12.1.10

As condições degradantes em que trabalha o Grupo de Teatro de Letras (GTL) da Universidade de Lisboa, e a falta de espaço para os seus ensaios

Vivem à margem. São escravos da emoção. Brincam aos gritos. Entre berros e beijos...soltam-se vontades, libertam-se pulsões e criam-se tensões. Bem-vindos ao GTL, uma orquestra dirigida por Ávila Costa. Há 20 anos a experimentar Teatro.

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa é a morada do espaço que serve de laboratório aos apaixonados pelo Teatro de Ávila Costa, único encenador que o grupo conhece desde sempre, desenvolvendo um trabalho psico-físico com os actores numa linha experimental

O GTL, Grupo de Teatro de Letras, da Universidade de Lisboa, prepara afincadamente a estreia da peça "Terrorismo", dos irmãos Presniako, sob a direcção de José Ávila Costa, encenador do grupo desde há 20 anos. Apesar de todo o seu historial, e da acção teatral que sempre o animou, o GTL debate-se actualmente com problemas graves, ligados à falta de espaços para os seus ensaios e representações, num contexto académico que deveria propiciar apoio para a promoção e divulgação do teatro, coisa que, pelos visto, anda arredia por aquelas bandas.

Por isso, nada mais oportuno que uma chamada de atenção para a actividade do GTL, Grupo de Teatro de Letras.



Reproduz-se a seguir um texto de denúncia, da autoria de um dos seus elementos, que também é aluna da Faculdade de Letras da Universidade Cla´ssica de Lisboa, da situação vivida actualmente pelo GTL




Para quem não sabe, eu assumo: há largos meses que me encontro em processo de formação teatral, no verdadeiro sentido da palavra. A paixão escondida desde sempre encontrou uma casa para se consumar, finalmente! Porque workshops a prazo, concursos televisivos, castings baratos e grupos descartáveis...nunca me seduziram à entrega desta paixão.

As audições abriram para a companhia de teatro académico mais antiga (e clássica!!) no mundo universitário de Portugal, e lá fui eu armada ao pingarelho. Tango, Valsa e Passo-Doble foram os três estilos de dança que me pediram para dançar (sozinha: só eu, uma sala pequena e vazia, e o encenador do grupo a anotar numa folha, sabe-se lá o quê). Tive ainda de escolher um tema para cantar e interpretar: "Solta-se o beijo" (não me ocorrendo mais nada...e estando completamente desprovida de truques, aliás nunca eu tinha feito uma audição na vida). Por fim, e decisivamente, seguiu-se o momento mais estranho que experienciei até hoje: recitei um poema de José Régio - Cântico Negro - de todas as formas possíveis. O encenador estava a dirigir a minha expressão dramática, corporal e vocal ao mesmo tempo que eu me sentia comandada e seguia as suas directrizes, manifestando-me conforme a pulsão assim o exigisse. Confesso que a audição me levou à exaustão, fiquei fora de mim, levei um tempo a recompor-me, e a interrogar a mim mesma: «Ana o que foi isto que acabaste fazer?» Até hoje não consigo responder.

José Ávila Costa é o encenador do GTL - Grupo de Teatro de Letras e há vinte anos que segue uma linha muito experimental com os académicos e profissionais que integram o grupo. Nunca as minhas palavras vão ser suficientes para vos transmitir o que é uma formação intensiva (quatro horas de ensaios diários - sim todos os dias, sim depois de um dia de trabalho, sim depois de um dia de aulas, sim até ao final da noite, sim sem pausas) e nunca faltei. Engraçado: nunca faltei a um único dia dos ensaios do GTL. É como se todo o cansaço, doença ou descrença que eventualmente me pudessem atormentar num ou noutro dia...fossem mínimas comparadas ao prazer que é entrar na sala e sentir a dinâmica de grupo. Nunca falhei um ensaio do GTL até hoje.

Estou a absorver matéria prima divinal...desde técnicas de voz e respiração passando pela ritualização, auto-sugestão de intenções e emoções, e por aí fora... O Ávila é magistral. Sempre me disseram que ele é "osso duro de roer", anti-TVI e séries "Z", anti-clichés, anti-efeitos especiais. O Ávila trabalha os seus actores numa vertente do chamado "teatro pobre", no qual só importa o actor enquanto atleta da alma, como um ser capaz de esconder mil e uma intenções, de contracenar de forma dialética, de comunicar e transmitir uma mensagem que se pretende humana e provocadora, que não faça o público adormecer mas, sim, que o atraia para o palco, para a cena, para os actos e actores.

"O Terrorismo" dos irmãos Presniakov, contemporâneo, é o mote para o espectáculo do GTL 2010...realismo fantástico (nada de naturalismos)! Eis que a minha vontade empreendedora se manifesta...e acabo por assumir a Produção do grupo este ano. A máquina já está em movimento e a assessoria de imprensa em curso. Contactos, financiamentos, bolsas, tudo encaminhado. Estou literalmente EM CAMPO para que não nos falte nada este ano. Mas infelizmente há coisas que me ultrapassam e começo a achar que os apelidados de "serviços de acção social da universidade de lisboa" têm tudo menos de "acção social". Para vos elucidar: há dezenas de anos que os grupos de teatro académico da Universidade de Lisboa ensaiam (e apresentam) os espectáculos anuais durante cerca de dois a três meses (sem cobrar bilheteira) no auditório da cantina velha. O ano passado (2009) devido a causas que me ultrapassam: esse auditório foi fechado. Os serviços já foram contactados mas alegam falta de condições para receber qualquer grupo e ou peça. E como o orçamento é curto (dizem eles) não podem financiar nem providenciar nenhum outro espaço para o GTL trabalhar. Eis o problema: onde raio vamos apresentar a peça este ano? Ainda são dois meses (Março/Abril) 5ªs, 6ªs e sábados em cena...e durante este tempo temos de ter acesso ao espaço para os ensaios! Até agora temos ensaiado numa sala de exposições manhosa (e onde chove lá dentro!), com uma acústica péssima, gelada e suja. Só a nossa vontade de fazer teatro e a força anímica do Ávila nos fazem continuar o processo para a apresentação da peça: sim porque vamos mostrar-vos o que é o verdadeiro "Terrorismo" ou, pelo menos, vamos tentar.

Enquanto "produtora" ando à caça de espaços (já contactei e fiz democráticos pedidos de cedência de espaço a mil e um teatros, estúdios, auditórios, centros culturais e afins: e nada). Até agora o que consegui foi uma mostra da nosso espectáculo no Cabaré do Espaço Evoé dia 13 de Fevereiro (depois avanço com mais detalhes!) e uma participação no festival do 4º Encontro Anual de Escolas no Teatro patrocinado pelo Centro Cultural da Malaposta e que nos vai receber numa das suas datas (foi milagre conseguir isto: o calendário estava quase bloqueado!)

Entretanto, prevê-se uma participação no FATAL 2010 (na Comuna, à partida... depois também vos avanço com informações porque será só para Maio). Até lá, o GTL continua a trabalhar no "Terrorismo" sem ajuda da Universidade de Lisboa, sem espaço para apresentar a peça (em Março e Abril) e sem desistir: sala de exposições das 18h às 22h todos os dias de 2ªf à 6ªf na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa...são bem-vindos e convidados a testemunhar o que acabei de escrever.

Numa época em que tanto se fala e defendem as políticas culturais, talvez não seja má ideia pôr em causa a forma como o grupo mais antigo a experimentar teatro em Portugal seja delegado a bodes expiatórios que o impedem de se afirmar e de se fazer sentir nos corações dos senhores e doutores que se vestem de intelectualizações defensoras da expressão artística nacional...


http://deixamepassar.blogspot.com/2010/01/denuncia.html

http://teatrosemletras.blogspot.com/

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23 de Janeiro
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20 de Fevereiro
- Pasta dentífrica
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20 de Março
- Sabão líquido
- Champô
- Detergentes

Exposição em Aveiro sobre um revolucionário liberal que lutou pela liberdade contra o absolutismo - «José Estevão: Revolução e Liberdade»

Está patente em Aveiro a Exposição “José Estêvão: Revolução e Liberdade (1809-1832)”, uma figura histórica da luta pela liberdade contra o absolutismo.

A mostra encontra-se na galeria do antigo edifício da Capitania de Aveiro, de terça a sexta-feira das 10.00 às 12.00 horas e das 14.00 às 17.30 horas. Tem entrada livre.

José Estêvão nascido a 26 de Dezembro de 1809, em Aveiro, constitui uma figura de extrema importância no quadro político do séc. XIX, durante o qual ocorreram transformações profundas na sociedade portuguesa. Como parlamentar, notabilizou-se pelos seus dotes oratórios e pelo seu amor à liberdade na Câmara dos Deputados entre 1836 e 1862.Esta mostra subordinada à vida privada e política deste ilustre parlamentar português permite uma melhor compreensão da época em que este viveu. Assente numa estrutura cronológica, conduz, de forma intuitiva, o público (jovem e adulto) por um percurso sinuoso que constitui a época do Liberalismo em Portugal.





José Estêvão Coelho de Magalhães (Aveiro, 26 de Dezembro de 1809 — Lisboa, 4 de Novembro de 1862), mais conhecido por José Estêvão, foi um notável jornalista, político e orador parlamentar português, sendo durante o período de 1836 a 1862 a figura dominante da oposição de esquerda na Câmara dos Deputados.

