26.7.07

O comércio ético é apenas uma outra forma de mostrar que se é rico

O consumismo verde não salvará a biosfera

(Ethical shopping is just another way of showing how rich you are)
Artigo de George Monbiot, publicado no jornal The Guardian (24 de Julho)
(tradução livre)

Aconselhar a comprar orgânico, sazonal, local, sustentável e reciclado não adianta nada se não apostarmos na redução drástica do consumo

As classes médias gostam de mostrar e congratular-se pelas suas atitudes e pelo seu modo de vida verde, quando na verdade elas viajam, compram e voam hoje muito mais do que no passado.



As coisas podem não ser como estão a acontecer. Os cientistas do clima dizem-nos que os nossos Invernos se tornarão mais húmidos e os nossos Verões cada vez mais secos. Sendo assim não posso dizer que estas inundações foram causadas pelas mudanças do clima, ou que são consistentes com os modelos. Mas tal como o fantasma do Natal, ainda por vir, elas oferecem-nos um vislumbre do possível ambiente invernal que nós habitaremos caso não o evitemos a tempo.

Com o aumento do nível do mar e o aumentos das chuvas de Inverno – sem esquecer que, quando as árvores estão despidas e os solos saturados, há poucos lugares para onde ir a água da chuva - bastará haver uma coincidência entre um forte caudal de água e uma maré alta para termos reunidas todas as condições para um enorme desastre. Nós estamos a ver agora como as inundações podem inutilizar serviços essenciais e bloquear a acção dos bombeiros e dos encarregados da emergência civil. Mas os acontecimentos deste mês não devem ser colocados ao mesmo nível de algumas das previsões que circulam em jornais de referência. Os nossos esforços políticos devem ser antes de mais para impedir o desaparecimento das grandes massas de gelo do Árctico e da Greenland. A única interrogação sobre as mudanças climáticas que agora vale a pena é saber como podemos fazer isso.

Dúzias de livros novos parecem dar uma resposta: nós podemos salvar o mundo adoptando «melhores, e mais ecológicos, estilos de vida». Na última semana, por exemplo, o jornal The Guardian publicou um extracto do livro A Slice of Organic Life escrito por Sheherazade Goldsmith – casada com o abastado e riquíssimo ecologista Zac – e no qual ela nos ensina “a viver dentro dos limites da natureza”. Fácil, não é? Basta fazermos o nosso próprio pão, manteiga, queijo, geleia, e pickles, ter uma vaca para ordenha, alguns porcos, cabras, gansos, patos, galinhas, beehives, jardins e pomares. Tudo tão fácil que dá vontade para perguntar o que é que você está ainda à espera?

O livro contém abundantes conselhos úteis, e a autora parece ser sincera, modesta e estar bem informada. Mas sobre as acções para operar a mudança política, não há uma única palavra. Dá a impressão que o palenta pode ser salvo a partir da sua própria cozinha - se você tiver, claro está, os recursos e todo o tempo do mundo. Quando eu estava a ler o livro no comboio, um outro passageiro perguntou-me se poderia dar uma olhadela ao livro. Ele deu-lhe uma vista de olhos e resumiu depois o problema em poucas palavras: «Isto é para as pessoas que não trabalham.»

A obsessão dos media para com a beleza, a prosperidade e a fama impede qualquer alternativa que belisque naqueles valores, considerados intocáveis, tal como acontece com a política ambientalista. Há um conflito inerente entre um estilo de jornalismo que faz os leitores sentirem-se bem consigo próprios e que consegue vender cozinhas rústicas e promover o aumento da procura ambientalista segundo a qual nós devemos consumir menos. «Nenhuma dessas mudanças representa um sacrifício», diz-nos Goldsmith, a autora do livro. «Ser mais consciencioso não é desistir das coisas.» Mas se é assim, podemos então possuir mais do que uma casa quando outros não têm nenhuma. Por mais incómodo que isto seja para os media e os seus publicitários, desistir das coisas é uma componente essencial da atitude comportamental verde. Na secção de comércio ético no livro de Goldsmith recomenda-se comprar produtos locais, orgânicos, reciclados, sustentáveis e da estação do ano. Mas nada diz sobre a necessidade de se comprar menos.

O consumismo verde está a transformar-se numa peste para o planeta. Se simplesmente trocássemos os bens prejudiciais nós compramos por bens menos prejudiciais, eu era o campeão. Dois mercados paralelos estão em franco crescimento - um para produtos anti-éticos e um outro para produtos éticos, e a expansão do segundo faz pouco para travar o crescimento do primeiro. O que me parece é que estou a afogar-me numa onda do eco-lixo (ecojunk). Há seis meses os nossos «coats pegs» passaram a estar revestidos com sacos orgânicos de algodão, que - enchidos com pacotes de sais de banho jojoba e de chá ginseng - são agora as prendas obrigatórias em qualquer encontro ou reunião ambientalista. Tenho diversos carregamentos para canetas de esfera, feitas com papel reciclado, e meia-dúzia de mini-carregadores solares para dispositivos que não possuo.


Na última semana o jornal The Telegraph telégrafo disse aos seus leitores para não abandonar a luta para conservar o planeta. «Há ainda uma esperança, e as classes médias, com os seus compostos e os seus eco-aparelhos, estão a mostrar o caminho a trilhar.» Algumas sugestões úteis foram dadas, tais como «um modelo de carro de competição a hidrogénio», que, por 74.99 libras, pode ter um painel solar, um «electrolyser» e uma célula combustível. Sabe-se lá com que metais raros e processos intensivos de energia foram usados para o produzir. Em nome da consciência ambiental o que estamos a criar é simplesmente novas oportunidades para o aumento dos lucros do capital.

O comércio ético está em vias de se transformar em outro indicador de status social. Conheço pessoas que compraram painéis solares e turbinas de vento antes de isolarem as suas casas, em parte porque adoram aparelhos electrodomésticos, mas também porque, como eu suspeitava, querem mostrar a todos como não só são conscienciosos como ricos e abastados. Afirmamos frequentemente que a compra de tais bens promove uma mentalidade mais aberta acerca dos desafios ambientais, mas também é verdade que esse é o caminho mais curto para a despolitização. Com efeito, o consumismo verde é outra forma de atomização, um substituto da acção colectiva. Nenhuma mudança política pode acontecer por via da simples comercialização de produtos verdes.

As classes médias exibem o seu modo de vida verde e congratulam-se com ele apesar de se deslocarem, comprarem e voarem mais hoje em dia do que em tempo algum. É fácil pintar um retrato da situação em que todo o mundo compre produtos verdes enquanto as emissões de carbono não param de aumentar.


Como muitos ecologistas argumentam, é certo que a maioria de pessoas encontram na vida verde uma aspiração mais atraente que o sujo puritanismo. Mas isso também pode ser alienante. Conheço muitos agricultores e proprietários de terras que se mostram desesperados para começar uma exploração agrícola mas que se sentem excluídos e preteridos por aquilo se chamam a “horsiculture” (cultura do cavalo): as parcelas pequenas de terra agrícola são compradas para serem convertidas em prados do póneis e quintas de entretenimento dos tempos livres. Locais como Surrey e New Forest o preço dos terrenos subiu para cima de 30,000 libras o acre, e bónus da City são oferecidos para comprar modos de vida orgânicos. Quando os proprietários novos se vestem como funcionários do leite, e quando se dizem então excluídos de fazer a manteiga, correm então o risco de virarem para o ambientalismo fantasioso das elites.

Contestar e criticar o novo consumismo verde novo pode valer alguns dissabores como ser acusado de pedante e pateta, o bode expiatório eleito para o mau gosto dos visados. Contra o brilhante novo mundo de expectativas orgânicas, somos forçados a levantar restrições igualitárias monótonas e aborrecidas: racionar o carbono, restringir e aproveitar, regulamentos mais rígidos dos edifícios e faixas de autocarros. Nenhum suplemento colorido cairá sobre isso. Nenhuma estrela de rock poderá viver confortavelmente dentro do racionamento de carbono.

Mas estas medidas, e uma dura e longa batalha política para as aplicar, são infelizmente necessárias para impedir a catástrofe que as recentes inundações são um presságio – de preferência a esta brincadeira de fingir que se é verde. Só quando aquelas medidas forem adoptadas é que o consumismo verde substituirá as despesas consumistas e deixarão de ser mais um suplemento destas. São mais difíceis de se venderem, é certo, mas não porque não podem ser comprados nos catálogos enviados por correio. As difíceis escolhas políticas terão que ser feitas e assumidas, e a elite económica, e respectivos hábitos despesistas, devem ser questionados, em vez de serem elogiados e promovidos. Os multimilionários que aderiram à agenda verde devem urgentemente repensar no que andam a fazer e colarem-se a uma outra causa.


(tradução livre)

www.guardian.co.uk/comment/story/0,,2133110,00.html?gusrc=rss&feed=11

http://www.monbiot.com/

http://en.wikipedia.org/wiki/George_Monbiot

24.7.07

Acampamento pela acção em defesa do clima (14 a 21 de Agosto junto do aeroporto de Heathrow, Londres)

Junto de uma das fontes responsáveis pelas alterações climáticas – o aeroporto londrino de Heathrow - vai-se realizar no próximo mês de Agosto entre os dias 14 e 21 um acampamento pela acção em defesa do clima. Serão 8 dias cheios de debates e reuniões sobre o assunto, num ambiente convivial, cujo impacto no meio ambiente se pretende que seja mínimo, para além de algumas acções directas a serem organizadas no local.

Temos de agir para evitar mudanças catastróficas no clima. Por isso devemos agir contra os piores poluidores e ensaiar, desde já, a criação de futuros sustentáveis.


Vídeo sobre o acampamento do ano passado




Links:
http://www.climatecamp.org.uk/
http://www.climatechangenews.org/
http://earthfirst.org.uk/actionreports/climatechaos
http://www.realclimate.org/
http://climatejustice.blogspot.com/
http://www.climate.org/CI/europe.shtml
http://www.stopclimatechaos.org/
http://www.campaigncc.org/
http://coinet.org.uk/


http://www.airportwatch.org.uk/


Outro fim do mundo é possível!




















