16.3.07

As aldeias dos livros

Por intermédio do novíssimo e promissor blogue Lura dos Livros, cuja consulta e leitura se recomenda, consegui encontrar uma listagem das aldeias de livros existentes no mundo num texto interessante publicado pelos bibliotecários sem fronteiros no respectivo website.
Há muito que pensava em elaborar um breve dossier e fazer a divulgação possível destas aldeias ( ou vilas) dos livros e onde estes fazem parte da identidade local. Deixarei então essa abordagem para mais tarde e vou limitar-me a reproduzir o texto encontrado aqui, sem antes, no entanto, agradecer mais uma vez à autora do
blogue Lura dos Livros a indicação feita .

As Book Towns (Comunidades de Livros) são localidades cujas actividades económicas e culturais centram-se quase exclusivamente nos livros. Localizam-se geralmente em pequenas localidades de interesse histórico/patrimonial, cultural ou mesmo paisagístico, concentrando-se nelas um elevado número de livrarias e afins, que comercializam sobretudo livros antigos e/ou em segunda mão.

Em 1961 Richard Booth, um graduado de Oxford, teve a ideia de transformar uma histórica povoação rural em gradual declínio, no País de Gales, Hay-on-Wye, numa Comunidade de Livros. Richard Booth comprou algumas casas abandonadas contíguas e aí implantou o maior alfarrábio de todo o Mundo. Apesar da sua localização numa área rural, Hay-on-Wye possui importantes núcleos urbanos relativamente próximos. Ao longo dos anos foi incentivando e auxiliando muitos outros na abertura de novas lojas em Hay-on-Wye. Em jeito de provocação jocosa em 1977 Booth declarou “independente” Hay-on-Wye , publicando as próprias leis “Home Rule for Hay” e (auto)coroou-se Rei dos Livros. Este facto, se na prática não redundou em nenhuma efectiva mudança administrativa, pelo menos teve o condão de projectar Hay-on-Wye pelo mundo fora, nomeadamente nos círculos dos livros e da cultura. Isso revelou-se crucial para o incremento do seu sucesso a um ritmo exponencial, contando hoje com mais de 30 livrarias/alfarrábios de grande dimensão e atingindo um montante anual de turistas superior a meio milhão. Desde 1988 realiza-se anualmente um festival “Hay Literary Festival“, em colaboração com o jornal “The Guardian” que atrai mais de 80 mil pessoas cujo interesse são os livros. Hay-on-Wye afirma-se na actualidade como um burgo já de razoável dimensão e importância Este êxito induziu outras localidades do resto do mundo a reproduzirem o seu modelo. Em especial os anos de 1993 e 1997 revelaram-se muito frutíferos no surgimento de novas Book Towns, respectivamente com cinco (1993) e oito (1997) novas localidades a aderirem a este modelo.

Uma das características destas Booktowns é formarem um catálogo comum das suas obras dos diversos livreiros e alfarrábios de modo a que este assuma maior visibilidade e o acesso às obras por parte dos visitantes/clientes seja facilitado. Com o advento da Internet esse catálogo passou na maior parte dos casos a estar disponível em rede na Web, o que contribuiu para exponenciar de modo significativo o número de clientes.Outra particularidade das Book Towns é o elevado número de evento e iniciativas ligadas ao universo dos livro que são realizadas ao longo do ano, designadamente os seus Festivais de livros

Na Europa têm sido envidados esforços para que cada país possue, pelo menos, uma Book Town. Na actualidade, contabilizam-se nível mundial, cerca de três dezenas de Book Towns, sendo que dezanove delas se localizam na Europa, destacando-se a França que concentra seis delas.As Book Towns representam uma estratégia modelar para o desenvolvimento rural e turístico sustentável, e contribuindo para afixação de pessoas em zonas rurais. A nível dos sectores de turismo e lazer afirma-se como uma formato inovador, granjeando elevado sucesso, e que é cada vez mais reproduzido pelo mundo fora.

Uma parte significativa das Book Towns estão agrupadas na I.O.B. - International Organisation of Book Towns (Organização Internacional de Comunidades de Livros) que congrega no momento 13 povoações. Algumas das Book Towns (ainda) não integram a IOB em face de não cumprirem os rigoroso critérios por ela propostos, ou porque simplesmente não têm essa intenção. A IOB foi fundada como consequência do projecto da União Europeia “EU-project UR 4001 : European Book Town Network”.

Lista-se, de seguida, as Book Towns que integram a IOB, referindo-se o país respectivo e a data em que obtiveram em que passaram assim a ser designadas:

Hay-on-Wye (Gales, 1961)


Redu (Bélgica, 1984)


Bredevoort (Holanda, 1993)

StillWater (Minnesota, USA, 1993)

St-Pierre-de-Clages (Suíça, 1993)


Fjærland (Noruega, 1995 )

Kampung Buku (Malásia, 1997)

Kirjakilä Sysmä (Finlândia, 1997)

Montereggio(Itália, 1997)

Wigtown (Escócia, 1997)

http://wigtown-booktown.co.uk/

Wünsdorf-Waldstadt (Alemanha, 1997)

Montmorillon (França, 2000)

Tvedestrand (Noruega, 2003)

Os objectivos da I.O.B. são:
- incrementar o conhecimento público das Book Towns e estimular o seu interesse através de divulgação via internet e pela organização do “International Book Town Festival” de dois em dois anos.
- Elevar a qualidade das Book Towns através do intercâmbio de conhecimento, capacidades e da experiências entre as book Towns e também entre os seus livreiros e e outros negócios afins
- Desenvolver a economia rural através da divulgação das Book Towns e pela oferta de um meio (e-bussiness) para os livreiros, através dos quais eles possam oferecer os seus livros a um público universal, em qualquer altura do ano e a qualquer hora.
- realizar actividades que sejam do interesse das Book Towns e fortalecer o comércio independente nestas povoações.
- contribuir para a preservação das múltiplas heranças culturais de âmbito local, regional e nacional e estimular o público internacional a tomar conhecimento delas

Até hoje o “International Book Town Festival” foi realizado nas seguintes Book Towns:
Bredevoort (Holanda, 1998),
Mühlbeck-Friedersdorf (Alemanha, 2000),
Sysmä, Finlândia, (Julho, 2002),
Wigtown, (Escócia, 2004).
Fjaerland, na Noruega , entre 18 e 25 de Junho deste ano, 2006.
Para além Book Towns integrantes da IOB existem outras Booktowns repartidas por diversos países do mundo:

Becherel (França, 1988)
Montolieu (França, 1989)
Fontenoy la Joute (França, 1993)
Cuisery (França, 1999)
La Charité-sur-Loire (França, 2000)
Kembuchi Children’s Picture-Book Village (Japão, 1991)
Miyawaga Children’s Book Village (Japão, 1993)
Blaenafon (Gales)
Dalmellington (Escócia, 1997)
Damme Boekendorp (Bélgica, 1997)
Muehlbeck/Friedersdorf (Alemanha, 1997)
Gold Cities BookTown (Nevada, USA)
Sidney-by-the-Sea (Canada, 1995)
Southern Highlands (New South Gales, Austrália)
Requena (Espanha) entretanto deixou de o ser

15.3.07

Milho transgénico é tóxico e causa danos à saúde

Plataforma Transgénicos Fora
www.stopogm.net

Apresentada prova científica definitiva:
MILHO TRANSGÉNICO EM CIRCULAÇÃO CAUSA DANO À SAÚDE