Era bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, veterano das guerras liberais e um dos académicos que viveu o exílio em Inglaterra e na ilha Terceira e participou no desembarque do Mindelo. Em 1841 fundou a Revolução de Setembro, o mais influente jornal da imprensa liberal. Sempre mais radical que as soluções preconizadas pelos partidos políticos da época, foi por várias vezes obrigado a procurar refúgio fora do país devido à sua frontalidade na oposição. Participou activamente na Patuleia, integrando o exército rebelde que operava no Alentejo.

Biografia na Wikipedia :
aqui







DISCURSO SOBRE O PROJETO DE LEI DE SUSPENSÃO DAS GARANTIAS

retirado de:
www.prof2000.pt/users/hjco/JEsteweb/Pg00005f.htm

SESSÃO DE 12 DE AGOSTO DE 1840



Sr. presidente, entrou o préstito lúgubre, e traz debaixo das togas o decreto da morte. Poucos momentos de vida restam à vítima, e em poucos momentos, sobre o cadáver dela, levantara seu trono a tirania - mas tirania que há de ser funesta a quem a proteger, funesta a quem a lembrou, funesta aos que tem de a exercitar!

Sr. presidente, quando eu esperava que o poder se penetrasse da delicadeza da sua posição e se elevasse à gravidade dos acontecimentos; quando eu esperava que das Cadeiras do governo só se levantasse a linguagem da moderação e da prudência, que as circunstâncias recomendavam, estrugiram-me os ouvidos os uivos da vingança, os silvos da tirania!

O Sr. Presidente do Conselho (com veemência): - Peço a palavra!

O ORADOR: - Quando eu esperava ouvir da boca dos conselheiros de sua majestade, a face do parlamento e da constituição do país, conselhos de benevolência, frases de paz, ponderações de estadistas, escandalizaram-me as declamações frenéticas de Marat e as lamentações fementidas de Robespierre!

Sr. presidente, a câmara ouviu os Srs. ministros, e a câmara há de ouvir-me, se não declarar suspensa a última das garantias constitucionais, a última das garantias do homem, a liberdade de falar, de cuja duração eu não concebo muitas esperanças!

Sr. presidente, quando os partidos vêem assim ao campo dos factos, quando eles, prescindindo dos meios, denunciam tão claramente os fins, - eu sei que a palavra é um crime e o raciocínio um escândalo! Mas, apesar disto, quero ainda, por um esforço imaginativo, esquecer-me a situação em que nos achamos, quero por alguns momentos aproveitar-me das imunidades desta cadeira, usando do direito de falar perante uma assembleia, que tem obrigação de me ouvir.

Sr. presidente, o Sr. ministro dos negócios da guerra declarou que a espada da justiça cairia inexoravelmente sobre esses homens iludidos, infelizes ou altamente criminosos, como os trata a caprichosa jurisprudência do governo, sobre esses homens que foram despojos do seu miserável triunfo! Já nós sabemos qual é a espada da lei que há de cair sobre estes desgraçados: é a espada de uma lei facciosa, e a espada da lei do arbítrio, não manejada pelos exercitadores naturais das leis, mas pela mão dos próprios ministros! E quem são esses inimigos, triste despojo, miseráveis vítimas de nossos arrogantes senhores? Alguns são oficiais beneméritos, cujos peitos se ornam com cicatrizes recebidas em batalhas pelejadas pela rainha e pela liberdade, cicatrizes, que se querem abrir pelas balas dos granadeiros em nome desta mesma rainha e dessa liberdade outros são homens de vida honesta, que não importunam o poder, que não embaraçam as escadas das secretarias, homens que vivem dos seus mesteres, e cuja independência é para o governo um crime imperdoável, que só com o suplício pode expiar-se!

Os Srs. ministros, querendo dar ao assunto o uma consideração que ele não merece, esgotaram-se em esforços de eloquência e denunciaram a sua impotência amplificativa. Que é esta história de homens presos, de oficiais encontrados, uns que se aprisionaram, outros que foram soltos, de guardas que foram envolvidas, de guardas que foram respeitadas, de marchas e contra marchas, de vestimenta, de correame, de ruídos de armas? Que são estas ocorrências, Sr. presidente, senão factos ordinários, senão episódios saídos de uma insurreição? (Sinais de desaprovação do centro e do lado direito.) Sr. presidente, tudo isto são, repilo, factos ordinários de uma tentativa insurreccional: e bem o sabem os Srs. ministros, porque eles, graças ao seu amor pela ordem pública, possuem em alto grão a teoria e a prática das insurreições - se exceptuarmos o Sr. ministro da fazenda, que, pela sua compleição e génio, não me parece muito alo para esse trabalho.

Ministros da coroa! Que fizestes vós, quando aconselhastes, quando promovestes as insurreições em que tendes figurado, e a que deveis riquezas e honras? Como juntastes vós a força, como iludistes os incautos, que lugares designastes, para se irem procurar armas? Não cingistes os vossos cúmplices de fuzis e correames? Ministros da coroa! Não eclipseis a vossa história, não escondais as vossas heroicidades, e, mestres que sois no ofício de ordeiros, não trateis agora tão mal uns poucos de aprendizes da vossa profissão!.... E que alentados se cometeram no meio de todas estas violências que se nos relatam? Foram presos alguns indivíduos conspícuos do partido odiado, alguns indivíduos que se assentam nesta câmara; e eles foram bem tratados e logo soltos: a revolta poupou-lhes as vidas, deu-lhes a Liberdade. E hão de esses indultados de ontem votar hoje uma Lei sanguinária, em paga da generosidade com que foram respeitados?!....

Se os seus corações não estão podres; se as suas almas não estão corrompidas, hão de estremecer de horror, hão de recuar de vergonha, quando tiverem de levantar a voz ingrata, que tiver de sancionar essa bárbara lei, esta lei que levanta o patíbulo contra os seus benfeitores!...

Sr. presidente, o governo declarou-se sabedor dos projectos dos conspiradores, declarou-se sabedor do dia para que eles tinham destinado o seu primeiro rompimento e dos seus sucessivos adiamentos, declarou-se sabedor dos seus meios, dos seus recursos, do lugar em que deviam desenvolver a sua tentativa. E, com isto, o Sr. ministro do reino provou que tinha tirado todo o proveito das grossas somas que agora se despendem com certo género de serviço, que eu não quero aqui devidamente qualificar. Mas por que motivo o governo, conhecedor de tudo, e com tantos meios, com tanta fortuna, não sufocou a insurreição no seu começo? Porque consentiu que um punhado de revoltosos desses gritos sediciosos, e ao som de instrumentos de guerra descessem do Largo da Estrela até a Fundição? Porque sofreu que esses perigosos conspiradores tivessem por quatro horas levantada a bandeira da anarquia, e se conservassem em risco por tanto tempo o trono e o altar?

O Sr. ministro da guerra, em uma inspiração de inocência, revelou o verdadeiro pensamento desta tardança de providências: era o desejo, a precisão que ele tinha de factos que o habilitassem a propor esta lei! Tal foi a própria frase do Sr. ministro da guerra, que eu recolhi com cuidado, porque era muito verdadeira.

Está, pois, confessado que o governo deixou progredir a revolta para armar aos incautos, para aumentar a lista dos criminosos, e que do seu mirante policial espreitou a maré em que devia recolher as redes, para que trouxessem maior e mais abundante pesca!

Se são verdadeiras as declarações de força e previsão que e governo aqui nos tem feito, a insurreição devia ter durado menos, e ter-se-ia poupado o inútil incómodo de toda a guarnição da capital, a vista de cuja vigília a cidade acordou entre os aparatos de uma bela parada, com marchas e contramarchas, colunas sobre colunas, a testa das quais eu, da minha janela, vi, encapotados, alguns dos Srs. ministros.

E tal é a sede de aprovações e maiorias que devora o ministério, que o Sr. ministro da guerra, na narrativa que nos fez dos sucessos da noite, declarou ter visto pintado em todos os rostos o horror pelos acontecimentos que se estavam passando. Ora esses acontecimentos passaram-se desde as onze até as três horas da noite; e em tal tempo S. Ex.a só poderia ver os seus horrores pintados com o auxílio de alguma lanterna. De manhã S. Ex.a só poderia ver sinais de satisfação e interesse nos que presenciavam a bela disciplina, asseio e galhardia com que as tropas marchavam e contramarchavam, representando nas ruas de Lisboa as cenas do Campo Grande!

Também o Sr. ministro do reino disse que o governo estava prevendo que sabia de todos os planos dos conspiradores; e o Sr. ministro da guerra lastimou que a insurreição rebentasse, quando menos se esperava. E daqui é forçoso inferir que, ou todas as revelações da polícia estão monopolizadas no ministério do reino, ou que um dos Srs. ministros quis ostentar a sua previdência, e outro quis alardear a sua fortuna!

Sr. presidente, com estes fundamentos, com estas considerações se apresentou a esta câmara uma lei, que não tem exemplo nem paralelo em Lei alguma saída dos nossos corpos legislativos; uma lei que, tomada como lei de represália, vai muito além das ofensas que a inspiraram; uma lei que, considerada como medida de cautela, é superior as exigências que o estado do país reclama; uma lei que, encarada em relação as nossas circunstâncias, as tendências do governo, e as apreensões públicas, é a declaração mais formal e arrogante de que os princípios, que nos vão reger, são os do despotismo puro!

