Artes»; «O direito de matar. Um julgamento do tribunal do Sena que o define insofismavelmente» ou «A semana da criança».

Se pensarmos que esta extensa e variada colaboração teve lugar entre Dezembro de 1923 e Julho de 1926, isto é, cerca de dois anos e meio, num Suplemento semanal de apenas oito páginas, ficamos com a noção, não apenas do enorme esforço desenvolvido pelo autor para a elevação cultural dos trabalhadores portugueses, mas também da importância relativa do seu contributo para este jornal, que não difere significativamente dos de Ferreira de Castro, Adolfo Lima, Nogueira de Brito, Mário Domingues ou Julião Quintinha, para só mencionar alguns de entre os mais constantes e activos colaboradores do Suplemento de A Batalha.


Notas
1 - A sua morte foi noticiada no 2º número (10/12/1923) do Suplemento e o seu funeral foi comovidamente relatado - «Atrás do caixão do Ávila» - no nº4 do mesmo Suplemento por Pinto Quartim, que foi chefe de redacção de A Batalha e mais tarde da delegação em Lisboa do Primeiro de Janeiro.

2 - O Suplemento, que saía à 2ª feira, visava, por um lado, permitir o descanso dominical do pessoal da redacção e da tipografia (uma vez que era composto ao longo da semana precedente), e por outro alargar os horizontes culturais da classe operária a que se destinava.

3 - Jaime Brasil foi responsável pela coluna de crítica literária «Através dos Livros» mas as suas três primeiras edições – nº 2, 5 e 13 – não vêm assinadas, ou porque a coluna ainda lhe não tivesse sido atribuída ou porque não desejasse subscrevê-la e mudasse depois de opinião. Se foi delas o ‘incógnito’ autor a sua colaboração no Suplemento remonta efectivamente ao nº 2 e não ao nº 4.

4 - Trata-se de O Conde d’Abranhos.


* Luís Garcia e Silva é da Direcção do Centro de Estudos Libertários de Lisboa, que edita o jornal «A Batalha»


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O MENTOR DO POETA

por Luís Amaro

Entre os grandes injustiçados, ou injustamente esquecidos, escritores portugueses do século XX figura Jaime Brasil, de seu inteiro nome Artur Jaime Brasil Luquet Neto, n. Angra do Heroísmo, 1896 – m. Lisboa, 1966.

Notabilizou-se como jornalista, repórter (O Japão Actual, 1936; Chalom… Chalom!... Uma Reportagem na Palestina, 1948), crítico literário, biógrafo (Vítor Hugo, 1940; Diderot e a Sua Época, 1941; Vida e Obras de Zola, 1942; Rodin, 1944; Leonardo Da Vinci e o Seu Tempo, 1959; Velázquez, 1960; Ferreira de Castro – a Obra e o Homem, 1961), divulgador cultural e, até, científico (A Questão Sexual, 1932), tradutor (de Balzac, sobre quem escreveu também um informado “escorço”, e de Romain Rolland…). Foi, ainda, um polemista de guerra (Os Padres e a Questão Sexual, 1932, visando o diário lisboeta católico Novidades; carta Particular (com Vistas à Opinião Pública [...]), 1950; O Caso de “A Infanta Capelista” de Camilo [...] ou Como se Arrancam as Penas a um Empavonado “Camelianista”, 1958 (repare-se no “camelianista” [...]). A propósito da Carta Particular, dirigida a Agustina Bessa-Luís e suscitada pela reacção da Escritora à sua crítica, em “Das Artes, das Letras” de 2-8-50, ao romance Os Super-Homens, é preciso desmentir que Jaime Brasil veio para Lisboa, chefiar a delegação de O Primeiro de Janeiro, por causa dessa controvérsia: porque, além de em 5-10-49 ter saudado a excepcional estreia de Agustina no romance “Mundo Fechado”, só em finais de 50 o jornalista retornou à capital, onde permaneceu até morrer, ao serviço do Janeiro e trabalhando, incansavelmente, nas traduções de Balzac, para a Portugália Editora. A polémica referida não deixa de revelar, ou confirmar, o peso que tinham as recensões – que se contam por centenas na página literária do jornal portuense, por muitos considerado, nesse tempo já remoto – podemos testemunhá-lo… – o melhor do País, pela isenção e feitura exemplares a que Jaime Brasil não era alheio, mestre de jornalistas, sem formação universitária embora.

Cerca de seis anos mais velho que o seu patrício Vitorino Nemésio (n. 1901), e sendo este ainda criança, foi Jaime Brasil, em 1915, o “mentor de iniciação literária e agnóstica” do futuro e celebrado poeta e romancista, na terra natal de ambos. Seis anos, também, volvidos (1921), Jaime Brasil, já em Lisboa como alferes miliciano, acolheria e guiaria o juvenil amigo.



Curiosamente, mais seis anos após, no segundo romance publicado, Varanda de Pilatos (1927), Nemésio, que se transfigura em Venâncio, protagonista central da obra, retrata o antigo mestre e companheiro, mascarando-o de Abílio Bastos e intitulando assim o capítulo respectivo (p. 103 da primeira edição):
“Em que o leitor conhece uma personagem de vulto nesta verídica história. Fala-se do amor livre, e Venâncio decide converter-se à grei dos anarquistas.”


Em 1935, dedica-lhe a sua estreia poética adulta, em francês escrita, La voyelle promise (Coimbra, Edições Presença):
“Ao JAIME BRASIL, em bom português, pelo muito que lhe devo da minha formação na adolescência. E ainda por algum pão que o diabo não amassou em 1921.” (As maiúsculas no dedicatário e ao sublinhado na data constam da edição original.) Palavras bem expressivas da amizade que os unia e a que Jaime Brasil se manteve sempre fiel, bem como o fraterno Ferreira de Castro, igualmente injustiçado agora e que aquele nunca se cansou de exaltar.

Gostaria de, mais de espaço descrever a acção, diria histórica, de Jaime Brasil à frente da página literária de O Primeiro de Janeiro, “Das Artes * Das Letras” (com grande asterisco separativo), por ele concebida, creio que em 1942, no seguimento de outras suas iniciativas do género (o semanário O Globo, Lisboa, 1930; a página “República das Letras”, no diário República, ibid., 1935…). Todos quantos, no meu tempo, se interessavam por “artes e letras” liam sofregamente essa página e a aguardavam às quartas-feiras, porque nela confluíam muitos nomes prestigiosos, de várias gerações e diferentes sectores, que me seria difícil enumerar indiscriminadamente. E também porque não havia então novidade literária ou artística que Jaime Brasil não relevasse, em nótulas mais ou menos extensas e geralmente oculto (quantas vezes por inconfessáveis suspeições políticas…) sob a inicial A. a de seu nome Artur. Bastará, entretanto, acrescentar que a vida do nosso homem foi, nobremente, acidentada – conheceu, como tantos de igual craveira cívica, a prisão, a mordaça, o exílio; talvez, em certos períodos até (atendesse na dedicatória nemesiana) anteriores ao Estado Novo, a fome… E com que estóica dignidade ele suportou a luta!


Massamá, 12 – XI – 2007.

P.S. – Na bibliografia falta-nos citar a sua incursão, em 1937, no domínio erudito, ao reeditar, com prefácio, actualização ortográfica, anotações e revisão, a “Arte de Furtar”, cuja autoria, supostamente atribuída ao Padre António Vieira e ainda hoje problemática, Jaime Brasil questionou com documentada minúcia. A sua cultura era, para um autodidacta liceal, enciclopédica.