Foi apresentada pela primeira vez prova científica irrefutável do impacto na saúde de milho transgénico. Trata-se da variedade MON 863(1), produzida pela Monsanto (a maior multinacional de sementes transgénicas do mundo) e que foi objecto de estudo toxicológico pela própria empresa.
Num artigo(2) publicado ontem numa revista científica prestigiada são apresentados os resultados, dramáticos, da análise detalhada desse estudo: há alterações de crescimento e grave prejuízo para a função hepática e renal (fígado e rim) dos animais de laboratório que consumiram tal milho(3).
Ainda mais grave é o facto de que o milho MON 863 está actualmente em circulação na União Europeia(4), e que o estudo original da Monsanto (com mais de mil páginas) foi divulgado antes da aprovação europeia ter sido atribuída. Mas a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (AESA) não fez uma avaliação detalhada do trabalho, assumindo que as conclusões apresentadas pela empresa (de que o milho era inócuo) eram coerentes com os dados obtidos.
Face aos resultados agora publicados o governo português, através da autoridade competente sediada no Ministério do Ambiente, tem obrigatoriamente de assumir as suas responsabilidades na área da protecção da saúde pública e tomar as seguintes medidas:
- proibir desde já a circulação de milho MON 863 em todo o território nacional, mesmo aquele que já esteja processado, embalado ou pronto a vender;
- notificar a Comissão Europeia para que estas medidas de emergência sejam tomadas a nível de toda a União Europeia;- solicitar com carácter de urgência a reavaliação imediata das restantes variedades de transgénicos já autorizadas para a União Europeia.
Gualter Baptista, da Plataforma Transgénicos Fora do Prato, lembra: "Isto é o golpe final na credibilidade do sistema europeu de autorizações. Se uma empresa pode dizer que está tudo bem com o seu transgénico e ninguém na AESA se dá ao trabalho de ir verificar, que outras variedades já aprovadas não terão idênticos impactos na saúde ou no ambiente? Agora todos os transgénicos têm de ser considerados culpados até haver provas independentes de que são realmente inocentes."


(1) O milho MON 863 produz um insecticida nos seus tecidos (o Cry3Bb1 modificado) que mata insectos coleópteros. Nos Estados Unidos este milho transgénico está classificado como planta pesticida visto que todas as suas células são tóxicas para os insectos - um hectare deste milho contém cerca de um quilo de substâncias venenosas.

(2) O artigo intitula-se "New analysis of a rat feeding study with a genetically modified corn reveals signs of hepatorenal toxicity", é da autoria dos cientistas franceses Séralini, Cellier e Vendemois e está publicado na revista científica americana Archives of Environmental Contamination and Toxicology. O professor Séralini, da universidade francesa de Caen, pertence ao comité de biossegurança do governo francês.

3) A análise dos dados da Monsanto apresentada neste estudo revela um aumento de até 40% dos triglicerídeos do sangue em ratos fêmea e uma redução de até 30% do fósforo e sódio na urina de ratos macho. Também se detectaram alterações no peso dos animais: os machos cresceram menos que os animais de controle, e as fêmeas cresceram mais. Estes valores são estatisticamente significativos e estão directamente relacionados com o consumo do milho transgénico. O estudo durou apenas 90 dias - não existem dados sobre efeitos de longo prazo - e não permite saber porque é que o facto de o milho ser transgénico induziu estes danos nos animais de laboratório.

(4) O milho MON 863 foi aprovado (para toda a União Europeia) a 8 de Agosto de 2005 e ao abrigo da Directiva 2001/18 para importação e utilização em rações, e a 13 de Janeiro de 2006 e ao abrigo do Regulamento 1829/2003 para alimentação humana.



Para mais informações:Gualter Baptista (91 909 0807) ou Margarida Silva (91 730 1025)

A Plataforma Transgénicos Fora é uma estrutura integrada por onze entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura (ARP, Aliança para a Defesa do Mundo Rural Português; ATTAC, Associação para a Taxação das Transacções Financeiras para a Ajuda ao Cidadão; CNA, Confederação Nacional da Agricultura; Colher para Semear, Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais; FAPAS, Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens; GAIA, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; LPN, Liga para a Protecção da Natureza; MPI, Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente; QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza; e SALVA, Associação de Produtores em Agricultura Biológica do Sul) e apoiada por dezenas de outras.

Mais de 10 mil cidadãos portugueses reiteraram já por escrito a sua oposição aos transgénicos.


Consultar entretanto a fonte e o debate que tem gerado à volta do assunto:
http://science.slashdot.org/science/07/03/15/1426236.shtml


Reproduzimos a notícia publicada hoje no jornal Público também sobre o assunto

Milho transgénico aprovado na Europa para humanos é tóxico

Um tipo de milho geneticamente modificado em circulação na Europa pode ser nocivo à saúde, revela um estudo aceite para publicação na revista científica americana Archives of Environmental Contamination and Toxicology.
Na experiência, os ratinhos alimentados durante três meses com a variedade MON 863 produzida pela Monsanto - empresa multinacional de sementes transgénicas - apresentaram alterações no crescimento e problemas funcionais nos rins e no fígado.
"Esta é a primeira vez que uma investigação independente, publicada numa revista científica prestigiada, provou que há sinais de toxicidade num organismo geneticamente manipulado autorizado para consumo humano", afirmou o porta-voz da organização ambientalista Greenpeace, Arnoud Apoteker, em declarações à Reuters.
"Todos os especialistas concordam em que esta variedade transgénica é tão segura como o milho tradicional", afirmou Yann Fuichet, director de relações públicas da Monsanto França, à estação televisiva TF1. Recusando-se a comentar as acusações dos ambientalistas, o responsável recordou ainda que a comercialização do produto foi autorizada não só na União Europeia, mas também em outros dez países.
A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) aprovou o milho MON 863 para rações animais em 2005 e, no ano passado, para consumo humano. Quer isto dizer que este cereal capaz de repelir os insectos tem livre circulação no espaço comunitário, podendo estar presente em rações para gado, papas de bebé ou bolos que utilizem xarope de milho.
A cientista portuguesa Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos Fora, considera grave que a EFSA "não tenha estudado a sério" o estudo original da Monsanto - um documento com mais de mil páginas que, segundo a especialista em biotecnologia, assegurava que o milho MON 863 era "inócuo". A EFSA considerou que as conclusões do relatório da multinacional eram coerentes.

Outros mundos técnicos/ Nossos mundos modernos


O Departamento de Sociologia do ISCTE / Instituto Superior de Ciênciasdo Trabalho e da Empresa, no âmbito do seu Programa de Doutoramento em Sociologia, alberga o I Ciclo Temático de Conferências Livres «Outros Mundos Técnicos Nossos Mundos Modernos»


(para mais informações conferir o blogue http://outrosmundostecnicos.blogspot.com)


Dedicado aos estudos sociais da técnica, o grupo de doutorandos do ISCTE «outros mundos técnicos» constituído por Alexandre Pólvora, InêsPereira, Pedro Abrantes e Susana Nascimento, organiza o presente ciclo com vista a uma discussão sobre outras lógicas de acção e reflexão perante os modelos técnicos que dominam os nossos mundos modernos.


O ciclo terá lugar no Auditório 6 – Afonso de Barros, Edifício Ala Autónoma – ISCTE, sempre às 18:00, com a seguinte série de quatroconferências:


15 Março, "Outras Energias", por Alain Gras - http://cetcopra.univ-paris1.fr/ (Université Paris1-Panthéon-Sorbonne);


19 Abril, "Outras Pedagogias", por Rafael Feito - www.ucm.es/info/soc3/RafaelFeito-2005.html (Universidad Complutense de Madrid);


3 Maio, "Outras Informáticas", por Adrian Mackenzie - www.lancs.ac.uk/staff/mackenza/(Institute forCultural Research, Lancaster University);


10 Maio, "Outros Habitats", por David J. Hess - www.davidjhess.org/ (Science and TechnologyStudies Department, Rensselaer Polytechnic Institute);



A primeira das conferências, por Alain Gras, com o título "Origem e devir da sociedade termo-industrial: uma perspectiva crítica sobre a socio-antropologia das energias e das técnicas" debruçou-se sobre temas como as fragilidades dos macro-sistemas energéticos que dominam a modernidade, os impasses das actuais apostas e propostas do progresso através da potência tecnológica, e ainda as possíveis escolhas de outras energias e técnicas para uma alteração de presentes efuturos cenários térmicos.


Uma Semana do Tamanho do Mundo



O mundo começa aqui, na nossa vida, na nossa experiência de vida. Propomos descobrir um mundo mais vasto, Propomos mudar este mundo com um projecto que criou outros projectos, que envolveu dezenas de pessoas com uma grande capacidade de interrogar, duvidar, criticar e criar outras realidades.


Esta experiência de vontade iluminou outras perspectivas, outroscontextos, outras verdades, outras propostas e outras hipóteses quequeremos partilhar contigo.



