19.1.10

Reportagens do colectivo brasileiro Catarse sobre os trabalhadores de canaviais e da fábrica de cana-de-açucar em Catende onde se produz sem patrão

São cinco, as reportagens da série Trabalhadores de canaviais, que foram preparadas pelo Coletivo Catarse para o programa Outro Olhar, da TV Brasil.

Desde 2004, a Catarse é um coletivo de jornalistas e artistas que tem como objetivo trabalhar junto a movimentos, organizações e pessoas que também se comprometem na busca por uma sociedade mais justa e humana. Com um trabalho autoral e engajado, firmou olhar nos movimentos e organizações do povo, que entendem a cultura como um direito humano e a comunicação como uma ação transformadora.

Catarse – Coletivo de Comunicação
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http://coletivocatarse.blogspot.com/

Primeiro episódio registra as condições de vida dos cortadores de cana e suas famílias que chegam do Maranhão e de outras regiões miseráveis em Guariba – cidade que bóia no mar de cana do interior de São Paulo..
Para os cortadores: muito esforço e baixo salário, num sistema vicioso de lucro por produtividade, em que quem roça mais também enriquece mais o patrão

No segundo episódio regista-se a denúncia de servidor do INSS da região de Jaboticabal, ao revelar que 30% dos cortadores pedem afastamento no final de cada safra e muitos deles, sem condições de trabalho, não recebem benefícios – a reportagem conversa com um deles: Adão Avelino de Jesus

O terceiro episódio da série Trabalhadores de canaviais, para a TV Brasil mostra a dor de duas viúvas que perderam seus maridos para um sistema de exploração. Uma boa parte do salário dos cortadores de cana é paga por produtividade. Quem corta pouco ganha mal e não consegue ser readmitido nas próximas safras. Essa pressão acaba levando muitos trabalhadores ao limite do esforço físico. No interior de São Paulo, muitos deles perdem a vida no meio da cana.

Na quarta reportagem sobre trabalhadores nos canaviais é apresentado o projeto Catende-Harmonia, em Catende, Pernambuco. Considerada uma das maiores experiências brasileiras em auto-gestão e economia solidária, os trabalhadores assumiram a direção da Usina e romperam com uma cultura de exploração do cortador de cana e da concentração de riquezas que eram perpetuadas pelos usineiros. Diversificaram a lavora e melhoraram a qualidade de vida

Na quinta reportagem da série Trabalhadores de canaviais, a reconstrução de Catende, usina de cana-de-açúcar falida em 1993, pelo espírito de solidariedade de seus trabalhadores emancipados do patrão


Migrantes da cana



Cortadores de cana que adoecem, sofrem abuso de poder.



Viúvas dos canaviais.



Catende - usina sem patrão



Solidariedade nos canaviais da reforma agrária

As trocas directas e solidárias da Economia dos Quilombolas ( texto de Claudio Nascimento)


As ‘trocas diretas e solidarias’ da ‘Economia dos Quilombolas”
Claudio Nascimento

O que podemos chamar de “Economia Quilombola” porta profundas relações com a Economia Solidaria. Assim, vejamos:


“Muitos quilombolas produziam para a própria subsistência, mas também conseguiram excedentes que os favoreciam em suas conexões mercantis com o mundo ao seu redor. Neste sentido, eram tipicamente camponeses. Dos grandes mocambos de Palmares, na Capitania de Pernambuco, no século XVII, sabe-se que plantavam milho e que ‘colhiam duas vezes por ano. Além de batata-doce, mandioca, banana e cana-de-açúcar”.


Com o tempo, a economia quilombola foi se ampliando e sofisticando;” Eles plantavam algodão,com o que faziam estopa,e participavam da economia extrativista abundante na região (Amazônia).Em abril de 1811,denunciava-se que os quilombolas iam ‘negociar’ na Vila de Alenquer, levando ‘estopa, breu, castanha e algodão e pois tudo vendiam ao Capitão José Antonio Pereira por pólvora, chumbo, armas, ferramentas e panos para se vestirem (e que lá tinham muita gente,outros pretos e pretas,e rapazes”.


Indígenas aldeados, cativos e soldados desertores,junto com habitantes de mocambos, viviam na floresta a plantar ou extrair produtos diversos. “Desde o século XVIII, circuitos mercantis se estabeleceram clandestinamente por todo o território”.


Assim, “Da ilha de Joanes dizia-se que cafuzos, mamelucos, indígenas e africanos, que lidavam com o gado, estavam burlando o fisco. A questão dos roubos de produtos articulava-se com o comércio clandestino, do qual participavam os escravos fugidos. Através dessas redes de comércio, os quilombolas trocavam produtos de suas roças por pólvora,armas de fogo e aguardente”.


A pesquisa fala da região das Minas Gerais; “Na capitania de MG, por exemplo, os quilombolas se multiplicaram com a expansão da economia mineradora e o conseqüente aumento exponencial da população escrava.” Em documentação da biblioteca nacional-RJ, há mapas em que “O interessante é exatamente o registro da organização econômica quilombola, com indicações sobre horta’, ’algodoais’, ’mandiocal’, ’roça’, ’milho plantado’ etc. Todos os mocambos se dedicavam à agricultura”.


Na Capitania da Bahia, também encontra-se considerável estrutura economia: “Atividades econômicas dos quilombolas podiam estar integradas,inclusive,a economia de abastecimento. Feijão, milho, mandioca e outros produtos podiam tanto ser trocados com os escravos nas senzalas,com taberneiros,quanto ser enviados para os mercados locais (até mesmo Salvador),através de vários intermediários comerciais”.


No Rio de Janeiro, “no início da década de 1730, na localidade de Bacaxá, em Saquarema, falava-se de um ‘grande quilombo”. No Norte da capitania há noticias também do quilombo do Curukango, em Macaé. Bem mais tarde, em meados dos século XIX, existe farta evidencia sobre uma estrutura camponesa de longa duração relacionada com os quilombolas de Iguaçu, no recôncavo da Guanabara. Baseavam sua economia na agricultura, na pesca e na caça, cultivando grandes plantações de abóbora e mangalô’ e ‘insignificante plantação de cana’, sendo ainda o local dos mocambos ‘piscoso, e abundante caça’.


“A conquista da liberdade pela fuga e manutenção desta liberdade através da ocupação e da exploração autônoma da terra”, e, esta “perspectiva comunitária e localmente articulada da economia quilombola’ contrariava fazendeiros, latifundiários e monocultores. Muitas expedições militares tentavam eliminar os mocambos. Neste sentido, “Opções econômicas se coadunavam com diversas estratégias de enfrentamento, proteção e arranjos locais. O abandono temporário de acampamentos e lavouras, quando atacados, e o posterior retorno ou ocupação de outro sítio faziam parte de táticas de guerrilhas difundidas entre os quilombolas”.


Muitas experiências destas, de quilombolas, setores camponeses negros e indígenas, ocorreram em áreas de ocupação e expansão de fronteiras. “Assim foi na capitania de Mato Grosso, onde no século XVIII, apareceu o quilombo do Quariterê, depois conhecido como do Piolho”.


Este quilombo, embora atacado e considerado extinto, reapareceu em 1795.


Nos meados do século XIX, no Maranhão,com a descoberta de novas minas de ouro, surgiu a fundação da Cia. de Mineração Maranhense, do Barão de Mauá”. Os acampamentos de exploração e também a colônia foram atacados em momentos diferentes por grupos indígenas e quilombolas. O empreendimento foi à falência em 1860. Mais do que problemas com logística, deserção e ataques de índios e quilombolas,o ouro teria se esgotado. A falácia das ‘minas esgotadas’ não só escondia um complexo jogo de interesses financeiros de Mauá, como silenciava sobre a ocupação quilombola na região. Eram eles os principais garimpeiros. Havia na região uma extensa base camponesa articulada aos garimpos e mocambos”.


Estas lutas de camponeses, indígenas e quilombolas, são fundamentais para entendermos experiências atuais neste campo. Por exemplo, a do ‘território sagrado’ da Raposa da Serra do Sol, sob ataque dos fazendeiros de arroz e dos militares. A economia desta comunidade formada por 5 etnias é similar aquelas dos quilombolas e índios camponeses da época Colonial.


Há uma experiência paradigmática neste campo: a sempre recordada “Comuna de Palmares, do famoso Zumbi.


A Comuna de Palmares ( Zumbi e Fourier no Nordeste )


Vamos recorrer à analise que M.Lowy fez da obra do poeta surrealista e militante trotskista Benjamin Perét, intitulada genialmente de “A Comuna de Palmares”, republicada na França em 1992.


Em seu livro, “L’étoile du matin,surrealisme et marxisme”, Michael Löwy tece considerações sobre a obra de Péret:
“B.Péret é um dos autores cuja obra reflete a dupla luz, vermelha e negra. Ele é sem duvidas de todos os surrealistas, o mais engajado na ação política no seio do movimento operário e revolucionário marxista, de inicio como comunista, depois [nos anos 30] como trotskista e finalmente, no pós guerra, como marxista revolucionário independente. Não por acaso durante sua estadia na Espanha durante a guerra civil, ele escolheu para combater o fascismo nos quadros da coluna libertária dirigida por Buonventura Durruti.