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Jaime Brasil e Ferreira de Castro irmãos


por Joaquim de Montezuma de Carvalho (Portugal) e Jorge Tufic (Brasil)

Lembrar o açoriano Jaime Brasil (Angra do Heroísmo, 1896 – Lisboa, 1966) é realçar as melhores virtudes do açoriano, tipificadas em Antero de Quental (Ponta Delgada, 1842 – id, 1891), a verticalidade nas ideias de emancipação do homem e, simultaneamente, a doçura do trato que, em tantos ideólogos, inexiste. Ele, como Antero, cumpriu a receita espinosiana sintetizada em Pascal (1623–1662): “Dois excessos: - excluir a razão e só admitir a razão”, e que, hoje, o cientista neurologista António Damásio elevou aos píncaros da lua (e ainda bem).
Jaime Brasil está eliminado na formosa e insegura “História da Literatura Portuguesa” do duo António José Saraiva e Óscar Lopes porque estes sábios têm noção francesa e restritiva do que é ou não é literatura. Assim é o meu país de purificações sucessivas. Todavia, Jaime Brasil é o enérgico e vivaço escritor de maravilhosas biografias sobre Zola, Diderot, Ródin, Leonardo da Vinci, Velázquez e… Ferreira de Castro. São livros cheios de estilo, a explodir humanismo, a ler-se melhor do que os muitos “escritores” de novelas e poesias versados pelo duo míope. Quem perde é a cultura. O valor literário passou a estar mais na cultura do que nos inócuos formalismos dos chamados “géneros literários”. Jaime Brasil pertence a esta literatura culta que se não prende a “criar” contos, dramas, poemas, romances…

Fui muito amigo do Jaime Brasil e ele meu amigo. Sei que a sua devoção maior foi por Ferreira de Castro (Ossela, Oliveira de Azeméis 1898 – Porto, 1974). O seu livro “Ferreira de Castro, a obra e o homem”, de 1961, em parte reaparecido como intróito à edição das “Obras Completas” que a Círculo de Leitores lançou em dezoito volumes, em 1984, contém o exacto perfil do nosso tão luso-brasileiro novelista, alma desabrochada no Amazonas, daí lhe vindo a nomeada com “A Selva” (1930) e contém sobretudo dois elementos do maior significado e são igualmente o que foi Jaime Brasil para ele mesmo Jaime Brasil: “O caso de Ferreira de Castro é, portanto, diferente do de todos os outros escritores seus compatriotas. É o dum camponês, que passou a infância numa aldeia serrana e a adolescência no recesso da floresta virgem. O seu encontro com a civilização deu-se em centros que não gozam de grande prestígio intelectual. Foi, assim, o construtor da sua própria personalidade”, o que vale para Jaime Brasil, irmão nesse erguer-se de si próprio. O outro elemento do valor capitalino e estelar está no acertado pioneirismo: - “É Ferreira de Castro o primeiro escritor de sentido social aparecido em língua portuguesa. Antecedeu, de vários anos, os romancistas de temas sociais das literaturas da América, tanto do Norte como do Centro e Sul”. Nada mais exacto para quem esteja dentro destas literaturas pós-colombinas. Aqui chegou Ferreira de Castro, homem independente, por amante da liberdade e ser-lhe penoso testemunhar misérias sem apontar o rebelde grito do não corajoso e exemplar (outra faceta do irmão seu, o Jaime Brasil).

Nesta festa à memória de Jaime Brasil a Amazónia tinha de estar aqui presente com o poeta, contista, ensaísta e jornalismo Jorge Tufic, nascido em Serra Madureira, em 1930, e com mais de quarenta livros publicados, entre eles “Existe uma literatura amazonense?” E Jorge Tufic conhece a Amazónia de Ferreira de Castro como mais ninguém, Pedi-lhe o texto e ele veio rápido por saber que, no além, o Jaime Brasil irá ficar encantado nesta união de irmãos corajosos, independentes e belicosos no melhor sentido da cristandade. Aqui está, com o título de “Lembranças de Ferreira de Castro”:
- Há uma herma de Ferreira de Castro na Praça Heliodoro Balbi, em Manaus, homenagem da União Brasileira de Escritores (UBE–AM). Nos interiores amazónicos por onde andara e sofrera este homem, devem resistir ao tempo os seringais de sua infância e juventude. Mas há um prédio na rua Marechal Deodoro, com a placa em bronze da veterana firma J. G. Araújo, que simboliza todo esse período económico de grandeza e baixaria tão bem descrito por António Loureiro, sem seu livro “A Grande Crise”.

Numa dessas portas do vetusto escritório adentrara, com certeza, o Ferreira de Castro menino a que se refere um outro escritor do Amazonas, Abrahim Baze, na obra intitulada “Ferreira de Castro, um Emigrante Português na Amazónia”, talvez em busca dos primeiros contactos para conseguir trabalho. Terá, contudo, desistido, indo bater em outra porta, desta vez a do Comendador J. B. Aragão. Quis, no entanto, o destino que ele seguisse viagem até ao rio Madeira.

Algumas fotos, sempre repetidas, documentam o itinerário do autor de “A Selva” a partir do navio “Justo Chermont”, o Porto de Manaus, a avenida Eduardo Ribeiro, o Largo da Matriz, casas aviadoras, armazéns de borracha, a produção do látex nos seringais, tudo ao lado do escasso relicário afectivo deixado nos beiradões, gente humilde após uma caçada e porcos do mato (caitetus) estirados no chão.

São estas as facetas exteriores do escritor. Em seu íntimo, porém, cresciam os contrastes e avolumavam-se as imagens destinadas a transformar todos os aparentes fracassos em retumbantes sucessos literários. A vida sabe para onde joga, e as coisas sabem acontecer. O que seria dos injustiçados e da literatura amazonense, se Ferreira de Castro tivesse conquistado um título de seringalista ou proprietário de casa aviadora? Ou um canudo de bacharel em Direito?

Não sei porquê, mas sempre acho que sua vida e seu sofrimento ainda circulam nos ares de Manaus, valorizando os monumentos históricos. E qualquer fotografia dos horrores dos seringais tem muito a ver com os textos (conhecidos e desconhecidos) de Ferreira de Castro”.

Assim escreveram Joaquim de Montezuma de Carvalho e Jorge Tufic num abraço bem luso-brasileiro para dois irmãos da mesma espécie, os sempre recordados Jaime Brasil e Ferreira de Castro.

Hip-hop no Brasil e em Portugal: conversas sobre arte na periferia ( em Coimbra, dia 21 de Nov, às 14h.)



21 Novembro de 2007, 14:00 às 17:00,
Sala de Seminários do CES (2º Piso), Centro de Estudos Sociais, na Fac. de Economia, Universidade de Coimbra


Limite de inscrições: 35 pessoas



Iniciativa destinada a estudantes do ensino secundário



Todos os anos, em Novembro, durante a Semana da Ciência e da Tecnologia, instituições científicas, universidades, escolas, associações e museus abrem as suas portas para dar a conhecer as actividades que desenvolvem, através de um contacto directo com o público.




Este ano, o CES associa-se à Agência Nacional Ciência Viva, organizando um evento sobre Hip-Hop e a Arte na Periferia (em Portugal e no Brasil), destinado a jovens do ensino secundário.