Suprime-se a liberdade de imprensa, estabelece-se a retroactividade no julgamento para todos os crimes políticos, suspendem-se todas as garantias, e depois disto que nos fica de liberdade, que direitos nos restam? Fica apenas esta voz, que os frenéticos economizadores de tempo em breve sufocarão, ou com algum novo regimento, ou com a introdução da tirânica ampulheta prescrita em uma assembleia francesa. Que nos resta, Sr. presidente, depois de tantas perdas? Apenas uma ficção de liberdade, quatro ministros com o séquito da sua maioria, o absolutismo com criados parlamentares, o absolutismo arrancado do segredo dos gabinetes para o melo desta sala, o absolutismo discutido, sancionado e aprovado na presença de centenares de testemunhas - o absolutismo com escândalo! (Profunda sensação na câmara).

Sr. presidente, e exigirão as circunstâncias do país a lei que se nos pede? É para o facto consumado que o governo a quer? Se a câmara ousa votá-la para satisfazer esta indicação, bastam a retroactividade e os tribunais especiais, mas não é precisa a suspensão das garantias para todos os cidadãos e em todo o reino. É para factos futuros? Oh! Sr. presidente, pois hão de suspender-se as garantias só pela possibilidade de revoluções, só pela possibilidade de ataques a ordem pública? Se se entroniza tal princípio, a liberdade fica um receio constante, o despotismo uma prevenção permanente, o arbítrio o direito comum, a lei a excepção!

Por outro lado, não declarou o governo que no momento de perigo se viu cercado dos homens notáveis de todos os partidos? Não declarou que fora ajudado de uma grande soma de influências morais, que concorreram para obviar aos efeitos dos acontecimentos da noite? Pois o governo, com o auxílio destas influências, de que tirou tantas vantagens, auxílio que reputa devido aos seus princípios e aos seus projectos, sendo esses princípios e esses projectos abraçados com mais sinceridade nas províncias, não deve contar aí com mais apoio, com mais serviços, com mais auxílios, que o induzam a não vir exigir uma lei, que, requerida por acontecimentos passados na capital, e já consumados, vai contudo estender os seus efeitos a todo o país, ora tranquilo e inocente? o governo ostenta segurança; alardeia que o seu sistema é abraçado geralmente, e apresenta-nos uma lei que desmente essas asserções; uma lei que denuncia os receios que o inquietam, os perigos que o cercam, a fraqueza que o consome! E onde esteve essa numerosa corte da honestidade e ordem? Quem eram os seus grandes dignitários? Que títulos possuía cada um deles? Por que serviços foram divididos?

Alguns dos Srs. ministros vi eu a frente das colunas, e bem pequeno era o seu estado maior. Onde estavam pois essas falanges de homens honrados de todos os partidos que, graças aos princípios e aos programas do governo, o ajudaram a debelar essa grande revolta de que há frequentes exemplos em todos os distritos do reino? Em todos os distritos, digo eu, porque os acontecimentos da capital nada diferem destas rixas de feiras, em que o povo de duas vilas ou aldeias se apresenta em campo, e vitoriando cada um a terra do seu nascimento, por exemplo, um: Viva a Mourisca! outro: Viva Águeda! Levantam os cajados e derreiam-se uns aos outros de pancadas. Esta noite também uns diziam Abaixo a ministério! Outros: Fique o ministério! Viva a Mourisca! Viva Águeda! Daqui não passaram! (Hilaridade).

Sr. presidente, isto não foi revolta, isto não foi rebelião: foi uma émeute, um motim, e estes motins sucedem frequentes vezes nos países constitucionais, onde a ordem pública tem fiadores maiores para tais aparatos e para tais solenidades - o desprezo público, o ridículo. O escárnio cobriria os ministros que tal importância lhes dessem, e as câmaras que apoiassem tais ministros.

Sr. presidente, tudo o que se tem passado nesta câmara com os sucessos desta noite é uma verdadeira farsa: o governo tomou esse acontecimento como um pretexto para satisfazer os seus fins políticos; para estabelecer seus planos com menos embaraço. E eu sinto, magoa-me profundamente que o ilustre relator da comissão, cuja cabeça eu julgava superior a estas pequenas considerações de partidos, cujo espírito elevado me parecia estar ao nível dos acontecimentos e da moralidade desta forma de governo, sinto muito, digo, que essa cabeça lhe inspirasse e que a mão escrevesse um relatório mil vezes mais fulminante, mil vezes mais inexacto, mil vezes mais faccioso que o do próprio governo.

Sr. presidente, os jornais são também suspensos!!! E o governo priva-se desse primeiro veículo de confiança pública, do primeiro censor das calúnias, da primeira vigia contra os conspiradores: o governo quer estender no país um silêncio de morte, e por ao abrigo da censura os seus actos administrativos e o espírito da sua gestão.

O governo, Sr. presidente, que em circunstâncias tais toma semelhantes medidas, descrê completamente das forças morais, não compreende o que é a razão e a justiça, só reconhece a religião dos factos.

Sr. presidente, os jornais têm incendiado as paixões, têm chamado a anarquia, os jornais concorreram para os acontecimentos da última noite: tal foi a acusação sobre eles lançada pelo Sr. ministro do reino! Ah! Sr. presidente, quanto é belo ver num grande homem um arrependimento tão solene, e ouvir, da boca de quem talvez entre nós desse os primeiros e mais flagrantes exemplos de conspirar pela imprensa, uma protestação tão franca contra os seus erros passados! O Examinador e o antigo Correio foram os mestres da licenciosidade da imprensa, e o Sr. ministro do reino tem a honra de ser suspeito de ter parte nesses jornais. (Sensação).

Mas o jornal O Tempo pôs em dúvida os direitos da rainha a coroa portuguesa - disse o Sr. ministro do reino. Deixo a consideração de S. Ex.a o qualificar este procedimento de S. Ex.a, quando, chamada ao júri a folha aludida, um ministro da coroa vem aqui prevenir a sentença desse mesmo júri, lançando na balança das opiniões a do governo, já de si pesada, e hoje pesadíssima pelo acrescentado peso das garantias e liberdades públicas, que em poucos minutos vai ter na mão. E esse jornal, a que S. Ex.a aludiu, pronunciou semelhante blasfémia? Não; sustentou um princípio que eu adopto, um princípio a que quero prestar solene homenagem, porque talvez não esteja longe o tempo de o vermos desconhecido e postergado. Esse jornal disse que sua majestade nunca podia ser rainha absoluta de Portugal. Também eu o digo, também deve dizê-lo a câmara, se é fiel a seus juramentos, e deve dizê-lo o governo se é constitucional! Sr. presidente, ou os direitos de sua majestade a coroa portuguesa provenham duma abdicação, ou de uma revolução, ou lhe fossem transmitidos por seu pai ou dados pelo povo, esses direitos estão unidos às liberdades escritas nos códigos, em que o seu direito de governar esta marcado. Esquecidas, rotas essas liberdades, o governo, que delas nasce, morre, desaparece, e o trono de sua majestade, que nelas se assenta, abale-se debaixo de seus pés!

A opinião contrária injúria a mesma augusta pessoa que se pretende lisonjear com tão iníqua teoria; a opinião contrária faria cair da sua cabeça a coroa que, com enfeites de liberdade, lhe doou seu piedoso pai e meu bravo general; a opinião contraria faria suar sangue as pedras da veneranda sepultura do libertador do nosso país!

Mas disse o Sr. ministro do reino: «o júri não condena estas doutrinas, e se o júri não condena, o governo é desairado, e o governo não quer sofrer desaires!» E que ilação se tirou daqui? Que não deve haver júri para a imprensa, que deve suprimir-se a liberdade de escrever! Sr. presidente, nunca os princípios absolutistas foram proclamados a face de um país bárbaro de um modo mais rude! Para que o governo não seja desairado caia a garantia da liberdade individual, caia a garantia da propriedade, caia todo o povo português, com as suas vidas, com as suas cabeças, com a sua fazenda e com a sua honra, aos pés de quatro homens, que não querem e não podem ser desairados! Sr. presidente. boje em Constantinopla não se ouve tal linguagem aos depositários do poder!

Um Sr. deputado uniu as suas imprecações as do governo contra a imprensa; mas permita-me S. Ex.a que lhe note que a sua nímia sensibilidade o toma suspeito em tal questão, e que se os seus conhecimentos de historia natural lhe ensinaram a conhecer a vida e o carácter de uns certos animais, que S. S.a diz que mudam frequentes vezes de pele, também os seus conhecimentos de higiene política o deviam ter aconselhado a usar de alguns remédios, que tomem a sua cútis menos melindrosa e menos sensível aos tiros da imprensa.

Sr. presidente, eu sinto que a impaciência da câmara me não deixe analisar, como as circunstâncias requerem, o projecto modificado pela comissão, e que foi mandado para a mesa; eu sinto não ter a vista cada uma das suas disposições para lhes fazer reflexões adequadas. Esse projecto põe todos os crimes políticos debaixo da lei militar, para serem julgados no tribunal militar E felizmente ainda a comissão encheu a tempo uma lacuna importante: deve-se-lhe a graça de uma declaração liberal: a comissão acaba de propor que o processo de tais crimes seja o dos conselhos de guerra! A comissão ainda prestou, pois, homenagem a todos os bons princípios, decretando que este país é um grande quartel, que todos os portugueses são soldados, que o governo é o coronel deste grande regimento, e que os prebostes serão escolhidos a sua vontade! (Sensação e hilaridade.)