Isto se expressa também nos escritos políticos ou históricos.Um exemplo interessante é seu remarcavel ensaio de 1955-1956 sobre Palmares, uma comunidade de negros ‘marrons’ [fugitivos] do nordeste brasileiro que resistiu, ao longo do século 17, as expedições holandesas e portuguesas que tentaram eliminar este reduto de insubmissos. A “republica negra de Palmares” só foi vencida em 1695, com a morte de seus últimos defensores e de seu ultimo chefe, Zumbi.


A interpretação deste acontecimento por Péret é sem dúvida marxista, mas seu marxismo se diferencia por uma sensibilidade libertária que dá a seu ensaio uma amplitude de visão e uma originalidade marcantes. Sua introdução anuncia a cor: o desejo de liberdade é o mais imperioso dos sentimentos humanos, porque significa, para o espírito e para o coração, o oxigênio sem o qual eles se extinguem. Ao escrever que a historia humana consiste essencialmente no combate dos oprimidos pela sua libertação, Péret reinterpreta a tese marxista ‘clássica’ - a luta de classes como luta dos explorados contra os exploradores - em uma ótica libertaria. É toda uma antropologia da liberdade que se acha esboçada.


Esta mesma perspectiva libertaria o faz privilegiar, na análise da comunidade negra, os aspectos ‘anárquicos’, antiautoritários: o primeiro período do quilombo de Palmares se caracteriza, insiste Péret, pela ‘ausência de repressão’ e pela ‘liberdade total’ como também uma ‘generosidade fraternal’ inspirada pela consciência do perigo comum.


Os escravos fugitivos viviam em um estado natural, definido pela ‘ausência de toda autoridade’ e pela solidariedade elementar. O modo de existência da Comuna de Palmares era um ‘estado de incompatibilidade com toda forma de governo que implique uma autoridade regular’, na medida em que a repartição igualitária dos recursos, a comunhão ao menos de uma parte dos bens, não favorecia uma diferenciação social mais forte. Se inspirando de uma formula utópica saint-simoniana [retomada por Marx], Perét afirma que o regime interior de Palmares expressa “a administração dos bens que o governo sobre as pessoas.”


Vejamos as idéias de Perét sobre os Palmares.


Que era Palmares? “Alguns milhares de Negros que tinham fugido das ‘fazendas’ e se refugiavam em um massivo coberto de florestas onde predominavam as palmeiras”.
Uma expedição ocorrida em novembro de 1675, assinalava Palmares como ‘uma grande cidade de mais de 2.000 casas, fortificadas de palhiçadas”.


Para Perét, “o mais provável é que as origens da comunidade quilombola foram marcadas por uma espécie de anarquia primitiva que,pouco a pouco,tornou-se ‘formas de governo naturalmente rudimentar’ (Edson Carneiro)...o novo estado de coisas formado pela comunidade quilombola,onde o pode-se observar uma ausência total de dominação. Era inevitável que uma liberdade total reinava, mais ainda, acompanhada de uma generosidade fraternal, sustentada pela consciência de um perigo comum e comum”.


E que, “Somos mesmos levados à presumir que, até as primeiras expedições holandesas, NENHUMA FORMA DE ESTADO EXISTIA EM PALMARES.”


“É muito improvável que a comunidade quilombola tenha,desde sua origem,camadas sociais tão claramente diferenciadas: todos os fugitivos que a compunham eram de condição igual. O estado natural, caracterizado pela ausência de toda autoridade,devia ser o dos escravos fugitivos”.


Perét se interroga sobre o tipo de economia de Palmares:
“Qual era o regime econômico dos Palmares ?


Sobre este ponto, só temos hipóteses, os documentos dizem pouco.Podemos mesmo afirmar que,sem medo de errar,que o regime sofreu influencia direta das relações dos Palmares com os colonos portugueses.De um lado, regime político – se é possível usar palavra tão complexo para os Palmares- e regime econômico não podiam deixar de se entrecruzar em grandes linhas.ora, é problemático afirmar que as camadas sociais muito diferenciadas tenham podido se formar,a não ser nos últimos períodos.Tudo nos leva a pensar que o Estado, até o fim, ficou embrionário,mesmo quando Zumbi dispunha de poderes absolutos; com efeito,seu governo tinha abertamente um caráter militar.’


“A multiplicação destas escaramuças punham os palmares num perpetuo estado de alerta,ao qual devemos atribuir à origem das mudanças que afetaram a estrutura da sociedade quilombola”.


“Sem dúvidas, nesta época (1676-1677),a situação interna dos palmares nada tinha a ver de comum com a de trinta anos antes.os 6.000 Negros de 1645 eram agora ’16.000 à 20.000 almas’,repartidas em uma dezena de vilas em um território de cerca de 27.000 kilometros quadrados,ou seja,aproximadamente a superfície da Bélgica”,diz Perét.


E que,”Uma população tão numerosa,em constante estado de guerra com os colonos portugueses,necessitava uma concentração de poderes – ao menos militares- que, trinta anos antes,não tinha razão de existir.ERA UM ESTADO QUE SE FORMAVA’.


E que “Os primeiros negros instalados em Palmares deviam ter trabalhado as terras em comum.A necessidade de fazer frente ao afluxo constante de fugitivos obrigava estes primeiros cultivadores à COLETIVIZAR os recursos do refugio .Os Brancos não cessaram jamais,durante ao menos 50 anos, de destruir as colheitas dos negros para aniquila-los pela fome e quebrar sua combatividade.Mas,estas expedições repetidas não podiam ter outro resultado que aumentar a SOLIDARIEDADE interna de cada vila ,assim como a de toda a população dos Palmares”.


Perét nos fala do ‘trabalho escravo” nos Palmares:
“Se é impossível fixar uma data para o estabelecimento da escravidão nos Palmares,nada indica que ela tenha existido antes que os Brancos tenham feito as expedições de uma certa envergadura contra os fugitivos. Foi no momento em que os Negros se viram na obrigação de enfrentar uma dupla tarefa – a defesa dos Palmares e a agricultura-, que eles recorreram ao trabalho servil.é certo que,na sociedade quilombola, a escravidão tenha sido precedida por um período de divisão do trabalho mais ou menos sistemática,uma parte da população se consagrando à agricultura, e outra à proteção. Sem duvidas que,então,os campos foram confiados as mulheres,como se produz ainda nos numerosos povos africanos de tradição guerreira”. E, “Ao mesmo tempo, retido por suas obrigações guerreiras,ele se acha na impossibilidade de fazer frutificar suas terras. Não tinha outro recurso que o de capturar um escravo para fazer a tarefa que sua companheira não podia realizar”, conclui Perét.


No final Perét se pergunta sobre a possibilidade revolucionaria dos Palmares:
“Chegariam a libertar os escravos do Brasil ? Não penso que sim.Uma sublevação geral e simultânea nas capitanias de Pernambuco a de Alagoas teria posto a sua disposição o armamento considerável de seus senhores.Mas,saberiam usar todo tipo de arma que lhes caíssem em mãos,a artilharia, por exemplo? Temos dúvidas. O que não impede que:a reivindicação da abolição da escravidão,sustentada pelas armas,teria uma tal repercussão que a emancipação dos escravos teria sido consideravelmente antecipada”.


Mas, segue Perét : “Tal reivindicação não foi formulada,e é lamentável.Como ela foi, a sociedade quilombola dos Palmares representa um episodio da luta dos homens por sua liberdade.Esta tentativa não era viável nas condições em que nasceu,como não o foi o falanstério de Fourier, que ela parecia prefigurar em seus melhores momentos.Seja como for: a existência dos Palmares insulflou os Negros do Brasil uma grande esperança,tal como as calorosas antecipações de Fourier pareceram,em seu momento,trazer a solução ideal e imediata as contradições que dilaceravam a sociedade no inicio do século passado”, conclui Peret seu trabalho sobre a Comuna ou a República dos Palmares.


Voltemos as questões levantadas por Robert Pongé, na introdução ao livro de B.Péret, e as quais já fizemos referência acima:
“Perét foi sensível as analogias entre os Palmares e diversas experiências de lutas e de auto-organização que surgiram na historia do movimento social dos oprimidos;o poeta faz explicitas referencias ao falanstério de Fourier, e mais: os quilombolas não são os legítimos descendentes dos escravos revoltosos de Spartacus , e sua comunidade não é uma autentica ancestral – rural – das comunas do movimento operário e campones moderno?”


Para Ponge, se tivesse ocorrido uma ampliação geográfica da luta dos Palmares” seria, em suma, antecipar a revolução dirigida por Toussaint Louverture”, no Haiti. O famoso ‘Jacobino Negro”,cuja revolução foi estudada pelo amigo de Mario Pedrosa, C.L.R.James, na sua obra “Os Jacobinos Negros”.