Programa:



O CONTEXTO dos documentários, Andreia Moassab e Cristiano França (doutorandos CES)

DOCUMENTÁRIOS

Panorama: Arte na Periferia (2007/52¹), de Peu Pereira (Brasil)
Hip Hop com Dendê (2006/15¹) de Fabíola Aquino (Brasil)
Festa do Hip Hop (2005/ 8¹) de Célia Antonacci (Brasil)



CONVERSAS com João Francisco Barros (divulgador de hip-hop) e Teresa Fradique (investigadora e autora do livro 'Fixar o movimento: Representações da música Rap em Portugal')



DEBATE com os alunos
Organização: Marta Araújo, Andreia Moassab, Cristiano França, Ana Oliveira e Fernanda Vieira
Colaboração: Fabrice Schurmans, Priscila Vasconcelos

Curso livre sobre o Sufismo islâmico

De 20 de Novembro de 2007 a 26 de Fevereiro de 2008.

ISER - Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões(Presidido pelo Prof. Moisés Espírito Santo),
com sede na FCSH da UNL (Av. de Berna)
O SUFISMO ISLÂMICO E SUAS CONFRARIAS: ESPIRITUALIDADE E POLÍTICA
(curso livre de 3 meses = 12 sessões)

Docente: José Manuel Anes

1 – O Islão, seus esoterismos e suas heterodoxias
A (1 aula)– A “fitna” das origens: Sunismo e Xiismo. Dos desvios às margens do Islão.

B (1 aula) – Xiismo, esoterismo, profetismo e escalotologia: o imame escondido e a hiero-história. “Messianismo”: o Mahdi intercalar e o do fim dos tempos. O Ismaelismo fatimida, gnose e tempo cíclico. O Ismaelismo reformado de Alamut: dos “Assassinos” à “Grande Ressurreição”.

C (1 aula) – Hermetismo e Alquimia: Geber, Rhazés e a Enciclopédia dos “Irmãos da Pureza”.

D (1 aula) – De Avicena e o “relato visionário” ao “oriente das luzes” e ao “exílio ocidental” de Sohravardi e os “Ishraqiyn”.

2 – O Sufismo, seus mestres e suas confrarias

E (2 aulas) – Os mestres das origens e seus continuadores. Al-Hallaj, al-Ghazali, Ibn Massarra, Attar e o “Colóquio dos Pássaros”. Ibn’Arabi, o “Sheik al-Akbar” e a “imaginação criadora” como instrumento poético e noético. Rumi.

F (2 aulas) – As Confrarias sufis: A Qadiriya e a Chisti; a Sorawardiya, a Ribaiya, a Kubrawiya, a Shadiliya (e a Madaniya e a Alawiya), a Mawlawiya (e os “derviches rodopiantes”), a Naqshbandiya e os “mestres da sabedoria”. Os Bektashis e os Halevis. Ordens sufis ocidentais do século XX (Sufi Order, etc.)

3 – As confrarias sufis e a sua dimensão política

G (2 aulas) – Ásia Central e Hindustão, Turquia, Médio Oriente e Egipto, Maghreb, Sahel e África sub-sahariana e ocidental.

H (2 aulas) – O conflito entre o Wahabismo e o “salafismo radical jihadista”, por um lado, e o Sufismo e suas confrarias, por outro: os casos da Índia/Paquistão e do Sahel/África sub-sahariana.

Aulas às 3ª.s Fs. das 18,30h às 20,45h (15m de intervalo).

O 44º aniversário da UNICEPE, cooperativa livreira de estudantes do Porto


A Unicepe fez ontem 44 anos de existência. Uma cooperativa de estudantes universitários do Porto que serviu de ponto de encontro aos resistentes anti-fascistas ao longo da ditaura e que, hoje, resiste à tirania do mercado e à banalidade consumista.


Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL
Praça Carlos Alberto, 128-A
4050-159 PORTO

Telefone 222 056 660



mailto:Unicepe@mail.telepac.pt

http://www.unicepe.com/





Noites de poesia e música - Evocações


Todas as quartas Quartas feiras de cada mês organiza-se uma tertúlia em que é lembrado um dos nossos sempre tão esquecidos autores



Em 2007:
Janeiro, dia 24 - João de Deus - José Alves Silva / Carlos Andrade
Fevereiro, dia 28 - José Afonso - José Silva
Março, dia 28 - António Nobre - Tino Flores
Abril, dia 25 - Ary dos Santos - José Ramalho e Daniel Pires
Maio, dia 23 - Adriano Correia de Oliveira - Carlos Andrade e Fernando Mendes
Junho, dia 27 - Camilo Castelo Branco - João Teixeira
Julho, dia 25 - Guerra Junqueiro - Agostinho Silva
Setembro, dia 26 - Júlio Dinis - Jorge e Nuno Gomes da Silva
Outubro, dia 24 - António Aleixo - Ana Ribeiro
Novembro, dia 28 - Fernando Pessoa - Francisco Carvalho
Dezembro, dia 26 - Teixeira de Pascoaes - Fernando Ribeiro


Plano para 2008:
Janeiro, dia 23 – Miguel Torga – Carlos Andrade
Fevereiro, dia 27 – Sebastião da Gama – Carlos Cunha
Março, dia 26 – Natália Correia – Tino Flores
Abril, dia 23 – Luís Veiga Leitão – José Ramalho e Daniel Pires
Maio, dia 28 – Agostinho da Silva – João Teixeira
Junho, dia 25 – Jorge de Sena – Jorge e Nuno Gomes da Silva
Julho, dia 23 – Sofia de Melo Breyner – Agostinho Silva
Setembro, dia 24 – Antero de Quental – Ana Ribeiro
Outubro, dia 22 – Florbela Espanca – Francisco Carvalho
Novembro, dia 26 – Bocage – Fernando Ribeiro


Apareça!... venha saborear, connosco, um porto Poças e dizer um poema.

19.11.07

Viver (bem) com menos

Por uma economia baseada nas necesidades sociais e não em função dos interesses do capital, isto é,por uma economia onde se produza o necesário e não o supérfluo


Quanto é o suficiente para se viver bem?
Esta simples pergunta não é nova, mas ganhou uma indiscutível pertinência e actualidade nos nossos dias. Com efeito, para avançarmos em direcção a uma sustentabilidade que não seja pura retórica é indispensável levar a cabo uma estratégia fundada na eficiencia, na coerência (biomímesis) e na suficiência, o que implica o levantamento e a operacionalização do que se deve entender por necesidades humanas, dos modelos antropológicos a seguir, da austeridade voluntária, da definição do conceito de vida boa, e do conteúdo da noção de felicidade.

O capitalismo consumista em que vivemos está a levar o planeta, mediante uma irremediável cegueira furibunda, em direcção ao abismo. Face a essa corrida auto-destrutiva é nosso dever resistir e agir em consequência com base nos princípios da eficiencia ( fazer mais com menos recursos), da coerência (usar tecnologías compatíveis com a naturaza, que aproveitem os ecossistemas sem os destruir) e da suficiência ( se os seres humanos querem preservar a Terra teremos que aprender a viver dentro dos seus limites).

O livro recentemente editado pela editora Icaria, de Barcelona, com o título «Viver (bem) com menos», é constituído por textos de três autores ( Jorge Riechmann, Manfred Linz e Joaquim Sempere), e é extremamente útil para dessacralizar o mito e o conceito de «crescimento económico» contemporâneo.

Para além das críticas certeiras, não deixam de ser apresentadas formas alternativas a esta economia do desperdício consumista.

Defende-se assim o primado do comunitário, políticas energéticas da procura e não do lado da oferta, a construção de uma economia baseada nas necesidades sociais e não em função dos interesses do capital (isto é, producir o necesario e não o supérfluo), a partilha do trabalho.

São textos que partem, pois, da teoria mas não se esquecem de apresentarem propostas tangíveis, com uma ideia comum e presente ao longo de todo o livro:

«O desenvolvimento sustentável foi uma boa ideia (…) Mas agora é demasiado tarde. Do que se trata agora é de organizar a retirada sustentável» e... aprender a viver (bem) com menos.

