6.10.10

Apresentação do projecto “O Poder do Povo” no espaço Musas ( 7 de Outubro, às 22h.)



O Espaço Musas tem a honra de o/a convidar para a apresentação do projecto “O Poder do Povo”,

de Elizabeth Ida, José Simões e Koert Jobse,
a realizar esta quinta-feira, dia 07 de Outubro de 2010, pelas 22h.

what the heck are we getting now?
o que diabo nos estão a dar agora?
¿que demonios nos estan dando ahora?

it’s for free and without taxes, just take it one solution, revolution


quinta-feira 7 de Outubro 22h
Espaço Musas - Rua do Bonjardim 998 Porto


“La diferencia entre el sistema comunista y el capitalista es que, aunque los dos dan una patada en el culo, en el comunista te la dan y tienes que aplaudir, y en el capitalista te la dan y uno puede gritar; yo vine aquí a gritar”
Reinaldo Arenas


1st social public presentation in all world and conversation around capitalism vs activism
1ª apresentação pública social em todo o mundo e conversa em torno do capitalismo vs activismo.


People Power Pill, was born in Artist Residency, Artis Den Bosch, in s’Hertogenbosch,
Netherlands. Born from an artistic and political thought against the capitalist societies, against the big companies and above all from the thought about the crisis that we live nowadays.

project by Elisabeth Ida (IND), José Simões (Por) and Koert Jobse (NL). 2009, developed in Den Bosch.

Elisabeth Ida (Ind) /
www.elisabethida.com

José Simões (Por) /
www.cargocollective.com/josesimoes
Koert Jobse (NL) /
www.nowshow.it

Projecto PowerPill /
www.usethepill.tumblr.com

Assembleia preparatória da Contra Cimeira NATO e acções de rua contra a guerra do Afeganistão




ASSEMBLEIA PREPARATÓRIA DA CONTRA-CIMEIRA NATO
Data: 16 de Outubro, 14h

Local: Associação Caboverdeana, Rua Duque de Palmela, nº2, 8º andar


Programa:
14:00 – 15:30
Boas vindas e explicações iniciais
Palestra resumida de abertura: A NATO e a UE, Willy Meyer
Onde estamos – Onde queremos ir: Acções durante a Contra Cimeira
Informações e discussões


16:00 – 20:00 – Grupos de trabalho
Mobilização para a Contra Cimeira
Desobediência Civil
Trabalho com os Média
Praça da Paz


Nos dias 19 e 20 de Novembro, Lisboa receberá a Cimeira da NATO para discutir o novo conceito estratégico da aliança militar.

O Estado português prepara-se a rigor para esteve evento e já investiu 5 milhões de euros só em equipamento anti-motim para as forças policiais. Lisboa estará em alerta de segurança máxima para receber os senhores da guerra.
...
Porque não aceitamos esta política belicista e defendemos a extinção da NATO, porque exigimos a retirada imediata das tropas portuguesas do Afeganistão e a respectiva saída de Portugal desta aliança militar, porque consideramos a estratégia da NATO o braço armado do imperialismo dos E.U.A., porque recusamos os gastos militares milionários, porque defendemos de forma intransigente a paz, organizamo-nos e preparamos o protesto contra os senhores da guerra.

A PAGAN (Plataforma Anti-Guerra e Anti-Nato) convida todas as organizações, movimentos e cidadãos a participar na Assembleia Preparatória da Contra-Cimeira a realizar no dia 16 de Outubro pelas 14h, na Associação Caboverdeana, na Rua Duque de Palmela nº2, 8ºandar.

PORTUGAL FORA DA GUERRA E FORA DA NATO

Plataforma Anti-guerra, Anti-NATO
http://antinatoportugal.wordpress.com/
antinatoportugal@gmail.com


ACÇÕES DE RUA contra a Guerra do Afeganistão ( 9 de Outubro)

No âmbito dos 9 anos da Guerra do Afeganistão, entre 7 e 10 de Outubro, a Plataforma Anti-guerra Anti-NATO participará num Dia Internacional de Acção por um cessar fogo no Afeganistão e está a programar acções de rua em Lisboa e no Porto.

ler também:
http://www.endafghanistanwar.com/

Solidariedade no Porto com os squatters holandeses


Em solidariedade com os squatters da Holanda, que estão a ser criminalizados com a entrada em vigor da nova lei anti-okupação a 1 de outubro passado, e em resposta a um apelo de okupas holandeses, foi hoje colocada, no Porto, uma faixa, dizendo "Estamos aqui para dizer que a ocupação e libertação de espaços deverá ser uma das principais estratégias da luta por um mundo mais justo".

Edifícios abandonados, deixados a apodrecer apenas por interesse económico, tornam as cidades em lugares fantasma, okupar é uma forma de acção directa que resiste e inverte a lógica do capital. Quando a vontade e a acção se juntam, pessoas podem usar essas casas para habitar e criar espaços livres onde se podem encontrar, trocar ideias, organizar eventos e começar projectos em comum em oposição à privatização dos espaços e contra a gentrificação e especulação imobiliária.

A nova lei holandesa não apresenta soluções para o problemas das casas abandonadas, dando ainda mais protecção aos proprietários que podem especular com a propriedade mais à vontade.

Quando viver é um luxo, okupar é um direito!

Kraken gaat door!


Fonte da notícia: Indymedia-Portugal

Práticas Anarco-sindicalistas ( próxima sessão: 9 de Out. no CCL, em Almada)

Clicar por coma da imagem par ler em detalhe


http://ait-sp.blogspot.com/

Práticas Anarco-Sindicalistas

Sábado, 2 de Outubro

16h30 Experiências de luta no Porto
– apresentado pelo Sindicato de Ofícios Vários do Porto da AIT-Secção Portuguesa

18h00 Experiências de luta em Madrid
- apresentado pelo Sindicato de Ofícios Vários de Madrid da CNT-AIT (Confederación Nacional del Trabajo, secção da AIT em Espanha)

20h00 Jantar vegetariano

na BOESG
- Rua das Janelas Verdes, 13, 1º Esq. - Santos – Lisboa


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Sábado, 9 de Outubro

17h00 Cem anos depois: Situação actual do anarco-sindicalismo em Espanha
apresentado por um companheiro da CNT-AIT de Almeria

20h00 Jantar vegetariano

no Centro de Cultura Libertária
- Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. - Cacilhas – Almada

Associação Internacional dos Trabalhadores – Secção Portuguesa Núcleo de Lisboa

Programação para Outubro do espaço do Regueirão dos Anjos, em Lisboa

Clicar por cima da imagem para ler em detalhe


Espaço Regueirão dos Anjos
Regueirão dos Anjos, 69
Lisboa

Ciclo de debates sobre o tema «Privado, Público e Comum» ( de 8 de Out. a 10 de Nov. no teatro Maria Matos, Lisboa)

Ciclo de debates PRIVADO, PÚBLICO e COMUM
http://u-ni-pop.blogspot.com/

LOCAL: TEATRO MARIA MATOS, Lisboa

# entrada livre #

Há mais vida além do Estado e do mercado? Ao longo dos últimos anos, a oposição entre público e privado tem ocupado um lugar fundamental em grande parte dos debates políticos e com a crise económico-financeira esta tendência acentuou-se de modo ainda mais nítido. Neste ciclo de debates, a UNIPOP propõe partir das contraposições entre público e privado e entre Estado e mercado, discutindo-as em diferentes dimensões do quotidiano, da organização do trabalho à construção das cidades, passando pelos processos educativos, pelo espaço mediático e pelas políticas de saúde. Procuraremos analisar as transformações das últimas décadas, tanto à escala nacional como à escala global, e apontar novos caminhos, num debate que vai além da simples contraposição entre público e privado ou Estado e mercado, contraposição cuja rigidez tende muitas vezes a confinar o combate aos processos de privatização à defesa do controlo estatal. Se por um lado queremos mapear claramente o que separa privado e público, por outro trata-
se de questionar a possibilidade de questionar formas de poder transversais ao espaço público e à esfera privada.

*
8 de Outubro das 18h às 21h
O que é o Comum?
Debate com Michael Hardt e a UNIPOP

Com a publicação de Império, em 2000, Michael Hardt e Toni Negri renovaram de modo significativo os termos do debate político à esquerda. O livro, entre muitos utros pontos de debate, procurou repensar a política além da alternativa entre o capitalismo e o socialismo, assumindo como tarefa a renovação de um imaginário radical igualmente crítico do Estado e do mercado, retomando as tradições autónomas do movimento operário, assumindo-se como herdeiro de Maio de 68 e acompanhando os novos movimentos alterglobais. Em Multidão, primeiro, e, mais recentemente, em Commonwealth, Hardt e Negri continuaram a reflexão iniciada em 2000, nomeadamente em torno dos temas da propriedade, da produção e do rendimento, articulando alguns dos principais debates marxistas em torno da economia com os estudos foucauldianos acerca da biopolítica e da governamentalidade. Sublinharam, em particular, a necessidade de construir uma política assente no comum, entendido como condição essencial do comunismo, tal como o privado será condição do capitalismo e o público do socialismo. Dez anos depois de Império, Michael Hardt discute em Lisboa, com a UNIPOP, alguns dos aspectos mais importantes do trabalho político da dupla Hardt e Negri.