Deste modo, “finalmente, conseqüente com sua análise, Perét situa a luta da Comuna quilombola na historia geral dos oprimidos e explorados,e designa claramente os Negros dos Palmares como autênticos ancestrais do movimento social moderno”.


A Comuna de Canudos


Passemos para outra experiência no mesmo campo histórico.
O velho militante trotskista,amigo de Mario Pedrosa,Edmundo Moniz, escreveu vários livros sobre a experiência da “Comunidade igualitária “ de CANUDOS. Assim:
-“Guerra Social de Canudos”.RJ.Editora Civilização Brasileira.1978
-“Canudos: a luta pela terra”.Historia Popular.Global editora.1980


Este ultimo livro, é na verdade, uma biografia de Antonio Conselheiro.Dele vamos extrair alguns elementos que têm relação com nosso objeto: a questão da autogestão e da ‘comuna’.
Moniz, de início, nos passa a dimensão histórica de Canudos e do Conselheiro :
“ Canudos é o mais importante movimento camponês no Brasil. Um movimento tão importante como o de Emiliano Zapata no México(...)O que interessava aos grandes latifundiários era apresentar Antonio Conselheiro como um simples fanático.A prova de que isto não coincidia com a verdade foi a construção da comunidade igualitária de Canudos.


A verdadeira imagem do fundador de Canudos ressurge à luz do sol com toda a sua autenticidade, e vemo-lo como o grande líder das massas camponesas do Brasil, não tendo no continente americano outra figura que se compare à dele senão a de Emiliano Zapata,no México”.


Entre as idéias políticas e filosóficas de Conselheiro, encontra-se a “Utopia” de Tomás More,que foi,para Moniz, “a base ideológica da comunidade igualitária de Canudos”.


A verdade histórica traz à superfície que “O fanático,o insano,o celerado cede seu lugar a um guia e conselheiro,convicto do seu papel histórico, que se bateu pela abolição dos escravos,pela extinção do latifúndio e por uma ORGANIZAÇÃO SOCIALISTA semelhante à de FOURIER, de CABET e de OWEN”(grifos meu).


Bibliografia

Michael Löwy. ”L’Étoile Du matin. Surréalisme et marxisme”. Sylepse, Paris, 2000.

Vários: ”Utopias Agrárias”. Editora UFMG, 2008.

Stuart Schwartz. ”Roceiros e Rebeldes”. EDUSC, 2001.

Benjamin Péret. «La Commune des Palmares». Sylepse, 1992.

Guy Prevan. «Péret Benjamin, révolutionnaire permanent». Sylepse, 1999.

C. L. R. James. «Os Jacobinos Negros». Boitempo, 2000.

João José Reis. «Rebelião Escrava no Brasil». Cia. das Letras, 2003.

Edison Carneiro. «O Quilombo dos Palmares». Brasiliana, CEN, 1988.

Edison Carneiro. «A Insurreição Praieira (1848-49). Ler e Viver, 1978.

Decio Freitas. «Palmares». Mercado&Aberto, 1984.

Edmond Moniz. «Guerra Social de Canudos». Civilização Brasileira, RJ, 1978.

Edmond Moniz. «Canudos: a luta pela terra». Global editora, 1980.

Aires da Mata Machado Filho. «O negro e o Garimpo em Minas Gerais». Retrato do Brasil. Editora Civilização Brasileira, 1964.

Junior Brasil. «A Destruição do Quilombo dos Palmares». Literatura de cordel. Tocantins, 2008

O que é a economia solidária?

Economia solidária é uma forma de produção, consumo e distribuição de riqueza (economia) centrada na valorização do ser humano - e não do capital - de base associativista e cooperativista, voltada para a produção, consumo e comercialização de bens e serviços, de modo autogerido, tendo como finalidade a reprodução ampliada da vida. Assim, nesta economia, o trabalho se transforma num meio de libertação humana dentro de um processo de democratização econômica, criando uma alternativa à dimensão alienante e assalariada das relações do trabalho capitalista.





Economia Solidária: empresas recuperadas



Economia Solidária: Trocas solidarias e moedas sociais


Economia Solidária: consumo responsável


Economia Solidária: redes e cadeias

Assinem a petição contra a pena de morte a que foi condenado o jornalista negro Mumia Abu-Jamal





Em 14 de janeiro de 2010, foi colocada online uma petição para o presidente Barack Obama sobre Mumia Abu-Jamal e a abolição global da pena de morte. É importante que a subscrevam o maior número de pessoas. Em causa está a pena de morte. Parece que o tribunal vai finalmente tomar uma decisão durante a semana que vem, depois de analisar o caso em conferência em 15 de janeiro. Estamos preocupados com o futuro acórdão. Mumia está agora em perigo maior do que já esteve em outro momento, desde a sua prisão há 28 anos atrás


Documentos da Amnistia Internacional sobre o caso Mumia Abu-Jamal: ver
AQUI




Foram mais de 5.000 signatários nos primeiros dias, principalmente da Europa. Estes incluem o primeiro signatário, Madame Danielle Mitterrand (ex-primeira-dama da França), Günter Grass (vencedor do Prêmio Nobel em literatura), Fatima Bhutto (escritor, Paquistão), Noam Chomsky (filósofo e autor), o actor Ed Asner (), Mike Farrell (actor), & Michael Radford (diretor do filme vencedor do Oscar Il Postino).


PETIÇÃO

Para o presidente Barack Obama:

NÓS, SIGNATÁRIOS desta petição, pedimos-lhe que se pronuncie contra a execução de Mumia Abu-Jamal e de todos os homens, mulheres e crianças condenadas à morte no mundo.

A pena máxima é inadmissível numa sociedade civilizada e diminui a dignidade humana. (Assembleia Geral das Nações Unidas, moratória no uso da pena de morte, resolução 62/149, 18 de Dezembro, 2007; refrendada, resolução 63/168, 18 de Dezembro, 2008).

O senhor Abu-Jamal, célebre jornalista e escritor negro, está no corredor da morte há quase três décadas no pavilhão da morte na Pennsylvania.

Ainda que a sorte do senhor Abu-Jamal na sua qualidade de recluso do estado esteja fora do controle de vossa excelência, que exerce a liderança moral no ámbito internacional, solicitamos que haja um apelo mundial para que cesse a pena de morte em todos os casos sancionados com a pena capital.
O senhor Abu-Jamal converteu-se num símbolo mundial, é “a voz dos que no têm voz” na luta contra a pena de morte e o abuso dos direitos humanos. Existem mais de 20.000 pessoas que esperam a execução, de todo o mundo, e existem mais de 3.000 nos Estados Unidos.

No julgamento, de 1982, do senhor Abu-Jamal praticou-se o racismo. O julgamento celebrou-se em Filadélfia cuja história de corrupção e discriminação entre as forças policiais é bem conhecida.
A organização da Amnistía Internacional, ganhadora do prémio Nobel, concluiu que muitos dos aspectos deste caso não cumpriram com as normas internacionais que garantissem a justiça dos actos jurídicos. “Com o fim de existir justiça deve-se conceder um novo julgamento a Mumia Abu-Jamal. . . . O julgamento deve acatar todas as normas internacionais de justiça…não deve permitir-se uma nova aplicação da pena de morte.”

Para assinar
http://www.PetitionOnline.com/Mumialaw/petition.html.



Consultar:

http://www.freemumia.org/

http://www.freemumia.com/

http://www.mumiabujamal.net/

http://www.mumialegal.org/

Solidariedade com os acusados do 25 de Abril de 2007 ( a 1ª sessão do julgamento é nesta 6ª feira, dia 22 de Jan.)


Esta 6ª-feira, dia 22 de Janeiro

Começa a 1ª sessão do julgamento contra os detidos na manifestação do 25 de Abril de 2007.


Às 9h30, na Gare do Oriente

Continuamos nas ruas!

Poetas brasileiros - sessão de poesia dita por Nuno Meireles no bar Labirintho (dia 20 de Janeiro às 22h.)




Poetas brasileiros por Nuno Meireles
Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010 às 22:00

Nuno Meireles lê poetas brasileiros... Cecília Meireles, Ronald de Carvalho, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes...
Apresentação de Danyel Guerra...
Labirintho Bar Livraria Galeria
Rua N. Sra de Fátima, nº 334 - Porto

18.1.10

Ciclo Manuel António Pina está a decorrer na Guarda




Manuel António Pina, 66 anos, é poeta, autor de livros para crianças, colunista e tradutor. Foi jornalista, professor e membro do Conselho de Imprensa. tendo nascido no Sabugal. Em boa hora a Câmara Municipal da Guarda, o TMG e o CEI juntam-se agora para divulgar a obra de um dos maiores escritores da actualidade. A iniciativa incluirá exposições, seminários, teatro e poesia do autor em diversos espaços da Guarda entre 16 e 22 de Janeiro.