A árvore do Natal do Millenium é um monumento ao desperdício, ao despesismo e à mais obscena publicidade comercial

Comunicado da associação ecologista Terra Viva a propósito da «Árvore» do Capital, financiada pelo maior banco privado português, e montada no centro da cidade do Porto


O Porto tem falta de mais espaços verdes produtores de oxigénio, e de ÁRVORES concretas. Situando-se actualmente a média das grandes cidades europeias de ESPAÇOS VERDES POR HABITANTE entre os 16 e os 18 m2, o Porto está longe ainda dos 12 m2 por habitante que a Câmara Municipal do Porto diz desejar atingir , situando-se actualmente na fasquia entre os 7 e os 8 m2/habitante.

Dado este facto – e dado também o desprezo que têm sido votados a maior parte dos espaços verdes urbanos (parque das Virtudes fechado ao público há mais de um ano, projecto do Parque Oriental torpedeado e invadido por novas rodovias, etc., etc.) seria de todo desejável termos GRANDES E PEQUENAS árvores de Natal VIVAS nesta cidade em vez de qualquer avantesma de ferro... Por essa Europa fora é isso que se faz. Mas não AQUI. Aqui “valores mais altos se levantam”: os do VIL METAL …para alguns!

UM PRESENTE “DESINTERESSADO”?

É por isso que uma instituição tão desinteressada e benemérita (?) como o BANCO MILLENIUM BCP, resolve oferecer este presente “desinteressado” à cidade durante a próxima quadra festiva: UMA AVANTESMA com 280 TONELADAS DE FERRO, 76 METROS DE ALTURA e …3 MILHÕES DE LÂMPADAS! (onde está a poupança de energia? – sobretudo quando a actual seca se faz sentir há vários meses com as albufeiras bem abaixo dos níveis normais nesta época…).

Estamos perante uma GIGANTESCA OPERAÇÃO DE MARKETING do MILLENIUM BCP e não perante qualquer iniciativa “desinteressada”. Assim se promove a si próprio o Millenium BCP à custa de muito “ fogo de vista”! E quais as benesses da maioria da população do Porto? Essa , é convidada a participar com pompa e circunstância na inauguração da MAIOR ÁRVORE DE NATAL DA EUROPA, e a vir gastar os seus salários QUE SÃO OS MAIS BAIXOS DA EUROPA em compras que “revitalizam o comércio” na baixa e que…lhe esvaziam os seus já por si magros bolsos…

UM APOIO DE “SOLIDARIEDADE SOCIAL”?

Mas tanto o MILLENIUM BCP como o actual elenco da Câmara Municipal do Porto que apoiam esta grande operação de marketing comercial têm um “argumento de peso”… É que, dizem-nos, durante a “plantação” desta enorme avantesma de ferro, vão fazer um PEDITÓRIO para algumas instituições privadas de solidariedade social e com esse peditório diminuirão a actual situação de miséria de muitas famílias…

Então cabe perguntar: PORQUE NÃO POUPAR OS MILHÕES DE EUROS DAS 280 TONELADAS DE FERRO E ENTREGAR ESSE DINHEIRO ÀS INSTITUIÇÕES DE SOLIDARIEDADE SOCIAL ? Já que o MILLENIUM BCP é tão “desinteressado”!...

TRAVAR O A ABANDONO E A DESERTIFICAÇÃO DO CENTRO?

Um outro “precioso argumento” de tão “desinteressados” senhores (actual elenco da Câmara Municipal do Porto aí incluídos ) é que com este mastodonte “de Natal” e a “animação cultural” realizada em volta dele (teremos que voltar a ouvir o “Serafim Saudade” a cantar “Ninguém, ninguém, poderá mudar o mundo”…Isto é que é “coltura”, sim senhor…) ,se “reanimará” o centro da cidade nesta quadra festiva (mas só!) .

Mas SERÁ QUE A MAIORIA DA POPULAÇÃO DO PORTO É COMPOSTA POR COMERCIANTES?

E onde é que estão os projectos (e as acções) que devolvam o CENTRO HISTÓRICO DO PORTO (Miragaia, São Nicolau, Sé, Vitória…) às populações ? – que o abandonam cada vez mais porque, entre outras razões, ninguém gosta de morar em ruínas (ou ao lado delas) e os projectos de “reabilitação” urbana da zona histórica são menos que insuficientes.
E que está a acontecer a esta zona da cidade (que também é centro) em vias de perder o seu estatuto de PATRIMÓNIO CULTURAL MUNDIAL pelo desprezo a que tem sido votado pelo actual elenco da Câmara Municipal?...

TRANSPORTES ESPECIAIS NA QUADRA NATALÍCIA. MAS SÓ!!!

Mas, como é preciso vir à baixa comprar e comprar, a Câmara Municipal do Porto dá-lhe uma ajuda: intercede para melhorar TEMPORÁRIAMENTE o funcionamento da chamada “Nova Rede” dos STCP… Será que vamos passar a : - ter menos transbordos? , - recuperar as antigas linhas dos autocarros? - passar a ter abrigos que faltam nas paragens ? - passar a ter os antigos tarifários e bilhética? - passar a ter o preço impresso dos bilhetes que adquirirmos nos autocarros ? … De facto o Natal será mágico… E em nome do santo lucrinho de alguns talvez venhamos a ter durante menos de dois meses AQUILO QUE DURANTE O ANO TODO NOS É NEGADO: UMA BOA QUALIDADE DE TRANSPORTES URBANOS…talvez, mas isso dependerá do dinheiro que se tenha para gastar neste Natal…

É POR TODOS ESTES MOTIVOS QUE ADERIMOS ÀS INICIATIVAS DE CONTESTAÇÃO E PROTESTO DO M.U.T (Movimento dos Utentes dos Transportes da Área Metropolitana do Porto) e do GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental)

APELANDO À POPULAÇÃO DO PORTO A QUE NÃO SE DEIXE ILUDIR POR INICIATIVAS QUE NÃO VISAM NEM A MELHORIA DA SUA QUALIDADE DE VIDA NEM DO AMBIENTE EM GERAL.

Porto, 17 de Novembro de 2007 - TERRA VIVA!/Terra Vivente
Associação de Ecologia Social
( Núcleo Porto Centro )

18.11.07

Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada: contra a violência do tráfego motorizado e o imperialismo do automóvel


Hoje é o dia mundial em memória das vítimas da estrada e do tráfego motorizado. E nada mais justificado que recordar aqui os 30 milhões de mortos e as centenas de milhões de feridos que os automóveis e as motas provocaram ao longo do século XX. E se a isto adicionarmos os terríveis efeitos colaterais (no ambiente, etc) do uso e abuso do automóvel nas nossas sociedades o balanço não pode ser mais aterrador.

A sinistralidade rodoviária e o massacre perpetrados pelos automóveis são-nos apresentados habitualmente como do foro individual dos condutores ora negligentes e temerários ora ineptos e impreparados, a quem são apontadas reponsabilidades quando se dá um acidente na estrada.

Mas esquece-se que se trata de um problema eminentemente social e até político. Basta para tanto recordar a insistência e pressa que os órgãos e responsáveis políticos revelam ao autorizar a venda e circulação de carros cada vez mais potentes, capazes de atingir velocidades inadmissíveis, assim como todo o afã das autoridades em construírem vias de circulação onde o alto valor da fluidez do trânsito supera em importância a própria segurança rodoviária, e, principalmente, no tipo de ordenamento do território planificado pelas esferas governamentais que leva cada vez mais as populações a ficarem dependentes do automóvel e do transporte particular.

