25.10.09

Mata da Albergaria e as suas cores outonais, no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG)


Situada entre as Caldas do Gerês e a Portela do Homem, a Mata da Albrgaria é uma valiosa Reserva Biogenética, reserva botânica esta que alberga um importante carvalhal em estado natural, pelo que, embora possa ser percorrida a pé, está sujeita a medidas especiais de protecção. O caminho que atravessa a mata e acompanha a via romana estende-se ao longo da margem esquerda da albufeira de Vilarinho das Furnas, terminando em Campo do Gerês. Além do seu valor ecológico, possui importante valor histórico, pois são visíveis neste local restos de uma Geira Romana, com os seus marcos miliários.

Localização- Campo do Gerês
4840-030 CAMPO DO GERÊS
Distrito: Braga
Concelho: Terras de Bouro
Freguesia: Campo do Gerês


A Mata da Albergaria é constituída predominantemente por um carvalhal secular que inclui espécies características da fauna e da flora geresianas. Guarda também um troço da Via Romana - Geira - com as ruínas das suas pontes e um significativo conjunto de marcos miliários. A baixa presença humana nesta mata não rompeu, até há poucos anos, o frágil equilíbrio do seu ecossistema, cuja riqueza e variedade contribuíram para a sua classificação pelo Conselho da Europa, como uma das Reservas Biogenéticas do Continente Europeu. É também, nos termos do Plano de Ordenamento do Parque, classificada como Zona de Protecção Parcial da Área de Ambiente Natural.



Mata da Albergaria - Pontos de Interesse ( a partir da cabana de controlo, quem vem das Caldas do Gerês)


1,6 Km - Ribeiro Sarilhão.
2,1 Km - Cabana do Guarda e placa a indicar que entrou na "Mata de Albergaria". (Não poderá parar ou estacionar o carro ao longo da mata, entre as cabanas de controlo)
3,3 Km - Ao lado esquerdo encontra uma grande mancha de Azevinho, espécie protegida logo, não estragar.
4,0 Km - Ponte de madeira sobre o ribeiro do Pedrado. Junto a ela alguns marcos milenares.
5,5 Km - Mais marcos milenares à direita. 5,8 - Fonte da Balsada ao seu lado direito.
6,4 Km - Ponte de madeira sobre o Rio Macieira. 6,6 - Casa da Albergaria.
6,9 Km - Cruzamento, siga pela estrada de "Portela do Homem" (3Km).

Poderá ainda aventurar-se por terras galegas e ir até "Torneros", uma nascente de água quente. Para isto siga até à fronteira e atravesse-a sem problemas. Siga a estrada, agora já na Galiza e ao fim de mais 3 km encontrará ao seu lado esquerdo mais marcos milenares e um bom pedaço da antiga estrada Romana (Geira). Siga novamente pela mesma estrada até chegar a "Torneros", primeira povoação Galega. Atravesse a ponte e vire à direita até chegar a uma espécie de piscina. Trata-se de uma nascente de água quente que se mistura com o rio. Aproveite para descontrair e passear. O regresso é feito pelo mesmo caminho


O Parque Nacional da Peneda-Gerês, é o único parque nacional de Portugal e situa-se no extremo nordeste do Minho, fazendo fronteira com a Galiza, abrangendo os distritos de Braga (concelho de Terras de Bouro), Viana do Castelo (concelhos de Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca) e Vila Real (concelho de Montalegre) numa área total de cerca de 72 000 hectares.
É uma das maiores atracções naturais de Portugal, pela rara e impressionante beleza paisagística e pelo valor ecológico e variedade de fauna (veados, cavalos selvagens, lobos, aves de rapina) e flora (pinheiros, teixos, castanheiros, carvalhos e várias plantas medicinais). Estende-se desde a
serra do Gerês, a Sul, passando pela serra da Peneda até à fronteira espanhola.
Inclui trechos da estrada romana que ligava Braga a Astorga, conhecida como
Geira
A natureza e orientação do relevo, as variações de altitude e as influências atlântica, mediterrânica e continental traduzem-se na variedade e riqueza do coberto vegetal: matos, carvalhais e pinhais, bosques de bétula ou vidoeiro, abundante vegetação bordejando as linhas de água, campos de cultivo e pastagens. As matas do Ramiscal, de Albergaria, do Cabril, todo o vale superior do rio Homem e a própria Serra do Gerês são um tipo de paisagem que dificilmente encontra em Portugal algo de comparável.
Estas serranias já foram solar do Urso pardo e da Cabra montesa. O Lobo vagueia num dos seus raros territórios de abrigo. A Águia-real pontifica no vasto cortejo das aves. Micro-mamíferos vários, caso da Toupeira-de-água, diversidade de répteis e anfíbios e uma fauna ictiológica que inclui a Truta e o Salmão enriquecem o quadro zoológico.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_da_Peneda-Ger%C3%AAs


Geologia, hidrologia e clima do PNPG

O PNPG caracteriza-se por ser uma zona em que o relevo fortemente acidentado e os pronunciados declives, bem como os inúmeros afloramentos rochosos, são as marcas dominantes.
Trata-se de uma região essencialmente granítica, fortemente fracturada, se bem que se verifica também a presença de uma importante mancha de rochas metasedimentares (xistos) e de depósitos de origem glaciar, como moreias ou blocos erráticos.
É uma zona montanhosa, com altitudes que chegam até aos 1545m, em Nevosa (Serra do Gerês), de fortes declives, onde a presença de diferentes níveis de chãs é frequente.
A grande quantidade de vales e corgas é aproveitada pelos rios, dando lugar a uma rede hidrográfica de grande densidade, composta por um conjunto de afluentes e subafluentes que correm, de um modo geral, por vales agudos de encostas escarpadas.
A área do PNPG faz parte das áreas de influência dos rios Minho, Lima, Cávado e Homem – como os mais importantes – que compartimentam o maciço granítico, individualizando as diferentes serras: a Serra da Peneda, definida pelos rios Minho e Lima; a Serra Amarela, definida pelos rios Lima e Homem e a Serra do Gerês, definida pelos rios Homem e Cávado.
A temperatura média anual é de 13ºC devido à influência oceânica, com amplitudes térmicas elevadas. As temperaturas mais elevadas dão-se no trimestre Julho/Setembro, enquanto que as mais baixas correspondem ao trimestre Dezembro/Fevereiro. O período de risco de geadas é elevado durante praticamente todo o ano.Todas as variáveis caracterizadoras do clima da região sofrem modificações com a alteração da altitude e da zona: à medida que caminhamos para o interior produz-se uma continentalização do clima, com uma diminuição das precipitações e um aumento das amplitudes térmicas diárias; por sua vez, ao aumentar a altitude, produz-se um aumento das precipitações e uma diminuição das temperaturas.
A localização deste território (entre o oceano Atlântico e os ambientes climáticos do interior da Península) e a configuração do relevo condicionam, assim, as características climáticas da região e determinam o tipo de clima existente, o que, por sua vez, condiciona tanto o manto vegetal e as características dos solos como a maneira de estar e o modo de habitar das gentes.