O ciclo tem início a 16 de Janeiro com a peça “O Escaravelho Contador” da Companhia de Teatro de Braga que actua no Pequeno Auditório do TMG, às 16.00h, no âmbito da iniciativa Famílias ao Teatro. «Como uma caixa dentro de uma caixa, dentro de uma caixa, dentro de uma caixa o escritor escreve as histórias que o escaravelho lhe contou e que o encenador transforma em imagens no teatro e de que por sua vez os actores são os fazedores», explica o texto de apresentação do espectáculo. Trata-se de uma história baseada no livro "História que me contaste tu" de Manuel António Pina. É pois um livro «que se transforma em teatro para os mais novos que por sua vez levarão os mais crescidos a acompanhá-los nestas histórias vivas». A peça é para maiores de quatro anos e tem a encenação e dramaturgia de José Caldas, cenografia e figurinos de José António Cardoso, desenho de luz de Fred Rompante e conta ainda com a interpretação de Carlos Feio, Jaime Soares, Rogério Boane, Solange Sá, Teresa Chaves e Alexandre Sá.

A 18 de Janeiro é inaugurada na Galeria do Paço da Cultura uma exposição da autoria da artista plástica e ilustradora Ilda David’ que reúne as ilustrações do livro “O sábio fechado na sua biblioteca”, da autoria de Manuel António Pina. A exposição tem entrada livre e ficará patente até 27 de Fevereiro.
Sobre o mesmo livro é apresentada uma peça homónima, marcada para o dia 20 no Pequeno Auditório do TMG. A “História do sábio fechado na sua biblioteca” é apresentada pela companhia Pé de Vento em duas sessões. A primeira às 10h00 para o público das escolas e a segunda às 21h30 para o público em geral. A peça conta a história de um Sábio que vivia há muitos anos fechado na sua Biblioteca e sabia tudo. Nada do que existia, e até do que não existia, tinha para ele segredos. Sabia quantas estrelas há no céu e quantos dias tem o mundo, até ao dia que um estrangeiro lhe bate à porta. O espectáculo tem encenação de João Luiz, cenografia de João Calvário e Rui Azevedo, figurinos de Susanne Rösler, música original de Pedro Junqueira Maia, desenho de luz de Rui Damas e interpretação de Rui Spranger e Sara Paz.

Também no dia 20, mas às 18h00, na Sala Tempo e Poesia da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, está marcada a inauguração da exposição “Manuel António Pina – Palavras, livros, registos, percursos, crónicas, lembranças…”. Trata-se de uma exposição bio-bibliográfica sobre o autor, que mostrará o percurso pessoal e profissional do multifacetado Manuel António Pina. A exposição ficará patente na BMEL até 27 de Fevereiro.

No dia seguinte, 21 de Janeiro, às 09h00 na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço decorre o Seminário Ibérico “Manuel António Pina – Palavras para além das Fronteiras”. A iniciativa estará dividida em três painéis: Poesia, Literatura Infanto-Juvenil e Jornalismo. Para o primeiro painel a organização convidou como oradores António Sáez Delgado da Universidade de Évora, Gabriel de la S. T. Sampol da Universidade das Islas Baleares e Inês Fonseca Santos, jornalista. Para o painel Literatura Infanto-Juvenil estão previstas as intervenções de Perfecto Quadrado da Universidade das Islas Baleares, Sara Reis da Silva da Universidade do Minho e Adelaide Lopes da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico da Guarda. No terceiro e último painel, sobre Jornalismo, intervirão José Carlos Vasconcelos (Jornal de Letras), Luís Miguel Queirós (Público), Viale Moutinho (Diário de Notícias), Fernando Paulouro (Jornal do Fundão) moderados pelo também jornalista da revista Visão Pedro Dias de Almeida. O Seminário Ibérico contará ainda com a conferência inaugural de Arnaldo Saraiva, professor universitário, investigador literário, ensaísta, cronista e poeta e ainda com a conferência de encerramento do ensaísta português Eduardo Lourenço.

Logo após o seminário e ainda na BMEL será apresentado, às 18h00, o prémio literário Manuel António Pina, a atribuir nas áreas da literatura para a infância e da poesia (alternadamente). Será também apresentado o regulamento e as condições de acesso a este galardão que passará a marcar anualmente o panorama cultural da cidade.

Ainda no dia 21, às 21h30, é apresentado no Pequeno Auditório do TMG o recital “Poesia Reunida”. Uma iniciativa que reunirá em palco gente conhecida e também alguns anónimos para recitar poesia da autoria de Manuel António Pina. Todos eles terão o acompanhamento ao piano de Élia Fernandes que assina também a autoria de todas as músicas, criadas propositadamente para cada um dos poemas.

Ainda na área da poesia destacamos a iniciativa “Poemas de Manuel António Pina na Rádio”. Numa colaboração com a Rádio Altitude (90.9 fm), serão divulgados de hora a hora entre as 07h e as 20h, poesia do autor lida por gente dás áreas do teatro e da rádio.

Entre 18 e 22 de Janeiro, será dinamizado pelo Serviço Educativo do TMG uma oficina que tem como destinatários os alunos das escolas do concelho. A oficina incide sobre a Matemática e a Música e consiste numa actividade didáctica com base num jogo de cartas original criado pela artista plástica Brígida Ribeiro, com ilustrações originais. Este jogo, baseado no “Livro da Desmatemática” de Manuel António Pina, tem como objectivo constituir famílias de múltiplos, ao mesmo tempo que as crianças descobrem os textos de Manuel António Pina. Paralelamente e de forma complementar a este jogo, a oficina conta também com uma componente musical que apela a jogos fonéticos que têm por base textos do autor.

Esta oficina terá lugar no TMG, no Paço da Cultura e na BMEL.

O ciclo termina no dia 22, às 11h, com o encontro de Manuel António Pina com crianças na Biblioteca Escolar que tem o seu nome, na Escola de 1º Ciclo do Ensino Básico de Adães Bermudes.

http://www.tmg.com.pt/

76º aniversário do 18 de Janeiro de 1934 da Marinha Grande é comemorado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira

Consultar neste blogue os seguintes textos e referências:



A 18 de Janeiro de 1934 ocorreu um levantamento revolucionário armado, na Marinha Grande, levado a cabo pelos operários vidreiros numa tentativa frustrada de acabar com a ditadura fascista de Salazar e as situações de perseguição, exploração e falta de trabalho que os haviam atirado para a miséria e para a fome.

Num País sujeito à opressão salazarista, estes marinhenses lutaram contra as perseguições, desemprego e injustiças várias a que foram sujeitos durante décadas.

Durante algumas horas, a Marinha Grande esteve nas suas mãos, até a revolta ser violentamente reprimida e os seus autores presos, muitos deles no Tarrafal.

No centro da Marinha Grande foi erigido um monumento evocativo da revolta, da autoria do escultor marinhense Joaquim Correia, aquando do 50º Aniversário da revolta.

A 18 de Janeiro de 2008, a Câmara Municipal da Marinha Grande inaugurou a Casa-Museu evocativa da efeméride, situada no Largo 18 de Janeiro de 1934, no lugar de Casal Galego, Marinha Grande.

76.º Aniversário do 18 de Janeiro de 1934 - Comemorações do 18 de Janeiro

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira assinala o aniversário do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande com o seguinte programa

Quinta-feira - Dia 14
Abertura da Exposição sobre o Vidro, de artistas Marinhenses

Sexta-feira - Dia 15 10h30
Encontro de dirigentes e activistas sindicais vidreiros (aberto à população), sob o tema: “A origem histórica do 18 de Janeiro e as razões de luta dos(as) trabalhadores(as) na actualidade”.

22h00
Noite de Fados (aberto à população)

Domingo - Dia 17 10h00
Passeio com interpretação de Hermínio Nunes.
Partida frente à sede do STIV - Largo do Luzeirão - e chegada no Museu do Vidro.

15h30
Peça de Teatro “Guilherme e o Dragão”, pelo Grupo de Teatro Teatresco, de Vieira de Leiria

16h30 - Sessão de autógrafos pelo escritor Hermínio Nunes, autor do livro “Antecedentes sociais do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande”

20h00
Jantar convívio (10,00 euros)
(Inscrições junto dos delegados sindicais e na sede do Sindicato Vidreiro até dia 9 de Janeiro)
Espectáculo Musical com Índigo Word Music

Segunda-feira - Dia 18
00h00 Salva de morteiros e fogo de artifício no Parque Municipal de Exposições.

10h30 Romagem aos cemitérios de Casal Galego e Marinha Grande, com deposição de flores nas campas dos prisioneiros por participação no Movimento Operário do 18 de Janeiro de 1934. A intervenção sindical de homenagem aos falecidos será proferida no cemitério da Marinha Grande.

11h30 Praça do Vidreiro - Actuação do grupo de percussão Tocándar.
Cerimónia pública junto ao Monumento do Vidreiro, com Intervenções sindicais e com a presença do Secretário-Geral da CGTP-IN e da sua Comissão Executiva.

