6.11.07

Como viver sem fazer compras e sem venerar o deus Dinheiro

Dia sem compras - 24 de Novembro de 2007
Os países ricos consomem 80% dos recursos
do nosso planeta

Os nossos hábitos de fazer compras de forma desmedida ameaçam seriamente o planeta. Todavia está em curso uma revolução silenciosa protagonizada por aqueles que, em vez de comprarem, preferem reciclar e partilhar. Aqueles que se empenham em viver sem o deus Dinheiro.


Trata-se provavelmente da mais recente revolução pacífica, aquela que está em curso em diversos países. Na verdade, mais do que discursos e teorias sobre as mudanças sociais, importa revolucionar atitudes e comportamentos e, com efeito, se o consumismo se traduz numa atitude que se funda num modelo económico ambientalmente insustentável, então comprar menos ou, pura e simplesmente, não comprar, são estratégias adequadas, mais directas e imediatas, para que as coisas mudem.


Foi com esta ideia que um grupo de residentes da baía da São Francisco ( na Califórnia) decidiu unir esforços, depois de um animado debate interno nos finais de 2005, e tomaram a firme resolução entre si de nada comprarem ao longo do ano seguinte ( 2006). Viveriam de forma simples, ajustando entre si as necessidades, efectuando trocas e intercâmbio de bens e serviços, e recorrendo em última instância, sempre que necessário, ao mercado de segunda mão para adquirir bens que não poderiam dispensar. O grupo era formado por professores, engenheiros, estudantes e alguns profissionais, e em breve, ganhou renome mundial graças à Internet, sob o nome de The Compact. A experiência constituiu um êxito, pelo que decidiram repetir a sua experiência de abstinência consumista no ano de 2007.Actualmente contam com um blogue muito visitado e o seu newsgroup na Yahoo já tem 3.000 inscritos que trocam ideias e experiências como viver sem dinheiro e sem ir às compras.

A ideia do grupo The Compact já vêm do ideário histórico da contracultura e de alguns movimentos alternativos que despontaram nas últimas décadas nos países capitalistas desenvolvidos, mas a novidade está no facto de ter envolvidos pessoas que até ali estavam bem integradas, social e profissionalmente, nos seus meios sociais. Note-se que os aderentes à experiência do grupo The Compact tinham previamente estabelecido um limite temporal para a sua experiência, a partir do qual cada elementos era livre de regressar aos seus anteriores hábitos consumistas.

Alicia é uma ex-estudante de Belas Artes de 24 anos, actualmente okupa numa casa em Barcelona, que se converteu entretanto numa especialista de reciclagem e de uma maneira de viver alternativa que é viver sem dinheiro. É também autora de um guia, único no género na Catalunha, de recursos gratuitos, onde é possível encontrar a lista dos locais onde se poder gratuitamente, navegar na net sem gastar um tostão, adquirir mobiliário e certos acessórios sem dinheiro, assim como locais para viver e trocar coisas e conhecimentos…

Segundo as suas próprias palavras trata-se de um guia para se viver de outra maneira, e romper com as cadeias que nos prendem ao consumismo.

« É um crime continuar a comprar comida quando há todos os dias há imensas sobras que são deitadas fora. Para que vou comprar pão numa padaria, se cada dia me dão 10 regueifas de bom pão das sobras, na hora do fecho do estabelecimento?» interroga-se Alicia.
Uma atitude como esta pode ser vista como penosa para quem tiver uma mentalidade convencional, mas é considerado o comportamento mais lógico e racional para os activistas dos movimentos alternativos. Aliás, um estudo realizado por Timothy Jones, professor da Universidade do Arizona, confirma essa ideia: a metade dos alimentos produzidos nos Estados Unidos da América vão parar aos contentores de lixo, o que supõe um desperdício de 100.000 milhões de dólares ao ano. Na Europa, as coisas não são diferentes.

O objectivo da Alicia é ajudar as pessoas mais pobres e fracas da grande cidade e lutar para desestruturar as bases do capitalismo e criar um mundo mais sustentável: «não quero fazer nada que leve a mais produção, que reforce o mercado ou que seja cúmplice do sistema repressivo».

O sistema a que Alicia se refere é o capitalismo dominante de que os Estados Unidos da América é a potência hegemónica, e que um dos principais símbolos é o Mayflower Compact, um documento escrito e assinado em 1620 pelos passageiros do barco Mayflower aquando da sua chegada à costa leste e que está na origem dos Estados Unidos da América. Quatro séculos é a esse mesmo contrato social fundacional que alude o nome do grupo The Compact,só que desta vez o seu sentido é diferente pois o que se pretende é de refundar uma sociedade onde não haja necessidade de fazer comprar nem venerar o deus Dinheiro.

«Somos pessoas para quem reciclar não basta», afirma John Perry, um dos membros do grupo The Compact, que acrescenta: «Tentamos sair da prisão em que o consumismo nos encerra, porque consideramos que a cultura e a sociedade do consumo está a destruir o mundo. A única maneira de sair da crise ecológica e socio-económica em que estamos mergulhados é deixar de comprar. Enquanto as massas invadem os centros comerciais os membros compacteros exercitam-se em vários ofícios. Visitam ainda as lojas de segunda mão ou os mercados de trocas e, quando não encontram o que procuram, recorrem aos outros membros do grupo. Matt e Sarah precisavam de uma cortina de banho, por exemplo. Perguntaram primeiro ao grupo se havia necessidade de a comprar. Como a resposta foi «não», fizeram então um apelo ao grupo, e apareceu alguém a quem sobrava uma cortina e a ofereceu a eles.

The Compact não é só um local de trocas e de intercâmbio. É sobretudo um grupo de apoio mútuo e uma semente para os movimentos sociais. Os seus membros partilham conhecimentos, aconselham-se reciprocamente e oferecem apoio moral o que permite compensar as gratificações psicológicas que normalmente o consumo está associado. Para Kate Boyd, professor de teatro, a sua nova forma de vida, livre do consumismo, é, em todos os sentidos, mais tranquila:«tenho mais tempo e já não sinto aquela pressão para estar sempre a fazer compras de todo o tipo, e que em geral não tenho necessidade.»

O acto de comprar tem profundas implicações sociais, culturais e até espirituais. Nas nossas sociedades consumistas os objectos que encontramos à venda não são apenas coisas, mas também símbolos que transmite toda uma série de mensagens acerca do ideal de vida, as relações entre os sexos, o status social, etc. O consumidor vai construindo uma identidade mediante as coisas que vai comprando. Uma identidade banal e alienada. Se no século passado os filósofos interrogavam-se sobre se trabalhávamos para viver ou vivíamos para trabalhar, hoje em dia a questão é saber se consumimos para viver ou se vivemos para consumir.

Peter Sealey, professor na Escola de Negócios Haas da Universidade de Berkeley, crê que o fenómeno do grupo The Compact representa um movimento mais geral que consiste num estilo e num modo de viver mais amigo do planeta, e de que farão parte também os edifícios verdesm os alimentos naturais, o consumo responsável e ético, apesar de duvidar sobre a sua viabilidade numa sociedade de mercado, uma vez que um tal movimento ataca directamente as bases do sistema. De qualquer modo, sempre é uma chamada de atenção para as consequências sociais e ecológicas do consumismo.

Runa Bjorg, de origem islandesa, e membros do grupo The Compact está consciente das limitações do projecto, tanto mais que não está nos propósitos do grupo influir sobre a vontade dos fabricantes nem das massas de consumidores. Mesmo assim, considera que a iniciativa pode contribuir e ajudar à consciencialização sobre o impacto ambiental de produzir muitas coisas que, em pouco tempo, se tornarão em lixo. Ele confessa: « As sensações mais agradáveis que senti, desde que formo parte do grupo, foi quando tivemos de tomar decisões acerca da necessidade de comprar ou não comprar, sem nos deixarmos arrastar pela publicidade e pelas campanhas sugestivas dos vendedores. Senti aí uma vitória pessoal.»

Os elementos do grupo The Compact apostam na capacidade de cada qual controlar a saber orientar a sua própria vida, um bocado à imagem do ideal dos anarquistas que pretendem abolir o dinheiro.

Múltiplas iniciativas se multiplicam um pouco por todo o lado nos países desenvolvidos para escapar ao modelo reinante do todo-poderoso dinheiro e do não menos perigoso consumismo. Os grupos de troca, por exemplo, vão proliferando aqui e ali, permitindo não só fazer face a dificuldades financeiras, como reforçar os laços sociais e criar novas relações sociais baseadas na cooperação, face a uma lógica hostil como é a competitividade capitalista. Os sistemas trocais ajudam a economia familiar, a aproximação entre os consumidores, e abrem uma quantidade de portas como o estabelecimento de pontes entre produtores e consumidores.

O website www.freecycle.org é um conhecido meio comunitário de doações mútuas e conta hoje com 3,5 milhões usuários em todo o mundo, registando cerca de 4.000 grupos locais. Uma única norma foi fixada: que tudo o que é oferecido o seja legal e gratuitamente.

Os sistemas trocais são tão antigos como a humanidade, se bem que a sua versão mais moderna tenha nascido em Counterbary ( Canadá) por volta de 1983 como resposta à crise que atingiu aquela região, e daí se expandiu para os Estados Unidos e para a Europa. Já não são apenas nos mercados que se efectuam trocas recíprocas, também a Internet passou a ser um meio fundamental para facilitar esses sistemas de troca directa entre os interessados em viver de forma não-dependente do deus dinheiro.

O grupo The Compact reúne pessoas das mais variadas origens que se constituíram como rede anti-consumo e que levam a sério uma declaração de princípios que os seus aderentes se comprometem a respeitar e que consistem fundamentalmente em evitar as compras desnecessárias. O objectivo é lutar contra o consumismo reinante, resistir ao poder invasor das grandes empresas multinacionais, e apoiar o comércio e a agricultura local, para o que não basta cultivar e desenvolver a cultura da reciclagem. Outros objectivos são reduzir a quantidade descomunal de resíduos de todo o género e simplificar a vida, escapando à competitividade individualista que impera nas sociedades e economias capitalistas.