Flora do PNPG

O coberto vegetal das Serras do Gerês, Amarela, Peneda e Soajo e dos planaltos da Mourela e Castro Laboreiro é dominado por quatro unidades distintas: carvalhais, formações arbustivas (matos), lameiros e vegetação ripícola.
Os carvalhais, com grande expressão na área, ocupam parte dos vales dos rios Ramiscal, Peneda, Gerês e Beredo.
A descrição destes carvalhais que albergam inúmeras riquezas do património florístico esteve na base do estabelecimento de uma Aliança, por Braun-Blanquet, Pinto da Silva & Rozeira (1956), a Quercion occidentale, dominada por carvalho-negral (Quercus pyrenaica Willd) e por carvalho alvarinho (Quercus robur L.). Esta Aliança engloba, na área do PNPG, duas associações definidas pelos mesmos autores: a Rusceto-Quercetum roboris, que ocorre em altitudes mais baixas e em vertentes mais expostas à insolação, e a Myrtilleto-Quercetum roboris, de características mais atlânticas.
Pela abundância, destaca-se na primeira das associações citadas o carvalho-alvarinho, o sobreiro (Quercus suber L.), a gilbardeira (Ruscus aculeatus L.), o padreiro (Acer pseudoplatanus L.) e o azereiro (Prunus lusitanica L. lusitanica), enquanto que na Myrtilleto-Quercetum roboris dominam o carvalho-alvarinho e o carvalho-negral acompanhados pelo arando (Vaccinum myrtillus L.), o medronheiro (Arbutus unedo L.) e o azevinho (Ilex aquifolium L.).
Em altitudes superiores verifica-se a presença de manchas florestais dominadas por carvalho-negral atribuíveis, possivelmente, a Holco-Quercetum pyrenaica Br.-Bl., Pinto da Silva e Rozeira (1956), integrável, de acordo com Rivas-Martínez, na Aliança Quercion robori-petraea Tx. 1937.
Os matos dominantes na zona do Parque Nacional da Peneda-Gerês são os tojais (caracterizado pela presença de Ulex minor e Ulex europaeus), os urzais (dominados por Erica umbellata e Calluna vulgaris), os matos de altitude (com a presença de zimbro-rasteiro Juniperus comunnis ssp. Alpina e Erica australis ssp. aragonensis) e os matos higrófilos compostos por Erica tetralix, U. minor, E. ciliaris, Drosera rotundifolia, Pinguicula lusitanica, Viola palustris ssp. juressi e Molinia caerulea, entre outras.
A vegetação ribeirinha merece destaque não só pela componente florística mas igualmente pelo importante papel que desempenha na estabilização das margens dos cursos de água onde a elevada velocidade da água está associada o forte poder erosivo.
Ocorrem nos cursos de água do Parque Nacional da Peneda Gerês várias plantas consideradas como merecedoras de especial protecção: Woodwardia radicans, Salix repens, Betula pubescens, Spiraea hypericifolia ssp. abovata, Circaea lusitanica, Angelica laevis.
Os lameiros ou prados de lima são prados semi-naturais cuja vegetação se insere na Classe Molinio-Arrhenatherea Tx. 1937. Apresentam composição variável consoante o teor de humidade no solo.
Das 627 espécies referidas para a área em Serra & Carvalho (1989), destacam-se, no âmbito deste relatório, exclusivamente aquelas que “pelas suas características e pelo seu estatuto carecem de medidas de protecção imediata”.Pela contínua procura verificada na área do Parque Nacional da Peneda-Gerês optou-se por inserir nesta lista as espécies actualmente alvo de maior pressão pelo seu interesse medicinal: o androsemo (Hypericum androsaemum), a betónica bastarda (Melittis melissophyllum) e a uva-do-monte (Vaccinium myrtillus).




Fauna do PNPG

Pela associação de uma notável riqueza florística com uma fisiografia singular para Portugal, existe no Parque Nacional da Peneda-Gerês um conjunto de habitats naturais que suportam uma diversificada comunidade faunística.As condições climatéricas desta área protegida, caracterizada por regimes pluviométricos elevados e amplitudes térmicas moderadas, proporcionam uma grande produtividade primária e permitem a manutenção de variados habitats com uma grande diversidade de espécies animais.
Dos invertebrados, grupo até agora pouco conhecido no PNPG, destacam-se, pela sua importância em termos de conservação, duas espécies de borboletas (Euphydryas aurinia e Callimorpha quadripunctata), um escaravelho (Lucanus cervus) e um gastrópode (Geomalacus maculosus).Até ao momento foram recenseadas 235 espécies de vertebrados, o que é bem representativo da diversidade faunística deste grupo, nesta área protegida. Do total, 204 são protegidas ao nível nacional e internacional por convenções e legislação específica. Setenta e uma pertencem à lista de espécies ameaçadas do Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal.
Nos cursos de água de montanha e de planalto, onde foram inventariadas 4 espécies de peixes, salientam-se a truta-do-rio (Salmo truta), como a mais abundante e característica, e a enguia (Anguilla anguilla) pelo seu estatuto de conservação, “Comercialmente ameaçada”. Destacam-se ainda outras espécies associadas aos cursos de água, como a toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus), a lontra (Lutra lutra), o melro-de-água (Cinculus cinculus), o lagarto-de-água (Lacerta schereiberi), a rã-ibérica (Rana iberica) e a salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica). Relativamente à avifauna, estão identificadas 147 espécies.
A diversidade deste grupo varia consideravelmente ao longo do ano e entre diferentes habitats presentes no Parque, pelo facto de muitas destas espécies serem migradoras. Salientam-se pelo seu estatuto de conservação e/ou pela reduzida área de distribuição em Portugal a águia-real (Aquila chrysaetus), a gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), o bufo-real (Bubo bubo), o falcão-abelheiro (Pernis apivorus), o cartaxo-nortenho (Saxicola rubetra), a escrevedeira-amarela (Emberiza citrinella), o picanço-de-dorso-ruivo (Lanius collurio), e a narceja (Gallinago gallinago) que tem no PNPG o único local de reprodução conhecido para Portugal.
Conhecem-se 15 espécies de morcegos no PNPG, dos quais 10 têm estatuto de ameaça. Destes, 5 estão classificados como em perigo de extinção: morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum), morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros), morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale), morcego-rato-grande (Myotis myotis) e morcego-lanudo (Myotis emarginatus).
O esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris), espécie cuja distribuição era, até há pouco tempo, marginal e pouco conhecida em Portugal, é uma singularidade da fauna de mamíferos do Parque, apresentando populações em franca expansão geográfica.
Salienta-se ainda a ocorrência de espécies com particular importância em termos de conservação da natureza, como a marta (Martes martes), o arminho (Mustela erminea), as víboras (Vipera latastei e Vipera seoanei) e o lobo (Canis lupus), espécie estritamente protegida pela Convenção de Berna e considerada em perigo de extinção em Portugal.O corço (Capreolus capreolus), emblema do Parque Nacional, encontra-se aqui bem representado, com diversos núcleos populacionais em situação favorável.



Habitats do PNPG

Entre os habitats mais característicos do PNPG pode destacar-se:
- o carvalhal, floresta mista de árvores de folha caduca e de folha persistente, onde podemos encontrar espécies emblemáticas da flora, como o azevinho e a orquídea e da fauna, como o corço, a víbora-de-seoane ou a víbora-cornuda;
- os bosques ripícolas, com a presença do teixo, do amieiro, do freixo e do feto-do-gerês, mas também da lontra, do lagarto-de-água, da salamandra-lusitânica ou do sapo-parteiro;
- as turfeiras e matos húmidos, habitats raros e vulneráveis que se desenvolvem em solos encharcados, propícios à existência das bolas-de-algodão, da orvalhinha e da pinguícula, ao nível da flora, e da narceja, do pato-real, da salamandra-de-pintas-amarelas ou do tritão-de-ventre-laranja, ao nível da fauna;
- os matos de substituição, piornais, urzais, carquejais, tojais e giestais, que ocupam antigas áreas de carvalhal, onde podemos encontrar o alho-bravo, a arméria, o lírio-do-Gerês, ou o narciso, mas também o lobo-ibérico, a águia-real, o bufo-real ou a cabra-montesa.


http://portal.icnb.pt/ICNPortal/vPT2007-AP-Geres?res=1024x768

Algumas ligações para consultar:


Percursos pedestres: ver
aqui

Miradouros e Parques de Merenda no PNPG

Miradouros
Território de Melgaço:
Castro Laboreiro
Território de Arcos de Valdevez:
Portela de Tibo
Coto Velho (com sinalização interpretativa)
Território de Terras de Bouro:
Boneca
Junceda
Mirante Novo
Mirante Velho
Fraga Negra
Malhadoura
Território de Montalegre:
Salas
Sinalização interpretativa no Planalto da Mourela (Lama Cova)

Parques de Merenda

Território de Melgaço:
Área de lazer das Veigas (Castro Laboreiro)
Lamas de Mouro

Território de Arcos de Valdevez:
Sr.ª da Paz (Adrão)
Mezio

Território de Ponte da Barca:
Srª da Madalena (fronteira da Madalena)
Corujeiras (Paradamonte)

Território de Terras de Bouro:
Vidoeiro (Gerês)
Pedra Bela
Chelo
Chã do Arado (Ermida)

Território de Montalegre:
Batoca (Pincães)
Carvalhal (Pincães)
Barca (Cabril)
Sr.ª das Neves (Cabril)
Encruzilhadas (Xertelo)
Além do Rio (Barragem de Paradela)
Pitões das Júnias








Podemos viver sem capitalismo ( encontros e palestras com Enric Durán na Galiza)

Este Sistema ( Capitalismo) está quase a deixar de funcionar...

Faz a tua escolha:

Deixá-lo agora

ou

Cair juntamente com ele




Em 17 de Setembro do 2008 Enric Durán anunciou a expropriação de 492.000€ a 39 entidades bancárias para os entregar a alternativas sociais e fugiu de Espanha, voltando logo depois, quando foi detido e pouco depois solto.

Agora está em liberdade e na próxima 4ª feita (28 de Outubro), dará uma palestra no centro da CNT na cidade de Santiago Compostela, às 19:30 horas, na campanha que está a realizar na Galiza durante o mês de Outubro.