Programação Lisboa – Exposição “A Partilha do Indivisível”
Fotografia
Fórum Lisboa (comemorações dos 50 anos)
Inauguração no dia 14 de Março às 18H
De 14 a 18 de Março de 2007, das 10H às 18H

Exposição
Instalação de Sara Lisboa
Fórum Lisboa (comemorações dos 50 anos)
Inauguração no dia 14 de Março às 18H
De 15 a 18 de Março de 2007, das 10H às 18H

Debate / Workshop “Educação para o Desenvolvimento: Estudo de Casos Especiais”
Fórum Lisboa (comemorações dos 50 anos)
16 de Março, das 16H00 às 17H30

Debate público acerca de projectos, acções e estudos desenvolvidos no âmbito da acção de formação do projecto “Metas 2015: Responsabilidade Social”. Debate e reflexão acerca da capacidade empreendedora, inovadora e criativa da sociedade civil.

Seminário público “Cooperação para o Desenvolvimento, no quadro dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio”
Fórum Lisboa (comemorações dos 50 anos)
16 de Março, das 18H00 às 19H30

Seminário público para a partilha, debate e reflexão em volta das questões mais prementes e contemporâneas do desenvolvimento humano, social e ambiental a nível mundial.

Atelier Animação do Livro de da Leitura
Fórum Lisboa (comemorações dos 50 anos)
17 de Março, das 10H30 às 12H

Com o objectivo de realçar a importância do livro na Educação para o Desenvolvimento, incentivar o relacionamento com os livros, apreciar a qualidade literária e estética de alguns livros infantis, despertando o gosto pela fruição do livro, conhecer as muitas abordagens do livro e da leitura, criar a história como quem "cria um mundo", estimular as representações infantis. (Para crianças dos 6 aos 10 anos de idade).


Programação Guimarães – Exposição “A Partilha do Indivisível”
Fotografia
Museu de Arte Primitiva Moderna (Largo da Oliveira)
De 22 de Março a 5 de Abril, das 9H às 12H30 e das 14H às 17H30

Exposição
Instalação de Sara Lisboa
Museu de Arte Primitiva Moderna (Largo da Oliveira)
De 22 de Março a 5 de Abril, das 9H às 12H30 e das 14H às 17H30

Atelier Animação do Livro de da Leitura
Biblioteca Municipal Raul Brandão
23 de Março, das 10H30 às 12H

Com o objectivo de realçar a importância do livro na Educação para o Desenvolvimento, incentivar o relacionamento com os livros, apreciar a qualidade literária e estética de alguns livros infantis, despertando o gosto pela fruição do livro, conhecer as muitas abordagens do livro e da leitura, criar a história como quem "cria um mundo", estimular as representações infantis. (Para crianças dos 6 aos 10 anos de idade).

Fórum “Educação para o Desenvolvimento”
Biblioteca Municipal Raul Brandão
23 de Março, das 16H00 às 18H00

Debate público acerca de projectos, acções e estudos desenvolvidos no âmbito da acção de formação do projecto “Metas 2015: Responsabilidade Social”. Debate e reflexão acerca da capacidade empreendedora, inovadora e criativa da sociedade civil.

Informações e contactos
Princesa Peixoto e Alda Moreira
Gabinete de Cooperação Técnica e Formação
União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, UCCLA URBÁFRICA
Rua de São Bento, 640
1250 – 222 Lisboa
T. 21 384 56 22 / 00
F. 21 385 25 96
ppeixoto@uccla.pt alda.moreira@uccla.pt


Debate sobre o Fórum Social Mundial em Nairobi (17 de Maio em Lisboa)

Dia 17 de Março, pelas 21,00h,
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na Livraria Ler Devagar,
sita na Rua daRosa, 145, em Lisboa (Metro: Baixa-Chiado)
.
Debate com Boaventura Sousa Santos no rescaldo da VII edição do Fórum Social Mundial em Nairóbi: desafios de presente, perspectivas para o futuro.
.
Uma iniciativa de:
Associação Roda Inteira;
CIDAC - Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral;
Cooperativa Mó de Vida;
GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental.
.
Apareçam.

Moradores do Alto da Damaia contra demolições iminentes

Cerca de 30 moradores do bairro da Estrada Militar do Alto da Damaia concentraram-se ontem no interior da Câmara da Amadora em protesto contra as demolições neste bairro "sem alternativas" de habitação.
"Exigimos que o presidente cumpra o dever de dialogar com os munícipes, mas já nos disseram que não nos iriam receber nem marcar uma reunião", disse Rita Silva, da Associação Solidariedade Imigrante.
Os moradores afirmam que a câmara irá demolir cerca de 80 casas a partir de segunda-feira. Segundo a Associação Solidariedade Imigrante, "centenas de moradores" correm o risco de ir "para a rua".
A demolição do bairro da Estrada Militar do Alto da Damaia foi iniciada no final do mês passado, prevendo-se que nos seus terrenos seja construída uma via que irá ligar a Amadora ao IC19

Publicidade subliminar, que é legal nos Estados Unidos, deixa a sua marca no cérebro humano


Pela primeira vez, foi possível obter provas concretas de que as imagens subliminares, praticamente invisíveis porque desfilam tão depressa que nem chegamos a ter consciência delas, podem ser registadas pelo cérebro humano.
Em experiências de ressonância magnética funcional, que permite mapear a actividade cerebral em tempo real, Bahador Bahrami, do University College London, e a sua equipa, que publicam os seus resultados na Current Biology, mostraram que o córtex visual primário - a parte do cérebro que recebe as imagens recolhidas pela retina - respondia a estas imagens apesar de os participantes declararem não as ter visto. Contudo, concluem ainda estes cientistas, é preciso um certo nível de atenção para que o cérebro registe as imagens subliminares: se estivermos ao mesmo tempo a fazer algo que requer muita atenção, não deixarão rasto algum nos nossos neurónios.
"Estes resultados sugerem o tipo de impacto que a publicidade subliminar poderá ter, mas não nos dizem se ela poderá incitar-nos a comprar um dado produto", diz Bahrami num comunicado. "Penso que é provável que a publicidade subliminar afecte as nossas decisões, mas, por enquanto, isto é apenas uma especulação".
Este tipo de publicidade, proibido em países como Portugal ou o Reino Unido, ainda é legal nos Estados Unidos.
Fonte: jornal Público (15 de Março de 2007)

Revolta operária em Santa Maria da Feira

1300 trabalhadores à beira do desemprego

Está por um fio a jornada de trabalho na empresa luso-alemã Rohde. Na unidade de Santa Maria da Feira, serão dispensados cerca de 1300 trabalhadores, e isso gerou uma situação de revolta que culminou ontem num plenário de trabalhadores.

“Em que é que esta greve me pode ajudar? Será que os alemães não se vão aproveitar das nossas suspensões de contrato?” São estas as questões que mais inquietam os cerca de 1300 trabalhadores da multinacional Rohde, em Santa Maria da Feira. Depois de anteontem terem sido confrontados com a “péssima” notícia de que a casa mãe, na Alemanha, entrou em processo de insolvência – dependente da banca alemã, ao qual a empresa contraiu um empréstimo para resolver toda esta situação –, os trabalhadores reuniram-se em plenário, ontem à tarde, para debaterem “o futuro”. Sem a presença da administração, com a qual se reuniram “no dia anterior mas da qual não saiu nenhuma medida de concreto”, os trabalhadores juntaram-se, às 15h30, no pátio comum da fábrica e reivindicaram os seus direitos. “Temos que tomar uma atitude. Há trabalhadores que querem deixar os seus postos de trabalho imediatamente, mas temos que trabalhar e mostrar que temos direitos”, anunciava uma das trabalhadoras, numa altura em que têm o salário do mês de Fevereiro em atraso. “Não entendemos que só paguem à Alemanha e nos deixem de mãos vazias, sem nada”, diziam. Um dado preocupante que se junta a uma nova data: 15 de Março (hoje), data limite dada pela comissão de trabalhadores para o pagamento do mês em atraso.