Sr. presidente, sinto que os factos me arrastem a convicção profunda de que o fim principal desta lei é um fim apaixonado, é um fim de partido, é um fim de vingança, a convicção de que esta lei exprime um desejo de sangue, uma precisão de cabeças. E não fora melhor e mais nobre reunir essas cabeças num campo, juntar esses inimigos à ponta de baionetas? Não fora melhor prescindir de todas as formulas? Não fora melhor marcá-los com o ferrete de desafectos, e entregá-los logo ao carrasco? Não fora melhor tratá-los como obstáculos materiais, esmagá-los debaixo do ferro, ou pisá-los aos pés?!!

Em circunstâncias mais penosas, quando assolava o país uma revolta que se não intentava para uma mudança de ministério, mas para a destruição da lei fundamental, revolta que tinha todo o carácter de guerra, que teve todos os efeitos dela, revolta que usurpou todas as prerrogativas da coroa, constituindo autoridades, nomeando empregados, estabelecendo-lhes ordenados, dispondo dos dinheiros públicos; uma assembleia, que zelava com lealdade o princípio governativo de então, a despeito dos embaraços que a cercaram, não precisou fazer uma lei tão rígida e sanguinária: declarou suspensas as garantias. Não instituiu tribunais revolucionários, não autorizou conselhos de guerra, nem pôs o país debaixo de uma lei militar. Então votaram por essa lei, não a pediram mais forte, muitos dos Srs. deputados, a quem agora, em presença de tão pequenos acontecimentos, não tremeu a mão quando assinaram cegamente todas as indicações do governo!

O SR. DERRAMADO (com velocidade): - Peço a palavra.

O ORADOR: - Sr. presidente, esta lei, como lei de represália, desonra quem a faz, e honra quem deu motivo a ela…

O governo, Sr. presidente, deu parabéns ao país porque não tiveram resultado os acontecimentos da noite. O país rejeita tais parabéns. Parabéns ao país? Porque? Pela honra de continuar a ser governado por um ministério opressor? Pelas fortunas e delícias da suspensão das garantias? Parabéns aos ministros, porque só eles lucraram com o desfecho da insurreição; parabéns aos ministros, porque não estariam agora nessas cadeiras se a fortuna tivesse favorecido o motim!

Esses negros acontecimentos, esses nefandos projectos, essa revolta espantosa, essa rebelião armada, esse arrombamento criminoso e feito, segundo o Sr. ministro do reino, as pancadas de um aríete que S. Ex.a nos pintou deitado a porta do Arsenal, com uma voz tão lúgubre, temerosa e arrebatada, que julguei nos comunicava ter ficado morto no campo da batalha algum elefante, que os revoltosos, seguindo a táctica de Mitrídates, tivessem conduzido para escalar os muros da Fundição, um arrombamento feito as pancadas de um aríete a que na minha terra se chama alavanca ou pé de cabra.... (Hilaridade.)

O SR. MINISTRO DO REINO: - Nem uma, nem outra cousa.

O ORADOR: - Sr. presidente, onde iriam os amotinados buscar um aríete para baterem as muralhas do Arsenal?! Onde esta esse depósito de máquinas de guerra da velha táctica? Onde estão as catapultas, as balistas? O aríete do Sr ministro do reino é um anacronismo militar, é uma amplificação ridícula.

Dizia eu, esses negros acontecimentos, esses nefandos projectos, essa revolta espantosa, essa rebelião armada, esse arrombamento criminoso, deram ao governo força, glória, crédito, vida e salvação, porque o livraram da morte, não a mais tormentosa, mas a mais desonrosa para o poder a morte de inanição, que lhe estava iminente, e que já tinha sido precógnita pela sua maioria, que nas últimas sessões, por tal motivo, havia dado exemplos de pouca subordinação e muita fraqueza.

Os amotinados pois, por insofridos, prejudicaram o facto que por qualquer modo estava a consumar-se, e os Srs. ministros devem render muitas graças a cegueira que os precipitou!

Sr. presidente, eu respeito a prerrogativa da coroa, rejeito estes meios de ascensão ao poder, não me associo a eles, e no governo esta quem sabe se estas são as minhas antigas opiniões. Mas também reconheço que se as armas da lealdade portuguesa se levantassem neste momento, e dentre elas rebentasse um brado de indignação contra o ministério que nos desonra, este procedimento, pouco constitucional, limparia a coroa de uma nódoa negra, que lhe lançou a diplomacia, quando levantou em seus braços a administração de 26 de novembro!!.... Nódoa, Sr. presidente, que esta denunciada a face da Europa e nos seus parlamentos; nódoa que é já um facto histórico e que nenhum dos Srs. ministros pode negar!

O que destas observações se sente é que o motim armado desta noite é filho do motim áulico e diplomático de 26 de novembro; o que destas observações se segue é que uma aberração constitucional desafia outra aberração, e que é preciso que todos os partidos, de uma vez para sempre, prestem sincera homenagem aos princípios do sistema representativo. Porque, se eu não quero ver escaladas as prerrogativas da coroa pelas armas, também quero que se fechem as trapeiras da diplomacia, que para o poder são avenidas defesas aos homens de talento e de probidade.

Eu não sei quais são preferíveis, se as vociferações apaixonadas de um dos Srs. ministros se as lamentações fementidas do outro! o Sr. ministro do reino lamentou que, em acontecimentos de semelhante natureza, os autores fiquem sempre ocultos, e que as vítimas de suas instigações, os mais pequenos, os mais miseráveis, sofram o castigo que pertencia aos outros. Pensamento honrado, pensamento nobre!.... Sim, maldição ao homem que desvaira a razão do outro para satisfazer os seus interesses particulares! Maldição ao homem que leva outro ao campo do perigo, e que fica em casa! Maldição ao homem que vê outro vitimado por sua influência e não o socorre com a sua voz e com a sua bolsa! Maldição.... Não! perdão, perdão ao homem que de cima do fastígio do poder vê sem mágoa gemendo numa masmorra os seus cúmplices, os seus companheiros! Perdão a esse homem, mas não a mim, que nunca cometi, nem hei de cometer tal crime!… (Sensação.)

Sr. presidente, eu reconheço que a resistência armada é em certas ocasiões, não digo um direito, mas uma obrigação! (Sussurro.) Se não me quereis conceder este princípio, se o reputais criminoso, ponde todos as mãos sobre o cepo, porque as mãos de todos hão de cair junto dele! Se a minha doutrina é pecaminosa, todos tendes pecado Mas se o Sr. ministro do reino nas suas insinuações teve o pensamento de se dirigir a minha pessoa, quero desenganá-lo que Se eu fosse chefe de uma conspiração…

O SR. MINISTRO DO REINO: - Dá licença? Já me constou que o nobre deputado desconfiava que eu fizesse uma insinuação a sua pessoa: declaro-lhe que não a fiz.

O ORADOR: - Bem: e todos assim devem fazer; porque, Sr. presidente, se eu fosse chefe de uma conspiração, se eu entendesse que os meus deveres de honra, que as necessidades do meu país, exigiam que eu renunciasse a minha procuração para tomar uma arma, que eu largasse esta cadeira para ir para o campo, os meus adversários, os chefes do poder, os Srs. ministros que combatessem essa conspiração, haviam de certo ver-me no meio dos conspiradores, e a vitória não lhes seria tão fácil como a de ontem, porque desgraçadamente tinha de ser mais sanguinolenta! (Sensação).

Seja-me permitido citar dois factos, que não são estranhos à questão.

O secretário da administração do concelho de Tondela foi demitido pelo administrador geral de Viseu. Aquele pobre empregado veio à corte e trouxe carta de recomendação para o Sr. ministro do reino, e S. Ex.a prometeu-Ihe que havia de ser reintegrado escreveu ao administrador geral para este fim…

UMA VOZ: - Ordem!

O ORADOR: - Isto é ordem, e eu o vou provar. o administrador geral respondeu que não podia anuir as instâncias de S. Ex.a. Agora o administrador geral mandou prender por vadio o empregado que demitiu, e ele, depois de esgotar todos os meios legais, se quis escapar à perseguição que lhe faziam, teve de fugir para Lisboa! E aqui se acha!!

Ao administrador geral de Vila Real queixou-se um morgado, um potentado, ou um homem que tinha foros a cobrar, que os seus foreiros lhos não pagavam, e pediu para este fim ao administrador geral alguma força armada. E foi com efeito uma força militar incumbida da missão de obrigar os povos a pagar os foros ao Sr. senhorio!!

Sr. presidente, se com as leis constitucionais que ainda temos, se com as garantias que ainda possuímos, os empregados do governo desconhecem todos os princípios de moralidade, e se arrojam a estes arbítrios, que será quando esse arbítrio for declarado lei, e a obediência a ele a primeira virtude cívica?

Sr. presidente, vou terminar. Julgo ter falado com bastante sinceridade; aos Srs. ministros é baldo todo o trabalho para descobrir em mim pensamentos que julguem ocultos; se quiserem saber mais do meu coração e da minha cabeça, dirijam-se a mim por interpelações directas, porque os satisfarei com respostas curtas.