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13 de Outubro 18h30
Economia, Comunismo e Pirataria
Conversa com José Maria Castro Caldas e Miguel Serras Pereira

Nos últimos anos tem sido frequentemente debatido o maior peso do Estado ou do mercado na vida económica. Ao culto da livre iniciativa empresarial contrapõe-se a necessidade de maior regulação estatal, num debate a que não são de todo indiferentes as transformações ideológicas do liberalismo e do socialismo no século XX e as dinâmicas de globalização nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, a partir de experiências como as que caracterizaram a crise argentina do início deste século, retomaram a sua actualidade debates acerca do próprio modo de organização do poder no seio da empresa, reavivando-se tradições conselhistas ou de autogestão, assim como colocando na ordem do dia novas práticas comunais, de que se encontra exemplo na questão dos direitos de autor e de propriedade intelectual.

José Maria Castro Caldas é economista do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Miguel Serras Pereira é tradutor.

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20 de Outubro 18h30
Cidades, Centros Comerciais e Praças Públicas
Conversa com João Pedro Nunes, Manuel Graça Dias e Miguel Silva Graça

A cidade tem sido palco de conflito entre interesses privados e públicos, conflito em que a questão imobiliária e os debates em torno do planeamento, colocando em causa a sacralidade do direito à propriedade privada, têm assumido particular destaque. Entretanto, a fronteira entre público e privado nem sempre resulta clara, seja porque a questão da privacidade tem sido colocada no âmbito do próprio espaço público (veja-se os debates em torno da videovigilância) seja porque existem determinados espaços privados, como os centros comerciais, que parecem assumir funções de encontro e reunião que antes eram apanágio da rua ou da praça. Ao mesmo tempo, os problemas específicos da habitação, dos chamados bairros de lata aos novos bairros sociais, mas também passando pelos condomínios fechados, pelos processos de gentrificação ou pelos movimentos de ocupação de casas, têm colocado as fronteiras entre público e privado em transformação, nuns casos, consolidando-as, noutros, atenuando-as.

João Pedro Nunes é sociólogo e investigador do CIES-ISCTE, Manuel Graça Dias é arquitecto e professor de arquitectura na Universidade do Porto e Miguel Graça é arquitecto e doutorando na Universidade de Valladolid.

*
27 de Outubro 18h30
Media, Propriedade e Liberdade
Conversa com Daniel Oliveira, Nuno Ramos de Almeida e Rui Pereira

De que falamos quando falamos de liberdade de expressão? Nos últimos anos, os grandes meios de comunicação social fazem alarde da liberdade de expressão contra alegadas interferências do Estado, mas poderemos falar de liberdade de expressão no quadro de uma economia dos media em que a concentração impera? Neste contexto, importa atender a novas formas de comunicação que, à margem do controlo directo do Estado e dos grandes grupos privados, têm vindo a tecer redes muito vastas em que a fronteira entre emissor e receptor parece fragilizar-se. É o caso de uma série de meios suportados pela Internet, que, aliados aos novos desenvolvimentos tecnológicos, permitem igualmente colocar em cima da mesa novas possibilidades de estender o direito de emissão televisiva ou radiofónica além das empresas públicas e das empresas privadas de comunicação.

Daniel Oliveira, Nuno Ramos de Almeida e Rui Pereira são jornalistas.

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3 de Novembro 18h30
Medicina, Ciência e Saberes
Conversa com António Fernando Cascais e Isabel do Carmo

Em tempo de guerra ou em tempo de paz, o sistema estatal de saúde constitui um dos elos mais importantes da relação entre os Estados e as populações e durante a segunda metade do século XX os sistemas estatais de saúde têm sido considerados, na Europa mas não só, como uma das áreas primordiais de intervenção estatal, entre outras coisas visando impedir que as desigualdades económicas entre pessoas e classes se reflictam de modo ainda mais marcante no direito universal à saúde. Durante o mesmo período, contudo, as relações entre médico e doente têm vindo a ser cada vez mais objecto de debate, no quadro do questionamento das lógicas de poder subjacentes ao conhecimento científico, daqui resultando importantes discussões acerca da importância do «atendimento» em meio hospitalar (questão particularmente valorizada por gentes privados do sector da saúde), por um lado, e, por outro, da necessidade dos sistemas úblicos integrarem saberes e conhecimentos heterodoxos face às correntes dominantes na medicina (questão com implicações a nível nacional mas também no quadro dos debates em torno das valências de diferentes práticas culturais).

António Fernando Cascais é professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Isabel do Carmo é médica no Hospital de Santa Maria.


*
10 de Novembro 18h30
Escola, Ordem e Emancipação
Conversa com António Avelãs e Jorge Ramos do Ó

A disputa pelo método de educar atravessa a história e é motivo de concórdia e discórdia entre professores, ministros, pais, psicólogos, alunos. Entre o ensino público e o ensino privado, o primeiro financiado pelo Estado e o segundo suportado pelas famílias, têm-se travado muitos destes debates, que se cruzam com outros tantos, à volta do ideal iluminista da educação como emancipação, e do seu potencial para corrigir as desigualdades ou, pelo contrário, para as eproduzir. Entretanto, a disputa pelo método de educar coloca igualmente em campo professores e alunos. As relações de poder que entre eles se estabelecem, das reiteradas críticas à falta de utoridade dos docentes à tentativa de levar a cabo experiências pedagógicas emancipatórias da condição estudantil, têm suscitado um debate pouco informado, mas nem por isso menos cirrado, e que constitui o ponto de partida para esta conversa.

António Avelãs é professor e presidente do Sindicato de Professores da Grande Lisboa e Jorge Ramos do Ó é historiador e professor do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

Anarquistas no dealbar de Novecentos: O despertar dos famintos

Texto retirado de:

Autor: João Madeira


O “despertar dos famintos”, que os anarquistas se encarregaram de ampliar e enquadrar no dealbar do século, está indissociavelmente ligado ao processo de desagregação e queda da Monarquia. Por João Madeira. Lead: O “despertar dos famintos”, que os anarquistas se encarregaram de ampliar e enquadrar no dealbar do século, está indissociavelmente ligado ao processo de desagregação e queda da Monarquia.


“A anarquia progride por todo o lado. O ano passado havia um só anarquista em Lisboa. Hoje, são já suficientemente numerosos para difundir milhares de brochuras e editar um jornal”1


Creio que a citação é relativamente conhecida. Trata-se de uma carta do militante anarquista Elisée Reclus, escrita de França, depois de uma segunda viagem a Portugal, em Abril de 1886.

Nessa altura, os anarquistas portugueses podiam ser suficientemente numerosos para aquelas tarefas de propaganda; a sua presença podia ter a expressão mínima que permitisse doravante falar em movimento libertário no país, mas estavam ainda efectivamente muito longe de serem hegemónicos no movimento social.

Terão, aliás, nesses anos até ao final do século, particularmente na última década de Oitocentos, grandes dificuldades de afirmação, emparedados que estavam entre um movimento sindical completamente hegemonizado pelo velho Partido Socialista Português e acossados por fortes bátegas repressivas com que o Governo reagia a um conjunto de acções violentas e atentados.

Na prática era a proibição das organizações e da imprensa anarquista. Era a chamada lei celerada, que João Franco, na altura ministro, tratara de fazer aprovar. O seu impacto seria tão forte que não se conseguiria mais livrar do seu espectro, mesmo quando quis revê-la, oito anos mais tarde, já como Presidente do Conselho de Ministros.

Dezenas, porventura centenas mesmo, de militantes anarquistas, ou suspeitos de o serem, foram assim deportados para Timor, Moçambique, para a Guiné… Muitos morreram por lá, outros só regressaram passados muitos anos, alguns tentaram fugas espantosas.

Em reacção, constituir-se-ia uma Liga contra a Lei de 13 de Fevereiro, funcionando na Confederação Metalúrgica, envolvendo associações de classe, mas também centros republicanos.

Do ponto de vista das condições de vida dos trabalhadores, a situação não era também a melhor. Entre 1888 e 1901, a ração alimentar teria aumentado 25%, tanto quanto o preço do trigo de 1892 a 1900. Na última década de Oitocentos ter-se-ia registado estagnação e quebra nos consumos populares.

Nos salários, nalguns sectores, a tendência tinha sido mesmo de depreciação. Nos metalúrgicos, por exemplo, entre 1890 e 1905, consideradas cinco das principais categorias profissionais, em todas elas o valor nominal do salário baixou. Um caldeireiro que em 1890 auferia 700 reis/dia, em 1905 auferia 670. Do mesmo modo os ferreiros ou os torneiros que de 980 e 950 reis diários passavam nesse período de 15 anos para 750 e 780, respectivamente.