Não comprar nada de novo – eis a primeira e a principal regra do grupo The Compact. Em vez disso, admite-se a aquisição de bens em segunda mão, a troca e os empréstimos. Todavia, esta regra admite excepções: pode-se comprar novos bens alimentares, bebidas, medicinas, material de higiene e roupa interior.
Quanto aos serviços a regra é para se recorrer aos profissionais mais próximos. Presentes pessoais são aceites desde que não sejam usados como gratificação.


Consultar:

http://sfcompact.blogspot.com/

http://groups.yahoo.com/group/thecompact/

http://www.freecycle.org/

http://noimpactman.typepad.com/blog/

http://www.revbilly.com/blog/



The Compact has several aims (more or less prioritized below):


1) to go beyond recycling in trying to counteract the negative global environmental and socioeconomic impacts of U.S. consumer culture, to resist global corporatism, and to support local businesses, farms, etc;


2) to reduce clutter and waste in our homes (as in trash Compact-er);


3) to simplify our lives (as in Calm-pact)



So, here goes for the rules:

• First principle - don't buy new products of any kind (from stores, web sites, etc.)

• Second principle - borrow or buy used.

• A few exceptions - using the "fair and reasonable person" standard -- i.e., you'll know in your heart when you're rationalizing a violation:
• food, drink, and necessary medicine (no elective treatments like Viagra or Botox)
• necessary cleaning products, but not equipment (don't go out and buy the Dyson Animal, for example).
• socks and underwear (utilitarian--non-couture or ornamental)
• pajamas for the children
• Utilitarian services (plumbers, electricians, auto mechanics, veterinarians, dog/house-sitters, fire/paramedics, dry cleaners, house cleaners, etc.) -- Support local and encourage used parts (rebuilt transmission, salvaged headlight unit, etc.)
• Recreational services (massage, etc.) & local artisanal items - Good sources for gifts, but should not be over-indulged in for personal gratification
• Charitable contributions (Seva, Heifer, and the like) - an even better source for gifts
• Plants and cut flowers - Whenever possible, cultivate from free cuttings or seeds. Ok in extreme moderation (yo, incoming oxy) when purchased from local businesses (i.e., not the Target Garden Shop)--and again, within reason
• Art supplies - First line of attack: SCRAP. When absolutely necessary (for the professionals and talented amateurs in the group), from local businesses
• Magazines, newspapers, Netflix - renewals only, no new subscriptions. Even better to consume online
• Video rentals and downloadable music files (non-material) -- freely shared and legal, please



For fresh produce:


Terra Firma (like The Box, but community supported agriculture, entirely sourced from Yolo County farms.)


For secondhand purchases and for recycling/donating:
http://www.craigslist.org/ (classifieds, free section, forums for local business leads, etc.)
freecycle (join the SF chapter)
Green Apple, Red Hill, etc.
SF Public Library (rediscover)
Building REsources

For spiritual support and guidance
Rev. Billy and the Church of Stop Shopping (we're still looking for a private audience with the Reverend. A puptent meeting, if you will.)

Mostra do património imaterial galego-português em Pontevedra

Durante 5 dias, a partir de 7 de Novembro, com abertura às 10h.


Info Contacto: Correo-e:
xsimon@uvigo.es


Com a intenção de dar visibilidade ao património galego-português e consciencializar para a sua defesa e preservação várias entidades galegas organizam uma Mostra do Património Imaterial da Galiza e Portugal.

Organizadores: Proxecto RONSEL, en colaboración coa
asociación “Ponte...nas Ondas!” e a Asociación de Gaiteiros Galegos



PROGRAMA

MÉRCORES 7, DÍA DA ORALIDADE (de 10:00 a 20:00)

Mañá, obradoiros de 10:00 a 14:00:

Olaría (Tomás López, de Corbelle, Proendos, Sober, Lugo)
Regueifas (O Caruncho e o Pinto d’Herbón)
Forxa (Oliverio Alvarez, Queixoiro, A Fonsagrada, Lugo)
Luthería (Germán Arias, Sarria, Lugo)
Ourivaría (Arlindo, Oficina do Ouro, Sobradelo da Goma)
Redeiría (Beatriz Molanes de Cangas e Josefa Abal de Cambados)
Cantos de cego (Carlos do Viso)
Torneiro (Oli Xiraldez, Cascandelo, Balcaide, Teo)
Obradoiro de xogos tradicionais organizado pola Asociación Brinquedia



Tarde:
Continuación dos obradoiros da mañá, de 16:00 a 19:00, e
conferencias:


17:30 Descuberta e partilha dum patrimônio comun. Alvaro Campelo (Universidade de Porto) e Xerardo Pereiro (UTAD).
18:10 Vida e Fala do afiador ambulante. Antonio Fidalgo Santamariña (Universidade de Vigo).
19:00 Acto de inauguración oficial da mostra.
19:30 Proxección do documental Ainda há pastores? de Jorge Pelicano.

XOVES 8, DÍA DA COSMOVISIÓN (de 10:00 a 20:00)


Mañá, obradoiros de 10:00 a 14:00:

Olaría (Tomás López, de Corbelle, Proendos, Sober, Lugo)
Forxa (Oliverio Alvarez, Queixoiro, A Fonsagrada, Lugo)
Luthería (Germán Arias, Sarria, Lugo)
Ourivaría (Arlindo, Oficina do Ouro, Sobradelo da Goma)
Poteiro (Manolo da Sara, O Figo e O Kike, Arbo. Pontevedra)
Torneiro (Oli Xiraldez, Cascandelo, Balcaide, Teo)
Construción de instrumentos musicais vexetais (Emilio Lois, A Baña, A Coruña)
Obradoiro de xogos tradicionais organizado pola Asociación Brinquedia


Tarde, continuación dos obradoiros da mañá, de 16:00 a 19:00, e
conferencias:


17:30 O que ti fas importa. Xavier Simón (Universidade de Vigo).
18:00 A actualidade das embarcacións Tradicionais. Lino Prieto (Presidente da Asociación Amigos da Dorna Meca).
18:30 Recursos Turísticos a partir do Mar. GUIMATUR
19:00 As Plantas Medicinais na Tradição Galego-portuguesa, Padre Fontes (Vilar de Perdizas).



VENRES 9, DÍA DOS RITUAIS E ACTOS FESTIVOS (de 10:00 a 22:30)

Mañá, obradoiros de 10:00 a 14:00:

Olaría (Tomás López, de Corbelle, Proendos, Sober, Lugo)
Forxa (Oliverio Alvarez, Queixoiro, A Fonsagrada, Lugo)
Luthería (Germán Arias, Sarria, Lugo)
Ourivaría (Arlindo, Oficina do Ouro, Sobradelo da Goma)
Poteiro (Manolo da Sara, O Figo e O Kike, Arbo, Pontevedra)
Obradoiro de fabricación de máscaras de antroido de Laza (Manuel Quintas)
Torneiro (Oli Xiraldez, Cascandelo, Balcaide, Teo)
Obradoiro de xogos tradicionais organizado pola Asociación Brinquedia


Durante todo o día actuarán representantes dos antroidos do Antroido Ribeirao de Chantada (Lugo), Laza e Xinzo de Limia (Ourense), así como Os Caretos de Podence (Portugal).


Tarde, continuación dos obradoiros da mañá de 16:00 a 19:00 e conferencias:

17:30 Festas Etnográficas de Allariz. Teresa Devesa (Concelleria de Cultura), Pilar Gallego (Pariticipación cidadá), e Elena Rodríguez Bouzas (Técnica de Cultura).
18:30 Ritos de apropiación dos lugares, Anxo Fernández Ocampo (Universidade de Vigo).
19:00 Proxección dos vídeos O Besadoiro, A seitura e A sega da herba comentados por Olimpio Liste Regueiro do Museo Etnográfico de Liste e Fundanción Liste en Vigo.



Noite, de 20:30 a 22:30

Festival de música tradicional coa colaboración da AGG
Cuarteto Tradicional Picuíña de Marín.
Os Terribles de Donas.
A Gaita de Sarandón.


Durante estas actuacións poderase asistir a un obradoiro de baile
tradicional impartido por Gustavo Couto e á queimada e degustación dos
augardentes destilados neses días polo noso poteiro.

SÁBADO 10, DÍA DAS ARTES DO ESPECTÁCULO (de 10:00 a 24:00)


Mañá, obradoiros de 10:00 a 14:00:

Feitura de Corozas (Alejandro Regal, Castro de Carballedo, Lugo)
Olaría (Tomás López, de Corbelle, Proendos, Sober, Lugo)
Forxa (Oliverio Alvarez, Queixoiro, A Fonsagrada, Lugo)
Luthería (Germán Arias, Sarria, Lugo)
Ourivaría (Arlindo, Oficina do Ouro, Sobradelo da Goma)
Poteiro (Manolo da Sara, O Figo e O Kike, Arbo. Pontevedra)
Obradoiro de instrumentos musicais (Emilio Lois, A Baña, A Coruña)
Obradoiro de Regueifas cos regueifeiros Suso e Antonio de Xornes (Ponteceso).
Torneiro (Oli Xiraldez, Cascandelo, Balcaide, Teo)


Durante todo o día actuarán na mostra catro dos mellores gaiteiros tradicionais galegos e portugueses:

José Marentes (Santa Xuía, A Fonsagrada)
Manuel Viqueira (Ordes, A Coruña)
Joaquim Pereira “O Carriço” (Quinta do Valongo, Mealhada, Portugal)
Antonio Ribeiro “O Toni das Gaitas” (Porto, Portugal)


Tarde, continuación dos obradoiros da mañá de 16:00 a 19:00 e conferencias:
17:30 O vello rasto e o acordeón. Eduardo Parada e Manuel Parada.
18:10 Os instrumentos tradicionais galegos. Concerto didáctico por Pablo Carpintero.
18:50-20:30 Actuación comentada dos catro gaiteiros tradicionais no escenario.