Manisfestação até Câmara local

“Caso não nos paguem, suspendemos os contratos e levaremos avante a greve da próxima sexta feira. Não baixamos os braços”, disse Fernanda Moreira. A coordenadora do Sindicato dos Operários da Indústria de Calçado, Malas e Afins dos Distritos de Aveiro e Coimbra é a cara do movimento que convocou este plenário e acrescenta que este será “um bom motivo para nos manifestarmos até à Câmara Municipal da Feira, onde seremos recebidos, por elementos da edilidade, às 11h15” de amanhã. E se essa reunião não der uma resposta coerente? “Aí, a partir de segunda feira, juntamo-nos à nossa colega Manuela e reduzimos a produção. Marcamos presença e aqui ficamos a mostrar o nosso descontentamento”, ressalva.O encerramento de outra unidade da mesma empresa ainda está presente em muitos deles. A 30 de Abril de 2006, a unidade de Pinhel encerrou as portas e deixou no desemprego 372 trabalhadores. Segundo fonte oficial, “a indústria não terá aguentado a concorrência de países com menores custos de produção, como a China, Indonésia e Índia.”

Novo plenário marcado

“Trabalho aqui há 27 anos e a minha mulher há 28. Agora vamos os dois para o desemprego.” Américo Campos não esconde a mágoa. “Vou aderir à greve de sexta feira e mostrar a esses “senhores ricos” que somos mais úteis do que simplesmente para pagar impostos. Não somos terra que eles possam pisar”.
Os trabalhadores e o sindicato do sector já acordaram novo plenário para a próxima segunda feira. Mas, para já, fica uma certeza: os salários não serão pagos hoje, conforme noticiado, “pois, caso contrário, já nos teriam dito alguma coisa e até agora nada”, refere uma das trabalhadoras à saída de um dos últimos dias de trabalho.


Fonte: jornal O Primeiro de Janeiro

14.3.07

14 de Março - Dia internacional de luta contra as barragens


O 14 de Março é, todos os anos, um dia de acções e protestos mundiais contra a construção de barragens, em defesa da natureza e pelos direitos dos atingidos.
Desta vez, no Brasil, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) aproveita a data para, durante a semana, lançar nas principais capitais do país a campanha "O Preço da Luz é um Roubo".


Consultar:
http://www.mabnacional.org.br/

Na verdade ao longo das últimas décadas por todo esse mundo fora milhares de vales e habitats naturais têm sido destruídos para que no seu lugar se construam barragens e represas, provocando inclusivamente a deslocalização de milhares de pessoas. Construções desse género alteram o território, reduzem a diversidade biológica, obstaculizam a migração dos peixes e a navegação fluvial, diminuem o caudal dos rios, modificam o nível das camadas freáticas, alteram a composição das águas retidas e o microclima existentes. Aliás costuma-se dizer que quanto maior a barragem maior é do desastre, como é bem demonstrado nas barragens faraónicas recentemente construídas na China, mas também em Akosombo no Gana, Assuan no Egipto, e em Balbina no Brasil.
Desde os finais do século XIX a energia hidráulica é empregue para a produção da electricidade. Entre 1950 e 1986 construíram 31.059 barragens com mais de 15 metros de altura, a maior parte na China (18.587).
Em 1989 estavam em construção 45 barragens com mais de 150 metros de altura, 20 das quais na América latina e 15 na Ásia.
A produção hidroeléctrica supera hoje anualmente os 2.000 Twh, montante esse que representa 20% da produção mundial da electricidade.
Note-se ainda que a construção de grandes barragens obrigou ao deslocamento de 16 milhões de pessoas na Índia, a 3 milhões na China e a um milhão no Sri Lanka. A resistência das populações conseguiu paralisar muitos projectos, mas não teve êxito em muitos outros. A barragem de Sardar Sarovar, no rio Narmada na índia é o episódio mundialmente conhecido da resistência da população das aldeias e das regiões que serão inundadas e submersas.




Consultar:
www.irn.org/dayofaction/
www.irn.org/dayofaction/index.php?id=background.html

Política & mentira

Crónica de Manue António Pina,
publicada hoje no JN

O ex-inspector da ONU Hans Blix, que chefiou a missão enviada ao Iraque em busca de armas de destruição maciça, revelou que o primeiro-ministro inglês, Tony Blair, falsificou os seus relatórios para poder justificar a invasão. O truque de Blair foi grosseiramente simples transformou os pontos de interrogação do relatório, manifestando dúvidas de que Saddam tivesse armas de destruição maciça, em pontos de exclamação! Bush, o cristão, fez o mesmo: mentiu, falsificou, inventou provas.
Se um comum cidadão americano ou inglês falsificar um documento (um cheque, um bilhete de comboio, uma simples entrada para um espectáculo) vai parar à cadeia (em Portugal a pena pode chegar a 3 ou a 5 anos). Blair e Bush (e os que os apoiaram na mentira, tanto editorialistas como políticos como Durão, Aznar e outros) continuam por aí de cabeça erguida, apesar de terem deliberadamente causado a morte de centenas de milhares de pessoas e metido os seus países num atoleiro de onde não sabem agora como sair.
Diz Santo Agostinho que, sem valores morais, os reinos não se distinguem de bandos de ladrões. O desprezo dos cidadãos pelos políticos vem daí: da impune ausência de escrúpulos que se habituaram a ver, nas grandes como nas pequenas coisas, na actividade política.

Tinariwen, a música rebelde dos touaregs

Composto por ex-rebeldes tuaregues, que chegaram a Tombuctu no final da rebelião, no início dos anos 90, de guitarra eléctrica e Kalachnikov, este grupo serve-se da sua música e poesia para expor as insatisfações em função do desrespeito da sociedade moderna através de canções originais com arranjos de guitarra actuais.
Vencedores do galardão de melhor formação world music, do continente africano, pela Rádio BBC em 2005, os Tinariwen marcaram presença no «Africa Live», festival da ONU destinado ao combate ao paludismo, que decorreu no Senegal no ano passado.
Particularmente ligados ao exílio do povo tuaregue e aos nómadas berberes do deserto do Sahara, os Tinariwen apelam à consciencialização política para problemas como o exílio, a repressão no Mali ou a extradição de pessoas da Algéria.
Partindo da tradição tuaregue, os Tinariwen deixam-se influenciar por Bob Marley ou Bob Dylan, assim como pelos rebeldes marroquinos da nova vaga, Nass El Ghiwane. Composto por cerca de 10 elementos, os melhores e mais famosos compositores e intérpretes da comunidade tuaregue da actualidade, os Tinariwen cantam o exílio e a oposição.
Depois de terem marcado presença no Rosskilde Festival e no Womad Rivermead Festival, o grupo do Mali traz-nos o registo que já foi considerado uma "obra-de-arte" e que, desde a sua edição em 2004, ainda não saiu do top musical europeu.
Recorde-se que os Tinariwen se destacaram internacionalmente quando ajudaram a organizar o Festival do Deserto, um evento anual que leva ao Norte de África fãs e celebridades de todo o Mundo, e que dá especial atenção ao povo tuaregue e, consequentemente, aos seus embaixadores musicais, os Tinariwen.
Composto por canções vivas, com coros profundos e verdadeiros, «Amassakoul» apresenta-se mais cuidado e polido que o anterior e registo de estreia «The Radio Tisdas Sessions».
Conhecidos como o primeiro grupo a fundir a música tradicional Tuaregue com guitarras eléctricas, em 1979, os Tinariwen continuam a ser liderados por Ibrahim Ag Alhabib, membro original da formação detentor de uma voz distinta um estilo de tocar guitarra único



12.3.07

Quilombo de Conceição das Crioulas

A saga das mulheres negras brasileiras pela liberdade, dignidade e protagonismo é exemplificada na fundação do quilombo Conceição das Crioulas, no sertão pernambucano, onde seis mulheres criaram o povoado fundamentado nesses princípios no início do século XIX.
Da lida na lavoura de algodão, o pequeno grupo deu origem a mais de 4 mil quilombolas que hoje lutam pela posse de mais de 17 mil hectares e desenvolvimento sustentável.