A oscilação do défice nas contas públicas, com contracções fortíssimas em 1900-1901 ou em 1903-1904, bem como o superavit registado no ano económico seguinte, apontam para reduções enormes na despesa pública o que equivalia à fortes constrangimentos sobre o emprego nas obras públicas e ao aumento da pressão fiscal, com consequências pesadas nos trabalhadores.

Porém, na viragem do século, assiste-se a um crescimento industrial, que sendo incipiente, se traduz no aumento das unidades fabris, designadamente de média dimensão, e na incorporação crescente do maquinismo, processo que teve implicações significativas na reconfiguração do proletariado, se bem que, em 1907, mais de metade do que se considerava como população industrial fossem artesãos.

É neste contexto que, entre a resistência à repressão política e o envolvimento no movimento social, se vão desenvolver em relativa pluralidade as ideias anarquistas, nem sempre coincidentes, nem sempre suficientemente diferenciadas, mas evidenciando grande vigor e efervescência.

Entre 1900 e 1910 são criados 166 novos grupos anarquistas e apenas extintos 12. São grupos pequenos, de composição restrita, fundados em relações de proximidade muito fortes, cuja capacidade de consolidação depende fundamentalmente desse carácter, que os torna fechados, assentes numa organização simples, funcionando em assembleia, reunindo em regra semanalmente na casa de um dos seus membros ou em salas cedidas pelas associações de classe.

São fundamentalmente grupos de propaganda, culturais em menor número e menos ainda os ligados a temas ou objectivos específicos. Só em poucos casos evoluem para formas de organização mais complexa, promovendo por exemplo a edição de um jornal ou uma revista.

É o caso dos grupos Conquista do Pão e Juventude Consciente que se fundem em 1906, constituindo o grupo Acção Directa para, dois anos depois, darem origem ao Grupo Editor da revista anarquista A Sementeira, uma revista notável, dirigida pelo operário arsenalista Hilário Marques, com 36 números publicados na sua primeira série, entre Setembro de 1908 e Agosto de 1911, onde colabora a elite da intelectualidade anarquista da época – Campos Lima, Emílio Costa, Neno Vasco, José Carlos de Sousa, Severino de Carvalho, Adolfo Lima, Sobral de Campos e que publica dezenas de textos de Malatesta, Réclus ou Kropotkine.

As suas páginas são repositórios extraordinários da divulgação doutrinária empreendida, dos temas internacionais, das polémicas, dos ritmos de aparecimento de novos grupos anarquistas e associações de classe, das reclamações operárias e do movimento de greves, que adquirem novo fôlego na viragem do século, nos primeiros anos de Novecentos.

O movimento sindical cresce. Em 1905 há 161 associações de classe, em 1910 são 223, concentrando-se esmagadoramente no sector industrial, residuais e de crescimento muito lento no sector agrícola.

Está-se a passar de um padrão de greve dispersa, isolada, circunscrita a uma fábrica quase artesanal, com escasso número de trabalhadores, para movimentações mais vastas. A greve dos têxteis da Covilhã, no verão de 1902, pontua o arranque dessa evolução. Oitocentos operários reclamam pelas suas antigas tabelas salariais, pela reposição de fatias elevadas que chegavam aos 75% no caso das mulheres e aos 70% nos homens.

As reivindicações salariais serão aceites, mas 22 dos operários que mais se haviam destacado na greve serão despedidos. Ficava no entanto inscrito o exemplo da combatividade e da radicalização.

As negociações, intermediadas pelo governador civil e pelo próprio presidente da Associação Industrial Portuense, são completamente improcedentes e suspensas. As tentativas de reabrir as fábricas com gente estranha a substituir os grevistas sob a protecção da tropa descambam em violência – são presos 220 operários, colocados num navio fundeado no rio.

Cresce a solidariedade, imensa, do Porto operário e popular – entram em greve chapeleiros, sapateiros, metalúrgicos, tabaqueiros, tanoeiros… A greve torna-se praticamente geral no Porto e o número dos envolvidos galga para os 40 mil. Recolhem-se fundos e donativos pelas ruas da cidade.

Mas era um novo ciclo que se abria. Iam longe os tempos em que nas páginas da imprensa operária se reconheciam as virtudes da acção parlamentar e se aconselhavam os trabalhadores ao voto. O discurso sindical, de classe, tornara-se radical, anti-político.

As divergências entre anarquistas e socialistas no movimento sindical tornavam-se irredutíveis, num processo que fragmentaria o Partido Socialista e que geraria um veio com expressão suficiente para reconfigurar o próprio campo do anarquismo, ainda que caminhando numa nebulosa de sensibilidades e tendências.

Se todas essas sensibilidades se reconheciam como antimilitaristas, se todos aceitavam o papel de uma educação nova, moderna, “racionalista”, se havia um acordo consideravelmente largo sobre o papel dos sindicatos, dividia-os no entanto duas questões fundamentais – a atitude face ao regime, por um lado e a violência, por outro.

Puristas e intervencionistas, pacifistas tolstoianos e partidários do direito à revolta, partidários da greve geral ou adeptos da acção directa ao tiro e à bomba, debatiam-se, em tensão, mas num universo que além de restrito era suficientemente sincrético, para que nenhuma dessas correntes despontasse ainda, hegemónica.

No entanto, o que essa reconfiguração do campo anarquista traz de fundamental é justamente a constituição de uma corrente intervencionista, presente nas associações de classe, engrossando através da aliança entre correntes possibilistas dissidentes do Partido Socialista e militantes anarquistas num percurso que os leva ao campo de um socialismo revolucionário, evoluindo daí para o campo do anarquismo.

Entendiam a República como um regime mais avançado que a Monarquia, espécie de etapa necessária no caminho da libertação.

A Federação Socialista Livre, constituída em 1901 e refundada em 1905 é a expressão dessa aliança e desse intervencionismo libertário que se vai desenhando no espectro do movimento anarquista. O jornal O Germinal de Setúbal, ao aderir em 1906 à Federação, tornar-se-á no principal arauto desta corrente, que tanta crítica e polémica levantará nos meios anarquistas.

Neste sentido, é esta corrente que alimenta como útil a ideia dos operários votarem nos republicanos e só desta forma se poderá perceber como o Partido Republicano quintuplicou os seus resultados eleitorais entre 1901 e 1910, atingindo níveis de votação substancialmente acima da sua base social e política de apoio. Já não eram só lojistas ou farmacêuticos a votar no PRP, mas também operários cuja capacidade eleitoral resultava do saber ler e escrever.

Anarquistas intervencionistas e republicanos haviam-se aliás encontrado desde finais do século XIX também nos ambientes carbonários. Reprimidos violentamente na viragem do século por virtude da lei celerada de Fevereiro de 1896 reagem também pela acção clandestina, escudando-se em sociedades secretas, como a Carbonária dos anarquistas, que Heliodoro Salgado funda por esses anos de final do século.

De início, estes carbonários são operários, caixeiros e alguns intelectuais sublimados. Criam a Liga Progresso e Liberdade, o Grémio da Liberdade, cujo carácter para-legal permitia a polarização e o crescimento. A avaliar pela evolução das quotizações individuais é possível perceber o seu extraordinário crescimento, aumentando essas quotizações em 1905 mais de dez vezes em relação a 1896, ano da fundação.

Nos últimos anos do século, é recomendada a abertura da organização a todas as tendências políticas, com excepção de monárquicos e é nesse contexto que se dá a adesão dos republicanos radicais.

A Loja e a Carbonária dos anarquistas, entretanto reorganizada sob o nome de Carbonária Lusitana, acabarão hegemonizados pelos republicanos radicais, com os anarquistas remetidos a uma posição secundária. A repressão policial sobre esta organização vai ocorrer no rescaldo dos rebentamentos de bombas da Rua do Carrião e na escada de um prédio na zona da Estrela, em Lisboa, em 1907, o que levará igualmente ao desmantelamento da Loja Obreiros do Futuro.

O que restou desta organizações transferir-se-á para a Carbonária Portuguesa, criada paralelamente, também no final do século, na herança da Carbonária Académica, com Luz de Almeida, entre outros e cujo papel destacado nas jornadas de Outubro de 1910 é conhecido.

Alfredo da Costa, o regicida de Casével, empregado de comércio teria, como Aquilino Ribeiro, ligações a esta rede orgânica e, por extensão aos anarquistas intervencionistas. Como dizia:

“Sou pelas greves como sou por todos os métodos de resistência utilizados pelos fracos, pelos oprimidos, em defesa dos seus interesses”, esclarecendo que “o meu ódio maior, a minha mais viva repulsa, dirige-se aos patrões burgueses que nos exploram e que sem altivez servimos”2

Esta porosidade entre republicanos e anarquistas, entre diferentes sensibilidades intervencionistas, entre organizações semi-legais e ilegais, no seio de múltiplos jornais anarquistas e sindicalistas criou um caldo denso que nunca deixou de ter no movimento social expressão privilegiada.