Noite, de 20:30 a 24:00:

VI Mostra da Oralidade Galego-Portuguesa coa colaboración da asociación “Ponte ... nas Ondas!” e da Asociación de Gaiteiros Galegos.
-Pauliteiros de Sendim (Terra de Miranda, Tras-os-Montes, Portugal)
-Caretos de Podence (Portugal)
-Zés Pereiras de Vilaverde-Braga
-Suso e Antonio de Xornes (Ponteceso)
-Charanga de Ultreia
-Pandereteiras e gaiteiros de Pontecaldelas, Toutón, A Ermida e
Gargamala.


-Durante estas dúas últimas actuacións Luis Prego impartirá un
obradoiro de baile tradicional galego para que todas e todos poidamos
bailar os nosos ritmos agarrados e soltos.


Durante este festival poderase asistir á queimada e degustación dos
augardentes destilados neses días polo noso poteiro.

DOMINGO 11, DÍA DOS OFICIOS (de 10:00 a 21:30)


Mañá, obradoiros de 10:00 a 14:00:

Olaría (Tomás López, de Corbelle, Proendos, Sober, Lugo)
Forxa (Oliverio Alvarez, Queixoiro, A Fonsagrada, Lugo)
Luthería (Germán Arias, Sarria, Lugo)
Ourivaría (Arlindo, Oficina do Ouro, Sobradelo da Goma)
Poteiro (Manolo da Sara, O Figo e O Kike, Arbo. Pontevedra)
Redeiría (Beatriz Molanes de Cangas e Josefa Abal de Cambados)
Torneiro (Oli Xiraldez, Cascandelo, Balcaide, Teo)


Tarde, continuación dos obradoiros da mañá, de 16:00 a 19:00, e conferencias:

17:30 Homes de Oficio. Concepto e proposta de inventario. Antonio Fidalgo Santamariña (Universidade de Vigo).
18:10 O ghancho, unha técnica de extracción selectiva de nécora e A Innovación no mar co PCI: a experiencia de Mar de Lira. Patrón Maior da Confraría de Lira, Carnota. Xerente da Confraría de Lira, Carnota.
Ás 19:00 comezará a queimada e degustación dos augardentes destilados polo noso poteiro.

Noite de 20:30 a 21:30.
Clausura da Mostra de Patrimonio Inmaterial Galego-Portugués 20:30
Actuación do grupo Ruote.

Colóquio de Paulo Guimarães no Clube Aljustrelense (dia 10 de Nov. às 17h.)


Tema do colóquio/conferência:
“República, Liberdade e Fraternidade: o local (Aljustrel) como espaço de análise de um conflito (1910-1933)”

por Paulo Guimarães

Paulo Eduardo Guimarães (Universidade de Évora) tem se debruçado particularmente sobre a história social de Aljustrel – do que destacaríamos a obra “ Indústria e Conflito no Meio Rural: os Mineiros Alentejanos (1858-1938), Lisboa, Ed. Colibri/CIHCSVE, 2001”.

A conversa é organizada pelo Centro de Cultura Anarquista Gonçalves Correia (http://goncalvescorreia.blogspot.com/), projecto libertário que edita igualmente a revista Alambique.

Actividades para Novembro do CCA:

Dia 10 de Novembro“República, Liberdade e Fraternidade: o local (Aljustrel) como espaço de análise de um conflito (1910-1933)”.por Paulo Guimarães

Dia 24 de NovembroApresentação do livro “Ardinas da Mentira” e do Jornal Popular “Mudar de Vida”. Um convite à reflexão e ao debate sobre o carácter propagandista da imprensa dominante, e um convite à criação de jornais e outros meios de informação alternativa.Por Renato Teixeira e outros.

Workshop sobre consumo sustentável (na sede da Campo Aberto, dia 17)

17 de Novembro, 15.30 h,

na sede da Campo Aberto (Rua Sta Catarina 730/2.º)

Vivemos actualmente numa sociedade de consumo. O consumo hoje não se resume à satisfação de necessidades básicas, dominando as nossas vidas e minando o nosso bem-estar.
Tudo o que fazemos tem um impacto no mundo em que vivemos. Tendo isto em conta, devemos adoptar um padrão de consumo mais ecológico. Num momento em que se torna óbvia a necessidade de combater as alterações climáticas a noção de que podemos atribuir a cada produto uma "pegada de carbono" ajuda-nos a concretizar mudanças nas nossas rotinas que nos permitam dar uma contribuição positiva neste domínio. Ser coerente com a defesa de um mundo melhor deve portanto obedecer a este princípio: consumir menos, consumir melhor.
O workshop, integrado na Iniciativa «O Porto contra as alterações Climáticas», abordará as vertentes do consumo ligadas nomeadamente à alimentação, higiene e limpeza, geração de resíduos e modos de comercialização. Com um conteúdo prático, pretende-se que os participantes sejam capazes de aplicar no seu quotidiano medidas que permitam reduzir a sua pegada ecológica, adoptando um estilo de vida mais coerente com o princípio da sustentabilidade ambiental.

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Solicita-se inscrição previa devido ao limitado espaço na sala.

Inscrições com:
Lúcia Fernandes 938667625
e
luciaof@gmail.com


Campo Aberto
www.campoaberto.pt

Exposição de Sabela Árias na Galeria Sargadelos no Porto

Galeria Sargadelos no Porto
( Rua Mouzinho da Silveira, 294)

COTIÁS/QUOTIDIANOS,


Exposição de Sabela Arias


De 2 de Novembro a 31 de Dezembro


Galeria Sargadelos, Porto
Rua Mouzinho da Silveira, 294


Sabela Arias nasceu em Lugo(Galiza), em 1969. Aos 12 anos, começou a revelar interesse pelas “artes”, o que a levou a estudar na Escola de Artes Aplicadas e de Ofícios Artísticos, na sua cidade natal. Licenciou-se em Belas Artes, na Universidade de Salamanca, fazendo o doutoramento no País Basco. Em 1991, participa nos encontros da Escola de Tecnoloxía e Taller Libre da Sargadelos.


A pintura e o espazo da arte sempre foron unha preocupación na vida e polo tanto na obra de Sabela Arias, quen non deixa de experimentar constantemente con formatos, técnicas, novos materiais... ben poderíamos dicir que todo isto reflexa a biografía da artista nunha búsqueda constante. Series como as das cuncas, ou a de galerías, marcan unha tendencia moi forte da cor, agora nestas obras que podemos observar en Porto atopamos máis cores e formas. Son obxectos cotiás do contorno da creadora, que máis que outra cousa describen a nosa sociedade, e un mundo interior que fala de cuncas de café, libros, pinceis... que nos falan da soidade da creación.

Unhas cerca de 30 exposicións individuais, e 50 colectivas,das que sinalamos deseguido as máis delas, dan unha idea do traballo desta autora, desde a xeografía galega até Bosnia, Nova York, París ou Holanda, para chegar, agora, novamente a Porto.


A pintura e o campo artístico foram sempre uma preocupação na vida – e, portanto, na obra – de Sabela, que procura, permanentemente, experimentar formatos, técnicas e materiais novos: poderíamos então dizer que a insatisfação manifestada no seu trabalho é um reflexo da sua própria vida. Séries como a das chávenas ou a das galerias revelam uma forte tendência na utilização da cor, talvez fruto dos inúmeros trabalhos que a artista desenvolveu no âmbito da ilustração de livros infantis. Essa tendência acentua-se nas obras agora apresentadas na Galeria Sargadelos do Porto. São objectos quotidianos, de todos nós conhecidos, mas que fizeram parte, inicialmente, do mundo da criadora, que lhes imprime a sua própria identidade e o seu mundo interior, nalguns casos sugerindo a solidão do acto de criação .

Sabela Arias, não alheia aos problemas do tempo em que vive, envolve-se humana e artisticamente com a defesa da vida e da dignidade humana, tendo colaborado em iniciativas contra a guerra civil em El Salvador( ilustrações e fotos sobre as resoluções da Comisión da Verdade), no apoio a comunidades salvadorenhas, com oficinas artísticas, em iniciativas contra a tragédia bósnia e o desastre ambiental que atingiu a costa galega.

Da mesma forma, está atenta aos novos meios de expressão utilizados pela Arte Contemporânea, participando em exposições como Arte e Ordenador do Museu de Salamanca (1991) ou Exposición Videoarte (BBV, Bilbao, 1992).

A artista realizou cerca de 30 exposições individuais e 50 colectivas, desde a Galiza até à Bósnia, Nova Iorque, Paris, Holanda, regressando agora ao Porto, onde esteve em Março passado para uma exposição no Filo Café (Clube Literário). Está representada em diversas colecções públicas e privadas.


http://www.galeriasargadelosporto.blogspot.com/


5.11.07

Rousseau sobre o nascimento da propriedade e a origem das injustiças sociais


O primeiro que concebeu a ideia de cercar uma parcela de terra e dizer «isto é meu», e que encontrou gente suficientemente ingénua que lhe desse crédito, esse foi o autêntico fundador da sociedade civil. De quantos delitos, guerras, assassínios, desgraças e horrores teria livrado o género humano, se alguém arrancando as estacas e enchendo os sulcos divisórios, gritasse: «cuidado, não deis crédito a esse trapaceiro, perecereis se esquecerdes que a terra pertence a todos.»

J.J. Rousseau,in
Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens

Ecomuseu de São Pedro de Rates (Póvoa de Varzim) vai ter Casa do Trabalhador Rural


O conceito de “ecomuseu” foi posto em prática pelo francês Jean Clair e pressupõe uma cooperação dos habitantes. A ideia é que as pessoas que vivem em determinado local não façam de figurantes mas sim actores principais da sua própria cultura.

Dentro deste espírito, nasceu em São Pedro de Rates (Póvoa de Varzim) o primeiro “museu” ao ar livre, em Portugal, um itinerário da água e do pão que procura mostrar como se vivia e trabalhava noutros tempos já um pouco distantes dos teus.


