7.5.07

A interculturalidade na expansão portuguesa ( colóquio)

No âmbito do plano de actividades do Observatório da Imigração, o ACIME organiza no próximo dia 9 de Maio de 2007 uma sessão de apresentação do estudo A Interculturalidade na Expansão Portuguesa, desenvolvido por João Paulo Oliveira e Costa, professor da FCSH/UNL e investigador do Centro de História de Além-Mar (CHAM/UNL), e Teresa Lacerda, investigadora do CHAM/UNL e mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa.
O presente estudo, que aborda o tema da interculturalidade no período da expansão portuguesa entre os séculos XV e XVIII, é o primeiro número publicado na Colecção Portugal Intercultural, uma nova colecção de estudos lançada pelo ACIME.

9 de Maio de 2007, 15.00h
Padrão dos Descobrimentos (Lisboa)

Apresentação
"O Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME), procurando aprofundar o conhecimento de todas as temáticas relacionadas com a imigração, tem vindo a promover, através do seu Observatório de Imigração, a realização de vários estudos científicos. Seguindo uma filosofia de conhecer mais para agir melhor, procura-se assim estimular a reflexão acerca de políticas públicas de integração de imigrantes em Portugal e divulgar os resultados de investigações científicas sobre imigração.

Neste âmbito várias colecções de estudos têm vindo a ser criadas. Em 2003, foi criada a colecção de Estudos do Observatório de Imigração que conta já com 22 obras publicadas (todas disponíveis em www.oi.acime.gov.pt). Em 2005, procurando colmatar algumas lacunas existentes na edição de dissertações de mestrado e teses de doutoramento sobre imigração e minorias étnicas em Portugal, o ACIME, através do Observatório de Imigração, decidiu apoiar também a publicação de teses de reconhecido interesse.

Dando continuidade a este trabalho fundamental de, através de factos científicos, promover um melhor conhecimento acerca da imigração em Portugal, combatendo assim mitos e estereótipos acerca dessa realidade, o ACIME está a lançar uma nova colecção de estudos: a Colecção Portugal Intercultural. Com esta colecção procura-se demonstrar, a partir de marcas históricas, a presença e cruzamento de povos e culturas na identidade portuguesa.

No primeiro estudo desta colecção – A Interculturalidade na Expansão Portuguesa (séculos XV-XVIII) – da autoria do Professor João Paulo Oliveira e Costa e da Dra. Teresa Lacerda, é bem ilustrado como a interculturalidade foi um traço marcante da Expansão portuguesa dos séculos XV a XVIII e como influenciou o nosso património cultural e a nossa identidade colectiva. Estes resultados são particularmente interessantes de realçar, em particular quando a História pode ter um papel crucial na projecção que se quer para o futuro de uma sociedade marcada pela riqueza da diversidade cultural."

Programa

15.00h - Sessão de Abertura pelo Coordenador do Observatório de Imigração
Roberto Carneiro, professor da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (FCH/UCP), investigador do CEPCEP/UCP

15.15h – Apresentação do Estudo A Interculturalidade na Expansão Portuguesa
João Oliveira e Costa, professor da FCSH/UNL e investigador do Centro de História de Além-Mar (CHAM/UNL), e Teresa Lacerda, investigadora do Centro de História de Além-Mar (CHAM/UNL)

16.00h – Discussão com comentários
Luís Filipe Barreto, Presidente do Centro Científico e Cultural de Macau
Rui Loureiro, Director de Projecto da Câmara Municipal de Lagos e investigador do Centro de História de Além-Mar (CHAM/UNL)

16.30h - Debate

Marcha global pela Marijuana no Porto (video)

Foi no Sábado passado, 5 de Maio, que no Porto se realizou pela primeira vez uma marcha a favor da legalização da cannabis. A iniciativa chamou-se mgmporto e contou com cerca de 2000 pessoas a desfilar pelas ruas num ambiente festivo e descontraído!

http://www.mgmporto.org/





6.5.07

Como a mini-saia subverteu o moralismo tradicionalista imposto por Salazar às mulheres portuguesas

No início dos anos 60 o aparecimento da mini-saia um pouco por todo o lado veio a minar a moralidade dominante e a subverter todo o tradicionalismo conservador e reaccionário que Salazar e os seus comparsas do integralismo lusitano, com o Cardeal Cerejeira à frente, quiseram impor aos portugueses ao longo da sua ditadura que começou com o golpe militar a partir de 1926 e se consolidou com o regime do Estado Novo da Constituição Corporativa de 1933

O modelo da mulher doméstica ( e domesticada), dona de casa e submetida ao marido ( definido como o cabeça-de-casal), começou a ser posto em causa e com ele a tríade da moral e da ideologia salazarista do «Deus, Pátria e Família»


A geração bay-boom do pós-Guerra tinha atingido a adolescência e pretendia romper os arquétipos morais e ideológicos que moldaram as mentalidades e os costumes das épocas passadas. A música, o corpo e a indumentária serviram perfeitamente para esse objectivo. O rock (com o seu ritmo endiabrado), a dança lasciva que a acompanhava, e as roupas leves foram o sinal premonitório para as lutas emancipadoras pela liberdade de costumes e de ideias que se prologaram pelos anos seguintes.
Portugal, apesar da censura e dos apertados controles da ditadura de Salazar, não foi excepção ao vento que soprava por maior liberdade.

Ver o vídeo sobre o assunto:


É possível combater o aquecimento global: novos estilos de vida podem melhorar clima

Alterações nos comportamentos do dia-a-dia podem contribuir para combater o aquecimento global: comer menos carne (por exemplo, segundo os cálculos efectuados, um quilo de bife corresponde a 3,7 quilos de CO2


Pequenas alterações nas rotinas diárias de cada pessoa, como o uso de transportes públicos, podem corresponder a uma diminuição significativa do fenómeno climático do aquecimento global. Pelo menos, é isso o que afirmam o grupo intergovernamental de especialistas da evolução do clima (GIEC) que esteve reunido esta semana em Banguecoque.
Das medidas aconselhadas no relatório fazem parte o recurso aos transportes públicos, em detrimento de carro próprio, a regulação adequada da temperatura nos ecritórios ou nas casas climatizadas e até a redução do consumo de carne. «Se as pessoas comessem menos carne, não só estavam a contribuior para uma alimentação mais saudável, como para a redução de emissões geradas pela criação bovina», refere o presidente da GIEC, Rajendra Pachauri.
Os presentes concluíram, de resto, pela necessidade de se introduzirem mudanças significativas no actual padrão de vida da população dos países ditos desenvolvidos de forma a que o estilo de vida não seja prejudicial para o meio ambiente



Controlar emissões de dióxido de carbono custaria 0,12 por cento do crescimento económico anual

Combater as alterações climáticas é urgente, possível e relativamente barato. É esta a principal conclusão de mais um relatório da ONU sobre o problema do aquecimento global, divulgado ontem em Banguecoque.
É o último volume de uma trilogia de relatórios concluída este ano pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), criado em 1988 e que a cada cinco ou seis anos passa a pente fino tudo o que se sabe sobre o tema.O novo relatório conclui que as emissões de gases que estão a aquecer o planeta - como o dióxido de carbono - subiram 70 por cento entre 1970 e 2004. E poderão aumentar mais 25 a 90 por cento até 2030, se nada for feito.

Não faltam opções para inverter este quadro. O relatório diz que "existe um significativo potencial para mitigar as emissões de gases com efeito de estufa nas próximas décadas, compensando o crescimento projectado das emissões globais ou reduzindo-as abaixo dos níveis actuais".

A acção tem de ser imediata, diz o IPCC. Para limitar a 2,0 graus Celsius o aumento da temperatura global até 2100 - valor usualmente defendido como tolerável -, as emissões só podem continuar a subir até 2015. Depois, têm de começar a descer. Em 2050, terão de ser 50 a 85 por cento menores do que em 2000.
São números gordos, mas, na avaliação do IPCC, a factura não é muito elevada. Seria preciso abdicar de 0,12 por cento do crescimento anual da economia global. O PIB mundial cresceria três por cento a menos até 2030 e 5,5 por cento a menos até 2050."É um prémio baixo a pagar para reduzir o risco de grandes prejuízos pelo clima", disse Bill Hare, assessor da organização ambientalista Greenpeace, citado pela Reuters. "Podemos limitar e reduzir as nossas emissões de dióxido de carbono sem destruir a economia mundial", comentou Yvo de Boer, secretário-geral da Convenção Quadro para as Alterações Climáticas, da ONU.
O relatório do IPCC faz um balanço das opções para a redução de emissões. Mas um caminho claro está dependente de negociações que definam qual o esforço que deve ser feito e por quem. Os Estados Unidos, o maior poluidor do planeta, recusam-se a aceitar limites para as suas emissões e estão a apostar forte no desenvolvimento de tecnologias limpas.
"É ingénuo acreditar que o mero desenvolvimento de tecnologias em laboratórios será a solução. A não ser que haja um pacote de políticas, que haja forças de mercado, neste caso representadas pelo preço do carbono", disse porém o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, numa conferência de imprensa em Banguecoque.
Do rol de alternativas apontadas pelo IPCC consta a energia nuclear. "Mas a segurança, a proliferação de armas e os resíduos permanecem como obstáculos", diz o relatório.