Encontro de leitores vadios no dia 4 de Agosto para conversar sobre o livro História das Utopias de Lewis Mumford

Os leitores Vadios estão de volta no próximo dia 4 de Agosto, Sábado, às 21h30 no bar-livraria Gato Vadio, na Rua do Rosário 281, Porto

Desta vez o tema é o livro recentemente editado de Lewis Mumford, História das Utopias, e contamos com a presença, para animar a conversa, de António Alves da Silva e do arquitecto- urbanista João Soares

Apareçam. Tragam ideias. Principalmente se o topos da vossa utopia não estiver em cabeças alheias

As Utopias

Com o anunciado fim d aHistória vem de brinde a premissa que chegámos ao fim das utopias. O embrulho esconde muitas vezes o que se pretende dizer e fazer crer: que vivemos o estado definitivo da sociedade. Fechamos a porta, enfiamos as pantufas e vamos todos dormir em paz que o nosso mal é o sono.
De olhos bem abertos, o livro História das Utopias de Lewis Mumford é uma reflexão sobre as utopias históricas e sobre o seu papel enquanto objecto literário e projecto social, não descurando o autor uma análise ao perigo dos seus desvios político-sociais. O percurso de vida e o olhar lúcido do escritor norte-americano foram um contributo positivo e humanista para várias áreas como o urbanismo, a filosofia, a antropologia, a arquitectura e a ciência política, e ,talvez por isso, Mumford no primeiro livro que publicou ( em 1922) não se limite a descrever as utopias como ideias puras – da República de Platão à Utopia de More, da Cidade Sol de Campanella ao Falanstério de Fourier –mas problematize a utopia como projecto de intervenção, nomeadamente na criação das cidades e no planeamento urbanístico.
E serve a obra e o exemplo de Munford para nos interrogarmos se hoje não estaremos docilmente a fazer parte dessa mal-dita última utopia: não só transformar cada ser humano numa máquina de produzir e consumir mas, mais perverso e subtil, transformar cada homem num anti-utópico?
Órfãos ou não das grandes e pequenas utopias – para o bem e para o mal – é difícil prever a criação de um mundo mais humano se cada indivíduo perder a capacidade de imaginar a utopia.


O novo livro de Lewis Mumford "História das Utopias" já está à venda numa edição da "Antígona". A História das Utopias, escrita e editada em 1922 é uma obra singular, na qual Lewis Mumford faz a análise das utopias históricas, partindo da distinção entre utopias de escape e utopias de reconstrução, nestas incluindo a maioria das utopias literárias clássicas - de Platão a Edward Bellamy, passando por Thomas More, Bacon, Campanella e outros. Inspirado nos valores humanistas, Mumford adverte-nos das derivas autoritárias susceptíveis de desfigurarem na prática os ideais mais sublimes. No modo de vida utopiano, cada homem goza da possibilidade de ser um homem porque ninguém tem a possibilidade de ser um monstro. O principal objectivo do homem é crescer até atingir o limite da estatura da sua espécie.


Lewis Mumford é mundialmente conhecido como um dos maiores urbanistas do século XX, tendo sido membro dos principais institutos de arquitectura e de planificação urbana nos países de língua inglesa. Entre as suas obras mais importantes, destacam-se The Culture of Cities (1938), The Condition of Man (1944), Art and Technics (1952) e The City in History (1961). A História das Utopias (The Story of Utopias, 1922) foi um dos primeiros trabalhos de Mumford, e nele repassa o espírito de audácia juvenil com que foi escrito.


http://en.wikipedia.org/wiki/Lewis_Mumford

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lewis_Mumford

http://library.monmouth.edu/spcol/mumford/mumford.html

http://www.albany.edu/mumford/

http://www.nd.edu/~ehalton/mumfordbio.html



FERVE promove esta semana uma oficina de Teatro do Oprimido


O FERVE - Fartos/as d'Estes Recibos Verdes promove, durante esta semana, uma oficina de Teatro do Oprimido à volta de histórias de precariedade e recibos verdes.


O Teatro do Oprimido (
http://www.theatreoftheoppressed.org/ ) é uma metodologia que usa a linguagem teatral para ensaiar a mudança social, permitindo-nos compreender melhor o mundo e as relações de opressão que nele existem.


A partir de situações concreta iremos fazer uma série de exercícios que nos permitirão partilhar estas situações e explorar os mecanismos que as perpetuam.

Durante as sessões, iremos trabalhar na construção de uma apresentação de teatro-fórum. Na sexta iremos para a rua apresentá-la e desafiar as pessoas a pronunciarem-se sobre o assunto.


No teatro-fórum, apresentamos ao público um problema para o qual não temos solução e pedimos que nos ajudem a encontrar as saídas possíveis. Mostrando – actuando – estratégias diferentes, os/as espectactores/as participam de forma directa na criação de um final ou de vários finais possíveis.

INFORMAÇÕES:

- Ensaios: 23 (2ª), 24 (3ª) e 25(4ª) de Julho, das 21h30 às - 24h00, no Espaço 555, situado na Rua do Almada, número 555, no Porto.


- Apresentação: 27 de Julho, Sábado, na Praça dos 'Leões', no Porto.


- A oficina, orientada por José Soeiro, é gratuita e aberta a todos/as, não sendo necessário que os/as participantes/as tenham qualquer preparação específica na área do teatro.


- Para participar, basta mandar um e-mail para grupoferve@gmail.com, para teatroforum.porto@gmail.com ou então, aparecer no 555, às 21h30.

A teoria de arte de Herbert Marcuse


Adorno parte do marxismo para teorizar sobre a arte, mas introduz não poucas contribuições que fazem da sua teoria sobre a arte uma nova perspectiva neste domínio. Para ele a arte moderna encontra-se numa situação «aporética», isto é, num beco sem saída. Na verdade, toda a obra de arte que procure inovar é revolucionária, mas justamente por isso é que a sociedade técnica – ou se se quiser, a sociedade de consumo – se empenha tanto em recuperá-la.


Marcuse encara, tal como fez Adorno, a questão da insuficiência da estética marxista, se bem que Marx e Engels, como todos sabem, nunca tiveram a intenção de construir uma teoria de arte. Isso não impede de Marcuse escrever: « O enunciado de Marx no fim da Introdução à Crítica da Economia Política não é convincente: não é possível explicar a atracão que ainda hoje exerce sobre nós a arte grega só pelo prazer de aí observarmos um quadro social da “infância da Humanidade”» (Marcuse, in «La dimension esthétique. Pour une critique de l’esthétique marxiste»)

Marcuse não dúvidas sobre este ponto: «inexoravelmente ligados, o castigo e a alegria, o desespero e a festa, Eros e tanathos não se dissolvem nos problemas da luta de classes» . Com a sua abordagem não pretende propor uma nova estética, mas tão-só questionar certas concepções erróneas, segundo ele, de um pretensa estética marxista. É que demasiados estudiosos marxistas da estética contentaram-se em interrogar os quadros ou os romances como se todos fossem documentos que exprimiam uma ideologia pela qual se reconhece uma visão do mundo. Foi o que fez Luckcs que ao ler Balzac, Zola ou Goethe procurava interrogar através das obras um universo ideológico, analisando a relação do escritor com a classe operária e ao capitalismo.

Ora segundo Marcuse a arte possui mais autonomia que as análises daquele tipo pressupõem. A arte não é uma superestrutura como as outras: ela possui uma autonomia em relação à sociedade, opondo-se a ela, ao mesmo tempo que transcende. Para ele a arte pode ser revolucionária não só pelo seu conteúdo ideológico revolucionário progressista, mas também pela sua própria forma, pela sua dimensão estética.

«O potencial político da arte reside na sua dimensão estética. A sua relação coma praxis é inevitavelmente uma relação indirecta, mediatizada e ilusória. Mais uma obra é imeditamente política mais ela perde o seu poder de descentramento e a radicalidade, a transcendência dos seus objectivos de mudança. Nesse sentido, pode acontecer que haja mais potencial subversivo na poesia de Baudelaire e de Rimbaud que nas peças didácticas de Brecht»

Marcuse quer reabilitar a subjectividade que não pode reduzir-se exclusivamente em termos de luta de classes, e critica no mesmo passo a estéril e redutora análise ideológica da estética. Escreve ele: «A função crítica da arte, a sua contribuição para a luta da libertação reside na forma estética. Uma obra de arte não é autêntica ou verdadeira nem devido ao seu conteúdo ( isto é, por ser uma representação «correcta» das condições sociais) nem por causa da sua «pura» forma, mas porque o conteúdo se tornou forma». Com isto o seu autor remete explicitamente para Nietzsche para quem «é-se artista sob condição de sentir isso como um conteúdo, como “a própria coisa”, aquilo que os não-artistas chamam a forma».

A arte é autónoma e se porventura se procurar abandonar essa autonomia para pretender ser, por exemplo, «a expressão da vida», acaba-se por abandonar com issso a forma estética pela qual se exprime a autonomia: sucumbe-se assim à realidade que se busca compreender e a denunciar. Com isto se critica a anti-arte. Se há diferença entre «arte» e «vida» ela não será abolida de modo algum pelo facto de se deixar as coisas, tais como são, chegar ao quadro ( pop arte, as propostas de Andy Warhol, etc) ou na sala de concertos ( ruídos, movimentos, conversas, etc). Expor uma lata de sopa em conserva, com faz Warhol, não é comunicar nada sobre a vida do trabalhador que a produziu, nem sobre o consumidor. Uma tal desublmação da arte acaba simplesmente por tornar supérfluo o artista, sem democratizar nem generalizar a criatividade.

Contra a anti-arte e ainda contra a estética marxista, que rejeita categoricamente a ideia do Belo ( este representaria um conceito-chave da estética burguesa), Marcuse não hesita em valorizar o Belo enquanto princípio do prazer, opondo-o ao princípio da realidade contemporânea, que é o da dominação.