O percurso pedonal de oito quilómetros de extensão deste ecomuseu em São Pedro de Rates, na Póvoa do Varzim é composto por oito estações correspondentes a vários locais de tradição rural como são exemplos a fonte, o largo, a casa do lavrador, o lavadouro, o moinho de vento e a azenha, uma construção em L em xisto, onde eram moídos cereais e cerrada madeira por tracção hidráulica

Trata-se de uma viagem ao passado da localidade, feita através de um percurso pedonal com oito quilómetros de comprimento e oito estações temáticas que retratam a vivência rural naquela paisagem de «Entre Douro e Minho», dividida entre o vale fértil e rico, onde se encontravam os grandes lavradores, e o território montanhoso, onde habitavam os trabalhadores rurais e os pedreiros de xisto.

A Praça, centro cívico da freguesia, que conjuga os estilos barroco e românico, é o ponto de partida deste itinerário da água e do pão, que segue em direcção à Fonte de S. Pedro, reproduzida num belíssimo painel de azulejos

Na Casa de Lavrador, por exemplo, assiste-se à recriação do ciclo dos cereais, através de uma malhada na eira, e também do ciclo do linho, desde o tratamento do fio à tecelagem.

Passa-se à que terá sido a primeira fonte de abastecimento da população, a Fonte Antiga, e, em seguido, ao Moinho de Vento, onde os grãos de milho, trigo e centeio voltaram a fazer farinha. Já na mítica Fonte do Pedro evoca-se uma das lendas fundadoras da cultura de S. Pedro de Rates, enquanto que a Fonte da Granja exibe o estatuto de “mais abundante da freguesia”.

O percurso termina na Azenha do Pego, uma construção em xisto, que partilhava a função de habitação com a de moer cereais e de serrar madeiras por tracção hidráulica. O Ecomuseu integrará, proximamente, uma Casa do Trabalhador e um Parque Ambiental.

O Ecomuseu integrará, proximamente, uma Casa do Trabalhador e um Parque Ambiental.


Todos estes sítios podem ser visitados em qualquer altura, mas o ideal será inscreveres-te na Junta de Freguesia ou no Núcleo Museológico para fazeres a visita guiada. Marcando com antecedência é ainda possível assistires à moagem dos cereais com a ajuda de gente que fez dessa actividade o seu modo de vida por décadas e décadas.

Casa do Trabalhador Rural amplia o ecomuseu de Rates

O projecto para reconstruir a Casa do Trabalhador Rural vai avançar em breve, dado que a Junta de Freguesia de S. Pedro de Rates já conseguiu verba para começar a obra. Esta casa insere-se no Ecomuseu, cujo projecto inicial contemplava dez secções, mas apenas oito foram concretizadas. Ficaram por fazer o Parque Ambiental e a Casa do Trabalhador Rural por insuficiência de verbas.

Esta nova etapa do Ecomuseu retrata o “habitat do trabalhador rural, dando a conhecer o outro lado da vivência rural de Rates, dado que já tínhamos os proprietários agrícolas, cujo habitat foi reconstruído na Casa do Lavrador”.

Abaixo-assinado pelos benefícios fiscais aos trabalhadores com deficiência, e convocatória para a sua entrega no dia 6 às 14 h. na Ass. da República

O abaixo-assinado atingiu hoje as 1500 assinaturas.
Para ler e assinar clique aqui:
Pela reposição dos Benefícios Fiscais: "Não concordamos"

Movimento de Trabalhadores Portadores de Deficiência em Defesa dos Benefícios Fiscais (MTPD-BF)
http://mtpd.blogspot.com/


Dia 6 de Novembro às 14 horas, junto à porta lateral do lado direito do Edifício da Assembleia da República

Convocatória


Dia 6 de Novembro, data em que se inicia a discussão do OE 2008 no plenário da Assembleia da República, iremos estar presentes para lembrar aos deputados que existimos e que estamos mobilizados em torno desta justa reivindicação de reposição dos benefícios fiscais. Assim, marcamos encontro junto à porta lateral do lado direito do Edifício da Assembleia, às 14h.



Confirme que vai para este e-mail:
mtpd.bfiscais@gmail.com


Contamos consigo!


Juntos temos muita força, isolados somos invisíveis!


Movimento de Trabalhadores Portadores de Deficiência em Defesa dos Benefícios Fiscais (MTPD-BF)


http://xbarreiros.no.sapo.pt/mtpd-bfiscais/

Lançamento do nº28 da Tribuna da Natureza do FAPAS vai ser hoje


O FAPAS - Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens vai efectuar o lançamento do número 28 da revista Tribuna da Natureza - a vida selvagem nas quatro estações, no fórum FNAC - St.ª Catarina, Porto, dia 5 de Novembro(segunda-feira), às 18 horas.


A apresentação do número e da história da Tribuna da Natureza ficará a cargo de José Carlos Marques, da Associação Campo Aberto. Esperamos poder contar com a presença de todos os interessados e eventual contribuição para a sessão de perguntas-respostas que se seguirá à apresentação.


FAPAS - Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens

Rua Alexandre Herculano, 371 - 4º Dto - 4000-055 Porto
Tel. 22 200 24 72

Campanha de solidariedade com a advogada russa Irina Kodzoeva

http://www.memo.ru/eng/memhrc/texts/5report9.shtml


A advogada Irina Kodzoeva de Vladikavkaz (República do Daguestão) está a ser alvo de um processo criminal pelo Tribunal da Federação Russa. Esta advogada tem-se batido contra um sistema judicial que legitima a produção de falsas acusações e funciona na base de torturas e corrupção, defendendo todos os marginalizados sem olhar a nacionalidades.

Irina Kodzoeva trabalha na região de conflito entre a Rússia e a Tchetchénia onde os advogados se habituaram a ver os seus clientes ser condenados na base de processos fabricadas por investigadores que recorrem à tortura e à humilhação física e psíquica.

Agora é ela que enfrenta uma falsa acusação. Por se ter empenhado na defesa de um cliente e ter insistido em presenciar o seu interrogatório e por ter denunciado uma agressão de que foi vitima. Um grupo de advogados a trabalhar na zona do Cáucaso Setentrional, Tchetchénia e Daguestão lançou um apelo pedindo o fim da perseguição a Irina Kodzoeva. (ler abaixo)

É importante lembrar às embaixadas e consulados da Federação Russa que Irina Kodzoeva não está sozinha. Nós conhecemos a sua história e exigimos o fim das perseguições e o respeito pelos Direitos Humanos.


Endereços de embaixadas e consulados:

Embaixada da Rússia em Portugal
mail@embaixadarussia.pt


Consulado da Rússia em Lisboa
liconsul@mail.ptprime.pt


Consulado Honorário da Rússia em Portugal
n.gama@ngqdl.com



Embaixada da Rússia no Brasil
emb@embrus.brte.com.br


Consulados da Rússia no Brasil
consulado.russia@radnet.com.br

3.11.07

A voz, o grito e a música inesquecível de Catherine Ribeiro




http://www.catherine-ribeiro.com/

Catherine Ribeiro é uma cantora e actriz francesa nascida em 1941 de origem portuguesa, e que participou no grupo Alpes, já extinto. Participou ainda em filmes de Jean-Luc Godard. Tornaram-se célebres os seus gritos poéticos, de sofrimento e provocação nas canções. Numa entrevista ao jornal L’Humanité ela confessa-se de esquerda por convicção e pelas suas origens sociais ( o pai português era operário fabril), e libertária por exigência biológica, para afirmar: «sempre fui solidária das lutas da classe operária. Porém, nunca aderi a um partido, apesar de os acompanhar frequentemente nos seus combates». ( ler a entrevista
aqui)

http://fr.wikipedia.org/wiki/Catherine_Ribeiro




Todos os direitos estão na Natureza
(TOUS LES DROITS SONT DANS LA NATURE)


Le droit de baiser
Le droit de fondre en larmes
Le droit de s’épanouir
Le droit d’être exigeant
Et d’exiger
Le droit d’être riche
De presque rien
Le droit d’être pauvre
De toutes les richesses
Le droit de soulever
Des montagnes
Le droit d’accoucher
De toutes les tendresses
Le droit de penser
Haut et fort
Sans être mutilé
Le droit d’opinion
Les droits de l’immigré
Le droit au travail
Le droit de manger
Quand on a faim
Le droit de faire
Et de défaire
Le droit à la paresse
Le droit d’aimer
Sans être châtré
Le droit à la faiblesse
A la fragilité
Le droit à l’intelligence
Le défi à la connerie
Le droit du plus fort
Pour mieux protéger
Le droit de l’arbre
Face à la tronçonneuse
Le droit de s’amuser
Sur les pelouses interdites
Le droit de sanctionner
Un pouvoir déficient
Le droit de frapper
Malgré les menottes
Le droit de rire
De devenir fou
Le droit de s’éclater
A l’herbe sauvage
Le droit de crier, de hurler
Le droit de crier, de hurler
Le droit d’être enfin reconnu
Le droit d’être enfin reconnu -
Musique de P. MOULLET et paroles de C. RIBEIRO


Discografia

• Dieu me pardonne (45 tours) (1965)
• Le chasseur (45 tours) (1966)
• Sœur de race / Voyage 1 avec 2bis (45 tours) (1969)
• Avec 2bis (1969)
• N° 2 + Alpes (aussi connu sous le nom de Catherine Ribeiro + Alpes) (1970)
• Âme debout + Alpes (1971)
• Jusqu'à ce que la forme de t'aimer me manque + Alpes (1972)
• Paix + Alpes (1972)
• Le rat débile et l'homme des champs + Alpes (1974)
• La solitude (poème non épique) (1975)
• Liberté ? + Alpes (1975)
• Les partisans/ La Varsovienne (avec les chœurs de l'armée soviétique) (45tr) (1976)
• Bande originale du film Dernière sortie avant Roissy (45 tours) (1977)
• Le blues de Piaf (1977)
• Le temps de l'autre (1977)
• Jacqueries (1978)
• Bande originale du film La vie à prendre (45 tours) (1979)
• Passions (1979)
• La déboussole (1980)
• Soleil dans l'ombre (1982)
• Percuphonante (1986)
• Tapages nocturnes (1987)
• 1989 déjà ! (1988)
• L'amour aux nus (1992)
• Fenêtre ardente (1993)
• Vivre libre (1995)
• La symphonie pastorale, André Gide (1995)
• Chansons de légende (1997)
• Live au théâtre Toursky (2002)
• Libertés ? (4 CD) (2004)
• Catherine Ribeiro chante RIBEIRO Alpes (2006)
Signalons également deux CD de compilation sortis en 1988, dont un dans la collection Master Série.