13h00 Sede da ASURPI - Almoço Convívio

15h00 Casa Museu - Abertura da Exposição de cartazes alusivos ao 18 de Janeiro

15h00 Casa Museu 18 de Janeiro (Casal Galego)
Inauguração da exposição de cartazes e pinturas alusivos ao 18 de Janeiro – patente até 24 de Janeiro
Sinopse: Apresentam-se pinturas, cartazes e autocolantes evocativos da revolta operária de 18 de Janeiro de 1934, elaborados entre 1977 e final da década de 80. As pinturas foram elaboradas por Gama Dinis e Guilherme Correia. Os cartazes e autocolantes foram editados ao longo dos anos, sendo da autoria de Olinda Colaço, Gama Dinis, Guilherme Correia e Sindicato Vidreiro.
A exposição está patente de 18 a 24 de Janeiro.

16h00 - Sessão de autografos por Dra. Júlia Guarda Ribeiro autora do livro “Mulheres da Marinha Grande”, testemunhos de algumas das intervenientes.



17h30 Sede da ASURPI - Espectáculo musical pelo Grupo de cantares da ASURPI

Sábado - Dia 23

16h30
VISITAS GRATUITAS AO MUSEU DO VIDRO
ASURPI - Oficina da Cultura
Museu do Vidro Salva de morteiros e fogo de artifício no Parque Municipal
Apresentação do Livro “os Operários e as suas Máquinas" da Dra. Emília Margarida Marques e lançamento do catálogo da exposição “Mestres da Marinha Grande - Artesanato de Maçarico


17.1.10

Jornadas de Inverno da revista Peace News (Peace News Winter Gathering in Nottingham) realizam-se neste fim de semana (15-17 de Janeiro)




http://peacenewsgathering.info/
http://www.peacenews.info/


As jornadas de Inverno da revista Peace News é uma excelenete ocasião para o movimento pacifista britânico se encontrar e reunir forças para prosseguir os seus esforços. O programa destas jornadas é vasto e variado, prevendo-se que temas como a Marcha por Gaza, o activismo pela Justiça Climática e a preparação para a manifestação e bloqueio a realizar em Aldermaston sejam abordados e debatidos. Está ainda prevista a realização de uma acção directa no dia 18 de Janeiro contra o negócio de armas.

Local do encontro das Jornadas: Sumac Centre, 245 Gladstone St, Nottingham

Destaques das Jornadas de Inverno da Peace News:
- Report backs from the Gaza Freedom March
- Workshops with Seeds for Change
- No Borders reporting on recent immigrant solidarity campaigning in Calais
- George Farebrother on law, peace and applying pressure
- Afghanistan: Strategies to end the war
- Anti-war art, with PN co-editor Emily Johns
- Radical climate change activism after Copenhagen


Workshops and sessions at the Peace News Winter Garhering


SATURDAY

Aldermaston Big Blockade
The Aldermaston Big Blockade is designed to highlight the illegality, immorality and criminal waste of resources involved in the multi-billion pound expansion of the nuclear warhead factory in West Berkshire and the wider Tridentre placement programme. The blockaders are aiming to put a stop to the developments and begin the process of disarmament. This workshop will provide some background on the developments at Aldermaston and the Trident
replacement process, and focus on preparing for the Aldermaston blockade on Monday 15 February.
Dan Viesnik is a member of Trident Ploughshares.
http://www.tridentploughshares.org/article1577

EDO Decommissioners
In January 2009, with bombs still falling in Gaza, five activists entered the EDO/MBM/ITT factory in Brighton and caused £300,000 worth of damage. One is still on remand in prison, others face strict bail conditions. What motivated them to do it? What impact do they feel it had? A chance to explore large scale actions and their impacts.
One of the EDO Decommissioners will speak at this workshop.
http://decommissioners.co.uk/

Engaging with decision-makers
A new Network for Law, Accountability and Peace (NETLAP) recently organised a two-day conference involving lawyers, academics, politicians, analysts and activists to help develop a structure for developing activists’ contacts withParliamentarians and Whitehall officials so that they are more open and informative for us.
George Farebrother is the coordinator of World Court Project UK, which helped to bring the issue of nuclear weapons to the World Court in 1996, resulting in a historic legal ruling.
http://www.peacebourne.serifweb.com/NETLAP/

Food Not Bombs
Keith McHenry is the legendary co-founder of Food Not Bombs, on a speaker tour of the UK. In 1980, Keith and seven friends started the first Food Not Bombs chapter in Cambridge, Massachusetts, providing entertainment and vegetarian meals in Harvard Square and the Boston Commons after making deliveries of uncooked food to most of the housing projects and shelters in the area. Keith has been arrested over 100 times for serving free food in city parks and has spent over 500 nights in jail. On a personal level, Keith suffers extreme pain every day from fibromyalgia caused by police violence and regularly sees a doctor for medical care.
http://www.foodnotbombs.net/keithbio.html

Hiroshima art
The Hiroshima Panels (原爆の図, Genbaku no zu) are a series of 15 painted folding panels by the collaborative husband and wife artists Maruki Iri and Maruki Toshi completed over a span of 32 years (1950-1982). The panels depict theconsequences of the atomic bombings of Hiroshima and Nagasaki, as well as other nuclear disasters of the 20th century.
Emily Johns, Peace News co-editor, received her art education at the John Cass and Goldsmiths College, both in London. She has been a professional artist, focusing recently on print-making, since 1991.


How to set up a housing co-op
Housing co-operatives offer a chance for people to take control of their own lives and provide a base for activists to engage in radical activity. They are a constructive example of what we can achieve and proof that there are alternative ways of living to the competitive model pushed under capitalism. Come and learn more about housing co-ops, how they work, and how to set one up.
Radical Routes is a co-operative of social centres (including the Sumac Centre), workers and housing co-ops working towards radical social change. The network operates through consensus and mutual aid.
http://www.radicalroutes.org.uk/

Improving facilitation
If you’ve been facilitating meetings for a while, and would like to acquire new skills or techniques, learn about facilitating larger meetings, or reflect on what you’ve been doing with other facilitators, this is the workshop for you. This is not an introductory workshop. It is an opportunity for experienced facilitators to reflect, and to improve their facilitation skills.
Seeds for Change offers workshops and training to grassroots action groups to help them organise for positive social change.
http://www.seedsforchange.org.uk/

Killer drones
Increasingly the military are using automated systems in their vehicles and weaponry. Predator drones have been used in Afghanistan, Pakistan, Bosnia, Serbia, Iraq, and Yemen. What are unpiloted aerial vehicles (UAVs)? How can we end their use? The campaign starts here.
Chris Cole is director of the Fellowship of Reconciliation, and Jim Wright is an active member of Hastings Against War.

No Borders – Where next after Calais?
In June 2009, No Borders activists from the UK held a camp in Calais to highlight the plight of migrants living in “refugee camp” conditions in “the jungle” there. Most of the migrants - from countries such as Afghanistan, Somalia and Eritrea - were hoping to enter Britain, sometimes by smuggling themselves into lorries. No Borders is a network of groups struggling for the freedom of movement for all and an end to all migration controls.
http://noborders.org.uk/

NVDA training
A Nonviolent Direct Action (NVDA) training for people who are considering taking part in nonviolent direct action and/or civil disobedience. Includes a legal briefing for low-risk actions, a chance to practice some simple action techniques and to think about the pros and cons of taking part in direct action. Particularly useful for those intending to take direct
action at the Big Blockade at Aldermaston in February.
Seeds for Change offers workshops and training to grassroots action groups to help them organise for positive social change.
http://www.seedsforchange.org.uk/

Radical climate activism: Where next after Copenhagen?
December 2009 was meant to be the month when climate activists from around the world descended on the climate talks in Copenhagen and altered the course of climate destruction. So what happened? This session will be a chance to explore the events of last December and look at where the climate movement could be going next.
http://www.climatecamp.org.uk/actions/copenhagen-2009
http://www.climate-justice-action.org/

Screen-printing
A hands-on workshop with Shonagh from Faslane Peace Camp.

Strategies for campaigning against the war in Afghanistan
After nearly a decade of occupation, both the US and Britain are engaged in escalating the war in Afghanistan. What are the opportunities today for peace in Afghanistan? How can we turn the withdrawal majority in Britain into a real force for change? What role can civil disobedience play?
Gabriel Carlyle, Peace News promotions worker and reviews editor, has been involved in a number of anti-war groups, including Voices in the Wilderness UK since 1998. He was recently on trial at Watford Magistrates Court for protesting at the Afghanistan command centre in Northwood, North London.
http://www.stopbombingafghanistan.org/



SUNDAY

Anti-Militarist Network feat. Notts Anti-Militarism
Formed in 2008, the Anti-Militarist Network is a non-hierarchical, UK-wide network of autonomous campaigns, groups and activists opposed to militarism and the arms industry. These groups, including Smash EDO and Faslane Peace Camp, believe in the necessity of direct action but support a variety of tactics. This talk aims to publicise the Network with a particular focus on the local group Notts Anti-Militarism. The second half of this session will look at the tactics they have used, and will guide you through launching a similar campaign, how to find arms companies in your local area and how to research their dealings.
Notts Anti-Militarism launched the Shut Down Heckler and Koch campaign in 2008 and has been continuously campaigning ever since. They are also both founding and currently active members of the Anti-Militarist Network.
http://www.antimilitaristnetwork.org.uk/
http://nottsantimilitarism.wordpress.com/

Arms and arguments
“Well, of course in an ideal world…” Those involved in anti-arms trade work all know how difficult it can be to deal with all those sensible sounding arguments in favour. This workshop looks at strategies for debating the issues and how to refute common pro-arms trade arguments.
Kirk is a member of Notts Anti-Militarism and has been active in the Shut Down Heckler and Koch campaign since it started in 2008.