Recorde-se que Marcuse retoma a distinção freudiana entre princípio da realidade e princípio do prazer, mas historicizando ambos os conceitos: o primeiro não é mais uma condição da civilização, mas antes um dado histórico destinado a ser ultrapassado, e o segundo vigorará numa futura sociedade, para a qual nos conduzirão as forças produtivas: « uma ordem não-repressiva é possível somente ao nível da maturidade máxima da civilização, quando todas as necessidades fundamentais estiverem satisfeitas com um gasto míimo de energia física e psíqquica…» ( in Eros e Civilização)

Nesta perspectiva a obra de arte desempenha um papel da maior importância: « A obra de arte realizada perpetua a recordação do momento da alegria. E a obra de arte é bela na medida em que opõe a sua própria ordem à da realidade – a sua ordem não-repressiva na qual a maldição fala em nome de Eros» ( in A dimensão estética)

«A substância sensual do Belo mantém-se através da sublimação estética.» O elogio da subjectividade, bem assim a afirmação da autonomia da arte, defendidos por Marcuse contrariam as posições marxistas ortodoxas para as quais as obras de arte mais não são que o reflexo dos condicionalismos económicos, políticos e sociais do seu autor ou da época em que forma produzidas.

http://www.marcuse.org/herbert/

20.7.07

Indústrias culturais, massificação e cultura de massas

Inicialmente falou-se de «indústria cultural», termo usado pela primeira vez em 1941 por Adorno e Horkheimer, para substituir um outro, porventura menos preciso e que fora usado até então: o de «cultura de massas».
Actualmente dá-se, no entanto, preferência à expressão «indústrias culturais» do que ao seu singular, uma vez que são muitas, e as mais variadas, as «indústrias culturais».

Com a expressão indústrias culturais pretende-se designar a produção, transformação, reprodução, armazenamento, transmissão e venda em grande escala ( com critérios comerciais e industriais) de bens e serviços culturais, transformados em bens de consumo social massivo por intermédio dos mass media.

(Mass media não se costuma traduzir, sendo uma expressão que pretende designar os meios de comunicação de massas, ou melhor ainda, os meios massivos de comunicação, já que o objectivo não é o da comunicação das massas, mas antes permitir que estas sejam conduzidas de maneira massiva. Assim podem ser abrangidos com este termos todos os meios de difusão de mensagens, como seja a rádio, a tv, os livros, os jornais e revistas, os discos, o cinema, os anúncios publicitários, etc., que são veículos que permitem alcançar um grande número de receptores, constituindo-se assim numa forma de comunicação impessoal, a qual é produzida segundo um esquema de tipo industrial e dirigida a uma massa indiferenciada de potenciais consumidores)


A expressão «indústrias culturais» contém em si um sentido crítico pois pretende denunciar o meio actualmente mais poderoso de penetração ( impregnação) e colonização cultural nas sociedades capitalistas contemporâneas, muito embora tenha vindo a ser utilizado nas últimas décadas para um registo eminentemente tecnocrático. Não obstante, a expressão «indústrias culturais» mantém aquele sentido crítico na medida em que é geralmente aceite que as indústrias culturais favorecem e promovem a cultura da evasão, do entretenimento, da passividade e do amorfismo.

Em contraponto às indústrias culturais existe todo um conjunto de metodologias e acções que visam lutar contra a homogeneização e a passividade produzidas e induzidas pelas indústrias culturais, assim como conformismo social a o poder trivializador dos meios e recursos mobilizados pelas indústrias culturais.
Exemplos daquelas acções e metodologias poderão ser a animação sócio-cultural, ou a investigação-acção nas ciências sociais.



Cultura de massas é o resultado e consequência dos mass media, isto, do consumo massivo dos produtos das indústrias culturais.
Cultura de massas serve também para designar a estandardização dos gostos e interesses, bem como ao peculiar tipo de comportamento social, maneira de viver e pensar que é produzido e veiculado pelos mass media, muito em especial, pela televisão, cinema, publicidade, indústria discográfica, etc.
A cultura de massas é, pois, o resultado directo da acção dos meios de difusão massiva de mensagens e símbolos, e deve associar-se a todo o processo de manipulação e pilotagem que se serve desses meios massivos para influenciar os sistemas perceptivos, as expectativas, gostos, tendências, ideias e valores da população em geral, acarretando os inevitáveis efeitos generalizados de homogeneização, uniformização e dominação.



Dominação cultural baseia-se no poder exercido de uma cultura sobre outra(s). Nas nossas sociedades hierarquizadas o domínio económico confunde-se com o domínio ou a dominação cultural, consistindo esta na invasão e penetração directa ou inconsciente dos padrões culturais dominantes em todas as esferas da vida de uma sociedade, principalmente nos códigos simbólicos estruturantes do comportamento dos indivíduos e dos grupos, com efeitos práticos de distorção e domesticação, mas que abrange toda a totalidade da sociedade.
A hegemonia social não se processa só em termos de governação estatal, nem apenas por via económica, mas antes inculcando todo um sistema cultural concretizado num específico modo de vida e de acção.



Massificação cultural não é o mesmo que democratização cultural nem ambas se confundem com a democracia cultural

Massificação cultural é a produção e o consumo em série de bens e serviços de carácter cultural para o consumo em massa de um grande número de indivíduos, pelo que as suas qualidades uniformizadoras e domínio resultam não só na sua tentativa de homogeneizar passivamente os potenciais receptores-consumidores como ainda da sua característica para mobilizar principalmente, senão mesmo exclusivamente, os lugares comuns e as tendências humanas primárias.

Exemplo: a massificação escolar leva somente à mobilização de competências primárias dos alunos-clientes


Democratização cultural consiste no processo mediante o qual se pretende difundir e alargar os bens culturais ao conjunto da população

Exemplo: a abertura de um museu ou de uma galeria

Democracia cultural consiste num processo cujo fim é assegurar que todos os indivíduos de uma dada comunidade ou sociedade disponham dos espaços, instrumentos e meios necessários para que, com liberdade e autonomia, possam desenvolver criativamente a sua vida cultural. A noção de democracia cultural vai, por conseguinte, mais além do que o simples objectivo de promover o acesso à cultura, porquanto o objectivo último é a acção activa e participada dos indivíduos e grupos na criação e transmissão cultural.

Exemplo: a criação de associações e cooperativas culturais, espaços de criação e produção cultural, oficinas e ateliers, etc.

18.7.07

Entrevista com Vítor Silva Tavares ( da editora & etc)


Ler a entrevista com Vítor Silva Tavares da editora & etc, parte da qual foi publicada no jornal Público, e que se encontra disponível na versão integral na edição online do Jornal ,e conduzida pela jornalista Alexandra Lucas Coelho

17.7.07

A nossa selecção de festivais, festas e encontros de Verão


Uma selecção, necessariamente incompleta, dos festivais, festas e encontros de Verão.


Cá dentro



Escrita na paisagem 07 – Festival de perfomance e artes da terra no Alentejo (mês de Julho)

Património com Jazz ( Barcelos, concertos a 4,13, 20 e 28 de Julho)

Hertha, encontro de sons e danças do mundo no espaço Contagiarte (Porto) entre 17 e 21 de Julho

Tom de festa no ACERT em Tondela entre 18 e 21 de Julho

Citemor em Montemor-o-Velho entre 19 de Julho a 11 de Agosto

FMM, festival daas músicas do mundo de Sines ( 20 a 28 de Julho)

Avança 07 – encontros internacionais de cinema, televisão, vídeo e multimédia ( workshops de 25 a 29 de Julho)

Festival do Trebilhadouro ( 27, 28 e 29 de Julho)

Andanças ( em São Pedro do Sul) de 30 de Julho a 5 de Agosto)

Intercéltico ( em Sendim, Miranda do Dourto) 3 a 5 de Agosto

Ecotopia – em Aljezur (4 a 19 de Agosto)



Lá Fora

Festival de teatro clássico de Mérida ( 12 de Julho a 26 de Agosto)


Quand je pense à Fernando
Festival da canção francesa ( chanson) na pequena cidade francesa de Sete e u
23 a 27 de Julho
http://www.sete.fr/Quand-je-pense-a-Fernande.html?


Noites Atípicas ( Les nuits atypiques)
Local: Parc dês Vegers, les Arcades – em Langon ( perto de Bordéus, França)
26 de Julho a 29 de Julho
Músicas do mundo e um local de liberdade de expressões.
http://www.nuitsatypiques.org/


Estivada (festival da cultura occitana)
Local: Rodez (pays d’Oc), França
http://www.estivada-rodez.com/
Festivais occitanos:
http://www.estivada-rodez.com/actu.php?type=festivals




Festival internacional do Mimo de Périgueux
30 de Julho a 5 de Agosto
http://www.mimos.fr/pagesEditos.asp?IDPAGE=1



Esperanzah! Festival ( Bélgica)
Local de realização: numa antiga abadia em Floreffe – Namur
Músicas de crítica social
3 a 5 de Agosto
http://www.esperanzah.be/


Festival de cinema de Locarno ( Suíça)
(ponto de encontro habitual do cinema independente e de crítica social)
1 a 11 de Agosto)
http://pardo.ch/


Sziget Festival, em Budapeste, Hungria
8 a 15 de Agosto
(enorme festival realizado num ilha do Danúbio que convoca mais de 400.000 pessoas de toda a Europa)
http://www.szigetfestival.com/index.php?p=1


Festival do fim do mundo (festival du bout du monde) em Crozon, Bretanha
Músicas do mundo
10 a 12 de Agosto
http://www.festivalduboutdumonde.com/


Os iluminados do verbo ( les allumés du verbe)
Local: domaine départemental Gerard Lagors – em Hostens, Gironde ( França)
Sob a divisa « bem-vindos os loucos, porque deixam passar a luz» trata-se de um encontro para explorar as margens da imaginação através do contos e dos contadores
http://www.lesallumesduverbe.com/



Festival de Aurillac, França ( o mais conhecido festival de teatro de rua)
22 a 25 de Agosto
http://www.aurillac.net/



Para mais informação:
http://www.evene.fr/info/festival-ete/


Por um ateísmo económico



Como sobreviver ao desenvolvimento?




Do que nós precisamos mesmo é de um movimento pelo ateísmo económico, de uma verdadeira vaga de fundo de não-crentes. No fundo é o que se propõe fazer o chamado movimento pelo decrescimento. Na verdade, o projecto de criação tanto no Norte como no Sul de sociedades conviviais autónomas e ecónomas implica, rigorosamente falando, mais de um «a-crescimento» - tal como acontece quando se fala de a-teísmo – do que do de-crescimento. Pois do que realmente se trata é do abandono de uma fé e de uma religião: a da economia.