Da comunidade Conceição

A vocês quero falar
Onde o povo descobriu
Um jeito novo de trabalhar



Fugindo da escravidão
As crioulas aqui chegaram
Fiaram aquele algodão
E seu território compraram



Não sabiam que assim estavam
Fazendo seu artesanato
Povo simples de pequena cultura
O ofício que sempre desempenharam



Se antes alguém viu como insignificantes
Vejam agora um povo vitorioso
Que se assumem como negros
Bem felizes e importantes



Conceição das Crioulas é uma pequena comunidade no Pernambuco com cerca de 4 mil remanescentes de quilombos. Um detalhe: a grande maioria descende também de índios. Sua população vem resistindo à miséria ao longo dos anos. Ainda hoje, quando precisam de um médico ou algum outro serviço em Salgueiro, a cidade mais próxima, os moradores têm de pagar 9 reais pela viagem de ida e volta na carroceria de um caminhão, em cima da carga. O transporte sai só alguns dias por semana, pela manhã, e volta à tarde para a comunidade. A estrada é de chão batido e o lugar de difícil acesso. Para quem muitas vezes passa mais de um mês sem ver uma nota de 1 real, o preço da passagem é inacessível.A comunidade fica no chamado "Polígono da Maconha", onde persistem os casos de trabalho escravo em grandes propriedades que cultivam a erva e a grilagem de terras quilombolas.



Outro problema enfrentado pelos moradores de Conceição das Crioulas é o abastecimento de água. A lagoa de onde a população tira a água para consumo está praticamente seca. Os animais são raquíticos. Não há condições para plantar, mas as mulheres não esmorecem: saem de casa às 5 da manhã em direção a uma roça distante, onde, de forma comunitária, plantam milho e feijão de corda. Por volta do meio-dia elas estão de volta com sacos imensos e pesados nas costas. São mulheres de 50, 60, 70 anos que, ao chegarem da roça, passam a trabalhar como artesãs. Isso porque as mulheres da comunidade fazem do caroá, catulé (plantas típicas da região) e barri a matéria-prima para produzir bolsas, bonecas, tigelas e pratos.


Quilombo de mulheres


Mas se o cenário de seca impressiona quem chega a Conceição das Crioulas, a generosidade de seus moradores é um contraponto. Eles têm prazer em receber os visitantes em suas casas, oferecer com gosto um copo de umbuzeiro, contar como vivem, as dificuldades, as histórias quilombolas, a paixão pelo Esporte Clube Palmeiras - de cada 10 casas visitadas em Conceição das Crioulas, pelo menos 7 trazem na sala uma foto do time paulista.


A presença das mulheres na comunidade é histórica. Conceição teve início quando as escravas Francisca, Germana e Mendeira, fugidas dos Quilombos dos Palmares, em Alagoas, chegaram à região, no século 18. Daí em diante, é a força das mulheres que faz a diferença nesse distrito. Uma delas, Aparecida Mendes, coordenadora da Associação Quilombola de Conceição das Crioulas - fundada em julho de 2000 e formada por 10 associações de produtores e trabalhadores rurais vindos de diversas partes de Conceição -, roda o mundo levando a história de sua comunidade. Agora, o lugar está ganhando um presente valioso: a primeira biblioteca. Para isso, uma campanha está sendo realizada para que livros sejam mandados ao local, já que são pouquíssimos os exemplares por enquanto. Toda publicação é bem-vinda, mandam dizer os moradores.



História

Contam os mais velhos que, no início do século XIX, seis negras livres chegaram à região e arrendaram uma área de 3 léguas (1 légua = 6 km) em quadra. Com a produção e fiação do algodão que vendiam na cidade de Flores, conseguiram pagar a renda e ganharam o direito à posse das terras. Em 1802, as crioulas receberam a escritura com o carimbo da Torre, dezesseis selos, feita por José Delgado, escrivão do cartório de Flores.



Esta história é contada nos mais diversos sítios, ligando a identidade da comunidade de Conceição das Crioulas à descendência das suas fundadoras, que através do trabalho tomaram a iniciativa de legitimar o terreno, antes mesmo dos homens que também aqui vieram.



Um deles de nome Francisco José, fugido da guerra, trouxe consigo uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Ao encontrar-se com as crioulas, tiveram a idéia de construir uma capela e tornar a santa sua padroeira. Surgia assim o nome do povoado: Conceição das Crioulas.



A identidade quilombola



A identidade de "remanescente de quilombos" está intrinsecamente relacionada à origem das crioulas e às relações de cooperação entre os sítios que formam a comunidade. A descendência de determinadas famílias tradicionais é sempre resgatada de forma a confirmar o pertencimento e a participação na história de Conceição das Crioulas.



Ao contrário de outras comunidades negras que ainda lutam pelo reconhecimento como "remanescente de quilombos", Conceição não se utiliza de elementos que reportem à condição de escravos. Sempre a imagem das crioulas lembra o poder da autonomia e a articulação entre os sítios, reforçando o sentido de unidade e sua capacidade política-organizativa.



Tudo isso torna o povo de Conceição ciente da sua condição e do seu papel na sociedade, trazendo comprometimento com a construção de um novo futuro para a comunidade quilombola.


A economia que vem da terra



Em meio a uma vegetação composta por árvores de pequeno e médio porte, como juazeiro, baraúna, jurema preta, aroeira, caroá, catulé, está o povoado de Conceição das Crioulas. Até 1987 o algodão foi o sustentáculo da economia quilombola, mas com o ataque da praga do bicudo e a entrada dos fios sintéticos, a população assistiu a sua decadência. Hoje, através de uma agricultura de subsistência, seus habitantes sobrevivem plantando milho, feijão, mandioca, jerimum e melancia. Há também pequenos criatórios de ovinos, caprinos, bovinos e suínos.


Com o sucesso da ação voltada para a valorização e desenvolvimento do artesanato, três recursos naturais ganharam destaque, como o caroá, o barro e o catulé.


O caroá é uma bromélia da espécie neoglaziovia variegata que fornece uma fibra para tecelagem. De caule curto, o caroá possui espinhos em sua borda, com folhas dispostas em roseta. Em meados do século XX, existiu uma fábrica de caroá em Conceição, mas foi desativada com a concorrência do sisal.



O barro está presente até os dias atuais nos utilitários do povo de Conceição. Até a década de 50, aproximadamente, usava-se apenas louças de barro. Muitas dessas peças eram vendidas em feiras e lojas da cidades circunvizinhas como Cabrobó, Floresta e Salgueiro, em pequenos povoados e por encomenda de famílias influentes. Conhecidas como louceiras, as mulheres que trabalham com o barro pertencem todas a mesma família consangüínea e agregados através do matrimônio.



Palmeira silvestre da espécie rhapis pyramidata, bem comum no sertão, o catulé fornece uma amêndoa de onde se extrai óleo. A sua palha é aproveitada no artesanato, transformando-se em chapéus, cestas, bolsas, etc. Em Conceição, a palha de catulé sempre esteve presente na produção de vassouras e esteiras, sendo considerada, até o momento, uma atividade tipicamente dos mais velhos.



Associação quilombola



Fundada em 17 de julho de 2000, a Associação Quilombola de Conceição das Crioulas é uma sociedade civil sem fins lucrativos formada por 10 associações de produtores e trabalhadores rurais provenientes dos diversos sítios que compõe o povoado.



Nascida da necessidade de intensificar a luta pelo bem comum de Conceição das Crioulas, a AQCC tem com objetivos o desenvolvimento da comunidade - levando em conta sua realidade e sua história, a valorização das suas potencialidades, a conscientização do povo negro da sua importância para construção de uma sociedade justa e igualitária, a quebra da barreira do preconceito e discriminação racial. No momento, o maior empenho da Associação Quilombola é a batalha pela posse da terra, com área aproximada de 17.000 hectares, numa perspectiva sustentável.