Enric Durán explicará as diferentes opções para desenvolver as nossas vidas à margem do capitalismo: greves de aluguer e créditos, bancas éticas, cooperativas... O calendário completo dos encontros é o que se segue:



26 de Outubro - Ourense - CS Sem um cam


27 de Outubro - Vigo - CS A Revolta


28 de Outubro - Compostela - CNT


29 de Outubro - A Corunha - CS Atreu



Manual para a autogestão das nossas vidas:
http://www.sincapitalismo.net/sites/default/files/librito17s@color.pdf


Website:
http://www.sincapitalismo.net/

O Sindicato Andaluz dos Trabalhadores (SAT): a sua origem e a luta sindical que actualmente desenvolve


No início de Outubro elementos da Tertúlia Liberdade deslocaram-se até à Andaluzia para conhecer de perto a experiência do sindicalismo alternativo praticado pelo Sindicato Andaluz dos Trabalhadores (SAT). O SAT é o herdeiro actual de uma longa tradição de luta, nascida ainda no tempo do franquismo, entre os jornaleiros dos campos da Andaluzia e aglutina de forma autónoma e muito combativa 20.000 associados maioritariamente trabalhadores assalariados do campo e pequenos camponeses. Não está filiado em qualquer central sindical, embora tenha conexões com a Confederação Geral do Trabalho (CGT).


Na sua origem está o Sindicato dos Operários do Campo e Meio Rural da Andaluzia (SOC-MRA) fundado em 1976 a partir das Comissões de Jornaleiros, que existiam nas aldeias e povoados, continuando na sua matriz bem viva a tradição libertária do jornaleiro andaluz consubstanciada por exemplo na recusa de eleições sindicais e na prática da acção directa.


Mas a acção do SAT-SOC não se esgota na luta sindical e estende-se hoje às autarquias marcando presença em muitos municípios. Graças à sua grande implantação dirige vilas e aldeias, promove a auto-construção de casas (proporcionando habitações extremamente baratas e confortáveis com rendas entre 15 e 30 Euros mensais), dinamiza explorações agrícolas e fábricas onde existe de facto um autêntico espírito cooperativo. O SAT-SOC funciona de uma forma assemblária e participada defendendo a identidade camponesa das muito exploradas gentes do meio rural da Andaluzia, uma nação com área semelhante à de Portugal e cerca de 8,5 milhões de habitantes, onde a estrutura fundiária predominantemente é o latifúndio.


O SAT-SOC sempre promoveu ocupações de terras e lutas de carácter radical contando com um número muito reduzido de profissionais sindicais. Nos últimos meses sindicalistas do SAT-SOC desenvolveram uma luta intransigente em defesa dos trabalhadores contra o desemprego e a precariedade que contou com inúmeros protestos de rua e ocupações.
As mais mediáticas foram sem dúvida a ocupação da estação de televisão andaluza Canal Sur, o desvio da Volta à Espanha em bicicleta e o corte da circulação do comboio de alta velocidade em Sevilha. Um pouco por toda a Andaluzia dependências bancárias, centros de emprego e delegações do governo foram locais por onde passou a luta dos sindicalistas do SAT-SOC.


O culminar destas lutas aconteceu com a grande manifestação de 4 de Outubro em Sevilha onde se exigiu a Greve Geral. Segundo os organizadores desfilaram nas ruas mais de 15 mil pessoas. Nós, Tertúlia Liberdade, também estivemos lá. Actualmente o SAT-SOC, em conjunto com outras organizações, prepara essa Greve Geral recusando que sejam os mesmos de sempre a pagar a crise engendrada pelo capitalismo.


Por tudo isto são perseguidos pelo governo do PSOE, como foram por todos os outros governos anteriores e enfrentam uma série de ataques que passam pela repressão, processos judiciais e por tentativas de corrupção dos seus dirigentes. No entanto a resistência e os apoios locais são de grande dimensão e nada parece conseguir dominar a tenacidade dos trabalhadores da Andaluzia.


Isto é surpreendente, principalmente se considerarmos que se trata de uma organização bem enraizada no meio rural que procura agora estender a sua influência ao meio urbano sem abdicar da sua luta contra o sistema. Uma luta consequente e sem transigências baseada em princípios herdados do antigo anarco-sindicalismo dos campos da Andaluzia hoje reforçados com a defesa da identidade andaluza.


A constatação que fizemos destes factos levou-nos a decidir divulgá-los e iniciar um trabalho de reflexão sobre este exemplo de luta desconhecido em Portugal. Assim dividimos o nosso trabalho em 3 fases: Interpretação, Divulgação e Apoio. Estamos a iniciar a primeira fase e necessitamos da colaboração de pessoas que nos possam ajudar a perceber o que ali acontece. Por exemplo as diferenças em relação ao sindicalismo em Portugal ou as diferenças relativamente ao Alentejo, que com uma estrutura fundiária semelhante, teve uma evolução bem diversa.


Vimos assim dirigir um convite a todos que, no imediato, nos possam ajudar a interpretar esta realidade e que eventualmente queiram colaborar nas fases posteriores. A ideia que temos é de tentar uma aproximação que pode ser consubstanciada nesta expressão: «A sobre-exploração no século XXI e a resposta revolucionária – o exemplo do SAT-SOC na Andaluzia».


Fotografias:
A Tertúlia Liberdade na Andaluzia


Ligações:

22.10.09

Estado foi condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos pelo facto de um tribunal português ter punido criminalmente o autor de uma sátira




O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou ontem o Estado Português por um dos seus tribunais ter considerado difamatório o boneco que um habitante de Mortágua fez circular pelas ruas, no Carnaval de 2004, e que representava o autarca local.

O cidadão condenado, Ricardo Silva, acabou por ser punido com três anos de prisão pelo Tribunal de Santa Comba Dão e a indemnizar o Presidente da Câmara de Mortágua, Afonso Abrantes, mas os juízes europeus consideraram agora que "o episódio da sátira carnavalesca não era difamatório", condenando o Estado a pagar-lhe quase dez mil euros por danos morais e custas.

Os factos remontam ao Carnaval de 2004, quando Ricardo Silva andou por Mortágua numa carrinha, em cuja dianteira estava um painel com a frase "Empreendimentos SET-NARBA" (Abrantes lido ao contrário) e na traseira um boneco parecido com o autarca. No cimo da carrinha, pendurado num pau, estava um saco azul.

Fonte: jornal Público

Polícia do Estado de Roraima (Brasil) é a principal suspeita pela morte do Professor Chrystian Paiva, historiador, poeta,anarquista e activista social




Segundo informações acabadas de chegar do Brasil morreu o professor Chrystian Paiva, historiador, poeta, músico, activista social e sindical anarquista. A morte deu-se em circunstâncias muito estranhas e tudo indica que se tratou de mais um assassinato perpetrado por agentes policiais do Estado de Roraima, um dos Estado brasileiro onde se regista uma das mais altas taxas de mortalidade por homicídio em todo o Brasil .

A versão da polícia é de que ele se suicidou!!!
Mas a sua companheira, Adriana Gomes, e mais uma sua amiga que os acompanha na viagem desmentem a versão policial.

Recorde-se que Chrystian apoiava o Movimento de Organização dos Trabalhadores em Educação (MOTE). (consultar http://greveprofessoresrr.blog.terra.com.br/ , que mantinha um link para o nosso blogue, Pimenta Negra).

Além da luta na educação e dos professores, Chrystian também estavam envolvido no movimento contra a implantação da indústria da cana-de-açúcar em Roraima, pela Biocapital, empresa paulista recém-instalada naquele estado e que deseja montar a maior fábrica de etanol da região amazónica.
Na floresta amazónica, terra cobiçada por grandes interesses obscuros e inescrupulosos dos fazendeiros, empresas e políticos , há anos o poder promove a violência, reprime e assassina, indígenas, populares, trabalhadores sem terra, ecologistas, todos e todas que lutam incansavelmente pela Vida Plena. Há anos o capital explora e destrói a Natureza, a diversidade da Vida naquela região.



Reproduzimos a seguir o texto integral da Adriana Gomes, companheira de Chrystian Paiva, onde relata as circunstâncias em que ocorreu a morte e o presumível assassinato do professor Chrystian Paiva


Meu nome é Adriana Gomes, sou Professora efetiva do Estado de Roraima, e era companheira do historiador formado pela Universidade de São Paulo (USP), professor, poeta, escritor, musico, compositor e anarquista Chrystian Paiva. Desde fevereiro de 2009, durante os quase dois anos que esteve no Estado de Roraima lutamos juntos no Sindicato dos Professores (SINTERR).

No dia 17 de outubro, sábado, saímos com uma amiga libertária que veio do estado de São Paulo nos visitar, e fomos ao balneário Caçarí que fica um pouco isolado na cidade de Boa Vista, capital do Estado de Roraima. Tínhamos uma arma utilizada para nos defendermos, levamos para o passeio dentro de uma mochila, o estado é isolado e o poder está nas mãos dos latifundiários, as relações são coronelistas, e esses coronéis fazem suas próprias leis, eles são a lei, então usávamos a arma como precaução e auto-defesa. Passamos a noite do dia 17 e quando amanheceu, domingo (18), percebemos que havíamos trancado a chave dentro do carro e começamos a pedir ajuda. Enquanto esperávamos ajuda conversávamos com várias pessoas e o Chrystian estava bem, aproximadamente às 10h me afastei alguns metros do local e deitei embaixo de uma árvore a fim de descansar e dormi.