O projecto de operar a descolonização do imaginário permitirá compreender e realizar aquele objectivo segundo duas drecções principais e complementares: a desconstrução do universalismo económico e a desmistificação do desenvolvimento e do crescimento.

O «reencantamento» relativo do mundo engendrado pela ciência por via do progresso e do desenvolvimento está ultrapassado. A fé no progresso e na economia não é mais um questão de escolha da nossa consciência mais uma autêntica droga em que nos viciamos e que não é fácil de nos libertar. O «progressismo» e o economismo incorporaram-se nos nossos hábitos consumistas quotidianos, respirámo-los com o ar poluído do tempo presente, da mesma maneira que bebemos água contaminada pelos pesticidas. Só a experiência «prática» da sua falência poderá abrir os olhos dos seus adeptos fanatizados, mas tal não muito provável, se bem que nunca se deve perder a esperança.

A construção de uma sociedade laica do decrescimento não se fará sem um certo reencantamento do mundo. Para alguns isso significará explorar de uma forma ou outra a espiritualidade. Mas a verdade é que os poetas, os pintores e os estetas de todo o género, ou seja, todos os especialistas do inútil, do gratuito, do sonho, que têm sido as partes mais sacrificadas de nós mesmo, devem envolver-se naquela acção, sem necessidade pois de recorrermos aos teólogos ou aos ayatollahs.
S. Latouche (Excerto do texto de S. Latouche, " Le Veau d’or et vainqueur de Dieu. Essai sur la religion de l’économie ", publicado na revista La Revue du MAUSS, n°27, 2006, p. 307-321. )




Encontro dos objectores do crescimento

Está convocado um encontro dos Objectores do Crescimento em Royère de Vassivière, na La Creuse, França, para os dias de 26 até 29 de Agosto de 2007 .

A recepção será em Villard pelos membros da associação « les plateaux limousins a 4 Kms de Royère, a 5 Kms do lago de Vassivière, e a 10 Kms de Faux la Montagne, ou a 10 minutos d’Ambiance-Bois

Inscrições com Jean-Marie Robert
e-mail : Bleiz56@no-log.org
Ou telefone 02 97 66 54 93
Responsable du programme : Christian Sunt : 06 71 97 43 65




Citemor em Montemor-O-Velho entre 19 de Julho a 11 de Agosto

http://www.citemor.blogspot.com/


O Citemor é um festival de múltiplas artes e desenvolve-se em Motemor-O-Velho ( que, diga-se de passagem, tem um castelo com um vista de cortar a respiração), explorando diversas tendências contemporâneas. Este ano traz Angélica Liddell, uma das mais intensas vozes do teatro que hoje se faz na Europa.

PROGRAMA

19, 20 e 21 de Julho 22:30 [praça da república]
OS VIVOS
Teatro O Bando

co-produção, residência de criação, estreia
"Os Vivos" surge na sequência do espectáculo "Luto Clandestino", de Jacinto Lucas Pires, que estreou nas ruas de Palmela em 2006, num cenário urbano e habitado. Uma co-produção com a FIAR, associação cultural e o patrocínio da Câmara Municipal de Palmela.
Em "Os Vivos", parte-se da ideia que o "Luto Clandestino" será o primeiro acto de um texto maior, onde se vão juntar mais personagens. As ideias são as da culpa e do desejo, da imaginação e da memória, de estar vivo e de não estar. Há um luto mal resolvido, há a vontade de o resolver. Há uma mulher de meia-idade, que é mãe, há um jovem, que é namorado, e agora haverá também um marido, uma empregada e uma morta.
Esta criação, a estrear no Festival CITEMOR, desponta de um trabalho de continuidade com o autor, mas possuindo agora uma nova dimensão, mais alargada.
Chama-se "Os Vivos" esta comédia sobre a morte. Quando a escrevi, a partir de uma peça-em-um-acto que tinha feito para o bando no ano passado, surpreendi-me com a aparência convencional da sua estrutura e com a dispersão de pontos de vista no seu contar. Talvez seja o resultado lógico de levar a morte para dentro de casa, pensei na altura. E, no entanto, ao ouvir depois as primeiras leituras dos actores, já não era isso que me chamava a atenção. Quase o contrário: os cortes, as dissonâncias, os desvios; o impossível feito real, como nos sonhos (e no teatro). E também a voz de conjunto que parecia ficar a ressoar no fim de tudo. "Os Vivos": uma peça sobre não morrer com a morte.
Jacinto Lucas Pires
Após a estreia em Montemor-o-Velho, o espectáculo estará em cena no Teatro O Bando (Palmela) de 13 de Setembro a 21 de Outubro.
> Site de O Bando
http://www.obando.pt/

Texto: Jacinto Lucas Pires
Encenação: João Brites
Espaço Cénico: João Brites e Rui Francisco



28 de Julho 22:30 [sala b]
ÚLTIMA CHAMADA
seguido de
COLECÇÃO PRIVADA
Rafael Alvarez, co-produção, estreia

"Última Chamada" constitui-se como uma colecção de objectos pessoais, inscritos no espaço através de uma acumulação de percursos, em que se cruzam relações amorosas e viagens.
O que será que nos fez partir sem prever o necessário?
Estar longe, fazer novos conhecimentos, sentir saudades, fazer contas à vida, coleccionar objectos, perder o sentido de orientação, registar locais de passagem, marcar encontros, perder a noção do tempo, articular novas palavras, transportar bens pessoais em segurança, ponderar pequenos excessos, descobrir as diferenças, projectar à distância, invadir o espaço, olhar por entre as coisas, habitar com data marcada, perder de vista, voltar a casa, estar sozinho no meio do trânsito, agarrar no mapa e partir, trancar a porta, fechar os olhos, andar em círculos, contar até um, lançar o isco, calcular os riscos, não esperar nada, domesticar quem está ao nosso lado, não dizer nada, esperar por amanhã, não abandonar a bagagem, fazer amor às escuras, inflacionar as coisas, não ter resposta para tudo, ter tudo no bolso.
Concepção e interpretação: Rafael Alvarez
Produção Executiva: EIRA/Paula Caruço
Apoio em residência: Galeria Zé dos Bois

Angélica Liddell, uma das mais intensas vozes do teatro que se faz na europa, estará em Montemor-o-Velho nos próximos dias 2 e 4 Agosto no decorrer do Citemor. Um momento raro para estar em teatro.


2 e 4 de Agosto 22:30 [sala b]
LESIONES INCOMPATIBLES CON LA VIDA
seguida de
BROKEN BLOSSOMS
e
YO NO SOY BONITA
Angélica Liddell
estreia nacional

LESIONES INCOMPATIBLES CON LA VIDA
L.I.C.L.V tem como origem uma decisão: NÃO QUERO TER FILHOS.
L.I.C.L.V responde à pergunta: PORQUE NÃO QUERO TER FILHOS?
Passo da decência da ficção à indecência do real.
O MEU CORPO CONVERTE-SE NUM MANIFESTO CRUEL CONTRA A SOCIEDADE. O MEU CORPO CONVERTE-SE EM PROTESTO.
Durante um ano reflecti sobre a família confrontando uma fotografia familiar da minha infância com a publicidade das cidades, os pedintes, os supermercados, a minha vida quotidiana.
TENTEI QUE CADA IMAGEM FOTOGRAFADA FOSSE UMA BATALHA. E AO MESMO TEMPO UMA DERROTA DA FAMÍLIA, UMA DERROTA DA SOCIEDADE.
L.I.C.L.V é uma RAIVA, uma FÚRIA, UM PASSO MAIS NO MEU PROCESSO DE EXTINÇÃO.
Co-produção: Festival Escena Contemporánea - Madrid e Iaquinandi SL
BROKEN BLOSSOMS
Uma entrevista com uma estudante de jornalismo, que está a confeccionar uma tese sobre dramaturgos espanhóis, desencadeia uma reflexão sobre o conceito "inteligência", e principalmente sobre as consequências da escrita e da arte. O trabalho com um grupo de atrasados mentais procura ser uma via para relativizar as ditas consequências.
Co-produção: Casa de América e Iaquinandi SL
YO NO SOY BONITA
A partir de uma experiência pessoal (um abuso aparentemente insignificante, menor) aborda-se o problema do abuso de crianças, quer dizer, mergulhamos na origem quotidiana, rotineira e tabu, que muitas vezes desemboca em violação e morte. O sexo determina infelizmente mais um medo, como consequência de uma forma de violência que diz respeito quase exclusivamente ao sexo feminino e que em numerosos casos termina em morte. É um medo de nascença, poderíamos dizer que é uma espécie de marca, um privilégio invertido, como se nós, as raparigas, nascêssemos com uma letra escarlate dependurada do ventre, um estigma que nos introduz na roleta russa das alimárias bárbaras.
Co-produção: Museo Nacional de Arte Reina Sofía e Iaquinandi SL



3 de Agosto 22:30 [teatro esther de carvalho]
SPACEBOYS
+ Rodrigo Amado + Flak

Com vontade de explorar mais a fundo e de uma forma mais livre e abstracta o groove e as suas múltiplas facetas, em 1998, os três elementos nucleares dos Cool Hipnoise - Francisco Rebelo, João Gomes e Tiago Santos fundaram os Spaceboys.
Do seu laboratório espacial em Lisboa, concebem a poderosa liga funk com a qual constroem as suas fantásticas diversões voadoras. A sua missão é transmitir uma mensagem de pura vibração cósmica e celebração intergaláctica que possa facilmente ser compreendida por todas as mentes e musicheads do universo. A partir dos ensinamentos de Sun Ra, Lonnie Liston Smith, Fela, Van McCoy, Ed Wood ou Lee Perry, os Spaceboys recorrem aos ritmos mais irresistíveis do planeta e à universal sabedoria do groove em busca dos limites exteriores da super consciência cósmica - o Funk!
Para esta missão Citemor 29 os Spaceboys convidaram a integrar a sua tripulação Rodrigo Amado e Flak.
http://www.myspace.com/spaceboyslisboa

Francisco Rebelo: baixo
João Gomes: teclados
Tiago Santos: guitarra
Rodrigo Amado: saxofones
Flak: guitarra