A estrutura de funcionamento se dá através da Coordenação Executiva e de comissões formadas pelas lideranças da comunidade e, até o momento, a ACQC vem se mantendo com o trabalho voluntário dos seus sócios, não possuindo recursos financeiros suficientes para a sua perfeita atividade





Mulheres Guerreiras

Mulheres guerreiras
Chegaram em Conceição
Pra conseguir a liberdade
Plantaram algodão

O grande sonho
Virou verdade
Com força e união
Conquistaram a liberdade

Então os fazendeiros
Ricos e opressores
Invadiram Conceição
Se tornaram dominadores

Mas o povo de Conceição,
Meu irmão
Demonstraram
Resistência
E continuam resistindo
A todo o tipo de violência

Hoje a comunidade
É organizada
Busca seus direitos
Com força e coragem

Durante muito tempo
A educação
Foi um forte instrumento
A favor da opressão

É por isso que
Defendemos
Uma educação diferente
Que inclua nos currículos
A história da gente



Ver e consultar:
http://www.conceicaodascrioulas.org.br/

Rancière, Sloterdijk e Agamben vão estar no Porto nas Conferências de Serralves

CRITICA DO CONTEMPORÂNEO - CONFERÊNCIAS INTERNACIONAIS

1 Mar - 13 Dez 2007 -

das 21:30 às 23:00 - Auditório de Serralves


A realização do programa de conferências de 2007 trará a Serralves figuras importantes, a nível mundial, da filosofia, da biologia, da educação e do pensamento político actuais. Autores que têm em comum o facto de elaborarem, nas respectivas obras, em termos analíticos e conceptuais, a matéria cultural, social e política com que estamos confrontados. O objectivo destas Conferências é o de trazer a Serralves uma série de discursos que possam entrar na categoria dos diagnósticos do presente. Na verdade, as obras dos convidados têm a característica de se confrontarem com a contingência dos acontecimentos do nosso tempo, procurando traçar uma cartografia das tonalidades afectivas, políticas e sociais que nos governam, ajudar a perceber as transformações, as inflexões e as linhas de fuga que ocorrem em vários planos da nossa realidade.Cada conferencista prossegue, à sua maneira, uma tradição de pensamento crítico que, nas últimas duas décadas, tinha entrado em declínio. É também esta exigência de um pensamento crítico que lhes trouxe um sucesso extra-académico e os tornou pontos de referência em universos culturais muito alargados.
Comissários: António Amorim, António Guerreiro e Manuel Costa
Coordenador: Rui Mota Cardoso




Política


29 Mar - 08 Mai 2007 - das 21:30 às 23:00 - Auditório de Serralves

O programa do ciclo de quatro conferências sobre questões actuais de teoria política parte da ideia de que a matéria política com que estamos hoje confrontados implica um pensamento crítico das categorias tradicionais e uma reflexão teórica que vai no sentido inverso à despolitização generalizada da sociedade contemporânea, a partir do momento em que a política ficou submetida à regra do espectáculo e do pragmatismo técnico-económico que a reduz a meros actos governativos de gestão e administração. Em função desta ideia orientadora, foram convidados quatro filósofos de enorme renome internacional: Jacques Rancière (França), Peter Sloterdijk (Alemanha), Giorgio Agamben (Itália) e Giacomo Marramao (Itália). Todos eles são pensadores eclécticos e movem-se no cruzamento de vários saberes e disciplinas; todos eles têm contribuído para tornar mais inteligível o tempo em que vivemos. Nas obras destes quatro filósofos, a reflexão política é indissociável, no mais alto grau, da análise das questões sociais, culturais, estéticas e éticas que dão uma configuração (sempre em movimento, difícil de apreender) ao mundo contemporâneo. O horizonte em que se move o pensamento destes filósofos não é o de uma disciplina académica bem delimitada, mas o de um saber que atravessa muitas fronteiras e procura chegar a uma legibilidade das condições e das regras em que vivemos, e das grandes transformações da ordem do «político» que se têm dado nas últimas décadas. Em suma: este ciclo de conferências é orientado por uma ideia de diagnóstico e de análise crítica do presente. Por isso, convidámos quatro filósofos cujo pensamento do político significa a decifração da linguagem, do «idioma», dos sinais que caracterizam e dão forma à sociedade contemporânea.
António Guerreiro, Comissário das Conferências do bloco "Política"

29 MAR > GIACOMO MARRAMAO (IT)"O Mundo e o Ocidente, hoje. Sobre as formas do conflito na era global."
12 ABR > JACQUES RANCIÈRE (FR)"As desventuras contemporâneas do pensamento crítico"
3 MAI > PETER SLOTERDIJK (AL)"A técnica na sua relação com o humano"
8 MAI > GIORGIO AGAMBEN (IT)"A teologia política e económica do nosso tempo"

Comissário: António Guerreiro
Moderador: Guilherme de Oliveira Martins




Educação


15 Mai - 26 Jun 2007 - das 21:30 às 23:00 - Auditório de Serralves

Há uma certa permanência de crises e de reformas em torno da educação à escala do planeta (e, já agora, do país). Com e sem resultados, a Educação não escapa à mudança que compõe todo o mundo.Caleidoscópio da história, dos países, das sociedades, das instituições, do indivíduo, de células e até mesmo de moléculas, a educação é um ser particularmente complexo. O tempo presente é propício para a abordagem dessa complexidade. Uma nova interdisciplinaridade gizada em novos tipos de parcerias científicas, resulta em conhecimentos sistematizados em torno das questões essenciais: desde logo, "como é que o ser humano aprende?". O conhecimento disciplinar acumulado e uma atitude transgressora de fronteiras entre disciplinas, sofisticaram os arsenais metodológicos para compreender a educação. Emerge o equívoco dos isolamentos, alimentado entre as comunidades de professores, de educadores e de investigadores. Compreende-se melhor a fisiologia da educação.O ciclo de conferências debate sobre educação apresentará quatro fotogramas da contemporaneidade da educação. Ilustrará o papel do professor na investigação sobre como ensinar o que os alunos tradicionalmente não aprendem. Apresentará a importância da complexidade do mundo real para simplificar o processo de aprendizagem. Visitará o que só a sociedade pode ensinar a um indivíduo e espreitará os ganhos em conhecimento que emergem da sistematização rigorosa de estudos educativos. Os fotogramas serão instantes em caminhos de fim desconhecido por onde agora se caminha. Serão expostos por quem sobre eles trabalha, reflecte e escreve. Por quem, ao transgredir a disciplina onde inicialmente foi treinado, contribuiu e contribui com novas críticas a um tema tão exaustivamente criticado.
Manuel Costa, Comissário das Conferências do bloco "Educação"

15 MAI > ERIC MAZUR (EUA)"Confissões de um conferencista convertido"
29 MAI > JOHN R. JUNGK (EUA)"Estéticas alternativas: Arte & Biomatemática"
12 JUN > TOM SCHULLER (FR)"Os Benefícios sociais do ensino"
26 JUN > WILLIAM SCHMIDT (EUA) "Research that informs policy"
Comissário: Manuel Costa
Moderador: Alberto Amaral




Biologia


18 Out - 13 Dez 2007 - das 21:30 às 23:00 - Auditório de Serralves

É hoje um lugar comum dizer-se que os recentes avanços da Biologia são tão profundos como aqueles que ocorreram na área da Física. Ainda que esta revolução pacífica continue em curso, é pertinente partilhar algumas reflexões sobre os resultados que modificaram irreversivelmente a forma de olharmos para nós próprios. Uma vez que a genética desempenhou um papel fundamental nos mais recentes avanços faz todo o sentido organizar um ciclo de conferências dedicado ao impacto da genética (I) na percepção que temos da nossa identidade como seres biológicos e sociais, (II) a forma como as diferenças genéticas se encontram distribuídas entre os indivíduos e entre os grupos, (III) aquilo que nos torna geneticamente diferentes e (IV) como evoluímos até chegarmos a este estado de humanidade. São estas as questões gerais a abordar pelos oradores convidados, todos eles com resultados publicados sobre estes temas, e todos eles simultaneamente hábeis comunicadores e profundos (mas não necessariamente ortodoxos) pensadores.
António Amorim, Comissário das conferências do bloco "Biologia"

18 OUT> JAUME BERTRANPETIT (ESP)"Diversidade genética humana"
15 NOV> MICHAEL KRAWCZAK (AL)"Diversidade genética humana: a perspectiva da medicina"
29 NOV> TIM CROW (REINO UNIDO)"As origens genéticas do Homo Sapiens moderno"
13 DEZ > ROSALIND HARDING (REINO UNIDO)

Comissário: António Amorim
Moderador: Manuel Sobrinho Simões

Filo-café no Porto no próximo dia 24 de Março. Inscrevam-se e apareçam.