Aproximadamente às 11h, o Chrystian foi bruscamente abordado por uma guarnição da Polícia Militar, sob o comando do Subtenente Machado, e sem nenhum indício anterior que tivesse intenção de cometer suicídio em um balneário movimentado, em plena luz do dia. A polícia em sua versão disse que o mesmo cometeu suicídio. As testemunhas são controversas, Chrystian era destro e a bala que perfurou a sua cabeça entrou do lado esquerdo, a mão esquerda estava machucada, assim como estava com hematomas e arranhões no rosto. Tudo leva a crer que não teve como se defender, e se tivesse como se defender com uma arma de fogo não atiraria na própria cabeça na frente de policiais militares. Não acreditamos na versão oficial da imprensa e da polícia de que Chrystian tenha cometido suicídio.

O Professor Chrystian era anarquista aguerrido, com quase dois anos residindo em Roraima mobilizou os professores do Estado para lutar contra as más condições da Educação, o coronelismo autoritário implantado pelo Estado nas escolas e a política pelega do Sindicato dos Professores.

Passávamos noites juntos com ele enviando e-mails, criamos o MOTE (http://greveprofessoresrr.blog.terra.com.br/ ), e como todo bom anarquista era apaixonado pelos seus ideais e ação direta. Colecionava um grande histórico de lutas de repercussão nacional e internacional empreendida no estado onde nasceu, São Paulo, e era punk desde os 12 anos. Ficamos indignados em saber que um companheiro de luta tão importante para o movimento tenha sido vítima de uma ação de policiais truculentos, e queremos vingança.

Vamos lutar o mais que pudermos para responsabilizar os verdadeiros culpados, pedimos a ajuda de todos os amigos e companheiros de luta para divulgação regional, nacional e internacional do ocorrido.

Adriana Gomes (Professora formada na Universidade Federal de Roraima (UFRR), especialista em História Regional)
Quarta-feira, 21 de outubro de 2009, Boa Vista, Roraima, Brasil


(adaptação de notícia da ANA, agências de notícias anarquista)

Petição para os hipermercados acabarem com a comercialização de espécies de peixe de profundidade (iniciativa da Greenpeace)



Ajuda-nos a proteger um dos últimos refúgios da vida marinha do planeta!

Assina a petição aos supermercados para pôr fim à comercialização de espécies de peixe de profundidade.

Os habitats do mar profundo alojam criaturas misteriosas, frágeis e de crescimento extremamente lento. Escandalosamente, fora do nosso alcance físico e visual, navios de pesca industrial de meia dúzia de países, entre eles Portugal, estão a destruir a uma velocidade estonteante estes oásis das profundezas, por um retorno económico irrisório a nível global.
A pesca de profundidade é uma actividade inerentemente destrutiva, insustentável e ainda ineficiente. Muitas das espécies capturadas nem são utilizadas para consumo e são devolvidas ao mar já sem vida ou moribundas, enquanto os seus habitats foram irremediavelmente danificados pelo equipamento usado.
Pede aos supermercados classificados a vermelho no 2º Ranking da Greenpeace que assumam as suas responsabilidades e garantam que não vendem espécies capturadas a grande profundidade em alto mar.


PETIÇÃO


Exmos Senhores,

Como cidadão e consumidor estou preocupado com a devastação desenfreada dos ecossistemas vulneráveis do mar profundo pela pesca insustentável, levada a cabo por uma dúzia de países em que Portugal se inclui. Apesar de promessas neste sentido, as águas internacionais continuam sem uma gestão e regulamentação eficazes e as frotas industriais em alto mar estão literalmente a arrasar o fundo dos oceanos. O valor comercial desta pesca é insignificante no sector dos produtos do mar, enquanto que milhões de pessoas em todo o mundo dependem de oceanos saudáveis.

Acredito que os grandes retalhistas, enquanto principais distribuidores de produtos do mar, têm um papel fulcral a desempenhar para garantir a preservação dos habitats profundos e espécies associadas.

As espécies de grande profundidade são extremamente vulneráveis à pesca intensiva e são capturadas com métodos altamente destrutivos para os ecossistemas no fundo dos oceanos.

Venho, por isso, pedir que os vossos supermercados deixem de comercializar estas espécies, com especial destaque para o Tamboril, Peixe Espada preto, Marlonga negra, Alabote da Gronelândia, Peixes vermelhos e Tubarões de profundidade.
A nível mundial, muitos supermercados já deixaram de comercializar estas espécies e gostaria de ver os vossos supermercados a ingressar neste grupo, liderando a preservação dos oceanos. Quero ter a certeza de que, quando compro peixe nos vossos supermercados, este não é proveniente de métodos de pesca insustentáveis.

Com os meus melhores cumprimentos,



Assinar a PETIÇÃO:

O que eu penso das praxes (inquérito a várias pessoas pelo M.A.T.A., Movimento Anti-Tradição Académica)

O MATA - Movimento Anti-"Tradição Académica" começou no início deste mês a pedir a várias personalidades, ligadas ou não à universidade, que dessem a sua opinião sobre as praxes.

Podem ler e comentar no blog do MATA os primeiros 5 textos.

Muitos mais se seguirão. Por isso continuem a espreitar.

O que eu penso sobre as praxes

-
Miguel Castro Caldas
-
Teresa Cadete
-
Jorge Silva Melo
-
Miguel Vale de Almeida
-
Miguel Cardina

M.A.T.A. - movimento anti "tradição académica"

mata.info@gmail.com

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«O que eu penso das praxes», por Jorge Silva Melo


Este é o terceiro de muitos textos pedidos pelo MATA a personalidades ligadas ou não à universidade, com o tema «O que eu penso sobre as praxes». Na coluna lateral podem ver a lista dos textos que já publicámos (até agora, da autoria de Miguel Castro Caldas e de Teresa R. Cadete).

Jorge Silva Melo (n. 1948) é actor, encenador, dramaturgo, cineasta, tradutor, ensaísta. Fez parte do Grupo de Teatro de Letras da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Estudou cinema na London Film School e teatro em Berlim e em Milão, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Fundou e dirigiu, com Luís Miguel Cintra, o Teatro da Cornucópia (1973-1979). Em 1995 fundou os Artistas Unidos. Escreve também para jornais e revistas. Ver mais aqui.



O QUE EU PENSO DAS PRAXES

1. que é uma total cretinice;
2. que é uma total estupidez;
3. que é um total disparate;
4. que é uma total javardice;
5. que é uma total idiotice;
6. que é uma total patetice;
7. que é uma total falta de gosto;
8. que é um total desrespeito;
9. que é uma total imbecilidade;
10. que é uma prática totalitária.


É o que eu penso e ninguém me contradiz.

Jorge Silva Melo

Documentários e debate sobre a Gripe A, a vacina e a sua problemática social (na livraria-bar Gato Vadio, dia 23 de Out. às 22h.)

(nota: a DATA CORRECTA É DIA 23 DE OUTUBRO)


Documentários e Debate sobre a Gripe A H1N1, a vacina e a sua problemática social

Sexta-feira, dia 23 de Outubro, 22h

Livraria-bar Gato Vadio,
Rua do rosário 281
Porto
http://gatovadiolivraria.blogspot.com/

Este é o nosso plano de contingência: nenhum cidadão deve decidir tomar a vacina da Gripe A H1N1 sem antes ouvir as vozes de médicos e investigadores que a colocam em causa. Ou seja, sem antes ter acesso a informação técnica e científica credível, consistente e crítica, que enriqueça uma decisão consciente. Esforço minoritário face à informação oficial – desta vez, e grosso modo, acompanhada pela epidemia acrítica dos media de referência – e que, na prática, se consubstancia no direito do cidadão ao contraditório, à possibilidade de olhar para o outro lado da história.

A responsabilidade mais uma vez de cumprir com um serviço público – vadio e de pequena escala – pesa-nos nos ombros. A contra-informação que se gerou em redor da problemática da Gripe A H1N1 nem sempre terá sido pedagógica, isenta e producente. Não queremos por isso correr o risco de provocar um caso de alarmismo na contra-cultura citadina.

Desta forma, do programa de vídeos que exibiremos antes do debate e que poderão consultar abaixo constam notas e referências sobre os autores/envolvidos nos documentários que serão passados.

O debate contará com a presença confirmada de Médicos (Epidemiologistas e de Clínica Geral) e investigadores científicos.



Programa da Sessão (dia 23/10 às 22h.):

Documentários:

1.

O Dr. Kent Holtorf é entrevistado na Fox News sobre os sintomas e o tratamento do H1N1 (a Gripe Suína ou Gripe A). O Dr. Holtorf é um especialista em doenças infecciosas e a sua opinião sobre a vacina que chegou agora ao mercado em Outubro (de 2009) é no mínimo alarmante.