Reputo esta lei uma especulação feita sobre os acontecimentos da noite, cuja gravidade é muito pequena, e de nenhum modo própria para fundamentar tais medidas. Reputo que esta lei dará frutos de tirania, ainda mais amargos que os da usurpação! E pela minha parte termino o meu discurso, e talvez a minha carreira pública, e de certo as minhas orações nesta sessão, porque em breve tenho de me retirar daqui por motivos de moléstia, declarando, Sr. presidente, que tenho a profundíssima convicção de que, se o ministério actual continuar por dois anos na gerência dos negócios públicos, ficaremos sem os menores vestígios da honra, do nome, da liberdade e da fazenda da nação! (Sensação, agitação). São estas as minhas profundas, desgraçadas e penosas convicções, a que eu não posso resistir, assim como não posso resistir ao dever de as exprimir nesta hora extrema, nesta hora soleníssima, nesta hora a mais negra da nossa vida política!.... (Silêncio profundo
.)

7 personagens em Hora de Ponta é o novo bailado do Ballet Contemporâneo do Norte a ser estreado nos dias 13,14 e 15 de Janeiro em Santa Maria da Feira




http://www.ballet-contemporaneo-norte.blogspot.com/

Estreia dia 13,14 e 15 de Janeiro às 21h30 a nova peça de Elisa Worm, 7 Personagens em Hora de Ponta, pelo Ballet Contemporâneo do Norte, espectáculo inserido na Festa das Fogaceiras que decorre na cidade de Santa Maria da Feira, situada a 30km do Porto.

7 Personagens em hora de ponta assenta na construção e/ou na desconstrução dos muitos personagens que guardamos dentro de nós, não deixando de ser mais um número ou menos um número, enquanto urbe anónima que por obrigação abandona os seus sonhos de adolescente para se tornar na máquina infernal da sobrevivência.Vai para o trabalho, vem do trabalho.Vai para a escola, vem da escola.Vai para a universidade, vem da universidade, se queres ser alguém na vida.Esquece o teu raciocínio, os teus sentimentos, a tua necessidade de afecto. Zanga-te contigo próprio. Torna a vida dos mais atentos num inferno. Torna insuportável a tua relação de amor ou de simples afecto. Esquece-te de ti próprio sempre na esperança de que, depois da morte, outra vida haverá que te amparará entre ternas paredes, como se ainda estivesses no ventre da tua mãe. Elisa Worm, 2008



Ficha Artística

Criação, Direcção, e Composição Coreográfica: Elisa Worm
Assistente de Direcção: Luis Carolino
Consultor Musical: Pedro Carneiro
Vídeo: Pedro Baptista
Banda Sonora e Sonoplastia: Elisa Worm/Pedro Carneiro
Interpretação e Criação: Susana Otero, Rui Marques, Sara Leite e Flávio Rodrigues
Participação Especial: Vânia Almeida, Mafalda Estela, José Duarte, Alison Fernandes, Kelly Fernandes, Joana Gonçalves, Fábio Guedes, Marcelo Robalinho, Adriana Santiago, Briana Santos, Cláudio Silva, Marlene Silva e Tânia Silva

11.1.10

Mark Boyle vive há um ano sem o deus-dinheiro para mostar que é possível construir um mundo livre sem dinheiro


Mark Boyle mudou de nome para Saoirse (Liberdade, em gaélico), tendo fundado a Comunidade virtual da FreeEconomy, que postula um estilo de vida sem o recurso ao deus-dinheiro.


Há um ano atrás, neste blogue, tinhamos feito referência à experiência de vida sem uso de dinheiro que Mark Boyle se propunha levar durante o ano de 2009. Passado um ano é altura de fazer um balanço provisório. Reproduzimos, a propósito,um texto publicado hoje no Jornal de Notícias, e um outro publicado em Novembro pasado no jornal The Guardian intitulado My year of living without money

Vive há um ano sem dinheiro, numa roullote, come o que cultiva e alimenta o computador a energia solar

Viver sem dinheiro é possível. Mark Boyle quer prová-lo e, há mais de um ano, traçou um audacioso plano que, apesar de alguns reveses, manteve.

Inspirado em Gandhi, este irlandês de 29 anos abraçou uma causa - abolir o dinheiro como base de uma sociedade mais generosa e menos consumista.

Vive numa roulotte, junto a zona de cultivo biológico em Bristol (Inglaterra), come o que produz, troca ou recebe, cozinha numa fogueira e alimenta a energia solar o telemóvel (que só recebe chamadas) e o computador. Acredita na partilha, na parcimónia, na interdependência.

O ponto de viragem aconteceu em 2001, quando Mark, então estudante de Economia, viu o filme "Gandhi". A vida do pacifista indiano impactou-o de tal forma que decidiu ser a mudança que deseja ver no Mundo.

Despertou para as questões ambientais e resolveu ganhar dinheiro de forma ecologicamente correcta. Criou uma empresa de produtos orgânicos e o negócio corria bem, mas Mark continuava insatisfeito. "Dei-me conta de que nem mesmo negócios sustentáveis conseguem mudar as coisas", conta no seu blogue (http://www.justfortheloveofit.org/blog).

Na procura do seu próprio caminho, descobriu que não bastava diagnosticar os problemas. Era preciso chegar às causas. Intervir. "Decidi tornar-me um homeopata social, um pró-activista, e investigar as raízes dos sintomas", explica Mark. Nova vida, novo nome. Escolheu Saoirse, palavra em gaélico que significa Liberdade. O passo seguinte foi fundar uma comunidade virtual para troca solidária de conhecimentos e serviços, a Freeconomy.

O princípio é que todos têm algo que podem oferecer, seja uma explicação, um corte de cabelo - um dos serviços mais trocados -, uma reparação. Em quase dois anos, cerca de 15 mil pessoas de 118 países inscreveram-se no Freeconomy. No ano passado, tentou ir a pé até à terra natal do seu mentor, mas ficou por França. Regressou à roullotte e continua a viver o seu sonho de um mundo sem dinheiro.






My year of living without money


Is it possible to live without spending any cash whatsoever? After becoming disillusioned with consumer society, one man decided to give it a try


The morning I finally decided to give up using cash, the whole world changed. It was the same day news broke about the banks' misbehaviour in the sub-prime mortgage market, so when I began telling people of my plans, they assumed it was in preparation for some sort of apocalyptic financial meltdown. However, having long viewed credit as a debit against future generations, I was infinitely more worried about what George Monbiot called the "nature crunch". Nature, unfortunately, doesn't do bailouts.

I suppose the seeds of my decision to give up money – not just cash but any form of monetary credit – were sown seven years ago, in my final semester of a business and economics degree in Ireland, when I stumbled upon a DVD about Gandhi. He said we should "be the change we want to see in the world". Trouble was, I hadn't the faintest idea what change I wanted to be back then. I spent the next five years managing organic food companies, but by 2007, I realised that even "ethical business" would never be quite enough. The organic food industry, while a massive stepping stone to more ecological living, was rife with some of the same environmental flaws as the conventional system it was trying to usurp – excess plastic packaging, massive food miles, big businesses buying up little ones.

My eureka moment came during an afternoon's philosophising with a mate. We were chatting about global issues such as sweatshops, environmental destruction, factory farms, animal testing labs, wars over resources, when I realised I was looking at the world the wrong way – like a western doctor looks at a patient, focusing on symptoms more than root causes. Instead, I decided to attempt what I awkwardly term "social homeopathy".

I believe the key reason for so many problems in the world today is the fact we no longer have to see directly the repercussions of our actions. The degrees of separation between the consumer and the consumed have increased so much that people are completely unaware of the levels of destruction and suffering involved in the production of the food and other "stuff" we buy. The tool that has enabled this disconnection is money.

If we grew our own food, we wouldn't waste a third of it as we do today. If we made our own tables and chairs, we wouldn't throw them out the moment we changed the interior decor. If we had to clean our own drinking water, we wouldn't waste it so freely.

As long as money exists, these symptoms will surely persist. So I decided, last November, to give it up, for one year initially, and reconnect directly with the things I use and consume.

The first step in the process was to find a form of sustainable shelter. For this I turned to the amazing project Freecycle, through which I located a caravan that someone else didn't want any more. I also needed somewhere to put this new home, so I decided to volunteer three days a week at an organic farm near Bristol in return for a place to park my caravan. Had I equated this in terms of my previous salary, it would be like paying penthouse apartment rent for what was effectively a little tin box. But that was the type of thinking I was now trying to get away from.

Having no means of paying bills, the next challenge was to set this home up to be off-grid. For heating I installed a wood-burner I'd converted from an old gas bottle, using a flue pipe I had salvaged from the skip. I fuelled it using wood from trees we coppiced on the farm, meaning fuel miles became fuel metres.

A local member of the Freeconomy Community (the alternative economy which I founded in 2007), then showed me how to make a "rocket stove" from a couple of old olive oil catering tins that were destined for landfill. This meant that for the next 12 months, I was going to have to cook outside. I was a touch overwhelmed by the thought of cooking in the snow, rain and northerly winds of a British winter. But, surprisingly, it has become one of the joys of my life.

While feeding the stove with broken-up old vegetable boxes, I would watch the moon rise in winter and the sun set in summer for the time it took to prepare my evening's repast. Birds in the trees around my kitchen became my new iPod, and observing wildlife taught me much more about nature than any documentary I'd seen on the television.

The one thing I did spend money on (about £360) before beginning the experiment was a solar panel to supply me with enough electricity for a light, my laptop and my phone (on which I could only receive calls). Solar isn't ideal because of the embodied energy involved, but at the start of what might be a lifelong journey, I couldn't expect everything to be perfect straightaway. And the solar panel has always provided me with light – although in winter my phone and laptop time were severely restricted (frustrating, but only because my expectations were based on having infinite energy at the touch of a button).