Desafios e oportunidades identificados no relatório

Transportes
Sózinhos, os instrumentos de mercado, incluindo o preço dos combustíveis, não terão grande influência na redução de emissões. Também o efeito positivo dos veículos mais eficientes esbarra nas preferências dos consumidores por carros maiores e mais potentes. Utilização de transportes de massa é a aposta mais certa. Na calha está a segunda geração de biocombustíveis, aviões mais eficientes e melhores carros eléctricos e híbridos.
Edifícios
Cerca de 30 por cento das emissões associadas aos edifícios podem ser evitadas até 2030, sem custos, pelo contrário, com poupanças para o cidadão. Há tecnologias disponíveis no mundo todo: lâmpadas de baixo consumo, electrodomésticos mais eficientes, painéis solares, melhores materiais de construção. Espera-se também uma disseminação maior de edifícios inteligentes e da geração doméstica de electricidade.
Indústria
Existem muitas opções disponíveis para reduzir as emissões das indústrias que consomem muita energia. Mas elas não estão a ser utilizadas tanto quanto poderiam. Reduções significativas podem ser obtidas pela reconversão das unidades mais antigas. Para as próximas décadas, aposta-se no armazenamento subterrâneo do dióxido de carbono das fábricas, além de mais avanços na eficiência energética.
Florestas
É possível reduzir emissões nas florestas e aumentar a sua capacidade de absorver CO2. Cerca de 65 por cento do potencial está nos trópicos, metade do qual reduzindo a desflorestação. Até 2030, conta-se com o desenvolvimento de espécies mais produtivas de árvores e também com melhores sistemas de monitorização das alterações de uso do solo e do carbono retido nos sistemas florestais.
Energia
Difusão ampla de tecnologias mais limpas pode levar décadas. Reduzir a procura, através de mais eficiência energética, é mais barato e eficaz. Renováveis podem chegar a 30-35 por cento da electricidade consumida. Nuclear pode ajudar, mas há restrições quanto à segurança, proliferação de armas e resíduos. Tecnologias em estudo incluem armazenamento subterrâneo do dióxido de carbono produzido em centrais térmicas.
Fonte: JN e Público

Alguns exemplos da repressão policial em Portugal nos últimos anos

Para a história da repressão policial contra lutas perfeitamente legítimas da população


A repressão e a ocupação policial contra os trabalhadores da Lisnave em 1983 quando estes se manifestavam contra os seus salários em atraso




Repressão policial contra o buzinão da ponte de 25 de abril

3º Curso Livre de Cooperativismo e Economia Social

O Centro de Estudos Cooperativos da
Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra organiza:
(HTTP://WWW4.FE.UC.PT/CEC)

3º CURSO LIVRE DE COOPERATIVISMO E ECONOMIA SOCIAL

de 25 de Maio a 30 de Junho de 2007
Sextas-feiras, 14.30-19.00
Sábados, 10.00-13.00

Local: FEUC

Objectivos
Neste curso, vão ser estudados alguns dos aspectos do cooperativismo e da economia social com maior relevância actual. Discutir-se-á também o conceito de economia solidária, valorizando-se particularmente a experiência brasileira.
As práticas cooperativas serão analisadas em conjugação com outras experiências de solidariedade social, sejam elas protagonizadas por mutualidades, por associações ou por fundações.
A especial atenção sobre o funcionamento destas organizações não impedirá a evocação de algumas problemáticas mais genéricas, em cujo contexto se afirmam com especial energia as virtualidades do cooperativismo e da economia social.
O natural relevo do que se passa em Portugal não levará ao esquecimento do que ocorre na Europa e no mundo.



Programa
1. Conferências de Abertura
[ 6ª feira - 25 de Maio – 14 h 30 ]
- A formação para o terceiro sector ─ um projecto pioneiro: a Universidade Cooperativa Europeia.
- Dr. Manuel Canaveira de Campos
(Pres. do Instituto António Sérgio do Sector Cooperativo – INSCOOP)

- Economia Solidária no Brasil : conceitos e práticas.
- Prof. Doutor Paul Singer
(Secretário Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho do Brasil . Universidade de São Paulo).

2. Outras Conferências
- Santa Casa da Misericórdia de Lisboa: um exemplo e um desafio.
- Dr. António Santos Luís ( Adjunto da Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa). [ Sábado - 2 de Junho – 10 h 30 ]
- A qualidade em organizações da área social
- Prof.ª Dr.ª Glória Antunes( Instituto Politécnico de Setúbal). [ Sábado - 16 de Junho – 10 h 30]
- A estratégia europeia para o emprego e a economia social.
- Prof.ª Doutora Margarida Antunes (Centro de Estudos Cooperativos da FEUC). [ Sábado - 23 de Junho – 10 h 30 ]
- As cooperativas sociais em Espanha
- Prof.ª Doutora Gemma Fajardo Garcia (Universidade de Valência). [ 6ª feira - 29 de Junho – 14 h 30 ]
- O papel das empresas sociais na criação do próprio emprego
- Prof. Doutor Pedro Hespanha (FEUC e Centro de Estudos Sociais). [ 6ª feira - 29 de Junho – 16 h 45 ]

3. Módulos Temáticos
1. A identidade cooperativa e a economia social ─ tensões e sinergias
- Prof. Doutor Rui Namorado (Centro de Estudos Cooperativos da FEUC e Centro de Estudos Sociais). [ 6ª feira – 1 de Junho – 14 h 30 ]

2. Algumas particularidades contabilísticas das organizações sem fim lucrativo.
- Prof.ª Doutora Ana Maria Rodrigues (Centro de Estudos Cooperativos da FEUC). [ 6ª feira - 1 de Junho – 16 h 45 ]

3. Quadros jurídicos do cooperativismo e da economia social .
- Prof. Doutor Rui Namorado (Centro de Estudos Cooperativos da FEUC e Centro de Estudos Sociais)
[ 6ª feira - 15 de Junho – 14 h 30 ]

4. Princípios da gestão pela qualidade total e sua aplicação no terceiro sector.
- Prof.ª Doutora Patrícia Moura e Sá (Centro de Estudos Cooperativos da FEUC). [ 6ª feira - 15 de Junho – 16 h 45 ]

5. Contrato social e psicológico: compromisso e desempenho no terceiro sector.
- Prof.ª Doutora Teresa Carla Oliveira (Centro de Estudos Cooperativos da FEUC) . [ 6ª feira - 22 de Junho – 14 h 30 ]

6. As iniciativas do terceiro sector para o desenvolvimento local.
- Dr. Bernardo Campos (Com. de Coordenação da Região Centro e Centro de Estudos Cooperativos da FEUC). [ 6ª feira - 22 de Junho – 16 h 45 ]

4. Experiências Vivas do Cooperativismo e da Economia Social
[ Sábado, 30 de Junho – 10 h 00 ]
- Dr. Fernando Martinho (UNINORTE- União Cooperativa Polivalente da Região Norte).
- Sr. Manuel Ferreira (AMAVE – Associação de Municípios do Vale do Ave).
- Dr. Mário Aboim ( FENACERCI – Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social).

Duração: 30 horas

Preço: 150 Euros ; 75 Euros ( para Estudantes).
(inclui material de apoio)

Certificado de participação no Curso:
Será passado certificado de participação a quem assistir, pelo menos, a 2/3 das aulas.

Inscrição (Data limite: 15 de Maio de 2007)

APEU - Associação Para Extensão Universitária
Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Unidade de Estudos e Projectos
Av. Dias da Silva, 165 •3004-512 COIMBRA • PORTUGAL
Telef.: +351 239 790 500 - ext. 411 • Fax: +351 239 790 514
Email: apeu@fe.uc.pt

Mais info:
http://www4.fe.uc.pt/apeu/curso_cooperativismo3.htm

Acentuada queda da natalidade no concelho do Porto

Entre 1991 e 2005, o Porto passou de 302.472 habitantes para 233.465.
O declínio demográfico de cerca de 69 mil residentes é explicado pela diminuição da taxa de natalidade, mas a crescente mudança de residência dos jovens casais para a periferia faz grande parte da diferença.