Ver:
http://www.youtube.com/watch?v=sLoL_-rFYNQ



2.

“Campanas por la Gripe A”, vídeo com a médica e investigadora Teresa Forcades.

Os dados e os factos que são trazidos a lume colocam em causa a forma como a vacina da Gripe A H1N1 foi produzida, questionam a própria virulência da Gripe A, abordam as recentes alterações por parte da Organização Mundial de Saúde que permitiram declarar a pandemia em 2009, quando o estado actual da gripe, o número de casos infectados e a taxa de mortalidade que provoca, não permitiria a declaração de pandemia com os regulamentos de 2008.



Notas:

Teresa Forcades (1966,Barcelona), é uma monja beneditina, médica e teóloga, conhecida pelas suas posições feministas e pelas suas manifestações críticas contra a gestão da Pandemia de Gripe A H1N1, designadamente contra as instituições sanitárias e as empresas farmacêuticas que produzem a vacina da Gripe A.

Licenciada em Medicina pela Universidade de Barcelona em 1990; especialidade em Medicina Interna nos EUA em 1995. Título de Master Divinitas pela Universidade de Harvard em 1997. Doutoramento em Saúde Pública na Universidade de Barcelona em 2004.

Ver:

http://vimeo.com/6790193

OU AQUI:

http://inphobe.blogspot.com/2009/10/campanas-por-la-gripe.html

OU AQUI:

http://www.youtube.com/watch?v=sEPYv6hkaTM&feature=related

3.

“GRYPA, EPIDEMIA, PANDEMIA”

Documentário com o investigador polaco Piotr Bein sobre as implicações políticas da problemática da Gripe A H1N1 e os interesses das farmacêuticas que produzem a vacina contra a chamada “gripe suína”.

(Tradução simultânea assegurada.)

Notas:

Dr. Piotr Bein holds a masters degree from the Technical University of Denmark and a doctorate in applied decision and risk analysis from the University of British Columbia. A member of the Institute for Risk Research, University of Waterloo, he served as a consultee on a recent report from the European Committee on Radiation Risk. His 30-year career of a licensed civil engineer, risk analyst, ecological economist, and researcher of socio-economic impacts of atmospheric change switched to an interest in information warfare after NATO attack on Yugoslavia. (Bein foi um dos investigadores que mais relutantemente denunciou o uso de urânio empobrecido nos Balcãs, designadamente na Bósnia e no Kosovo, polémica que ocupou também as páginas dos jornais portugueses em 2001 por causa da presença de soldados portugueses nas missões militares na Bósnia do pós-guerra).

The Institute for Risk Research (IRR) was established in 1982 to conduct research on risk management and to establish a knowledge base to assist Canadian governments, public organizations and industry in risk management decisions and policies. Research and development on measures of safety, risk management of dangerous goods, safety of blood systems, etc., provision of membership services for risk experts in Canada, risk publications and educational programs have all contributed to the mission.

Piotr Bein

Transportation Systems Consultant

Email:
piotr.bein@umag.net

Expertise: Decision analysis of civil engineering systems under uncertainty and risk; modeling and assessment of natural and man-made hazards to civil engineering works, and risks arising in transportation of people and goods.

Site do Institute for Risk Research (IRR)

http://www.irr-neram.ca/about/irr

O Hipnotizador ( texto de Boaventura Sousa Santos sobre Barack Obama)

A hipnose é um estado psíquico, induzido artificialmente, em que o hipnotizado, numa condição semelhante à de transe, fica altamente sujeito à influência do hipnotizador. O estado de concentração hipnótica filtra a informação de modo a que ela coincida com as diretivas recebidas. Estas, por sua vez, podem trazer à consciência do hipnotizado memórias por ele suprimidas. A hipnose pode conduzir a atos destrutivos para o próprio ou para outros e, passado o seu efeito, o contacto com a realidade pode ser penoso. O mundo (não todo, mas uma boa parte) vive hoje em estado de hipnose e o hipnotizador é Barack Obama (BO). A hipnose consiste numa mudança radical de percepção sobre o que se passa no mundo sem que na realidade haja razões para sustentar tal mudança. Em que consiste a mudança e donde provêm os poderes hipnóticos de Obama? O que se passará quando o estado de hipnose desvanecer?

A mudança de percepção ocorre em diferentes áreas. A crise financeira global. Mudança: as medidas corajosas de BO para regular o sistema financeiro e assumir o controle de empresas importantes fez com que a crise fosse ultrapassada e a economia retomasse o seu curso. Realidade: BO injectou montantes astronômicos de dinheiro dos contribuintes nos bancos e empresas à beira do colapso sem assumir o controle da sua gestão; não introduziu até agora nenhuma regulação no sistema financeiro; prova disso é o regresso do capitalismo de casino à Wall Street com o banco Goldman Sachs a registar lucros fabulosos obtidos através dos mesmos processos especulativos que levaram à crise, enquanto o desemprego continua a aumentar e os americanos continuam a perder as suas casas por não poderem pagar as hipotecas.

O regresso do multilateralismo. Mudança: BO cortou com o unilateralismo de Bush e os tratados internacionais voltaram a ser respeitados pelos EUA. Realidade: as recentes negociações de Bangkok, que deveriam levar ao reforço do frágil Protocolo de Kyoto sobre as mudanças climáticas, conduziram, por pressão dos EUA, ao resultado oposto com a agravante de terem atenuado as responsabilidades globais dos países desenvolvidos, os grandes responsáveis pela degradação ambiental; os EUA, que não assinaram a Declaração de Durban contra o racismo, auspiciada pela ONU em 2001, voltaram a retirar o seu apoio à declaração sobre a revisão da declaração de Durban elaborada na reunião da ONU de Abril passado em Genebra, arrastando consigo vários países europeus; os EUA desautorizaram o corajoso relatório do Juiz Goldstone sobre os crimes de guerra cometidos por Israel e o Hamas durante a invasão israelense da faixa de Gaza no Inverno de 2008, e, juntamente com Israel, pressionaram a Autoridade Palestiniana a fazer o mesmo.

O fim das guerras. Mudança: BO estendeu a mão da fraternidade e do respeito ao mundo islâmico e vai pôr fim às guerras do Oriente Médio. Realidade: sem dúvida, houve mudança de retórica, mas Guantánamo ainda não encerrou; os generais dizem que a ocupação do Iraque continuará por muitos anos (ainda que os soldados sejam substituídos por mercenários); os pobres camponeses afegãos continuam a ser mortos “por engano” por bombardeiros covardemente não tripulados e as mortes estendem-se já ao Paquistão com consequências imprevisíveis; a burla da ameaça nuclear iraniana continua a ser propalada como verdade; no passado dia 10 de Setembro, BO renovou o estado de emergência, declarado inicialmente por Bush em 2001, sob o pretexto da continuada ameaça terrorista, atribuindo ao Estado poderes que suprimem direitos democráticos dos cidadãos.

As bases militares na Colômbia. Mudança: sem precedentes, BO criticou o golpe de Estado nas Honduras, o que dá garantias de que as sete bases militares a instalar na Colômbia são exclusivamente destinadas à luta contra a droga. Realidade: BO criticou o golpe mas não lhe pôs termo nem retirou o seu embaixador; o alcance dos aviões a estacionar na Colômbia revelam que os verdadeiros objetivos das bases são 1) mostrar ao Brasil que, como potencial regional, não pode rivalizar com o EUA, 2) controlar o acesso aos recursos naturais da região, nomeadamente da Amazônia, 3) dissuadir os governos progressistas da região a terem veleidades socialistas mesmo que democráticas.

Donde provém o poder hipnótico de BO? Da insidiosa presença do colonialismo na constituição político-cultural do mundo. O Presidente negro de tão importante país dá aos fautores históricos do racismo no mundo contemporâneo o conforto de poderem espiar sem esforço a sua culpa histórica, e dá às vítimas do racismo a ilusão credível de que o fim das suas humilhações está próximo.

E o que passará depois da hipnose? BO está preparando-se meticulosamente para governar durante oito anos, fará algumas reformas que melhorarão a vida dos americanos, ainda que ficando muito aquém das promessas (como no caso da reforma do sistema de saúde) e sem nunca pôr em causa a vigência do Estado de mercado; evitará a todo custo “mexer” no conflito Israel/Palestina; manterá a América Latina sob apertado controle; agradará em tudo a China, tal o medo que ela deixe de financiar o american way of life; deixará o Irã onde está e, se puder, sairá do Afeganistão; tudo isto num contexto de crescente declínio econômico dos EUA em parte camuflado pelo aumento das despesas militares algumas delas orientadas para o controlo de conflitos internos.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

Manifesto de professores: A escola não pode esperar mais

O actual modelo de avaliação de professores e a divisão arbitrária da carreira em duas categorias criaram o caos nas escolas. A burocracia, a desconfiança e o autoritarismo jogam contra a melhoria das aprendizagens e contra a dedicação total dos professores aos seus alunos. Quem perde é a escola pública de qualidade.