The last piece of my off-grid puzzle was a compost toilet. This should really be the symbol of the entire sustainably living movement, in the way the spinning wheel became a symbol of Swadeshi in India. Representing sanity and a respect for the earth, I made my alternative loo out of old pallets from a nearby hardware store. As I can no longer buy toilet roll, I relieve the local Bristol newsagents of some of the newspapers that fill their bins every day, and use them instead. It's not double-quilted but it quickly seems normal, and I even used a story about myself once . . .

I wash in a river or under a solar shower (better in the summer), and rarely use soap, but if I do I go for home-grown soapwort. For toothpaste I use a mixture of cuttlefish bone, which gets washed up on the UK's shores, and wild fennel seeds.

Food was my only other real necessity: I think of there being four legs to the food-for-free "table". Growing your own, which is obviously what I've been doing here on the organic farm (my staples are potatoes, beans, kale, carrots, salads, root vegetables, squash, onions and swede); wild food foraging, which is nutritionally exceptional and beautifully gentle on the environment (I forage for berries, nettles, mushrooms, nuts and greater plantain for a hayfever remedy); and also securing waste food and other goods from local restaurants and shops. This is an incredible resource to draw on, and although its existence is, of course, dependent on industrialised society, I feel like I have an obligation to consume it before using up any more energy producing food.

In fact I'm currently organising a free mini-festival called the Freeconomy Feast 2009, where myself and Fergus Drennan, the BBC's Roadkill Chef, aim to feed 250 people a three-course meal with full service for free, completely out of waste food and things foraged from the wilds of Bristol. It even includes free beer made from locally grown and foraged ingredients.
The final leg of my food table is bartering – using my skills or any excess food I've produced to secure anything not met by the other three methods. This means I meet people from all walks of life doing what I do, and while many claim that they couldn't – or wouldn't want to – do the same, most seem to understand where I am coming from and resolve to reduce their own consumption wherever they can. When I first said I was going to do this, my parents probably wondered what they should have done differently during my formative years, but now they are right behind it, and may even contemplate joining me one day.

But what I soon realised is that, in a moneyless world, everything takes much more time. Handwashing my clothes in a sink of cold water, using laundry liquid made by boiling up some nuts on my rocket stove, can take two hours, instead of 10 minutes using a washing machine. Finding stuff in skips – such as the steamer I cook with – takes far longer than popping out to the shops for one, and sorting out the compost toilet is a lot more hassle than flushing it "away".

Cycling the 36-mile round-trip to Bristol also takes a lot more time and energy than driving or catching the bus or train, but it's also an economical alternative to my old gym subscription, and I find cycling much more enjoyable than using motorised vehicles.

The point is, I'd much rather have my time consumed making my own bread outdoors than kill it watching some reality TV show in a so-called "living" room. Where money once provided me with my primary sense of security, I now find it in friends and the local community. Some of my closest mates are people I only met because I had to build real relationships with others based on trust and kindness, not money.

A Confiança Em Si, A Natureza e Outros Ensaios, de Ralph Waldo Emerson


Emerson (1803-1882) não é apenas o filósofo do optimismo do século XIX que fez Nietzsche referir a «sua alegria benévola e repleta de espírito que desarma a "seriedade"».

Emerson foi também um defensor do sentimento da natureza e o seu conceito de confiança em si deu à América uma nova identidade cultural. A sua visão do Homem e da natureza ainda hoje é de uma espantosa modernidade.
Ainda segundo Nietzsche, Emerson «não se dá conta em que medida é já antigo, e em que medida ainda será jovem no futuro (...)».

Este livro reúne alguns dos principais ensaios de Ralph Waldo Emerson, designadamente "A Confiança em Si", "A Natureza", "A Experiência" e "A Amizade". «Estava a ferver, a ferver, a ferver. Emerson levou-me ao ponto de ebulição.» (Walt Whitman)

Ralph Waldo Emerson (25 de maio de 1803, Boston - 27 de abril de 1882, Concord, Massachusetts) foi um famoso escritor, filósofo e poeta norte-americano


Associado ao transcendentalismo, este é, para Emerson, um esforço de introspecção metódica para se chegar além do "eu" superficial ao "eu" profundo, o espírito universal comum a toda a espécie humana

O desemprego em Portugal atingiu os 10,3% em Novembro passado, ultrapassando a média europeia (9,5%)


O desemprego na Zona Euro subiu 0,1 pontos em Novembro para os 10 por cento, com Portugal a manter também a trajectória de subida até aos 10,3 por cento, acima da média comunitária (9,5%), revelam dados divulgados do Eurostat, o gabinete de estatísticas europeu, que adiantam que a taxa de desemprego na Zona Euro é a mais alta desde Agosto de 1998.

Só em Novembro, o Eurostat estima que 102 mil pessoas tenham perdido os seus postos de trabalho nos países que utilizam a moeda única, elevando para 15,7 milhões o número de desempregados na região.

No conjunto dos 27, o desemprego também cresceu uma décima para os 9,5 por cento, a pior taxa desde o começo da série em Janeiro de 2000.

Espanha continua no segundo lugar dos Estados-membros com a taxa de desemprego mais elevada (19,4 por cento), apenas superada pela Letónia, onde o desemprego chegou em Novembro aos 22,3 por cento.

No lado oposto encontram-se a Holanda e a Áustria, a registar as taxas de desemprego mais baixas da União Europeia, 3,9 por cento e 5,5 por cento, respectivamente.
Estes dados confirmam que o desemprego continua a aumentar, apesar da limpeza de ficheiros feita todos os meses pelo IEFP com o objectivo de esconder a verdadeira dimensão deste flagelo em Portugal
Nestas circunstâncias difíceis é fundamental a implementação de uma outra política que assegure e reforce a protecção social aos desempregados, num momento em que mais de 300 mil não tem subsídio de desemprego.

Estudantes dos ensinos básico e secundário convocam manifestação para 4 de Fevereiro e denunciam repressão aos seus direitos


Os estudantes do ensino básico e secundário denunciaram, esta segunda-feira a existência de um ambiente de repressão nas escolas e casos de alunos com processos no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) por se manifestarem.

A Associação de Estudantes dos Ensinos Básico e Secundário (AEEBS) denunciou que os alunos são impedidos de realizar manifestações, tendo alguns sido constituídos arguidos.

«Temos uma série de exemplos de atropelo à realização de reuniões gerais de alunos que são um direito» dos estudantes, existindo ainda o caso de sete estudantes com processos no DIAP do Porto por se terem manifestado, algo que é «extremamente grave», disse à TSF a representante do distrito do Porto da AEEBS.

Delegação Nacional de Associações de Estudantes dos Ensinos Básico e Secundário (DNAEEBS) vai convocar uma «manifestação nacional» no dia 04 de Fevereiro para exigir mais investimento no ensino e educação sexual para todos os alunos.
Fonte: TSF e imprensa geral

Próximas reuniões da Plataforma anti-guerra e anti-Nato ( dia 14 e 23 de Janeiro)


Dia 14 de Janeiro (5º feira), pelas 18 h, no Ateneu Libertário de Lisboa (R. do Salitre, 139, 1º)
ASSEMBLEIA DE TODOS/AS OS/AS ACTIVISTAS DA PAGAN (aberta também, como sempre a quem queira participar construtivamente no movimento anti-NATO),


Sábado, 23 de Janeiro de 2010
Hora: 15:00 - 18:00
Local: Crew Hassan, r. Portas de Sto. Antão, 159 Lisboa
Sessão aberta da Plataforma: «Pela Retirada Imediata das Tropas da NATO do Afeganistão».

Aparece!

antinatoportugal@gmail.com
http://antinatoportugal.wordpress.com

35 anos depois, feministas voltam ao Parque Eduardo VII ( dia 13 de Janeiro, das 12h30 às 15h30)


35 anos depois, feministas voltam ao parque eduardo vii

Data: Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010
Hora: 12:30 - 15:30
Local: Parque Eduardo VII, n.º 28, Avenida Sidónio Pais, em Lisboa

No próximo dia 13 de Janeiro, a UMAR celebra os 35 anos da primeira manifestação feminista, em Portugal, convocada pelo MLM (Movimento de Libertação das Mulheres) com uma concentração no Parque Eduardo VII.

A UMAR apela à participação de todas as pessoas que querem lembrar um feminismo silenciado no passado e celebrar os feminismos que nos ajudarão a fazer as revoluções do presente!

Esta iniciativa recordará este momento histórico e assinalará o local como um dos futuros pontos dos Roteiros Feministas na cidade de Lisboa.

Às 12.30h juntemo-nos às feministas no canto superior direito do Parque Eduardo VII, frente ao n.º 28 da Av. Sidónio Pais.

Vamos levar uma peça de roupa roxa, colorir o Parque de feminismos, ouvir as histórias das feministas que se manifestaram naquele local, em 1975, e conviver ao som de música feminista!



http://www.umarfeminismos.org/

O campo de concentração norte-americano de Guantánamo abriu há 8 anos e ainda lá estão ilegalmente 200 prisioneiros

Passa hoje o 8º aniversário da abertura do campo de concentração de Guantánamo.
Apesar das declarações de Obama no sentido de fechar o campo de concentração de Guantanamo a verdade é que estas instalações se mantêm em funcionamento com mais de duzentos prisioneiros.
Escandaloso é também que nenhum dos 800 prisioneiros que já passaram por Guantanamo tenham sido alguma vez apresentados a um tribunal com um acusação concreta.
Além de ilegal, Guantanamo sempre esteve associada à tortura e aos maus-tratos dos detidos.
Estas razões são mais que suficientes para exigir o encerramento imediato de Guantanamo que constitui mais uma nódoa negra na já negra história da (in)justiça dos Estados Unidos da América.