“O declínio demográfico e o acentuado envelhecimento da população são os principais traços da evolução do Porto nos últimos 20 anos”. A conclusão consta de um trabalho de análise realizado pelo Gabinete de Estudos e Planeamento (GEP) da Câmara do Porto – que contou com o apoio do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) – na sequência de uma moção apresentada pela CDU e aprovada em finais de Setembro do ano passado pelo executivo municipal. O estudo denominado «Notas sobre a Evolução Demográfica do Concelho do Porto [1991-2005]» especifica que a quebra populacional teve início nos anos 80, cifrando-se em 8 por cento, e agravou-se na década de 90.

Nos Censos de 2001, a população residente era de 263.131 contra 302.472 em 1991 (decréscimo foi de cerca de 13 por cento). Entre 2001 e 2005, a tendência de diminuição manteve-se, tendo o Porto passado de uma situação em que tinha 263.131 residentes para um valor populacional de 233.465. Ou seja, em quatro anos, a cidade perdeu 29.666 mil habitantes (inclui-se aqui o saldo natural - óbitos - que foi de 4.000 indivíduos), o que significa cerca de 20 habitantes a menos por cada dia que passou. Neste cenário, há ainda a considerar que entre 1991/05 e 2001/5 (em 10 anos) os nados vivos passaram de 15.982 para 11.368, ou seja, a taxa de natalidade reduziu de 11 por cento para 9,2. Já a taxa de mortalidade aumentou, situando-se em 2001 em 12,3 por cento. Como consequência, o crescimento natural acabou por ser negativo e superou nos cinco anos, entre 2001/5, o valor da década de 90.


A crescente perda de população, principalmente de casais jovens, pode ser explicada pelos “elevados custos da habitação no Porto e a oferta crescente de novas habitações na periferia”. No entanto, é ressalvado, tal não significa que a mudança de residência afecte o vínculo que as pessoas têm à cidade, uma vez que a maioria mantém o seu trabalho e local de estudo na Invicta. O estudo conclui que apesar de o Porto perder a sua importância ao nível da função residencial, “continua a desempenhar um papel chave como local privilegiado de concentração de serviços, de actividades económicas, educativas, culturais, de emprego qualificado, de centros de investigação, que atraem uma população flutuante que faz com que o Porto movimente ao longo do dia cerca de meio milhão de pessoas”.


No relatório, pode ler-se ainda que em 2001 o concelho concentrava cerca de 218 mil postos de trabalho, dos quais 133 mil correspondem a empregados residentes noutros concelhos. A cidade absorvia mais de um terço do emprego total do Grande Porto.

Tendo em conta o declínio populacional, o estudo do GEP da autarquia revela que a sua inversão “é um desafio exigente, em tempo e recursos, difícil de vencer e que, no actual quadro de atribuições e competências, escapa à intervenção do município”. Porém, a este compete-lhe nomeadamente tratar de facilitar condições atractivas que passam pela revitalização do edificado e recuperação da função residencial.

Fluxos entre 1995 e 2001

Ao analisar os fluxos de entradas e saídas do Porto entre 1995 e 2001, o estudo constata que as saídas corresponderam a cerca do dobro das entradas, tendo tal facto resultado numa perda efectiva de 21.300 habitantes. Naquele período mudaram-se para outros concelhos 41.497 pessoas, vieram de outros municípios para o Porto 17.074, do estrangeiro chegaram 3.126 imigrantes, e mudaram de freguesia de residência na Invicta 26.076 pessoas. Neste último item, destaque-se que Paranhos e Ramalde captaram 39 por cento do movimento interno. Já a maioria, 45 por cento, dos imigrantes que fixaram residência no município do Porto provinham do Grande Porto, mas as freguesias do Centro Histórico apenas conseguiram atrair 3,4 por cento destas pessoas.
Sobre os que saíram da cidade para outros concelhos, saliente-se que grande parte optou por ir residir em Vila Nova de Gaia e Gondomar. Curioso é verificar que dos emigrantes 51 por cento (13.000) desloca-se diariamente para o Porto para trabalhar ou estudar. “Esta situação é bem evidente no caso dos concelhos de Gondomar, Matosinhos e Vila Nova de Gaia”, é observado. Em contraposição, apenas 29 por cento dos que foram residir para concelhos limítrofes trabalham ou estudam na cidade para onde mudaram morada.
Quanto ao nível de instrução da população que imigrou para o Porto, esta apresentava em 2001 níveis académicos mais elevados do que a que saiu da cidade e mais ainda do que a que se manteve. Do total de entradas, 26 por cento são pessoas com ensino médio ou superior. Já do total de saídas e dos que mantiveram residência, aquele índice baixou para 19 e 15 por cento, respectivamente.

NúmerosPopulação residente
•2005 – 233.465
•2001 – 263.131
•1991 – 302.472

Entradas e saídas entre 1995 e 2001
• Residentes no Porto provenientes de outros concelhos - 17.074
• Residentes no Porto vindos do Estrangeiro - 3.126
• Pessoas que saíram do Porto para outros concelhos - 41.497
• População que mudou de freguesia dentro do Porto - 26.076


• Entre 1991/05 e entre 2001/5 (em 10 anos) os nados vivos passaram de 15.982 para 11.368

• Taxa de mortalidade em 2001 – 12,3 por cento

• Em 2001 o concelho concentrava cerca de 218 mil postos de trabalho, dos quais 133 mil correspondem a empregados residentes noutros concelhos. A cidade absorvia mais de um terço do emprego total do Grande Porto


Importância do custo da habitação
Na tomada de decisão para a mudança de residência do Porto para concelhos limítrofes parece pesar muito o factor do custo da habitação. Ao analisar esta situação, o estudo refere em primeiro lugar que a “esmagadora maioria” da população que saiu do Porto (cerca de 80 por cento) foi residir para casa própria. O contrário verificou-se em relação aos novos residentes chegados ao Porto entre 1995 e 2001, sendo a percentagem de proprietários 63 por cento. Também os arrendamentos têm maior expressão entre os que fixaram residência na Invicta. Ao examinar os encargos com a habitação, o GEP constatou que estes são “significativamente superiores” na população que fixou residência no Porto, na ordem dos 15 a 18 por cento (compra e renda, respectivamente), em relação aos suportados por aqueles que optaram por mudar de concelho. “Esta constatação é perfeitamente congruente com a ideia apresentada em muitos inquéritos realizados de que uma das principais razões deste movimento migratório se prende com os preços do mercado da habitação e dos solos na cidade quando comparados com os praticados nos concelhos vizinhos”, indica o relatório. A título de exemplo, refira-se que em 2001 os que estabeleceram residência em casa por si comprada no Porto após 1995 tinham encargos mensais médios de 488 euros. A renda média dos que optaram por arrendar era de 330 euros/mês. Já os emigrantes pagavam pela aquisição aproximadamente 425 euros/mês e pelo arrendamento cerca de 275 euros. “O Porto destaca-se como o concelho com o custo de aquisição de casa mais elevado”, é sublinhado no trabalho que complementa que a Maia e Valongo tiveram um crescimento exponencial do parque habitacional com aumentos superiores a 50 por cento entre 1994 e 2004.
Fonte: jornal O Primeiro de Janeiro

4.5.07

O massacre de estudantes universitários norte-americanos a 4 de Maio de 1970 às mãos do seu próprio exército

Faz hoje 37 anos que 4 estudantes da Universidade de Kent State, Ohio, eram chacinados pelas forças do próprio exército norte-americano que não hesitaram em disparar contra os estudantes que se manifestavam pacificamente contra a Guerra do Vietname e a invasão pelas tropas americanas do Cambodja.


Em 1970 a oposição contra a guerra do Vietname estava mais viva do que nunca. Principalmente nos campus universitários dos Estados Unidos. No estado do Ohio, na Universidade de Kent State, no fim de semana de 4 de Maio daquele ano desenrolava-se um conjunto de acções que serviam para protestar contra a invasão do Cambodja pelas tropas norte-americanas. Após as primeiras manifestações, a Guarda Nacional, uma força militarizada ao serviço do governo federal, é chamada a intervir dentro do próprio recinto universitário. Uma vez chegados ao campus, logo de imediato, os soldados abrem fogo contra os estudantes, matando 4 deles que participavam numa manifestação pacífica contra a Guerra.
O governo estatal teve de inventar um «grupo terrorista» para justificar aquela chacina. Três semanas mais tarde, na Jackson State University, três outros estudantes seriam abatidos pelas forças do exército.
Na véspera o presidente norte-americano em exercício, Richard Nixon tinha declarado: «They’re dirty hippies. We’re gonna give’m Hell everywhere we meet them » ( Eles não passam de hippies sujos. Vamos mandá-los para o Inferno, aonde quer que os encontremos».