As 173 greves ocorridas em 1909, ano em que é registado maior número antes da República, assim como a crescente radicalização que agravava o processo de diferenciação entre socialistas e anarquistas no movimento sindical, aliás bem patente no Congresso operário de 1909, mostram bem como a instabilidade social, o desejo de melhorar a vida, constituiu um factor favorável à própria revolução republicana.

Este “despertar dos famintos”, que os anarquistas se encarregaram de ampliar e enquadrar no dealbar do século está, por isso, indissociavelmente ligado, por múltiplos poros e canais de comunicação, ao processo de desagregação e queda da Monarquia, mesmo que distintamente encarados.



1 Cit. por Edgar Rodrigues, O despertar operário em Portugal 1834-1911, Lisboa, Sementeira, 1980, p. 197

2 Cit.por Carlos da Fonseca, Para uma análise do movimento libertário e da sua história, Lisboa, Antígona, 1988, p. 24

2.10.10

A situação financeira actual de Portugal num desenho para fácil compreensão pelos menos entendidos em economia e política

O sistema bancário, o governo e o povo


A situação financeira actual de Portugal num desenho para fácil compreensão pelos menos entendidos em economia e política

30.9.10

O click-activismo está a matar o activismo social



A fixação e a obsessão pelo ciberespaço e pelo click informático tem potenciado o chamado activismo digital que se torna cada vez mais num click-activismo.

A atracção pelo universo digital, pelo ciberespaço e pela Internet leva as pessoas a empenharem-se cada vez menos nas causas sociais, na poesia das acções com objectivos de transformação social.

O activismo digital, sobretudo na forma de click-activimo, se é uma oportunidade para a circulação de ideias e informação, é também um real perigo para a transformação social, uma vez que leva as pessoas a sedentarizarem-se e adoptarem formas mais cómodas e ineficazes de intervenção social.

Contudo, contra a tecnocracia do click-activismo larvar emerge pouco a pouco uma nova geração de activistas que buscam a raiz das coisas, a paixão pela acção e o interesse pelo debate de ideias e o convívio presencial.


Ler a propósito o texto do jornal britânico Guardian
www.guardian.co.uk/commentisfree/2010/aug/12/clicktivism-ruining-leftist-activism




Clicktivism is ruining leftist activism

Reducing activism to online petitions, this breed of marketeering technocrats damage every political movement they touch . Digital activists have gone online and adopted the logic of the marketplace.

A battle is raging for the soul of activism. It is a struggle between digital activists, who have adopted the logic of the marketplace, and those organisers who vehemently oppose the marketisation of social change. At stake is the possibility of an emancipatory revolution in our lifetimes.

The conflict can be traced back to 1997 when a quirky Berkeley, California-based software company known for its iconic flying toaster screensaver was purchased for $13.8m (£8.8m). The sale financially liberated the founders, a left-leaning husband-and-wife team. He was a computer programmer, she a vice-president of marketing. And a year later they founded an online political organisation known as MoveOn. Novel for its combination of the ideology of marketing with the skills of computer programming, MoveOn is a major centre-leftist pro-Democrat force in the US. It has since been heralded as the model for 21st-century activism.

The trouble is that this model of activism uncritically embraces the ideology of marketing. It accepts that the tactics of advertising and market research used to sell toilet paper can also build social movements. This manifests itself in an inordinate faith in the power of metrics to quantify success. Thus, everything digital activists do is meticulously monitored and analysed. The obsession with tracking clicks turns digital activism into clicktivism.

Clicktivists utilise sophisticated email marketing software that brags of its "extensive tracking" including "opens, clicks, actions, sign-ups, unsubscribes, bounces and referrals, in total and by source". And clicktivists equate political power with raising these "open-rate" and "click-rate" percentages, which are so dismally low that they are kept secret. The exclusive emphasis on metrics results in a race to the bottom of political engagement.

Gone is faith in the power of ideas, or the poetry of deeds, to enact social change. Instead, subject lines are A/B tested and messages vetted for widest appeal. Most tragically of all, to inflate participation rates, these organisations increasingly ask less and less of their members. The end result is the degradation of activism into a series of petition drives that capitalise on current events. Political engagement becomes a matter of clicking a few links. In promoting the illusion that surfing the web can change the world, clicktivism is to activism as McDonalds is to a slow-cooked meal. It may look like food, but the life-giving nutrients are long gone.

Exchanging the substance of activism for reformist platitudes that do well in market tests, clicktivists damage every genuine political movement they touch. In expanding their tactics into formerly untrammelled political scenes and niche identities, they unfairly compete with legitimate local organisations who represent an authentic voice of their communities. They are the Wal-Mart of activism: leveraging economies of scale, they colonise emergent political identities and silence underfunded radical voices.

Digital activists hide behind gloried stories of viral campaigns and inflated figures of how many millions signed their petition in 24 hours. Masters of branding, their beautiful websites paint a dazzling self-portrait. But, it is largely a marketing deception. While these organisations are staffed by well-meaning individuals who sincerely believe they are doing good, a bit of self-criticism is sorely needed from their leaders.

The truth is that as the novelty of online activism wears off, millions of formerly socially engaged individuals who trusted digital organisations are coming away believing in the impotence of all forms of activism. Even leading Bay Area clicktivist organisations are finding it increasingly difficult to motivate their members to any action whatsoever. The insider truth is that the vast majority, between 80% to 90%, of so-called members rarely even open campaign emails. Clicktivists are to blame for alienating a generation of would-be activists with their ineffectual campaigns that resemble marketing.

The collapsing distinction between marketing and activism is revealed in the cautionary tale of TckTckTck, a purported climate change organisation with 17 million members. Widely hailed as an innovator of digital activism, TckTckTck is a project of Havas Worldwide, the world's sixth-largest advertising company. A corporation that uses advertising to foment ecologically unsustainable overconsumption, Havas bears significant responsibility for the climate change TckTckTck decries.

As the folly of digital activism becomes widely acknowledged, innovators will attempt to recast the same mix of marketing and technology in new forms. They will offer phone-based, alternate reality and augmented reality alternatives. However, any activism that uncritically accepts the marketisation of social change must be rejected. Digital activism is a danger to the left. Its ineffectual marketing campaigns spread political cynicism and draw attention away from genuinely radical movements. Political passivity is the end result of replacing salient political critique with the logic of advertising.

Against the progressive technocracy of clicktivism, a new breed of activists will arise. In place of measurements and focus groups will be a return to the very thing that marketers most fear: the passionate, ideological and total critique of consumer society. Resuscitating the emancipatory project the left was once known for, these activists will attack the deadening commercialisation of life. And, uniting a global population against the megacorporations who unduly influence our democracies, they will jettison the consumerist ideology of marketing that has for too long constrained the possibility of social revolution.

27.9.10

Rap global é o novo livro de poesia de Boaventura de Sousa Santos com denúncias da opressão e apelos à revolta




“sonha/ mas não ressones/ que a polícia está atenta”

“deixa a tua mão crescer/ não a gastes em apertos”


Boaventura Sousa Santos/Queni N.S. Oeste, in Rap Global


O professor Boaventura de Sousa Santos, reconhecido internacionalmente como um dos maiores intelectuais contemporâneos, um dos criadores do Fórum Social Mundial e autor de inúmeros livros sobre cultura, política e globalização, resolveu vestir a pele de um jovem rapper do Barreiro, baptizado por ele de Queni N.S.L.Oeste, no seu novo livro de poesia, editado no Brasi pela editora Aeroplano, com o título Rap Global, e que pretende ser eco da chamada literatura das quebradas.
Boaventura de Sousa Santos é ainda cientista social, doutor em Sociologia do Direito pela Universidade Yale e professor titular de Economia da Universidade de Coimbra, e é conhecido pelas suas suas críticas à “monocultura racional” do mundo moderno,

Como indica o seu nome esdrúxulo — uma alusão ao rapper americano Kanye West —, o jovem Queni é na verdade apenas uma invenção do sociólogo, um alter ego que funciona como narrador imaginário de sua nova obra, definida como “um grito do Ipiranga de quem foi até os confins da mais louca e oculta modernidade ocidental para poder denunciá-la sem peso nem medida mas com conhecimento de causa” .

Depois de dois livros de poemas — “Escrita INKZ” (Aeroplano, 2004) e “Janela presa no andaime” (Scriptum, 2009) —, o sociólogo chamou de rap esta nova obra, um painel em fragmentos da vida contemporânea que interpela o leitor a todo momento com sucessivas denúncias de opressão (“sonha/ mas não ressones/ que a polícia está atenta”) e convocações à revolta (“deixa a tua mão crescer/ não a gastes em apertos”).

No lançamento do livro no Brasil estiveram presentes cinco artistas brasileiros, radicados no Rio de Janeiro, de diferentes gerações e tendências, que musicaram o Rap Global, um texto poético de 69 páginas. Os artistas criadores foram o multiinstrumentista e compositor mineiro César Lacerda, o DJ e produtor musical carioca DJ Machintal, a rapper carioca Combatente, de Vigário Geral, o rapper Nike, de Nova Iguaçu e a paraibana MC Numa Ciro, psicanalista e performer.