Os transgénicos chegam ao palco !


Vem participar em toda a magia do teatro

lutando por uma causa justa!

Durante o mês de Novembro vamos criar no Centro Social da Mouraria uma peça sobre transgénicos, com elementos de Teatro-Forum, para apresentar em escolas, na rua e junto das comunidades

Durante o workshop vamos:
- aprender sobre os transgénicos
- criar uma peça
- escrever o texto
- trabalhar na expressão corporal e de voz
- criar um cenário (música, adereços, imagens)

O workshop é gratuito, mas exige comprometimento e disponibilidade durante os ensaios e as exibições

Direcção artística: António M. Rodrigues (gentilmente cedido pela Eclipse Arte)

Inscrições limitadas

Os ensaios têm lugar no Centro Social de Mouraria
Grupo Desportivo/ Travessa de Nazaré 21, 2º
Metro: Martim Moniz

As datas de ensaio serão definidas no primeiro encontro, dia 7 de Novembro no Centro Social de Mouraria

Enviar carta de motivação para
eclipsearte@gmail.com ou
csm@gaia.org.pt
mais informações? Liga 960140182

IX Curso Livre de História Contemporânea - "História, Memória e Democracia - Portugal/Espanha"


Sob o lema "História, Memória e Democracia - Portugal/Espanha" decorre entre 12 e 17 de Novembro de 2007 o IX Curso de História Contemporânea, organizado pelo Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Nova de Liboa e a Fundação Mário Soares.

Do folheto da Organização, salientamos o propósito do tema deste ano: "O tema escolhido prende-se com o propósito dos organizadores abordarem a forma como, em ambos os países, onde o assunto é tão actual, é tratada a história da luta pela conquista da liberdade e da democracia e salvaguardada a sua memória, pelos poderes instituídos e pela sociedade civil."

Programa:

12 de Novembro - 2ª feira - 14.30 - Abertura do Curso
Reitor da UNL
Director da FCSH,
Presidente da FMS
Presidente do Instituto de História Contemporânea

15.30 - Lição inaugural - Prof. Doutor Fernando Rosas - Director científico do Curso

16.15 - Debate

13 de Novembro - 3ª feira -Transição pactuada e Memória dos Vencidos em Espanha

15.00 - Apresentações
Prof.ª Carme Molinero - Universidade Autónoma de Barcelona
Prof. Ismael Saz – Universidade de Valencia

17.00 - Pausa

17.10 - Prof. Julian Casanova – Universidade Saragoça

17.50 - Comentador: Prof. Doutor Manuel Loff, F.L. Universidade do Porto

18.30 - Debate

14 de Novembro - 4ª feira - Memória e História da Ditadura no Portugal democrático

15.00 - Apresentações
Prof. Doutor Luís Reis Torgal – F. L. da Universidade Coimbra

Prof. Doutor António Costa Pinto – Instituto de Ciências Sociais

Dr. José Pacheco Pereira - ISCTE

17.00 - Pausa

17.10 - Comentador: Prof. Joseph Sanchez Cervelló – Universidade Rovira Y Virgil, Tarragona

17.50 - Debate

15 de Novembro - 5ª feira - Ditadura e Resistência – Os Arquivos da Memória

15.00 - Mesa-Redonda
Dr. Silvestre Lacerda – Director do IAN – Torre do Tombo
Dr. José Ramón Cruz Mundet – Subdirector Geral de Arquivos de Espanha
Dr. Alfredo Caldeira – Administrador do Arquivo & Biblioteca da Fundação Mário Soares
Dra Natércia Coimbra - Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra

17.00 - Pausa

17.10 - Comentador: Prof.ª Doutora Irene Pimentel (IHC /FCSH/UNL)

17.30 - Debate

16 de Novembro - 6ª feira - Memória da Resistência. Os testemunhos

15.00 - Testemunhas
Edmundo Pedro (“Não Apaguem a Memória”)
Aurélio Santos (U.R.A.P.)
Raul Morodo
Santiago Carrillo
Mário Soares

17.30 - Debate

17 de Novembro - Sábado

10.00 - Mesa-redonda - Políticas para a Memória
(Representantes das opiniões políticas com assento parlamentar – PS, PSD, PCP, PP e BE)

11.40 - Debate

12.40 - Encerramento do Curso Livre



http://ihc.fcsh.unl.pt/page.php?ID=1678

VI Encontro de História de Vila do Conde(dia 8 Nov.): Invasões Francesas - uma análise 200 anos depois


Pelo sexto ano consecutivo a Câmara Municipal de Vila do Conde organiza, através do Arquivo Municipal, mais um Encontro de História de Vila do Conde.
Este evento tem procurado, nas suas edições anteriores, colocar em destaque um tema da História ou da História local, que têm coincidido com o assinalar de datas de relevo para Vila do Conde e o seu concelho, proporcionando, desta forma, um ciclo de comemorações.


Assim, o tema escolhido para o Encontro de História de Vila do Conde deste ano foi a passagem dos 200 anos das invasões francesas em Portugal.


Efectivamente, em Outubro de 1807, tropas associadas em Baiona, sob o comando do General Junot, começam a dirigir-se para as fronteiras portuguesas, acabando por se efectivar a primeira das 3 invasões que o território português viria a sofrer e levando à retirada da Corte para o Brasil em Novembro desse mesmo ano. A nomeação de um Conselho de Regência seria provisória, uma vez que Junot o viria a destituir, bem como à Casa de Bragança. Dos locais públicos são banidas ou ocultadas armas reais e insígnias da Casa de Bragança e Vila do Conde não foi excepção. Na frontaria da Igreja Matriz foram picadas as armas de D. Manuel e as freiras do Mosteiro de Santa Clara foram obrigadas a pagar uma pesada contribuição de guerra, na sequência de medidas gerais tomadas e viram ainda a clausura do Mosteiro devassada.


Estas e outras questões em torno das invasões francesas serão abordadas no próximo dia 8 de Novembro, no Auditório Municipal, onde teremos a presença do Prof. Doutor Oliveira Ramos, Profª. Doutora Ana Cristina Araújo, Prof. Doutor João Marques, Profª. Doutora Marta Lobo, Prof. Doutor Jorge Ribeiro, Mestre Henrique Matos, Mestre Rogério Borralheiro, Prof. Doutor Viriato Capela, e Prof. Aurélio de Oliveira.


Ainda durante o evento será lançado o sítio “Vila do Conde Quinhentista” um trabalho que procura ilustrar Vila do Conde no século XVI: A Vila, o porto, o traçado urbano, edifícios de quinhentos e principais fontes.


Dirigido à comunidade educativa, investigadores e a todos os interessados pela História, o VI Encontro de História tem já as inscrições abertas, através dos seguintes contactos:

tel. 252 248 431,


fax: 252 641 853.


A entrada é gratuita.

Edição do Cinanima deste ano começa já no dia 5 de Novembro em Espinho

O CINANIMA - Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho está na sua 31ª Edição, que decorrerá de 5 a 11 de Novembro de 2007.

O CINANIMA oferece aos amantes da sétima arte um programa diversificado e de vanguarda. Para além da secção competitiva internacional, contempla ainda uma série de actividades que vão desde a organização de workshops, debates, exposições, passeios turísticos e sessões especiais e retrospectivas.

O CINANIMA é já conhecido por proporcionar ao seus convidados e público em geral um ambiente agradável, descontraído e familiar. Criam-se, assim, amizades que perduram ao longo do tempo.

http://www.cinanima.pt/
Filmes a Concurso

Luís Cília: cantor, compositor e resistente anti-fascista e anti-colonial


Consultar: http://agcolos.drealentejo.pt/index.htm



Luis Cília nasceu no Huambo ( Angola ), em 1943.
Veio para Portugal em 1959,para prosseguir os seus estudos.
Em 1962 conheceu o poeta Daniel Filipe que o incentivou a musicar poesia. Datam desse ano as suas primeiras experiências nesse campo ( "Meu país", " O menino negro não entrou na roda" ,etc.),mais tarde incluidos no seu primeiro disco,gravado em França, para a editora Chant du Monde. Em abril de 1964 partiu para Paris,onde viveu até 1974.
Em França estudou guitarra clássica com António Membrado e composição com Michel Puig.
Entre 1964 e 1974 realizou recitais em quase todos os países da Europa .
Depois do seu regresso a Portugal continuou a gravar discos, como compositor e intérprete e a realizar recitais.Como intérprete, gravou dezoito discos, alguns dos quais dedicados a poetas ,tais como, Eugénio de Andrade ("O peso da sombra") Jorge de Sena ("Sinais de Sena"), ou David Mourão Ferreira ("Penumbra").
Nos últimos anos tem-se dedicado apenas à composição, nomeadamente para Teatro, Bailado e Cinema.



Texto de José Mário Branco sobre Luís Cília:

Quando cheguei, exilado, a Paris em 1963, já lá vivia e cantava o Luís Cília. Por essa altura (ou mesmo antes?) me lembro de ouvir o que foi, salvo erro, o seu primeiro álbum na célebre editora "Chant du Monde". Do seu contacto estreito, em Lisboa, com o poeta Daniel Filipe - o da "Invenção do amor" - nasceu o seu estilo pessoal de musicar poesia editada, estilo que marcou fortemente o então chamado movimento dos "baladeiros".
Se bem que tenhamos tido diferentes olhares sobre a oficina das canções, e por vezes até divergências, o certo é que o Luís Cília foi um autor e intérprete incortornável do canto de resistência antifascista e anticolonial. É sem dúvida um "histórico" da música popular portuguesa.
Também é de realçar o seu longo e aturado trabalho de aprendizagem musical, sobretudo de composição, coisa que era (e ainda é) pouco comum nos meios da música popular. E também o excelente relacionamento que, nesse período de Paris, até 74, foi mantendo com nomes importantes da canção e da música,como Paco Ibañez, Georges Brassens, Quarteto Cedron, etc.
Voltámos para Portugal no mesmo avião, em 30 de Abril de 1974. Aterramos juntos em Lisboa ao princípio da tarde dessa terça-feira. À porta do aeroporto, cantamos juntos a "Grândola Vila Morena", na companhia de um povo livre e feliz, e de amigos como José Afonso, Adriano, José Jorge Letria, José Carlos Ary dos Santos e muitos outros.
O Luis remeteu-se, há muitos anos, ao labor mais discreto de compositor e produtor. Mas é uma referência importante quando se tenta perceber o papel dos cantautores na mudança histórica deste país.