Quantos mais automóveis há, mais a vida se torna desagradável, e menos úteis eles se mostram.

Vivemos hoje numa espiral de crescimento do transporte de pessoas e mercadorias. As indústrias do automóvel, da construção civil e dos combustíveis tornaram-se o primeiro poder económico e, em cumplicidade com os governos, modelam o território, a sociedade e as regras sociais em função dos seus interesses económicos em detrimento do inetresse geral e da prória saúde das pessoas.

Os condutores, esses, independentemente da sua consciência social e dos padrões éticos por que se regem, vão adaptando melhor ou pior a sua conduta em função percepção dos riscos que lhes são apresentados. E se estes diminuem, graças à tecnologia ou ao traçado e construção das vias, a tendência é para elevar o grau de risco do seu comportamento. Por isso é que a única solução para reduzir a mortalidade rodoviária é reduzir as deslocações e apostar numa economia de proximidade.

As indústrias envolvidas e os governos, seus cúmplices, têm plena consciência das consequências das suas opções e do modelo de crescimento económico que visa tão-só satisfazer os interesses empresariais na maximização do lucro a qualquer preço e custe o que custar.

Ora chegou o momento de imputar às empresas e aos governos a culpa pela autêntica guerra civil assassina que vai alastrando nas nossas estradas.






Ruas para as pessoas, não para os automóveis
15 Mandamentos da Cortesia ao Volante

retirado de:



1. Não utilizarás o veículo como instrumento de ameaça ou de agressão.

2. Se conduzires, não consumirás bebidas alcoólicas ou produtos que alterem o teu estado normal de consciência.

3. Darás sempre prioridade aos peões, mesmo fora das passadeiras ou antes de nelas entrarem.

4. Zelarás pelo transporte seguro dos ocupantes do teu veículo, em especial das crianças.

5. Aceitarás o ritmo de condução dos outros condutores e respeitarás os limites de velocidade legais.

6. Não utilizarás o telemóvel durante a condução.

7. Não estacionarás onde prejudicares a passagem e visibilidade dos peões, em especial crianças, idosos e deficientes.

8. Vigiarás o estado do veículo de modo a contribuir para a segurança e respeito de todos os utentes das estradas.

9. Não perderás a paciência quando a via se encontrar obstruída e não impedirás a ultrapassagem por outro veículo.

10. Pararás sempre nos sinais de Stop e abrandarás com o aparecimento da luz laranja.

11. Não estacionarás nas passadeiras de peões, faixas BUS, lugares de deficientes, e saídas de emergência.

12. Manterás a calma quando circulares atrás de um veículo de instrução.

13. Reduzirás a velocidade em locais de transito de peões.

14. Em auto-estrada ou via rápida, não conduzirás encostado à traseira do carro que circula à tua frente.

15. Adequarás a tua condução às condições atmosféricas e condições da via.



Apelo para uma greve geral dos consumidores a partir do dia 24 de Novembro

CONSOME, idiota!


Todos nós desempenhamos um papel económico bem mais importante como consumidores do que como trablhadores

Os direitos dos trabalhadores são sistematicamente esvaziados, quando não mesmo retirados e anulados nos últimos anos, e, por circunstâncias várias, as greves de trabalhadores não se têm revelado eficazes.

Por isso é urgente que as greves de trabalhadores sejam complementadas com uma greve geral de consumo como forma de demonstrar ao poder instituído a nossa determinação na luta por uma nova sociedade e um novo modo de viver.

Apelamos assim para que, a partir do dia 24 de Novembro, todos comprem o menos possível e para deixarem de fazer compras inúteis , o que teria indiscutivelmente uma grande repercussão em toda a economia e faria tremer o poder político e económico.


A greve das compras terá de ser articulada com a greve ao trabalho.

Uma greve geral ilimitada dos consumidores, a partir de 24 de Novembro, a ser adoptada por um número significativo de aderentes teria um impacto enorme e desencadearia uma dinâmica de transformações sociais e culturais.


Ver e consultar:
http://www.supermercadosnogracias.org/

15 coisas para fazer no hipermercado …

1. Agarra em 24 caixas de preservativos e põe em vários carrinhos, aleatoriamente, quando a pessoa estiver distraída.

2. Programa os despertadores para tocarem de 5 em 5 minutos.

3. Faz um rasto com molho de tomate até à casa de banho.

4. Aborda um funcionário e diz "Código vermelho na secção da loiça"... e vê o que ele faz!

5. Vai ao apoio a clientes e pergunta se te podem reservar um pacote de M&Ms.

6. Põe o sinal de "ATENÇÃO - PISO MOLHADO" ao pé da área dos tapetes.

7. Monta uma tenda na secção de campismo, diz aos outros clientes que vais passar a noite por lá. Convence as pessoas atraentes a trazerem almofadas da secção têxtil e juntarem-se a ti.

8. Quando um funcionário te perguntar se precisas de ajuda, começa a chorar e grita "Porque é que vocês não me deixam em paz?!?!!?!?"

9. Encontra uma câmara de vigilância e usa-a como espelho enquanto tiras macacos do nariz.

10. Procura uma faca de trinchar bem afiada. Leva-a contigo durante todo o percurso das compras e vai perguntando aos funcionários se ali vendem anti-depressivos.

11. Desliza pela loja com um ar suspeito, enquanto cantas o tema da "Missão Impossível".

12. Na secção de acessórios para os automóveis, pratica o teu "look Madonna" usando diferentes tipos de cones de sinalização.

13. Esconde-te atrás da roupa que está exposta em cabides e quando alguém estiver a ver os artigos grita "ESCOLHE-ME! LEVA-ME PARA CASA!"

14. Quando alguém anunciar seja o que for no altifalante, deita-te no chão, em posição fetal, e grita: "NÃÃÃO! As vozes! Outra vez as vozes!"

E, por fim:

15. Vai ao provador de roupa. Fecha a porta, aguarda um minuto e depois grita: "Onde é que está o papel higiénico?


Retirado de:
http://renatoamorim.blogs.sapo.pt/44337.html

O jornal El Pais abre os seus arquivos de textos e artigos publicados ao longo de 30 anos

Qualquer que seja a ideia que se tenha sobre o jornal El País e o grupo económico Prisa que o controla julgamos do maior interesse a abertura dos arquivos deste jornal e a sua disponibilização online a todos quantos estejam interessados na sua consulta.

São assim três décadas recheadas de factos históricos a que acrescem os milhares de artigos e reportagens que podem ser consultados via Internet e de forma totalmente gratuita.

Para tanto, bastará ir à
hemeroteca do ELPAÍS.com e começar a fazer as pesquisas desejadas

O edifício do Capitólio, sede do poder legislativo dos EUA, foi construído por escravos negros!!!


O Capitólio em Washington, sede do poder legislativo, o Congreso dos Estados Unidos da América, é um edifício majestoso ( ocupa uma superficie de 18.000 m2 e 87,60 metros de altura) e foi construído no século XIX para glorificar a liberdade e a democracia norte-americana, valores que serviram sempre de alarde ao nascimento e à criação dos Estados Unidos da América .

Vêm-se agora a saber, contudo, que o edifício foi erguido à custa de mão-de-obra escrava das explorações rurais dos Estados esclavagistas. Com efeito, quando George Washington esboçou o ambicioso projecto de construir a capital dos Estados Unidos não contava com a penúria de trabalhadores na região e foi necessário recorrer aos proprietários rurais para que estes disponibilizassem os seus escravos que, dia e noite, e em tempo recorde, conseguiram com a sua força braçal construir o edifício que, paradoxalmente, é vangloriado comosímbolo da democracia e da liberdade!!!