Este ambiente crispado e negativo promete agudizar-se nas próximas semanas. Com efeito, até ao dia 31 de Outubro, se até lá nada for feito, as escolas estão obrigadas por lei a fixar o calendário da avaliação docente para o ano lectivo que agora começou. Pior ainda, sucedem-se os Directores que teimam em recusar avaliar os docentes que não entregaram os objectivos individuais, aumentando a instabilidade e a revolta.

Independentemente das alternativas que importa construir de forma ponderada, é urgente que a Assembleia da República decida sem demoras parar já com as principais medidas que desestabilizaram a Educação, sob pena de arrastar o conflito em cada escola e nas ruas.

Porque a escola não pode esperar mais, os subscritores deste manifesto apelam à Assembleia da República que assuma como uma prioridade pública a suspensão imediata do actual modelo de avaliação de professores, a revogação de todas as penalizações para os que não entregaram os objectivos individuais e o fim da divisão da carreira docente. Sem perder mais tempo.

Não podemos esperar mais. A Educação também não.

Subscrevem:

Os blogues: A Educação do Meu Umbigo (Paulo Guinote), ProfAvaliação (Ramiro Marques), Correntes (Paulo Prudêncio), (Re)Flexões (Francisco Santos), Outròólhar (Miguel Pinto), O Estado da Educação (Mário Carneiro), O Cartel (Goretti Moreira), Octávio V Gonçalves (Octávio Gonçalves), Educação SA (Reitor)

Os movimentos: APEDE (Associação de Professores em Defesa do Ensino), MUP (Movimento Mobilização e Unidade dos Professores), PROmova (Movimento de Valorização dos Professores), MEP (Movimento Escola Pública
)

Apresentação do livro »Queimai o Dinheiro» de A.Pedro Ribeiro na Biblioteca José Régio, de Vila do Conde ( 23 de Out. às 21h30)


O livro "Queimai o Dinheiro" (Corpos Editora) de A. Pedro Ribeiro vai ser apresentado na Biblioteca José Régio, em Vila do Conde, na próxima sexta, dia 23, pelas 21,30 h. A apresentação do livro vai estar a cargo do escritor Valter Hugo Mãe.


Queimai o Dinheiro" é uma mescla de poesias e prosas que falam do dinheiro elevado a deus supremo, do homem reduzido às operações da bolsa e do mercado mas também do amor e da liberdade como últimos redutos da subversão.


A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto em Maio de 1968 e reside actualmente em Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). Além de "Queimai o Dinheiro", publicou os livros de poesia "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (2003), "Á Mesa do Homem Só" (Silêncio da Gaveta, 2001) e "Gritos. Murmúrios" (com Rui Soares, 1988). Participou em várias revistas ou colectâneas como "Portuguesia", "Aguasfurtadas", "Bíblia", "Sinismo" ou "Conexão Maringá" (Brasil) e foi fundador da revista literária "Aguasfurtadas".

20.10.09

A dessacralização da Bíblia e a denúncia dos seus erros e efeitos perversos ao longo da História feita por José Saramago em Penafiel

Alguns críticos da Bíblia, mas há muitos mais:
Bertrand Russell
Isaac Asimov
Ahmed Deedat
Thomas Paine
Albert Einstein[100]
Mark Twain


Consultar ainda:
http://www.skepticsannotatedbible.com/

http://www.biblicalnonsense.com/

http://www.nobeliefs.com/

http://en.wikipedia.org/wiki/Criticism_of_the_Bible

http://en.wikipedia.org/wiki/The_Skeptic%27s_Annotated_Bible







José Saramago afirmou este domingo, em Penafiel, que «a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana».
«Sobre o livro sagrado, eu costumo dizer: lê a Bíblia e perde a fé!», disse o escritor, numa entrevista concedida à Lusa, a propósito do lançamento mundial do seu novo livro, intitulado «Caim», que ocorre naquela cidade.

«A Bíblia passou mil anos, dezenas de gerações, a ser escrita, mas sempre sob a dominante de um Deus cruel, invejoso e insuportável. É uma loucura!», afirma o Nobel da Literatura de 1998, para quem não existe nada de divino na Bíblia, nem no Corão.

«O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!» afirmou.

«Todo esse horror em nome de um Deus que não existe, nunca ninguém o viu»

Saramago sublinhou que «as guerras de religião estão na História, sabemos a tragédia que foram». Considerou que as Cruzadas são um crime do Cristianismo, morreram milhares e milhares de pessoas, culpados e inocentes, ao abrigo da palavra de ordem 'Deus o quer', tal como acontece hoje com a Jihad (Guerra Santa).

Saramago lamenta que todo esse «horror» tenha feito em nome de «um Deus que não existe, nunca ninguém o viu». «O teólogo Hans Kung disse sobre isto uma frase que considero definitiva, que as religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros. Só isto basta para acabar com isso de Deus», afirmou.

«Deus criou o Universo em seis dias e nunca mais fez nada»

Salientou ainda que «no Catolicismo os pecados são castigados com o Inferno eterno. Isto é completamente idiota!». «Nós, os humanos somos muito mais misericordiosos. Quando alguém comete um delito vai cinco, dez ou 15 anos para a prisão e depois é reintegrado na sociedade, se quer», disse.

«Mas há coisas muito mais idiotas, por exemplo: antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?», perguntou.

Para José Saramago, «Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca».

José Saramago afirmou que escrever o seu novo livro, «Caim», constituiu, para si, «um exercício de liberdade».

«Não é que este livro seja mal comportado, mas é, sem dúvida uma insurreição, um apelo a que todos se animem a procurar ver o que está do outro lado das coisas», disse.

O Prémio Nobel da Literatura de 1998, com 86 anos, falou cerca de uma hora e um quarto, e referia-se ao tema principal do livro, em que regressa à questão religiosa, contando, em tom irónico e jocoso, a história de Caim.

Segundo o Velho Testamento, Caim terá sido o filho primogénito de Adão e Eva, que matou Abel, seu irmão mais novo, num acesso de ciúmes, após verificar que Deus mostrara preferência por este.

«Nada disto existiu, está claro, são mitos inventados pelos homens, tal como Deus é uma criação dos homens. Eu limito-me a levantar as pedras e a mostrar esta realidade escondida atrás delas», afirmou o escritor.

Fonte da notícas:
aqui

Rota das Noites do Zeca: música e poesia na livraria-bar Gato Vadiio ( dia 22 de Out. às 22h.)


Rota das Noites do Zeca
Música e Poesia


Quinta-feira, dia 22 de Outubro, 22h

Entrada Livre

Org. AJA Norte, Gato Vadio, Império da Girafa " 80 Anos de Zeca "


18.10.09

Alunos do Liceu Camões acusaram Lurdes Rodrigues e o seu Ministério da Educação de tirar credibilidade à democracia com o modelo de gestão das escolas


A comemoração dos 100 anos do Liceu Camões em Lisboa ficou marcada com a intervenção de Pedro Feijó, representante dos alunos e delegado dos estudantes ao conselho pedagógico da escola que sem papas na língua acusou Lurdes Rodrigues, a Ministra de Educação do governo Sócrates, ali presente, de «tirar credibilidade à democracia» com as novas políticas da educação implementadas pelo Ministério da tutela.

Entre os exemplos que considera negativos das políticas educativas do Governo cessante, o aluno apontou o novo modelo de gestão das escolas, que “tira a representatividade e o poder aos estudantes e outras classes nos órgãos de gestão, dando-o a agentes exteriores à escola”.


Mas, para o jovem estudante, pior do qualquer lei, “foi a atitude do ministério”.

E acrescentou:

“Desprezou manifestações com milhares de estudantes, só por sermos menores, como se por sermos estudantes de secundário não tivéssemos uma palavra a dizer. Desprezou abaixo-assinados, incluindo um com dez mil assinaturas de estudantes, que pediram a revogação destas leis. Desprezou manifestações com várias dezenas de milhar de professores que lutavam pelos seus direitos, pelas suas escolas”

14.10.09

Jantar Popular no Rossio para comemorar o dia internacional anti-McDonalds (na próxima 5ª feira, às 20h.)



Jantar Popular nas ruas de Lisboa no dia internacional anti-McDonald

Esta semana comemora-se mundialmente o dia Anti-Macdonalds, um protesto contra a promoção de uma alimentação pouco saudável, a exploração de trabalhadores, a insustentabilidade ambiental, a exploração animal e a dominação das grandes empresas multinacionais das nossas vidas.

Por isso vamos celebrar uma boa refeição juntos já na próxima quinta-feira no Rossio pelas 20h


Sobre o assunto, consultar:




13.10.09

Passam hoje 100 anos de um dos maiores crimes do Estado: o assassinato do pedagogo e livre-pensador Ferrer i Guàrdia, fundador da Escola Moderna




As características básicas da pedagogía de Ferrer:

Racionalismo,

Cientificismo,

Antidogmatismo,

Educação integral,

Coeducação de sexos na escola e nas turmas,

Laicismo.