CALL TO ACTION:
Join Witness Against Torture January 11-22, 2010 in a Fast and Vigil to Shut Down Guantanamo, End Torture and Build Justice

“I believe strongly that torture is not moral, legal or effective.” Guantanamo is “a damaging symbol to the world… a rallying cry for terrorist recruitment and harmful to our national security, so closing it is important for our national security.” Admiral Dennis Blair. January 2009.

On January 22, 2009, after signing the Executive Order to close Guantanamo, President Obama said "This is me following through ... on an understanding that dates back to our founding fathers, that we are willing to observe core standards of conduct not just when it's easy but also when it's hard."

Obama committed his administration to closing the prison—long a symbol of U.S. terror and lawlessness—within a year. Since that time, the process of releasing or relocating or prosecuting the 200 plus men still detained at Guantanamo has become mired in bureaucratic machinations, Congressional grandstanding and fear-mongering, and legal foot-dragging. In the meantime, the president seems to have lost interest in the issue altogether.

And what of the imprisoned men themselves - those still detained, still separated from their families after six, seven, eight years? More than 60 of them have been cleared for released, innocent men caught in an indiscriminate sweep that landed them at Guantanamo, isolated and tortured. The government has acknowledged it has no evidence on most if not all of them, yet still they languish. Only a few men have been released since the Executive Order was signed in January.

Barack Obama’s historic election, the end of the Bush administration, the new tone and tenor of politics in Washington, an executive order, rhetoric about core standards of conduct, human rights and democracy - all of this is hollow and meaningless if not accompanied by actions that lead to justice, freedom and accountability. Closing Guantanamo, breaking with Bush-era policies, ending torture, rendition and indefinite detention is hard, but it must be done. It is taking too long.

January 11, 2010 will mark eight years since the Bush administration turned the US Naval Base at Guantanamo Bay, Cuba into a “enemy combatant” detention facility, re-commissioning it as a torture chamber and legal black hole they hoped no one would notice and from which they hoped none would emerge.

Witness Against Torture did notice, and along with many other groups, we have been working to challenge this detention and torture apparatus, to ensure legal representation for the men there, and justice and release for the vast majority—most of whom were swept up in raids in the early days of the U.S. occupation in Afghanistan or are the victims of false condemnation by people eager to collect hefty bounties for “terrorists.”

When President Obama signed the Executive Order calling for Guantanamo's closure, we felt as though we had won - that the long years of arguing against torture (of all things), of demonstrating, of railing, were over. We dared to believe that a new day had dawned. Soon, however, our optimism faded to feelings of frustration and betrayal. The administration has dragged its feet and continued to trample on the lives of the men - real people, not merely abstract "others" - at Guantanamo.

In all, the Obama administration's handling of detainee issues-- from the reluctance to investigate and prosecute systematic torture, to its defense of indefinite detention—has fallen far short of the soaring rhetoric of his campaign. And now, and as the administration expands the war in Afghanistan and expands operations at the U.S. prison in Bagram Air Base in Afghanistan-- we see more clearly than ever the need for consistent, principled, nonviolent action and witness.

But, more than mark this miserable anniversary, we intend to call attention to President Obama's political bankruptcy. As such we have committed to a fast and daily vigil from January 11 through January 22-- the day by which the president said Guantanamo would be closed.

So, it is with resolute-- but heavy-- hearts that we in Witness Against Torture once again turn our attention to the sad business of marking January 11, 2010 and the eighth year of torture, abuse and detention at Guantanamo.

As we fast and vigil and spend time with one another, we will build towards and plan a day of action for that day-- January 22 - when we hope to call the world's attention to both the administration's record of broken human rights promises and the shattered lives of the men at Guantanamo and their families.

We have always tried to orient our actions with questions asked and answered in community. The question that brought 25 of us to Guantanamo in 2005: how do we resist the war on terror, and care for its victims? Out of fasting, vigiling, community building and focused intention, what new questions can emerge for us to ask and answer?

10.1.10

A revista The economist lança sinal de alarme para nova bolha financeira do capitalismo mundial



The economist, a revista britânica de orientação liberal, lança no seu último número o sinal de alarme para a nova bolha financeira que se aproxima e que tem a ver com o facto da retoma económica ser puramente artificial, estando muitos dos activos financeiros sobrevalorizados, Ou seja, mais uma vez se mostra que o capitalismo é a crise.
Para sairmos da crise será preciso mudar de sistema económico e transformar profundamente as nossas sociedades, substituir o modelo produtivista e consumista em que vivemos, e que tem destruído empregos e recursos, por um modelo social inspirado, não na concorrência, na competição e na guerra, mas na cooperação, na solidariedade e na justiça social.
Segue-se o texto da revista The Economist sobre o assunto:

THE effect of free money is remarkable. A year ago investors were panicking and there was talk of another Depression. Now the MSCI world index of global share prices is more than 70% higher than its low in March 2009. That’s largely thanks to interest rates of 1% or less in America, Japan, Britain and the euro zone, which have persuaded investors to take their money out of cash and to buy risky assets.

For all the panic last year, asset values never quite reached the lows that marked other bear-market bottoms, and now the rally has made several markets look pricey again. In the American housing market, where the crisis started, homes are priced at around fair value on the basis of rental yields, but they are overvalued by almost 30% in Britain and by 50% in Australia, Hong Kong and Spain.

Stockmarkets are still shy of their record peaks in most countries. The American market is around 25% below the level it reached in 2007. But it is still nearly 50% overvalued on the best long-term measure, which adjusts profits to allow for the economic cycle, and is on a par with two of the four great valuation peaks in the 20th century, in 1901 and 1966.

Central banks see these market rallies as a welcome side- effect of their policies. In 2008, falling markets caused a vicious circle of debt defaults and fire sales by investors, pushing asset prices down even further. The market rebound was necessary to stabilise economies last year, but now there is a danger that bubbles are being created (see article).

Forever blowing bubbles?

Aside from high asset valuations, the two classic symptoms of a bubble are rapid growth in private-sector credit and an outbreak of public enthusiasm for particular assets. There’s no sign of either of those. But the longer the world keeps its interest rates close to zero, the greater the danger that bubbles will appear—most likely in emerging markets, where growth keeps investors optimistic and currency pegs import loose monetary policy, and in commodities.

Central banks have a range of tools they can use to discourage the growth of bubbles. Forcing banks to adopt higher capital ratios may curb speculative excesses. As Ben Bernanke, chairman of the Federal Reserve, argued this week, the rise in American house prices could have been limited through better regulation of the banks. The most powerful tool, of course, is the interest rate. But central banks are wary of using it to pop bubbles because it risks crushing growth as well. And, with the world economy in its current fragile state, they are rightly unwilling to jack up interest rates now.

But even if governments judge that the risks posed by raising rates now outweighs that of keeping them low, investors still have plenty of reasons to worry. The problem for them is not just that valuations look high by historic standards. It is also that the current combination of high asset prices, low interest rates and massive fiscal deficits is unsustainable.

Interest rates will stay low only if growth remains slow. But if economies grow slowly, then profits will not rise fast enough to justify current share prices and incomes will not rise far enough to justify the prevailing level of house prices. If, on the other hand, the markets are right about the prospects for economic growth, and the current recovery is sustained, then governments will react by cutting off the supply of cheap money later this year.

It doesn’t add up
But the more immediate risks may be posed by fiscal policy. Many governments responded to the crisis by, in effect, taking the debt burden off the private sector’s balance-sheets and putting it on their own. This caused a huge gap to open up in government finances. Deficits in America and Britain, for instance, stand at more than 10% of GDP.

Most developed-country governments have managed to finance these deficits fairly easily so far. In the early stages of the crisis, investors were happy to opt for the safety of government bonds. Then central banks resorted to quantitative easing (QE), a polite term for the creation of money. The Bank of England, for example, has bought the equivalent of one year’s entire fiscal deficit. There are signs, however, that private-sector investors’ appetite for government debt may be just about sated, as they contemplate the vast amount of government bonds that are due to be issued this year and the ending of QE programmes. The yields on ten-year Treasury bonds and British gilts have both risen by more than half a percentage point since late November.

Investors (along with this newspaper) would like to see governments unveil clear plans for reducing those deficits over the medium term, with the emphasis on spending cuts rather than tax increases. But politicians are nervous about the likely reaction of electorates, not to mention the short-term economic impact of fiscal tightening, and are proving reluctant to specify where the cuts will be made.

Markets have already tested the ability of the weakest governments to bear the burden of their debt. Dubai had to turn to its wealthy neighbour, Abu Dhabi, for help. In the euro zone, doubts have been raised about the willingness of Greece to push through the required austerity measures. Electorates are likely to chafe at the cost of bringing down government deficits, especially if the main result is to repay foreign creditors. That will lead to currency crises and cross-border disputes like the current spat between Iceland, Britain and the Netherlands over the bill for compensating depositors in Icelandic banks (see article). Such disputes will lead to further outbreaks of market volatility.

Investors tempted to take comfort from the fact that asset prices are still below their peaks would do well to remember that they may yet fall back a very long way. The Japanese stock market still trades at a quarter of the high it reached 20 years ago. The NASDAQ trades at half the level it reached during dotcom mania. Today the prices of many assets are being held up by unsustainable fiscal and monetary stimulus. Something has to give.