Este facto histórico veio a reforçar as pretensões da actual população afro-americana a viver nos Estados Unidos em ver reconhecido o seu papel cívico na construção do país e as suas actuais reivindicações por um estatuto social ao nível da sua importância e participação histórica.

Feira de poesia popular em Olinda (I FENAPOP)

Durante três dias (9, 10 e 11 de Nov.), Olinda transformou-se na capital da poesia popular, com a I Feira Nacional de Poesia Popular (Fenapop). O evento, que aconteceu no Parque do Carmo e teve entrada gratuita, reuniu muita cantoria de viola, embolada, recitais de poesia, exposições de artesanato e literatura de cordel.


A cidade de Olinda foi escolhida para receber o evento por ter abrigado nos anos 70 um dos maiores festivais do Nordeste, o Torneio de Olinda, que foi palco de manifestações contrárias ao regime militar. De lá saíram as primeiras caravanas de poetas pelo Brasil, que percorriam várias capitais até chegar a Brasília.

Na sexta-feira (09), a festa começou, às 19h, com a embolada da dupla Rouxinol e Patativa. No sábado (10), o Coreto da Poesia abriu espaço para poetas amadores. Já no palco principal, o destaque maior foi o repente de Ivanildo Vila Nova, que formou dupla com Sebastião da Silva. O domingo (11) ficou reservado para duas das atracções mais esperadas: o recital solo de Oliveira de Panelas e a poesia matuta de Jessier Quirino.


Comício em beco estreito
Uma livre adaptação da poesia de Jessier Quirino




Poesia de emboladores de coco (Natal, Brazil 1996)
(poetas populares Zizi Gaviao e Caetano da Ingazeira improvisam versos)






Repentistas troçando de toda a gente




Repentistas



Deixamos aqui a programação seguida pela I FENAPOP

SEXTA-FEIRA (09.11)

19h00 – Abertura com FELIZARDO MOURA
19h30 – ROUXINOL & PATATIVA – embolada
20h30 – ZELITO NUNES – contador de causos
21h00 – EDMILSON FERREIRA & ANTONIO LISBOA – repente
21h40 – CHICO PEDROSA – declamação
22h15 – JOÃO PARAIBANO & SEBASTIÃO DIAS
23h00 – Encerramento

SÁBADO (10.11)

19h00 – Abertura com FELIZARDO MOURA
19h10 – ROUXINOL & PATATIVA – embolada
19h30 – EDVALDO ZUZU & SINÉSIO PEREIRA - repente
20h00 – YPONAX VILA NOVA – declamação
20h30 – MOCINHA DE PASSIRA & MINERVINA FERREIRA – repente feminino
21h00 – CORETO DA POESIA – c/ poetas amadores
21h30 – RAUDÊNIO LIMA - declamação
22h00 – RIVANI, a cangaceira do cordel – poesia
22h30 – VASSULA - declamação
23h00 – ZÉ CARDOSO & RAULINO SILVA – repente
23h30 – CHICO PEDROSA – declamação
00h00 – IVANILDO VILA NOVA & SEBASTIÃO DA SILVA – repente
00h30 – GERALDO AMÂNCIO & MOACIR LAURENTINO – repente
01h00 – Encerramento

DOMINGO (11.11)

19h00 – Abertura com FELIZARDO MOURA
19h10 – YPONAX VILA NOVA – declamação
19h30 – CORETO DA POESIA – poemas livres
20h00 – SINÉSIO PEREIRA & EDVALDO ZUZU – repente
20h30 – MOCINHA DE PASSIRA & MINERVINA FERREIRA – repente feminino
21h00 – ZÉ VIOLA & ZÉ GALDINO – repente
21h30 – OLIVEIRA DE PANELAS – recital
22h00 – ROUXINOL & PATATIVA – embolada
22h30 – CHICO PEDROSA – declamação
23h00 – IVANILDO VILA NOVA & SEBASTIÃO DA SILVA - repente
23h30 – JESSIER QUIRINO – declamação
24h00 – Encerramento

O Nu-jazz de Bugge Wesseltoft

Jens Christian Bugge Wesseltoft é um músico, pianista, compositor e produtor norueguês que se move nas águas do jazz, em particular na sua versão mais europeísta e fusional do «future jazz» ou «nu jazz». Bugge tem também uma produtora, a Jazzland Records, que divulga o jazz praticado na Noruega, cujas figuras mais conhecidas são Jan Garbarek e Ion Christensen.
IM é o último cd de Bugge Wesseltoft, marcado por um tom minimalista de piano solo, bastante diferente do que estávamos habituados a ouvir na sua música, e na embalagem que acompanha o cd é possível ler textos anti-belicistas.

Discografia:
It's snowing on my piano - 1997 - Act
New Conception of Jazz - 1997 - Jazzland
Sharing - 1998 - Jazzland
Moving - 2001 - Jazzland
Live - 2003 - Jazzland
FiLM iNG - 2004 - Jazzland
IM - 2007 - Jazzland

With Sidsel Endresen:
• Nightsong - 1994 - Act
• Out Here, In There - 2002 - Jazzland

Consultar

http://www.buggesroom.com/


Nu jazz é um termo abrangente que aparece nos anos de 1990 para caracterizar aquele tipo de jazz instrumental baseado no funk, na electrónica e na improvisação livre. Outros termos sinónimos utilizados são electronic jazz, electro-jazz, e-jazz, jazztronica, jazz house, phusion, or future jazz.

O Nu jazz vai mais longe do que o acid jazz (ou groove jazz) na medida em que explora mais intensamente os recursos electrónicos e da improvisação.

The sound of Nu Jazz can be described as jazz music with a slow tempo from about 65-100 B.P.M. generally alongside an ambient beat, and usually little to no vocals are involved. Nu Jazz music rhythms and melodies can often be repetitive in nature.
It ranges from combining live instrumentation with beats of jazz house (exemplified by the French St Germain, the German Jazzanova and Fila Brazillia from the UK) to more band-based improvised jazz with electronic elements (such as that of the The Cinematic Orchestra from the UK, the Belgian PhusionCulture, Mexican duo Kobol, nu jazz improvisation collective, the Norwegian "future jazz" style pioneered by Bugge Wesseltoft, Jaga Jazzist, Nils Petter Molvær, and others). It is a term sometimes ascribed to Squarepusher's music.



Bugge Wesseltoft Live at Badechieff Berlin


Bugge Wesseltoft: Gare du Nord.
From the album 'Moving'.


Bugge Wesseltoft Live From Jazid Oslo 2000

Live from North Sea Jazzfestival

17.11.07

O relatório final do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC) é conclusivo: o aquecimento global é inevitável e está a acelerar-se

«O aquecimento do clima é inequívoco e já é evidente o aumento da temperatura média global do ar e dos oceanos, a ampla fusão de gelo e neve e o aumento global do nível do mar», assim começa o relatório final do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC) reunido nos últimos dias na cidade de Valência com delegados de 130 países. O documento destaca que já são visíveis os impactos do aquecimento global como é o caso do aumento do nível do mar, acrescentando ainda que o aquecimento global se irá manter ao longo dos próximos séculos.

O texto foi suavizado por pressão de países como os Estados Unidos, a Arábia Saudita e a Índia. Mas a conclusão não oferece dúvidas: a responsabilidade pela mudança no clima deve ser imputada ao homem.
Apesar de não ser o estudo mais avançado nem o mais ousado, o documento final é importante pois representa o consenso científico do momento e servirá de base de trabalho para a cimeira de Bali, daqui a 3 semanas, quando os países começarão a preparar um novo tratado que substitua o de Quioto.