9 de Agosto 22:30 [teatro esther de carvalho]
A MORTE DO ARTISTA
co-produção
Há cerca de um ano, um artista decidiu realizar aquele que sabia ser o seu último projecto artístico. Em colaboração com o festival Citemor, organizou uma residência artística com outros artistas de diversas áreas para criar uma obra. Esta residência foi envolta em alguma polémica, tanto pelo estado delicado do artista que dirigiu este projecto como pelo facto de o mesmo ter decidido manter o anonimato, assinando apenas como A. A última obra de A não chegou a ser criada. No entanto, a residência artística aconteceu durante várias semanas. O filme que agora será mostrado pela primeira vez é uma selecção de dezenas de horas de registos em vídeo, feitos pelo próprio A, durante essas semanas.
> blog do projecto
http://www.amortedoartista.blogspot.com/



10 e 11 de Agosto 22:30 [celeiro agrícola]
EL TEMBLOR DE LA CARNE
de Carlos Marquerie
Compañía Lucas Cranach

co-produção, residência de criação, estreia
"El temblor de la carne" é a segunda prestação cénica de "El cuerpo de los amantes", projecto iniciado em finais de 2004 e que até à data inclui a obra "Que me abreve de besos tu boca" (estreia no Citemor em Julho de 2005, em co-produção com a Sala Nasa de Santiago de Compostela), uma série de desenhos e a instalação "El lecho de los amantes".
"El cuerpo de los amantes" é um lugar para a reflexão sobre o amor e a morte, sobre o que neste binómio é indecifrável para a razão e fica nas mãos da poesia. "El temblor de la carne", uma espécie de continuação ou prolongamento de "Que me abreve de besos tu boca", é ao mesmo tempo o seu antónimo: da palavra que surgia do silêncio ao silêncio que nasce quando a palavra morre. Do arroz que convertia o espaço num leito de fertilidade à natureza morta, repleta dos vestígios de uma vida. Como vanitas composto a partir do efémero da existência, onde a palavra brota, outorgando vida à decomposição e acolhendo a busca obsessiva do instante.
"No hay experiencia espiritual sin la complicidad de lo corpóreo" ("Teresa de Ávila ou A aventura corpórea do espírito", em La piedra y el centro, de José Ángel Valente). Objecto de reflexão e verbo da obra, continua a meditação em voz alta sobre o corpo, o oculto por detrás da pele, o dilema entre a sua dimensão espiritual e a dimensão puramente física, e tudo aquilo que dificilmente podemos entender dele, e que se prolonga, progressiva e inevitavelmente, até à morte, sendo ao mesmo tempo albergue do prazer. "El temblor de la carne" com o passar do tempo, a Natureza e a transformação que a paisagem sofre no renascer da Primavera, o seu paralelismo com o Homem e o amor como motor de esperança.
Intérpretes: Andrés Hernández, Lola Jiménez e Getsemaní de San Marcos
Texto, espaço cénico, iluminação e direcção: Carlos Marquerie
Fotografia de cena, vídeo e documentação: Javier Marquerie Thomas e Federico Strate
Apoio: Consejería de Cultura y Deportes de la Comunidad de Madrid
Co-produção: Compañía Lucas Cranach / Citemor




22, 25 e 29 de Julho; 1, 5 e 8 de Agosto 22:30 [castelo]
COMUNIDADES
Ciclo de Cinema ao Ar Livre
Livre acesso
O Citemor propõe, em 2007, um conjunto de filmes em que se optou por localizar as histórias no seio de comunidades mais pequenas. Estas situam-se nos subúrbios de grandes cidades americanas, em localidades menos amplas, numa ilha perdida no sul da Sicília ou numa América imaginada num estúdio europeu. As personagens dividem-se entre o sentido de pertença e o desejo de evasão, a submissão às normas estabelecidas e a subversão. Podemos rever-nos nas relações que estabelecem e nos acontecimentos que protagonizam, assim como ser surpreendidos e escaparem à nossa compreensão.
Desfrutando de obras marcantes cinematográficas das últimas décadas, a população de Montemor-o-Velho e a comunidade de público do Citemor podem dialogar com outras vidas que não se encerram na lógica das grandes metrópoles.
Francisco Camacho
22 de Julho: A Última Sessão, P. Bogdanovich (1971)
25 de Julho: Amarcord, Federico Fellini (1973)
29 de Julho: Beleza Americana, Sam Mendes (1999)
1 de Agosto: Respiro, Emanuele Crialese (2002)
5 de Agosto: Dogville, Lars von Trier (2003)
8 de Agosto: Um Filme Indecente, John Waters (2004)

16.7.07

O frango global: um livro sobre a produção industrial de aves


«Pode acontecer que, enquanto se come peito de frango em Colónia, alguém está comendo a cabeça do mesmo frango em Hong Kong e a coxa em Acra (Gana).»


Entrevista com Francisco Mari , um dos autores do livro «O frango global» (Das Globale Huhn, ed. Brandes & Apsel, 2007), que fomos buscar à Deutsche Welle


Com baixo teor de gordura e livre de tabus religiosos, a produção industrial de aves é o sector de carnes que mais cresce mundialmente. Carne magra do peito para europeus e norte-americanos, pés e cabeça para asiáticos, coxas para latino-americanos, entranhas para africanos.


O que é o "frango global"?

Mari: O "frango global" é o pioneiro da globalização na agropecuária. É líder no comércio de carnes. Em nenhum lugar a concentração internacional e a interdependência das empresas de agronegócios são tão grandes como na produção de aves. Em nenhum outro ramo da agropecuária a produção é tão globalmente homogénea como aqui.

Os frangos consumidos no Rio, Xangai ou Berlim provêm, em sua maioria, das mesmas matrizes originárias das poucas granjas de criação espalhadas pelo mundo. Mundialmente, existem somente algumas poucas raças que estão à disposição da produção industrial.

As partes dos frangos, produzidos e abatidos mundialmente com as mesmas estruturas industriais, são vendidas para Ásia, América do Sul e Europa, conforme o gosto do consumidor. Pode acontecer que, enquanto se come peito de frango em Colónia, alguém está comendo a cabeça do mesmo frango em Hong Kong e a coxa em Acra (Gana).

Qual é a peculiaridade do frango como exemplo de globalização?

Não existe até agora nenhum outro produto agropecuário, cujas etapas (criação, produção, processamento e comercialização) sigam, mundialmente, as mesmas regras. O "frango global" mostra a unilateralidade da agropecuária do futuro, pois as especificações de raças, tamanho de gaiolas em bateria, tempo de criação, aplicação de medicamentos, abate e preços são os mesmos em todo o mundo.

O sucesso do "frango global" explica-se também porque satisfaz os mais diferentes hábitos alimentares: carne magra de frango para as européias adeptas da dieta, pés de frangos tostados em Xangai ou uma boa coxa em um churrasco no Rio de Janeiro.

Dos cinco pintos no quintal de uma camponesa de Mali aos cinco milhões de uma fábrica de produção em massa na China, todos fazem parte do comércio globalizado de carne de frango e todos são afectados por epidemias. O surgimento mundial da gripe aviária afecta a todos.

Existe uma correlação entre epidemias, como a gripe aviária, e a globalização?

Sim, claramente. O comércio mundial de ovos para chocagem e de matrizes vivas para criação representam 5% de todas as taxas de frete aéreo. Este comércio global de produtos aviários é ideal para a propagação de epidemias. Milhões de toneladas de fezes de frango são jogadas no mar para produção de peixes. Aves migratórias comem estes peixes. Com grande probabilidade, esta é a origem da disseminação da gripe aviária na Ásia.

As fábricas de frangos com os seus milhões de aves são responsáveis por mutações perigosas como o vírus H5N1. As aves dos quintais de pessoas pobres não sofrem mutação tão facilmente. É o "frango global" que primeiro espalhou estes vírus perigosos por todo o mundo, tornando-os cada vez mais perigosos.

Quem são os perdedores e ganhadores do "frango global"?

Os que ganham são, com certeza, as grandes firmas de abate e as grandes empresas agropecuárias, e, naturalmente, a indústria de criação, de onde saem todos os pintos, e as fábricas de ração.

Os perdedores são os frangos locais. Principalmente os pobres camponeses dos países do Hemisfério Sul que vendiam seus animais normalmente vivos. São sobretudo milhões de mulheres asiáticas e africanas, que começaram a sua produção com algumas centenas de pintos.

Produzido em grandes gaiolas em bateria, o frango industrial é vendido em partes e, devido à aplicação tecnológica, é muito mais barato que os produzidos pelos pequenos camponeses. Cada vez mais a indústria obriga os camponeses a assumir este tipo de técnica, onde o excedente é comercializado entre os pobres.

Perdedor também é o consumidor que é obrigado a consumir um produto sem gosto, mas fácil de preparar e condimentado, geralmente, quimicamente. Perdedor também é o meio ambiente: no Brasil, florestas são devastadas para a plantação de soja, na Ásia, fezes de frango poluem esgotos e mares.

O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de frango. Como é a relação entre a grande indústria e os pequenos avicultores?

Em apenas cinco anos, o Brasil duplicou sua produção avícola. A indústria levou milhares de camponeses a fazerem empréstimos e investirem na produção de aves. Para isto, indústrias fecharam contratos com os camponeses, obrigando-os a comprar pintos, ração e medicamentos da sua fabricação e a entregar-lhes os frangos a preços por ela estipulados. Assim funciona a produção agrícola em quase todo o mundo.

Os riscos de criação ficam por conta dos pequenos avicultores. Empresas de abate como a Sadia ou a Frangosul, no Sul do Brasil, cuidam do que vai acontecer depois. No Brasil, no entanto, tais empresas de abate fazem contratos injustos com preços fixos para os avicultores. Devido aos empréstimos adquiridos, nada mais resta a estes do que aceitar o preço imposto. Para baixar o preço, as empresas exigem um número cada vez maior de gaiolas, o que provoca cada vez mais dívidas.

Famílias inteiras trabalham na criação de frangos, não tendo mais tempo para a lavoura. Se, por medo da gripe aviária, por exemplo, os seus frangos não mais forem vendidos, os camponeses estão arruinados. Tudo isso é consequência da globalização. Há poucas semanas, presenciei em Santa Catarina uma barricada de pequenos avicultores que queriam chamar a atenção para sua situação desesperadora, exigindo contratos mais firmes com a indústria e créditos mais baratos do Estado.