Reproduzimos abaixo a entrevista concedida ao jornal Globo por Boaventura Sousa Santos onde o sociólogo português nos fala sobre o seu novo livro, "Rap Global" ( edição Aeroplano). O texto do livro é narrado por um rapper fictício da periferia de Lisboa, Queni N.S.L. Oeste, e constitui um painel em fragmentos do mundo globalizado, com denúncias de opressão e apelos à revolta .


O que leva um sociólogo respeitado a deixar de lado a escrita acadêmica para compor um rap?
BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS: A modernidade ocidental, sobretudo a partir do século XVIII, distinguiu entre formas de racionalidade: a moral-prática, a estético-expressiva e a instrumental-cognitiva. Esta última, sob a forma da ciência moderna, veio a dominar, colonizando inclusive as demais (tanto o positivismo jurídico como o futurismo são expressões disso). Cada racionalidade desenvolveu as suas formas de expressão e foi por via delas que procurou manter a sua identidade face às demais. Assim surgiram os discursos jurídicos e políticos, as expressões estéticas das artes e da literatura e a escrita científica (internamente muito diversificada). Todos estes discursos, expressões estéticas e escritas têm limites que lhes são impostos pelos seus códigos genéticos. Todas elas admitem transgressões e contaminações cruzadas mas são ciosas da sua identidade e punem quem as desrespeite. Tenho escrito cientificamente muito sobre a modernidade ocidental e tenho criticado sistematicamente os modos como ela, supostamente auto-legitimada por uma promessa exaltante de emancipação, se transformou numa matriz de regulação e dominação social que assumiu três formas principais: o capitalismo, o colonialismo e o socialismo burocrático. Ora isto, que pretende dizer muito, deixa muito por dizer. Onde estão as pessoas e os seus dramas íntimos; as lutas de resistência e as resistências na luta; a criatividade moderna entre a loucura, a violência e o fanatismo; a ruptura com o ancien régime e todos os novos silêncios do universo a que chamamos deus e com quem julgamos falar na farmácia, no ponto de droga, na meditação, nas massagens, no jogging; a poesia, sempre à beira de não existir; a brutalidade sedutora da ordem e do progresso; e sobretudo tanta coisa que nem imaginamos que existe porque existe sobre a forma de ausência e que no pior (melhor) dos casos nos cria mal-estar, provoca insônias e nos faz mudar de namorada ou namorado. Ora, nada disto pode ser dito academicamente (mesmo que o queira descrever em prosa) se o meu único objeto experimental for eu mesmo. É deste limite e do inconformismo perante ele que nasce o “Rap” como nasceram os meu livros anteriores de poesia, dois deles editados no Brasil (“Escrita INKZ” e “A janela presa no andaime”).



Seu “Rap Global” é extenso, possui variados temas e referências, mas por sua própria ambição e abrangência parece não dar conta de todos assuntos que levanta. De que trata afinal esse rap?
BOAVENTURA: Escrito por um jovem de um bairro periférico de Lisboa, filho de um mulato angolano vindo para Portugal durante o processo de independência de Angola, este rap — que transgride o cânone letrista do rap — é um grito do Ipiranga de quem foi até os confins da mais louca e oculta modernidade ocidental para poder denunciá-la sem peso nem medida mas com conhecimento de causa e tonitroar aos cinco ventos (o quinto vem de dentro) que o rei e a rainha vão nus acolitados por uma legião de fariseus colonialistas, racistas, fascistas, rentistas, exploradores, violentos quase todos cidadãos honestos, filhos de boas famílias, com bons empregos, partidários dos bons partidos e defensores dos direitos humanos.



O senhor diz que esse rap “transgride o cânone letrista do rap”. Em que cânone está pensando? E que rappers o senhor admira?
BOAVENTURA: Não há propriamente um cânone e mesmo as relações entre o rap e o hip-hop são complexas e variáveis. Há um texto e um ritmo de batida. Mas há tendências e modas e é por isso que existem hoje o rap alternativo e o hip-hop alternativo. Estes últimos surgiram como reação à “domesticação” comercial do rap que tendeu a marginalizar a radicalidade da mensagem política. Neste sentido, pode dizer-se que o “Rap Global” é alternativo. Partilha com as tradições rap o fato de que o texto é mais importante que a melodia e a harmonia. Neste domínio, o rap é igual ao canto gregoriano. Partilha o ritmo da batida. Mas não o respeita inteiramente. Há pausas para frases solitárias e de solidão (“ninguém sai vivo da vida”) em que o rapper se interrompe a si próprio como se bebesse um copo de água mental. Tem uma duração imensamente maior como se fosse uma jam session. Bem na tradição do melhor rap é um grito de revolta contra a injustiça social, o racismo e a violência. Mas é também um grito de revolta contra os gritos de revolta que até agora deram em nada. Por isso tem de interpelar toda a tradição eurocêntrica, mesmo a mais transgressiva, fazendo dela uma amálgama obscena onde Gertrude Stein tem de medir forças com o Eminem e Nietzsche surge como criador de touros bravos na cidade portuguesa de Salvaterra de Magos. Esta interpelação confere ao “Rap” uma dimensão detetive. Sei que com o Google é hoje fácil detectar referências ainda que quase todas corrompidas. Mesmo assim, estou convencido de que algumas delas vão exigir muito esforço a decifrar (quem estará para isso?). Quem será a comadrita de Borges? Os meus rappers preferidos estão citados, Kanye West, o primeiro Jay-Z, Eminem etc.


Já a partir do título e pela forma como é composto, este rap sugere uma visão global sobre os problemas do mundo contemporâneo. O senhor acredita na possibilidade de se reduzir os atuais problemas da Humanidade a uma única causa comum? A própria ideia de um rap global não termina por desconsiderar a diversidade e as peculiaridades locais?
BOAVENTURA: Não, não há causa comum. As consequências é que são comuns: opressão, marginalização, humilhação, silenciamento, fome, desrespeito, violência, a mutilação física e moral. A diversidade e as peculiaridades estão no modo como causas tão diferentes como a exploração operária, a desapossessão dos camponeses, indígenas e quilombolas, a homofobia, o racismo, a indiferença, o tédio, o individualismo, a banalização do horror, a repetição da novidade que não inova procuram convergir nas consequências e como essa convergência é contrariada pela diversidade e pelas peculiaridades das diferentes lutas de resistência.


Entre autores e personagens citados em seu livro estão Baudelaire, Ezra Pound, Rimbaud, a Liga da Justiça e Wolverine. O que há de comum entre eles?
BOAVENTURA: O existirem e portanto serem passíveis da pergunta fundadora de Leibniz: porque é que existem em vez de não existirem? Menos enigmaticamente: eles e muito outros exprimem a diversidade daquilo que procuramos retratar com a palavra modernidade e que, como conceito, diz tanto sobre o que quero dizer como as palavras mar e areia dizem sobre Copacabana.


Qual sua relação com a cultura pop? Além de Wolverine e da Liga da Justiça, o senhor cita também Hulk, X-Men, Thor, Super-Homem... O senhor é um grande leitor de quadrinhos?
BOAVENTURA: Sim e um dos meus filhos é considerado um dos mais profundos conhecedores de quadrinhos (em Portugal: banda desenhada) e sobre os quais escreve regularmente no JL (o “Jornal de Letras” do meu querido amigo José Carlos de Vasconcelos).



Entre os vários autores citados está o brasileiro Oswald de Andrade. Foi uma citação casual ou o senhor é um leitor dele? Caso seja, o que acha interessante em sua obra?
BOAVENTURA: Nada é casual no rap. O verdadeiro determinismo é o da poesia. Oswald de Andrade é a modernidade barroca, a única que pelo excesso atinge a medida. Ele representa melhor que ninguém a dialética mais profunda da modernidade ocidental (só experienciável a partir da periferia): o desejo da universalidade e a nostalgia do único.



Uma frase repetida em corpo ampliado e negrito ao longo do texto é “real life tribal brother/ improve comedy”, algo como “a vida real irmão tribal aprimora a comédia”. É também uma citação, ou uma frase sua que para você resume o tom do texto, ou apenas uma espécie de refrão?
BOAVENTURA: A frase é do Queni N.S.L. Oeste. É um anúncio de néon intermitente que anuncia o rap como se anuncia um restaurante ou um motel.



Essa transição do ensaio para o rap atende apenas a um desejo de comunicação com um público maior, ou a uma necessidade de dizer algo que não se poderia dizer num trabalho sociológico?
BOAVENTURA: Mentalmente, na minha hora-a-hora, eu transito entre diferentes formas de escrita e a sua gestação é mais simultânea e caótica do que se pode imaginar. Curiosamente, nunca imagino públicos distintos. Mas vivo obcecado pelo que não consigo dizer quando estou a ser claro para mim e para os outros. Por isso, os fragmentos da construção, desde os mais imaginados aos mais assentes em protocolos empíricos, começam por ser mais livres e disponíveis. Depois, como tenho de sair à rua da comunidade científica bem vestido, adequo os fragmentos à lógica do vestuário-registro. Não faz muito sentido botar gravata e calções de praia. Tenho um guarda-roupa imenso e de fato só uso uma pequena parte. Como vê, tenho saído à rua da poesia poucas vezes, e quase nunca dão por mim. Estou admirado com a sua ousadia.