Chomsky and revolution
This workshop provides a whistle-stop tour of Chomsky’s ideas, with particular focus on his ideas for Revolution. This workshop does not assume any previous knowledge of Chomsky; Chomsky sceptics also welcome.
Milan Rai, Peace News co-editor, is the author of Chomsky’s Politics (Verso, 1995), contributed to the Cambridge Companion to Chomsky (Cambridge University Press, 2005) and is on the editorial board of the Journal of Chomskyan Studies.
http://chomsky.info/

Peace News Summer Camp 2010
If you would like to be involved in organising this year’s glorious Peace News Summer Camp (23-27 July, Oxfordshire), please come to the first organising meeting!
http://www.peacenewscamp.info/

Prison reform
What are prisons like at the moment – and how could they be improved?
Nottingham Student Peace Movement organiser Hicham Yezza shares his reflections on prison reform - based partly on his five months in prison during 2009.
http://www.prisonreformtrust.org.uk/

Solidarity with Palestine: where next after the Gaza Freedom March?
In the winter of 2008-2009, the Israeli state launched a 22-day assault on Gaza provoking outrage worldwide. In winter 2009-2010 over a thousand activists from across the world headed to Egypt to join a Palestinian march inside Gaza protesting at the Israeli siege. This workshop will give you a chance to hear feedback from participants and think about where next for Palestinian Solidarity.
Two British participants in the Gaza Freedom March will share their experiences and their thoughts.
http://www.gazafreedommarch.org/
http://starhawksblog.org/

Students’ anti-arms trade activism
Military organisations - including arms companies and the Ministry of Defence - annually sponsor hundreds of projects at UK universities. Furthermore, many UK universities and colleges invest in arms companies, often without the knowledge or approval of their students, staff and beneficiaries. Speakers from Campaign Against Arms Trade and from Nottingham Student Peace Movement talk about campaigning on campus against the arms trade.
http://www.caat.org.uk/campaigns/universities

16.1.10

Piloto dos aviões da morte durante a ditadura argentina vai ser extraditado e julgado

pessoas desaparecidas na argentina

A extradição do piloto de aeronáutica Julio Alberto Poch, que foi detido há uma semana no aeroporto de Valência, Espanha, foi já solicitada pela Argentina .

O piloto é acusado de ter participado nos chamados ‘voos da morte’ durante a última ditadura militar argentina.

Julio Alberto Poch tem 57 anos e possui as nacionalidades holandesa e argentina. No momento de sua detenção, no dia 22 de setembro, estava a realizar o seu último voo antes de sua aposentadoria como piloto da linha aérea comercial holandesa Transavia. Durante uma escala deste voo, foi detido pela polícia espanhola no aeroporto de Manises, em Valência, após um intenso trabalho conjunto entre funcionários judiciais argentinos e holandeses.

A investigação havia começado com uma denúncia de colegas de trabalho do piloto, que em várias ocasiões ouviram Poch contar detalhes sobre os ‘voos da morte’, nos quais os detidos-desaparecidos eram drogados e jogados vivos no Rio de la Plata. Como parte do inquérito judicial, um de seus colegas declarou que o piloto argentino contou que o objetivo destes voos era, segundo suas palavras, “matar e livrar-se dos terroristas”.

Durante a ditadura argentina os opositores ao regime militar eram sequestrados, presos e torturados. Alguns foram levados em aviões e jogados vivos no mar, nos chamados ‘voos da morte’

O Juiz argentino que tem a seucargo a investigação pelos crimes de lesa humanidade cometidos na Escuela de Mecânica de la Armada (Esma) de Buenos Aires, onde funcionou um dos maiores centros clandestinos de detenção durante o regime ditatorial, acusa Júlio Alberto Poch na participação em 950 casos de imposição de tortura, alguns seguidos de morte, e privações ilegais da liberdade. Além de sua suposta participação nos ‘voos da morte’, o piloto está a ser investigado pela desaparição da jovem sueca Dagmar Hagelin, das monjas francesas Alice Domon e Leonie Duquet, e do jornalista e escritor argentino Rodolfo Walsh.

Consultar:

http://www.pparg.org/pparg/

http://exdesaparecidos.org.ar/aedd/example2.php

http://www.plataforma-argentina.org/

http://www.hijos-capital.org.ar/

http://sinolvido.org/

http://www.desaparecidos.org/main.html



Contra a exploração de hidrocarbunetos pela Chevron na Amazónia equatoriana


A Amazon Wacht e outras organizações de defesa da Amazónia produziram um video onde se denuncia a criminosa exploração de hidrocarbunetos na Amazónia equatoriana pela Empresa norte-americana Chevron ao longo dos últimos 30 anos.
Segundo aquelas organizações a Chevron terá despejado mais de 68 milhões de m3 de águas tóxicas para os rios, criando um gravissimo problemas de saúde pública para as populações afectadas.
O video referido, além de solictar o apoio e a assinatura de um abaixo-assinado, exige que a empresa indemnize os prejuízos e realize as operações de limpeza devidas

Para subscrever a petição ir a
http://chevrontoxico.com


Consultar:
http://www.chevroninecuador.com/
http://amazonwatch.org/
http://www.texacotoxico.org/eng/


Secretário-geral de Segurança Interna a mais de 120 Km/h na Avenida da Liberdade em Lisboa !!!... ou como o Estado promove a insegurança dos cidadãos!

Segundo notícia publicada no jornal Público, a viatura do Estado, dentro da qual se encontrava o juiz Mário Mendes, Secretário-geral de Segurança Interna do Estado Português, circulava a mais de 120 km/h quando atravessou a Avenida da Liberdade, uma das vias com mais trânsito em Lisboa, e foi embater contra outra viatura, num acidente de que resultou alguns feridos graves, entre os quais os próprios ocupantes.

Os factos ocorreram em Novembro passado, e sabe-se agora que, apesar das variadas infracções cometidas e da situação poder ser configurada como de crime público, o acidente não vai ser objecto de averiguações nem de participação ao Ministério Público! Pelo menos é essa a conclusão do inquérito preliminar da PSP.

Contra estas conclusões já se manifestaram a Associação de cidadãos auto-mobilizados (ACA-M) e o presidente do Observatório de Segurança das Estradas e Cidades, juiz Nuno Salpico, para os quais se trata obviamente de um crime público, pelo que deveria ser remetido ao Ministério Público para averiguações e eventual acusação da prática de um crime.

Ao não promover a responsabilização penal dos responsáveis pelo acidente, o Estado está a agir como «promotor de insegurança rodoviária», segundo declarações dos dirigentes da ACA-M.

"Não são apenas as consequências directas do acidente, mas também os outros danos que poderiam ter resultado. Mas, acima de tudo, é preciso ter em conta que houve um comportamento [excesso de velocidade] que foi induzido por um mandante [Mário Mendes terá concordado ou até ordenado ao motorista que andasse em velocidade excessiva]", disse Manuel João Ramos em entrevista ao jornal Público.

E acrescentou: "Parece que estamos em presença de uma prática reiterada de coacção sobre os motoristas dos carros do Estado", frisando não compreender que a investigação de acidentes de carros conduzidos por elementos policiais seja feita por polícias .

Texto elaborado com base na notícia do jornal Publico de 15 Janeiro de 2010



Comunicado da ACA-M :
Pode o Estado pôr vidas em perigo para salvar o país?