Como os países mais pobres e os pequenos camponeses podem ser ajudados e por que escreveu O Frango Global?

Eu trabalho para o Serviço das Igrejas Evangélicas [de confissão luterana] na Alemanha para o Desenvolvimento (EED). Ajudamos muitas camponesas, na África, a construírem cooperativas de produção de frangos que não sobreviveram à concorrência das exportações de frango congelado da Europa, Brasil ou Estados Unidos.

Damos dinheiro e crédito para a execução de pequenos projetos e, ao mesmo tempo, os dizimamos através da exportação de nossos excedentes aos africanos. Tais países não podem proteger-se, porque as regras da Organização Mundial de Comércio os proíbem de aumentar a alíquota de importação de tais produtos.

Nós exigimos que existam mecanismos de proteção para os países mais pobres contra este comércio injusto com mercadorias subvencionadas ou excedentes da União Européia. É necessário que os governos de tais países apoiem os pequenos camponeses. Como vivenciei há pouco, o governo brasileiro tem um bom programa de apoio a pequenos avicultores. Cantinas públicas só são subvencionadas se comprarem produtos destes avicultores.

Isto também deveria ser permitido aos países africanos, onde 70% da população ainda vive da agropecuária e ela é tudo o que têm para sobreviver. Criar uma consciência de que estas pequenas estruturas camponesas têm que ser mantidas, mas que são ameaçadas pelo agronegócio é a meta de O Frango Global.

Fonte:
www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2681702,00.html

Sumário da edição portuguesa do mês de Julho do Le Monde Diplomatique





ÍNDICE DE ARTIGOS

EDITORIAL

● «Kosovo» (editorial de Ignacio Ramonet)

DOSSIÊ: A União Europeia na Encruzilhada – Limites e Possibilidades do Projecto Europeu

● «Neoliberalismo e crise do projecto europeu» (João Rodrigues e Ricardo Paes Mamede)

● «Por uma Europa federal e democrática» (Pedro Nuno Santos)

● «A “Europa dos cidadãos” tem medo dos cidadãos da Europa» (António Figueira)

LISBOA

● «Lisboa: de capital acanhada a metrópole assanhada» (Duda Guennes)

ESCUDO ANTIMÍSSIL

● «A obsessão antimíssil dos Estados Unidos» (Olivier Zajec)

SUICÍDIOS E CANCROS PROFISSIONAIS

● «Morte e violência no trabalho» (Annie Thébaud-Mony)

● «Finalmente indemnizados» (A. T.-M.)

● «Deslocalização dos riscos» (A. T.-M.)

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS FRANCESAS

● «As ilusões perdidas da “esquerda de esquerda”» (Frédéric Lebaron)

PALESTINA

● «Como o mundo enterrou a Palestina» (Alain Gresh)

GEÓRGIA

● «O coqueteil explosivo dos “revolucionários” na Geórgia» (Vicken Cheterian)

● «Escalada militar no Cáucaso» (V. CH.)

ESTRATÉGIAS ISLAMITAS

● «A Al-Qaeda contra os talibãs» (Syed Saleem Shahzad)

● «Os xiitas: o novo inimigo» (A. G.)

● O takfirismo: uma ideologia messiânica (S. S. SH.)

GUERRA DO IRAQUE

● «Onde andam os pacifistas americanos?» (Alexander Cockburn)

CONFORMISMO

● «Individualismo de massas na Califórnia» (Christian Ghasarian)

POVOS INDÍGENAS

● «Viagem pela Venezuela índia» (Maurice Lemoine e Alexis Lemoine)

VIDEOJOGOS

● «Videojogos: guerras ao alcance de todos» (Tony Fortin)

EM DEBATE: Património

● «Deverão ser restituídos os despojos das expedições coloniais?» (Bernard Müller)

LEITURAS

● «A África para além dos preconceitos» (Augusta Conchiglia)

ESCRITOS DO MÊS

> John Kenneth Galbraith, Anatomia do Poder (recensão crítica de Edalina Sanchez);

> Fernando Correia e Carla Baptista, Jornalistas: do Ofício à Profissão (recensão crítica de Rogério Santos);

> Raimundo Narciso, Álvaro Cunhal e a Dissidência da Terceira Via (recensão crítica de Ivan Nunes);

> Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal - Tomo I (1935-1947) (recensão crítica de João Madeira);

> Lígia Amâncio, Manuela Tavares, Teresa Joaquim e Teresa Sousa de Almeida, O Longo Caminho das Mulheres – Feminismos 80 anos depois (recensão crítica de Inês Brasão).

15.7.07

Tom de Festa no ACERT em Tondela (18 a 21 de Julho)




Nas instalações do ACERT em Tondela ( distrito de Viseu) realiza-se nesta semana mais um Tom de Festa com vários concertos, vídeos, intervenções artísticas de rua, gastronomia regional, e sessões de música.


Um ocasião a não perder e uma oportunidade mais para visitar Tondela. Vão por nós!


O Programa das festas é o que se segue:

18 de Julho

SAM THE KID ( Portugal)


A história começa com um jovem lisboeta, Samuel Mira, que ouve no tema “93 ‘Til Infinity”, dos Souls of Mischief (1993), ecos do seu próprio futuro no mundo da música. O pontapé de saída deu-se com um conjunto de gravações, em formato cassete, minidisc e CD, ou mesmo com recurso à câmara de vídeo. Sam tentava então apanhar uma onda hertziana – o programa radiofónico “Repto”, de José Marinho – capaz de levar a bom porto as músicas que trazia na bagagem.

O álbum de estreia, “Entre(tanto)”, lançado como edição de autor em 1999, e com a participação de Xeg, NBC, Sanryse, Bomberjeck e Shaheen, teve uma produção caseira. Seguiu-se “Sobre(tudo)”, em 2002, onde intervieram DJ Cruzfader, GQ, NBC, Beto, Filhos de um Deus Menor e Regula, num projecto que encontrou grande aceitação.

Mas seria “Beats Vol. 1 – Amor”, inspirado na história vivida pelos seus pais, a torná-lo o alvo de todas as atenções numa época que, marcada pela emergência de nomes como os de Bullet, Chullage, Micro e Valete, se revelou decisiva para o hip-hop nacional. Gravado em casa com base num vasto arquivo de samples recolhidos em discos, vídeos, telenovelas e chamadas telefónicas, o trabalho não se cingiu, porém, àquele género musical, desbravando caminhos que despertaram o interesse de públicos mais heterogéneos.

Depois destas provas de talento, a recém criada Loop: Recordings, de Rui Miguel Abreu, propôs a Sam the Kid um contrato discográfico – o toque que faltava a um itinerário recheado de colaborações com outras formações, de colectâneas e de músicas para cinema. O seu mais recente CD, “Pratica(mente)”, apresentado em Dezembro de 2006, foi unanimemente considerado o melhor do ano pela crítica e pelos seus pares, constituindo o corolário de uma carreira em fulgurante ascensão



UXU KALHUS (Portugal)

Surpreendem com chotiças, círculos, corridinhos e mazurcas, entre outras viagens no limiar da pureza acústica e da potência eléctrica, com influências Afro-Jazz-Rock-Ska. De baile em baile (e, desde o ano 2000, já se contam quase duas centenas), Uxu Kalhus foram ensinando ao país a arte das danças tradicionais. Nestas festas, local onde cada participante descobre o seu espaço de realização no seio das mais variadas correntes criativas, introduzem o toque inovador da bateria, dos baixos jazzísticos e das guitarras. No álbum de estreia, “A Revolta dos Badalos” (edição de autor/Megamúsica), esta filosofia desdobra-se em composições originais (como valsas e marchas) e arranjos radicais de temas que até hoje não haviam saído do domínio folclórico (por exemplo, o malhão e o regadinho). A regra de ouro é romper, sem preconceitos nem limitações, os limites do convencional, privilegiando a energia e a improvisação em detrimento da música planeada e quadrada.

A pista abre com “Nova Babilónia”, onde ritmos árabes ondulam junto de sonoridades africanas, brasileiras e portuguesas, abolindo fronteiras continentais pelo fio condutor das canções. Quem quiser dar um pezinho de dança ao som de uma saborosa oferta musical, terá apenas de escutar “Erva Cidreira” e as faixas seguintes, nas quais confluem guitarras thrash-metal, drum’n’bass, funk, hip-hop, maracatú ou samba, com temperos medievais e barrocos.

E depois há também os sinais de uma portugalidade omnipresente, através de um fado no “Regadinho”, das marcas do ranascimento luso em “Maria de Ceição”, do imaginário algarvio na belíssima “Sariquitê” e das palavras de Camões em “Faca e Alguidar”. Ou não fosse a música lusa, à qual Uxu Kalhus se dedicam de forma plena, a única capaz de fazer “vibrar (…) a corda da identidade cultural”, activando uma “sensação estranha, quase mítica, mas de uma força e paixão avassaladora”.

Talvez assim se perceba o resultado explosivo dos concertos, palcos de revelação desta hiper-orgânica fusão de estilos, melodias e instrumentos, que está tão perto e tão longe dos ranchos folclóricos. Deste modo, o projecto só se completa ao vivo, em directo e a (muitas) cores, como as actuações em inúmeros eventos (Andanças, Entrudanças, edição de 2000 do Festival de Gennetines, em França, entre outros) têm demonstrado. E para que, nos espectáculos, o público se sinta ainda mais próximo dos artistas, estes não guardam os segredos para si: para além de promoverem oficinas de dança, de instrumentos e de música, incluíram no CD uma faixa multimédia que ensina as coreografias de grupo. Uma experiência ímpar no panorama nacional e internacional


19 de Julho


DOBREK BISTRO (Áustria)


Foi uma história de amor ao primeiro tom. O acordeonista polaco Krzysztof Dobrek e o violinista russo Aliosha Biz conheceram-se por acaso nos ensaios para o “Fiddler on the Roof”, no teatro de Viena. Refinaram a sua extraordinária parceria no Burgtheater Ensemble, acompanhando Maria Bill, e depois no Acoustic Drive Orchestra, até que conceberam a formação Dobrek Bistro, que passou a contar com o percussionista Luis Ribeiro e o contrabaixista Sascha Lackner. A palavra russa “bystro”, que significa “rápido”, encaixava plenamente nos espectáculos acelerados e virtuosos do grupo, bem como na elegância melancólica da “musette parisiense” tão admirada por Dobrek, compositor de todos os temas. E para este cozinheiro-chefe, a receita é simples: “A nossa salsa ouve-se como a música cigana, o Tango Vienense e o jazz judaico, além de que a “musette” possui um toque russo. Mais: podemos acrescentar que as sonoridades regionais se ouvem como um mundo vasto, que não nega as suas raízes culturais no Dobrek Bistro: Richard Schubert”.