Discografia de Luís Cília:

A discografia de Luís Cília é vasta. Compõe-se por aproximadamente duas dezenas de discos, onde predominam o vinil: LP´s, EP´s Singles e 2 CD’s, sendo um deles de originais. Luis Cilia participa também em vários discos de festivais ao vivo na Europa. Interpreta essencialmente obras suas, com excepção das obras do cancioneiro português (discos “O guerrilheiro” e o “Cancioneiro”) duas canções traduzidas de George Brassens, e as canções “Povo unido jamais será vencido” do Quilapayun e “Grândola Vila Morena”, em colectivo no Festival de Helsínquia.


1964 - "Portugal-Angola: Chants de Lutte" (França)
1965 - "Portugal Resiste" (França)
1967 - "La Poésie Portugaise de nos jours et de toujours" nº1 (França e Espanha)
1967 - “O Salto” (França)
1969 - "La Poésie Portugaise de nos jours et de toujours" nº2 (França)
1971 - "La Poésie Portugaise de nos jours et de toujours" nº3 (França)
1973 - "Contra a ideia da violência a violência da ideia" (França, Espanha e Portugal)
1073 - “Meu País” (Portugal e França) reedição melhorada do LP “Portugal,Angola - Chants de Lutte”
1974 - "O guerrilheiro" (Portugal)
1974 - “O povo unido jamais será vencido” ( Portugal)
1975 - "Resposta" (Portugal e França)
1976 - "Memória" (Portugal, Itália, Espanha, RDA e Bulgária)
1978 - "Transparências" (Portugal)
1980 - "O peso da sombra - A poesia de Eugénio de Andrade" (Portugal)
1981 - "Marginal" (Portugal)
1982 - "Cancioneiro" (Portugal) reedição de “O guerrilheiro”
1983 - "Contradições" (Portugal)
1985 - "Sinais de Sena - A poesia de Jorge de Sena" (Portugal)
1987 - "Penumbra - A poesia de David Mourão Ferreira" (Portugal)
1988 - "A Regra do Fogo - música para bailados" (Portugal)
1995 - "Bailados - música para bailados" (CD - Portugal)
1996 - "La Poésie Portugaise de nos jours et de toujours" (CD- França) colectânea parcial dos 3 LP homónimos


Canto do desertor

Oh mar… oh mar…
Que beijas a terra,
Vai dizer à minha mãe
Que não vou p`rá guerra.

Diz, oh mar, à minha mãe,
Que matar não me apraz
No fundo quem vai à guerra
É aquele que a não faz.

Vou cantar a Liberdade,
Para a minha Pátria amada,
E para a Mãe negra e triste
Que vive acorrentada.

Mas a voz do nosso povo,
No dia do julgamento,
Te dirá a ti, oh mar.
E dirá de vento a vento,

Quem são os traidores,
Se é quem nos rouba o pão
Ou se nós os desertores
Que à guerra dizemos «Não».







Sou barco ( poesia de António Borges Coelho)


Sou barco abandonado
Na praia ao pé do mar
E os pensamentos são
Meninos a brincar.

Ei-lo que salta bravo
E a onda verde-escura
Desfaz-se em trigo
De raiva e amargura.

Ouço o fragor da vaga
Sempre a bater no fundo,
Escrevo, leio, penso,
Passeio neste mundo
De seis passos
E o mar a bater ao fundo.

Agora é todo azul,
Com barras de cinzento,
E logo é verde, verde,
Seu brando chamamento.

Ó mar, venha a onde forte
Por cima do areal
E os barcos abandonados
Voltarão a Portugal.



Outro vídeo de Luís Cília: ver
aqui

1.11.07

O branqueamento verde ou ecológico (greenwashing) ou como poluir limpo!!!


Aproveitando a actual vaga «verde» de luta contra o aquecimento global, as multinacionais e os governos têm-se esforçado por passarem uma imagem de serem entidades amigas e respeitosas do ambiente, nem que para isso tenham de apresentar produtos e políticas aparentemente ecológicas, mas que nos plano dos factos são-no muito pouco, ou mesmo nada. Do que falamos agora é do chamado branqueamento verde (greenwashing), por analogia com o famoso crime de branqueamento de capitais.


Algumas vezes a «ecologia» entra-nos pelos olhos dentro por via de uma mensagem publicitária: «daqui para a frente o sinal vermelho passa a verde» (BMW), «Um canto de céu azul»( EDF), «Objectivo: zero de emissões» (Toyota), «Para usarmos os carburantes do futuro, nós fazemos apelo à natureza» (Total). O abuso e a pouca-vergonha é tanta que já um grupos de associações e várias ONGs anunciaram a criação de um Observatório acerca do uso de argumentos e motivos de carácter ecológico que são utilizados na publicidade, cabendo aí, por exemplo, as imagens de viaturas todo-o-terreno e os jipes estacionadas ao lados de torrentes impetuosas de água, ou a última campanha da companhia de electricidade francesa que recorre a paisagens e fotografias de ilha da Páscoa à custa de deslocações por avião que, como se sabe, são fontes de emissão poderosas de CO2, muito embora no seus anúncios se fale que a empresa está a trabalhar para as gerações futuras.

Estas derivas promocionais da publicidade comercial das grandes empresas tornaram-se o pão nosso de cada dia e constituem a manifestação mais visível da recente tendência de embuste mercantil das empresas capitalistas em pretenderem vender gato por lebre, e um fenómeno que se designa por «branqueamento verde» ou «branqueamento ecológico», e que as multinacionais dos carros e as indústrias químicas se especializaram, mas cuja lição foi logo muito bem aprendida pelos próprios governos que pretendem lançar políticas e medidas, aparentemente amigas do ambiente, mas que se revelam altamente lesivas na natureza e da sustentabilidade dos recursos naturais. Tais práticas são apelidadas de «greenwashing» ( branqueamento verde ou ecológico) e consistem em fazer passar como amigo do ambiente algum produto, ou uma medida, decisão ou política governamental que não o são realmente no plano dos factos. Ou então que dissimulam, graças à grande mediatização de genuínas medidas ecológicas, um outro tipo de práticas ou de políticas extremamente poluentes, estas sim, muito mais significativas e com consequências poderosas no meio ambiente ( a este propósito, e sobre este tipo de técnicas de manipulação, fala-se de «efeito de halo»). No actual momento de grande difusão do «story-telling» ( técnica de comunicação baseada na construção de narrativas) as insondáveis vias do marketing atingem níveis paroxísticos de manipulação dos factos e da realidade.


É assim que Arnold Schwarzeneger, governador da Califórnia, desde 2003, prometeu caso fosse reeleito, converter em hidrogénio ( energia fabricada que não emite gás carbónico) um dos seus Humner ( ele possui 3 daquilo que são as versões civis dos veículos Humvee que são usados pelo exército norte-americano no Iraque, e que vieram a substituir os velhos Jeeps). Mas foi já num quarto veículo, um protótipo movido a hidrogeno, generosamente oferecido pela General Motors a tão excelso e fiel cliente, que ele se deslocou à estação de hidrogénio no aeroporto de Los Angeles, sob a mira oportuna das objectivas dos fotógrafos.
No Estado que detém o maior parque automóvel do mundo será que é sério querer proteger o ambiente possuindo um cada vez maior número de viaturas? Ou será que o que se pretende é ter uma boa consciência e ficar com um boa imagem pública sem beliscar minimamente a sua pegada carbónica, um índice que mede a emissão individual de CO2?

Com efeito, na contabilidade ecológica uma viatura «limpa» não vale mais que uma «suja». Em 2006 o Procurador-geral da Califórnia, Bill Lockyer, apresentou uma queixa contra a General Motors, a Ford, a Chrysler, Nissan, Toyota e a Honda acusando-as de deteriorarem o ambiente e a saúde pública. A justiça acaba agora de emitir um veredicto considerando que essa responsabilidade deve ser assacada sim ao legislador. Procedimentos judiciais como este, e a circulação de informações manipuladas acabam por beneficiar a General Motors que pode assim aproveitar-se da publicidade induzida por Scwarzeneger, que veio a adquirir, para cúmulo, a fama de ter sido o primeiro a votar e a fazer aprovar uma lei americana a obrigar a reduzir as emissões de gazes com efeito de estufa. Só por aí se poderá aquilatar até que ponto vai a intoxicação mediática nos dias que correm.

Ao fim de alguns anos da Cimeira da terra em que várias dezenas de países assinaram o protocolo de Quioto, os tratados e os acordos entretanto surgidos tiveram sem dúvida um efeito pedagógico, e a luta contra as mudanças climáticas e o efeito de estufa tornaram-se num dos objectivos mediáticos de qualquer governo que se preze no seio da comunidade internacional. A recente nomeação de Al Gore e do Giec para o Nobel de 2007 inserem-se aliás nessa linha. E até as próprias marcas de automóveis se mostram empenhadas em desenvolver modelos de viaturas ditas «limpas» ( movidas com biocombustíveis ou a hidrogénio), e de automóveis híbridos (combinando gasolina, diesel e electricidade) na esperança de terem um radioso futuro comercial.