Consultar e informações:

Filo-Café: Ritos e Rituais
24 Março 2007, 21h 30
Clube Literário do Porto
Rua Nova da Alfândega, 22Porto
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Estão abertas as inscrições para o próximo filo-café.
As áreas de inscrição envolvem o Pensamento, Antropologia, Poesia, Música, Fotografia, Vídeo-criação, Performance
Durante o Filo-Café será apresentado o livro Amalaya (poesia, bilingue castelhano-português) de Sílvia Zayas.
As inscrições devem ser enviadas para incomunidade@yahoo.com.ar indicando nome, proveniência e área de inscrição. Também para o mesmo endereço podem ser enviadas criações, nas diversas possibilidades que o suporte blogue admite, para eventual publicação em pequeno dossier sobre o tema.
Todas as informações:00351.965817337
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.
Instruções para comer terra
1. Chegar o ouvido à língua da terra:A sua história infeliz repete lagartos falantes. Aprendo a sua linguagem.
2. Reptar, deixar que entre:A minha boca mastiga terra. Recinto fechado sem mundo. Meço as minhas entranhas como quem mede um pássaro. Sento-me na pedra contorcionista com as pernas para o cume da montanha. Dói.
3. Avançar uns metros:Deixo espaço, imito o som da gravilha quando o vento brinca com ela. Fumo a poeira para cima, faço-me minúscula e plana. Alambrados rente a mim esburacam-me as costas com as suas fauces metálicas.
4. Olhar para cima com a boca cheia de terra:Tudo se alarma longe, grande. Reza inatingível o feixe de luz e não me remenda sacramento nenhum.
5. Medir o movimento:Tenho medo ao barulho do meu corpo.
6. Deixar-se estar em silêncio:Habito uma Madragoa com pelagens do mamífero que não esteve nunca. Cobre-me a mão da noite, com o mal que lhe tenha dado algum animal pré-histórico, quero deter o tempo como a mentira do chapeleiro que atascou os seus relógios à hora combinada, para acocorar-me em alguma estrela.
7. Fazer um ritual inútil com cardos e folhada (que não mudará o mundo):Golpeio madeira como louca, a louca da terra, a louca da raiz, a louca loucura.
8. Conhecer / amanhecer:Procuro um pássaro para alimentar-me do seu voo, com desejo exacto de ave e de segar o ar em tantos pedaços como pari a alma. Súbito e pele, caminha-me por cima o vesgo e olha para mim atravessado. Ata-me ao verso. Enfeitiça-me ao malefício do verso, ao seu estigma, à sua dificuldade de ser quotidiana.
9. Gritar AMALAYA:
Levanto-me atordoada. Malhayada*, decido o movimento. O vesgo é o poeta e dá-me o encantamento do olhar. Já não há prodígio nenhum que me devolva a cegueira.
10. Já de pé, avançar aos saltos pela circunferência do mundo.
Sílvia Zayas
.

Alberto Augusto Miranda
Rua Diogo Cão, 1239 - 3º Dto4200-262 Porto
Tm: (00351) 965817337

Porque é que as religiões fazem a guerra?


Acabou de sair um número especial do Courrier International, publicação semanal em língua francesa em forma de revista de imprensa mundial, dedicada às religiões e sob o tema «Porque é que as religiões fazem a guerra em nome de Deus».
Recomendamos a todos a sua leitura ( provavelmente haverá uma versão portuguesa, uma vez que a revista é traduzida e tem uma versão em Portugal) pois inclui textos de grande interesse para a desmistificação das igrejas e das seitas que pululam as nossas sociedades e que são verdadeiras máquinas de endoutrinamento para não dizer mesmo máquinas de guerra e de business...
Consultar o sumário aqui
.
Note-se que se trata de uma recolha de textos e artigos publicados por toda a imprensa mundial e por muitas fontes sobre a mesma problemática: porque é que as religiões fazem a guerra em nome de Deus?

A História mundial está aliás recheada de guerras por motivos religiosos e provocadas por dogmas ( crenças e afirmações consideradas irrefutáveis ) religiosos que são muitas vezes a causa de conflitos e de guerras protagonizadas por homens dogmáticos com muita pouca ginástica mental para descobrirem as raízes e a origem histórica assim como os contextos sociais dessas crenças e desses dogmas, as quais têm uma explicação histórica ligada à evolução das sociedades humanas.

10.3.07

A Europa tornou-se cristã por um simples capricho do Imperador Constantino

Um livro notável de um historiador contra as pretensas raízes cristãs da Europa


Um livro acabado de ser editado em França e cujo autor é Paul Veyne, QUAND NOTRE MONDE EST DEVENU CHRÉTIEN (ed. Albin Michel) desfaz quaisquer dúvidas caso ainda subsistissem: a Europa tornou-se cristã por uma contingência histórica, mais propriamente como resultado da vontade e de um mero capricho do Impereador Constantino. Um capricho de um poderoso Imperador, bem entendido. E que teve consequências históricas para o futuro ( até hoje, e o mais que se verá…). O capricho imperial foi ditado pela piedade: após a batalha da ponte Milvius a 28 de Outubro de 312 o Imperador Constantino persuadiu-se que o Deus único o tinha prendado com a vitória. Por causa desta forte impressão é que ele se tornou profundamente cristão, ao ponto de não admitir qualquer dúvida face a esta verdade face ao paganismo mairoritário. Note-se que nesta decisão não havia nenhum calculismo político, tanto mais que 90% dos habtantes do Império Romano eram então pagãos, sendo necessário muita determinação para ir contra a esmagadora maioria dos romanos, mesmo quando se tratava da palavra do Imperador.

Com esta tese o que se mostra é que sem a vontade e o capricho do Imperador Constantino não haveria lugar à cristianização da Europa. A escolha pessoal de Constantino provocou uma mudança radical no mundo europeu: enquanto em 312 o cristianismo era tolerado pelo gentio já em 324 quem se encontrava nessa situação era o paganismo. Mudou o Império mas também a Igreja, a qual se desenvolvera fora da esfera imperial e que agora assiste à intervenção pessoal do Imperador na gestão dos assuntos religiosos dentro da Igreja.
A esta mudança radical operada por um Imperador romano poder-se-ia opôr uma outra em sentido inverso. Foi justamente o que se passou com Juliano o Apóstata ( 361-363) que tentou descristinizar o Império mas a sua morte prematura deitou por terra aquela intenção.
O livro tem também o seu interesse porque aborda um sem número de questões como a natureza do antisemitismo cristão em comparação com o antijudaísmo pagão ( o pagão censurava ao judeu de ser o outro ao passo que o cristão condenava-o por ser só seu meio-irmão), as relações entre poder e vanguardismo, as ilusórias raízes cristãs da Europa, etc.
Um livro a ler, sem mais delongas, de um dos mais importante historiadores do Império Romano



Reproduzimos a seguir uma breve resenha do livro retirada da revista Lire


Christianisme, la Genèse

par Marc Riglet

Lire, mars 2007


Paul Veyne éclaire d'un jour nouveau les raisons de la conversion de l'Empire romain au christianisme
Dans des pages intimidantes, Edward Gibbon, l'immortel auteur de l'Histoire du déclin et de la chute de l'Empire romain (Bouquins/ Robert Laffont), nous explique comment et pourquoi notre monde est devenu chrétien. Sur le comment, tout le monde s'accorde. Le 29 octobre 312, l'empereur Constantin se convertit au christianisme. La veille, sous le signe, non de la croix comme on le retient communément, mais du chrisme - monogramme formé des deux premières lettres entrelacées du mot grec Khristos (Christ) - il avait vaincu, à la bataille du pont Milvius, Maxence, son païen de concurrent. Sur le pourquoi, Edward Gibbon suggère que l'empereur Constantin attendait du christianisme qu'il fournisse «les assises métaphysiques de l'unité et de la stabilité de l'Empire». La christianisation de l'Empire romain serait donc le fruit d'un calcul, qui se serait d'ailleurs révélé être un mauvais calcul, puisque, toujours selon Gibbon, c'est à l'influence du christianisme qu'il faut imputer la chute de l'Empire.