Como definir o estilo? Chamar-lhe “étnico” seria redutor, enquanto as designações “fusion” ou “crossover” pecam pela simplicidade. Afinal, Dobrek Bistro ganha, pela sua identidade própria, o estatuto de um sabor único no mundo, pronto a ser consumido de forma tão frontal e improvisada como as suas peculiares melodias.


TOQUES DO CARAMULO (Portugal)

Recriações livres e dinâmicas decalcadas do espaço que lhes dá origem, os trabalhos dos Toques do Caramulo traçam um mapa musical que dilui os limites entre o ontem e o hoje. Visitando, por vezes, o livre território do jazz, juntam-lhe influências da folk céltica ou das danças do centro europeu.
O resultado é uma geografia artística única, que atribui novos lugares às canções cujas sonoridades habitam, há muito, o nosso imaginário colectivo. A estas memórias, adornadas com acordeão, contrabaixo, flautas, percussões e rabeca, acresce a inconfundível voz de Luís Fernandes, onde talvez se descubram ecos de Fausto, de Zeca Afonso ou até de Luís Represas, na época dos Trovante.
Estas inovações traduzem-se em espectáculos transbordantes de energia, capazes de contagiar o público com a sua extraordinária força criativa. No fundo, autênticas festas no palco animadas por um grupo que, desenvolvido em Águeda no seio da Associação d’Orfeu, realiza anualmente dezenas de concertos em Portugal e no estrangeiro


TALISMAN (Ucrânia, Moldávia, Bielorrússia, Alemanha)


Desenganem-se os que esperam encontrar neste espectáculo uma tendência para as típicas danças ou choros. Estes magníficos instrumentistas, com formação clássica, oferecem ao público um trabalho de significado contemporâneo.
Tudo começou com um encontro em palco entre Oleksandr Klimas e Vadim Kulitski, durante um concerto da banda gipsy “Loyko”, em Augsburgo, Alemanha. Entusiasmados com o estilo e o talento um do outro, os dois artistas pensaram de imediato em fundir o melhor das músicas cigana, clássica e avant-garde numa única tempestade musical, imprimindo-lhes também um toque de jazz, rock, flamenco e de estilos orientais.
Durante uma actuação no famoso Berliner Varieté Wintergarten, de Andre Heller, conheceram o extraordinário acordeonista Oleg Nehls, que viria a tornar-se o terceiro elemento do colectivo. Posteriormente, com a entrada do virtuoso guitarrista Tom Auffarth, completou-se a “equipa” que pretendia levar aos quatro cantos do mundo a New Gipsy Art.
No Verão de 2000, logo após a sua formação, Talisman revelou-se de imediato um sucesso na Festa Internacional do Danúbio, em Ulm, Alemanha, conquistando o público com uma sonoridade inovadora e contagiante. Sob a orientação do magistral violinista Oleksandr Klimas, o grupo deixa no palco, mediante as suas próprias composições, as impressões digitais dos actuais desenvolvimentos da música cigana. Com múltiplos concertos por todo o mundo, desperta os mais rasgados elogios da crítica, que salienta a maturidade e ousadia com que, numa trajectória de experimentalismos, vai mestiçando ritmos e expressões culturais. Do frio chega-nos, assim, um trabalho quente e festivo de onde brotam, como se de fatias do nosso quotidiano se tratassem, imagens e sensações dos dias que correm.



20 de Julho

Ivan Lins ( Brasil)


“A gente merece ser feliz” – assim se inaugura o mais recente álbum de Ivan Lins, “Acariocando”, que veio ao mundo em 2006. Frase que assenta como uma luva a este criador passional, compositor de renome e fiel seguidor das vontades do coração. E o coração mandou-o, qual pintor munido de uma paleta de sonoridades, desenhar um quadro chamado Rio de Janeiro. Obediente, Ivan esboçou pinceladas de melodias fascinantes, rabiscos de harmonias intricadas e traços de precisão técnica, sob o colorido pano de fundo da mais extrema liberdade formal.
A “cidade maravilhosa” fez-se música e a música fez-se carioca, ou não fosse o samba o ritmo de 7 das 14 faixas, e os parceiros convidados Abel Silva, Aldir Blanc, Chico Buarque, Ivone Lara, Nei Lopes e Paulo César Pinheiro, ilustres conterrâneos.
Quando se pensa que já se escreveu tudo sobre o Rio, ouça-se o tema “Acariocando”, que dá rosto ao CD, imbuído do mais puro jazz de Hamilton de Holanda. Escute-se “Renata Maria”, com letra do cúmplice Chico, onde a musa se confunde com a paisagem brasileira enquanto sai do mar. Aprecie-se a religiosa homenagem ao Carnaval em “Prece ao samba”. Sinta-se o clima guinguiano da valsa “Antídotos” e o delicioso funk “Ela é a própria vida”. Encontre-se em “Por sua causa” e “O tempo me guardou para você” duas belas canções de amor. E descubra-se o perfume de uma nova garota de Ipanema na bossa nova “Passarela no ar”: “Quando ela passa por mim / Rio de Janeiro demais / Mesmo se estivesse em Berlim / Eu veria logo os sinais / Seu andar é um jeito de ser”.
Rico em participações especiais, “Acariocando” foi produzido por Paulinho Albuquerque, velho companheiro de estúdio de Ivan. Pelo cuidadoso tratamento artístico de cada faixa e rigorosa selecção de músicos para cada género, torna-se numa preciosa ourivesaria de sons, pronta a partilhar com os espectadores deste Festival.

Biografia

Ivan Guimarães Lins, que o Rio de Janeiro viu nascer em 1945, aprendeu a tocar piano de ouvido aos 18 anos, adoptando o jazz e a bossa nova como áreas de eleição. Formado em Química Industrial na mesma época em que começou a participar em festivais de música (final dos anos 60), descobriu nos ritmos e sons a sua verdadeira vocação. Por esta altura, conquistou o segundo lugar no V FIC com o tema “O amor é o meu país”, que passou a ser reproduzido nos aviões da Varig.
O seu trajecto reservar-lhe-ia, contudo, voos ainda mais altos. Entre estes contam-se a gravação, juntamente com Ronaldo Monteiro, da canção “Madalena” de Elis Regina – o seu primeiro grande sucesso como compositor – e o convite para dirigir o programa “Som Livre Exportação”, da TV Globo. Deste período datam também os álbuns que o projectaram nacionalmente, como “Modo livre” (com o hit “Abre alas”), “Chama acesa”, “Somos todos iguais esta noite” e “Começar de novo”.
Com a década de 80 chega a vontade de se dedicar à carreira internacional, sobretudo nos Estados Unidos, onde artistas como Quincy Jones, George Benson, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Cármen MacRae e Barbra Streisand gravaram as suas canções. Chegou inclusive a lançar um disco em inglês, intitulado “Love dance”, pouco antes de apresentar, no Brasil, o CD “Amar assim”.
O início dos anos 90 coincidiu com o seu vigésimo aniversário enquanto artista, que motivou uma tournée comemorativa pelo seu país natal, acompanhada pela apresentação do trabalho “Ivan Lins: 20 anos”. Sucede-se a fundação da gravadora “Velas”, num projecto partilhado com Victor Martins, com o objectivo de dar a conhecer novos talentos (lembremos aqui Chico César, Lenine e Belô Veloso) e de resgatar as raízes da música brasileira. Nesta gravadora produziu as obras “Awa Yio” (obtendo grande êxito com a melodia “Meu País), “Anjo de Mim” e “Vivanoel – Tributo a Noel Rosa”.
Victor Martins, com quem escreveu a maioria das suas músicas, esteve igualmente a seu lado na digressão do seu trigésimo aniversário, em 2004, com o concerto “Abre Alas”. Em 2005 as vitórias surgem em catadupa: para além de inúmeras participações em festivais de jazz no Japão, México e Cuba, a par de um concerto com a Orquestra Metrópole da Holanda, recebeu o Grammy Latino pelo “Melhor Álbum do Ano” com o seu primeiro DVD oficial, “Contando Histórias”. Já o recente “Acariocando”, elogiado por personalidades de vários quadrantes artísticos, foi nomeado para o Grammy Latino na categoria de “Melhor Álbum de Intérprete e Compositor”e eleito pela revista “Isto é Gente” como um dos melhores discos de música popular brasileira de 2006.


PEDRO LUÍS FERRER (Cuba)


Não se considera um tradicionalista, mas antes um recriador da tradição. Pedro Luis Ferrer explora o labirinto das sonoridades do seu país, mesmo nos mais escondidos recantos, de onde desenterra o changüí, de Guantánamo, e os Coros de Clave, de Sancti Spíritus. Com três acompanhantes – Lena Ferrer, Mirza Sierra e Raulito Ferrer – reaviva instrumentos como o tres cubano, a guitarra e o cajón peruano, bem como claves, concerros, bongó, güiro e a marímbula, o primeiro baixo usado na ilha, actualmente em desuso.
Este espectáculo inscreve-se no percurso de formação musical autodidacta de um ícone do espírito contestatário dos anos 60.