9.1.10

O grande buraco negro e o futuro do dólar

O grande buraco negro e o futuro do dólar
por F. William Engdahl

Durante meses o governo dos EUA insistiu em que o pior da "recessão" está chegando ao fim e que os primeiros sinais da retomada estão à vista. A realidade é o oposto. A crise financeira que começou em Agosto de 2007 no pequeno segmento de "sub-prime", ou de alto risco, relativo ao mercado de dívidas hipotecárias de US$ 20 milhões de milhões, está agora espalhando-se, legalmente, para o segmento "prime", ou de alta qualidade. A economia da única superpotência mundial está a tornar-se cada vez mais parecida com a do Império Romano no século IV, quando este colapsou em anarquia, dívidas e caos.

As nações do mundo estão tomando medidas para se afastar da dependência do dólar. China, Rússia, Brasil e Cazaquistão estão em busca de uma nova moeda para as reservas. A China está silenciosamente fazendo acordos bilaterais de swap de moedas com parceiros comerciais asiáticos, assim como a América Latina e os antigos países da União Soviética. A principal moeda comercial da Área de Livre Comércio China-ASEAN provavelmente não será o dólar. Na América Latina, os países da ALBA estão mudando do dólar para o sucre como divisa do comércio, a partir de Janeiro de 2010. O Mercosul passará a recusar o dólar no comércio exterior em 2011.

Para a divisa de reserva mundial, o pior ainda está por vir.

A REALIDADE ECONÓMICA DOS EUA

A realidade da economia americana é o oposto da propaganda da Wall Street.

Em termos económicos reais, a economia dos EUA já está numa depressão. A economia americana vive sua pior contracção desde a primeira derrocada da Grande Depressão no início dos anos 30.

Como um antigo funcionário do Tesouro no governo Reagan recentemente declarou: "Não sobrou economia para recuperar. A economia manufatureira dos EUA foi perdida para as exportações e para a ideologia do livre comércio. Foi substituída por uma "Nova Economia" mítica baseada em serviços. Foi alimentada pelas taxas de juros artificialmente baixas do Federal Reserve, que produziram uma bolha imobiliária, e pela desregulamentação financeira do 'mercado livre', o que liberou os gangsters financeiros para atingir novas alturas de alavancagem de débito e produtos financeiros fraudulentos".

Quando esta economia "virtual" entrou em colapso, a riqueza dos americanos investida em imóveis, pensões e poupança também colapsou. A economia da dívida levou os americanos a alavancarem seus activos. Eles refinanciaram suas casas e gastaram o capital. Gastaram seu limite em numerosos cartões de crédito. Trabalharam em tantos empregos quantos puderam. A elevação das dívidas e os múltiplos rendimentos familiares mantiveram a economia americana nas últimas duas décadas.

Agora, subitamente, os americanos já não podem tomar empréstimos para gastar. Estão afogados em dívidas. Os empregos estão desaparecendo. O consumo americano, aproximadamente 70% do PIB, está morto. Os americanos que ainda têm empregos estão poupando para se prevenir da possibilidade da perda do emprego. Milhões estão sem lar. Mais de 14% de todas as hipotecas domésticas estão em incumprimento ou pelo menos com um pagamento atrasado, um recorde histórico. A tendência é piorar. Alguns estão morando com suas famílias e amigos; outros estão vivendo em cidades de tendas.

O declínio actual da economia está longe de acabar. Este declínio continuará até se deteriorar, será extremamente prolongado, extremamente profundo e não responderá aos estímulos económicos tradicionais. A economia dos EUA está presa numa clássica "armadilha da dívida" do Terceiro Mundo.

A economia Americana sofre de severos problemas estruturais ligados à relação dívida/rendimento do consumidor. As famílias não conseguem acompanhar a inflação e já não podem contar com o aumento excessivo da dívida para encontrar expedientes para manter o padrão de vida. As questões estruturais não estão sendo tratadas pelos programas de estímulos de Obama. Elas não podem ser tratadas sem uma mudança significativa e fundamental nas políticas económicas e comerciais do governo, as quais na melhor das hipóteses ainda arrastarão a depressão económica durante muitos anos. Desde 2007 os consumidores americanos têm poupado para liquidar as suas enormes dívidas de cartão de crédito, automóvel e moradia. Eles não estão consumindo e não consumirão por um longo tempo. Nos últimos 12 meses eles reduziram a sua dívida em impressionantes US$ 2 milhões de milhões. Isso reduziu seriamente o crescimento económico, e é o motor da depressão. Não há opção.

Se calculamos os dados sem a manipulação oficial ou maquilhagem contabilista, a estimava real de desemprego está hoje acima de 22%, não os 10% oficiais. O PIB está declinando à taxa mais severa desde a Segunda Guerra Mundial e a aproximar-se rapidamente dos níveis da Grande Depressão.

A produção manufactureira dos EUA está entrando em colapso. Os níveis da dívida familiar são os mais altos da história americana, acima de 300% do rendimento disponível. A dívida corporativa é igualmente alta. A dívida governamental atingiu seu record e logo alcançará 100% do PIB. A economia dos Estados Unidos foi apanhada na armadilha da dívida que ela mesma fabricou.

PERSPECTIVAS PARA O DÓLAR

A partir de 1985, quando os EUA passaram à posição de devedor líquido pela primeira vez desde a Primeira Guerra Mundial, tornaram-se o maior devedor líquido mundial. Em Janeiro de 2009, a posição de investimento internacional líquido dos EUA foi de US$ 3,47 milhões de milhões, segundo o Departamento de Comércio. Isso representa a diferença entre o valor dos activos americanos na posse de estrangeiros (US$ 23,36 milhões de milhões) e o valor dos activos estrangeiros na posse de americanos (US$ 19,89 milhões de milhões). Os EUA, como entidade singular, pública e privada, deve ao mundo US$ 3,47 milhões de milhões. A maior parte disso é para a China, assim como para Japão e Rússia. Os EUA são hoje uma superpotência militar mas um anão económico. Apenas em 2008, a dívida líquida dos EUA aumentou de US$ 1,33 milhão de milhões, ou 62%. A tendência não é melhorar, já que salvamentos bancários e outras protecções económicas ficam mais caras. Os estrangeiros agora detêm cerca de 50% da dívida publicamente declarada do governo federal. Se os investidores estrangeiros reduzirem significativamente as suas compras de futuros títulos do Tesouro americano, as taxas de juros dos EUA aumentarão e o dólar desabará. O status de devedor líquido dos Estados Unidos com estrangeiros está no nível mais alto da história americana.

A principal fonte de apoio ao dólar vem dos países com excedente comercial com os EUA, cujos bancos tem poucos lugares mais seguros para investir esses dólares do que a dívida governamental dos EUA. Os maiores compradores de dívida em dólar no passado recente, por diferentes razões, foram os bancos centrais da Rússia, Japão, e, muito à frente dos outros – o Banco Popular da China.

O modelo americano de défices comerciais e de transacções correntes não é sustentável. Ninguém pode dizer quando o dólar cairá ainda mais, mas deve cair nos próximos meses. Somente uma guerra dramática e inesperada poderá concebivelmente comprar um pouco mais de tempo para o dólar. E mesmo isso não é certo, tal é o tamanho dos déficits.

Os Estados Unidos estão hoje presos numa armadilha mortal de dívidas, assim como a Argentina e outros países do Terceiro Mundo estiveram nos anos 80. Mas isso não é tudo. As perspectivas de que os déficits do Governo Federal dos EUA continuem são também extremamente negativas.

CONCLUSÃO

O orçamento do governo americano saltou de US$ 455 mil milhões em 2008 para US$ 2.000 mil milhões este ano, com outros US$ 2.000 mil milhões para 2010. Obama acaba de intensificar a cara guerra no Afeganistão, e iniciou uma nova guerra no Paquistão. Não há maneira de financiar esses déficits a menos que se imprima dinheiro.

O orçamento do governo americano está deficitário em 50%. Isso significa que metade de cada dólar que o governo federal gasta tem que ser tomado emprestado ou impresso. Mas o mundo está ficando cada vez menos predisposto a emprestar US$ 2 milhões de milhões por ano a Washington.

O maior credor dos EUA, a China, está avisando Washington para proteger os investimentos da China na dívida americana, e discutindo uma nova moeda de reserva para substituir o dólar antes que ele colapse. A China está gastando seus dólares americanos na aquisição de ouro e stocks de matérias-primas.

De acordo com fontes bem posicionadas na Arábia Saudita, tem havido reuniões secretas nos últimos meses entre os principais produtores de petróleo árabes, inclusive a Arábia Saudita, e, segundo informações, também a Rússia, com os principais países consumidores de petróleo, incluindo dois ou três dos maiores países importadores de petróleo – China e Japão. O seu projecto é criar silenciosamente a base para quebrar a longa "regra de ferro", que já dura 65 anos, de vender petróleo só em dólares americanos. Isso iria ser catastrófico para o papel do dólar.

Nada na política económica de Obama é direccionado a salvar o dólar americano. A política de Obama, como a de Bush antes dele, é controlada pela Wall Street e pela indústria armamentista. A economia americana caminha para a depressão severa e o dólar irá junto, a menos que haja uma nova Guerra mundial, que Deus proíba.



O original encontra-se em http://en.fondsk.ru/article.php?id=2684

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