Os acontecimentos então ocorridos nas Universidades norte-amerivanas marcam uma viragem na evolução da guerra mas também na forma como esta passou a ser vista pela população.


Seguem-se alguns excertos de vários documentários sobre os acontecimentos , e sobre os quais foi já realizado um filme de denúncia daquele massacre ( «Morte em Kent State»).














Cronologia dos acontecimentos:
http://dept.kent.edu/May4/chrono.html


Foram, entretanto, recolhidas novas provas que mostram o carácter premeditado das repressão militar: www.cnn.com/2007/US/05/01/kent.state.ap/index.html

Consultar ainda:

http://dept.kent.edu/may4/


http://heavysoundsandtheabstracttruth.wordpress.com/



Os CROSBY, STILLS, NASH & YOUNG criaram também uma canção de denúncia dos actos de repressão aos estudantes: "OHIO" é o seu título, e que rapidamente se tornou célebre e popular entre os jovens, e é hoje um dos temas característicos daquele grupo lendário da música popular anglo-saxónica.


Tin soldiers and Nixon coming,
We're finally on our own.
This summer I hear the drumming,
Four dead in Ohio.
Gotta get down to it
Soldiers are cutting us down
Should have been done long ago.
What if you knew her
And found her dead on the ground
How can you run when you know?
Gotta get down to it
Soldiers are cutting us down
Should have been done long ago.
What if you knew her
And found her dead on the ground
How can you run when you know?
Tin soldiers and Nixon coming,
We're finally on our own.
This summer I hear the drumming,
Four dead in Ohio.



A Cantiga é uma Arma – G.A.C. Vozes na Luta




Vídeo realizado - supomos nós - e, diga-se em abono da verdade, em muito boa hora, pelo excelente blogue:

http://www.almocrevedaspetas.blogspot.com/


A cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
Tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
e eu não sabia


Há quem cante por interesse
há quem cante por cantar
e há quem faça profissão
de combater a cantar
e há quem cante de pantufas
p'ra não perder o lugar


O faduncho choradinho
de tavernas e salões
semeia só desalento
misticismo e ilusões
canto mole em letra dura
nunca fez revoluções

(...)

O Grupo de Acção Cultural (GAC) iniciou as suas actividades em 1974, logo a seguir ao 25 de Abril. No seu início o GAC era um projecto musical que envolvia nomes como José Mário Branco, José Afonso, Fausto, Adriano Correia de Oliveira e mesmo José Niza e Manuel Alegre.
O que se pretendia com este grupo era apoiar as greves e outras manifestações que despontavam como cogumelos.

Em 1975 dá-se a separação definitiva das águas , ficando o GAC como um projecto ligado ou muito próximo da UDP, constituído por um grupo de vozes que giram à volta do principal impulsionador e mentor José Mário Branco.

Por esta época chegou a haver o GAC Norte e o GAC Sul e o grupo chegou a realizar 3 sessões ( como se chamavam os concertos) durante um só dia.

Do GAC faziam parte nomes como Afonso Dias, João Lisboa ( actual crítico do "Expresso"), Carlos Guerreiro,
Rui Vaz ( actuais membros dos Gaiteiros de Lisboa) e Nuno Ribeiro da Silva ( que foi secretário de Estado num dos governos de Cavaco Silva).

O grupo concorre ao Festival RTP da canção com o tema "Alerta" e editará muitos outros singles , tais como "A Cantiga É Uma Arma" ou " A Ronda do Soldadinho". Estes singles serão , posteriormente, reunidos num LP intitulado "A Cantiga É Uma Arma".

Com o 25 de Novembro, os ânimos políticos arrefecem e o grupo começa a iniciar uma nova fase que passa pela recolha de temas tradicionais , recriados com novas letras da autoria do grupo ou com originais muito próximos da música tradicional. Tal é o caso do LP " Pois Canté!", editado em 1976.

Este é um disco fundamental para a compreensão de todo o fenómeno posterior de recriação da música tradicional, feita por grupos como Raízes, Brigada Victor Jara, Vai de Roda, etc.

Este trabalho faz, aliás, parte das obras que o jornal "Público", numa votação dos seus críticos musicais , considerou como dos melhores de sempre da música portuguesa.

José Mário abandona o grupo ( que mantém a designação GAC- Vozes na Luta) para se dedicar à militância política e ao teatro.
O GAC editará ainda mais 2 LP's " Vira Bom" e "Ronda da Alegria" , na linha do anterior " Pois Canté!", recriando a música tradicional portuguesa.
Em 1978 desaparecia um dos mais importantes grupos de música portuguesa, que contribuiu de firma decisiva (embora , por vezes, não se dê conta disso) para o desenvolvimento de uma estética musical baseada na criatividade e na inovação.

Este último texto foi retirado de:
http://www.novaguarda.pt/241199/g_opi1.htm

Kumpania Algazarra - é de ouvir e chorar por mais...




Pequeno video do concerto de Kumpania Algazarra na Comunidade Tamera





Esta banda de Sintra começa a tocar em Fevereiro de 2004 e tem as ruas como palco principal das suas actuações, para além dos concertos habituais que realizam e que normalmente chamam muito público dada a música contagiante que praticam. As suas influências múltiplas vão desde a música dos Balcãs até à música africana numa mistura frenética de estilos e ritmos musicais do mundo.


http://www.myspace.com/kumpaniaalgazarra


www.kumpanialgazarra.com


Composição da banda:

Kiko - Trombone
Pedro - Doublebass
Trinta - Acoustic guitar, sax, voice
Hugo - Drums
Rini - Acordeon
Helder - Percussions
Ricardo - Trompet
Luís Bastolini – Clarinete

Fazer a Festa - Festival Internacional de Teatro (4 a 13 de Maio)


26ª edição - 4 a 13 de Maio de 2007

Jardins do Palácio de Cristal
Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett
TECA - Teatro Carlos Alberto


Programa


Dia 4, sexta-feira
[ 21.30h ] estreia
"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12


Dia 5, sabádo
[ 15.30h ]
"MARIONETAS NO JARDIM" ¬ Instituto Superior Jean Piaget . VN Gaia ¬ Todos
[ 16:30h ]
"O BURACO" ¬ Companhia de Teatro de Braga . Braga ¬ M/ 6
[ 21.30h ]
"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12


Dia 6, domingo
[ 15.30h ]
"VARIAÇÕES DE MARIONETAS EM REDOR DA MÚSICA" ¬ Trulé . Évora ¬ Todos
[ 16.00h ]
"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12
[ 16:30h ]
"TARARÁ CHIS-PUM!" ¬ Centro Dramático Galego . Galiza, Espanha ¬ M/ 6


Dia 7, segunda-feira
[ 10:00h e 14.30h ]
"ARCA DOS SONHOS" ¬ Teatro das Beiras . Covilhã ¬ M/ 6


Dia 8, terça-feira
[ 10:00h e 14.30h ]
"PRÍNCIPE FIM" ¬ Shakespeare Women Company . Lisboa ¬ M/ 4
[ 21.30h ]
"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12


Dia 9, quarta-feira
[ 10:00h e 14.30h ]
"O RAPAZ DE BRONZE" ¬ Teatro de Animação de Setúbal . Setúbal ¬ M/ 4
[ 21.30h ]
"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12


Dia 10, quinta-feira
[ 10:00h e 14.30h ]
"O CAPUCHINHO VERMELHO" ¬ UrzeTeatro . Vila Real ¬ M/ 3
[ 21.30h ]
"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12


Dia 11, sexta-feira
[ 10:00h e 14.30h ]
"QUEM COME A MINHA CASINHA" ¬ Jangada Teatro . Lousada ¬ M/ 4
[ 21.30h ]
"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12


Dia 12, sábado
[ 15.30h ]
"PALCO MÓVEL" ¬ Tosta Mista - O Malabarista . Alemanha / Portugal ¬ Todos
[ 16:30h ]
"CUÉNTAME UN CUENTO" ¬ Teloncillo . Castela, Espanha ¬ M/ 6
[ 21.30h ]
"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12


Dia 13, domingo
[ 15.30h ]
"SERÁ QUE AS GIRAFAS LAVAM OS DENTES?" ¬ Marimbondo . Lousã ¬ Todos
[ 16:00h ]
"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12
[ 16:30h ]
"OS CONTOS DE SHAKESPEARE" ¬ Teatro Nacional D. Maria II . Lisboa ¬ M/ 6
Mais info:

3.5.07

Espantalhos iniciam caravana contra os transgénicos em Portugal



Pelo direito a cultivos, alimentos e zonas livres de transgénicos

A Plataforma Transgénicos Fora lança a partir de hoje a «Caravana dos Espantalhos», uma iniciativa de âmbito nacional com o objectivo de chegar mais perto de agricultores e consumidores, alertando-os para o risco dos cultivos e alimentos geneticamente modificados. A Caravana dos Espantalhos pretende também defender o direito de opção dos consumidores e agricultores e o respeito da vontade dos cidadãos e autarquias a declarar zonas livres de transgénicos.