Como intelectual interessado na transformação social, o senhor ainda conserva crença no poder revolucionário da arte? De que maneira pensa a relação entre arte e política?
BOAVENTURA: Não há emancipação social; há emancipações sociais unidas (porque diferentes) por uma aspiração que uma vez resumi assim: temos o direito a ser iguais quando a diferença nos inferioriza, temos o direito a ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. A arte afirma o seu poder revolucionário na medida em que colabora neste projeto. A modernidade ocidental, ao mesmo tempo que, como referi acima, separou a racionalidade estética da racionalidade política angustiou-se sobre as relações entre elas. Desde Richard Wagner (“Arte e Revolução”, de 1849) a Leon Trotski (“Literatura e Arte”, de 1923) o que separa a arte e a política é também o que as une: são dois modos de fazer emergir o possível, o “ainda-não” das sociedades. Os meios que usam e os modos como surgem fazem toda a diferença e por isso é que a relação entre elas é tão complexa. Uma coisa é certa: o rap, tal como o blues, não podia ter sido inventado pela classe dominante. Rimbaud dizia que a arte, como a poesia, vai sempre à frente. Mas à frente de quê? O futurismo foi parte do movimento revolucionário que dominou a Rússia depois de 1917 mas alguns anos mais tarde os futuristas italianos faziam a apologia de Mussolini e do fascismo. E Dali, apesar de toda a sua estonteante criatividade surrealista, foi expulso do movimento por apoiar o fascismo de Franco na Espanha.



Num texto recente o senhor chamou Cuba de “um problema difícil para a esquerda”. Seria possível fazer um rap apontando os problemas do regime cubano?
BOAVENTURA: Esse texto foi muito acarinhado e lido em Cuba por democratas, socialistas e comunistas apesar de ter sido banido pela ortodoxia ideológica. Muitos dos problemas do regime cubano tal como muitos dos problemas da democracia portuguesa e brasileira estão no rap. É só ver em vez de olhar e sentir em vez de ler.


O senhor pensou em gravar o rap global? Alguém já propôs um ritmo para sua letra?
BOAVENTURA: Claro que gostaria de o gravar com rappers e sob a magnífica batuta do meu amigo Gilberto Gil, que escreveu o prefácio para a “Escrita INKZ”. O ritmo está na letra. Ora ouça: “Jesus caminha/ caminha com alguém/ que pode ser ninguém/ Allah caminha/ nas ramblas de granada/ e não acontece nada”.


Fonte:
http://oglobo.globo.com (Miguel Conde)

Caetano Veloso canta os livros…



LIVROS...
Autor: Caetano Veloso

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.


Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.


Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ¬ o que é muito pior ¬ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:


Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.


*No vídeo Caetano Veloso lê "Le Rouge et le Noir"(O Vermelho e o Negro) de Stendhal
"Ici, dit-il avec des yeux brillants de joie, les hommes ne sauraient me faire de mal." Il eut l'idée de se livrer au plaisir d'écrire ses pensées, partout ailleurs si dangereux pour lui. Une pierre carrée lui servait de pupitre. Sa plume volait (...) "Pourquoi ne passerais-je pas la nuit ici? se dit-il; j'ai du pain, et je suis libre!" (...)

Au son de ce grand mot son âme s'exalta (...) Mais une nuit profonde avait remplacé le jour, et il y avait encore deux lieues à faire pour descendre au hameau habité par Fouqué. Avant de quitter la petite grotte, Julien alluma du feu et brûla avec soin tout ce qu'il avait écrit.'




26.9.10

Greve de crianças trabalhadoras há 100 anos atrás em Portugal são uma lição para os trabalhadores de hoje


No dia 24 de Setembro de 1910 registou-se em Portugal uma greve de rapazes entre os 6 e os 11 anos que trabalhavam na fábrica de estamparia dos Olivais. As crianças, em número de cinquenta, que ali trabalhavam, e cujo trabalho consistia em dar tinta aos oficiais estampadores, resolveram não trabalhar enquanto o seu salário não fosse aumentado.

Segundo o jornal O Século, que dava a notícia, “toda aquela petizada, plenamente convencida da legitimidade do seu direito a exigir mais recompensa pelo seu trabalho”, reclamava um aumento do seu salário para os 120 réis diários, em vez dos 80 réis que recebiam.

No dia seguinte será noticiada no mesmo jornal que os pequenos grevistas tinham conseguido um aumento de 20 réis, voltando a situação à normalidade.

O autor da notícia aproveitou a oportunidade para exprimir em Setembro de 19010 a sua esperança de que:
«… a sociedade de amanhã, composta de homens conscientes dos seus direitos, saberá sacudir todos os jugos violentos, a que ainda hoje se encontra submetida, e procurar, pelo próprio esforço, inteligentemente orientado, a sua emancipação económica e o seu bem estar social».

Desgraçadamente parece que as suas esperanças foram vãs.
Hoje, passados 100 anos após essa greve , as crianças de outrora estavam muito mais conscientes da sua miséria e dos seus baixos salários, mostrando-se mais reivindicativas que a maior parte dos trabalhadores portugueses de 2010 !!!
Hoje, grande parte dos trabalhadores portugueses vivem desesperados, com o salário mínimo, muitos no desemprego, outros a recibos verdes, quase todos em situações de grande precariedade...

E perguntamos: para quando uma greve geral a valer?
Uma paralisação geral que em prol de justiça social exigindo que a crise capitalista seja paga pelos que a provocaram (bancos, finanças, e especuladores bolsistas)

Fonte da notícia:
O Século n.º10339, 24 de Setembro de 1910, p.1

Exposição «Masks & Masquerades, The Multiples Faces of Europe» no Teatro Instável

Foi inaugurada a 25 de Setembro, e pode ser vista de 3ª a Domingo, entre as 15h e as 19h, no Espaço Instável, até 10 de Outubro. A exposição vem de França, e foi organizada pelo Centro Internazionale Ethnostudi (Itália), The Mummers Foundation (Irlanda), Associação Progestur (Portugal) e International Folklore Festival Foundation (Bulgária).

http://bloginstavel.blogspot.com/

http://www.ethnostudi.org/cie_wp/#Scene_1

Teatro Instável -
Calçada de Santana, 168, r/c f
1150-306 Lisboa

25.9.10

1.000.000.000 (1 bilião) de pessoas vivem com fome crónica e eu estou furioso com isso ( campanha da FAO contra a fome)

Faça pressão sobre os políticos para acabar com a fome.

Assine a petição, e actue para acabar com a fome onde quer que esteja
Assine a petição para acabar com a fome já:
http://www.1billionhungry.org





O que é a fome?
Para os mais afortunados, é apenas a sensação no estômago que lhes diz que "são horas de comer.” Para os que têm menos sorte, e não conseguem ter a comida suficiente todos os dias, a fome fá-los-á sentir débeis e cansados, incapazes de concentrar-se, e até doentes. A única coisa em que conseguem pensar é quando vão ter alguma coisa para comer. Para centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro, esta sensação dura todo o dia, todos os dias, e nunca sabem se e quando esta sensação vai acabar. Para eles, a fome pode levar à doença e a danos temporários ou permanentes para a sua saúde. Eles não têm comida suficiente para os manter activos e sãos, e não consomem as vitaminas e os sais minerais de que o corpo necessita para funcionar bem. Isto é a fome crónica. Quando a fome é extrema e depois de dias com comida insuficiente ou nenhuma, o corpo começa a alimentar-se da única coisa que pode: ele mesmo, decompondo a sua própria gordura e tecidos, o que consequentemente pode levar à inanição e à morte.