No texto aprovado afirma-se: « 11 dos últimos 12 anos (1995-2006) foram os mais quentes em todos os registos apurados da superfície terrestre desde 1850», verificando-se ainda que o ritmo actual d aquecimento (0,13 graus em cada década) é maior do que a estimativa feita pelo IPCC em 2001. Além disso, a temperatura subiu mais no hemisfério norte e no Ártico ao dobro da velocidade do resto do planeta.
O aumento foi tão forte que «as observações desde 1961 mostram que as temperaturas no oceano aumentaram a profundidades até 3.000 metros, estando o oceano a absorver mais de 80% do calor suplementar no nosso sistema climático.» A subida no mar foi muito pequena, até porque o aquecimento oceânico exige uma imensa quantidade de energia. Ao aquecer, o mar aumenta de volume e o seu nível sobe em média 3,1 milímetros ao ano, desde 1993.

Neste documento refere-se ainda que o gelo árctico reduziu-se 7,4% em cada década desde o ano de 1978, altura em que começaram os registos por satélite. (note-se que estes némeros já estão desactualizados,uma vez que se basearam nas informações fornecidas peloInstitutp Nacional de Investigação do Gelo dos Estados Unidos que, no passado mês de Outubro, reviu os seus dados ao comunicar que desgelo árctivo evolui à média de 10% em cada década).

Conclui-se que a temperatura média da última metade do século XX foi provavelmente a maior de qualquer período seguido de 50 anos, desde a época dos Descobrimentos, e «muito provavelmente a mais alta dos últimos 1.300 anos».

Animais e plantas reagem a estas mudanças. As aves migram e altera-se a altitude das árvores .

«As emissões de gazes com efeito de estufa cresceram 70% entre 1970 e 2004». Estes gazes ( dos quais 80% são CO2) são os que fazem possível a vida na terra. Acumulam-se na atmosfera e retêm parte do calor libertado na Terra, que sem eles seria demasiado fria. Mas desde que, em 1750, a humanidade começou a queimar carvão e petróleo e quantidades astronómicas, aquela concentração aumentou exponencialmente. A manta que mantinha temperada a temperatura terrestre ameaça asfixiá-la: «A concentração atmosférica de CO em 2005 excede de longe o patamar natural dos últimos 650.000 anos», sustenta o IPCC.

O Relatório é claro ao atribuir o aquecimento global à acção do homem, e não deixa lugar algum aos cépticos: «A maior parte do aumento da temperatura observada globalmente na segunda metade do século XX é muito provavelmente devida ao aumento observado dos gazes com efeito de estufa e de origem humana. É provável que o fenómeno dos últimos 50 anos se trate de um aquecimento antropogénico em todos os continentes, salvo na Antártida»

No Relatório dá-se por adquirido que as emissões de gazes com efeito de estufa continuarão a aumentar ao longo das próximas décadas, o que causará uma mudança climática de maior magnitude do que aquela que foi observada no século XX.

Os cientistas prevêem uma subida entre 1 e 6,4 graus para o século XXI conforme a opção que se tomar: ou continuar a queimar carvão ou limitar a população…De qualquer modo, o mais provável é que o aquecimento global se situe entre 2 e 4,5 graus.


Por seu turno, o «aumento do nível do mar é inevitável. A expansão térmica prosseguirá durante séculos até se estabilizar a concentração dos gazes com efeito de estufa, o que irá causar uma subida maior do que anteriormente prevista para o século XXI».


Fonte: El País, de 17 de Novembro.

Consultar:
Síntese do Relatório em ingês(formato PDF)

Os maiores problemas ambientais em gráficos

http://www.ipcc.ch/





As principais conclusões do relatório são:

-Desde 1970, as emissões de gases do efeito estufa causadas pelo ser humano aumentaram 70%.

- A concentração de CO2 na atmosfera supera em muito o volume natural dos últimos 650 mil anos.

- A temperatura média mundial provavelmente aumentará entre 1,1 ºC e 6,4 ºC neste século.

- O nível do mar provavelmente subirá entre 18 cm e 59 com neste século.

- Se o aumento da temperatura superar a faixa de 1,5 a 2,5 ºC, então 20% a 30% das espécies de plantas e animais estarão ameaçados de extinção.

- O risco de fenómenos climáticos extremos aumenta: haverá mais inundações, períodos de seca e ondas de calor. Ecossistemas únicos estão ameaçados: nos pólos Norte e Sul, nas regiões montanhosas e nos recifes de corais.

- As consequências da mudança climática se distribuem-se de forma desigual: pessoas idosas e pobres serão mais atingidas, o mesmo ocorre com os países equatoriais, que na África se encontram entre os Estados mais pobres do mundo.

- As regiões mais atingidas serão a África, o Oceano Árctico, pequenas ilhas e grandes deltas na costa asiática.

- Para limitar o aumento da temperatura ao nível de 2,0 ºC a 2,4 ºC em relação à era pré-industrial, as emissões totais de gases do efeito estufa precisam diminuir a partir de 2015.

-Os custos para o combate à mudança climática, segundo os cenários mais optimistas, são estimados em menos de 0,12% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Na pior das hipóteses, teriam de ser investidos 3% do PIB mundial nessa luta até 2030.

Segundo as Nações Unidas a escolha a fazer é entre o mercado-rei ou a ecologia, sendo certo que a privatização é o pior cenário para o ambiente.


O futuro ecológico do planeta depende directamente das escolhas políticas a tomar. Jamais esta conclusão tinha sido tão evidente num documento das Nações Unidas. Mas é o que se pode ler no Relatório «GEO 4» do Programa das Nações Unidas para o ambiente (PNUE) publicado no dia 25 de Outubro, onde se diz claramente que a privatização generalizada dos recursos e dos serviços será o pior cenário do ponto de vista do ambiente.

Esta é a conclusão de uma abordagem original baseada na construção de cenários para futuros possíveis, cenários esses que são determinados pelas políticas que tiverem sido escolhidas para serem seguidas. Um trabalho que se prolongou por dois anos, feitos por grupos internacionais de especialistas, e cujo ponto de partida foi a crise ecológica que passa hoje o planeta.

Actualizando o quadro descritivo graças a numerosas fontes, o relatório do PNUE dá a conhecer o processo de degradação do clima, da biodiversidade, da saúde dos solos, dos recurso de água, etc…
Sublinha, por exemplo, a regressão verificada nos recursos disponíveis por cada habitante: com efeito, a superfície de terra disponível por cada ser humano passou de 7,91 hectares em 1900 para 2,02 em 2005.

Motivo de atenção é também a rapidez do fenómeno, constatando-se que a extensão e a composição dos ecossistemas terrestres foram modificados pelas populações a uma velocidade sem precedente. Os especialistas insistem igualmente na noção de limiar: « Os efeitos acumulados das contínuas mudanças no ambiente podem atingir limiares a partir dos quais podem acontecer mudanças brutais e irreversíveis. Tais perturbações não se verificarão só no clima, mas também em vários outros, como nos fenómenos da desertificação, descida dos níveis freáticos, colapso dos ecossistemas, etc »



«A destruição sistemática dos recursos naturais da Terra chegou a um tal ponto em que a viabilidade das economias está em perigo, para além de que a factura que teremos de deixar aos nossos filhos será impossível de pagar» - este é a conclusão a que chegou Achim Steiner, director do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUE). Ao apresentar o relatório «GEO 4 – Futuro do ambiente mundial», no passado dia 25 de Outubro em Nova Iorque, ele frisou bem a conexão entre o sistema económico e a degradação do ambiente.