Na cerimónia de lançamento da Caravana dos Espantalhos, marcada para esta 6ª feira, dia 4 de Maio, a partir das 21h00, será possível assistir, na presença de um vereador da Câmara Municipal, ao hastear da primeira bandeira de Zona Livre de Transgénicos na Praça de S. João, em Alcochete, ao som da música de rua dos Kumpania Algazarra.

Na praça estarão também presentes bancas com informação e venda de produtos biológicos. Enquanto isso, na Galeria Municipal, junto à praça, será feita a inauguração da exposição “Agricultura, Alimentação e Ambiente” e projectado o filme “O Futuro da Comida” de Deborah Koons Garcia.

A Caravana dos Espantalhos é em grande parte dedicada aos consumidores mais jovens, estudantes do ensino básico e secundário.

Para Gualter Barbas Baptista, activista e porta-voz da Plataforma, “são as novas gerações e as gerações futuras que mais vão sofrer com os erros e más escolhas políticas da geração actual. Enquanto que hoje nos confrontamos com os problemas de poluição por químicos ou com as alterações climáticas, herdadas das políticas ecologicamente destrutivas das gerações passadas, no futuro poderemos deixar um legado de contaminação irreversível do nosso ambiente por organismos transgénicos, com todos os riscos que isso comporta para a saúde humana, para a biodiversidade e para a economia”.

Depois de 2 dias em Alcochete, a Caravana dos Espantalhos seguirá para o Cadaval entre 6 e 8 de Maio. Na freguesia declarada Zona Livre de Transgénicos do Vilar será hasteada mais uma bandeira, no Domingo 6 de Maio às 17h30.


Os dias seguintes serão acompanhados por iniciativas em escolas do ensino básico e secundário do concelho do Cadaval. A primeira etapa da Caravana dos Espantalhos contará mais tarde com uma acção contra os transgénicos em Rio Maior.

Para mais informações: Gualter Baptista, 91 909 0807

A Plataforma Transgénicos Fora é uma estrutura integrada por onze entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura (ARP, Aliança para a Defesa do Mundo Rural Português; ATTAC, Associação para a Taxação das Transacções Financeiras para a Ajuda ao Cidadão; CNA, Confederação Nacional da Agricultura; Colher para Semear, Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais; FAPAS, Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens; GAIA, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; LPN, Liga para a Protecção da Natureza; MPI, Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente; QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza; e SALVA, Associação de Produtores em Agricultura Biológica do Sul) e apoiada por dezenas de outras.

Para mais informações:
www.stopogm.net

A poesia de Miguel Torga


VOZ ACTIVA

Canta, poeta, canta!
Violenta o silêncio conformado
Cega com outra a luz do dia.
Desassossega o mundo sossegado.
Ensina a cada alma a sua rebeldia.




ORFEU REBELDE

Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete


A eternidade no meu sofrimento.
Outros, felizes, sejam rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que ha' gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.


Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legitima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.


Sobre a Obra poética de Miguel Torga:

A obra de Torga tem um carácter humanista: criado nas serras transmontanas, entre os trabalhadores rurais, assistindo aos ciclos de perpetuação da Natureza, Torga aprendeu o valor de cada homem, como criador e propagador da vida e da Natureza: sem o homem, não haveria searas, não haveria vinhas, não haveria toda a paisagem duriense, feita de socalcos nas rochas, obra magnífica de muitas gerações de trabalho humano. Ora, estes homens e as suas obras levam Torga a revoltar-se contra a Divindade Transcendente a favor da imanência.


Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia Rocha, (São Martinho de Anta, 12 de Agosto de 1907 — Coimbra, 17 de Janeiro de 1995) foi um dos mais importantes escritores portugueses do século XX
Filho de gente humilde do campo do concelho de Sabrosa (Alto Douro), frequentou brevemente o seminário, e emigrou para o Brasil em 1920, com doze anos, para trabalhar na fazenda do tio, na cultura do café. O tio apercebe-se da sua inteligência e patrocina-lhe os estudos liceais, em Leopoldina. Distingue-se como um aluno dotado. Em 1925 regressa a Portugal. Em 1927 é fundada a revista Presença de que é um dos colaboradores desde o início. Em 1928 entra para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publica o seu primeiro livro, "Ansiedade", de poesia. É bastante crítico da praxe e tradições académicas, e chama depreciativamente "farda" à capa e batina, mas ama a cidade de Coimbra, onde viria também a exercer a sua profissão de médico a partir de 1939 e onde escreve a maioria dos seus livros. Em 1933 concluiu a formatura em Medicina, com apoio financeiro do tio do Brasil. Exerceu no início nas terras agrestes trasmontanas, de onde era originário e que são pano de fundo da maior parte da sua obra.
A obra de Torga tem um carácter humanista: criado nas serras transmontanas, entre os trabalhadores rurais, assistindo aos ciclos de perpetuação da Natureza, Torga aprendeu o valor de cada homem, como criador e propagador da vida e da Natureza: sem o homem, não haveria searas, não haveria vinhas, não haveria toda a paisagem duriense, feita de socalcos nas rochas, obra magnífica de muitas gerações de trabalho humano. Ora, estes homens e as suas obras levam Torga a revoltar-se contra a Divindade Transcendente a favor da imanência: para ele, só a humanidade seria digna de louvores, de cânticos, de admiração: (hinos aos deuses, não/os homens é que merecem/que se lhes cante a virtude/bichos que cavam no chão/actuam como parecem/sem um disfarce que os mude). Para Miguel Torga, nenhum deus é digno de louvor: na sua condição omnisciente é-lhe muito fácil ser virtuoso, e enquanto ser sobrenatural não se lhe opõe qualquer dificuldade para fazer a Natureza - mas o homem, limitado, finito, condicionado, exposto à doença, à miséria, à desgraça e à morte é também capaz de criar, e é sobretudo capaz de se impor à Natureza, como os trabalhadores rurais transmontanos impuseram a sua vontade de semear a terra aos penedos bravios das serras. E é essa capacidade de moldar o meio, de verdadeiramente fazer a Natureza mau grado todas as limitações de bicho, de ser humano mortal que, ao ver de Torga fazem do homem único ser digno de adoração. Considerado por muitos como um avarento de trato difícil e carácter duro, foge dos meios das elites pedantes, mas dá consultas médicas gratuitas a gente pobre e é referido pelo povo como um homem de bom coração e de boa conversa. Foi o primeiro vencedor do Prémio Camões.


III Congresso Internacional sobre Miguel Torga

Data: de 03/05/2007 a 05/05/2007

Local: Casa da Cultura - Câmara municipal de Coimbra

http://www.ufp.pt/events.php?intId=10078

Tertúlia ateísta no Café Ceuta para apresentação do livro «O Peter Pan não existe»

Na próxima sexta-feira dia 4 de Maio no Café Ceuta, na Rua de Ceuta da cidade do Porto, às 21:00 h. , vai ser apresentado o livro do Onofre Varela, editado pela Caminho, O Peter Pan Não Existe.

Será uma excelente oportunidade não só para conhecerem pessoalmente o autor do livro, como também para que os ateístas portuenses se encontrarem numa tertúlia de café como só o Café Ceuta poderia proporcionar.

2.5.07

Eles querem construir 4 barragens no Rio Paiva!!!