E isto não acontece por acaso. Na verdade, o automóvel é por excelência o reino do greenwashing. Basta recordar que o Salão Automóvel de Frankfurt deste ano, que decorreu sob lema de ser «amigo da terra» há pouco mais de um mês, pretendeu ser uma vitrina daquilo que eles chamaram a «viragem ecológica» da indústria automóvel: com a Volkswagen e o seu label Blue Motion visando reduzir o consumo por Km; com a PSA Peugeot e Critroen a apresentar a sua 308 HDI , uma viatura híbrida da marca; com a Mercedes a exibir o seu sistema «Stop &Start» que corta o abastecimento no motor cada vez que se trava; e com a General Motors e o seu HydroGen4 municiado com um pilha de combustível… - tudo isso como tentativas de venderem uma imagem de «amigo do ambiente», só que ao mesmo tempo os mesmos potentados industriais pressionavam em Bruxelas para travar a norma sobre o CO2 que a União Europeia pretende impôr daqui a 5 anos e que sancionará os construtores que não respeitam o novo limite de 120g/Km de dióxido de carbono

O problema é que no balanço geral estas inovações tecnológicas acabam por ter um efeito muito mitigado face a outros fenómenos com maior dimensão negativa como a implementações dos biocombustíveis e as suas consequências no preço das matérias primas alimentares, a sistemática desflorestação e as consequentes deslocações massivas de populações inteiras em certas partes do planeta.

Mas as críticas não param aí: é que se é certo que as viaturas eléctricas não emitem CO2, não deixa de ser verdade que continua a ser necessário a produção dessa energia, com os seus respectivos custos, o uso de recurso para a sua produção e despesas suplementares para a sua reciclagem. Um processo que levou à conclusão, inserida num relatório parlamentar de 2005, que «na maior parte dos países do mundo a viatura eléctrica emitiria tantos gazes com efeito de estufa como os veículos térmicos». O mesmo se diga das baterias dos carros híbridos. Tudo depende do tamanho do veículo, do número de passageiros que transporta e do tipo de terreno em que se move. Certos híbridos, por exemplo, não têm o efeito economizador no consumo que se pretende passar. Tomando como modelo o Prius da Toyota, Philippe Defeyet, investigador no instituto para um desenvolvimento sustentável, afirma: «Uma pequena viatura consome tanto como um Prius, mas ainda tem mais necessidade de energia na fase da sua produção» ( in Business and Society, Junho de 2007) . O mesmo se passa com um Lexus híbrido que consumindo 7 a 8 litros aos 100 acaba por ser mais poluente que uma viatura clássica. Ou seja: um carro térmico transportando 4 passageiros é menos nociva para o ambiente que um carro «limpo» com só um passageiro. Trata-se do chamado «efeito de aspartan»: continuar a comer a mesma quantidade de alimentos açucarados – mesmo com um substituto – não emagrece; a única maneira eficaz é reduzir as rações.

Em matéria de respeito pelo ambiente uma maior eficiência energética nas viaturas é uma prioridade. Mas o horizonte de uma revolução high-tech conciliando produção sem desperdício, consumerismo e protecção do planeta é neste momento uma imensa intrujice. E o mesmo raciocínio é válido para o habitat – pouco vale colocar painéis solares para casas com péssimo isolamento térmico -, para os alimentos biológicos ( transportados por aviões ou outro meios poluentes desde a colheita, triagem, embalagem, armazenamento e venda).

Falar hoje de «branqueamento verde ou ecológico» é fazer pedagogia. Mais que apontar os agentes responsáveis ( Marcas, Governos, Consumidores,…) pela poluição, o importante é passar da etapa da petição de princípio – a primeira consequência de uma tomada de consciência – para a fase da inteligência da situação, da compreensão pelos processos em causa, intrinsecamente ligados ao fenómeno da globalização, aos mercados e fluxos financeiros, às políticas de mobilidade assim como às relações Norte-Sul.


(…)

Para quê regozijarmo-nos com a redução dos limites de velocidade nas auto-estradas, que fará descer automaticamente o nível de emissões de CO2, se ao mesmo tempo é anunciado a construção de mais 2.500 Km de vias rápidas e auto-estradas, e o fecho de umas tantas estações de caminho-de-ferro?

Como reduzir o impacto ecológico do crescimento económico se somos confrontados constantemente com os mesmos chavões capitalistas acerca da necessidade de garantir o crescimento económico, a livre concorrência, a descida dos preços, liberalizar e desregular os mercados, apostar na grande distribuição - se tudo isso nos conduz a uma economia baseada nos modos de produção intensivos, nos transportes de uma miríade de fornecedores, nos hipermercados acessíveis por meio de automóveis, etc.

Outro caso exemplar é o uso e o ressurgimento das bicicletas em algumas partes dos países desenvolvidos, como em França. A recente tendência de comprar bicicletas fez disparar as receitas e os lucros da JCDecaux, uma empresa francesa que fornece bicicletas e de instalação de painéis publicitários. A mesma empresa que já foi processada mais que uma vez pela associação francesa Paysages de France ( que luta pela preservação das paisagens) por ser a causadora de poluição visual, e que no passado dia 20 de Junho foi condenada por um tribunal pela infracção à legislação reguladora das paisagens, como informa a edição de Setembro do jornal La Décroissance que não deixa de interrogar-se: «Com uma bicicleta JCDecaux pedalamos a favor do planeta, ou estaremos a rolar a favor do capitalismo que o destrói?»

(…)

No passado dia 3 de Outubro a Autoridade holandesa de publicidade condenou a campanha promocional de uma empresa de produção de energia, a NUON, que declarava poder reduzir as suas emissões de CO2 graças ao armazenamento de carbono, considerando que tais afirmações eram enganosas para o público, tal como expressões utilizadas nessa campanha tais como «combustível limpo», «CO2 limpo», etc, etc.

Este facto leva-nos assim a colocar a seguinte questão:
- Será que é preciso, tal como acontece com o branqueamento de capitais, penalizar os crimes de branqueamento verde ou ecológico por parte das multinacionais, empresas comerciais e governos?

Ou não será melhor mudar de rumo e lutar por um modelo económico justo e sustentável em vez do capitalismo predatório em que vivemos e que nos leva à catástrofe ecológica e humana.


(adaptação e tradução livre de um texto de Jade Lindgaard, publicada na edição nº 621 de 23 de Out. da revista Les Inrockuptibles)

31.10.07

A História do Anarquismo, por Jean Préposiet, traduzida e editada agora em português (leitura recomendada)

Jean Préposiet é um historiador da filosofia e um estudioso do pensamento de Spinoza que se interessou pelo anarquismo e neste seu livro traça um panorama muito completo do movimento anarquista desde os seus primórdios aos dias de hoje. Adoptando uma perspectiva em que privilegia os momentos mais decisivos em que o anarquismo despontou e a anarquia se revela como o fermento da história, um fermento revolucionário imprescindível, o autor mostra toda a natureza expansiva do anarquismo que supera muito a simples dimensão do político, e se tornou o oposto da lógica da luta pela conquista do poder.


Marginalizado e duramente condenado ao longo do século XIX, lançado para a sombra pelo bolchevismo vitorioso na Revolução Russa, e derrotado na Revolução espanhola, o anarquismo é e continua a ser, não obstante tudo isso, um dos movimentos mais importantes na história do pensamento político contemporâneo. Algo que a história e a luta pela liberdade não podem desconhecer, sobretudo se entendermos o conceito de liberdade como a irredutível aspiração humana de libertação dos indivíduos, e de uma mundo e uma sociedade sem opressão.

A partir da análise das filosofias e correntes de pensamento que estão na origem do espírito libertário, Jean Préposiet apresenta-nos um quadro histórico completo dos anarquismos no Ocidente. Começa por traçar o percurso político e doutrinário dos pais fundadores – Proudhon, Stirner, Bakunine ou Malatesta –, analisa o papel desempenhado pelos anarquistas durante a Revolução Russa ou na guerra de Espanha, recorda aquilo que foram os atentados anarquistas em França na Belle-Èpoque, antes de explorar os avatares e as franjas da galáxia libertária: antimilitarismo e pacifismo, niilismo e terrorismo, anarco-sindicalismo, situacionismo, ecologia, antiglobalismo, etc., propostas que continuam a mover as nossas sociedades e que colocam a eterna questão da liberdade dos homens.

O livro está dividido em 5 partes: I – Fundamentos do anarquismo, II - Nascimento e evolução do anarquismo, III - Gandes teóricos do anarquismo, IV – à margem da anarquia, V – Violência e anarquia.
Os três primeiros capítulos tratam dos princípios gerais do anarquismo, enquanto nas outras partes restantes o autor refere-se em especial a Max Stirner e Proudhon, o que é tanto mais oportuno quanto as obras destas duas figuras são mal conhecidas, já para não referir quanto as suas ideias têm sido deturpadas e vilipendiadas por quem não as conhece minimamente.



Jean Préposiet analisa nas quatrocentas páginas do seu livro o legado anarquista com perspicácia e não menos pertinência, mostrando a variedade e heterogeneidade do anarquismo. Tratando-se de uma história geral do anarquismo não são obvimante dissecados certos pormenores, mas também não era esse o seu propósito.

Nem de propósito Préposiet acaba o seu livro livro com estas palavras premonitórias à laia de alerta geral:

«Enquanto houver anarquistas…»


Na net também está disponível em português o Capítulo I da obra.

História do anarquismo, por Jean Préposiet, edições 70






«Toda a gente tem uma reserva e um fundo libertários»

Por ocasião da apresentação e debate do livro de Jean Préposiet « Histoire du anarchisme», num café perto da Livraria libertária de Paris, na Rue Amelot, escutaram-se palavras inabituais nos dias que correm, da boca daquele autor:

«A força do anarquismo é estimular»,

«Não creio no advento de uma sociedade anarquista mas o anarquismo é extremamente precioso porque é o testemunho da liberdade. Ele faz parte da humanidade, do seu património»,

«…alguns praticam o anarquismo sem o saber, tal como o Senhor Jourdain escrevia literatura sem o saber»,

« O anarquismo é o único movimento que está todo virado para o prazer, a felicidade e a liberdade. Nenhum outro movimento ou partido valoriza tanto a felicidade, pois todos os outros contêm um lado repressivo»,

«O anarquista tem um grande handicap: é que ele é sincero, ao passo que a política é o reino das mentiras e negociatas»,

«Toda a gente tem em si uma reserva libertária, que é abafado pela coerção social. Ser libertário é fazer frutificá-la»





Minha mãe, minha utopia
A filha da anarquia
Não é senão a vida
E pelo seu amor a ela, nós dizemos:
Vivei sem vos submeter
Vivei sem deus e sem senhor!