Mas a Escola Moderna foi apenas um dos quatro aspectos que compõem o extraordinário legado pedagógico de Ferrer i Guàrdia:

- a criação da Escola Moderna

- a fundação de uma editorial vocacionada para a edição de obras e livros educativos

- a publicação do Boletim da Escola Moderna, onde se divulgava o ideário da escola moderna

- a abertura da escola dos pais, uma espécie de curso de extensão educativa, dirigido para o público adulto com temas de divulgação científica e social.

Hoje, dia 13 de Outubro, às 22h. a vida e obra da Ferrer I Guàrdia vão ser recordadas na Livraria-bar Gato vadio, no Porto, com a projecção de um Documentário seguido de debate.

Documentário + DebateFerrer i Guàrdia, una vida per la llibertat
(FERRER i GUÀRDIA, UMA VIDA PELA LIBERDADE)

Entrada Livre

LocaL. livraria-bar Gato Vadio
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016
email:
gatovadio.livraria@gmail.com
http://gatovadiolivraria.blogspot.com/


Na verdade, passam hoje 100 anos de um dos mais atrozes e crúeis crimes de Estado: o fuzilamento e execução de Ferrer i Guàrdia, o criador da Escola Moderna e autor de propostas educativas e pedagógicas ousadas para a época em que viveu (ensino racionalista, educação integral, turmas mistas, escolas inclusivas, etc), e que lhe valeram ódios, perseguições e até a própria morte, pois foi acusado pelo governo espanhol de ser o instigador e organizador de motins e tumultos populares o que levou a ser condenado à pena capital.
Frente ao pelotão de fuzilamento, a 13 de Outubro de 1909, Ferrer y Guàrdia não conteve o seu grito e deu voz à sua luta de sempre: VIVA A ESCOLA MODERNA.


Ferrer i Guàrdia é também uma referência na prática e no pensamento educativo e um dos nomes maiores da pedagogia libertária.


Viva la escuela moderna. Francisco Ferrer i Guardia



















12.10.09

ContraDança - festival de dança e movimento ( de 8 a 16 de Outubro na Covilhã e em Castelo Branco)



ASTA - Associação de Teatro e Outras Artes do Distrito de Castelo Branco, promove uma vez mais o “Contradança - Festival de Dança e Movimento”.
Nesta que é a 4ª edição, o festival vai acontecer nas cidades:
• da Covilhã e
• de Castelo Branco,
onde vão decorrer 21 espectáculos.
Na Covilhã serão realizados 12 espectáculos, entre 8 e 16 de Outubro de 2009, no Teatro-Cine, sempre às 21h45. Podes consultar o programa AQUI

Contradança é um festival onde a dança e o movimento são soberanos, com boas propostas em áreas variadas como:
• teatro,
• dança,
• performance,
• exposições e
• workshops.

O festival é, ainda, complementado com:
• Exposição “Pintar com Luz”
• “Mercado Negro”, uma feira de dimensões reduzidas onde é possível comprar e vender todo o tipo de produtos como:
o livros,
o cd’s,
o dvd’s,
o roupas,
o sapatos…
entre outros artigos já perdidos no tempo


Data: 08/10/2009 a 16/10/2009
Contactos: Tel. 275 081 775
Fax: 275 081 784
E-mail: contacto@aasta.pt
Local: Covilhã - Teatro-Cine
URL:
http://www.astateatro.blogspot.com/
Promotor: ASTA - Associação de Teatro e Outras Artes do Distrito de Castelo



“Creio que a arte deve ser praticada para ser apreciada, e ensinada em aprendizado íntimo. Creio que o mestre não deve ser menos activo que o aluno. Pois a arte não pode ser aprendida por preceito, por um instrução verbal qualquer. Ela é, falando com propriedade, um contágio, e se transmite como o fogo de espírito para espírito.” Herbert Read


A dança é a vibração da alma que a arte impulsiona sobremaneira.

O corpo é repositório de nossas experiências mantidas nos séculos de nossas existências.



Ballet Contemporâneo do Norte vai apresentar dois espectáculos no Festival ContraDança 13 Outubro- Covilhã

IPETERIX IPETERIDEX- 15h00
Espectáculo para a infância.

Nocturno- 21h45
Ipterix Ipteridex é uma pequenina viagem divertida e estimulante feita através do movimento, das cores e dos sons. Uma viagem por histórias sem palavras.
Nesta primeira abordagem da companhia à primeira infância, pretende-se traçar um percurso de experimentação, tendo em vista a simplicidade e a aproximação ao mundo dos mais pequenos, envolvendo-os, para que possam eles também fazer parte, de forma activa, dessa viagem.
Ipterix Ipteridex é uma intervenção informal que visa lançar, tão cedo quanto possível, raízes de apetência cultural, lançando o gosto pela dança contemporânea, através de um contacto directo e afectivo com os profissionais que a praticam, plantando uma semente de fascínio e interesse desde a mais tenra idade.

http://ballet-contemporaneo-norte.blogspot.com/

Comunicado das/os professoras/es das Actividades de Enriquecimento Curricular de música e inglês, no Porto

Os professores de Inglês e de Música das Actividades de Enriquecimento Curricular do Porto, particularmente preocupados com a Educação e o Ensino, com a imagem do Estado e com o bom uso dos dinheiros públicos, face ao completo caos que caracteriza o concurso público para a colocação dos docentes para o ano lectivo de 2009/2010 solicitam a V. Exas., a divulgação dos seguintes pontos que caracterizam a precariedade dos professores e a vergonha social do estado da educação deste país de forma a conduzir à resolução destes problemas.

Fazemo-lo pelos seguintes motivos:

- Alteração para pior das já precárias condições de trabalho dos professores de Inglês e de Música das AEC’s;- Passamos do vencimento por turma para um vencimento por hora;

- Passamos de um valor equivalente a 12.5€ hora para um vencimento de 11€ /hora apenas;

- Continuamos a trabalhar com os falsos recibos verdes quando em 3 de Setembro do corrente ano saiu o Decreto-Lei nº 212/2009 que estabelece que os municípios podem celebrar contratos de trabalho a termo resolutivo, integral ou parcial com os professores no âmbito das Actividades de Enriquecimento Curricular;

- Deixamos de auferir os feriados e período de interrupção escolar, nomeadamente interrupção do Natal, Páscoa e Carnaval.- Temos conhecimento que os professores da Actividade Física e Desportiva continuam a receber por turma e não à hora.

- Os professores das AECs de Inglês e Música foram recebidos numa oficina mecânica, designada por Auto-Brito em Matosinhos e saíram de lá com um horário na mão (distribuído aleatoriamente, sem respeitar graduações nem currículos).

- O contracto de trabalho de prestação de serviços ainda não foi celebrado. No entanto, os docentes já se encontram a leccionar nas escolas confiando apenas no acordo verbal.

- Mencionaram que não teríamos de planificar as aulas visto que as mesmas seriam fornecidas pela entidade promotora. As planificações anuais de Inglês foram de facto enviadas pelo correio electrónico, mas não contemplam a realidade da sala de aula. São orientações retiradas de um manual, contêm erros e não dão seguimento ao trabalho realizado pelos professores no ano anterior.

- Quando questionados relativamente às outras planificações (mensais e de articulação vertical), foi-nos dito que não teríamos de as fazer. No entanto as escolas e as professoras titulares exigem tal articulação, visto que faz parte dos objectivos gerais do ensino do Inglês e da Musica no 1º Ciclo.

Após anos de dedicação e esforço por parte dos professores acima citados, após termos trabalhado a recibos verdes continuamente, sem direito a subsídios de férias, de Natal, de alimentação e até a subsídio de desemprego, ou em casos mais graves, subsídio de doença, vêm agora retirar-nos o pouco que já tínhamos?

Sempre tivemos uma atitude profissional no desempenho da nossa actividade, mesmo quando passávamos meses sem receber e continuávamos a ir trabalhar diariamente e muitas vezes sem dinheiro para fazer face às despesas de deslocação. Não é justo que após quatro anos, o projecto em vez de evoluir e melhorar as condições de trabalho dos profissionais tenha regredido.

Somos tratados de formas diferentes dos docentes de Educação Física quando trabalhamos para as mesmas escolas e fins??

Toda esta situação está a levar ao êxodo de uma grande maioria dos professores para os municípios vizinhos com melhores condições de trabalho. Deixando a educação das crianças do Município do Porto à mercê de pessoas não qualificadas para tal e deixando também as crianças em muitas escolas sem as Actividades de Enriquecimento Curricular ao qual as mesmas tem direito e das quais os Encarregados de Educação dependem para organizar a sua vida.