Notícia retirada de:
http://www.mruim.blogspot.com/

Ver ainda:
http://groups.google.com/group/riopaiva
( Grupo de cidadãos determinados a defender a preservação do vale do Rio Paiva, que é parte integrante da Rede Natura 2000, contra qualquer projecto que ponha em causa o frágil e valioso ecossistema da maior riqueza natural da região.

e-maiL
riopaiva@googlegroups.com


Segundo notícias vindas a público está de regresso a ameaça de serem construídas uma série de barragens num dos mais bonitos rios portugueses: nada mais nada menos que o Rio Paiva. O projecto é antigo mas parecia enterrado. Acontece que os interesses económicos parecem não desistir em levar por diante os seus propósitos, agora com a novidade de serem apoiados – pasme-se! – por uma equipa do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores, liderada pelo professor Aníbal Traça de Almeida, apresentou um estudo onde se conclui que "não há tempo a perder" e que se deve avançar rapidamente para a construção de 14 Barragens nos Rios Paiva (4), Côa (3), Vouga (3), Mondego (3) e Ocreza (1), e que produzirão cerca de 2 biliões de kWh/ano de energia eléctrica, segundo a edição de 27 de Abril do JN.

Aníbal Traça de Almeida, em entrevista ao JN, usa argumentos ambientais para justificar a importância da construção destas barragens, dizendo que elas evitarão a emissão de 700 mil toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, e que serão importantes para minorar os efeitos das cheias, secas, e fogos florestais!!!!

Ou seja, defende a destruição do meio ambiente para defender o meio ambiente!!!! Alguém acredita nisto??!


Já conseguimos impedir a construção de 1 barragem.
Também conseguiremos impedir 4!

Para apreciar a beleza do rio Paiva e zonas adjacentes:

http://www.carqueija.blogspot.com/


Um golpe mortal ao Parque Natural de Montesinho?

Empresa quer investir 800 milhões de euros em parque eólico em Bragança

A Airtricity Energias Renováveis, empresa de capitais irlandeses e portugueses, anunciou que pretende investir 800 milhões de euros na construção de um parque eólico em Bragança, em pleno Parque Natural de Montesinho.A nova empresa - que quer entrar no mercado português da energia, produzindo e vendendo directamente ao consumidor – resulta de uma parceria entre a Airtricity irlandesa e portuguesa Enerbaça-Energias Renováveis. Luís Pinho de Sousa, presidente da Enerbaça, diz que o parque eólico poderá produzir entre 400 a 600 megawatts (MW) de energia, o suficiente para "alimentar entre 15 a 20 cidades" como Bragança, que tem cerca de 20 mil habitantes. Luís Pinho de Sousa e o presidente da Airtricity, Paul Dowling, tencionam ter a funcionar "o primeiro aerogerador dentro de um a dois anos", embora ainda não esteja concluído o processo que permitirá avançar com o projecto.


Terrenos do projecto em pleno Parque Natural de Montesinho
No entanto, o projecto está dependente de estudos e autorizações, nomeadamente ao nível ambiental, já que será desenvolvido em pleno Parque Natural de Montesinho, que se arrisca assim à sua completa descaracterização e abastardamento.

Consultar:

1.5.07

The Corporation - o filme-documentário sobre as empresas privadas e o modo como funcionam


Notável documentário de 2h. 25m sobre a globalização capitalista e mais particularmente sobre as empresas privadas.

1





2






3

A Internacional, história de uma canção lendária

A crónica de uma canção lendária escrita em 1871 após o esmagamento brutal da Comuna de Paris

1


2



3

30.4.07

Todos ao 1º de Maio de luta e de festa

Últimas notícias: depois de um ataque externo que o suspendeu durante um dia e meio o Indymedia Portugal já está novamente online.
Apareceu, entretanto,
um blogue - CravadonoCarmo - para denunciar a ilegal e violenta repressão policial que se abateu no Chiado no passado dia 25 contra antifascistas e simples transeuntes.

********************************************************************
********************************************************************

TODOS AO 1ª de MAIO - dia mundial de luta dos trabalhadores pelo reconhecimento da sua dignidade e pela emancipação social face à exploração de que são vítimas do Capital na sua ânsia de lucro e de dominação sobre os mais fracos.


Indicam-se a seguir alguns sites do MayDay, uma forma de dar visibilidade aos trabalhadores (as) precários(as):

http://euromayday.org/

http://theagitator.wordpress.com/

http://precarity-map.net/

http://www.maydaymadrid.org/

http://maydayberlin.blogsport.de/


Convocatória para o MayDay-2007 em Berlim



Memória Histórica
O 1º de Maio de 1974 no Porto





29.4.07

Os mileuristas - a geração encalhada nos recibos verdes, contratos a prazo e na precariedade


E isto o que é?
-É o principal quarto da casa!
*

CONTINUANDO AS COISAS COMO ESTÃO
NUNCA IRÁS TER UMA CASA NA PUTA DA VIDA


texto de Francisco Vaz Fernandes
retirado da revista gratuita Difmag

sobre o livro
«Mileuristas», de Espido Freire, ed. Ariel sem tradução
para português.


Estava, em Janeiro, no aeroporto de Barcelona, quando um livro me despertou a curiosidade. Intitulava-se «Los Mileuristas» e era escrito por Espido Freire. Trata-se do retrato de uma geração espanhola que considera ter a melhor formação, ou seja, que estudou em universidades mas vive numa situação precária de emprego e não consegue ultrapassar o rendimento de mil euros. É a geração que assumiu que não terá pensões, mas que tem que pagar para que os outros tenham. Assumiu que não terá um trabalho fixo mas trabalha para que alguém tenha. Uma rápida leitura permitiu-me verificar que esta obra é, por extenso, uma descrição de uma realidade da Europa Ocidental, especialmente a dos países do sul com crescimento tardio e recente. Com excepção de alguns casos particulares desta geração espanhola, esta é uma realidade que também nós vivemos em Portugal nos últimos quinze anos. Ou seja, também nós somos mileuristas.


Uma pequena investigação na internet e fiquei a par de que Espido Freire é uma reputada jovem escritora espanhola de origem galega que nasceu no País Basco. Com 25 anos conseguiu o Prémio Planeta, convertendo-se na mais jovem escritora a ganhar um dos prémios mais importantes de Espanha, lançando-a parauma carreira sólida, presa essencialmente à ficção. Por isso ficava a interrogação: por que é que uma escritora com uma carreira já sólida,com livros traduzidos em várias línguas, nomeadamente em português, resolve escrever um livro sobre uma geração encalhada? Acima de tudo porque se considera uma mileurista, vítima de uma parte da sociedade no poder (a dos seus pais) que os tornou eternos adolescentes, acomodados aos mimos que já têm, e sem qualquer consciência de grupo. Este livro não é uma apelo a qualquer revolução, longe disso, é mais uma consciencialização e autocrítica à sua/nossa própria geração, com o objectivo de provocar perspectivas de mudança. A própria
autora escreve na introdução do livro que a expressão mileuristas não foi propriamente inventada por ela, que a encontrou pela primeira vez em 2002 no jornal «El País» numa carta
aberta ao jornal escrita por uma rapariga chamadaCarolina Alguacil. Era uma carta extensa de uma jovem que expunha a sua vida, referindo que tentava fazer carreira na área da publicidade, mas que ganhava menos de mil euros por mês, que não podia deixar a casa dos
seus pais, e que se o fizesse teria que compartir apartamento com vários amigos. Tinha tirado uma licenciatura e um mestrado, falava idiomas, conhecia informática e tinha carta de condução. Tinha tudo o que a sociedade lhe tinha explicado como necessário para triunfar na vida. No entanto, nem sequer tinha estabilidade económica suficiente para pensar em ter uma família. Ela considerava-se uma mileurista e terminava com uma piada, escrevendo,
“tem sido divertido viver assim, porque
vivemos como eternos adolescentes, porque
usufruímos de muito tempo de lazer, porque
fomos mimados, protegidos e crescemos com
televisão e com mil comodidades. No entanto,
já cansa”.