Maloya, a música de dança dos escravos da ilha Réunion

Réunion ou Reunião é um departamento francês no Oceano Índico, localizado a leste de Madagáscar. A ilha principal é uma das duas maiores Ilhas Mascarenhas, sendo o seu vizinho mais próximo a outra: a Maurícia. Reunião tem, no entanto, várias dependências, espalhadas em torno de Madagáscar, no Índico e no Canal de Moçambique. Capital: Saint-Denis.

Surgida no século XVII a Maloya era a música de dança dos escravos das plantações, tendo-se tornado actualmente numa música por excelência da ilha da Réunion


HISTÓRIA DA MÚSICA MALOYA ( 3 videos)


Parte 1




Parte 2




Parte 3





Figuras principais da música Maloya


Alain Peters – Parabolèr

Homenagem a Alain Peters no festival Sakifo na ilha Réunion, protagonizado pelos músicos discípulos do poeta : Danyel Waro, Loy Ehrlich, René Lacaille, Joël Gonthier, Tikok Vellaye !!!

"Moin pa in bo parolèr, moin jus' in parabolèr" Alain Peters.













Ziskakan

Banida durante muito tempo por ser o veículo de denúncia da opressão colonialista, a música Maloya ganhou entretanto visibilidade graças a Gilbert Pounia e ao seu grupo Ziskakan, testa de ferro da cultura creola.







Alkatraz (pou Kaya)






Paisagens da ilha Réunion com música de Ziskakan









Kiltir – grupo de música maloya, que é uma tradição nas ilha Réunion


Kiltir - Destin Maloya









Christine Salem

(Extrait du concert de Salem Tradition à l'Espace Renaudie à Aubervilliers (le dimanche 29 octobre 2006) dans le cadre du festival Villes des Musiques du Monde.)








Michel Admette no Maloya Festival

(Deux morceaux en live par Tapok: "Manapany" de Luc Donat et "Séga Bip Bip" de Michel Admette! Roulé séga! Filmé live au Ô Maloya Festival, le 7 juillet 2007, à Saint-Bernard, La Montagne)








Danyel Waro



Bibizako - Danyel Waro et Baster

«Anarquia nos Estados Unidos? Ajudaria muito o país…», afirma o realizador Lech Kowalski

Excerto do texto de entrevista de Lech Kowalski concedida ao Jornal de Notícias:

Nasceu em Londres, em 1950, de origem polaca, mas a família instalou-se em Nova Iorque, quando tinha 14 anos. Consta que começou por rodar filmes porno e esteve envolvido no movimento punk. "D.O.A.", o filme que o revelou, acompanhava de perto a digressão dos Sex Pistols pelos Estados Unidos e tem imagens nunca vistas e inacreditáveis de Sid Vicious e Nancy Spungen. Alvo de uma retrospectiva no Doc Lisboa, este nome de referência do documentarismo contemporâneo foi ainda responsável por uma masterclass.

A primeira parte da obra de Lech Kowalskifoi dedicada ao movimento punk, que então vivia o seu período áureo, fazendo a ponte de Inglaterra para os Estados Unidos. O mundo da música esteve sempre debaixo da sua objectiva. Mas os temas que aborda são cada vez mais abrangentes.


Jornalista - Anarquia nos Estados Unidos, é uma boa frase para colocar numa bandeira?

Lech Kowalski - É mesmo boa. Ajudaria muito o país. A verdadeira anarquia, não a que se vive hoje.


Para ler o resto:
aqui


Para saber mais:
http://www.extinkt.com/

História do sindicalismo de acção directa em video: « Et pourtant ils existent»

«Et pourtant ils existent»(2007) é o título de um documentário realizado por Michel Mathurin sobre a história do sindicalismo de acção directa em França e que se distingue dos chamados sindicatos ditos «representativos» tal como do sindicalismo que seja tutelado por um partido ou por outra qualquer forma de tutela. O sindicalismo revolucionário atravessa todo o historial do anarco-sindicalismo.

Parte 1





Parte 2







Parte 3





Parte 4

Portugal vai ultrapassar as metas de Quioto quanto às emissões de gases com efeito de estufa

As emissões de gases com efeito de estufa em Portugal vão ultrapassar entre oito e 14 por cento a meta nacional estabelecida no Protocolo de Quioto para 2008-2012, segundo as estimativas do projecto MISP apresentadas em Lisboa.
Esta é uma das conclusões do projecto Estratégias de Mitigação das Alterações Climáticas (MISP, na sigla em inglês), que projecta as trajectórias da procura e do consumo de energia e das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal até 2070. As conclusões são baseadas nos quatro panoramas mundiais projectados este ano pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU e aplicam-se, entre outros, aos edifícios residenciais e de serviços, transportes, indústria, agricultura, pecuária, resíduos, centrais termoeléctricas a combustíveis fósseis, centrais nucleares e energias renováveis.

De acordo com as estimativas hoje apresentadas, Portugal vai emitir até 2012 entre 4,8 a 8,5 mega toneladas de dióxido de carbono (Co2), ou seja, entre 35 e 41 por cento mais do que as emissões em 1990 (ano de referência para o cumprimento deste acordo), ultrapassando assim a meta de 27 por cento estabelecida pelo Protocolo de Quioto para 2008-2012.

Quioto impõe à União Europeia (UE) uma redução das emissões em oito por cento em relação a 1990. Para Portugal, no entanto, é permitido um aumento de 27 por cento devido a um acordo de partilha de responsabilidades.

Porém, falando na apresentação do MISP, Ricardo Aguiar, co-autor do estudo e investigador do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, lembrou que estas previsões “excluem as florestas, o uso do solo e suas alterações [FAUS], que poderão reduzir este excesso para algo entre três e cinco mega toneladas de C02”. O vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, disse que estas estimativas mostram que o Programa Nacional para as Alterações Climáticas de 2006 é “demasiado optimista em relação às previsões de curto e médio prazo [2008-2102]” e que é “urgente pôr em prática mais mecanismos do Protocolo de Quioto”.

“As previsões do MISP apontam para que a meta nacional de Quioto 2008-2012 seja ultrapassada. Isto quer dizer que nos vai sair mais caro, uma vez que o Fundo de Carbono terá de ir além dos 350 milhões de euros decididos pelo Governo”, frisou.

No entanto, o estudo também indica que Portugal vai deixar de aumentar as suas emissões de gases com efeito de estufa por volta de 2010, passando a partir daí a uma fase de redução até 2070, que será mais significativa até 2050. “Todos os cenários mostram que por volta de 2010 vamos inflectir e reduzir as emissões e isto mantém-se até 2050.

Nos vinte anos seguintes o ritmo de redução vai ser mais brando”, explicou Ricardo Aguiar. De acordo com o especialista, essa redução de emissões vai acontecer naturalmente devido “à maturidade do desenvolvimento das infra-estruturas, ao parque automóvel [em estagnação e mais preocupado com o ambiente], à redução da população portuguesa e aos fluxos entre zonas rurais e cidades, que estão prestes a terminar”.

Os dados mais recentes indicam que em 2005 as emissões de gases com efeito de estufa estavam 18 por cento acima das metas impostas pelo protocolo de Quioto e 45 por cento acima dos níveis emitidos em 1990. As estimativas do MIPS prevêem ainda que as emissões em Portugal caiam “na ordem de um por cento por ano até 2050”, o que significa que em 2020 o excesso relativamente a 1990 “andaria entre 19 por cento e 31 por cento”.

Encontros com poetas do Porto na Fundação Eugénio de Andrade

A partir do próximo dia 3 de Novembro, realizar-se-á, aos sábados, no auditório da Fundação Eugénio de Andrade (Rua do Passeio Alegre, 584 - Porto), um encontro com um Poeta do Porto, no qual se fará uma apresentação do poeta, um debate, e leitura de poemas.

As sessões realizam-se às 18h30 e a entrada é livre.

Assim, em Novembro, a Fundação recebe

Manuel António Pina (dia 3),

João Luís Barreto Guimarães (dia 10),

Fernando Guimarães (dia 17),

Jorge de Sousa Braga (dia 24).


Já em Dezembro, será a vez de

Fernando Echevarría (dia 1),

Ana Luísa Amaral (dia 8),

Albano Martins (dia 15).



“Já por mais de uma vez ouvimos falar dos “poetas do Porto” como se eles fossem necessariamente “provincianos”, ou como se não pertencessem à mesma espécie dos poetas da capital. Mas no Porto ou nos seus arredores nasceram ou viveram - ou vivem - poetas nacionais, mesmo quando falem dos costumes ou das paisagens portuenses, o que aliás ninguém lhes exige. Baste que eles falem da vida humana, e que honrem uma longa tradição que, se não começa com trovadores, começa com Diogo Brandão, e é prolongada por Tomás Pinto Brandão, Tomás António Gonzaga, Garrett, Faustino Xavier de Novais, António Nobre, António Patrício, Augusto Gil, Teixeira de Pascoais, José Gomes Ferreira, José Régio, Adolfo Casais Monteiro, Pedro Homem de Melo, Jorge de Sena, Sophia Andresen, Eugénio de Andrade, entre muitos outros já falecidos. Este primeiro ciclo de “encontros com poetas do Porto” e os seguintes (que podem até incluir poetas que há muito residem longe do Porto, como Fernanda Botelho, Ana Hatherly, Alberto Pimenta, Vasco Graça Moura...), provam que o Porto não é de modo nenhum a “terra poeticida” execrada por outro poeta portuense, Guilherme Braga, e, modestamente, querem contribuir para que não caia sobre os poetas do Porto o silêncio repugante com que geralmente os distinguem os “grandes” meios de comunicação lisboetas e até alguns meios de comunicação nortenhos, para os quais os poetas da casa não fazem os milagres da palavra viva.”
Arnaldo Saraiva