Notas sobre um cantor “cem por cento cubano”

Nascido em Yaguajay, Cuba, em 1952, Pedro Luis Ferrer tem dado voz, ao longo dos últimos 30 anos, a verdadeiros hinos de denúncia social, sempre atentos às necessidades psicológicas e espirituais da sociedade cubana. Em meados da década de 60, fez parte do quarteto “Los Nova” e, em 1969, integrou o grupo de rock “Los Dada”. É a partir desta altura que inicia a sua carreira profissional.
Na sua discografia contam-se inúmeros álbuns, dos quais se destacam”Debajo de mi voz” e “Espuma y Arena”, repletos de melodias que ganharam grande popularidade, como “Inseminación Artificial”, “Como me gusta ‘hablar’ español” ou “Mario Agüé”. Nos Estados Unidos edita “Ciento por ciento cubano”, primeiro CD gravado no exterior.
A sua obra alimenta-se de fortes laços artísticos estabelecidos com diversos músicos seus conterrâneos. Com Victor Zayas, excelente pianista, principiou o trabalho de orquestração, enquanto o contacto com a estética de Changui e outros valores musicais surgiu de um encontro com o Conjunto Artístico das FAR, em Guantánamo. E não podemos esquecer a interpretação magistral da sua guaracha “Mario Agüé” pela magnífica Célia Cruz.
Porém, as incursões de Pedro Luis Ferrer vão muito além da terra natal. Angola, Alemanha, EUA, Finlândia, México, Noruega, Peru, Polónia, Suíça e Suécia foram somente alguns dos países aos quais este estudioso do passado musical cubano levou sonoros pedaços das suas origens.


21 de Julho


PANTEÓN ROCOCÓ (México)

Uma explosão de sons, danças, irreverência. Numa palavra: festa. Sem esquecer, porém, as mensagens ideológicas que, como notas soltas, se desprendem nas entrelinhas da pauta musical. De facto, o espírito e coerência deste projecto descobrem-se na união a movimentos de apoio às causas indígenas, estudantis, antifascista e de denúncia social, bem como na adesão a diversos eventos culturais.
Mas no palco a cantiga não é a única arma: esta talentosa formação de instrumentistas, da qual sobressai um vocalista carismático dotado de um extraordinário poder de comunicação com a assistência, faz-se sobretudo valer de uma presença forte e segura, quaisquer que sejam os eventos ou espaços geográficos. Incluindo secção de cordas, metais e percussão, o Panteón tem arrebatado o seu público devoto com códigos e movimentos contagiantes, bailes intermináveis e ritmos de fusão.
Actualmente com uma posição de destaque na cena musical mexicana, estes artistas já palmilharam países e continentes, num percurso marcado por longas digressões e participações em festivais internacionais (EUA, Colômbia, El Salvador, Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Holanda e Suíça), sempre animadas por um sentido de paz e resistência. O espectáculo no Tom de Festa marca o primeiro concerto em Portugal deste grupo totalmente livre do ponto de vista criativo e organizativo.


Mais de uma década de história:

Inúmeros são já os trabalhos de uma banda que foi buscar o nome à obra teatral “El Cocodrilo Solitario del Panteón Rococó”, do mexicano Hugo Argüelles.
O álbum de estreia surge dois anos após uma demo inicial, em 1997, e transforma-se no disco independente mais vendido do México. Ao título, “A la Izquierda de la Tierra”, estava já subjacente a ideologia que logo se converteu no fio condutor de toda a caminhada artística do colectivo.
A internacionalização chegou com “Compañeros Musicales”, em 2002, onde se inclui um dos temas mais populares, “La Carencia”. Seguiu-se, em 2004, um trabalho gravado na Argentina, denominado “Tres veces Tres” e, um ano depois, um concerto por ocasião do décimo aniversário, registado no DVD comemorativo “10 años. Um Panteón Muy Vivo”. Um autêntico diário de bordo musical e visual que eternizou os êxitos e amigos conquistados ao longo de toda a viagem.



JON LUZ (Cabo Verde)


terra. Munido de uma picareta de sensações, desbrava mundos ocultos, misturando passado e futuro num mesmo horizonte de renovadas perspectivas. “Farrópe d’Poesia”, primeiro CD a solo, possui a marca indelével das origens. Com edição da Vachier & Associados e apoio do Instituto Camões, este trabalho já motivou várias digressões internacionais pela América do Norte, Europa, Brasil, Canadá e Cabo Verde. Nele Jon Luz vai desenrolando 13 temas da sua autoria, que mistura com outras vozes e figuras da actual cena musical. Aos duetos com Filipa Pais e Nancy Vieira aliam-se as participações nos coros de Lura e Marta Dias, bem como as contribuições de excelentes músicos como Yuri Daniel, João Lucas, Humberto Ramos, Tomás Pimentel, Paulo Temeroso, entre tantos outros.
Contudo, o percurso musical deste artista está recheado de muitas outras cumplicidades, das quais se destacam os nomes de Cesária Évora, Maria Alice, João Afonso e Tito Paris. Integrou ainda as bandas destes dois últimos e, juntamente com o seu conterrâneo, acompanhou Filipa Pais, Gil do Carmo e Sara Tavares. Em 2003, no âmbito de “Cantos na Maré”, partilhou o palco com Chico César (Brasil), Uxía Senle (Espanha), Manecas Costa (Guiné-Bissau) e Astra Harris (Moçambique).
O seu tema “Modje Trofel” integra o disco “Rogamar” de Cesária Évora que, quando questionada sobre a inclusão de obras cunhadas por criadores mais novos, respondeu: “Ao escolher uma canção, tanto a música como a letra têm que me agradar. E quando me apresentam uma música de um jovem compositor, o que eu exijo é que tenha qualidade. Tendo, eu canto-a se me agradar”.
Mas Jon Luz traz ainda mais surpresas na bagagem. Colaborou com a companhia portuguesa “Clara Andermatt”, fazendo parte do elenco do projecto de dança contemporânea “Uma História da Dúvida”. Fundou depois o “Trio Pontche” e dedicou-se à iniciativa “Morná Sanjon”, para além de ter escrito a banda sonora do espectáculo “Noite”, de Amélia Bentes. Um caminho que mostra quantos mundos da música tem a Música do Mundo, apontando novas perspectivas para o panorama cabo-verdiano dos nossos dias

Escrita na paisagem 07 - um Festival de perfomance e artes da terra ao longo do mês de Julho no Alentejo


Está a decorrer desde o início deste mês de Julho mais uma edição do «Escrita na Paisagem, Festival de Performance e Artes da Terra» que cruza as artes performativas e da terra com a paisagem alentejana.



Segundo se pode ler na sua apresentação este ano «o tema do Festival formula-se a partir de 3 palavras-chave: jogo , viagem, hospitalidade, uma tripla articulação de ideias nucleares da criação artística e do mundo contemporâneos com peculiar expressão no território alentejano.



Pelo quarto ano consecutivo, Escrita na Paisagem apresenta no Alentejo um programa intenso de criações nacionais e internacionais, frequentemente de estreias absolutas em Portugal



http://www.escritanapaisagem.net/2007/geral.html



Estarão presentes duas companhias de circo, relativamente às quais se diz na apresentação do festival: «As jovens companhias de Novo Circo Fil Rouge (Julho) e Galapiat (Setembro) mostram, com persistente clareza, que o jogo circense se cruza sempre com a viagem e a hospitalidade. Arte nómada, arte de dar e receber, a presença destas companhias resulta da cooperação com o Centro Nacional das Artes do Circo (CNAC), em França, razão pela qual, além dos excelentes espectáculos plenos de poesia e vibrantes de força, com eles desenvolvemos um processo de formação e sensibilização - o projecto Circo e Cidade, com vista a uma maior presença do circo novo entre nós. Quem neste contexto diz espectáculos e formação diz dar e receber, diz o jogo da viagem e as razões da hospitalidade.»





Também «a realização do encontro Literatura e hospitalidade, comissariado por Pedro Eiras e antecedido por uma maratona de leitura organizada em colaboração com a Biblioteca de Évora, em Abril último, ocupa um lugar de relevo, pois com viagem e hospitalidade buscam-se ainda outros destinos, integram-se outros viajantes e outros discursos. A sociologia, a antropologia, a literatura, a filosofia e o cinema são aqui convidados a cruzar connosco olhares, saberes e experiências, percorrendo as variações em torno de temas que hoje inquietam o mundo: o exílio, a ausência, as migrações, as línguas e as identidades.»





Para ver o programa completo:

http://www.escritanapaisagem.net/2007/geral.html

Encontro de sons e danças do mundo no Contagiarte


O Contagiarte não é um simples bar, é muito mais do que isso… é um espaço de sensibilização, formação e dinâmica cultural. Situado numa zona classificada no centro da cidade do Porto, o Contagiarte foi inaugurado em 11 de Dezembro de 2003 e tem-se vindo a tornar como espaço focal de divertimento e entretenimento na cidade do Porto frequentado diariamente por centenas de pessoas desta cidade e de cidades circundantes


O contagiarte, espaço de sensibilização, formação e dinâmicas culturais, para além de bar e um dos mais frequentados locais nocturnos da cidade do Porto, está localizado na Rua Álvares Cabral, 372 ( perto da Pr. Da República)


No Contagiarte, bar e espaço cultural da cidade do Porto vai decorrer a partir do dia 17 de Julho o II encontro de sons e danças do mundo, com bailes, concertos, workshops, convívio, alegria, etc. Este ano está previsto para o dia 19 um workshop de Pauliteiros de Miranda.



Cartas da actividades no Contagiarte para o mês de Julho

Este ano o encontro europeu Rainbow é na Bósnia(14 de Julho a 12 de Agosto)


O movimento - ou a família, como alguns gostam de dizer - Rainbow marcou para a Bósnia ( entre 14 de Julho e 12 de Agosto) o Encontro europeu do Verão de 2007, apontando para os dias 29 e 30 de Julho a realização da assembleia de todos os presentes no encontro.
Mais informações em:
http://eurogathering.rainbowinfo.net/

Entretanto também já está marcado o encontro Rainbow alemão que se realizará entre os dias 13 de Agosto e 13 de Setembro, e o local será muito provavelmente na Baviera
http://www.rainbowinfo.de/joomla/


Para saber mais:
http://www.hippierainbow.new.fr/

http://rainbowinfo.net/

http://welcomehome.org/



Vídeo sobre o encontro arci-íris (Rainbow) em Portugal realizado em Abril deste ano em Vilar de Ledras (Trás-os-Montes)

Nota: no documentário aproveita-se para aludir à história secreta do movimento hippie, nomeadamente as mortes de Lennon,Janis Joplin, Morrison e Hendriz e a conexão entre a CIA e o comércio de heroína com vista à destruição e eliminação do movimento hippy.

Pensa global, actua localmente
mas também...
Pensa global , e actua global






Documentários sobre outros encontros Rainbow