A expressão mileuristas marcou tanto a escritora como uma geração inteira com os mesmos problemas, que difundiu largamente a carta através da net. No entanto, a resolução de escrever o livro não foi propriamente um acto compulsivo para Espido Freire, que só surgiu 4 anos depois por considerar que toda uma geração, que era a dela, estava cansada de ter a sensação de que se passaram vários anos depois desta carta e que nada tinha mudado ou estivesse em vias de mudar. Já uma palavra definia o fenómeno –mileuristas - e Espido Freire tinha um ponto de partida.
Apenas tinha que se identificar como mais uma dentro desta geração e auto analisar-se.Depois foi uma questão de alargar a análise empírica aos amigos, aos amigos dos amigos, aos colegas de trabalho, conhecidos de ocasião e estabelecer uma reflexão, um juízo de autocrítica e sobretudo descobrir os mitos e a sua veracidade. Foi assim que nasceu os «Mileuristas» de Espido Freire, um grande sucesso editorial, com uma repercussão enorme dentro da sociedade que faz com que hoje não possa responder aos milhares de emails que recebe e aos muitos convites para conferências sobre o tema. Para Espido Freire os mileuristas são uma geração entre os vinte e tal anos e os trinta e muitos. São pessoas que nasceram durante a democracia espanhola e que sempre tiveram oportunidade de escolha. É a geração das actividades extra escolares, os que tiveram oportunidade de ir ao karate, ao inglês e a catequese, mas também à informática.
Uma geração que viajou, que fez o inter-rail e que muitas vezes estudou com uma bolsa num
país estrangeiro. São consumistas, porque lhes ensinaram a ser. Eram filhos de pais jovensentre os anos 60 a 80, que viveram as transições políticas espanholas dos anos 80 e que a escritora denomina de geração babyboom. É a geração que serve, durante todo livro, de paralelo para a análise comportamental dos mileuristas.

Segundo a escritora, a geração do Babyboom são os babybuilders, provenientes de famílias numerosas, uma geração que lutou por muitos dos seus direitos nomeadamente o direito dos jovens, saltando rapidamente para o poder. Construíram oportunidades e usufruem de garantias do Estado, dadas em anos de grande utopias. Foi uma geração que conseguiu comprar uma segunda casa para passar férias e que ambicionou que os filhos tivessem
ainda uma vida melhor. Para eles ter um filho advogado, médico, engenheiro, arquitecto
era uma garantia de sobrevivência. Por isso não lhes pediram outra coisa senão que estudassem e fossem para a universidade. Nós, os mileuristas, herdámos em parte as ânsias desses pais e apenas quisemos estudar para garantir um emprego e uma casa. Conseguimo-lo
com o esforço dos nossos pais e o nosso. Mas quando chegámos à universidade rapidamente
nos demos conta que éramos já demasiados. A própria Espido Freire refere que, quando em
1992 se matriculou em Direito na Universidade Privada de Deusto em Bilbau, só no primeiro
ano do seu curso havia 1200 estudantes. Com tantos licenciados não havia empregos compatíveis para as suas aptidões. Em parte, isso explica os contratos precários um pouco por
toda a Europa e a sua versão portuguesa de recibos verdes, que é muito mais vergonhosa e
intolerante. Sem emprego, muitos de nós ainda optamos em apostar em mais formação, fi-
zemos mestrados e mesmo doutoramentos, alguns através de bolsas pagas pelo governo e ajudas da comunidade europeia. Contudo, não sabíamos que, dez anos mais tarde continuaríamos sendo bolseiros. Em geral, ninguém podia ter percebido que a sociedade tinha mudado e que tinha deixado para trás toda uma geração sem saber muito bem como nem quando.
E como vivemos nós os mileuristas? Num traço rápido, pegando nas próprias descrições
que Espido Freire faz no livro, vivemos como miúdos porque fomos educados como miúdos.
Continuam a ser tratados como miúdos e como tal não nos são dadas nem assumidas responsabilidades. Não fomos educados para poupar. Fomos, aliás, educados para gastar e para viver o momento. Fomos a primeira geração que viveu a invasão do consumismo norte-americano, a primeira geração que podia passar o seu aniversário com os amigos no McDonalds ou no chinês. Fomos a geração que teve uma mesada aos domingos, inclusivé dobrada quando tínhamos país divorciados. Portanto, não tínhamos muito dinheiro, mas tínhamos sempre algum para gastar. Vivemos a chegada da Zara e da Mango, que nos permitiu renovar constantemente o guarda roupa. Somos portanto uma geração sem trabalho assegurado (em geral pouco remunerado) e sem qualquer capacidade de poupar. Com vinte e tal anos continuam a viver em casa dos pais e sem planos para sair. Gostamos de sair á noite porque esta é uma das gratificações imediatas a que estamos habituados. Muitos de nós, filhos de famílias divorciadas, encontrávamos nas pândegas com os amigos todo o apoio que não tivemos em casa. Somos a geração que encolheu os ombros e disse - para quê? , porque efectivamente já tínhamos sentido repetidamente que os esforços não servem de nada, e para aqueles que nos poderiam valer não estávamos preparados.
Em geral, o dinheiro não nos interessa demasiado. O que nos interessa na verdade é o tempo livre, as férias, a chamada qualidade de vida. Espido Freire, a determinado momento do livro, prende-se com uma comparação com a geração X nos Estados Unidos, que foi a primeira a ponderar trabalhar em casa, a primeira a ponderar jornadas mais reduzidas de trabalho mesmo ganhando menos dinheiro.
Somos uma geração que viu tanta publicidade, tantas versões invertidas e revertidas do mundo, que curiosamente trocamos o branco pelo negro e não estranhamos. Por isso mesmo somos uma geração cínica. Uma geração de comboiadas que se ri um pouco de tudo, porque vivemos a sensação de que outra coisa não se pode fazer. Esta paródia, esse sentido de humor apenas tentam esconder geralmente um vazio interior. Um vazio por ter perdido todos os referentes: referentes da empresa, os referentes do trabalho, os referentes da família.




Um pequeno video de como vive, trabalha e pensa a nova geração de jovens que, apesar das suas habilitações académicas ( licenciatura, pós-graduações, mestrados, etc, etc) ganham menos de mil euros por mês

Boris Vian por Boris Vian


«Nem militares nem padres porque o meu sonho foi sempre morrer sem intermediários»

«Não quero ganhar a minha vida, já a tenho»


«O paradoxo do trabalho é que no fim de contas trabalhamos apenas para o suprimir»

«Porque é que as cantoras bonitas são sempre casas com o sax tenor da orquestra? E será por isso que toda a gente toca sax tenor?»

«As máquinas de moedas são de diversos tipos: a mais conhecida é a da virgem vestida de santa, na qual se recolhe um pequeno Jesus metendo uma moeda na fenda»



«Amo-te Paris
De um amor extremo
Mas nos campos Elísios
Não há urinóis púbicos
E uma pessoa sente-se martirizada»



Boris Vian era trompetista, boxeur ferreno, engenheiro metarlúgico, crítico de jazz, cardíaco precoce, inventor, cantor esgrouviado e cabriola, patafísico, autor de policiais enquanto Vernon Sullivan, perseguido, condenado por injúrias, afamado de mulherengo, mal-afamadi de pederasta e de cobra-cuspideira, escreveu livros bons para a puberdade, foi sniper-provocador e pai do non-sense mais abastardado, provavelmente guru dos Monty Pynton e autor de obras como As Formigas, Morte aos Feios ou A Espuma dos Dias.

No livro Boris Vian por Boris Vian, uma colectânea de greatest-hits, tudo entra ao barulho e tocam-se toda a espécie de temas: as mulheres, deus, a arte, o jazz, p boxe, a imprensa, a crítica.

Se gosta de aforismo da Agustina Bessa-Luís não pegue neste livro.

Boris Vian era tudo isto. Quase sempre. E quase nunca. Em algazarra total. Boris Vian era Boris Vian.


Boris Vian por Boris Vian é uma recolha de excertos retirados da sua multifacetada obra com a tradução de Sarah Adamopoulos e editado em 2006 pela Fenda.

O preço do editor é de 12 euros e o preço vadio ( isto é, na Livraria Gato Vadio) é de 10 euros.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Boris_Vian




Breve biografia

Boris Vian nasceu em Ville d'Avray, em 1920. Aos 8 anos, lia Corneille, Racine, Molière e Maupassant. Aos 12, sofreu de complicações cardíacas. Era um boémio: festas-surpresa, altas-velocidades e trocadilhos em rima eram os passatempos. Interessou-se por jazz e em 1937 entrou no Hot Club de França (tocava trompete).


Engenheiro mecânicoEstudou engenharia mecânica. Em 1942 começou a trabalhar na fábrica AFNOR. Entrou em conflito com a administração por estar sempre a corrigir erros ortográficos dos superiores. Publicou os primeiros escritos sob os pseudónimos Bison Ravi e Hugo Hachebuisson em 1944-45. Escreveu "Vercoquin et le plancton" (publicado em 1947) para onde transfere o clima de absurdo organizacional da fábrica. Foi despedido em 1946. O livro fê-lo conhecer Raymond Queneau, escritor, na altura editor da Gallimard. Começou a trabalhar na Office du Papier.