Duas viaturas oficiais, em óbvia velocidade excessiva - mesmo para viaturas oficiais que atravessam cidades em excesso de velocidade - envolveram-se numa grave e aparatosa colisão com outras viaturas em plena Avenida da Liberdade, no coração de Lisboa.
Estes são, tanto quanto podemos apurar, os factos.
Há anos que, motivada por semelhantes ocorrências, a ACA-M pede ao governo a instalação de tacógrafos nas viaturas oficiais do Estado. E há anos que pedimos ao Ministério da Administração Interna que nos esclareça o âmbito e os limites do conceito de "marcha urgente de interesse público".
Foi decente da parte do Sr. Ministro da Administração Interna visitar as vítimas do seu gabinete no hospital.
Mas não podemos esquecer que este "acidente" poderia ter sido evitado se, entrementes, o mesmo ministro já tivesse ordenado a instalação de tacógrafos nas viaturas oficiais, e definido em que condições podem as viaturas oficiais percorrer ruas e estradas do país em excesso de velocidade.
E talvez as consequências não tivessem sido tão gravosas se as mesmas vítimas tivessem tomado a precaução mínima de usar o cinto de segurança.
Parece muito estúpido circular em excesso de velocidade numa via principal da cidade de Lisboa. E parece muito irresponsável pôr vidas em perigo numa sexta-feira à tarde. A menos que o interesse nacional esteja em causa. E essa é a pergunta a que urge responder: estava? Aquelas duas viaturas oficiais que colidiram iam salvar o país?
Mesmo nos casos em que há vidas para salvar ou cidadãos para proteger - uma ambulância com doentes ou feridos graves, uma viatura em perseguição policial - os condutores estão obrigados a salvaguardar a vida e segurança dos transeuntes.
Nos casos em que governantes e dirigentes estatais exigem aos seus motoristas ser conduzidos em excesso de velocidade - apenas para chegar a horas a uma qualquer cerimónia de tomada de posse de governadores civis, por deficiente gestão do seu tempo - não há qualquer justificação plausível para um tal comportamento rodoviário. Sobretudo quando o ministro da tutela e o primeiro-ministro estão alertados - e requeridos - há três anos para a necessidade urgente de combater tal comportamento, não apenas entre os membros dos seus gabinetes mas na administração pública em geral.


http://www.aca-m.org/w/index.php5?title=P%C3%A1gina_principal

Rosa Luxemburgo e o seu marxismo radical e heterodoxo


"Liberdade apenas para aqueles que apoiam um governo ou que são membros de um partido – por mais numerosos que eles possam ser – não é liberdade. Liberdade é sempre e exclusivamente liberdade para quem pensa diferente."
Rosa Luxemburgo

"Freedom only for the supporters of the government, only for the members of a party – however numerous they may be – is no freedom at all. Freedom is always the freedom of the dissenter. Not because of the fanaticism of "justice", but rather because all that is instructive, wholesome, and purifying in political freedom depends on this essential characteristic, and its effects cease to work when "freedom" becomes a privilege "


"Without general elections, without unrestricted freedom of press and assembly, without a free struggle of opinion, life dies out in every public institution, becomes a mere semblance of life, in which only the bureaucracy remains as the active element. Public life gradually falls asleep, a few dozen party leaders of inexhaustible energy and boundless experience direct and rule. Such conditions must inevitably cause a brutalization of public life: attempted assassinations, shootings of hostages, etc."
Rosa Luxembrugo

"The leadership has failed. Even so, the leadership can and must be recreated from the masses and out of the masses. The masses are the decisive element, they are the rock on which the final victory of the revolution will be built. The masses were on the heights; they have developed this 'defeat' into one of the historical defeats which are the pride and strength of international socialism. And that is why the future victory will bloom from this 'defeat' "
Rosa Luxemburgo(últimas palavras)


http://militantesocialista.blogspot.com/
http://www.luxemburgism.lautre.net/spip.php?rubrique4
http://www.rosalux.de/cms/index.php?id=engl
http://libcom.org/tags/rosa-luxemburg
http://www.cddc.vt.edu/feminism/Luxemburg.html
http://www.spiegel.de/international/germany/0,1518,601475,00.html
http://pimentanegra.blogspot.com/2006/01/semana-vermelha-berlim-6-11-de-janeiro.html


Foi a 15 de Janeiro de 1919 que Rosa Luxemburgo foi assassinada pelos mercenários a soldo do partido social-democrata alemão em conluiu com a burguesia.

Com ela também morreram muitos revolucionários que participaram nas insurreições operárias ocorridas pouco antes em várias cidades da Alemanha.

A obra e o pensamento de Rosa Luxemburgo foi duramente criticada por outras correntes marxistas, entre as quais as que se abrigaram sob o legado leninista, mas a verdade é que hoje em dia a tese luxemburguista sobre a acumulação global do capital é vista como mais adequada para se compreender a globalização capitalista.


Breve biografia de Rosa Luxemburg (Wikipedia)

Rosa Luxemburgo, em polaco Róża Luksemburg (Zamość, 5 de março de 1871 — Berlim, 15 de janeiro de 1919), foi uma pensadora marxista e militante revolucionária polaca-alemã ligada à Social-Democracia do Reino da Polónia (SDKP), ao Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e ao Partido Social-Democrata Independente da Alemanha.

Participou da fundação do grupo de tendência marxista do SPD, que viria a se tornar mais tarde o Partido Comunista da Alemanha (KPD).

Em 1914, após o SPD apoiar a participação alemã na Primeira Guerra Mundial, Luxemburgo fundou, com Karl Liebknecht, a Liga Espartaquista.

Em 1 de janeiro de 1919 a Liga transformou-se no KPD. Em novembro de 1918, durante a Revolução Espartaquista, ela fundou o jornal Die Rote Fahne (A Bandeira Vermelha), para servir de apoio aos ideais da Liga.

Luxemburgo considerou a insurreição espartaquista de Janeiro de 1919 em Berlim como um grande erro. Apesar disso, apoiou a insurreição ao lado de Liebknecht.

Quando a revolta foi esmagada pelas Freikorps, milícias de direita composta por veteranos da Primeira Guerra que defendiam a República de Weimar no conflito, Luxemburgo, Liebknecht e centenas de outros revolucionários foram presos, e assassinados.


As principais linhas do seu pensamento são:
- anticapitalismo
- antireformismo
-anti-nacionalismo e a rejeição da nação
-anti-imperialismo
-considerar o militarismo como um dos meios usados pelo imperialismo
-greve de massas como principal meio de luta política
-valorização da iniciativa popular e da espontaneidade das massas
-crítica ao centralismo de partido
-respeito pelas liberdades e democracia, e a defesa da auto-organização de democrática da classe operária ( conselhos operários)
-internacionalismo e solidariedade do proletariado mundial
-teoria da acumulação do capital ( acumulação global do capital)


Principais obras
• Reforma ou Revolução
• Acumulação do Capital
• Greve de Massas, Partidos e Sindicatos
• Introdução à Economia Política
• Questões de Organização da Social-Democracia Russa
• A Revolução Russa
• Que Quer a Liga Spartacus?

Em matéria de teoria económica a principal obra de Rosa Luxemburgo é a Acumulação do Capital onde defende a tese de que a reprodução do capital social enquanto processo de acumulação do capital deve reunir algumas condições para sua efetivação. Segundo ela, essas condições exprimem a contradição interna existente entre a produção privada e o consumo, de um lado, e o elo social de ambos.

Sendo assim, como a economia capitalista conseguiria realizar sua mais-valia, garantindo a acumulação? A solução proposta por Rosa Luxemburgo passa pelo abandono da hipótese de que capitalistas e operários são os únicos representantes no consumo social. Para ela, nenhuma sociedade capitalista esteve sob o domínio exclusivo da produção, isto é, no interior da sociedade capitalista existem mercados externos à reprodução capitalista. Esta é a única solução possível para que se realize a mais-valia destinada para acumulação; a demanda crescente por mercadorias, condição necessária para a acumulação, segundo a autora, é garantida pelos mercados externos.



O que é o Luxemburguismo e a rede luxemburguista internacioal?




O que é a Rede Luxemburguista Internacional?

A Rede Luxemburguista Internacional é uma nova organização de militantes que, no geral, concordam com as ideias de Rosa Luxemburgo. Como parte da classe trabalhadora, o nosso principal objectivo é ajudar à organização da revolução mundial, contribuindo com as nossas perspectivas, baseadas na democracia radical e no socialismo.

Organizámos esta rede em torno das concepções de Rosa Luxemburgo, já que acreditamos que estas concepções são de importância central para se compreender e agir na actual situação mundial. Consideramos que todos os que concordam com este ponto de vista devem trabalhar em conjunto, trocando visões, formulando novas ideias, divulgando-as no seio do movimento da classe trabalhadora, coordenando e organizando a acção. Como é óbvio, não somos nem tentamos ser, os únicos activistas que baseiam a sua acção na obra de Rosa Luxemburgo. Como também não acreditamos que o Luxemburguismo seja um dogma. Todos os militantes podem expor livremente as suas ideias, já que a liberdade é condição indispensável para a construção do socialismo. Mas há um conjunto de ideias que defendemos:

1. A concepção de Rosa Luxemburgo sobre a auto-organização democrática da classe trabalhadora é, hoje em dia, vital como alternativa à noção leninista de vanguarda de revolucionários profissionais, separados da classe trabalhadora e dirigidos por um corpo centralizado de líderes experientes. Rejeitamos esta concepção hierárquica vertical, já que tal hierarquia só espelha a separação no quadro de uma sociedade classista onde uns decidem pelos que trabalham. Nunca poderá derrubar uma sociedade! Somente organizações que sejam democráticas e dêem poder aos trabalhadores para serem eles próprios a decidir, podem ajudar a organizar uma nova sociedade onde todas as decisões sejam tomadas democraticamente e o poder resida nas mãos de muitos e não só de alguns.

2. A organização e unificação democráticas da classe trabalhadora surge da acção colectiva dos trabalhadores nas greves de massas, tal como Rosa Luxemburgo demonstrou há um século atrás. O processo de auto-organização e a transformação da consciência de massas que descreveu, foi repetidamente demonstrado nas greves de massas de 1918, 1936 e 1968 e em muitos outros anos até aos nossos dias. É através deste processo e, não só através das acções eleitorais e sindicais, que os trabalhadores podem, por si, transformar-se como a classe capaz de liderar a sociedade.