Un best-seller qui prend aux tripesCette thèse, et quelques autres encore, Paul Veyne, avec le phénoménal brio qu'on lui connaît, va les mettre en charpie. Tout d'abord, pour retenir la thèse de la conversion par calcul, il aurait fallu qu'il y eût un intérêt proprement politique à l'association de deux puissances, celle de l'Empire et celle de l'Eglise. Or, en 312, le christianisme n'est pas une puissance. Il touche à peine 10% du monde romain. S'il a gagné quelques franges des couches élevées de la société romaine, il reste pour la grande majorité des patriciens et surtout pour les lettrés un kit de croyances, au mieux insolites, au pire navrantes. N'imaginons pas un instant que le christianisme tire de son monothéisme une quelconque supériorité morale ou philosophique. D'abord, parce que le monothéisme chrétien est, avec son Père, son Fils et son Saint-Esprit, un bien curieux monothéisme. Il est, plus sûrement, nous dit Paul Veyne, un «polythéisme moniste». Et puis, surtout, le monothéisme n'impressionne guère. On se demande pourquoi diable il constituerait un «progrès» de la raison et, sur ce point, Paul Veyne souscrit à l'aphorisme de Spinoza: «Il est aussi naïf et superstitieux de croire sans raison qu'il n'y a qu'un seul dieu que de croire qu'il y en a plusieurs.»
Si, en ce début du IVe siècle, le christianisme est là, et même bien là, nul n'est en mesure d'imaginer sa gloire future. Si Constantin se convertit, ce n'est pas sous l'effet d'une anticipation visionnaire, c'est, tout simplement, par conviction. Car il y a de quoi vouloir être embarqué dans cette étrange religion dont le fondement est cette «passion mutuelle de la divinité avec l'humanité ou plus exactement avec chacun d'entre nous», cette religion «originale, pathétique, dynamique, qui ne laisse personne indifférent», bref, cette religion dont le succès peut être comparé à celui d'un best-seller qui «prend aux tripes» ses lecteurs. D'autres facteurs ont aussi joué. En 312, le christianisme est toujours une religion «nouvelle». Elle a la fraîcheur des commencements, elle a les séductions des avant-gardes. Le christianisme, en somme, est «moderne» et Constantin cède à la tentation de l'être.
Les métamorphoses d'une «secte pour virtuoses» Telles sont donc les solides et bonnes raisons, selon Paul Veyne, de la conversion de Constantin. Mais il ne nous plante pas là. Pour que cette conversion produise les conséquences historiques bouleversantes que nous savons, il faut encore qu'adviennent une série d'événements que nulle nécessité n'a commandés. Il faut que les successeurs immédiats de Constantin soient, eux aussi, chrétiens. Il faut que Julien l'Apostat ne dispose que de trop peu de temps pour restaurer le paganisme et ses promesses de liberté. Il faut, surtout, que le successeur de Julien, le païen Sallustius, d'abord choisi par les clans de l'armée, renonce au trône et qu'avec Jovien, Valentinien, Gratien puis Théodose s'engage la prodigieuse métamorphose d'une «secte pour virtuoses» en «religion pour tous», la «christianisation des masses» étant désormais assurée par le «vertueux devoir de faire comme tout le monde».
On a compris qu'il faut lire Paul Veyne pour au moins trois raisons. Parce qu'il n'a pas son pareil pour transformer l'érudition la plus haute en un récit haletant. Parce qu'il nous délivre de la pesante chape des causes profondes et des nécessités supposées de leurs effets. Enfin, parce qu'il exécute au passage quelques grands lieux communs, telle cette séparation entre Dieu et César que nous devrions au christianisme alors que «l'on n'avait pas attendu le Christ pour savoir que Dieu et César faisaient deux». Un bijou de livre.

Os livreiros propõem agitação cultural para enfrentar a crise

Juan Miguel Salvador tinha um sonho aos 20 anos: viver rodeado de livros. «E como era jovem e inconsciente, meti-me na aventura de abrir uma livraria», graceja agora, vinte anos depois, aquele que é dono da livraria Diógenes em Madrid. Apesar da crise do sector, e do encerramento de 75 livraria por ano, ele não se arrepende.
A sua aposta para renovar o mercado consiste na agitação cultural e na novidade tecnológica. Diógenes é uma das 30 livrarias que acabam de implantar o novo sistema informático CEGAL (Confederacion Espanola de Grémios y Asociaciones de Libreros) na Internet e que constitui a primeira base bibliográfica do género e que foi apresentada no XX Congresso Nacional de Livreiros que terminou ontem em Madrid.
O objectivo da rede é inovar e superar os prejuízos. O segredo consiste em partilhar as fichas informatizadas de todos os livros existentes e que se possam vender. Caso um cliente procure um exemplar de uma obra que só existe num certo estabelecimento, o programa identifica-o e faz o pedido.
Outra das propostas de difusão livreira é a que é protagonizada pela livraria Rafael Alberti em Madrid: «Isto não é um mero estabelecimento comercial onde se vendem livros, mas sim um espaço de convivência em torno da leitura e do pensamento. Alarga-se assim o leque de pessoas que acorrem à livraria.», declara Lola Larumbe, responsável pela livraria onde autores e leitores se encontram regularmente para a realização de tertúlias literárias.
A livraria Sintagma, no El Ejido, também realiza encontros com grandes autores, que se alternam com outros menos conhecidos. O seu responsável – Prémio Livreiro Cultural 2006 – afirma: «O nosso segredo é tornar participantes os clientes neste nosso projecto».
A aposta utópica chega de Málaga onde o veterano livreiro Francisco Puche propõe as «livrarias solares» onde só existam materiais reciclados e se utilizem as energias renováveis, como acontece com a sua Livraria Prometeo: «Falámos muito de crise, mas a mais grave de todas é a ecológica e o petróleo»

Fonte: El País de 10 de Março de 2007

http://www.traficantes.net/

http://www.libreriaalberti.com/

http://www.libreriaproteo.es/

Micro-crédito pela Internet a favor dos artesãos pobres: agora também tu podes ajudá-los!


Graças à Rede global da Net já possível a qualquer pessoa conceder um empréstimo, a partir do montante mínimo de 25 euros, a favor de qualquer artesão pobre dos países em vias de desenvolvimento, o que representará certamente uma ajuda valiosíssima para quem normalmente nada tem para lutar contra a pobreza e as doenças.

Quem torna possível esta pequena maravilha é uma organização não-lucrativa sedeada na Califórnia que apenas se oferece como mediadora dos intervenientes.

Consultar:

http://www.kiva.org/

http://www.kiva.org/about/how/


Para os interessados inserimos um artigo do
New York Times sobre o assunto:


Web-Based Microfinancing


The idea of microfinancing — small-scale loans to the entrepreneurial-minded poor — reached the front page this fall when the Bangladeshi economist Muhammad Yunus and his Grameen Bank won the Nobel Peace Prize. But now the San Francisco-based nonprofit Kiva.org may have taken the idea a step further: with just a few clicks of the mouse, most everyone can become a microfinancier. At Kiva.org, a schoolteacher in Kansas can partner with an expert seamstress in countries like Kenya, Mexico and Ecuador to jump-start a tailor shop.
The founders Matthew Flannery, a Stanford graduate, and his wife, Jessica Flannery, a Stanford M.B.A. candidate, came up with the idea for Kiva, which means “unity” in Swahili, after spending time in East Africa. They noticed that many people there had no access to affordable credit. By contrast, Kiva.org offers loans to handpicked microfinance institutions at zero percent interest. These microfinance institutions, in turn, screen local applicants and lend money to individuals at an average interest rate of about 19 percent, lower than the 35 percent worldwide average for microfinance loans.
On Kiva.org, a Web site that includes photos of loan recipients and stories about them, lenders can choose aspiring small-business owners and make their own loans. (The current average is about $70.) Since it went online last year, Kiva.org has worked with more than 20 microfinance institutions around the world and enabled more than $1 million in loans for more than 2,000 businesses. (Across the entire microfinance industry, recipients of loans meet their repayment obligations more than 95 percent of the time.)
Jessica Flannery says that one of the earliest small loans helped a Ugandan fish seller take a bus to the Nile River and buy fish for a fraction of the price she previously paid a distributor. “A $10 bus ticket,” Flannery notes, “separated her from vastly expanding her profit.”