Conscientes de que este pedido se fundamenta no exercício de uma cidadania empenhada e participativa, os signatários esperam de Vossas Excelências a tomada de medidas com a devida urgência que a gravidade da situação justifica.


10.10.09

Ruim por Ruim...Vota em Mim (Galo de Barcelos contra o eleitoralismo dos caciques autárquicos)



Sobre a vitória da abstenção

Numa época como a nossa o que separa as águas entre os que partilham a defesa do Sistema dos que querem a sua derrocada é a forma como se olha para o Estado e para a representação política. Vem isto a propósito da análise que pode ser feita sobre as recentes eleições que geraram toda uma verborreia omnipresente sobre vitórias e derrotas, sobre o crescimento da direita e da esquerda, sobre arranjos políticos e por aí fora. O que os profissionais políticos e os analistas, não menos profissionais, evitam referir é o facto mais evidente: a crescente perda de legitimidade dos donos do Poder, ante uma abstenção próxima dos 40%, superior à obtida pelo partido mais votado.

O crescimento da abstenção é tanto mais relevante quanto aparentemente o espectro eleitoral se abre, muito pluralisticamente, da extrema-direita à extrema-esquerda, com uma variedade de discursos e cores capaz de satisfazer todos os gostos. Soma-se a isso a propaganda insidiosa dos meios de uniformização da massas, bem como todas as autoridades político-religiosas, a apelar ao voto, tentando convencer o povo que estão nas suas mãos os destinos do país. Contra tudo isto levantou-se o muro da indiferença de quase quatro milhões de portugueses que se recusaram a votar e ao se recusar estão explicitamente a expor a sua desconfiança ante todas as formações e discursos políticos que disputam as eleições.

Esta evidência incomoda todos os que partilham crenças comuns sobre a democracia representativa e sobre o papel dos cidadãos domesticados que têm de se integrar em algum rebanho, mesmo que seja no das ovelhas ranhosas. Até os mais conservadores preferem um voto na extrema-esquerda à abstenção. Sendo a abstenção a grande ameaça à legitimidade dos donos do Poder há necessidade de desacreditar o comportamento abstencionista identificando-o com passividade, comodismo, irresponsabilidade, inconsciência e por aí fora usando todos os adjectivos depreciativos que se possam encontrar nos dicionários.

No entanto, a realidade não parece ser essa, resistir ao discurso da máquina de propaganda, manter uma postura contra-a-corrente não é um indicador de comodismo e indiferença. Mas não se espere, isso é óbvio, que o partido abstencionista possa ser visto com excesso de optimismo só lhe reconhecendo virtudes e atribuindo-lhe uma consciência contestatária que estaria ausente em todos os partidos da Situação. Não me parece ser assim. Na abstenção, como no voto, convergem diferentes razões, ideias e vontades, mas certamente que se poderão descobrir no acto abstencionista um potencial crítico e uma descrença no Sistema que dificilmente se encontrarão no acto do voto com todas as ilusões que lhe estão associadas sobre o papel das eleições na mudança social. Até porque o mero acto de votar significa desde logo reconhecer os mecanismos legitimadores dos donos do Poder.

Se uma coisa é possível concluir da história é que é nas ruas que se pode decidir o futuro das sociedades contra a vontade dos gestores políticos da Ordem. Até porque o Poder político não é determinado pelo voto mas pelos interesses dominantes numa dada sociedade. As políticas nacionais dependem cada vez menos dos deputados de São Bento e cada vez mais da vontade dos grupos que decidem os destinos dos povos e esses não se submetem ao voto popular mas actuam na sombra, seja em Portugal, seja em Bruxelas, seja em Washinghton.

Num momento em que os partidos políticos e as elites no poder desde o 25 de Abril estão a atingir o seu ponto mais baixo na credibilidade dos cidadãos, devido à sua patente natureza corrupta e mafiosa, não nos cabe a nós sermos defensores da lógica política-eleitoral e repudiar o abstencionismo eleitoral, ao lado das direcções partidárias, órgãos de poder e comissões eleitorais.

Na tradição libertária do uso da desobediência e do boicote como armas sociais, e de acordo com a nossa visão sobre o Estado e o poder, a única postura aceitável e consequente é a da abstenção eleitoral. Mais que em qualquer outra época, é na crítica do Estado, das elites políticas, e deste falso sistema democrático em que se decide a facção que se vai locupletar com a riqueza social que os anti-capitalistas mais razões têm para defender a abstenção, mesmo que a abstenção eleitoral não esgote a recusa do Sistema, nem seja um momento decisivo da luta social, não deixa de ser um indicador fundamental das ilusões (ou das desilusões) dos cidadãos em relação aos grupos dominantes. Por tudo isso a opção só pode ser recusar a colaboração com os donos do Poder nos seus rituais periódicos de legitimação.

Quanto ao que se costuma chamar de «participação política», no melhor estilo da linguagem insípida dominante, que é a ritual participação através do voto em eleições, melhor seria que se referisse à necessidade do envolvimento das pessoas, principalmente dos grupos dominados e excluídos, na luta social que foi, e continua a ser, o único meio dos de baixo forçarem as mudanças sociais como a história nos tem ensinado ao longo dos séculos. A renovação, teórica e prática, do pensamento anti-capitalista, não se dá pela sua adaptação ao discurso, e interesses, dos donos do Poder mas à defesa intransigente das ruas e da luta social como meio de combate às classes e elites dominantes e a defesa da ideia de que é possível outro tipo de sociedade baseada no auto-governo das comunidades.

Para nós, em síntese, o actual sistema democrático-capitalista, baseado na desigualdade económica, social e política, só pode continuar a merecer a crítica radical e uma boa dose de asco. A ida às urnas só se justificaria se fosse para vomitar dentro.



Texto de Manuel de Sousa, in

Diz não ( por Vergílio Ferreira; texto retirado do seu diário Contra Corrente)

Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.

Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.

Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de «elitismo», mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.

Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.

Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.

Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela.

Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.


Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenando-nos em gado sob o comando de um pastor.

Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.

Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.

E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade.

in "Contra Corrente" de VERGÍLIO FERREIRA

Eu velida nom dormia (a cantiga de amigo de Pedro Eanes Solaz)



Eu velida nom dormia
lelia doura,
e meu amigo venia,
edoi lelia doura.

Nom dormia e cuidava
lelia doura,
e meu amigo chegava,
edoi lelia doura.

E meu amigo venia,
lelia doura,
e d'amor tam bem dizia
edoi lelia doura.

E meu amigo chegava,
lelia doura,
e d'amor tam bem cantava
edoi lelia doura.

muito desejei amigo,
lelia doura,
que vos tevesse comigo,
edoi lelia doura.

Muito desejei amado,
lelia doura,
que vos tevesse a meu lado,
edoi lelia doura.

Leli, leli, par Deus, leli
lelia doura,
bem sei eu que nom diz leli,
edoi lelia doura.

Bem sei eu quem nom diz leli,
lelia doura,
demo x'é quem nom diz lelia,
edoi lelia doura.


Pedro Eanes Solaz.
Séc. XIII.


Comentário: trata-se de uma cantiga de amigo de um poeta galego do séc.XIII que é objecto de estudo e alguma polémica pela presença de palavras com sentido enigmático, de origem árabe ( «Leli», «Leli doura»), e onde Herberto Helder foi buscar o título para uma antologia de poesia portuguesa de que foi o organizador ( «edoi lelia doura, "Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Moderna Portuguesa"»).

Pelo ritmo e pelo refrão esta cantiga parece uma cantiga feita para bailar, tendo sido provavelmente cantada por uma soldadeira a um senhor mourisco, ou um músico árabe

Segundo certos autores, Leli significa «a minha noite»; edoy significa «e hoje»; Lelia significará «para mim»: doura significa « a minha vez». Se assim for « edoi lelia doura» quer dizer «agora é a minha vez». Mas a interpretação não é consensual entre os estudiosos.

O cantor e músico berciano Amancio Prada interpreta a cantiga d'Amigo de Pedro Eanes Solaz (Século XIII








Outra Cantiga de Pedro Eanes Solaz


Dizía la ben talhada:
«Agora viss'eu, penada,
ond'eu amor hei».

A ben talhada dizía:
«Penada, viss'eu un día
ond'eu amor hei.

Ca, se o viss'eu, penada,
non sería tan coitada,
ond'eu amor hei.

Penada, se o eu visse,
non ha mal que eu sentisse,
ond'eu amor hei.

Quen lh'hoje por mí dissesse
que non tardass'e veesse
ond'eu amor hei.

Quen lh'hoje por mí rogasse
que non tardass'e chegasse
ond'eu amor hei».


Nos Cancioneiros da Lírica Galego-Portuguesa Medieval conservam-se deste Jogral ou segrel três Cantigas d'Amigo e quatro d'Amor (uma delas paródica, dedicada a uma freira,e que poderia considerar-se de Escárnio: Non est a de Nogueyra a freyra que m'en poder ten)