Escritor apaixonado por jazzEscreveu em três meses "A Espuma dos dias", com que concorreu ao prémio da Pléiade, que não recebeu, apesar dos apoios de Queneau, Beauvoir e Sartre, com quem convivia. Escreveu em 1946 "Chronique du menteur" em vários números do "Temps Modernes". Publicou também "J'irai cracher sur vos tombes" sob pseudónimo de Vernon Sullivan, um "best-seller" censurado em 1949. Trabalhou na orquestra de jazz de Claude Abadie. Foi também trompetista e animador no bar "Le Tabou" em Saint-Germain, onde se reuniam artistas. Escreveu "L'Equarrissage pour tous", que adaptou para teatro: um fracasso. Em 1948 conheceu Duke Ellington, de visita a Paris. As edições Toutain publicaram "A erva vermelha" (1950), recusado pela Gallimard.


"Matador"...Foi nomeado "matador de primeira classe" no Colégio dos Patafísicos. A Patafísica é a ciência das soluções imaginárias: a missão era "explorar os campos negligenciados pela física e metafísica". O grupo tinha um pai espiritual (Alfred Jarry, escritor, morreu em 1907) e reunia o barão Mollé (amigo de Jarry e de Apollinaire), Michel Leiris, Ionesco, Henri Robillot, Pascal Pic, Jacques Prévert.


...e "déspota"Dias antes de morrer, deu uma festa na "varanda dos três déspotas" - Vian, Prévert e Ergé - em honra do barão Mollé, recém-eleito curador dos Patafísicos. Foi a mais bela reunião, o apogeu do grupo, com Henri Salvador, Noël Arnaud, Pierre Kast ou René Clair. O "déspota" Latis pronunciou o elogio fúnebre de Vian, que sofria já de complicações cardíacas. "Morrerei antes dos 40", disse. Os médicos obrigaram-no a deixar o trompete. Morreu de ataque cardíaco, em 1959. Tinha 39 anos

28.4.07

Gato Vadio - café-livraria no centro do Porto


Abriu recentemente no Porto uma nova livraria sob o formato de café-bar+livraria+atelier de design+ casa d'ócio

O novo espaço situa-se na Rua do Rosário 281 e está aberto das 11h. até à meia-noite.

O ambiente interior é simpático e acolhedor, e convidativo para dois dedos de conversa.A música condiz com o espaço

Todas boas razões para merecer uma visita.

Parabéns ao Júlio e à Maia, um português e uma jovem polaca que se aventuraram neste projecto.

27.4.07

O Precariado rebela-se - MayDay em Lisboa


http://2007mayday.wordpress.com/

O PRECARIADO REBELA-SE


* No primeiro de Maio, que é o feriado mundial dos trabalhadores, realizam-se por toda a Europa as paradas MayDay. Essas iniciativas são manifestações de visibilidade do trabalho sem voz: os precários de todo o tipo.* A primeira parada MayDay de Lisboa é uma festa rebelde que junta operadores de call center, imigrantes, bolseiros, intermitentes do espectáculo e do audiovisual,estagiários, desempregados e contratados a prazo, estudantes- (já/ainda/quase) -trabalhadores, etc…


* A precariedade invade todas as áreas da vida e é mais completa entre os mais novos. Sair de casa dos pais, aguentar uma renda ou um empréstimo, são coisas simples que se transformam em grandes riscos. O trabalho precário nem sempre é pago. É quase sempre mal pago. O patrão que emprega raramente é o que contrata: as empresas de trabalho temporáriomultiplicam-se, crescem e exibem lucros milionários. Nelas, o salário é mais curto, o contrato pode acabar sem aviso e nem sempre deixando subsídio de desemprego.


* No MayDay, desfilaremos contra a exploração, contra o emagrecimento dos apoios sociais e à habitação, pelo direito a trabalhar sem chantagem e a um mínimo de independência e conforto. Ninguém quer passar o resto da vida a pensar como pagar a próxima conta e a fazer malabarismos com três trabalhos precários.


Precárias e precários, todos ao MAYDAY!


MayDay!! :: MayDay2007!! :: 1º Maio ::


Parada Mayday - Alameda D.Afonso Henriques
Pic-nic às 13h.

Partida às 14h. em direcção à Pr. Alvalade
Participação na manif cgtp, do inatel à cidade universitária




A EUROPA DA PRECARIEDADE


Os números das estatísticas estão aí para o provar: em Portugal, juventude rima com precariedade. O trabalho descartável, com contrato não permanente, é o dia-a-dia de um terço dos jovens portugueses, que por sua vez representam dois terços do universo de precários de todas as idades.
Naturalmente, nada disto seria possível sem o encorajamento dos sucessivos governos às medidas de desregulamentação dos direitos dos trabalhadores e da prioridade à contratação individual que aumenta a desigualdade na relação entre empregador e empregado. A degradação das condições de trabalho torna-se por isso evidente em quase todos os casos: do jovem investigador científico que é obrigado a passar por eterno bolseiro - porque assim a entidade patronal pode contornar melhor o congelamento de contratações nos quadros, sem lhe dar um vínculo laboral e o consequente acesso aos direitos básicos - ao jovem trabalhador ferroviário que hoje é contratado sem ter acesso aos direitos dos que trabalham na mesma empresa, e até chega a pagar do próprio bolso o bilhete de comboio para ir trabalhar.

A precariedade à portuguesa tem no recibo verde um dos seus instrumentos mais irónicos. O trabalhador sem contrato nem direitos, que cumpre horário e assume um lugar de trabalho necessário e permanente na empresa, é pomposamente tratado (pelo mesmo Estado que permite este atropelo à sua dignidade) como um empresário em nome individual que presta os seus serviços a um cliente. E este é na maior parte das vezes um cliente muito especial, nem tanto por ser o único, mas por ser o seu patrão, o mesmo patrão que se recusa a descontar para a segurança social e a conferir direitos ao trabalhador, aqui “prestador de serviços” descartável num piscar de olhos quando for preciso.

O falso recibo verde é filho da flexibilidade laboral que o bloco central apadrinhou, com o seu ponto alto no código Bagão que Sócrates se recusa a revogar. E é a sina de muitos destes jovens trabalhadores precários, muitos deles obrigados a confrontarem-se também com as imposições das Empresas de Trabalho Temporário (ETT’s), autênticas sanguessugas dos salários já de si magros que se praticam por cá, uma situação tanto mais escandalosa por ser protegida legalmente.

No que respeita ao futuro, não há grandes razões para sorrir. A flexigurança proposta no auto-intitulado “Livro Verde” da UE (que na verdade é um documento de 17 páginas), e que Cavaco e Sócrates pretendem vir a aplicar por cá, pode ter efeitos devastadores, tendo em conta o incipiente regime de protecção social português. Importar a flexibilidade dos despedimentos é uma reivindicação antiga dos patrões, avessos a conquistas sociais como a da negociação colectiva.
É por tudo isto que no próximo 1º de Maio, muitos jovens precários, sindicalizados ou não, vão trazer pela primeira vez a Portugal a contestação em forma de festa, criatividade e resistência. É o MayDay, quando o precariado sai à rua.


Texto de Luís Branco


Segunda 30 Abril

FESTA MAYDAY CONTRA A PRECARIEDADE

o primeiro de maio começa às zero horas.
A partir das 22H, na Karnart
Rua da escola de veterinária, junto ao Liceu Camões (Metro Picoas)
DJs, VJs, Personal Trainers para a Manif, etc
Entrada - 3 euros




«Mortos da vala comum, ocupem os jazigos»

28 de Abril de 1974 - primeira ocupação popular de casas devolutas


Mortos da Vala Comum Ocupem os Jazigos”
Sábado, 28 abril,

entrada livre

Casa Viva - Praça do Marquês, 167 - Porto



21h30 – Concerto Diana :: Pedro
Não fazer canções para mais tarde recordar. Não fazer canções para decorar panteões. Não fazer canções para o lucro dos patrões. Não fazer canções para entreter coronéis. Não fazer canções para casar com anéis. Não fazer canções para enfeitar papéis. Não fazer canções para pedir perdões. Não fazer canções para a morte cantar. Fazer limões oh limões.
http://www.myspace.com/sethmaldito


22h30 – Debate - "Cultura: basta de cereja, que é feito do bolo?"
com Eduarda Dionísio e João Teixeira Lopes




http://casa-viva.blogspot.com/

Grupo de leitura da maria


1º encontro para nos conhecermos, combinar leituras e formas de as partilhar.
no espaço Maria vai com as outras (R. do Almada, Porto)

niketche, uma história de poligamia
paulina chiziane


Domingo, 29 de abril, 16h00
porque os domingos têm horas que dão livros.