3. Num tempo de colapso económico global, a teoria da acumulação de Luxemburgo torna claro como e porque razão o capitalismo atingiu os seus últimos limites. Deste modo a continuada existência do capitalismo conduzirá a humanidade para um período prolongado de declínio e por último, se houver continuidade, até uma Idade Negra de barbárie. A sua análise mostra porque é que a transformação revolucionária, o fim do capitalismo e a propriedade social de toda a riqueza são essenciais hoje em dia. As concessões dos capitalistas à trabalhadora ocorrerão depois de lutas, mas terão um carácter temporário a não ser que o poder sobre a economia seja retirado aos capitalistas.

4. Finalmente, a unificação da classe trabalhadora é essencial se servir para tomar o poder. A oposição de Rosa Luxemburgo a todas as formas de nacionalismos e ao mito da auto-determinação nacional é a base critica para uma oposição consistente a todas as divisões dos nossos dias, baseadas no sexo, na religião, na nacionalidade, na orientação sexual ou na cor da pele. Como Rosa Luxemburgo acreditamos que, por todo o lado, os trabalhadores têm os mesmos interesses. Critica como é, a obra de Luxemburgo cresceu e desenvolveu-se baseada na vivência e nas tradições marxistas da classe trabalhadora, o que incluí também o contributo de outras correntes antes, durante e depois do seu tempo. Baseamo-nos numa larga tradição e não só na sua influência.



O Luxemburguismo como equilibrio instável

Este texto é a primeira parte do resultado de um debate que tem envolvido internacionalmente militantes que se reinvidicam (reinvidicamos) do que chamamos LUXEMBURGUISMO. É um debate que prosseguirá e que abordará outros temas e outras questões. Um debate aberto a todos os luxemburguistas e a todos os interessados.

Trata-se, para já, de um debate produto do modo como se tem vindo a organizar a Rede Luxemburguista Internacional. Uma rede constituída internacionalmente por activistas e militantes provenientes de diversas experiências organizativas concretas.

Pretendemos que as alternativas que chamamos de luxemburguistas possam ter mais visibilidade. Ainda mais num momento em que a Humanidade atravessa uma imensa crise global. Perante o capitalismo e também perante outras "alternativas" que já mostraram estar completamente erradas, embora continuem a receber o apoio de muitos trabalhadores. E isto acontece também porque as alternativas luxemburguistas (e até outras, também importantes) continuam absolutamente desconhecidas ou minoritárias.

É claro que se nos consideramos luxemburguistas, isso tem a ver com o facto de entendermos que as posições de Rosa Luxemburgo são as mais adequadas entre todas as que têm surgido históricamente no movimento operário.

Adequadas para quê? Para que os trabalhadores consigam o objectivo que fixaram desde que se tornaram uma classe submetida à exploração capitalista: a sua emancipação!

Tem havido poucas expressões organizados do luxemburguismo embora tem sido apreciável, na história recente, a ligação de movimentações de massas a posturas de Rosa Luxemburgo e dos luxemburguistas.

Será que as massas trabalhadoras conheciam as teses dos luxemburguistas? Não. As posições de Rosa Luxemburgo e dos seus seguidores foram tomadas tendo por referência as aspirações e os métodos de luta dos trabalhadores e não o contrário.

Não concordamos com as posições que sustentam que "se deve olhar em frente" sem compreender primeiro a própria história do movimento operário. O passado, como é evidente, não serve para eternizar polémicas e recriminações. Mas é imprescindível para se poder formular uma crítica do que tem sido a praxis (e a teoria) da luta contra a exploração e poder, nos nossos dias, definir formas verdadeiramente consequentes para se conseguir o objectivo revolucionário: a transformação radical da sociedade!

O luxemburguismo procura manter sempre o que foi a sua base de análise, o Materialismo Histórico. E, em concreto, a sua compreensão extraordinária de algo tão complexo como é o processo histórico. Mas também tem de manter a relação entre essa análise (a teoria) e a praxis político-social. Ou seja, tem de ser capaz, em cada momento, de ter presente os múltiplos mecanismos de mudança social e forma como todos se encaixam num processo real que não admite imposições idealistas ou unidireccionais que se revelaram absurdas. Isto implica partir sempre da análise da realidade concreta, não forçá-la em função dos nossos desejos, sejam eles quais forem. Sobretudo não cair em posições simplistas que reduzem a complexidade a um autêntico espantalho. É a essa permanente tentativa que podemos falar na manutenção de um "equilíbrio instável".

Equilíbrio entre o reconhecimento do carácter espontâneo das lutas, das greves de massas e a necessidade e relevância de se organizar. O que significa:

Reconhecer a impossibilidade de decidir, a priori, quando e onde se produzirão os enfrentamentos chaves contra a exploração. Ou negar que se produzirão.

Reconhecer que são as condições materiais, o mundo da produção material, que condicionarão as consciências para a luta e não a teoria "abstracta" aprendida no seio auto-complacente das organizações partidárias. Ou a dimensão destas, a sua suposta força.

E ao mesmo tempo reconhecer que é relevante que existam activistas, militantes, sempre e quando se comportem como proletários que lutam. Líderes já os temos tido em número suficiente.

Daí que hoje em dia, como luxemburguistas, tenhamos que reconhecer que não sabemos onde ocorrerão os processos revolucionários. Mas, onde quer que estivermos, ajudá-los-emos!
Teremos também presente que, em cada momento, existem e existirão "partidos", tantos quanto as propostas de solução que se dêem para os problemas. No entanto, o único sujeito capaz da transformação social radical é a massa proletária no seu conjunto e complexidade. Sendo nós senão uma parte dessa massa proletária!

Equilíbrio entre o reconhecimento do objectivo do processo histórico e as possibilidades da intervenção para a sua transformação (o subjectivo). É isto que formula a famosa consigna Socialismo ou Barbárie. Barbárie não é a barbárie capitalista, mas um sistema social distinto e posterior ao derrube do capitalismo, cujo fim histórico inevitável motivado pela sua própria evolução e contradições Rosa Luxemburgo pode compreender. Isso é o essencial da sua obra "económica", especialmente A Acumulação do Capital. Esse é o "objectivo", o que se deduz da própria dinâmica interna do capitalismo. O luxemburguismo também tem claro que o "subjectivo" existe e é crucial. Não podemos perder de vista que a História é feita pelos seres humanos. A luta de classes é o motor da história. Este ponto, esta dialéctica entre as condições objectivas e as possibilidades de acção, tem de nos fazer recusar qualquer mecanicismo (em que muitas tendências caiem, considerando que as coisas surgem “ sozinhas ") e também qualquer voluntarismo, qualquer consideração de que por simples convencimento teórico ou moral as coisas mudarão. Entre outras coisas, porque só perante a necessidade marcada pela evolução das condições materiais se pode desenvolver esse convencimento de forma massiva. Somente então a consciência de classe poderá ser geral. E a única alternativa possível à Barbárie, o Socialismo, poderá ser posta em prática.

Equilíbrio entre o que comummente se denominam "reforma" e "revolução". Não houve para os antigos luxemburguistas (começando pela própria Rosa Luxemburgo) nem deve existir para nós, uma separação "radical" entre ambos mecanismos. Porquê? Porque a realidade do processo histórico demonstra-nos que não são "momentos" distintos. Pelo contrário: a tensão entre as possibilidades de mudança imediato, da melhoria possível e a necessidade de superar radicalmente os marcos sociais, está sempre presente. É mediante a comprovação empírica da impossibilidade de se melhorar nos marcos estabelecidos pela sociedade capitalista que se dá o salto para a luta revolucionária. Nessa luta concretizam-se as melhorias concretas, passo a passo, não como se uma sorte de deus criasse o novo mundo com golpes e pancada. De nada serve que separemos nos laboratórios da teoria as lutas em "reformistas" e "revolucionárias". Ou em "defensivas" e "ofensivas". Porque a experiência mostra-nos que as lutas podem alterar a sua "caracterização". Fizeram-no frequentemente no passado. Algo de concreto pode acabar por reclamá-lo por todo. A luta pela estrita sobrevivência pode transformar-se na luta pela emancipação total. E vice-versa.

Por isso é preciso participar, como membros da classe e como membros organizados da classe, nas lutas que se desenvolvem nos nossos meios. Apoiando, com todas as críticas que sejam necessárias, outras lutas. Não temos outro caminho a seguir. Se soubéssemos de antemão qual a luta que levava à revolução mundial, qual o cavalo ganhador em que se deveria apostar, tudo seria muito simples. Se fosse possível adivinhar-lo, será que não se teria adivinhado já?

Será no terreno prático, nas lutas, onde as nossas análises e as nossas propostas ganharão sentido. Será nessas lutas onde defenderemos como aspirações irrenunciáveis a igualdade e a liberdade, a democracia radical, a autogestão, a socialização e a necessidade da revolução mundial.



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