Porque é que existe a fome?
O problema não é a falta de alimentos. Actualmente são produzidos no mundo alimentos suficientes para que toda a gente possa ter uma alimentação adequada e possa levar uma vida sã e produtiva. A fome existe por causa da pobreza. Existe porque as catástrofes naturais, como terramotos, inundações e secas, ocorrem muitas vezes em lugares onde a gente pobre tem muito pouco ou nada para poder reconstruir, quando ocorrem danos. Existe porque, em muitos países, as mulheres, apesar de serem quem mais trabalha na agricultura, não têm o mesmo acesso que os homens à formação, ao crédito ou á posse da terra. A fome existe por causa dos conflitos, que impedem as pessoas de ter qualquer possibilidade de levar uma vida decente e alimentar as suas famílias. Existe porque a gente pobre não tem acesso à terra ou a infra-estruturas agrícolas sólidas para produzir culturas viáveis ou gado, ou a conseguir trabalho estável que lhes permita o acesso aos alimentos. Existe porque muitas vezes os recursos naturais não são utilizados de forma sustentável. Existe porque, em muitos países, não há investimento suficiente no sector rural para apoiar o desenvolvimento agrícola. A fome existe porque as crises financeiras e económicas afectam os pobres ao reduzir ou eliminar as fontes de rendimento de que eles dependem para sobreviver


Quem são os que sofrem de fome?
São sobretudo os rurais pobres que vivem em países em desenvolvimento – nas aldeias na Ásia, na África, na América Latina e Caraíbas – que dependem na sua maior parte da criação de gado ou do cultivo de produtos alimentares em pequenas parcelas, destinados a satisfazer as suas necessidades básicas de nutrição. Os sem terra são ainda mais vulneráveis a ser vítimas da fome: viúvas, órfãos, idosos, trabalhadores eventuais, refugiados. Esses pobres rurais não tem forma de conseguir um rendimento estável, e por isso não conseguem complementar as suas necessidades de nutrição comprando os alimentos que necessitam. Frequentemente migram para as cidades à procura de trabalho, que é muitas vezes escasso e mal pago. O baixo rendimento traduz-se em poucos meios para comprar alimentos nos mercados locais. As mulheres são normalmente mais afectadas, e as que são mal alimentadas durante a gravidez terão maior probabilidade de dar à luz crianças desnutridas. Quando catástrofes como inundações, terramotos e secas atingem países vulneráveis, os pobres vêem-se forçados a abandonar as suas casas e os seus meios de sustento, aumentando assim o número de vítimas da fome.


O que se pode fazer para lutar contra a fome?
Partilhar a esperança de um mundo sem fome é o primeiro passo. Acabar com as desigualdades de género e dar às mulheres poder para desempenhar um maior papel no desenvolvimento agrícola, é outro. O problema da fome deve ser uma prioridade nos países mais empobrecidos. Aos pequenos agricultores devem ser facultadas as oportunidades e a educação de que necessitam para poderem produzir alimentos e gerar rendimento em quantidade suficiente para as suas famílias. As economias rurais têm de crescer para aumentar as oportunidades de emprego para aqueles que o necessitam e assim reduzir as migrações do espaço rural para as cidades. Tem que se dar mais ênfase à melhoria do acesso dos pequenos agricultores tanto a mercados domésticos como internacionais. Os nossos recursos naturais têm de ser geridos de forma sustentável, para assegurar que a terra não está a ser explorada em excesso. Os sectores público e privado têm de colaborar para acabar com a pobreza e a desigualdade e melhorar o acesso a uma alimentação segura para todos.

23.9.10

Campanha europeia para o reconhecimento do Domingo como dia de descanso na Europa



Está a decorrer a nível europeu uma campanha de recolha de assinaturas pela internet, com o objectivo de defender o "Domingo como dia de descanso na Europa

Pretende-se recolher 1 milhão de assinaturas para apresentar a proposta do "Domingo como dia de descanso na Europa", no Parlamento Europeu.


Para dar o nosso apoio:


First European Citizens' initiative for a work-free Sunday in Europe




Mais info:






Liga Operária Católica/Movimento dos Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC)


O Grupo de Acção pela Palestina volta a projectar ( no dia 24 de Set.) na Casa Viva o filme American Radical, sobre Finkelstein

O GAP - Grupo de Acção pela Palestina volta a apresenta o filme:

American Radical. The Trials of Norman Finkelstein (89')
de David Ridgen & Nicolas Rossier
Documentário. E.U.A/Canadá 2009

6ªfeira , 24 setembro, às 22h00

entrada livre

Local: Casa Viva

Praça marquês pombal 167 - Porto

http://casa-viva.blogspot.com/



Documentário sobre a figura controversa do académico Norman Finkelstein, abordando questões fundamentais relativas à identidade, à justiça social, à liberdade e ao activismo. Um olhar acutilante sobre as questões do Médio Oriente que pontuaram o final da segunda guerra mundial até aos nossos dias e que nos leva dos EUA, a Israel, ao Líbano, à Palestina, à Alemanha, ao Japão.

Norman Finkelstein é descendente de sobreviventes do Holocausto. Os seus trabalhos trouxeram-lhe tanto a fama e o respeito, como a censura e a repressão. Publicou vários livros sobre o conflito do Médio Oriente. Estará no Porto no próximo dia 30 de Setembro.

Mais sobre Norman Finkelstein:

Vurrasco de Outono, no espaço Musas, no dia 25 de Set. desde as 11h. até às 18h.

Vurrasco* de Outono na nossa esplanada com vista para o mar!
Local: Espaço Musas, Porto
Dia 25 de Setembro
11:00 - 18:00

Encontro da Horta do Musas.

Vamos-nos reunir no espaço da horta para fazer um balanço das germinações daqueles terrenos e decidir as sementes que lançaremos no futuro.

A horta este ano teve alfaces, cebolas, cenouras, couve galega, couve roxa, tomates, repolho, rúcula, brócolos, courgete, pepino, ameixas, cenouras, rabanetes, feijão, ervilhas, etc. e esta será uma óptima altura para reunir e juntar forças para este projecto.

A ideia é saber quem está interessado em colaborar, o que se pode fazer neste segundo ano do projecto e como poderemos chegar lá.

No meio disto comemos umas iscas de seitan, apanhamos uns tomates e cortamos umas silvas mais atrevidas!

Aparece com ideias ou com vontade de comer ;)
Até lá

Local:
Espaço Musas :
Rua do Bonjardim, 998
Porto

* churrasco de vegetais
_________________________________________
Entretanto, no mesmo espaço Musas encontra-se patente a exposição colectiva sob o título «...e se.»
Exposição Colectiva:

Luís Magalhães
Elizabeth Ida, José Simões e Koert Jobse
Carlos Lima
Fernando Almeida

Inauguração dia 23 de Setembro às 19 horas
Patente até dia 21 de Outubro de 2010

Local:

Espaço Musas
Rua do Bonjardim, 998
Porto

http://musas.pegada.net

22.9.10

Jantar sob o lema da mobilidade sustentável no Regueirão dos Anjos ( amanhã, dia 23)


O jantar de amanhã, dia 23 de Setembro, vai ser sobre "mobilidade sustentável".
Se tivermos massa critica (inscrições) fazemos uma oficina de construção de estacionamento de binas: às 18h no RDA 69! Os interessados deverão contactar: gaia.mara@gmail.com

Mais tarde, pelas 20h, há o jantar popular seguido do visionamento de filmes sobre mobilidade sustentável!

A preservação cultural como estratégia de militância social - Seminário no CES (dia 23 de Set. em Coimbra) sobre a ONG João Pequeno de Pastinha


Seminário
Preservação cultural como estratégia de militância social - O caso da ONG João Pequeno de Pastinha e sua ação através da Capoeira Angola

23 de Setembro de 2010, 18.30, Sala de seminários do CES, Coimbra


Seminário do Núcleo de Estudos de Democracia, Cidadania Multicultural e Participação

Utilizando da capoeira angola como um bem cultural promotor de formação para a cidadania, a ONG – João Pequeno de Pastinha é fundada com a missão de Preservar a cultura afro-brasileira, através da Capoeira Angola sob a técnica de Mestre João Pequeno de Pastinha e demais manifestações artísticas, utilizando-as como elemento de mudança sócio-educativa e inclusão social.

A intervenção social da instituição se dá tanto através de seu projeto central intitulado Projeto João e Maria Capoeira Angola e Cidadania, como pelo trabalho cultural que é desenvolvido. O projeto social destacado busca fornecer gratuitamente a crianças da comunidade do Nordeste de Amaralina, em Salvador, Bahia, Brasil, uma formação centrada na capoeira angola associada a seminários e cursos esporádicos tendo em vista fornecer instrumentos à concretização de uma cidadania crítica e ativa. A militância cultural encontra-se presente no modo em como é afirmada a capoeira angola como uma prática cultural que traduz um conhecimento acumulado e produzido historicamente pela população de ascendência africana em solo brasileiro. Saber, este, pautado na oralidade e ancestralidade, cuja referência e fonte de conhecimento é o Mestre João Pequeno de Pastinha que aos 92 anos de idade tem seu saber reconhecido por dois títulos de doutor honoris causa concedidos por duas universidades públicas brasileiras, a Universidade Federal de Uberlândia e a Universidade Federal da Bahia.


Nota biográfica

Mestre Faísca, registrado civilmente sob o nome de Luís Roberto Ricardo, é diretor-presidente da ONG João Pequeno de Pastinha e atua há mais de 20 anos na comunidade do Nordeste de Amaralina promovendo a capoeira angola como veículo de promoção de justiça social. Possui uma longa trajetória de militância pelo reconhecimento social da cultura afro-brasileira que abarca intervenções em regiões desfavorecidas de diversas cidades brasileiras. Atualmente coordena iniciativas destinadas a propagar a capoeira angola nas cidades de Salvador, Florianópolis e São José do Rio Pardo, no Brasil; em Montevidéo, no Uruguai; em Coimbra, em Portugal; em Madrid, na Espanha; e em Bruxelas, na Bélgica. A especificidade do trabalho dirigido por Mestre Faísca encontra-se no compromisso em propagar a capoeira segundo a concepção de Mestre João Pequeno de Pastinha, mestre do qual é discípulo e de quem recebe as orientações e ensinamentos
necessários à perpetuação desta prática ritual ancestral de matriz afro-brasileira.