O «GEO 4» é o resultado do trabalho de 1.400 cientistas e especialistas e esboça um quadro alarmante da situação ecológica do planeta, apesar de também sublinhar quanto a sua evolução dependerá das escolhas a fazer em matéria de políticas económicas.

Vinte anos depois do célebre Relatório Brundtland que, em 1987, tinha inventado o conceito do desenvolvimento sustentável, a maioria dos indicadores agora divulgados encontram-se com luz vermelha: clima ( as concentrações de gás carbónico na atmosfera aumentou um terço nos últimos 20 anos), biodiversidade ( as populações de anfíbios foram reduzidos para metade durante o mesmo período), poluição ( a do ar é, por exemplo, responsável pela morte de 500.000 pessoas por ano, segundo a OMS), artificialização dos solos ( a impermeabilização urbana com cimento )

A PNUE mostra que a crise ecológica se articula com a crise social. O contraste é acentuado entre a pressão ecológica intensa que sofre a biosfera e a expansão económica, a qual fez aumentar o produto anual por ser humano de 6.000 para 8.000 dólares entre 1987 e 2007, mas de uma forma muito desigual: «As injustiças ambientais continuam a aumentar, afectando sobretudo os pobres ( que estão muito mais vulneráveis aos perigos naturais), as mulheres e os povos indígenas». O ambiente reflecte essas desigualdades: « certas regiões desenvolvidas realizaram progressos ambientais à custa de outras regiões, exportando a produção e os seus efeitos»

Os valores culturais próprios do sistema económico dominante têm o maior efeito, com «um modelo de desenvolvimento do Norte, prevalece sempre um tipo de desenvolvimento urbano baseado na dependência do automóvel.»

A PNUE vai mais longe apresentando cenários de evolução até 2050 segundo diferentes políticas. Trabalho que foi levado a cabo por vários grupos de especialistas internacionais que trabalharam sobre modelos prospectivos utilizados por várias instituições.

A modelização permite medir a influencia sobre o ambiente de cada um dos quatro cenários através do consumo de energia, as emissões de poluentes, o tipo de actividade agrícola, as reservas de água e outros parâmetros.

São definidos , assim, 4 cenários.

Para cada cenário existe 1 objectivo privilegiado:

A) O primado do mercado = o governo ajuda o sector privado a alcançar um máximo de crescimento económico
Neste cenário o Estado rende-se ao lucro do sector privado, assiste-se ao desenvolvimento sem limite do comércio, e à privatização dos bens naturais.

B) O primado da política = o governo aplica fortes políticas a fim de atingir o objectivo de dar muita importância ao desenvolvimento económico
Neste cenário há uma intervenção centralizada que visa equilibrar um forte crescimento económico por via de um esforço em limitar os impactos ambientais e sociais.

C) O primado da segurança = a prioridade é dada à procura de segurança sobre outros valores, colocando limitações crescentes ao modo como vivem as pessoas.

D) O primado da ecologia = aposta na colaboração entre o governo, a sociedade civil e o sector privado para melhorar o ambiente e o bem-estar de todos.
Neste cenário a opção clara é pela sustentabilidade e equidade, onde os cidadãos desempenharão um papel activo.


Sem surpresa o cenário ecológico tem em vista reduzir a amplitude da crise económica. Supõe que a demografia evolua abaixo das previsões da ONU,ou seja, de 8 biliões de habitantes em 2050. A taxa de crescimento anual da economia mundial seria moderada, mas longe de ser nula, uma vez que é admitido que o produto interior bruto mundial possa triplicar.

O cenário mercado mais não faz que prosseguir a lógica dominante dos anos 1990, prevendo-se que a população atinja os 9 biliões em 2050 e a multiplicação por cinco do crescimento do PIB mundial. Este cenário conduzirá a uma situação ecológica muito degradada em 2050, tal como o cenário de segurança que induzirá a conflitos permanentes por todo o planeta. Segundo os autores do relatório « no cenário do mercado, o ambiente e a sociedade evoluirão muito mais rapidamente para perturbações em que mudanças súbitas e irreversíveis poderão acontecer.»

O prosseguimento da liberalização aparece assim como o cenário mais perigoso. Os especialistas fazem notar que a lógica ecológica é incompatível com a busca ilimitada do crescimento económico: «A perda da biodiversidade e a mudança climática têm consequências irreversíveis, que o crescimento dos rendimento não poderá resolver»

A análise do PNUE não deverá alterar a curto prazo o sentido das políticas económicas que continuarão a estar focalizadas na liberalização e no crescimento. Mas apoiando o diagnóstico pessimista traçado pelo GIEC sobre o clima, e surgindo alguns dias antes do anúncio do Programa das nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre os países mais pobres, o certo é que o Relatório agora divulgado sublinha a importância de ora em diante a comunidade ambientalista se preocupar pelas escolhas económicas para o futuro.

Consultar o Relatório em
www.unep.org/geo
Fonte: Le Monde

Cidadãos do Porto vão criar hoje (dia 17 de Nov. às 20h.) a sua árvore de Natal em defesa dos transportes públicos

O MUT-AMP (Movimento de Utentes de Transportes Públicos da Área Metropolitana do Porto) convida os cidadãos da Área Metropolitana do Porto para a colocação de uma Árvore de Natal com mensagens dos cidadãos e recolha de outras e novas reclamações dos utentes dos transportes públicos.


A iniciativa realiza-se hoje, Sábado, dia 17 de Novembro de 2007, pelas 20h00, na Praça da Liberdade - Porto


Participar e Mobilizar é um dever !!!

Para mais informações contactar:
transportes.amp@gmail.com


clicar por cima da imagem para ampliar

16.11.07

Apresentação do livro «Dorregarai, a Casa-Torre» do escritor basco Anjel Rekalde por Rui Pereira - hoje na Biblioteca Almeida Garret (às 21h.30)


É já hoje, dia 16, sexta-feira, pelas 21:30, que no foyer da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, vai ser apresentado o livro «Dorregarai, A Casa-Torre» de autoria de Anjel Rekalde. A apresentação estará a cargo do jornalista Rui Pereira.


O escritor basco, nascido em Tolosa, Euskadi, terá oportunidade de debater com os presentes a luta do povo basco pela independência desde há séculos.


Em Coimbra será no dia 17, pelas 18:00, no espaço da Almedina Estádio.




Integrado numa trilogia, cuja publicação em português a Deriva Editores agora inicia, Dorregarai, A Casa-Torre é uma densa saga histórica, que conta a História do último século e meio de vida da nação basca, desde a abolição militar da sua última fronteira com Espanha, no rio Ebro, até aos anos 90 do século XX. Difunde-se, pela primeira vez em língua portuguesa, a visão independentista do conflito, pela mão de um dos mais reputados ficcionistas do país na actualidade.


Anjel Rekalde, nascido em Tolosa em 1957 é um profundo conhecedor da História nacional basca e do seu conflito nacional com os Estados espanhol e francês, do qual possui, aliás, uma funda vivência pessoal. Encarcerado durante e após o franquismo pela sua militância na organização armada basca ETA, cumpriu duas décadas de prisão em numerosos cárceres do Estado espanhol, que transformou num tempo fecundo de grande vitalidade intelectual.


De Angel Rekalde, em co-autoria com o jornalista português Rui Pereira, encontra-se também editado em Portugal o ensaio O Novo Jornalismo Fardado – El País e o Nacionalismo Basco.