Colóquio sobre Educação e Ética Ambiental (dia 24 de Set., na Faculdade de Psicologia e das Ciências da Educação do Porto)


I Colóquio sobre Educação e Ética Ambiental, na FPCEUP

O "I Colóquio sobre Educação e Ética Ambiental" terá lugar na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), no próximo dia 24 de Setembro de 2010.

A iniciativa conta com o apoio do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da FPCEUP.

A entrada é livre, mas com inscrição obrigatória via e- mail (pdce08002@fpce.up.pt) até 15 de Setembro de 2010.


Programa
9.00 h – Recepção dos participantes
9.30 h – Abertura do colóquio
10.00 h – “Da etologia à ética: fundamentos bio-culturais dos valores ambientais” por Professora Doutora Marina Lencastre
10.30 h – “Menos teoria e mais prática nas actividades de Educação Ambiental” por Professor Doutor Paulo Santos
11.00 h – Debate
11.30 h – “Será possível educar para a ética ambiental? - a ética da terra de Aldo Leopold, o sentido do maravilhamento em Rachel Carson e o movimento criança na natureza, de Richard Louv” por José Carlos Marques, sócio-fundador da Sociedade de Ética Ambiental
12.00 h – “O poder educativo da Natureza nas teorias pedagógicas (séc. XVII-XX)” por Professora Doutora Margarida Felgueiras
12.30 h – Debate
13.00 h – Intervalo para almoço
15.30 h – “As causas e as consequências: como a Filosofia para Crianças se cruza com a ética ambiental” por Professora Doutora Teresa Santos
16.00 h – “Animais, ciência e tecnologia: a questão ética” por Professora Doutora Anna Olsson
16.30 h – Debate
17.00 h – “Ética Animal e a expansão do círculo moral: porquê só os animais e não a natureza em geral?” por Mestre Ana Lúcia Cruz
17.30 h – “Protecção dos animais em Portugal: percurso associativo” por Mestre Alexandra Amaro
18.00 h – Debate
18.30 h – Encerramento do colóquio

Apresentação do livro Esquilia Divinorium, de Bruno Miguel Resende, na Associação A Cadeira de Van Gogh ( dia 25 de Set. às 21h30)


Apresentação do livro Esquilia Divinorum, de Bruno Miguel Resende
25 de Setembro de 2010, 21 horas
Associação Cadeira de Van Gogh - Rua Morgado de Mateus 41, Porto

Bruno Miguel Resende (Porto, n. 1/3/1981) é escritor, webdesigner, designer gráfico, DJ, fotógrafo, performer.

Inspirado pela evolução e revolução inspira a mesma, formando-se e informando-se sobre si próprio nas áreas de hedonismo, anarquismo, ateologia, revivalismo arcaico, surrealismo, e outras potências de existência que se adequam a cada momento de cada contexto.

Lança em 2007 o livro “Subterfúgios” pela Corpos Editora, em 2009 “Khaos Poeticum” pela Temas Originais e em 2010 “Esquilia Divinorum” pelas “Edições Extrapolar”. Participou em diversas antologias literárias das editoras Andross, CBJE, Editora de Leon, Celeiro de Escritores, Nova Coletânea e Lugar da Palavra em títulos como o “Livro Negro dos Vampiros” e “Noctâmbulos”. Nas artes gráficas concebeu as galerias Revolta das Palavras, Abysmo Humano e Transmorphosys.

É colaborador da revista Infernus incluindo-se também na Incomunidade e Associação Extrapolar entre outros escritos, artes, acções e reacções.


Livro: Esquilia Divinorum
Autor: Bruno Miguel Resende
Edição: Extrapolar – Associação Cultural

Sinopse: A esquilofrenia sente-se na vertigem de um galho pendente na noite, emociona-se enquanto os machados não estão suficientemente maduros, porque as sinapses trocam-se às raìzes que eclodem túmulos vivos, e mortificam os cadáveres que asseveram nas andanças, então enquanto nirvana é um silogismo que acrescenta lisérgicos frutos às manchas de tinta, como pórtico aos vazios, já a saída torna-se assim emergente de uma bolota.

Apresentação/debate sobre Albert Camus e o anarquismo no Centro de Estudos Libertários em Lisboa ( dia 25 de Set. às 15h.)

Apresentação/debate no CEL (Centro de Estudos Libertários) em Lisboa sobre Camus


A Sessão debate «Camus e o anarquismo» – terá lugar no sábado, dia 25 de Setembro, pelas 15 horas, no CEL.

Local: o CEL situa-se na Azinhaga da Alagueza, Lote X, c/v – esq. – Olivais Velho-Lisboa

http://crl.eco-anarquista.org/cel.html

Nespereira (Cinfães) no primeiro dia do Outono de 2010

O Outono é a estação do ano que sucede ao Verão e antecede o Inverno. É caracterizado pela queda da temperatura , e pelo amarelar das folhas das árvores.O Outono do hemisfério norte é chamado de "Outono boreal", e o do hemisfério sul é chamado de "Outono austral". O "Outono boreal" tem início, no Hemisfério Norte, a 22 ou 23 de Setembro. O "Outono austral" tem início, no Hemisfério Sul, a 20 de Março e termina a 20 ou 21 de Junho.





Nespereira é uma freguesia do concelho de Cinfães, com 38,48 km² de área e 2 217 habitantes

Parte integrante da província do Douro Litoral, não deixando de integrar também o distrito de Viseu que, aliás, é a capital de província da Beira Alta, Nespereira é uma das maiores freguesias do concelho de Cinfães. Localiza-se no extremo Sudoeste, a cerca de 15 quilómetros da sede concelhia, já bem perto da serra da Franqueira.

Confronta a Sul com Alvarenga e a Poente com Espiunca, uma e outra freguesias pertencentes ao concelho de Arouca. Mais a Norte e a Nordeste, confina com quatro freguesias do concelho cinfanense: Fornelos, Santiago de Piães, S. Cristóvão de Nogueira e Cinfães, esta última sede do concelho. Dentro de portas conta com alguns pontos donde, tanto os residentes como quem de visita podem desfrutar de vistas maravilhosas.

A partir do Alto da Senhora do Castelo, por exemplo, depara-se-nos um postal que bem pode rivalizar com o celebérrimo Alto de Santa Luzia (Viana do Castelo) ou o fronteiriço Alto de Santa Tecla, frente a Caminha. Mas Nespereira tem mais e bonitos pontos de interesse. Desde a pacatez que reina na praia fluvial da Ponte da Balsa ou nas bucólicas margens no Castanheiro da Areia, passando pelas enigmáticas Pedra da Moira e Mamoas de Chão de Brinco, até à Gruta de Nossa Senhora de Lurdes, junto à igreja paroquial de Santa Marinha.

Perderam-se com o passar do tempo usos e costumes, como as andanças do linho e parte dos saberes dos mestres que pontuaram nos diferentes ofícios. Mesmo assim, Nespereira orgulha-se de poder continuar a contar com várias associações, entre as quais se destacam a centenária banda de música e os já 'velhos' Nespereira F. Clube, Bombeiros, Rancho Folclórico e Grupo Cultural e Desportivo de Pindelo.

Locais a visitar ( pelos bons e maus motivos):

Igreja de Santo Irício

Capela de Paradela

Capela de S. Brás

Largo do Pelourinho

Mini-Hídrica do Ardena

Gruta de Nossa Senhora de Lurdes (Santa Marinha)

Senhora do Castelo (Ervilhais)

Praia Fluvial do Ardena


Para saber mais sobre Nespereira
http://sites.google.com/site/vozdopovoweb/


Mamoas de Chão-de-Brinco nos montes de Ervilhais, em Nespereira (concelho de Cinfães)

Festival de teatro de Nespereira organizado pela Casa do Povo: as próximas sessões serão nos dias 24 e 25 e Set.




O Grupo de Teatro da Casa do Povo de Nespereira está a organizar, em Nespereira, no Centro Paroquial de Nespereira, o I Festival de Teatro “Patrícia Andrade”, em homenagem da actriz, que faleceu no passado dia 6 de Junho, num acidente de viação.

Na próxima sexta- feira, dia 24, é a vez do Grupo de Teatro felgueirense “Pés na Lua” trazer uma peça de teatro, chamada “O Camaleão e as Batatas Mágicas”, e no sábado, dia 25, o Grupo de Teatro da Casa do Povo de Nespereira volta a apresentar “O Auto do Absinto”, 4 meses após a sua primeira actuação, desta vez, com algumas alterações.